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Gostaríamos de abordar esse ponto muito importante, já que, hoje, muitos se erguem para condenar a mediunidade no lar, como se, fora do centro espírita, não tivéssemos a proteção adequada. Isso é um grande mito, criado pela falta de estudos da ciência espírita, contida nas 23 obras de Kardec, como demonstraremos a seguir.
Para desbancar esse mito, vou recorrer a dois artigos importantes, presentes na Revista Espírita, de onde tiro os seguintes trechos, sendo este o primeiro:
Não esqueçamos uma das mais honrosas menções ao grupo espírita de Douai, que visitamos de passagem, e um particular testemunho de gratidão pelo acolhimento que ali nos dispensaram. É um grupo familiar, onde a Doutrina Espírita evangélica é praticada em toda a sua pureza. Ali reinam a mais perfeita harmonia, a benevolência recíproca, a caridade em pensamento, palavras e ações; ali se respira uma atmosfera de fraternidade patriarcal, isenta de eflúvios daninhos, onde os bons Espíritos devem comprazer-se tanto quanto os homens. Também as comunicações ali ressentem a influência do meio simpático. Ele deve à sua homogeneidade e aos escrupulosos cuidados nas admissões, o fato de jamais haver sido perturbado por dissensões e dificuldades que outros tiveram que sofrer. É que todos os que dele fazem parte são espíritas de coração e nenhum procura fazer prevalecer sua personalidade. Os médiuns aí são relativamente muito numerosos; todos se consideram simples instrumentos da Providência; não têm orgulho nem pretensões pessoais e se submetem humildemente e sem se sentirem magoados, ao julgamento das comunicações que recebem, prontos a destruí-las se forem consideradas más.
(Kardec, Allan. O Espiritismo na Bélgica. Revista Espírita de outubro de 1864)
E, este, o segundo:
É um espetáculo realmente edificante a vida dessa piedosa família. Alimentadas nas ideias espíritas, essas crianças não se consideram separadas do pai. Para elas, ele está presente. Temem praticar a menor ação que possa desagradá-lo. Uma noite por semana, e às vezes mais, é consagrada a conversar com ele. Existem, porém, as necessidades da vida, que devem ser providas, pois a família não é rica. É por isso que um dia certo é marcado para essas conversas piedosas e sempre esperadas com impaciência. Muitas vezes pergunta a pequenina: “É hoje que papai vem?” Esse dia transcorre entre conversas familiares e instruções proporcionadas à inteligência, algumas vezes infantis, outras vezes graves e sublimes. São conselhos dados a propósito de pequenas travessuras que ele assinala. Se faz elogios, também não poupa críticas, e o culpado baixa os olhos, como se o pai estivesse diante dele; pedelhe perdão, que por vezes só é concedido depois de algumas semanas de prova. Sua sentença é esperada com febril ansiedade. Então, que alegria, quando o pai diz:
“Estou contente contigo!” Entretanto, a mais terrível sentença é: “Não virei na próxima semana.”
(Kardec, Allan. O Lar de uma Família Espírita. Revista Espírita de setembro de 1859)
Como se vê, Kardec estimulava a mediunidade séria no lar. Esses são apenas dois exemplos, bastante contundentes, dentre vários que poderíamos dar a esse respeito. Os Espíritos estão sempre à nossa volta, onde quer que estejamos, e são nossas intenções sinceras, em harmonia com outros integrantes – ainda que à distância – juntamente com o exame crítico de toda e qualquer comunicação, que conferem segurança à reunião mediúnica.
A mediunidade exercida dessa forma foi o que deu a condição de Kardec ter mais de mil grupos em contato com a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, enviando, por cartas, os registros de seus diálogos mediúnicos. Isso foi perdido após a morte de Kardec e, hoje, grande parte dos centros espíritas encontram-se mergulhados em total desconhecimento da doutrina e dos princípios fundamentais dessa ciência, tornando-se espaço para mistificações, fascinações e obsessões.
O que Kardec desejava, conforme registra em “Constituição Transitória do Espiritismo”, na Revista Espírita de dezembro de 1868, é aquilo que hoje propomos: grupos por toda parte, sérios, harmoniosos, conhecedores da doutrina espírita, retomando o diálogo com os Espíritos, questionando, examinando e, enfim, colaborando entre si, através de agrupamentos centrais de seus representantes, comparando o material desenvolvido nos grupos. Esse é o futuro que o Espiritismo demanda e esperamos que, a cada dia que passa, possamos estar contagiando mais pessoas com esse propósito que, contudo, nasceu do conhecimento da obra de Kardec e dos fatos ao redor das adulterações. A bibliografia essencial sobre tudo isso pode ser consultada em nosso site – Grupo de Estudos O Legado de Allan Kardec.
Uma palavra aos desinformados: dizer que a época de Kardec era diferente da nossa, como se hoje tivéssemos uma “psicosfera” que não existia na época do codificador, é uma total falta de conhecimento sobre fatos históricos, dos quais recomendamos que esses busquem se inteirar.
Indicações de Leitura (Livros)
Conheça os livros que recomendamos como essenciais para seu conhecimento sobre o Espiritismo verdadeiro: https://www.geolegadodeallankardec.com.br/livros-recomendados/