As traduções, a partir do português, são automáticas. Se você notar algum erro no texto, ajude-nos a identificá-los, clicando aqui.
O Espiritismo não foi apresentado por Allan Kardec como uma religião fundada em dogmas, ritos ou autoridade sacerdotal, mas como uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Seu ponto de partida está no estudo dos fatos, na comparação das manifestações e no raciocínio aplicado às leis que regem as relações entre o mundo corporal e o mundo espiritual.
Essa definição é essencial para compreender a própria estrutura da Doutrina Espírita. Em Kardec, a moral não surge como um conjunto de preceitos impostos à fé, mas como consequência racional do conhecimento das leis espirituais. A sobrevivência da alma, a reencarnação, a responsabilidade pelos próprios atos e o progresso do Espírito conduzem, por sua própria lógica, a determinadas consequências morais.
Partindo dessa perspectiva, este artigo examina três pontos fundamentais: o Espiritismo como ciência de observação e raciocínio, sua distinção em relação à religião no sentido tradicional e a moral como consequência direta da compreensão das leis espirituais.
Abaixo, os trechos e demonstrativos são apresentados organizados por eixos temáticos, com as devidas referências bibliográficas detalhadas.
1. O Espiritismo como Ciência de Observação e Raciocínio
Allan Kardec define a Ciência Espírita pelo uso do método experimental e indutivo: parte-se da observação rigorosa dos fatos para, remontando dos efeitos às causas, deduzir as leis naturais que os regem.
Definição Fundamental da Ciência Espírita
“O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as conseqüências morais que dimanam dessas mesmas relações. Podemos defini-lo assim: O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.”
Bibliografia: O que é o Espiritismo (1859), Capítulo I, “Primeiro Diálogo – O Crítico”; Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas (1864), Item 1; Revista Espírita (Abril de 1864), p. 115.
O Método Experimental Aplicado ao Princípio Espiritual
“Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental. Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas; ele os observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega à lei que os rege… Não foram os fatos que vieram a posteriori confirmar a teoria: a teoria é que veio subseqüentemente explicar e resumir os fatos. É, pois, rigorosamente exato dizer-se que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação.”
Bibliografia: A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo (1ª ed. 1868 / Edição Autêntica FEAL), Capítulo I (“Natureza da Revelação Espírita”), Item 14; O Espiritismo na Sua Expressão Mais Simples (1868), Seção III (“Caráter da Revelação Espírita”), Item 14.
A Constituição da Ciência pela Dedução Lógica
“Toda ciência deve estar baseada sobre fatos; mas só os fatos não constituem a ciência; a ciência nasce da coordenação e da dedução lógica dos fatos: é o conjunto de leis que os regem.”
Bibliografia: Revista Espírita (Janeiro de 1858), “Introdução”.
Positivismo dos Fatos Naturais
“Não, o Espiritismo não é uma concepção individual, um produto da imaginação; não é uma teoria, um sistema inventado para a necessidade de uma causa; tem sua fonte nos fatos da própria Natureza, nos fatos positivos, que se produzem a cada instante sob nossos olhos… É, pois, um resultado da observação, uma ciência, em uma palavra: a ciência das relações do mundo visível e do mundo invisível…”
Bibliografia: Revista Espírita (Novembro de 1864), “O Espiritismo é uma Ciência Positiva” (Alocução de Kardec em Bruxelas e Anvers).
Ciência de Raciocínio
“O Espiritismo é, sem dúvida, uma ciência de observação, mas é mais ainda, talvez, uma ciência de raciocínio; o raciocínio é o único meio de fazê-lo avançar e triunfar de certas resistências.”
Bibliografia: Revista Espírita (Setembro de 1859), “A Tabaqueira” (Nota de Kardec).
2. A Demonstração de que o Espiritismo NÃO é uma Religião no Sentido Vulgar
Kardec esclareceu reiteradamente a distinção semântica entre o sentido filosófico da palavra religião (laço de fraternidade) e a sua acepção vulgar ou institucional (igreja, culto exterior, sacerdócio e dogmas), negando que o Espiritismo constitua uma religião no sentido tradicional.
A Ausência de Dogmas, Culto e Sacerdotes
“O Espiritismo é uma ciência ou, dizendo melhor, uma filosofia espiritualista que ensina a moral. Ela não é uma religião, naquilo que não tem nem dogmas, nem culto, nem sacerdotes, nem artigos de fé…”
Bibliografia: Revista Espírita (Fevereiro de 1866), “O Espiritismo toma lugar na filosofia e nos conhecimentos usuais”.
Recusa da Estrutura Clerical e das Práticas Exteriores
“Por que, então, declaramos que o Espiritismo não é uma religião? – Porque só temos uma idéia para exprimir duas idéias diferentes e porque, na opinião geral, a palavra é inseparável de ‘culto’; revela exclusivamente uma idéia de práticas exteriores. E o Espiritismo não é isso. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público só veria nele uma nova edição, uma variante dos princípios absolutos em matéria de fé, uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias…”
Bibliografia: Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas (1858), “Nota Especial sobre Religião”; Revista Espírita (Dezembro de 1868), “Discurso de Abertura da Sessão Anual em Memória dos Mortos”.
Afastamento do Formato de Seita ou Igreja
“Seu verdadeiro caráter é, pois, o de uma ciência e não de uma religião… O Espiritismo não é, pois, uma religião: de outro modo teria seu culto, seus templos, seus ministros. Cada um, sem dúvida, pode se fazer uma religião de suas opiniões… mas daí à constituição de uma nova Igreja, há distância… Em resumo, o Espiritismo se ocupa com a observação dos fatos, e não com as particularidades de tal ou tal crença…”
Bibliografia: O que é o Espiritismo (1859), Capítulo I, “Terceiro Diálogo – O Padre”; Revista Espírita (Março de 1859), “Resposta à Réplica do Senhor Abade Chesnel”.
Independência em Relação a Ritos e Templos
“A essa primeira questão: O Espiritismo é uma religião, os Espíritas dizem: Não, o Espiritismo não é uma religião, não pretende ser uma religião… Ele tem conseqüências morais, é verdade, no sentido do cristianismo, mas não tem nem culto, nem templos, nem ministros; cada um pode se fazer uma religião de suas opiniões, mas daí à constituição de uma nova Igreja, há distância…”
Bibliografia: Revista Espírita (Julho de 1862), “O Espiritismo é provado por milagres?”.
3. A Moral como Consequência Direta e Racional da Ciência Espírita
Na Codificação, a moral não é o ponto de partida dogmático, mas o corolário e a aplicação prática derivados do conhecimento científico das leis espirituais (imortalidade, perispírito, reencarnação e lei de causa e efeito).
A Moral como “Código das Consequências” da Lei Científica
“O Espiritismo repudia, nos limites do que lhe pertence, todo efeito maravilhoso, isto é, fora das leis da Natureza; ele não faz milagres nem prodígios, antes explica, em virtude de uma dessas leis, certos efeitos… Ele amplia, igualmente, o domínio da Ciência, e é nisto que ele próprio se torna uma ciência; como, porém, a descoberta dessa nova lei traz conseqüências morais, o código das conseqüências faz dele, ao mesmo tempo, uma doutrina filosófica.”
Bibliografia: O que é o Espiritismo (1859), Capítulo I, “O Maravilhoso e o Sobrenatural”.
A Ciência como Vestíbulo e a Moral como Finalidade
“A Ciência Espírita teve como vestíbulo as manifestações físicas, mas sua finalidade é moral e suas pesquisas devem desenvolver-se nesse sentido. Provada a sobrevivência espiritual e a comunicabilidade, o Espiritismo deve aprofundar-se na investigação dos processos de comunicação, da situação dos Espíritos após a morte, das leis que regulam as relações permanentes entre os Espíritos e os homens…”
Bibliografia: O Livro dos Médiuns (1861), Prefácio (Análise teórica do método da Codificação).
A Hierarquia do Conhecimento: Do Fato à Prática Moral
“O Espiritismo se apresenta sob três aspectos diferentes: o das manifestações, o dos princípios e da filosofia que delas decorrem e o da aplicação desses princípios. Daí, três classes, ou, antes, três graus de adeptos: 1° os que crêem nas manifestações e se limitam a comprová-las; para esses, o Espiritismo é uma ciência experimental; 2° os que lhe percebem as conseqüências morais; 3° os que praticam ou se esforçam por praticar essa moral.”
Bibliografia: O Livro dos Espíritos (1857 / 1860), “Conclusão”, Item VII.
Consequências Morais como Utilidade Real da Ciência
“As manifestações não são, pois, destinadas a servir aos interesses materiais; sua utilidade está nas conseqüências morais que delas dimanam; não tivessem, elas, porém, como resultado senão fazer conhecer uma nova lei da Natureza, demonstrar materialmente a existência da alma e sua imortalidade, e já isso seria muito, porque era largo caminho novo aberto à Filosofia.”
Bibliografia: O que é o Espiritismo (1859), Capítulo I, “Dos Médiuns”.
A Sanção das Leis Naturais sobre a Doutrina Moral
“O que o ensino dos Espíritos acrescenta à moral do Cristo é o conhecimento dos princípios que regem as relações entre os mortos e os vivos, princípios que completam as noções vagas que se tinham da alma, de seu passado e de seu futuro, dando por sanção à doutrina cristã as próprias leis da Natureza.”
Bibliografia: A Gênese (1ª ed. 1868), Capítulo I, Item 56; O Espiritismo na Sua Expressão Mais Simples (1868), Seção III, Item 56.
Quadro Resumo Bibliográfico das Obras Citadas
| Obra de Allan Kardec | Localização Exata | Tema Demonstrado |
|---|---|---|
| O Livro dos Espíritos (1857/1860) | Conclusão, Item VII. | O aspecto científico experimental e a escala de compreensão moral. |
| O que é o Espiritismo (1859) | Cap. I (Diálogos 1 e 3; O Maravilhoso; Dos Médiuns). | Definição de ciência de observação, rejeição da forma religiosa e moral como consequência. |
| Instruções Práticas (1858) | Nota Especial sobre Religião. | Explicitação de por que o Espiritismo não é uma religião tradicional. |
| O Livro dos Médiuns (1861) | Prefácio / Introdução. | A Ciência Espírita como meio e a moral como finalidade. |
| Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas (1864) | Item 1. | Definição do Espiritismo como ciência de observação e filosofia moral. |
| A Gênese (1868 – 1ª Edição Autêntica) | Cap. I, Itens 14, 16 e 56. | O método experimental, a complementariedade entre Ciência e Espiritismo e as leis naturais. |
| Revista Espírita (1858–1868) | Jan/1858, Mar/1859, Jul/1862, Nov/1864, Fev/1866, Dez/1868. | Argumentação continuada sobre o método científico, a ausência de culto/sacerdotes e a moral racional. |
Estes textos comprovam que Allan Kardec definiu o Espiritismo como um campo do conhecimento científico e filosófico, no qual a pesquisa experimental dos fatos revela as leis do mundo invisível, e cuja assimilação racional produz compulsoriamente a renovação moral e a prática da caridade.
Indicações de Leitura (Livros)
Conheça os livros que recomendamos como essenciais para seu conhecimento sobre o Espiritismo verdadeiro: https://www.geolegadodeallankardec.com.br/livros-recomendados/
Conheça as obras altamente indicadas para sua instrução. Clique aqui

