Caridade e Espiritismo:

Quando se quer fazer o bem, a ação, sem dúvidas, é indispensável, sem esquecer que o que conta é realmente a intenção. Não porque Deus esteja anotando as intenções, mas porque é ela que conta para o aprendizado ou para o apego do indivíduo. Mas não podemos esquecer que o ideal é saber o que se faz, para não fazer errado. Vamos falar sobre Caridade e Espiritismo.

Falando em Movimento Espírita, temos, infelizmente, a prática de alguns que se colocam a julgar. De um lado, alguns que se limitam ao acúmulo do saber para si mesmos, criticam aqueles que se concentram na prática. De outro lado, alguns, que se limitam à ação, sem vontade de buscar o conhecimento, colocam-se a julgar aqueles que buscam o conhecimento, como se o saber não fosse útil. Estou aqui para mostra que ambos os extremos estão errados.

O inferno está cheio de boas intenções

Há um ditado popular que diz: “o inferno está cheio de boas intenções”. Isso significa: querendo fazer o bem, mas não sabendo o que se faz, pode-se produzir o mal. Evidente, é claro, que não há condenação senão pela própria consciência e que o indivíduo que erra querendo fazer o bem sentirá sofrimento moral muito menor do que aquele que erra querendo fazer o mal. Mas o fato que destaco é que, para fazer o bem, o ideal é que se saiba o que se faz, e é por isso que o entendimento do Espiritismo é tão importante para a compreensão real do que seja a caridade.

Há algum tempo, um grupo de jovens se reuniu para satisfazer o sonho de um amigo: pular de bungee jump, que consiste em se prender a cordas e pular de um lugar alto. Conseguiram as cordas, amarraram o amigo que, então, saltou de um precipício, para se estatelar no chão e morrer. O problema? Eles não conheciam a ciência do que estavam fazendo e não calcularam bem o tamanho da corda. Penso na culpa que cada um deles deve carregar ainda hoje.

Acumular saber sem nada fazer

Existem também os indivíduos que se concentram em acumular conhecimentos. Mas esses conhecimentos eles não aplicam nem a si mesmos, nem ao bem dos demais: eles apenas os guardam para si, de modo que, sempre que possível, possam provar que sabem mais que os outros. É o cúmulo do orgulho e do egoísmo, mas, um dia, esse conhecimento lhe será útil para agir, quando se arrepender de seus desvios.

Relato: idosa, pobre e com oito crianças para cuidar

Como relato pessoal, posso contar de um centro espírita que frequentei por muitos anos. Desde que me lembro, a prática ali é voltada ao bem, mas conforme as ideias que moldam o movimento espírita atual, como se fosse uma religião: frequentar a reunião da “casa espírita” semanalmente, ouvir a palestra, tomar um passe e ir embora. Uma vez por mês há uma reunião mediúnica para assistência de Espíritos sofredores. Fora dali, não se fala em Espiritismo e muito menos se o pratica. O Centro está esvaziado, porque não há maior interesse. Com muito esforço e superando enormes dificuldades, os participantes da casa promovem mensalmente um ato de entrega de cestas básicas para famílias necessitadas. E é isso. Essas famílias não participam de atividades da casa e não conhecem a real beleza do Espiritismo. Saindo dali, elas vão em outras instituições e igrejas buscar mais itens necessários.

Certa vez, quando por acaso eu estava presente nesse dia de entrega de cestas-básicas, notamos uma senhora que já comparecia ali há mais de dois anos. Ela estava extremamente triste. Sua situação: com quase 70 anos, perdeu dois de seus filhos em acidentes diferentes. Esses filhos a deixaram com um total de oito crianças, que ela buscava sustentar catando lixo e contando com alguma ajuda que obtinha daqui e dali.

Revoltada com Deus

Nesse dia, essa senhora estava desesperada e revoltada com Deus. Não conseguia aceitar essa situação. Se perguntava: “que Deus é esse que permite tais coisas?”. Notando isso, minha mãe e eu começamos a conversar especialmente com ela. Conseguimos fazê-la compreender que essas coisas acontecem, como parte das provas. Que talvez tenha sido algo escolhido previamente ou não, mas que, de qualquer maneira, ela estava tendo um papel tão importante na vida dessas crianças, ensinando-as o exemplo do amor, da dedicação e, sobretudo, lhes dando valores morais tão importantes. Eu lhe disse: “esses Espíritos agradecerão demais o seu empenho”, o que lhe fez brotar um novo brilho no olhar.

Além disso, organizamo-nos de diversas maneiras e conseguimos doações diversas, inclusive colchões, pois as crianças dormiam no chão.

Desse dia em diante, vimos uma nova energia dominar seu Espírito. Uma nova determinação para enfrentar essas dificuldades lhe dominou o ser. Ela deixou de lado a revolta, porque algo claro e simples lhe atendeu ao raciocínio.

A face real do Espiritismo

Esse “algo”, claro e simples, é o Espiritismo em sua essência. Não esse “espiritismo” com “e” minúsculo, afastado dos estudos científicos de Kardec e preso aos mais diversos erros nascidos da aceitação cega das opiniões dos Espíritos, quase sempre em romances mediúnicos. Não: o Espiritismo, doutrina filosófica, desenvolvida pelo método científico. “O Espiritismo não é obra que marche na sombra. Ele é conhecido; seus princípios são formulados com clareza, precisão e sem ambiguidades” (Revista Espírita, Março de 1863).

Outros poderiam erradamente dizer que essa senhora estaria “quitando” débitos de vidas passadas, o que é falso ((Ainda que ela possa ter tido ligações passadas com esses Espíritos e que, sentindo-se em débito por algo, tenha escolhido ajudá-los nesta vida, não se trata de “quitar” algo, mas sim de aprender auxiliando.)) ou, ainda, que essas crianças nasceram naquele meio para quitar suas dívidas. Esquecem-se ou desconhecem que o Espírito também escolhe tais situações para aprendizado, e não apenas para expiações (sendo as escolhas dos Espíritos que buscam se desapegar de uma imperfeição adquirida). Além disso, não refletem no que tais palavras podem fazer com uma mente já perturbada.

A questão aqui não é dizer que um faz mais que outro ou que um seja melhor que o outro. O ponto é: o Movimento Espírita, sem o conhecimento do Espiritismo, se tornou manco, incompleto, incapaz de dar a verdadeira face do Consolador Prometido. Sem o conhecimento, a caridade se torna mero assistencialismo. Quem sabe, se naquela oportunidade dada por Deus, não tivéssemos dado atenção àquela senhora ou não tivéssemos condição de dizer algo melhor, ela poderia ter continuado revoltada ou se amargurado mais ainda, para, quem sabe, tomar atitudes lastimáveis, abalada por nossas palavras?

Fora da Caridade não há salvação

Quando Kardec estipulou esse estandarte do Espiritismo, “fora da caridade não há salvação”, ela fazia um contrapeso à frase da Igreja Católica, que dizia que “fora da Igreja não há salvação”. Mas não apenas isso: ele definia exatamente o princípio de caridade pelo Espiritismo, como meio de salvação, sendo o esforço próprio em fazer o bem ou voltar para ele.

O que é a caridade para o Espiritismo? É o dever moral. É a ação pelo bem, que não espera recompensas. E fazer o bem é desejar ser útil ao próximo, auxiliando e sendo auxiliando, aprendendo e ensinando. Ora, como ser realmente útil, sem saber o que se faz? Poderíamos, desejando ser úteis, amarrar cordas nas pernas do outros, para empurrá-la de um barranco, sem medir o tamanho dessa corda.

Sempre tenho destacado, porque eu mesmo passei por isso, como aquela senhora também passou e como muitos outros também passaram: nos momentos mais difíceis de nossa vida, nos mais avassaladores, nossa consciência busca respostas racionais para o que passamos. E a fé, como bem dizia Kardec, quando não pode encarar a razão, esmorece. Muitos se afastam da religião e de qualquer espiritualidade quando isso acontece.

Repito o que disse Kardec sobre o Espiritismo: “seus princípios são formulados com clareza, precisão e sem ambiguidades“. Foi o conhecimento desses princípios, adquiridos apenas após trinta e três anos vivendo no Movimento Espírita, que me permitiram dar palavras claras, simples e racionais àquela senhora. Foi esse conhecimento que me permitiu sair de uma depressão, por um trabalho longo e ininterrupto de estudo.

Conclusão

O que pretendo demonstrar, enfim, é que o Espiritismo é uma doutrina científica que nos dá o conhecimento para errar muito menos, fazendo o bem com mais assertividade e transmitindo menos ideias erradas. Hoje, olho para trás e vejo incontáveis exemplos de pessoas que se afastaram do Movimento Espírita por conta das falsas ideias que dominam esse meio, que se tornou uma religião como todas as outras.

Aquecer um ser que passa frio; dar-lhe alimento para não sucumbir pela fome; água para matar-lhe a sede: todas são ações de caridade necessárias e inadiáveis. Mas e sobre auxiliá-lo a mudar suas disposições interiores pelo entendimento, coisa que o Espiritismo consegue com clareza inigualável? E sobre acolhê-lo, ouvindo suas queixas, suas dores, para então dar-lhe uma ideia de uma filosofia que permite ver a vida de outra maneira, clara e racional, além de simples? Afinal, a muitos que estão nessas condições, falta a vontade, muitas vezes justamente por crerem que estão assim por castigo.

A ideia original do Espiritismo é muito mais clara, racional e clemente. Ela reflete a bondade da justiça divina. A caridade, segundo o Espiritismo, é algo simples e profundo: consiste fazer o bem sem esperar retorno. Afastarmo-nos desse conhecimento tem nos tornado pouco úteis ou até mesmo danosos em nossas falas e em nossas ações, mesmo quando aspiramos fazer o bem.




Kardecismo: um termo impróprio

Muitos adeptos do movimento espírita utilizam o termo “kardecismo” ou “kardecista” para se referirem à sua “religião” ou “crença”. Em apenas uma frase, já temos três erros, com os quais podemos começar.

Espiritismo é ciência

Em primeiro lugar, é importante destacar que o Espiritismo é uma ciência. Como tal, é uno. Poderia ter ramificações de áreas de estudos, como a Física tem a Física Quântica, a Mecânica, a Ótica, etc. Mas a Física é uma só, como o Espiritismo é um só. Falar em “kardecismo” seria como deixar de falar em Física para falar em newtonismo ou einsteinismo, o que seria um erro, já que Newton e Einstein foram pesquisadores que, com método científico, estudaram a Física e geraram suas teorias científicas. Allan Kardec fez o mesmo.

Dizer “kardecismo” é dar uma personalidade à ciência espírita, reduzindo-a à expressão das ideias de Kardec, o que é falso. Kardec foi o pesquisador responsável por centralizar os estudos, sim, e são suas obras que formam a Doutrina Espírita como é conhecida. Mas é necessário lembrar que suas obras são fruto de um trabalho coletivo e colaborativo. Kardec nunca se deu o direito de dominar a verdade.

Os outros erros seriam tratar o Espiritismo como religião, o que não procede, ou como crença, o que seria rebaixá-lo do nível de ciência e transformá-lo em mera crendice. É necessário distinguir aquilo que nasce da crença cega naquilo que alguém diz, da “crença” nascida do raciocínio científico. São coisas diferentes.

Movimento Espírita se tornou religião

Infelizmente, importa destacar que aquilo que se tornou o Movimento Espírita se tornou crendice e religião. Para grande parte dos espíritas modernos, Kardec tem o mesmo peso que Jesus nas religiões presas ao Velho Testamento: fala-se em seu nome, para dar credibilidade, mas conhece-se apenas a superfície, preferindo-se ficar com as distorções.

Conclusão

Ao ser questionado sobre minha religião, não diga ser espírita, kardecista, etc. Se você tem uma religião, diga sua religião e diga que, além disso, estuda o Espiritismo. Se você não tem religião e estuda a ciência espírita, diga: “não tenho religião: estudo a ciência espirita”.




Spirit Box para se comunicar com os Espíritos

O “Spirit Box” é um dispositivo muito comentado atualmente, sobre tudo por conta dos canais de “caça-fantasmas”. Até mesmo, com muitos enganos, o “Canal Espírita” já abordou o assunto, conforme eu demostro neste vídeo. Mas o assunto não é novo: há muito tempo, pesquisadores da transcomunicação instrumental (TCI) dizem se utilizar de dispositivos eletrônicos para a comunicação dos Espíritos. Allan Bispo descreve o seguinte fato curioso:

Poderíamos dizer que o primeiro caso de voz paranormal gravada aconteceu no laboratório de física experimental da universidade católica de Milão, em 17 de setembro de 1952.

Ali, os padres Gemelli e Ernetti realizavam experiências com cantos gregorianos para eliminar os harmônicos. Naquela época não existiam gravadores com fitas, mas apenas com fios. Este fio se rompia com freqüência, então era necessário dar um nó finíssimo para não prejudicar o som.

Naquele dia, o fio acabara de se romper mais uma vez e o padre Gemelli, chateado, exclama: “oh, papai, me ajude”, como tinha por hábito de dizer há muitos anos, desde a morte de seu pai.

Uma vez feito o conserto, começaram a escutar o material gravado, porém, ao invés do canto gregoriano esperado, ouviram estupefatos a voz do pai: “claro que o ajudo e estou sempre com você”.

BISPO, Allan. “Transcomunicação Instrumental”. Disponível em https://www.harmoniaespiritual.com.br/2011/09/transcomunicacao-instrumental.html. Acessado em 19 de outubro de 2023.

Por esses e outros fatos, podemos constatar que a transcomunicação instrumental, mesmo através da “Spirit Box”, não é algo impossível. Na verdade, parece bastante factível. A questão, sempre, em se tratando de ciência, será saber analisar a tudo fria e metodologicamente, separando as coisas…

Interesses

A grande dificuldade, sempre, será saber analisar e separar o que é verdadeiro, sério, daquilo que não é. O problema não é novo: na época de Kardec os charlatães já faziam uso dos mais diversos tipos de truques e artifícios para ganharem fama e, quase sempre, dinheiro. Por isso Kardec sempre recomendou o sangue-frio na análise desses supostos fenômenos, nunca aceitando nada apressadamente. Os artigos “A floresta de Dodona e a estátua de Memnon”, da Revista Espírita de fevereiro de 1858, “Fraudes espíritas”, de abril de 1859 e “O músculo que range”, de junho de 1859, são recomendados nesse sentido ((Todo o estudo da Revista Espírita é importante, é evidente)).

Esse problema, dos interesses por detrás dos supostos fenômenos, não se restringem à comunicação por instrumentos, somente. Abrange também as comunicações mediúnicas, infelizmente. Mas, atualmente, uma nova (má) contribuição veio somar nesse sentido: o surgimento de aplicativos que, supostamente, permitiriam a comunicação com os Espíritos.

app spirit story box

Não está em nossas condições afirmar se os Espíritos podem ou não podem interagir por meio de um aplicativo de celular, simplesmente porque não existe estudo metodológico sobre isso. Sendo o Espiritismo uma ciência, isto é claro: o que não está desenvolvido pela metodologia científica não pode ser admitido, nem sumariamente descartado. Mas há um ponto relevante: os Espíritos não interagem diretamente sobre a matéria, isto é, não sem um médium de efeitos físicos que lhes permitam obter o fluido perispiritual animalizado (ectoplasma) para efetuar qualquer ação sobre a matéria. Tendo esse médium à disposição — muitas vezes, sem mesmo que este saiba — o Espírito age, por assim dizer, diretamente sobre a matéria. Desse modo, podemos afirmar, com segurança, que a comunicação via objetos (transcomunicação instrumental) é apenas mais uma opção e, talvez, a mais limitada delas.

A questão aqui é apontar para o fato de que, munidos de tais aplicativos e de falsas ideias, canais de vídeo no YouTube se transformaram em gigantescas fontes de lucros e de desinformação. Muitos desses canais, com centenas de milhares de seguidores, geram somas mensais de milhares de dólares aos seus donos, que parecem encontrar Espíritos “presos” em todo imóvel abandonado. Além disso, temos o próprio mercado de dispositivos e de aplicativos, que vivem da propaganda feita por esses canais. É uma verdadeira pirâmide de interesses, onde a caridade não encontra lugar.

Falsas suposições

Espíritos frequentam de preferência as ruínas

Por desconhecimento do Espiritismo, parte-se da falsa ideia de que os Espíritos sofredores estariam especialmente alocados em determinados lugares, como casas abandonadas e cemitérios. Isso é falso. Como o que consta em O Livro dos Médiuns a esse respeito é excelente por si só, recomendo a leitura do artigo “Lugares assombrados“, do qual destaco o seguinte excerto:

4.ª. Tem qualquer fundamento a crença de que os Espíritos frequentam de preferência as ruínas?

Nenhum. Os Espíritos vão a tais lugares, como a todos os outros. A imaginação dos homens é que, despertada pelo aspecto lúgubre de certos sítios, atribui à presença dos Espíritos o que não passa, quase sempre, de efeito muito natural. Quantas vezes o medo não tem feito que se tome por fantasma a sombra de uma árvore e por espectros o grito de um animal, ou o sopro do vento? Os Espíritos gostam da presença dos homens; daí o preferirem os lugares habitados, aos lugares desertos.”

O que não quer dizer que não existam Espíritos que fiquem apegados aos lugares, sobretudo quando se tratam de suas antigas moradias. Triste realidade, que causa sofrimento ao Espírito com apego às ideias materialistas.

Somente se comunicam Espíritos sofredores

Ideia fixa entre os “caça-fantasmas” é a de que somente se comunicam Espíritos trevosos ou sofredores. Isso é falso. Por meio das manifestações físicas se comunicam Espíritos inferiores, mas isso não quer dizer que sejam maldosos ou que suas intenções sejam más. Muitas vezes querem apenas chamar a atenção ou mesmo agradecer. A Revista Espírita é repleta de fatos como esses, sendo um deles aquele contado no artigo “Um antigo carreteiro“, de dezembro de 1859.

Falar com Espíritos sofredores causa obsessão

Essa é outra ideia muito falsa que reina no movimento espírita em geral. O que causa obsessão é a livre aceitação da influência de outro Espírito, encarnado ou desencarnado. Desde que não se permita essa influência, por uma força moral maior, ela não ocorrerá. Não podemos, porém, apoiar as brincadeiras e as tolices feitas através das evocações dos Espíritos, o que somente poderá atrair Espíritos levianos ou mesmo maldosos (que, uma vez mais, somente encontrarão espaço para influenciação se encontrarem ressonância nas ideias e nas ações dos indivíduos).

Estranho fato é que um dos maiores fatores de instalação de uma obsessão é a aceitação cega do que dizem os Espíritos, coisa que a maior parte do Movimento Espírita moderno faz. Já tratamos sobre isso no artigo “Obsedados e Subjugados: os perigos do Espiritismo“.

Mais um fato: não é a evocação que atrai os Espíritos, mas o pensamento.

Os Espíritos que se comunicam estão “presos” à Terra

Ainda outra ideia exaustivamente repetida, e falsa, é a de que os Espíritos precisem de “resgate” e que, se isso não acontecer, ficarão “presos” à Terra. Até mesmo um grande canal como o “Canal Espírita” divulga essa falsa ideia, baseada em opiniões. Como demonstra O Livro dos Médiuns (e a Doutrina Espírita inteira) os Espíritos se dirigem por intermédio de sua vontade. Pela vontade e por conta de pouca compreensão e de apegos, podem se ater a pessoas, situações ou lugares. Quando mais elevados e mais desprendidos das ideias materialistas — algo a que o Espiritismo favorece substancialmente — mais facilmente se desprendem da matéria.

É fato que grande parte dos Espíritos que deixam a matéria, aqui na Terra, ainda é constituída de Espíritos pouco desenvolvidos e que permanecem preocupados e envolvidos com interesses mundanos. Mas não é assim com todos. Novamente, o estudo da Revista Espírita (1858 – 1869) prova este princípio.

Evocar Espíritos faz com que fiquem presos à Terra

Essa ideia, repetida pelo Luiz Fernando, no Canal Espírita, também não encontra base no Espiritismo. Na verdade, ela contradiz tudo o que anos de pesquisa séria demonstraram. Evocar os Espíritos (de maneira séria e com bons propósitos) é útil e natural e, em se tratando de Espíritos sofredores, os ajuda a raciocinarem e a justamente se desapegarem da matéria. É o inverso do que dizem aqueles que afirmam tal coisa.

Futilidade

Além da inutilidade e dos interesses, temos também a futilidade. Da mesma forma que acontecia com as brincadeiras do compasso e dos copos que andam, e evocação leviana e fútil dos Espíritos somente pode atrair Espíritos levianos e fúteis. Às vezes, algum Espírito maldoso busca pregar uma peça ou um susto. Outras vezes, se houver ressonância de ideias, pode encontrar alguém para obsedar.

Ausência de utilidade

Supondo que alguns desses eventos sejam comunicações genuínas e admitindo a possibilidade de que aconteçam, precisamos perguntar qual a utilidade delas, dado que somente podem ser realizadas por Espíritos inferiores? Ora, é fato que essas manifestações tiveram sua razão de ser, no passado, de modo a chamar a atenção para os fatos espíritas, mas será que hoje seriam necessárias (excetuando-se os casos muito particulares)? Perguntamos: por que não utilizarmos médiuns, que são ferramentas muito melhores e mais completas para essas comunicações?

É importante lembrar, também, que os Espíritos não podem interagir sobre a matéria diretamente, sem o concurso de um médium, ainda que inconsciente disso. Isso está evidenciado em O Livro dos Médiuns ou guia dos médiuns e dos evocadores > Segunda parte — Das manifestações espíritas > Capítulo V — Das manifestações físicas espontâneas > Arremesso de objetos. Assim, refletimos: já que o médium é indispensável, não seria mais lógico torná-los boas ferramentas, pelo estudo, ao invés de remeter os Espíritos a manifestações físicas?

Além disso, temos que destacar que, afastados os erros e a charlatanice, existem os fenômenos materiais genuínos de Espíritos apegados às ideias materialistas que, por isso, não conseguem encontrar melhor rumo após deixarem o corpo. Ainda aqui, nota-se que, pela ausência de conhecimento do Espiritismo, os indivíduos bem-intencionados, munidos de suas “Spirit Box”, deixam de ser muito mais úteis, pois não sabem lidar com tal fato. Baseiam-se nas falsas ideias vigentes e muito pouco ou nada agregam para auxiliar na mudança de pensamentos daquele Espírito.

Importância do Espiritismo

O Espiritismo, como doutrina científica, é o resultado de anos de pesquisas sérias e metodológicas sobre as manifestações dos Espíritos. Não é algo que alguém tenha tirado de suas próprias ideias e dito “eu digo que é assim”. Pelo contrário: esse estudo levou, por diversas vezes, a que os indivíduos, inclusive Kardec, fossem contrariados em suas hipóteses.

Por esse motivo, estudá-lo é essencial para quem quer que queira fazer o bem com menos erros e praticar a comunicação com Espíritos sadia e útil como ela deve ser.




Lugares assombrados – O Livro dos Médiuns

Este artigo traz, na íntegra, o capítulo de O Livro dos Médiuns que trata sobre os lugares assombrados. Ele é excelente e claro por si só, de forma que não verificamos ser necessário tecer maiores comentários.

O artigo em questão foi suscitado pelo tema das Spirit Box, tratado no artigo homônimo e em vídeo recente.

O Livro dos Médiuns — Segunda parte — Das manifestações espíritas > Capítulo IX — Dos lugares assombrados

  1. As manifestações espontâneas, que em todos os tempos se hão produzido, e a persistência de alguns Espíritos em darem mostras ostensivas de sua presença em certas localidades, constituem a fonte de origem da crença na existência de lugares mal-assombrados. As respostas que se seguem foram dadas a perguntas feitas sobre este assunto:

1.ª. Os Espíritos se apegam unicamente às pessoas, ou também às coisas?

“Depende da elevação deles. Alguns Espíritos podem apegar-se aos objetos terrenos. Os avarentos, por exemplo, que esconderam seus tesouros e que ainda não estão bastante desmaterializados, muitas vezes se obstinam em vigiá-los e montar-lhes guarda.”

2.ª. Têm os Espíritos errantes ((Espírito errante é o Espírito entre uma vida e outra)) lugares de sua predileção?

“O princípio ainda é aqui o mesmo. Os Espíritos que já se não acham apegados à Terra vão para onde se lhes oferece ensejo de praticar o amor. São atraídos mais pelas pessoas do que pelos objetos materiais. Contudo, pode dar-se que dentre eles alguns tenham, durante certo tempo, preferência por determinados lugares. Esses, porém, são sempre Espíritos inferiores.”

3.ª. O apego dos Espíritos a uma localidade, sendo sinal de inferioridade, constituirá igualmente prova de serem eles maus?

“Certamente que não. Pode um Espírito ser pouco adiantado, sem que por isso seja mau. Não se observa o mesmo entre os homens?”

4.ª. Tem qualquer fundamento a crença de que os Espíritos frequentam de preferência as ruínas?

“Nenhum. Os Espíritos vão a tais lugares, como a todos os outros. A imaginação dos homens é que, despertada pelo aspecto lúgubre de certos sítios, atribui à presença dos Espíritos o que não passa, quase sempre, de efeito muito natural. Quantas vezes o medo não tem feito que se tome por fantasma a sombra de uma árvore e por espectros o grito de um animal, ou o sopro do vento? Os Espíritos gostam da presença dos homens; daí o preferirem os lugares habitados, aos lugares desertos.”

a) Contudo, pelo que sabemos da diversidade dos caracteres entre os Espíritos, podemos inferir a existência de Espíritos misantropos, que prefiram a solidão.

“Por isso mesmo não respondi de modo absoluto à questão. Disse que eles podem vir aos lugares desertos, como a toda parte. É evidente que, se alguns se conservam insulados, é porque assim lhes apraz. Isso, porém, não constitui motivo para que forçosamente tenham predileção pelas ruínas. Em muito maior número os há nas cidades e nos palácios, do que no interior dos bosques.”

5.ª. Em geral, as crenças populares guardam um fundo de verdade. Qual terá sido a origem da crença em lugares mal-assombrados?

“O fundo de verdade está na manifestação dos Espíritos, na qual o homem instintivamente acreditou desde todos os tempos. Mas, conforme disse acima, o aspecto lúgubre de certos lugares lhe fere a imaginação e esta o leva naturalmente a colocar nesses lugares os seres que ele considera sobrenaturais. Demais, a entreter essa crença supersticiosa, aí estão as narrativas poéticas e os contos fantásticos com que o acalentam na infância.”

6.ª. Há, para os Espíritos que costumam reunir-se, dias e horas em que prefiram fazê-lo?

“Não. Os dias e as horas são medidas de tempo para uso dos homens e para a vida corpórea, das quais os Espíritos nenhuma necessidade sentem e nenhum caso fazem.”

7ª Donde nasceu a ideia de que os Espíritos vêm preferencialmente durante a noite?

“Da impressão que o silêncio e a obscuridade produzem na imaginação. Todas essas crenças são superstições que o conhecimento racional do Espiritismo destruirá. O mesmo se dá com os dias e as horas que muitos julgam lhes serem mais favoráveis. Fica certo de que a influência da meia-noite nunca existiu, senão nos contos.”

a) Sendo assim, por que é então que alguns Espíritos anunciam sua vinda e suas manifestações para certos e determinados dias, como a sexta-feira, por exemplo?

“Isso fazem Espíritos que aproveitam a credulidade dos homens para se divertirem. Pela mesma razão, há os que se dizem o diabo, ou dão a si mesmos nomes infernais. Mostrai-lhes que não vos deixais enganar e não mais voltarão.”

8.ª. Preferem os Espíritos frequentar os túmulos onde repousam seus corpos?

“O corpo era uma simples vestimenta. Do mesmo modo que o prisioneiro nenhuma atração sente pelas correntes que o prendem, os Espíritos nenhuma experimentam pelo envoltório que os fez sofrer. A lembrança das pessoas que lhes são caras é a única coisa que para eles tem valor.”

a) São-lhes mais agradáveis, do que quaisquer outras, as preces que por eles se façam junto dos túmulos de seus corpos?

“A prece, bem o sabes, é uma evocação que atrai os Espíritos. Tanto maior ação terá, quanto mais fervorosa e sincera for. Ora, junto de um túmulo venerado, sempre se está em maior recolhimento, do que algures, e a conservação de estimadas relíquias é em testemunho de afeição dado ao Espírito e que nunca deixa de o sensibilizar. O que atua sobre o Espírito é sempre o pensamento e não os objetos materiais. Mais influência, do que sobre o Espírito, exercem esses objetos sobre aquele que ora, porque lhe fixam a atenção.”

9.ª. A vista disso, parece que não se deve considerar absolutamente falsa a crença em lugares mal-assombrados?

“Dissemos que certos Espíritos podem sentir-se atraídos por coisas materiais. Podem sê-lo por determinados lugares, onde parecem estabelecer domicílio, até que desapareçam as circunstâncias que os faziam buscar esses lugares.”

a) Que circunstâncias podem induzi-los a buscar tais lugares?

“A simpatia por algumas das pessoas que os frequentam, ou o desejo de com elas se comunicarem. Entretanto, nem sempre os animam intenções louváveis. Quando são Espíritos maus, podem pretender tirar vingança de pessoas de quem guardam queixas. A permanência em determinado lugar também pode ser, para alguns, uma punição que lhes é infligida, sobretudo se ali cometeram um crime, a fim de que o tenham constantemente diante dos olhos*.”

10.ª. Os lugares assombrados sempre o são por antigos habitantes deles?

“Sempre, não; — às vezes, porquanto, se o antigo habitante de um desses lugares é Espírito elevado, tão pouco se preocupará com a sua habitação terrena, quanto com o seu corpo. Os Espíritos que assombram certos lugares muitas vezes não têm, para assim procederem, outro motivo que não simples capricho, a menos que para lá sejam atraídos pela simpatia que lhes inspirem determinadas pessoas.”

a) Podem estabelecer-se num lugar desses com o fito de protegerem uma pessoa, ou a própria família?

“Certamente, se forem Espíritos bons; porém, neste caso, nunca manifestam sua presença por meios desagradáveis.”

11.ª. Haverá alguma coisa de real na história da Dama Branca?

“Mero conto, extraído de mil fatos verdadeiros.”

12.ª. Será racional temerem-se os lugares assombrados pelos Espíritos?

“Não. Os Espíritos que frequentam certos lugares, produzindo neles desordens, antes querem divertir-se à custa da credulidade e da poltronaria dos homens, do que lhes fazer mal. Aliás, deveis lembrar-vos de que em toda parte há Espíritos e de que, assim, onde quer que estejais, os tereis ao vosso lado, ainda mesmo nas mais tranquilas habitações. Quase sempre, eles só assombram certas casas, porque encontram ensejo de manifestarem sua presença nelas.”

13.ª. Haverá meios de os expulsar?

“Há; o que as mais das vezes fazem para isso, porém, os atrai, em vez de os afastar. O melhor meio de expulsar os maus Espíritos consiste em atrair os bons. Atraí, pois, os bons Espíritos, praticando todo o bem que puderdes, e os maus desaparecerão, visto que o bem e o mal são incompatíveis. Sede sempre bons e somente bons Espíritos tereis junto de vós.”

a) Há, no entanto, pessoas muito bondosas que vivem às voltas com as tropelias dos maus Espíritos. Por quê?

“Se essas pessoas são realmente boas, isso acontece talvez como prova, para lhes exercitar a paciência e concitá-las a se tornarem ainda melhores. Fica certo, porém, de que não são os que continuamente falam das virtudes os que mais as possuem. Aquele que é possuidor de qualidades reais quase sempre o ignora, ou delas nunca fala.”

14.ª. Que se deve pensar com relação à eficácia dos exorcismos, para expelir dos lugares mal-assombrados os maus Espíritos?

“Já tiveste ocasião de verificar a eficácia desse processo? Não tens visto, ao contrário, as tropelias redobrarem de intensidade, depois das cerimônias do exorcismo? É que os Espíritos que as causam se divertem com o serem tomados pelo diabo.

“Também, os que se não apresentam com intenções malévolas podem manifestar sua presença por meio de ruídos e até tornando-se visíveis, mas nunca praticam desordens, nem incômodos. São, frequentemente, Espíritos sofredores, cujos sofrimentos podeis aliviar orando por eles. Outras vezes, são mesmo Espíritos benfazejos, que vos querem provar estarem junto de vós, ou, então, Espíritos levianos que brincam. Como quase sempre os que perturbam o repouso são Espíritos que se divertem, o que de melhor têm a fazer, os que se veem perseguidos, é rir do que lhes sucede. Os perturbadores se cansam, verificando que não conseguem meter medo, nem impacientar.” (Veja-se atrás o capítulo V: Das manifestações espontâneas.)

Resulta das explicações acima haver Espíritos que se prendem a certos lugares, preferindo permanecer neles, sem que, entretanto, tenham necessidade de manifestar sua presença por meio de efeitos sensíveis. Qualquer lugar pode constituir morada obrigatória, ou predileta de um Espírito, embora mau, sem que jamais qualquer manifestação se produza. Os que se prendem a certas localidades, ou a certas coisas materiais, nunca são Espíritos superiores. Contudo, mesmo que não pertençam a esta categoria, pode dar-se que não sejam maus e nenhuma intenção má alimentem. Não raro, são até comensais mais úteis do que prejudiciais, porquanto, desde que se interessam pelas pessoas, podem protegê-las.

  • Veja-se Revue spirite, de fevereiro de 1860: “História de um danado”.



Devemos expor os inimigos do Espiritismo?

Um questionamento que sempre me vem à mente e creio que vem às mentes de muitos é: o que fazer ante aos inimigos do Espiritismo? Devemos expô-los ou fazer isso seria falta de caridade?

Muitos recomendam que sigamos nosso caminho, fazendo a nossa parte, sem nem sequer citar esses indivíduos. Decerto, gastar um tempo precioso para ficar apenas refutando ou criticando os inimigos da Doutrina Espírita seria empregar um tempo precioso em uma guerra sem fim. Não, não vejo isso como útil. Contudo, penso de outro lado: e aqueles que os ouvem?

Quem são os inimigos do Espiritismo

Aqui é necessário fazer uma distinção importante: é que o Espiritismo tem seus inimigos declarados, mas também os tem em suas fileiras. Os primeiros são aqueles que criticam a Doutrina Espírita abertamente e, quase sempre sem nem saber do que falam, atacam-na de todos os lados. Esses são os menos perigosos. Já o segundo gênero de inimigos é aquele dos que se dizem espíritas, estudam a superfície da Doutrina, mas, voluntariamente ou não, atacam-na de dentro com a divulgação das mais falsas ideias, oriundas da aceitação cega das comunicações espíritas. Esses são os inimigos mais temerosos, e o Espiritismo os tem entre encarnados e desencarnados.

Muito difícil e desaconselhável será julgar sumariamente as intenções dos outros. Nalguns, elas podem ser bem aparentes e mesmo declaradas; em outros, elas podem até ser boas, mas, sendo o indivíduo propenso ao orgulho e à vaidade, dentre outras imperfeições, tornam-se nulas ou até danosas pelos efeitos que produzem. Mesmo aqui, temos outro problema, pois esses efeitos muitas vezes não são diretamente perceptíveis, mas se constroem por uma série de fatores, ao longo do tempo, ideia sobre ideia, sempre originadas da aceitação cega das opiniões isoladas de Espíritos encarnados e desencarnados.

Uma maneira muito simples de constatar o que digo, para o espírita estudioso das obras de Kardec, é fazer uma busca por “Espiritismo” no Youtube e muito facilmente encontrará grandes canais que, dizendo falar em Espiritismo, ensinam e sustentam as ideias absurdas e danosas ao Espiritismo, dentre alguns acertos. Na maioria das vezes não são inimigos do Espiritismo e até desejam fazer o bem, mas, pela resistência em estudar a ciência que dizem abraçar, servem à divulgação de ideias contrárias à Doutrina. É assim que vemos canais como o “Espiritismo Raiz“, por um tempo o maior canal brasileiro dito “espírita”, afirmando e ensinando, dentre outros erros, que os Espíritos encarnam apenas para expiações, que seriam, segundo ele diz, pagamentos de débitos — uma completa distorção doutrinária que leva a diversos efeitos negativos, como demonstrei neste artigo. Eduardo Sabbag, dono desse canal, recentemente fez participações no canal Casa Plataforma de Oração, onde o principal “palestrante” afirma, supostamente mediunizado, que ele seria a reencarnação de Allan Kardec e em vários momentos se compara a Jesus, para então trazer temas ligados à ufologia e às ideias ramatissistas, sustentadas e divulgadas especialmente pelo médium Hercílio Maes. Fez também participação no Canal Espírita, do Luiz Fernando Amaral (que se apresenta como “professor” nesse canal) que, dentre alguns acertos (quando retoma Kardec) comete diversos enganos, quando parte da aceitação cega de comunicações de Espíritos, principalmente dadas via romances.

Todos esses enganos seriam facilmente evitados pelo estudo da Revista Espírita e de outras obras de Kardec.

Aqui é onde encontramos a maior dificuldade que, atualmente, assola o Espiritismo e esconde a doutrina sob uma espessa camada de falsas ideias: quando as pessoas, ditas espíritas, esquecem-se de (ou se negam a) estudar as obras de Kardec e passam a admitir “novidades” que dão nasceram do método científico indispensável. Já abordamos esse problema diversas vezes, sendo os artigos “O papel do pesquisador e do médium nas comunicações com os Espíritos” e “Devemos publicar tudo quanto dizem os Espíritos?” os mais interessantes deles.

Os Espíritos ligados ao mal, inimigos do Espiritismo, se valem dos indivíduos que não estudam a ciência espírita e que a tudo aceitam e publicam, para dificultar o avanço dessa doutrina cuja filosofia tem o potencial de transformar o mundo. Pela vaidade em crerem-se plenos de sabedoria por, invariavelmente, julgarem-se especialmente cercados apenas de Espíritos da mais alta evolução, servem ao propósito dos Espíritos mistificadores.

Então, que fazer se eles não querem estudar? Que fazer se respondem com resistência e truculência ao apontarmos que algo que divulgam não está conforme o Espiritismo ensina?

Certamente não podemos forçá-los a um entendimento que não querem adquirir, e caberá ao tempo e à punição oferecida por suas próprias consciências a cobrança do mal que fizeram ao desviar ou atrasar muitos com suas ideias e com suas resistências em estudar. Infelizmente, essas pessoas encontram, nos meios digitais, um meio de controle sobre suas ideologias, bastando remover comentários ou bloquear usuários que discordem deles.

São grandes canais. Contam com centenas de milhares de seguidores. Certamente têm, dentre estes, grande número de pessoas que apenas querem acreditar e que não se esforçam por raciocinar, talvez até por desconhecimento (que eles poderiam estar ajudando a reduzir). Mas, cedo ou tarde, suas consciências despertarão e, então, passarão a buscar respostas.

Penso que o melhor que podemos fazer é produzir material apontando o verdadeiro entendimento doutrinário. Assim podemos dar a chance de que as pessoas que busquem por determinado assunto, ou mesmo por esses canais, possam encontrar o conteúdo proveniente da ciência espírita. Aprendamos a demonstrar seus erros, sem cair em erro maior, que seria o de levar ao nível pessoal das acusações depreciativas. Podemos discordar e apontar o erro em suas ideias, como Kardec fazia, baseando-nos no Espiritismo para isso, como recomenda Kardec na Revista Espírita de 1863:

“É assim que procedem os detratores do Espiritismo: por suas calúnias eles mostram as fraquezas de sua própria causa e a desacreditam, mostrando a que lamentáveis extremos são obrigados a recorrer para sustentá-la. Que peso pode ter uma opinião fundada em erros manifestos? De duas, uma: ou os erros são voluntários e então está vista a má-fé; ou são involuntários e o autor prova a sua inconsequência, falando do que não sabe. Num caso, como no outro, perde o direito à confiança.

O Espiritismo não é obra que marche na sombra. Ele é conhecido; seus princípios são formulados com clareza, precisão e sem ambiguidades. A calúnia não poderia, pois, atingi-lo. Para convencê-la de impostura basta dizer: leia e veja. Sem dúvida, é útil desmascará-la. Mas é preciso fazê-lo com calma, sem azedume nem recriminação, limitando-se a opor, sem palavras supérfluas, o que é ao que não é. Deixai aos vossos adversários a cólera e as injúrias, e guardai para vós o papel da força verdadeira: o da dignidade e da moderação.”

Revista Espírita, Março de 1863. Grifos meus.

Assim, não percamos tempo em ataques pessoais. É claro que esses se vitimizarão, visando manipular seu público de fiéis. Não caiamos no mesmo erro. Ajamos como o bom pesquisador, o bom cientista, que discute sobre fatos e evidências, e não sobre opiniões e muito menos sobre as pessoas que as emitem. É o que Kardec sempre fez.

“Tereis que lutar não só contra os orgulhosos, os egoístas, os materialistas e todos esses infelizes que estão imbuídos do espírito do século, mas ainda, e sobretudo, contra a turba de Espíritos enganadores que, encontrando em vosso meio uma rara reunião de médiuns, pois a tal respeito sois os mais aquinhoados, em breve virão assaltar-vos, uns com dissertações sabiamente combinadas, nas quais, graças a tiradas piedosas, insinuarão a heresia ou algum princípio dissolvente; outros com comunicações abertamente hostis aos ensinos dados pelos verdadeiros missionários do Espírito de Verdade. Ah! Crede-me, não temais desmascarar os embusteiros que, novos Tartufos, se introduziriam entre vós sob a máscara da religião”

Espírito de Erasto, Revista Espírita de 1861. Grifos meus.




Médiuns: Espíritos endividados?

Mais uma ideia que reina no meio Espírita: médiuns seriam Espíritos endividados que nascem para resgatar dívidas de vidas passadas.

Eu gostaria que as pessoas que repetem essas ideias apresentassem onde essa ela consta na obra de Allan Kardec. Será uma tarefa árdua, pois não encontrarão. A mediunidade é uma escolha, muitas vezes visando levar o indivíduo ao estudo do Espiritismo, mas muitos acabam tropeçando pelos caminhos da vaidade e do orgulho e desperdiçam essa oportunidade.

Essa ideia é oriunda das falsas ideias ligadas ao carma, como sempre. Já tratamos disso diversas vezes.

Não temos muito a falar sobre isso, porque a ideia é facilmente superada. Apenas queremos dizer que, para ser bom médium, é importante saber lidar bem com essa verdadeira ciência que nos permite comunicarmo-nos com os Espíritos. Os estudos de Allan Kardec, organizados pelo Espírito de Verdade, deram a base dessa ciência e foram os únicos a abordarem, com metodologia científica, os fenômenos mediúnicos. Não deixem esse estudo de lado se quiserem ser realmente úteis.




Ramatis e o degredo planetário

É preciso tomar muito cuidado. Não é que fora de Kardec não exista verdade: é que, sem método científico na comunicação com os Espíritos, admitem-se mentiras, ilusões e verdades, cega e indiscriminadamente.

É muito patente observar que Ramatis (ou todo Espírito que se identifica com esse nome) transmite absurdos racionais e científicos, tendo muitos deles já sido desmentidos pela ciência elementar.

Esses Espíritos partem da ideia errada da queda pelo pecado, e, assim, ensinam, por acreditarem ou por vontade de mistificar, falsas ideias ligadas a um Deus punidor, que castiga o erro. É exatamente o princípio dos erros das religiões e, nesse sentido, aí não há nada de Espiritismo – basta estudar O Céu e o Inferno, A Gênese e a Revista Espírita, de 1858 a 1869, para certificar-se disso.

Por meio de um médium, pode falar qualquer Espírito. Se, do nosso lado, acreditamos cegamente, seremos facilmente fascinados por Espíritos mistificadores.

Leia o artigo “O papel do pesquisador e do médium nas comunicações com os Espíritos“.




O Canal Espírita e o Espiritismo

O “Canal Espírita”, do Luiz Fernando Amaral, no Youtube, é um canal que já abarca quase oitocentos mil seguidores, com milhares de visualizações. Por seu tamanho e pela expressividade que ele tem nesse meio, é preocupante ver, por ali, a circulação e a divulgação de certas ideias até mesmo contrárias à Doutrina Espírita.

De forma alguma duvido das boas intenções do Luiz Fernando. Só não entendo o porquê da resistência em estudar e divulgar o Espiritismo como ele realmente seja, já que esse conhecimento nos ajuda a errarmos menos e sermos mais úteis.

Ao deixar Kardec, deixamos de lado os esforços do próprio Espírito de Verdade

Muitos não pensam que, ao deixarem Kardec de lado para ficarem com “novidades” não provenientes do método científico, deixam de lado os esforços de Espíritos superiores e do próprio Espírito de Verdade, quem coordenou a iniciativa do nascimento da Doutrina Espírita. Não se trata da opinião de um homem, mas do Consolador prometido por Jesus. Kardec não terminou em sua posição por acaso: foi planejado por um esforço superior. O método por ele desenvolvido — a concordância universal submetida ao critério da razão — é necessário e não pode ser abandonado!

Ora, queremos tratar o Espiritismo como algo menor? Como um “esforçosinho” de menor importância, superado pelas meras ideias de qualquer um que venha dar a sua opinião? Ora, espíritas, botemos a mão na consciência!

Não sou da opinião, porque não é um fato, de que o Espiritismo tenha sido encerrado com Kardec; contudo, por se tratar de uma ciência, para ser continuado, carece necessariamente do método científico, de forma que não podemos simplesmente aceitar ideias e comunicações quaisquer como se fossem verdeiras, não importa por qual médium sejam dadas ou qual nome o Espírito apresente.

Da mesma forma, não podemos simplesmente descartar comunicações dos Espíritos fora da codificação. Uma vez mais: precisamos de método científico e racional, e não apenas de aceitação ou negação cegas.

Falsas ideias, oriundas de opiniões isoladas

O Luiz Fernando, no Canal Espírita, dentre alguns vídeos em que retorna a Kardec, frequentemente faz vídeos divulgando e reforçando falsas ideias que se infiltraram no meio Espírita. Contamos, dentre elas, aquelas ligadas ao karma ou mesmo ao “exílio” de Espíritos, além das ideias ligadas ao Umbral, psicografias genéricas não verificadas, colônias espirituais de animais, etc. Ideias que o estudo do Espiritismo rapidamente demonstra como incertas ou enganosas. E qual é o problema disso?

O problema é que, lenta e persistentemente, as ideias aceitas cegamente vão minando o Espiritismo e atrapalhando cada vez mais seu progresso e seu real potencial de alavancar a humanidade. Por falta de conhecimento e de compromisso com a ciência nascida dos esforços de Espíritos elevados, mas também por apego às ideias nascidas nos romances, permite-se que Espíritos pouco inferiores, ou mesmo imperfeitos, espalhem suas ideias danosas no meio Espírita.

Allan Kardec foi enfático em demonstrar, como resultado de seus longos anos de estudos, que os Espíritos, após deixarem o corpo, continuam sendo quem eram. Muitos, a grande maioria, continuam carregando falsas ideias e apegos. Não ganham a plena ciência sobre o mundo dos Espíritos simplesmente por deixarem o corpo. Outros são inimigos declarados do Espiritismo, porque encontram nele a demolição das ideias às quais se apegam, por ignorância. Esse é o motivo de muitos deles apresentarem ideias contrárias àquilo que ficou demonstrado pelo estudo de milhares de evocações e comunicações de milhares de Espíritos, por milhares de médiuns, por toda parte.

Relutância em estudar

Mas o Luiz Fernando, no Canal Espírita, infelizmente parece escolher apenas relutar, e digo isso pela forma com que já me respondeu ao destacar incongruências entre o Espiritismo e certas ideias por ele divulgadas, nascidas de opiniões isoladas. Recentemente, gravou um vídeo criticando quem recomende voltar a Kardec, porque parece lhe ser mais agradável divulgar ideias nascidas de romances e supostas psicografias não verificadas. Ao invés de decidir abrir a Revista Espírita e estudar, escolhe rebater afetadamente as críticas aos seus vídeos com ideias contrárias ao Espiritismo e se arvora sob a ideia de que, sendo médium, estaria sendo guiado por bons Espíritos apenas. Além disso, tenta formar a ideia de que criticá-lo é dar azo a “baixas vibrações”.

Sim, nós precisamos retomar o desenvolvimento da ciência espírita. Mas, para isso, precisamos primeiramente retomá-la como ciência, compreendendo seus princípios e seus métodos, desenvolvidos às custas da saúde e dos recursos de Kardec, por anos a fio. Hoje, pela renitência em estudar, erra-se nas coisas mais pífias, mais absurdas, enquanto tão simples seriam de serem evitadas com um estudo mais cuidadoso do Espiritismo.

Uma vez mais, recomendamos a todos que voltem a estudar a Revista Espírita e as demais obras de Kardec, principalmente quando se fala para muitos. Mesmo estudando, às vezes erramos, mas ao menos não teremos nossa consciência nos acusando de não termos procurado conhecer o conhecimento que insistentemente nos batia à porta e que, hoje, está a três cliques de distância.

Desejo que o colega seja tocado em sua consciência o quanto antes. Tem um potencial gigantesco em seu canal. Só falta utilizar desse potencial para espalhar o Espiritismo de verdade, afastado das falsas ideias. Além disso, espero que ele deixe de levar essas questões para o lado pessoal, principalmente quando se trata de uma ciência. Eu mesmo recebo muitas críticas e mesmo agradeço por elas, pois são frequentes oportunidades de novamente consultar a consciência sobre o que eu faço, nunca me arvorando sob a ideia de que eu estaria isento de erros por acreditar que somente bons Espíritos estariam ao meu redor.

“Você quer fazer o bem, não duvido. Quer falar do Espiritismo, porque entende ser um conteúdo bom. Mas o Espiritismo que conhece é o dos romances, e não o original. Reproduz, assim, ideias nascidas das opiniões isoladas de certos Espíritos, muitas vezes incompletas, enganosas e até contrárias ao Espiritismo e à razão. O efeito é contrário: longe de ajudar as pessoas a subir degraus, muitas vezes as afasta da escada.

O Espiritismo existe nas obras de Kardec, bem descrito na Revista Espírita, e foi desenvolvido sobre método científico. Não foi concluído, mas, para ser desenvolvido, precisa do mesmo método.”

Paulo Degering R. Junior

Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, quais são realmente a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra. Temos no Brasil – e isso é um consenso universal – o maior, mais ativo e produtivo movimento espírita do planeta. A expansão do Espiritismo em nossa terra é incessante e prossegue em ritmo acelerado. Mas o que fazemos, em todo este vasto continente espírita, é um imenso esforço de igrejificar o Espiritismo, de emparelhá-­lo com as religiões decadentes e ultrapassadas, formando por toda parte núcleos místicos e, portanto, fanáticos, desligados da realidade imediata.

José Herculano Pires — O Centro Espírita

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O Céu e o Inferno e a esdrúxula campanha do CSI do Espiritismo e do Portal Luz Espírita

O portal Luz Espírita, sustentado por pesquisas enviesadas de Carlos Seth e outros, continua fazendo uma “campanha esdrúxula” ((Tomo a liberdade de utilizar o mesmo termo usado por eles contra quem eles discordam)) contra aqueles que concluem diferentemente deles, baseados em pilhas de evidências que eles escolhem desconsiderar. Notório dizer que, “do lado de cá”, longe de descartarmos as evidências por eles encontradas, apenas verificamos que elas não provam a impossibilidade de que as adulterações tenham ocorrido. Tudo o que eles têm são evidências de que Kardec havia iniciado a produção de novas edições de O Céu e o Inferno e A Gênese, mas não que ele as tenha concluído nem que as obras impressas após sua morte não tenham sofrido alterações. Além disso, não fazem o principal: explicar as diferenças absurdas, não anunciadas e mesmo contraditórias entre uma edição e outra.

A questão é que não desejamos obter o monopólio do bom-senso e da verdade, coisa que eles insistem em fazer, sem que tentem fazer o que mais importa: explicar o motivo das diferenças grotescas entre as edições em questão. Colocamos, por exemplo, algumas diferenças entre a quarta edição de O Céu e o Inferno, registrada após a morte de Kardec, e a terceira edição (igual à primeira). Respectivamente:

Quarta edição de O Céu e o Inferno

Registrada após a morte de Kardec.

  • Capítulo VIII tornou-se capítulo VII;
  • Removeu-se a maior parte da retórica filosófica com a qual Kardec abria o capítulo
  • O título “As penas futuras segundo o Espiritismo” tornou-se “Código penal da vida futura“.

7.º — O Espírito sofre pelo próprio mal que fez, de maneira que sua atenção estando incessantemente concentrada nas consequências desse mal, ele compreenda melhor seus inconvenientes e seja motivado a corrigir-se.

8.º — Sendo a justiça de Deus infinita, é mantida uma conta rigorosa do bem e do mal; se não há uma única má ação, um único mau pensamento que não tenha suas consequências fatais, não há uma única boa ação, um único bom movimento da alma, o mais leve mérito, numa palavra, que seja perdido, mesmo nos mais perversos, porque é um começo de progresso.

9.º — Toda falta cometida, todo mal realizado, é uma dívida contraída que deve ser paga; se não o for numa existência, sê-lo-á na seguinte ou nas seguintes, porque todas as existências são solidárias umas das outras. Aquele que a quita na existência presente não terá de pagar uma segunda vez.

10.º — O Espírito sofre a pena de suas imperfeições, seja no mundo espiritual, seja no mundo corporal. Todas as misérias, todas as vicissitudes que suportamos na vida corporal são decorrentes de nossas imperfeições, expiações de faltas cometidas, seja na existência presente, seja nas precedentes.

O Céu e o Inferno, 4.ª edição.

O item 10 é, talvez, a maior prova da adulteração (clique para ler o artigo).

Terceira edição de O Céu e o Inferno

Publicada e registrada por Allan Kardec.

Capítulo VIII — As penas futuras segundo o Espiritismo

7. Sendo a justiça de Deus infinita, é mantida uma conta rigorosa do bem e do mal; se não há uma única má ação, um único mau pensamento que não tenha suas consequências fatais, não há uma única boa ação, nem um único bom movimento da alma — em suma, o mais singelo mérito — que seja perdido, mesmo nos mais perversos, porque é um começo de progresso.

8. A duração do castigo está subordinada ao aperfeiçoamento do espírito culpado. Nenhuma condenação por um tempo determinado é pronunciada contra ele. O que Deus exige para pôr fim aos sofrimentos é o arrependimento, a expiação e a reparação — em resumo: um aperfeiçoamento sério, efetivo, assim como um retorno sincero ao bem.

O espírito é, assim, sempre o árbitro de seu próprio destino; ele pode prolongar seus sofrimentos por seu endurecimento no mal, aliviá-los ou abreviá-los por seus esforços para fazer o bem. Uma condenação por um tempo determinado qualquer teria o duplo inconveniente de ou continuar a atingir o espírito que se houvesse aperfeiçoado, ou cessar quando ele ainda estivesse no mal. Deus, que é justo, pune o mal enquanto este existe; e encerra a punição quando o mal não existe mais. Assim se acha confirmada esta expressão: Eu não quero a morte do pecador, mas que ele viva, e eu o acusarei ATÉ QUE ELE SE ARREPENDA.

9. Estando a duração do castigo subordinada ao arrependimento, resulta daí que o espírito culpado que não se arrependesse e jamais se aperfeiçoasse sofreria sempre, e que, para ele, a pena seria eterna. A eternidade das penas deve então ser entendida no sentido relativo, e não no sentido absoluto.

O Céu e o Inferno, 1.ª a 3.ª edições.

Podemos notar uma diferença gritante entre as edições. Da mesma forma, a quinta edição de A Gênese contém alterações inexplicáveis entre a edição publicada por Allan Kardec e a edição registrada quase três anos após sua morte.

Não poupamos esforços

Já abordamos o tema várias vezes. Aqueles mencionados anteriormente não poupam palavras e termos depreciativos para tentar lançar descrédito por aqueles que concluem diferentemente deles. Nós, portanto, fazemos a nossa parte, baseados em fartas evidências, e com a certeza de que a outra parte nunca se dedicou a ler e refletir com calma sobre todas elas. Não dizemos: “esta é a verdade final”, mas dizemos: “não se deixem guiar por quem tente tomar o monopólio da verdade”.

É interessante notar como os textos da outra parte são sempre apaixonados, isto é, carregam uma grande nota de emoção e de raiva ou inveja aparentes. Isso já denota uma urgência por provocar a crença por outros meios, que não os da razão. Aliás, nesse afã de dominar a verdade, Carlos Seth já cometeu gafes tão banais como querer dizer que falar em Espiritualismo Racional seria trazer uma divisão para o meio espírita.

É ainda mais interessante notar que eles nunca mencionam o nome de Paulo Henrique de Figueiredo, nem trazem suas evidências e seus argumentos para a discussão. Apenas se limitam a dizer que eles já refutaram tudo — ao que discordamos profundamente. Fazem o mesmo com a Simoni Privato, embora ainda citem seu nome.

Bem, sem buscar prolongar esse assunto de maneira cansativa, agradecemos sempre a livre propaganda que eles mesmos fazem contra as ideias que não podem aceitar.




A “Casa plataforma de oração” e o Espiritismo

Não é de meu costume abordar nomeadamente grupos ou indivíduos. Neste caso, em relação ao grupo “Casa Plataforma de Oração”, penso que isso se faz indispensável, já que se utiliza do nome do Espiritismo.

Quero começar relembrando que a mediunidade não é exclusividade de nenhuma religião, nem do Espiritismo. Todo mundo pode praticá-la, bem ou mal. O problema é quando se coloca de lado uma ciência e seus conhecimentos, obtidos com árduo trabalho de investigação, enquanto, levianamente, utiliza-se do nome e dos termos dessa ciência para se dar credibilidade. Pasmem: o principal personagem dessa seita diz ser o próprio Kardec e constantemente se compara a Jesus, rebaixando o Mestre ao nível de um relés homem mundano.

Mais grave ainda é quando, colocando de lado essa ciência, mas utilizando-se de seu nome, se permite enganar e ser enganado justamente pelos erros que seriam evitados pelo conhecimento real que ela traz.

O Espiritismo, bem sabemos pelos nossos estudos, não lança anátema. Antes diz: a cada um segundo suas obras. Aliás, de forma alguma venho julgar as intenções desse grupo, que podem ser louváveis… Mas penso que nos compete pontuar e defender o Espiritismo quando outros lançam falsas ideias em seu nome.

O que infelizmente vemos, no canal do grupo citado, é um grande perigo que eles mesmos correm: médiuns que se entregaram à crença cega no que dizem os Espíritos, se é que o dizem. Entregam-se à fascinação e à obsessão e levianamente, sem conhecimento, citam o Espiritismo, apenas para renegá-lo.

Não creio necessário retomarmos os inúmeros pontos onde a ciência espírita demonstrou os graves problemas nos quais as práticas ali adotadas os lançam. Temos alguns artigos que falam sobre isso, como O papel do pesquisador e do médium nas comunicações com os Espíritos, Obsedados e Subjugados — Os perigos do Espiritismo e A luta contra um Espírito obsessor.

Ali, no canal do grupo Casa Plataforma de Oração, vemos não apenas uma ação persistente de Espíritos que usam nomes veneráveis para lançar os mais completos absurdos, o que não deveria acontecer entre pessoas que estudam o Espiritismo. Vemos, também, a frequente referência ao Espiritismo, mas não como fontes de estudos.

Referem-se apenas em nome e termos, mas divulgam apenas ideias contrárias à Doutrina Espírita e atacam os defensores da ciência espírita, tachando-os de “espíritas engessados”, por demonstrarem que o Espiritismo desmente o que dizem.

A posição por eles adotadas é lamentável, muito mais para eles, que terão muito a expiar no futuro, mas também àqueles que os ouvem. Muitos neófitos podem cair em um de seus vídeos, crendo que falam em Espiritismo, e aceitando, assim, as coisas mais absurdas e mesmo danosas.

É apenas isso o que desejo destacar, adicionando: é uma pena que, ao invés de buscarem a mediunidade sadia, colocando-se a cooperar, escolhem eles mesmos caírem nos mais terríveis erros, tantas vezes encontrados por Kardec no estudo do Espiritismo. Chegam ao cúmulo de admitir as absurdas ideias que nasceram do livro “Cartas de Cristo”, onde chega-se a afirmar que Jesus, antes de “despertar” para a sua missão, teria sido um fanfarrão, beberrão e mulherengo. Mas não para aí: o principal “médium” ali chega se comparar a Jesus Cristo!

Que isto sirva de alerta àqueles que tenham dúvidas: ali, o que se pratica é mediunidade, praticada sem nenhum cuidado, e não o Espiritismo. Se o Espiritismo fosse presente, pelo estudo das obras de Kardec, nascidas da metodologia científica séria, não veríamos erros lastimáveis, ideias completamente absurdas e ataques à razão em suas reuniões, gravadas em vídeo.

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