Por Trás da Moral: O Fundamento Científico e Natural do Espiritismo

A relação entre as obras do pensamento dos Espíritos Superiores trazido por Kardec revela uma estrutura metódica na Codificação Espírita, em que cada livro desempenha uma função específica, ao mesmo tempo em que se articula com os demais. Compreender a relação entre O Evangelho segundo o Espiritismo e A Gênese permite perceber a ligação entre o ensino moral e a compreensão das leis naturais que regem a existência.

1. As Leis da Natureza como fundamento do Ensino Moral

O Evangelho segundo o Espiritismo (1864) concentra-se no ensino moral do Cristo e em sua aplicação à vida cotidiana. Seu objetivo é orientar a conduta, as relações humanas e o aperfeiçoamento íntimo, apresentando a transformação moral como caminho para o desenvolvimento do indivíduo.

A Gênese (1868) , por sua vez, amplia essa compreensão ao examinar os fenômenos da natureza, os mecanismos relacionados ao princípio espiritual e o funcionamento do mundo invisível. É justamente nessa complementaridade que se estabelece a conexão entre as duas obras. A Gênese procura mostrar que os ensinamentos morais e as parábolas de Jesus não constituem determinações arbitrárias, mas podem ser compreendidos à luz de leis naturais cuja compreensão ainda não estava plenamente desenvolvida.

Assim, enquanto O Evangelho Segundo o Espiritismo apresenta a orientação moral, A Gênese contribui para compreender os princípios que dão sustentação a essa orientação.

2. A Reencarnação e a igualdade entre os seres humanos

Em A Gênese, a reencarnação é apresentada sob a perspectiva da dinâmica espiritual. O Espírito pode retornar à existência corporal em diferentes corpos, sexos e condições sociais. Essa perspectiva modifica profundamente a maneira de compreender as diferenças existentes entre os indivíduos e oferece uma base para a igualdade essencial entre os seres humanos. Nesse contexto, o texto retoma o diálogo de Jesus com Nicodemos e estabelece a relação com o retorno de Elias, inserindo a ideia da reencarnação na compreensão dos ensinamentos de Jesus.

O Evangelho segundo o Espiritismo, por sua vez, conduz essa compreensão para o campo da prática moral. Se todos os seres humanos participam de um processo de desenvolvimento espiritual e podem ocupar diferentes posições ao longo da existência, a fraternidade, a tolerância e o respeito deixam de ser apenas recomendações abstratas e passam a constituir deveres fundamentais da convivência. A reencarnação, portanto, aproxima a compreensão da lei espiritual da prática da fraternidade.

3. O alicerce da fé raciocinada

Em O Evangelho segundo o Espiritismo, encontra-se o princípio de que a fé verdadeira não pode estar em oposição à razão. A fé que permanece firme é aquela capaz de enfrentar o exame racional em todas as épocas da Humanidade.

A Gênese retoma esse princípio ao abordar a revelação espírita e sua relação com o conhecimento. A fé, quando apoiada pela razão, deixa de depender exclusivamente da aceitação de dogmas e passa a participar de um processo de compreensão.

Desse modo, as duas obras convergem na valorização de uma fé que não se opõe ao pensamento. O Evangelho segundo o Espiritismo estabelece a necessidade dessa atitude diante da vida moral; A Gênese a relaciona à compreensão racional dos princípios espirituais e naturais.

4. O princípio unificador da caridade

O Evangelho segundo o Espiritismo apresenta a caridade como princípio fundamental da transformação moral, sintetizada na máxima “Fora da caridade não há salvação”.

A caridade, nesse sentido, não se limita a uma prática individual. Ela estabelece uma forma de relacionamento baseada na fraternidade, na tolerância e na consideração pelo outro.

Em A Gênese, essa perspectiva pode ser relacionada à ideia de união e cooperação entre os seres humanos. Em lugar da fragmentação provocada pelo sectarismo, a fraternidade estabelece um princípio comum capaz de aproximar os indivíduos.

A caridade torna-se, assim, um ponto de convergência entre o aperfeiçoamento individual e a transformação das relações sociais.

Visão Comparativa das Obras

Aspeto Analisado O Evangelho segundo o Espiritismo (1864) A Gênese (1868)
Foco Central Prática moral e orientação da conduta. Explicação dos princípios e das leis naturais relacionadas ao mundo espiritual e material.
Visão do Cristianismo Os ensinamentos morais de Jesus aplicados à vida prática. A compreensão racional dos ensinamentos, parábolas e alegorias.
A Reencarnação Fundamenta deveres de fraternidade, tolerância e respeito entre os seres humanos. Apresenta a reencarnação como princípio relacionado ao desenvolvimento espiritual e à condição humana.
Conceito de Fé Fé orientada pela razão e capaz de enfrentar o exame racional. Fé raciocinada como instrumento de compreensão e emancipação intelectual.

A complementaridade entre as duas obras

A relação entre O Evangelho segundo o Espiritismo e A Gênese pode ser compreendida, portanto, como uma relação entre orientação moral e compreensão dos princípios que a sustentam.

O Evangelho segundo o Espiritismo dirige o indivíduo para a transformação de sua conduta: mostra o que fazer diante de si mesmo e dos outros. A Gênese, por sua vez, amplia a compreensão dos mecanismos e das leis naturais envolvidos nesse processo, ajudando a compreender como e por que essa transformação se insere na ordem geral da existência.

Não se trata, portanto, de duas perspectivas independentes, mas de dois momentos complementares de uma mesma construção. A prática moral encontra sua explicação nos princípios apresentados pela Codificação, enquanto a compreensão das leis naturais encontra sua finalidade na transformação do indivíduo e de suas relações com os demais.

Nesse sentido, a Codificação apresenta uma unidade de pensamento: compreender as leis da existência conduz à transformação moral, e a transformação moral dá sentido prático à compreensão dessas leis.




A Lógica dos Atributos Divinos em A Gênese e O Céu e O Inferno

Há uma conexão conceitual profunda entre o Capítulo II de A Gênese e o Capítulo VII de O Céu e o Inferno. Em ambas as obras, Allan Kardec parte de uma mesma concepção de Deus e utiliza os atributos divinos como critério racional para avaliar as doutrinas religiosas.

Em A Gênese, essa concepção é apresentada como um princípio de análise: qualquer ideia sobre Deus que contradiga seus atributos essenciais não pode ser logicamente aceita. Em O Céu e o Inferno, Kardec aplica esse mesmo critério ao exame da doutrina das penas eternas.

Deus como ponto de partida da análise

No Capítulo II de A Gênese, Kardec estabelece que Deus deve ser concebido como único, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom, além de infinito em todas as suas perfeições.

Essa definição não é apresentada apenas como uma formulação teológica. Ela funciona como um critério lógico. Se uma determinada concepção de Deus atribui à Divindade uma característica incompatível com a perfeição, essa concepção entra em contradição consigo mesma.

A questão, portanto, não é simplesmente saber se determinado dogma é tradicional ou amplamente aceito. É verificar se ele é compatível com a própria ideia de Deus que pretende sustentar.

É justamente esse método que Kardec emprega posteriormente ao analisar as penas eternas.

A infinitude de uma perfeição exclui a imperfeição contrária

O raciocínio desenvolvido por Kardec baseia-se em uma ideia simples:

Se Deus é infinitamente bom, não pode possuir qualquer parcela de maldade. Se é infinitamente justo, não pode praticar uma injustiça. Se é infinitamente misericordioso, não pode ser eternamente implacável diante do arrependimento sincero.

Em A Gênese, Kardec utiliza uma comparação para tornar esse princípio compreensível: aquilo que é absolutamente perfeito em determinada qualidade não pode conter o menor grau da qualidade contrária.

Essa lógica é fundamental porque transforma os atributos divinos em um verdadeiro critério de coerência. Não se trata de escolher arbitrariamente quais características de Deus devem prevalecer; trata-se de verificar se uma determinada doutrina pode coexistir com a ideia de uma Divindade infinitamente perfeita.

A aplicação do princípio à doutrina das penas eternas

É nesse ponto que a relação com O Céu e o Inferno se torna especialmente significativa.

Ao examinar a doutrina das penas eternas, Kardec não começa simplesmente afirmando que ela é injusta. Ele procura demonstrar por que ela é incompatível com os atributos atribuídos a Deus.

Se uma falta cometida durante uma existência limitada pudesse produzir uma punição absolutamente interminável, haveria uma questão de proporcionalidade. Uma ação finita produziria uma consequência infinita e irreversível.

Para Kardec, isso não corresponde à ideia de justiça soberana.

A justiça divina, por ser perfeita, não poderia estabelecer uma penalidade cuja duração não guardasse qualquer relação com a natureza da falta e que tornasse impossível qualquer recuperação do Espírito.

A pena, nessa perspectiva, precisa possuir uma finalidade. O sofrimento decorrente do erro deve conduzir o Espírito à compreensão, ao arrependimento e à transformação. Uma punição que jamais termina e que não permite qualquer possibilidade de regeneração deixa de possuir finalidade educativa.

Justiça, bondade e misericórdia

A incompatibilidade torna-se ainda mais evidente quando se considera a bondade divina.

Um Deus infinitamente bom não poderia desejar eternamente o sofrimento de uma criatura. Tampouco seria coerente conceber uma Divindade que recusasse para sempre o arrependimento de um ser que, tendo reconhecido seu erro, desejasse modificar-se.

Isso não significa eliminar a responsabilidade pelos atos praticados. Ao contrário: a doutrina espírita preserva a responsabilidade individual e a consequência dos atos. O que ela rejeita é a ideia de uma condenação definitiva e sem possibilidade de progresso.

A diferença é fundamental.

A justiça não deixa de existir porque existe possibilidade de recuperação. O Espírito continua enfrentando as consequências de suas escolhas, mas essas consequências passam a ter uma função: fazê-lo compreender o erro e conduzi-lo ao progresso.

Nesse sistema, justiça e misericórdia não são atributos concorrentes. A misericórdia integra a própria justiça divina porque oferece ao Espírito a possibilidade de reparar e transformar-se.

A finalidade da punição

Outro ponto importante do raciocínio de Kardec é a finalidade da pena.

Uma punição puramente retributiva, cujo único objetivo fosse fazer sofrer indefinidamente, não produziria qualquer aperfeiçoamento. Se o Espírito estivesse condenado eternamente ao mal, não haveria razão para esperar dele arrependimento, reparação ou progresso.

A pena eterna, portanto, entraria em conflito não apenas com a bondade e a justiça, mas também com a própria finalidade da existência espiritual.

Na perspectiva espírita, o sofrimento não constitui um fim em si mesmo. Ele está relacionado às consequências das escolhas e ao processo de aprendizado do Espírito. O objetivo último é o progresso.

Assim, a possibilidade de regeneração não enfraquece a justiça divina. É precisamente o que permite que justiça, bondade e finalidade educativa permaneçam coerentes entre si.

Uma mesma estrutura de raciocínio

A relação entre os dois capítulos pode ser compreendida como uma sequência lógica.

Em A Gênese, Kardec estabelece o critério: Deus deve ser concebido como infinitamente perfeito, e qualquer teoria que contradiga seus atributos deve ser rejeitada.

Em O Céu e o Inferno, esse critério é aplicado a uma questão específica: a possibilidade de penas eternas.

O raciocínio pode ser resumido da seguinte maneira:

1. Deus é infinitamente perfeito.

2. Uma perfeição infinita exclui a existência de sua qualidade contrária.

3. Portanto, uma doutrina atribuída a Deus não pode implicar injustiça, crueldade ou ausência absoluta de misericórdia.

4. A condenação eterna de um Espírito por faltas cometidas durante uma existência limitada implicaria uma punição sem possibilidade de reparação ou progresso.

5. Tal concepção é incompatível com a justiça, a bondade e a misericórdia infinitas atribuídas a Deus.

6. Logo, a ideia de penas eternas não é compatível com a concepção de Deus apresentada por Kardec.

Essa é a força do argumento: a rejeição das penas eternas não aparece como uma preferência moral isolada, mas como consequência da própria definição de Deus adotada pelo autor.

Da definição de Deus à consequência doutrinária

A importância desse paralelo está justamente no método.

Kardec não constrói uma concepção de Deus para depois abandonar seus próprios critérios quando analisa outras questões. Ao contrário, utiliza os atributos divinos como referência constante.

O Capítulo II de A Gênese fornece a base conceitual; o exame das penas eternas em O Céu e o Inferno mostra uma aplicação dessa base a um problema doutrinário concreto.

Pode-se dizer, portanto, que há entre os dois textos uma continuidade de raciocínio: primeiro se estabelece o que deve ser entendido por Deus; depois se verifica quais consequências doutrinárias são compatíveis com essa definição.

A questão das penas eternas torna-se, assim, um teste de coerência.

Se Deus é soberanamente justo e bom, sua justiça não pode ser injusta; sua bondade não pode conter crueldade; sua misericórdia não pode ser anulada por uma condenação irrevogável; e sua perfeição não pode coexistir com uma imperfeição que a contradiga.

É nesse sentido que a crítica de Kardec às penas eternas não depende apenas de uma interpretação particular sobre o castigo. Ela decorre de uma estrutura filosófica mais ampla: a concepção de Deus deve ser coerente com seus próprios atributos, e qualquer doutrina que negue esses atributos não pode ser aceita como verdadeira.

Assim, A Gênese apresenta o princípio geral, enquanto O Céu e o Inferno demonstra uma de suas consequências. A definição de Deus não permanece uma afirmação abstrata: ela funciona como instrumento de análise e permite avaliar racionalmente as consequências das doutrinas religiosas.




A Justiça Divina em Allan Kardec: A relação entre A Gênese e O Céu e o Inferno – Editora Mundo Maior

Entre as obras que compõem a Codificação Espírita, A Gênese ocupa um papel singular. Publicado em 1868, o livro não apenas amplia conceitos apresentados anteriormente por Allan Kardec, mas também funciona como uma síntese dos princípios desenvolvidos ao longo da doutrina.

No primeiro capítulo da obra, especialmente entre os itens 30 e 38, Kardec apresenta uma visão sistematizada da justiça divina, retomando conceitos discutidos com maior profundidade em O Céu e o Inferno. A análise desses trechos revela uma construção lógica que procura explicar o destino do Espírito a partir de princípios como responsabilidade individual, progresso contínuo, reparação e transformação moral.

Os conceitos apresentados nesse trecho representam uma reformulação de ideias tradicionalmente associadas ao Cristianismo, oferecendo uma interpretação baseada nas leis naturais e na evolução espiritual.

Não existem seres privilegiados na criação

Um dos primeiros princípios apresentados em A Gênese é a unidade da criação.

No item 30 do capítulo I, Natureza da revelação, Kardec afirma que não existem seres privilegiados. Essa ideia é desenvolvida em O Céu e o Inferno, nos capítulos dedicados aos anjos e aos demônios, como abaixo:

(…)Sabe que não há criaturas deserdadas nem mais favorecidas umas que as outras; que Deus não criou nenhuma que seja privilegiada e dispensada de um trabalho imposto a outras para progredir; que não há seres perpetuamente voltados ao mal e ao sofrimento; que aqueles designados pelo nome de demônios são Espíritos imperfeitos, ainda atrasados, que fazem o mal na condição de Espíritos, como praticavam enquanto eram homens, mas que avançarão e se aperfeiçoarão; que anjos não são seres à parte na criação, mas são Espíritos puros, que atingiram a meta após terem percorrido o caminho do progresso; que de tal modo não há criações múltiplas de diferentes categorias entre os seres inteligentes, mas toda criação resulta da grande lei de unidade que rege o Universo, e que todos os seres gravitam para um alvo comum, que é a perfeição, sem que uns sejam favorecidos em detrimento de outros, pois todos são filhos das próprias obras.(…)

pag 54 – Kardec, A Gênese – 6ª edição – Editora Mundo Maior ((item 30 do capítulo primeiro completo: 30. O ESPIRITISMO, cujo ponto de partida está nas próprias palavras de Cristo, como Cristo partiu das de Moisés, é uma consequência direta de sua doutrina. À ideia vaga da vida futura, ele acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos cerca e povoa o espaço, e assim dá forma precisa à crença; dá-lhe corpo, consistência, realidade ao modo de pensar. Define os laços que unem a alma e o corpo, retirando o véu que ocultava aos homens os mistérios do nascimento e da morte. Pelo Espiritismo, o homem sabe de onde vem, para onde vai, porque está na Terra, porque sofre temporariamente e vê por toda parte a justiça de Deus. Sabe que a alma progride sem cessar por meio de uma série de existência sucessivas, até alcançar o grau de perfeição que lhe permite se aproximar de Deus. Ele sabe que todas as almas, como possuem um mesmo ponto departida, são criadas iguais, com uma mesma aptidão para progredir em virtude de seu livre-arbítrio; que todas são da mesma essência, e que há entre elas diferença senão a do progresso realizado; que todas têm o mesmo destino e alcançarão a mesma meta, mais ou menos rapidamente conforme seu trabalho e sua boa vontade. Sabe que não há criaturas deserdadas nem mais favorecidas umas que as outras; que Deus não criou nenhuma que seja privilegiada e dispensada de um trabalho imposto a outras para progredir; que não há seres perpetuamente voltados ao mal e ao sofrimento; que aqueles designados pelo nome de demônios são Espíritos imperfeitos, ainda atrasados, que fazem o mal na condição de Espíritos, como praticavam enquanto eram homens, mas que avançarão e se aperfeiçoarão; que anjos não são seres à parte na criação, mas são Espíritos puros, que atingiram a meta após terem percorrido o caminho do progresso; que de tal modo não há criações múltiplas de diferentes categorias entre os seres inteligentes, mas toda criação resulta da grande lei de unidade que rege o Universo, e que todos os seres gravitam para um alvo comum, que é a perfeição, sem que uns sejam favorecidos em detrimento de outros, pois todos são filhos das próprias obras.))

A interpretação espírita rompe com a ideia de que alguns seres foram criados para a perfeição, enquanto outros teriam sido destinados eternamente ao mal.

Segundo a doutrina, todos os Espíritos possuem a mesma origem. Todos são criados simples e ignorantes e recebem as mesmas oportunidades de desenvolvimento.

Nesse contexto, os anjos são Espíritos que já concluíram sua trajetória evolutiva e alcançaram elevados níveis de aperfeiçoamento moral. Os demônios, por outro lado, não constituem uma categoria permanente de seres condenados ao mal. Demônios são Espíritos ainda imperfeitos, que permanecem em estágios inferiores da evolução, mas que, inevitavelmente, progredirão.

Essa compreensão estabelece um princípio de igualdade absoluta diante das leis divinas e elimina qualquer possibilidade de privilégios na criação.

A felicidade e o sofrimento pertencem ao próprio Espírito

Outro aspecto fundamental apresentado por Kardec está relacionado à compreensão da felicidade e do sofrimento.

No item 32 de A Gênese, o autor afirma que a situação do Espírito após a morte é consequência direta do seu grau de aperfeiçoamento.

32. Pelo estudo da situação dos Espíritos, o homem sabe que a felicidade e a infelicidade na vida espiritual são inerentes ao grau de perfeição e de imperfeição; que cada um sofre as consequências diretas e naturais de suas faltas, por outras palavras, que ele é punido por onde pecou; que essas consequências duram tanto tempo quanto a causa que as produziu; e, portanto, o culpado sofrerá eternamente, se persistir sempre no mal, mas o sofrimento acaba com o arrependimento e a reparação; ora, como depende de cada um se aperfeiçoar, todos podem, em virtude do livre-arbítrio, prolongar ou abreviar os sofrimentos, como o doente sofre por causa de seus excessos enquanto não lhes dá um fim.

pag 55 – Kardec, A Gênese – 6ª edição – Editora Mundo Maior

Essa ideia é aprofundada em O Céu e o Inferno, que define a felicidade e a infelicidade como estados íntimos do Espírito, expressa no capítulo VIII da primeira parte itens 1, 2 e 3:

1o) A alma ou espírito sujeita-se, na vida espiritual, às consequências detodas as imperfeições das quais ela não se despojou durante a vida corporal.Seu estado feliz ou infeliz é inerente ao grau de sua depuração ou de suasimperfeições.2o) Sendo todos os espíritos perfectíveis, em virtude da lei do progresso,trazem em si os elementos de sua felicidade ou de sua infelicidade futurae os meios de adquirir uma e de evitar a outra trabalhando em seu próprioadiantamento94.3o) A felicidade perfeita está ligada à perfeição, ou seja, à depuração completa do espírito. Toda imperfeição é uma causa de sofrimento, da mesmaforma que toda qualidade adquirida é uma causa de satisfação e de atenuaçãodos sofrimentos; donde resulta que a soma da felicidade e da infelicidade estána razão da soma das qualidades boas ou más que possui o espírito.

pag 132 – Kardec, O Céu e o Inferno – 2021 – Editora Mundo Maior((alguns trechos deste item estão somente na edição original de 1865, apresentada aqui))

Essa interpretação se distancia da concepção tradicional que associa a felicidade a um lugar específico e o sofrimento a um espaço destinado ao castigo.

No entendimento espírita, o Espírito carrega em si os elementos responsáveis pela sua própria condição.

A felicidade é resultado do desenvolvimento das virtudes do desenvolvimento do progresso moral. O sofrimento, por sua vez, está relacionado às imperfeições adquiridas que ainda não foram superadas.

Dessa forma, o estado do Espírito não depende de uma sentença externa, mas da própria condição moral do indivíduo.

A punição como consequência natural da falta cometida

Um dos conceitos mais importantes apresentados por Kardec é o mecanismo pelo qual a justiça divina se manifesta. Observe os itens abaixo:

4o) A punição é sempre a consequência natural da falta cometida95. Oespírito sofre pelo próprio mal que fez, de maneira que, estando sua atençãoconcentrada incessantemente sobre as consequências desse mal 96, compreende-lhemelhor os inconvenientes e é motivado a corrigir-se.

(idem)

Kardec estabelece um importante princípio que “a punição é sempre a consequência natural da falta cometida”, servindo como um meio para o Espírito compreender os inconvenientes do erro e motivar-se a corrigi-lo.

Em A Gênese, o autor afirma que cada indivíduo é punido precisamente “por onde pecou”, A Gênese (Cap. I, item 32): “(…)que cada um sofre as consequências diretas e naturais de suas faltas, por outras palavras, que ele é punido por onde pecou; (…)

Em O Céu e o Inferno, esse princípio é desenvolvido a partir da ideia de que o sofrimento não é imposto arbitrariamente por Deus. A punição surge como consequência natural das escolhas equivocadas.

O arrependimento e a rejeição das penas eternas

A rejeição das penas eternas representa um dos aspectos mais revolucionários da interpretação espírita da justiça divina.

Nos itens 32 e 33 de A Gênese, Kardec afirma que o sofrimento termina quando o Espírito se arrepende e se dedica à reparação dos erros cometidos.

Em O Céu e o Inferno, o autor argumenta que a ideia de um castigo eterno é incompatível com a bondade e a misericórdia de Deus. O Céu e o Inferno: Capítulo VII (“Doutrina das penas eternas”)

Reconciliar-se o culpado com Deus – arrependendo-se e pedindo para reparar o mal que fez – constitui um retorno ao bem, aos bons sentimentos. Se o castigo é irrevogável, esse retorno ao bem de nada valerá; se o bem não for levado em conta, não haverá justiça. Entre os homens, o condenado que se corrige vê sua pena atenuada e por vezes até mesmo perdoada; haveria assim, na justiça humana, mais equidade que na justiça divina! Se a condenação é irrevogável, o arrependimento é inútil – o culpado, não tendo nada a esperar do seu retorno ao bem, persistirá no mal, de tal forma que Deus não somente o condena a sofrer perpetuamente, condena-o ainda a permanecer no mal por toda a eternidade. Isso não constituiria nem justiça nem bondade.

pag. 120 Kardec, O Céu e o Inferno – 2021 – Editora Mundo Maior

O item mencionado capitulo VII da primeira parte de O Céu e o Inferno e os itens 8º e 9º do capítulo VIII (( 8o) A duração do castigo está subordinada ao aperfeiçoamento do espírito culpado. Nenhuma condenação por um tempo determinado é pronunciada contra ele. O que Deus exige para pôr fim aos sofrimentos é o arrependimento, a expiação e a reparação – em resumo: um aperfeiçoamento sério, efetivo, assim como um retorno sincero ao bem99.O espírito é, assim, sempre o árbitro de seu próprio destino; ele pode prolongar seus sofrimentos por seu endurecimento no mal, aliviá-los ou abreviá-los por seus esforços para fazer o bem. Uma condenação por um tempo determinado qualquer teria o duplo inconveniente de ou continuar a atingir o espírito que se houvesse aperfeiçoado ou cessar quando ele ainda estivesse no mal. Deus, que é justo, pune o mal enquanto este existe; e encerra a punição quando o mal não existe mais. Assim se acha confirmada esta expressão: Eu não quero a morte do pecador, mas que ele viva e eu o acusarei até que ele se arrependa.1009o) Estando a duração do castigo subordinada ao arrependimento, resulta daí que o espírito culpado que não se arrependesse e jamais se aperfeiçoasse sofreria sempre, e que, para ele, a pena seria eterna. A eternidade das penas deve então ser entendida no sentido relativo e não no sentido absoluto. pag 133))

Assim, Kardec demonstra que a duração do castigo é estritamente subordinada ao aperfeiçoamento do culpado e que a “eternidade” das penas é apenas relativa à persistência no mal

Segundo essa perspectiva, a duração do sofrimento está diretamente relacionada ao processo de transformação do Espírito. Não existe uma condenação estabelecida por um período determinado nem uma sentença irreversível.

A reencarnação como instrumento de reparação e progresso

Nos itens 34 e 35 de A Gênese, Kardec apresenta a pluralidade das existências como um elemento essencial para compreender a justiça divina. Leia a seguir:

34. A pluralidade das existências, cujo princípio Cristo estabeleceu noEvangelho, mas sem defini-lo, como o fez com muitos outros, é uma dasmais importantes leis reveladas pelo Espiritismo, porque este demonstrasua realidade e sua necessidade para o progresso. Com essa lei, o homemexplica a si todas as aparentes anomalias da vida humana; suas diferençasquanto à posição social; as mortes prematuras as quais, sem a reencarnação,tornariam inúteis para a alma as vidas de curta duração; explica a desigualdade de aptidões intelectuais e morais, as quais se devem à antiguidade doEspírito que viveu mais ou menos tempo, tendo aprendido e progredidoem maior ou menor grau, trazendo ao renascer o que conquistou em existências anteriores.

35. Com a doutrina da criação da alma a cada nascimento, caímos no sistemadas criações privilegiadas; os homens são estranhos uns aos outros, nadaos liga; os laços de família são puramente carnais. Não são em nada solidários com um passado no qual não existiram. Com a doutrina do nadadepois da morte, todas as relações cessam com a vida e, desse modo, oshomens não são solidários no futuro. Mediante a realidade da reencarnação, por sua vez, eles são solidários no passado e no futuro. Como suasrelações se perpetuam, tanto no mundo espiritual quanto no corporal,a fraternidade tem como base as próprias leis da natureza. O bem temum objetivo; e o mal, consequências inevitáveis.

pag 56 – Kardec, A Gênese – 6ª edição – Editora Mundo Maior

A reencarnação explica as desigualdades sociais, as diferenças individuais e as circunstâncias que caracterizam a experiência humana.

Em O Céu e o Inferno, Capítulo VIII, Itens 21, 23 e 25. Kardec apresenta a reencarnação como um mecanismo de reparação e progresso, conforme o texto:

21o) A situação do espírito, a partir de sua entrada na vida espiritual, éa que ele preparou para si durante a vida no corpo. Mais tarde, outra encarnação lhe é dada, e por vezes imposta, para a expiação e reparação por meio de novas provas, mas ele a aproveita em maior ou menor proporção em virtude de seu livre-arbítrio. Se ele não a aproveitar, será uma tarefa para recomeçar cada vez em condições mais penosas, de modo que se pode dizer que aquele que sofre muito sobre a Terra tinha muito a expiar. Os que gozam de uma felicidade aparente, apesar de seus vícios e sua inutilidade, certamente pagarão caro numa próxima existência. É nesse sentido que Jesus disse: “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V)

23o) Sendo as penas temporárias e subordinadas ao arrependimento, queé o fato da livre vontade do homem, são ao mesmo tempo os castigos e osremédios que devem ajudar a curar as feridas do mal. Os espíritos em puniçãosão, portanto, não como condenados perpetuamente, mas como doentes nohospital, que sofrem da doença que quase sempre é culpa sua e dos meioscurativos dolorosos de que ela necessita, mas que são a esperança da cura, eque curam tanto mais rápido quanto mais exatamente sigam as prescrições domédico que vela sobre eles com solicitude. Se prolongam seus sofrimentospor sua própria culpa, o médico nada tem com isso.

25°) Seria injustiça se Deus tivesse criado privilegiados, mais favorecidos queoutros, gozando sem trabalho da felicidade que outros somente alcançam comdificuldade ou jamais podem alcançar. Mas onde sua justiça brilha é na igualdadeabsoluta que preside à criação de todos os espíritos. Todos têm um mesmo pontode partida. Nenhum espírito, em sua formação, é mais bem dotado que outro. Nenhum que tenha sua marcha ascensional facilitada por exceção. Aqueles que chegaram ao fim passaram, como os outros, pela fieira das provas e da inferioridade.Admitido isto, o que há de mais justo que a liberdade de ação deixada acada um? A estrada da felicidade está aberta a todos. O fim é o mesmo paratodos. As condições para atingi-lo são as mesmas para todos. A lei gravadaem todas as consciências é ensinada a todos. Deus fez da felicidade o prêmiodo trabalho e não o do favor, a fim de que cada um pudesse dela ter o mérito.Cada um é livre para trabalhar ou nada fazer por seu próprio adiantamento.Aquele que trabalha muito e depressa é mais cedo recompensado. Aquele quese desvia no caminho ou perde tempo atrasa sua chegada e só pode culpar a simesmo. O bem e o mal são voluntários e facultativos. O homem, sendo livre,não é fatalmente impelido nem a um nem a outro.

pag. 138 – Kardec, O Céu e o Inferno – 2021 – Editora Mundo Maior

As penas não são permanentes. Elas funcionam como remédios destinados ao aperfeiçoamento do Espírito.

Cada existência oferece novas oportunidades de aprendizado, permitindo que o indivíduo enfrente desafios compatíveis com suas necessidades evolutivas.

Essa interpretação também estabelece uma profunda relação entre o passado, o presente e o futuro.

As escolhas realizadas em uma existência produzem consequências que podem se refletir em experiências futuras, criando um vínculo permanente entre as diferentes etapas da jornada espiritual.

Ao mesmo tempo, a reencarnação reforça o princípio da solidariedade humana, eliminando preconceitos e demonstrando que todos os indivíduos estão submetidos ao mesmo processo evolutivo.

A nova interpretação do pecado original

No item 38 de A Gênese, Kardec apresenta uma nova compreensão do pecado original:

38. Sem a preexistência da alma, a doutrina do pecado original não seria somente inconciliável com a justiça de Deus, que tornaria todos os homens respon­ sáveis pela falta de um só, seria também um contra-senso, e tanto menos justificável quanto, segundo essa doutrina, a alma não existia na época a que se pretende fazer que a sua responsabilidade remonte. Com a preexistência, o homem traz, ao renascer, o gérmen das suas imperfeições, dos defeitos de que se não corrigiu e que se traduzem pelos instintos naturais e pelos pendores para tal ou tal vício. É esse o seu verdadeiro pecado original, cujas conseqüências naturalmente sofre, mas com a diferença capital de que sofre a pena das suas próprias faltas, e não das de outrem; e com a outra diferença, ao mesmo tempo consoladora, animadora e soberanamente eqüitativa, de que cada existência lhe oferece os meios de se redimir pela reparação e de progredir, quer despojando-se de alguma imperfeição, quer adquirindo novos conhecimentos e, assim, até que, suficientemente purificado, não necessite mais da vida corporal e possa viver exclusivamente a vida espiritual, eterna e bem-aventurada.

pag 57 – Kardec, A Gênese – 6ª edição – Editora Mundo Maior

A doutrina espírita abandona a ideia da culpa herdada e substitui esse conceito pela responsabilidade individual.

O homem não sofre em consequência da falta de um ancestral.

Segundo Kardec, o chamado pecado original corresponde ao conjunto das imperfeições que o Espírito ainda conserva ao renascer. Em O Céu e o Inferno, Capítulo VIII – 15° fundamenta a responsabilidade individual, onde o homem sofre apenas a pena de suas próprias faltas, tendo em cada existência os meios de se redimir:

15o) Cada um é responsável apenas por suas faltas pessoais; ninguém carrega a pena das faltas de outrem,106 a menos que tenha dado lugar a tal, seja provocando-as por seu exemplo, seja não as impedindo quando tinha esse poder. Responde-se não somente pelo mal que se fez, mas também pelo bem que se poderia fazer e não se fez107.É assim, por exemplo, que o suicida é sempre punido; mas aquele que, por sua dureza, impele um indivíduo ao desespero e daí a destruir-se, sujeita-se a uma pena ainda maior.

pag. 136 – Kardec, O Céu e o Inferno – 2021 – Editora Mundo Maior

Cada indivíduo traz consigo tendências, inclinações e dificuldades que representam experiências ainda não superadas. Entretanto, essas limitações não constituem uma condenação definitiva.

Cada nova existência oferece os recursos necessários para que o Espírito transforme antigas imperfeições em virtudes, avançando gradualmente em direção ao aperfeiçoamento.

Conclusão: Uma justiça baseada no progresso e na responsabilidade

Ao estabelecer a correspondência entre A Gênese e O Céu e o Inferno, Allan Kardec apresenta uma visão da justiça divina fundamentada em princípios completamente diferentes daqueles tradicionalmente associados à punição.

Não existem privilégios na criação. Não existem condenações eternas. O sofrimento não é uma manifestação da ira divina, mas uma consequência natural da imperfeição.

Ao mesmo tempo, o arrependimento, a reparação e a reencarnação oferecem oportunidades permanentes de crescimento e transformação.

Essa compreensão faz da justiça divina um processo educativo e progressivo, no qual cada Espírito é responsável pelo próprio destino e possui, em si mesmo, os instrumentos necessários para alcançar a felicidade.

Nota: Este conteúdo baseia-se nas obras de Allan Kardec (edições autênticas da Editora Mundo Maior), focando na correlação doutrinária entre A Gênese e O Céu e o Inferno.




O Elo entre O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Céu e o Inferno

A compreensão das penas futuras e da justiça divina sob a ótica do Espiritismo encontra uma de suas sínteses mais profundas e esclarecedoras na nota contida no Capítulo XXVII, item 21, de O Evangelho segundo o Espiritismo. Nessa referência, Allan Kardec convida o leitor a examinar o Capítulo VIII ((pag. 129 – O Ceu e o Inferno – Edição original – Editora Mundo Maior)) de 1865 – da primeira parte de O Céu e o Inferno em sua totalidade, obra que representa a elaboração definitiva da teoria moral espírita, validada tanto por uma tese racional e lógica quanto por exemplos práticos reais extraídos do plano espiritual.

A Estrutura do Capítulo VIII: A Tese dos 25 Itens

O Capítulo VIII de O Céu e o Inferno é composto por 25 proposições fundamentais que estruturam, passo a passo, a verdadeira face da justiça divina. Cada um desses itens desempenha um papel estratégico na exposição da doutrina: a primeira parte da obra estabelece a tese teórica de forma rigorosa, enquanto a segunda parte apresenta os depoimentos e as vivências de Espíritos nas mais variadas condições, demonstrando empiricamente como essas leis se aplicam na prática.

21. “O homem sofre sempre a consequência de suas faltas; não há uma só infração à lei de Deus que fique sem a correspondente punição.

“A severidade do castigo é proporcionada à gravidade da falta.

“Indeterminada é a duração do castigo, para qualquer falta; fica subordinada ao arrependimento do culpado e ao seu retorno à senda do bem; a pena dura tanto quanto a obstinação no mal; seria perpétua, se perpétua fosse a obstinação; dura pouco, se pronto é o arrependimento.

“Desde que o culpado clame por misericórdia, Deus o ouve e lhe concede a esperança. Mas, não basta o simples pesar do mal causado; é necessária a reparação, pelo que o culpado se vê submetido a novas provas em que pode, sempre por sua livre vontade, praticar o bem, reparando o mal que haja feito.

“O homem é, assim, constantemente, o árbitro de sua própria sorte; pertence-lhe abreviar ou prolongar indefinidamente o seu suplício; a sua felicidade ou a sua desgraça dependem da vontade que tenha de praticar o bem.”

Tal a lei, lei imutável e em conformidade com a bondade e a justiça de Deus. Assim, o Espírito culpado e infeliz pode sempre salvar-se a si mesmo: a lei de Deus estabelece a condição em que se lhe torna possível fazê-lo. O que as mais das vezes lhe falta é a vontade, a força, a coragem. Se, por nossas preces, lhe inspiramos essa vontade, se o amparamos e animamos; se, pelos nossos conselhos, lhe damos as luzes de que carece, em lugar de pedirmos a Deus que derrogue a sua lei, tornamo-nos instrumentos da execução de outra lei, também sua, a de amor e de caridade, execução em que, desse modo, ele nos permite participar, dando nós mesmos, com isso, uma prova de caridade. (Veja-se O Céu e o Inferno, 1.ª parte, caps. IV, VII, VIII.) ((idem))

Capítulo XXVII, item 21, de O Evangelho segundo o Espiritismo. – Edição 1866

Embora o resumo apresentado no Evangelho dê destaque a conceitos centrais presentes em pontos específicos, ele sintetiza o espírito de todo o conjunto que compõe esse capítulo, mostrando que a moral espírita é um sistema integrado.

Os Princípios Fundamentais da Justiça Divina

Dentro dessa estrutura de 25 itens, Kardec desconstrói os dogmas tradicionais baseados no medo e estabelece as bases lógicas da responsabilidade moral individual:

  • A Consequência Natural: O sofrimento e a punição não decorrem de um decreto punitivo arbitrário ou de uma ira divina externa. Conforme o item 4, o castigo é a consequência natural da falta cometida. Ele deriva diretamente da própria imperfeição do Espírito, que carrega em seu íntimo os elementos da sua desarmonia e desequilíbrio.
  • Proporcionalidade da Pena: O item 5 estabelece que a severidade do sofrimento é rigorosamente proporcional à gravidade e à natureza da falta cometida, ajustando-se com exatidão matemática e moral à condição de cada indivíduo, sem excessos inúteis.
  • Duração Indeterminada e o Arrependimento: Os itens 8 e 9 tratam da duração da pena, demonstrando que ela não possui caráter eterno nem prazos fixados de antemão por uma sentença irrevogável. O sofrimento permanece estritamente subordinado ao arrependimento do culpado e à sua livre vontade de se regenerar, mudar e buscar o próprio aprimoramento.

O Diálogo entre as Obras: A Conexão Cronológica e a Revisão

Um aspecto fascinante e dinâmico da Codificação Espírita é a forma como as obras dialogam entre si no decorrer do tempo. Como O Céu e o Inferno foi publicado posteriormente (em agosto de 1865), a menção a ele em uma nota do Evangelho segundo o Espiritismo evidencia o processo constante de interligação e atualização promovido por Allan Kardec.

Esse aprimoramento contínuo refletiu-se diretamente nas edições do Evangelho, que foram sendo cuidadosa e progressivamente revistas pelo próprio codificador — com destaque para a sua terceira edição (lançada em 1866), marco essencial em que a estrutura da obra foi consolidada e integrada às conclusões morais mais maduras que desabrochavam na Doutrina.

O Contexto Complementar: Os Capítulos IV e VII

Para uma compreensão verdadeiramente integral do raciocínio apontado na nota do Evangelho, a análise não deve se restringir apenas ao Capítulo VIII. Kardec também remete o leitor aos capítulos IV e VII da primeira parte de O Céu e o Inferno para enriquecer o panorama:

  • O Capítulo IV aprofunda o entendimento filosófico sobre a natureza íntima das penas espirituais.
  • O Capítulo VII desenvolve uma crítica rigorosa e profunda à tradicional “doutrina das penas eternas”, contrapondo-a à lógica da justiça equânime, da misericórdia divina e da inabalável lei de progresso.

Conclusão

A articulação profunda entre O Evangelho segundo o Espiritismo e O Céu e o Inferno revela um sistema moral coerente, humanizador e consolador, no qual a justiça divina opera longe de qualquer fatalismo dogmático. Ao orientar o leitor a mergulhar no conjunto dessas obras, Kardec reforça que a responsabilidade espiritual é intransferível, que a dor atua como um corretivo pedagógico da consciência e que a reabilitação está sempre aberta e acessível a qualquer ser por meio do livre-arbítrio e do esforço pessoal de regeneração.




Da Causalidade Moral à Lógica da Dívida: O Estrago das Adulterações em O Céu e o Inferno

Resumo

A compreensão da relação entre sofrimento, responsabilidade moral e evolução espiritual constitui um dos pontos centrais da filosofia espírita. Este artigo analisa a diferença entre uma interpretação baseada no princípio de causalidade, entendida como consequência natural das escolhas e do estado de consciência do espírito, e uma interpretação fundamentada na ideia de dívida, expiação e reparação obrigatória. A partir da comparação entre conceitos presentes em O Céu e o Inferno (1865) e interpretações posteriores associadas à quarta edição da obra, discute-se como a aproximação entre causa e efeito moral e a noção popular de karma contribuiu para modificar a percepção sobre autonomia espiritual e determinismo.

Palavras-chave: Allan Kardec; O Céu e o Inferno; causalidade; autonomia ; expiação; karma.


Introdução

A relação entre justiça divina, sofrimento e evolução espiritual sempre ocupou lugar central nas tradições religiosas e filosóficas. No século XIX, Allan Kardec estruturou a filosofia espírita propondo uma abordagem que procurava conciliar responsabilidade moral, progresso espiritual e autonomia do indivíduo.

Entretanto, interpretações posteriores do pensamento espírita passaram a enfatizar conceitos como dívida espiritual, resgate e expiação, aproximando-se, em muitos aspectos, de uma concepção popular de karma baseada na ideia de compensação obrigatória por atos passados.

A diferença entre essas perspectivas não é apenas terminológica. Ela envolve duas formas distintas de compreender o desenvolvimento espiritual: uma baseada na transformação consciente do indivíduo e outra fundamentada em uma lógica de retribuição.


1. A causalidade como princípio filosófico

Na perspectiva apresentada por Kardec em O Céu e o Inferno (1865), o sofrimento espiritual é explicado a partir de uma relação de causalidade. O espírito experimentaria as consequências naturais de seu próprio estado moral, de seus pensamentos e de suas escolhas.

Nesse modelo, a consequência não possui necessariamente caráter punitivo. Ela funciona como elemento educativo, permitindo ao indivíduo compreender os efeitos de determinadas atitudes e desenvolver gradualmente uma consciência mais elevada.

A diferença fundamental está no papel da autonomia. O espírito não seria um condenado submetido a uma pena externa, mas um agente capaz de modificar as causas que produzem determinados efeitos.

Essa concepção está alinhada com a ideia de progresso moral contínuo: a transformação interior altera a relação do indivíduo com suas próprias consequências.


2. A mudança de perspectiva: dívida e expiação

Críticos das alterações posteriores em O Céu e o Inferno apontam que determinadas inclusões conceituais teriam deslocado a interpretação da causalidade para uma lógica de débito espiritual: erros cometidos anteriormente gerariam uma necessidade de reparação futura, estabelecendo uma relação mais próxima com a ideia de pagamento de uma dívida.

A consequência dessa mudança é uma alteração na compreensão do sofrimento: ele deixa de ser visto prioritariamente como resultado natural de um estado de consciência e passa a ser interpretado como uma exigência de compensação.

A diferença pode ser resumida da seguinte forma:

Causalidade moral Lógica da dívida
A consequência surge naturalmente das escolhas O sofrimento funciona como reparação obrigatória
O indivíduo pode transformar a causa presente O passado determina uma necessidade futura
Ênfase na autonomia Ênfase no resgate
Sofrimento como aprendizado Sofrimento como pagamento

3. A aproximação com o conceito popular de karma

O termo karma possui diferentes significados dentro das tradições indianas, especialmente no hinduísmo, budismo e jainismo. Sua complexidade histórica não se reduz à ideia popular ocidental de “pagar pelo que fez”.

Entretanto, no uso comum contemporâneo, karma frequentemente é compreendido como uma lei automática de recompensa e punição: uma ação negativa produziria necessariamente um sofrimento equivalente no futuro.

Quando essa interpretação é aplicada ao pensamento espírita, ocorre uma aproximação entre causalidade moral e uma espécie de mecanismo retributivo.

O problema filosófico dessa associação está em transformar uma relação ética e educativa em uma relação mecânica, como se o universo funcionasse segundo uma contabilidade automática de débitos e créditos.


4. A analogia inadequada com a terceira lei de Newton

A expressão “ação e reação” tornou-se amplamente utilizada para explicar consequências morais. Contudo, existe uma diferença fundamental entre uma lei física e um princípio..

A terceira lei de Newton descreve uma interação entre forças físicas. Ela pertence ao domínio da mecânica clássica e não representa uma teoria sobre comportamento humano ou justiça moral.

Ao transportar diretamente esse conceito para a dimensão espiritual, cria-se uma analogia limitada: uma ação humana não produz uma reação moral automática e proporcional da mesma maneira que uma força física produz outra força.

O indivíduo possui vontade, consciência, livre-arbítrio, razão, possibilidade de arrependimento, mudança de comportamento e reconstrução de sua trajetória. Esses elementos não existem em sistemas puramente mecânicos.


5. Autonomia versus Determinismo Espiritual

A principal consequência dessa mudança interpretativa está no papel atribuído ao Espírito como indivíduo.

Na perspectiva da autonomia, , Espírito participa ativamente da construção de sua evolução. O passado influencia, mas não determina completamente o futuro, pois novas escolhas produzem novas causas.

Já em uma visão baseada na dívida espiritual obrigatória, existe o risco de interpretar o sofrimento como algo inevitável e previamente necessário, reduzindo o espaço da transformação presente.

Essa diferença possui também implicações morais para o Espírito: uma visão pode estimular responsabilidade e mudança; a outra pode favorecer interpretações fatalistas, nas quais a dor é vista como cumprimento de uma obrigação espiritual.


Conclusão

A distinção entre causalidade e dívida é fundamental para compreender diferentes leituras do pensamento espírita. A primeira enfatiza autonomia, aprendizado e transformação; a segunda aproxima-se de um modelo retributivo baseado em compensação.

O debate não se limita a uma questão textual, mas envolve uma mudança filosófica profunda: compreender o espírito como agente ativo de sua evolução ou como sujeito submetido a uma mecânica inevitável de consequências.




Linguagem Específica da Ciência Espirita

Você sabia que a maioria dos que se dizem espíritas… não conhecem o Espiritismo? Nem usam a linguagem específica da ciência espiritas para explicar seus fenômenos e seus conceitos.

Ser espírita não é questão de adesão emocional, nem de consumir romances supostamente “espíritas”.
Ser espírita é estudar com seriedade a Ciência Espírita, compreendendo seus fundamentos e colocando em prática seus princípios — como ensinava Allan Kardec.

O Espiritismo é uma doutrina de estudo, razão e observação. Trocar essa ciência por ficção é um enorme mal causado ao Espiritismo. Como é uma Ciência Filosófica ela deve ser estuada com os termos científicos específicos.

Ne época de Kardec, as Ciências Filosóficas faziam parte do ensino.

Quando Allan Kardec lançou sua Primeira Edição da Revista Espírita de 1858, logo a definiu na sua introdução ao justificar seu título Jornal de Estudos Psicológicos. A Ciência Espirita é, segundo seu tempo apresentado no quadro acima: Ciência Moral

Como Ciência, sua linguagem é especifica dos elementos dessa ciência para todos se entenderem. Os termos são extremamente importantes para haver uma comunicação adequada das ideias espiritas. Nós vemos, hoje em dia, uma mistura da ciência totalmente materialista do nosso tempo em que não se considera o estudo das hipóteses Metafísicas, por exemplo. Além disso, misturarem palavras de um em outro. Por causa disso, há uma confusão de conceitos do Materialismo misturado com o estudo dos assuntos do Espirito, que se estuda também metafisicamente.

Daremos alguns exemplos do uso equivocado de termos materialistas que passam despercebidos:

  1. USE PSICOFONIA – NÃO USE INCORPORAÇÃO: nós vemos muitos palestrantes ou mesmo descrições de manifestações em textos dito espíritas que se usa o termo incorporação. Espirito não é matéria para ocupar um lugar físico. Espirito não incorpora nenhum corpo. nem seu próprio espirito incorpora você. O Espirito fala pelo médium através de uma fenômeno chamado PSICOFONIA. O espírito do médium está COM ele e não incorpora seu corpo físico. Esse ponto é bem importante para não criar a falsa ideia de que o médium é possuído por outro espirito, ou que o espírito comunicamente toma o corpo do médium, ou mesmo que o espirito do médium vai para outros lugares enquanto o médium está em psicofonia. Isso não existe na Ciência Espirita!
  2. A AÇÃO DO ESPIRITO É TÃO E SOMENTE PELO SEU PENSAMENTO: espírito não tem corpo material. Segundo os estudos da Ciência Espirita, Deus criou 2 elementos gerais: ESPÍRITO E MATÉRIA. Espirito não tem analogia no nosso mundo material. Períspirito é matéria. O material de que é feito o períspirito é desconhecido para nós, mas mesmo sem conhecermos as características dele, é matéria. Períspirito não faz parte do espirito, assim como períspirito não é espirito. O espirito age através e tão somente pelo pensamento . Como exatamente isso acontece ainda é desconhecida por nós, mas há varias teorias dentro das livros que explicam esse mecanismo (leia A Gênese, cap. XIV – Os Fluidos.)
  3. USE EMANAÇÃO OU PROPAGAÇÃO – NÃO USE ENERGIA: o termo energia é definida na Física como capacidade de um corpo, uma substância ou um sistema físico têm de realizar trabalho. Em termos figurados(não científicos), energia é vigor ou potência moral; filosoficamente falando, segundo Aristóteles, ação de um motor físico ou metafísico (a metafísica, não é considerado ciência nos tempos de hoje) que permite a atualização de uma potencialidade. Veja, todas as definições levam em conta algo físico agindo sobre algo físico. Um dos princípios da Ciência Espirita é de que somos uma alma encarnada. Se somos uma alma, não temos corpo, logo não poderá ser uma energia(algo físico) saindo do espirito ou alma(não físico) e chegando em um corpo(físico). O mais apropriado seria uma emanação ou mesmo propagação .
  4. USE ESPÍRITO – NÃO USE MENTE: usa-se mente por outras áreas da ciência atual materialista. Alguns confundem mente com cérebro; cérebro é um orgão do corpo, cérebro é matéria. Como a Ciência Materialista não admite o espirito como hipótese, ele atribui ao cérebro o processo de pensar, mas não foi isso que os espíritos explicaram. Segundo a Ciência Espirita, através de sua observação, quem comanda o corpo é o espirito e não o cérebro. O cérebro envia os comandos. O cérebro nasce, vive e morre e o espirito permanece e leva com ele os conhecimentos adquiridos por várias encarnações. Quem tem e leva o conhecimento é o espírito não a mente. Quem pensa é o espirito. Você que entende a doutrina espirita sabe disso e sempre usa Espirito ao invés de Mente, não é?
  5. USE “COMO SE FOSSE UMA VIBRAÇÃO” – NÃO USE “VIBRAÇÃO” ISOLADAMENTE AO FALAR DE FENOMENOS ESPÍRITAS: há hipóteses do mecanismo propriamente dito (vide item 2) e tão somente hipóteses. Usar o termo vibração pode levar a crer que o fenômeno espirita é uma onda como estudada na Física Ondulatória, onde apresenta diferentes tipos de ondas e vibrações diferentes, etc.
  6. USE PERISPÍRITO – NÃO USE FANTASMA: quem estuda a Ciência Espirita, sabe que há fenômenos de aparições que remetem a essas figuras que impressionam nosso imaginário. Mas não passam de espíritos e seus fenômenos para muitas vezes brincar ou assustar os encarnados. Espirita ter medo de espirito não existe!
  7. ESTAMOS SEMPRE NO MUNDO ESPIRITUAL: segundo a Ciência Espirita, quando encarnados vivemos em um mundo dual: mundo da matéria e mundo do espirito. Quando morremos, desencarnamos, ou seja, deixamos a matéria, mas CONTINUAMOS NO MUNDO ESPIRITUAL. Não use mais os termos “ele morreu e foi para a pátria espiritual”(Ele já estava no mundo dos espíritos); “agora vai encontrar seus entes que já morreram”(os seus entes queridos nunca estão longe. Lembra que os Espíritos não ficam em nenhum lugar?(vide item 1); “ele nos deixou”, etc
  8. USE CAUSA E EFEITO – NÃO USE LEI DE CAUSA E EFEITO: A causalidade é geralmente considerada um princípio fundamental, e não uma lei específica, no contexto filosófico e científico. Ela descreve a relação de causa e efeito entre eventos, onde um evento (a causa) é entendido como a razão por trás da ocorrência de outro evento (o efeito). A causalidade é um princípio fundamental que ajuda a entender a natureza da relação entre causa e efeito, e é utilizado em diversas áreas, desde a física e as ciências naturais até a filosofia e o direito. Embora a causalidade seja frequentemente referida como “lei da causa e efeito”, ela não é uma lei científica no sentido de uma relação quantitativa e experimentalmente verificável, como as leis da física. Ela é mais um conceito ou princípio que descreve a natureza da relação entre causa e efeito. A causalidade é importante para a compreensão do mundo ao nosso redor, pois permite identificar as causas de fenômenos e prever seus efeitos. Ela é fundamental para a ciência, a tecnologia e a vida cotidiana, pois nos ajuda a entender e interagir com o mundo de forma mais eficiente. Um exemplo: Imagine em uma caçada, um animal é abatido com um tiro e morre. O efeito é a morte. A causa foi o disparo da espingarda. Não foi uma Lei. Na Ciência Espirita, Kardec usou muito desses princípios para explicar os efeitos inteligentes das manifestações espiritas inteligentes. Lá ele explica que para todo efeito inteligente há uma causa inteligente. Há inúmeros relatos nas obras dele.
  9. USE PROVAS E EXPIAÇÕES – NÃO USE KARMA(OU CARMA): Karma e Espiritismo são como água e óleo: não se misturam. Cuidado com as pessoas que pregam a doutrina do karma dentro do meio espírita, pois o entendimento da Doutrina Espírita vai no sentido oposto.(clique no link para ler a explicação completa).
  10. USE ESPIRITO ESTACIONADO – NÃO USE RETROGRADAÇÃO: muitos misturam outras doutrinas reencarnacionistas com a ciência dos espíritos.. Segundo a Ciência Espirita, nós, espíritos, quando estamos mergulhados em imperfeições, como orgulho e egoísmo. Assim ficamos estacionados como em looping e não evoluímos. Mas isso não quer dizer que estamos voltando e vamos reencarnar em animais. Isso só quer dizer que ESTACIONAMOS NO PROCESSO EVOLUTIVO! O espirito de um ser humano nunca perde o conhecimento que teve anteriormente, então ele nunca reencarnará como animal por causa de suas imperfeições. Ele simplesmente não progredirá até se arrepender e retornar sinceramente ao bem.
  11. QUEM REGENERÁ SERÃO OS ESPIRITOS DO PLANETA TERRA – O PLANETA TERRA NÃO REGENERÁ: o Planeta não vai mudar e daí os espíritos vão ter que evoluir. Não existe DATA LIMITE, ANO, SÉCULO nem nada. É o inverso! Os espirito que estão no planeta que vão evoluir. Vai ser simplesmente quando a maioria dos espíritos encarnados estiverem mais evoluídos, não precisando mais de provas e expiações para evoluir. Um dia o Planeta terra se extinguirá como qualquer outro planeta também será. Essa é a ordem do universo material que conhecemos.
  12. USE ESPIRITO PURO – NAO USE ESPIRITO PERFEITO: O ideal de perfeição é Deus, então nunca um espirito vai ser um espirito perfeito. O espirito vai chegar a perfeição relativa ao seu grau evolutivo. Espirito Puro é aquele que não precisa mais reencarnar para evoluir pois já não sofre influencia da matéria. Mesmo sendo puros, eles vão evoluir (Lei do Progresso)
  13. PASSE NÃO É TRANSFERENCIA DE ENERGIA: vide item 3

Se você lembrar de alguma expressão equivoca, só deixar um comentário.




A mais forte evidência de adulteração de O Céu e o Inferno, de Allan Kardec

São fatos jurídicos incontestes as adulterações de A Gênese e O Céu e o Inferno, pela mera questão de terem sido lançadas edições, com alterações, após a morte do autor e sem o depósito legal – assim afirmam ao menos quatro operadores jurídicos especializados: Simoni Privato, Júlio Nogueira, Lucas Sampaio e Marcelo Henrique. Esse fato legal está acima de qualquer cogitação e, por conta disso, federações espíritas de outros países, em respeito à lei, voltaram à terceira edição da obra. Infelizmente, a Federação Espírita Brasileira, tendo muito a recapitular ao tomar essa atitude (já que os textos original de O Céu e o Inferno e A Gênese contraditam uma infinidade de erros que povoam a generalidade das publicações por ela editadas e impressas) ainda reluta contra esses fatos, baseando-se em argumentações de leigos em matéria de direito autoral.

Além do fato jurídico e do necessário respeito à lei, pelo estudo, acabamos de identificar mais uma evidência, talvez a mais determinante de todas, da adulteração de O Céu e o Inferno, obra de Allan Kardec, justamente na parte que exprimia a filosofia doutrinária em sua mais clara e pura face.

Em O Livro dos Espíritos, Kardec trata da questão dos Espíritos que escolheram sempre o caminho do bem (tratamos disso também no artigo “Reforma Íntima e Espiritismo“:

Existem Espíritos que sempre escolheram o caminho do bem

121. Por que é que alguns Espíritos seguiram o caminho do bem e outros o do mal?

“Não têm eles o livre-arbítrio? Deus não criou Espíritos maus; criou-os simples e ignorantes, isto é, tendo tanta aptidão para o bem quanta para o mal. Os que são maus, assim se tornaram por vontade própria.”

133. Têm necessidade de encarnação os Espíritos que desde o princípio seguiram o caminho do bem?

“Todos são criados simples e ignorantes e se instruem nas lutas e tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não podia fazer felizes a uns, sem fadigas e trabalhos, conseguintemente sem mérito.”

a) — Mas, então, de que serve aos Espíritos terem seguido o caminho do bem, se isso não os isenta dos sofrimentos da vida corporal?

“Chegam mais depressa ao fim. Ademais, as aflições da vida são muitas vezes a consequência da imperfeição do Espírito. Quanto menos imperfeições, tanto menos tormentos. Aquele que não é invejoso, nem ciumento, nem avaro, nem ambicioso, não sofrerá as torturas que se originam desses defeitos.”

O Livro dos Espíritos. Grifos nossos.

Confirmados pelos Espíritos, existem aqueles que sempre escolheram o caminho do bem, o que não os livra da necessidade de encarnar, para seu desenvolvimento. Assim, não têm o que expiar, dado que a expiação é a escolha consciente de provas e oportunidades que lhes ajudem a desapegar de imperfeições conscientemente adquiridas (lembrando que errar, meramente, não é adquirir imperfeições, desde que o erro seja superado pelo aprendizado. O que gera imperfeições é a repetição consciente do erro).

Além disso, é mais que lógico que aquele que tenha superado, através da expiação, uma imperfeição adquirida, não tem mais o que expiar, exceto caso desenvolva novas imperfeições. Ainda assim, ele pode necessitar nascer em um planeta como a Terra, simplesmente porque suas necessidades atuais demandam ou porque escolha encarnar em missão. O próprio Jesus Cristo é o exemplo máximo desse último caso e, mesmo sendo um Espírito puro, ainda assim enfrentou as vicissitudes da matéria, sem ter nada o que expiar. Vejam aonde leva a admissão dessas falsas ideias: ao dogma de Espíritos criados à parte e que nunca estiveram, em realidade, entre nós (um dogma sustentado por Roustaing)!

Forte evidência da adulteração de O Céu e O Inferno

E aqui chegamos à mais forte evidência da adulteração de O Céu e O Inferno, que, na edição lançada após a morte de Kardec, introduziu dois itens no capítulo VIII (que se tornou capítulo VII):

9.º — Toda falta cometida, todo mal realizado, é uma dívida contraída que deve ser paga; se não o for numa existência, sê-lo-á na seguinte ou nas seguintes, porque todas as existências são solidárias umas das outras. Aquele que a quita na existência presente não terá de pagar uma segunda vez.

10.º — O Espírito sofre a pena de suas imperfeições, seja no mundo espiritual, seja no mundo corporal. Todas as misérias, todas as vicissitudes que suportamos na vida corporal são decorrentes de nossas imperfeições, expiações de faltas cometidas, seja na existência presente, seja nas precedentes.

O Céu e o Inferno, quarta edição. FEB. Grifos meus.

Esses dois itens, repito, não existiam na terceira edição da obra, lançada e impressa por Kardec em vida. Admitir que Kardec tenha incluído esses itens nessa edição, em especial o item 10, seria admitir que Kardec entrou em contradição com tudo o que havia desenvolvido até então.

Para dar suporte a essa falsa ideia, os seguintes parágrafos foram removidos na adulteração, no capítulo IX (antigo capítulo X):

Nos primeiros estágios de sua existência, os espíritos estão sujeitos à encarnação material, que é necessária ao seu desenvolvimento, até que tenham chegado a um certo grau. O número das encarnações é indeterminado, e subordina-se à rapidez do progresso, que ocorre na razão direta do trabalho e da boa vontade do espírito, que age sempre em função de seu livre-arbítrio. Aqueles que, por sua incúria, negligência, obstinação ou má vontade permanecem mais tempo nas classes inferiores, sofrem disso as consequências, e o hábito do mal dificulta-lhes a saída desse estado. Um dia, porém, cansam-se dessa existência penosa e dos sofrimentos daí decorrentes. É então que, ao comparar sua situação à dos bons espíritos, compreendem que seu interesse está no bem, procurando então melhorar-se, mas o fazem por vontade pró- pria, sem que a isso sejam forçados. Estão submetidos à lei do progresso por conta de sua aptidão a progredir, mas não o fazem contra a própria vontade. Fornece-lhes Deus incessantemente os meios de progredir, mas são livres para se aproveitarem destes ou não. Se o progresso fosse obrigatório, nenhum mérito os espíritos teriam, e Deus quer que tenham todos o mérito de suas obras, não privilegiando ninguém com o primeiro lugar, posto franqueado a todos, mas que o alcançam somente através dos próprios esforços. Os anjos mais elevados conquistaram sua posição percorrendo, como os demais, a rota comum. Todos, do topo à base, pertenceram ou pertencem ainda à humanidade.

Os homens são, assim, espíritos encarnados mais ou menos adiantados, e os espíritos são as almas dos homens que deixaram seu invólucro material. A vida espiritual é a vida normal do espírito. O corpo não é senão uma vestimenta temporária, apropriada às funções que devem exercer na Terra, tal como o guerreiro veste a armadura e a cota de malha para o momento do combate, delas despindo-se após a batalha, para eventualmente vesti-las de novo quando chegada a hora de uma nova luta. A vida corporal é o combate que os espíritos devem enfrentar para avançar, para o que se revestem dessa armadura que é para eles ao mesmo tempo um instrumento de ação, mas também um embaraço.

Ao encarnarem, os espíritos trazem suas qualidades inerentes. Os espíritos imperfeitos constituem, portanto, os homens imperfeitos; aqueles mais adiantados, bons, inteligentes, instruídos, são os homens instintivamente bons, inteligentes e aptos a adquirir com facilidade novos conhecimentos. Da mesma forma, os homens, ao morrer, fornecem ao mundo espiritual espíritos bons ou maus, adiantados ou atrasados. O mundo corporal e o mundo espiritual suprem-se assim constantemente um ao outro.

Entre os maus espíritos há os que têm toda a perversidade dos demônios, aos quais pode-se aplicar perfeitamente a imagem que se faz desses últimos. Quando encarnados, constituem os homens perversos e astuciosos que se comprazem no mal, parecendo criados para a desgraça de todos os que são atraídos para sua intimidade, e dos quais pode-se dizer – sem que isso constitua ofensa – que são demônios encarnados.

Tendo alcançado um certo grau de purificação, os espíritos recebem missões compatíveis com seu adiantamento, desempenhando dessa forma todas as funções atribuídas aos anjos de diferentes ordens. Como Deus criou desde sempre, também desde sempre houve espíritos suficientes para atender a todas as necessidades do governo do Universo. Uma só espécie de seres inteligentes, submetidos à lei do progresso, é, portanto, suficiente para tudo. Essa unidade na criação, juntamente à ideia de que todos têm uma mesma origem comum, o mesmo caminho para percorrer, e que se elevam todos por seu mérito próprio, corresponde muito melhor à justiça de Deus do que à criação de espécies diferentes, mais ou menos favorecidas por dons naturais, equivalentes a privilégios.

O Céu e o Inferno – Editora FEAL

Notem, também, o seguinte trecho de O Livro dos Espíritos (grifos meus):

  1. Sendo as vicissitudes da vida corporal expiação das faltas do passado e, ao mesmo tempo, provas com vistas ao futuro , seguir-se-á que da natureza de tais vicissitudes se possa inferir de que gênero foi a existência anterior ?

“ Muito amiúde é isso possível , pois que cada um é punido naquilo por onde pecou. Entretanto, não há que tirar daí uma regra absoluta. As tendências instintivas constituem indício mais seguro, visto que as provas por que passa o Espírito são determinadas tanto pelo que respeita ao passado, quanto pelo que toca ao futuro .”

Isto aqui é muito importante. Kardec, em suas obras, vem sempre numa construção crescente, várias vezes repetindo aquilo que já era compreendido como fato da ciência espírita. Quando ele houvesse de contrariar um ponto, por uma correção de entendimento, ele era muito claro sobre isso. Eis que, “do nada”, Kardec teria contrariado a Doutrina para dizer o seguinte, fazendo regra:

“Pela natureza dos sofrimentos e das vicissitudes suportadas na vida corpórea , pode-se julgar da natureza das faltas cometidas numa existência precedente, e das imperfeições que lhe são a causa.” (Allan Kardec, O Céu e o Inferno, 4a edição, adulterada).

Percebe que isso é incongruente com o entendimento de Kardec sobre o Espiritismo e com sua maneira de se portar? O mesmo ele teria feito no parágrafo anterior a esse, o que é impossível, já que, depois, ele voltaria a contrariar essas opiniões erradas, n’A Gênese. Isso é capital, pois essa ideia está diretamente ligada à influência roustainguista na adulteração dessa obra, no capítulo que é, basicamente, o cerne, a base da teoria moral espírita.

Mais evidências da ideia original

Apresento, a seguir, mais alguns trechos da obra de Kardec que evidenciam o verdadeiro entendimento sobre o assunto (a encarnação não é resultado exclusivo da expiação):

“Segundo um sistema que tem algo de especioso à primeira vista, os Espíritos não teriam sido criados para se encarnarem e a encarnação não seria senão o resultado de sua falta. Tal sistema cai pela mera consideração de que se nenhum Espírito tivesse falido, não haveria homens na Terra, nem em outros mundos. Ora, como a presença do homem é necessária para o melhoramento material dos mundos; como ele concorre por sua inteligência e sua atividade para a obra geral, ele é uma das engrenagens essenciais da Criação. Deus não podia subordinar a realização desta parte de sua obra à queda eventual de suas criaturas, a menos que contasse para tanto com um número sempre suficiente de culpados para fornecer operários aos mundos criados e por criar. O bom-senso repele tal ideia.”

KARDEC. Revista espírita — 1863 > junho > Do príncipio da não-retrogradação do Espírito. Grifos nossos.

Nesse artigo, nesse trecho, Kardec está evidentemente refutando, de maneira firme, a mesma ideia transmitida nos Quatro Evangelhos de Roustaing (que somente seria lançado em 1865), de que a encarnação se daria apenas para expiação, isto é, quando o Espírito é “culpado”:

A ideia da encarnação como castigo, dissemos, é uma ideia totalmente ligada aos dogmas de Roustaing:

N. 59. Que é o que devemos pensar da opinião que se formula assim: “Do mesmo modo que, para o Espírito em estado de formação, a materialização nos reinos mineral e vegetal e nas espécies intermediárias e igualmente a encarnação no reino animal e nas espécies intermediárias é uma necessidade e não um castigo resultante de falta cometida, também, para o Espírito formado, que já tem inteligência independente, consciência de suas faculdades, consciência e liberdade de seus atos, livre arbítrio e que se encontra no estado de inocência e ignorância, a encarnação, primeiro, em terras primitivas, depois, nos mundos inferiores e superiores, até que haja atingido a perfeição, é uma necessidade e não um castigo”?

Não; a encarnação humana não é uma necessidade, é um castigo, já o dissemos. E o castigo não pode preceder a culpa.

O Espírito não é humanizado, também já o explicamos, antes que a primeira falta o tenha sujeitado à encarnação humana. Só então ele é preparado, como igualmente já o mostramos, para lhe sofrer as conseqüências.

ROUSTAING, Jean B. Quatro Evangelhos, Tomo I

É fácil observar a semelhança dessa ideia com aquele introduzida na 4a edição de O Céu e o Inferno: a de que a encarnação somente se dá quando o Espírito é culpado de um erro anterior.

Continuemos com as evidências da ideia original de Kardec e da Doutrina:

132. Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?

“Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação […]

O Livro dos Espíritos

Para uns, é expiação; para outros, missão. “Para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação“, ou seja, a expiação, tratada no meio religoso como um processo de remissão de pecados pelos castigos divino, aqui, para o Espiritismo, é apenas o processo de aprendizado e de desenvolvimento do Espírito.

Contudo, a fatalidade não é uma palavra vã. Existe na posição que o homem ocupa na Terra e nas funções que aí desempenha, em conseqüência do gênero de vida que seu Espírito escolheu como prova, expiação ou missão. Ele sofre fatalmente todas as vicissitudes dessa existência e todas as tendências boas ou más, que lhe são inerentes.

O Livro dos Espíritos

O Espírito sofre as vicissitudes da exisência escolhida pelo Espírito, como prova, expiação ou missão.

  1. É um castigo a encarnação e somente os Espíritos culpados estão sujeitos a sofrê-la?

A passagem dos Espíritos pela vida corporal é necessária para que eles possam cumprir, por meio de uma ação material, os desígnios cuja execução Deus lhes confia. É-lhes necessária, a bem deles, visto que a atividade que são obrigados a exercer lhes auxilia o desenvolvimento da inteligência. Sendo soberanamente justo, Deus tem de distribuir tudo igualmente por todos os seus filhos; assim é que estabeleceu para todos o mesmo ponto de partida, a mesma aptidão, as mesmas obrigações a cumprir e a mesma liberdade de proceder. Qualquer privilégio seria uma preferência, uma injustiça. Mas, a encarnação, para todos os Espíritos, é apenas um estado transitório. É uma tarefa que Deus lhes impõe, quando iniciam a vida, como primeira experiência do uso que farão do livre-arbítrio. Os que desempenham com zelo essa tarefa transpõem rapidamente e menos penosamente os primeiros graus da iniciação e mais cedo gozam do fruto de seus labores. Os que, ao contrário, usam mal da liberdade que Deus lhes concede retardam a sua marcha e, tal seja a obstinação que demonstrem, podem prolongar indefinidamente a necessidade da reencarnação, caso em que ela se lhes torna um castigo. — S. Luís. (Paris, 1859.)

KARDEC. O Evangelho segundo o Espiritismo > Capítulo IV — Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo > Instruções dos Espíritos. > Necessidades da encarnação. > 25. Grifos nossos.

Evidentemente, os Espíritos demonstram que a encarnação é necessária a todos, de maneira que, enquanto se desenvolvem, fazem sua parte na Criação.

Os exemplos de castigos imediatos são menos raros do que se crê. Se se remontasse à fonte de todas as vicissitudes da vida, ver-se-ia aí, quase sempre, a conseqüência natural de alguma falta cometida. O homem recebe, a cada instante, terríveis lições das quais infelizmente bem pouco aproveita.

Revista Espírita, 1864

Quase sempre as fontes de todas as vicissitudes da vida remontam à consequencia natural de alguma falta cometida.

[O homem de bem] Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas a decepções, são provas ou expiações, e as aceita sem murmurar.

O Evangelho Segundo o Espiritismo

Todas as vicissitudes da vida são provas ou expiações. Prova: tudo aquilo que nos serve ao aprendizado, todas as dificuldades da vida. Expiação: certos gêneros de provas, escolhidas para o exercício de desapego de uma imperfeição adquirida.

“Esta pergunta dos discípulos “É o pecado deste homem a causa de nascer cego” indica a intuição de uma existência anterior. Caso contrário, não teria sentido, porque o pecado que seria a causa de uma enfermidade de nascença deveria ter sido cometido antes do nascimento e, por consequência, em uma existência anterior. Se Jesus tivesse visto aí uma ideia falsa ele teria dito: “Como esse homem teria podido pecar antes de estar entre nós?” Em lugar disso ele lhes disse que, se o homem é cego, não significa que tenha pecado, mas, a fim de que o poder de Deus brilhe nele; é como dizer que ele devia ser o instrumento de uma manifestação do poder de Deus. Se isso não era uma expiação do passado, é uma prova de que devia servir a seu progresso, porque Deus, que é justo, não poderia lhe impor um sofrimento sem compensação.”

KARDEC, Allan. A Gênese. 4a edição. “Cego de Nascença”. Grifos nossos.

Nesse trecho, onde Kardec trata da cura da cegueira, feita por Jesus, ele faz a seguinte observação: “Se isso não era uma expiação do passado, é uma prova de que devia servir a seu progresso“. Ora, isso quer dizer que, para ele, e de acordo com o Espiritismo, as vicissitudes não se dão apenas como expiação, mas também como ferramenta de aprendizado. Esse trecho consta inclusive da 5a edição de A Gênese (a edição adulterada), e Kardec não pode ter se contradito em suas ideias em cada uma das obras. Esse não é o Kardec que conhecemos.

Motivo da adulteração

Todo aquele que está investigando o assunto seriamente, e que investigou também a adulteração de A Gênese, perceberá algo em comum entre as duas adulterações: o princípio do dogma da encarnação como o resultado do castigo pelo pecado – dogma fortemente limitador e aprisionante, repercutido por Roustaing e ensinado pelos Espíritos mistificadores que com ele se comunicavam, através da médium Emilie Collignon. Contra a sua teoria, existe um simples detalhe: Jesus.

Jesus, o Espírito mais evoluído que já encarnou entre nós, não tinha nada a “pagar”, posto que era Espírito puro. Como resolver esse problema? Dizendo que Jesus não encarnou, mas que, em verdade, foi um agênere, isto é, um Espírito materializado, que simplesmente nos enganou ao longo de sua trajetória.

O ponto é que, em O Céu e o Inferno, foram removidas as ideias doutrinárias que demonstravam a encarnação como necessária a todos, bons e maus, e foi acrescentada a ideia de que tudo o que passamos é fruto de expiações de erros de vidas passadas (item 10, cap. 7, Código Penal da Vida Futura); já na adulteração de A Gênese, não por acaso, o item 67 do capítulo XV foi removido, e, como demonstra Henri Netto,

[…] a renumeração do item 68 como se fosse o 67, oculta a apreciação lógica (ainda que em termos de suposições) sobre o destino do envoltório corporal de Yeshua, após o seu sepultamento. Qual seria a razão de Kardec, depois de repelir a tese docetista (“corpo fluídico” de Jesus), e afirmar a sua natureza humana, para suprimir suas judiciosas considerações acerca do tema?

NETTO, Henri. À procura da dúvida: onde está a verdade? Publicado no site Espiritismo com Kardec – ECK, em 24/12/2023. Disponível em comkardec.net.br/a-procura-da-duvida-onde-esta-a-verdade-por-henri-netto

Ou seja: em A Gênese, para dar suporte às adulterações de O Céu e o Inferno, atacou-se a ideia que demonstra, pelo exemplo inequívoco, que a encarnação não serve apenas para expiação (acrescentando-se aqui que expiação é o ato consciente da escolha de provas visando o retorno ao bem, para os Espíritos que, em minoria, escolheram o apego ao erro e, assim, desenvolveram imperfeições). Removeu-se uma ideia doutrinária, ainda que a recomendação do Espírito, que se comunicou a Kardec sobre o assunto da nova edição, tenha sido de não remover absolutamente nada que fosse relacionado às ideias doutrinárias.

Conclusão

De duas, uma: ou Kardec fez essa alteração, ou ele não fez essa alteração. Se ele mesmo fez essa alteração, então contradisse todo seu entendimento anterior e, além disso, demonstra um estado de saúde mental alterado, já que contradisse essa ideia n’A Gênese, inclusive em sua quinta edição, como demonstramos acima.

Ora, sabendo que Kardec deixa muito claro seu entendimento de que a encarnação não pode ser resultado exclusivo da expiação e conhecendo seu estado de saúde mental sadio, até o dia de sua morte, podemos chegar a apenas uma conclusão: essa obra foi adulterada.

A alteração é muito clara: “Todas as misérias, todas as vicissitudes que suportamos na vida corporal são decorrentes de nossas imperfeições, expiações de faltas cometidas”. Isso é claramente a ideia de Roustaing, e a essência desse capítulo foi perdida com a alteração, para implantar os mesmos dogmas que esse senhor aceitava e defendia:

“Não; a encarnação humana não é uma necessidade, é um castigo, já o dissemos. E o castigo não pode preceder a culpa”.

ROUSTAING, Jean B. Quatro Evangelhos, Tomo I, item 59

Muitos dirão, ainda, que o item 16 do cap. VII de O Céu e o Inferno (a versão adulterada) encerra o mesmo princípio removido do item 8, original:

16.º — O arrependimento é o primeiro passo para o aperfeiçoamento; mas sozinho não basta; são precisas ainda a expiação e a reparação.

Arrependimento, expiação e reparação são as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências.

O arrependimento suaviza as dores da expiação, dando esperança e preparando as vias da reabilitação; mas somente a reparação pode anular o efeito, destruindo a causa; o perdão seria uma graça e não uma anulação.

Contudo, perguntamos: em que se torna a arrependimento, a expiação e a reparação, quando submetidas às ideias inseridas pelas adulterações, senão no cumprimento de uma sentença ou de um castigo? Em que se torna o erro, parte do aprendizado, senão em uma condenação? E, vendo sob esse ângulo, perguntamos: o indivíduo que é levado a pensar dessa maneira, como age ante à vida? Age austeramente, buscando superar o erro, ou, crendo-se condenado, se submete à inação ou, pior, descamba por mais erros ainda? E ante ao próximo, que sofre as vicissitudes da vida? Vê nele um irmão que requer o nosso apoio, um ser capaz de superar suas dificuldades pelo aprendizado, ou vê nele mais um condenado, sobre o qual nada se pode fazer, já que cumpre sua sentença? Finalmente: tudo isso leva ao estado de cooperação, em busca do progresso, ou leva ao materialismo e ao egoísmo?

São perguntas que cada um se deve fazer, de posse do conhecimento que, para mim, demorou três anos para ser clarificado e estabelecido. Quem sabe, com tudo isso, eu possa ajudar a diminuir esse tempo para você.

Inimigos do bem se esforçam por retardá-lo

É muito evidente que o capítulo mais importante de O Céu e o Inferno, justamente aquele que continha a essência da filosofia doutrinária, foi propositadamente adulterado. As ideias originalmente estabelecidas foram completamente remodeladas segundo dogmas ligados à ideia da queda pelo pecado, atrasando, por mais de 150 anos, o desenvolvimento do Espiritismo na face da Terra. Chega. Agora é hora de recuperar e de estudar. Recomendamos a leitura das nossas Obras Recomendadas.

Os esforços daqueles que tentam obter o domínio da verdade estão ligados às concepções de velho mundo. São Espíritos ainda incapazes de compreender a essência do Espiritismo e que, conscientemente ou não, lutam contra suas ideias de autonomia e de liberdade. Como diria Kardec, deixemos que o tempo se encarregue deles.

Dizem eles terem provado sumariamente a não adulteração e, assim, refutado todas as evidências em contrário. Assim sendo, peço a esses indivíduos que expliquem essa alteração ilógica e contraditória a toda a doutrina.

Como agem os sacerdotes

Para Leymarie, os fatos e a discussão sobre eles não importavam. Para manter a sua versão, visava dominar a verdade com subterfúgios diversos. Tentava tomar domínio da opinião espírita e escondia tudo o que pudesse depor contra suas ideias. Assim agem, também, aqueles que contrariam os fatos da adulteração com o “canto de sereia”, como diria Marcelo Henrique.

Há poucos dias, comentei no vídeo ” O Livro A Gênese foi mesmo adulterado?”, publicado no canal Grupo Espírita Revelare, no Youtube:

Não por acaso, meus comentários não aparecem para mais ninguém, pois estou oculto no canal.




Profecia do Espírito da Verdade

A Profecia do Espírito da Verdade aconteceu.

Quando a elaboração da doutrina espírita pelo diálogo com os espíritos ainda estava por começar, Allan Kardec em 1856 conversou com o Espírito da Verdade, que lhe apresentou a seguinte Profecia para o Espiritismo:

Não suponhas que te baste publicar um livro, dois livros, dez livros, para em seguida ficares tranquilamente em casa.
Tens que expor a tua pessoa. Suscitarás contra ti ódios terríveis; inimigos encarniçados se conjurarão para tua perda; ver-te-ás a braços com a malevolência, com a calúnia, com a traição mesma dos que te parecerão os mais dedicados; as tuas melhores instruções serão desprezadas e falseadas; por mais de uma vez sucumbirás sob o peso da fadiga; numa palavra: terás de sustentar uma luta quase contínua, com sacrifício de teu repouso, da tua tranquilidade, da tua saúde e até da tua vida, pois, sem isso, viverias muito mais tempo.
(Obras póstumas, pag. 344)

De 1858 ate 1869, período em que Kardec publicou seu livros e a Revista Espírita difundindo o Espiritismo, ocorreram ofensas, calúnias e difamações. Ele defendeu suas ideias e dos Espiritos com unhas e dentes. Depois de sua morte em 1869, houve uma série de adulterações em suas obras, . Além disso, inúmeras falsas ideias foram espalhadas sobre a doutrina. Leia o artigo Nossa Posição onde explanamos nossa conclusões.

Infelizmente, as grandes revelações sempre enfrentam essas caracteristicas como consequências: ódio, traição, desprezo e falsas ideias. Se o Espiritismo tem uma grande importância, é natural que ocorra com ele.

As outras revelações, como a de Moisés e de Cristo tiveram as mesmas resistências que o Espírito da Verdade mencionou.

Superando a falsa ideia dos egípcios, Moisés levou ao povo que o seguiu a ideia do Deus único, e do destino solidário da humanidade. Moisés não falou só para o povo hebreu: ele chamou as pessoas de todas as classes do Egito. E é isso que fez com que os sacerdotes egípcios se incomodassem: era o perigo eminente de uma revolução social. O ódio e as traições começaram.

E os judeus, que estavam entre os que adotaram seu pensamento, desviaram da proposta da harmonia universal. Eles elaboraram as crenças e práticas exclusivistas, separando puros e impuros, os que seriam de Deus e os dominados pelo diabo. eram as falsas ideias que estavam bem longe do proposto por Moisés. A ideia de Deus, diabo, céu e inferno, puros e impuros, não faz parte desta revelação.. E foi isso que Jesus veio fazer ao colocar as coisas em seu caminho.

Jesus veio entre os judeus para trazer a mentalidade verdadeira e denunciar a falsa ideia. Sua boa nova representou a chegada da lei divina plena para a humanidade. Jesus previu que suas ideias seriam deturpadas. Se Jesus previu isso com seu próprio ensinamento, por que não ocorreria com a Revelação Espírita?

26.​Entretanto, Cristo acrescenta: “Muitas das coisas que vos digo ainda não podeis compreender, e muitas outras teria de dizer, mas não compreenderias; por isso vos falo por parábolas; todavia, mais tarde eu vos enviarei o Consolador, o Espírito Verdade que restabelecerá todas as coisas e a todas explicará.

Allan Kardec. A GÊNESE – Os milagres e as Predições Segundo o Espiritismo

Se Jesus anunciou que seria preciso restituir os ensinamentos perdidos, claramente deduzimos que algo ficou abandonado, tanto nos ensinamentos de Moisés, nos de Jesus e do Espiritismo.

E Kardec empreendeu uma luta que realmente acabou tirando dele a saúde, como foi a profecia do Espírito da Verdade. Pelos estudos sabemos que as melhores instruções da Doutrina Espírita foram desprezadas em muitos casos, e pior, falseadas em outras. Precisamos recuperar esses ensinamentos perdidos! (( texto elaborado a partir da palestra proferida por Paulo Henrique de Figueiredo, clique aqui para mais detalhes ))

Abaixo, a comunicação completa do Espírito da Verdade de 1856:

12 de junho de 1856 (Em casa do Sr. C…; médium: Srta. Aline C…)
MINHA MISSÃO

Pergunta (à Verdade) — Bom Espírito, eu desejara saber o que pensas da missão que alguns Espíritos me assinaram.
Dize-me, peço-te, se é uma prova para o meu amor-próprio. Tenho, como sabes, o maior desejo de contribuir para a propagação da verdade, mas, do papel de simples trabalhador ao de missionário em chefe, a distância é grande e não percebo o que possa justificar em mim graça tal, de preferência a tantos outros que possuem talento e qualidades de que não disponho.
Resposta — Confirmo o que te foi dito, mas recomendo-te muita discrição, se quiseres sair-te bem. Tomarás mais tarde conhecimento de coisas que te explicarão o que ora te surpreende. Não esqueças que podes triunfar, como podes falir. Neste último caso, outro te substituiria, porquanto os desígnios de Deus não assentam na cabeça de um homem. Nunca, pois, fales da tua missão; seria a maneira de a fazeres malograr-se. Ela somente pode justificar-se pela obra realizada e tu ainda nada fizeste. Se a cumprires, os homens saberão reconhecê-lo, cedo ou tarde, visto que pelos frutos é que se verifica a qualidade da árvore.
P. — Nenhum desejo tenho certamente de me vangloriar de uma missão na qual dificilmente creio. Se estou destinado a servir de instrumento aos desígnios da Providência, que ela disponha de mim. Nesse caso, reclamo a tua assistência e a dos bons Espíritos, no sentido de me ajudarem e ampararem na minha tarefa.

R. — A nossa assistência não te faltará, mas será inútil se, de teu lado, não fizeres o que for necessário. Tens o teu livre-arbítrio, do qual podes usar como o entenderes. Nenhum homem é constrangido a fazer coisa alguma.
P. — Que causas poderiam determinar o meu malogro? Seria a insuficiência das minhas capacidades?
R. — Não; mas, a missão dos reformadores é prenhe de escolhos e perigos. Previno-te de que é rude a tua, porquanto se trata de abalar e transformar o mundo inteiro. Não suponhas que te baste publicar um livro, dois livros, dez livros, para em seguida ficares tranquilamente em casa. Tens que expor a tua pessoa. Suscitarás contra ti ódios terríveis; inimigos encarniçados se conjurarão para tua perda; ver-te-ás a braços com a malevolência, com a calúnia, com a traição mesma dos que te parecerão os mais dedicados; as tuas melhores instruções serão desprezadas e falseadas; por mais de uma vez sucumbirás sob o peso da fadiga; numa palavra: terás de sustentar uma luta quase contínua, com sacrifício de teu repouso, da tua tranquilidade, da tua saúde e até da tua vida, pois, sem isso, viverias muito mais tempo. Ora bem! não poucos recuam quando, em vez de uma estrada florida, só veem sob os passos urzes, pedras agudas e serpentes. Para tais missões, não basta a inteligência. Faz-se mister, primeiramente, para agradar a Deus, humildade, modéstia e desinteresse, visto que Ele abate os orgulhosos, os presunçosos e os ambiciosos. Para lutar contra os homens, são indispensáveis coragem, perseverança e inabalável firmeza. Também são de necessidade prudência e tato, a fim de conduzir as coisas de modo conveniente e não lhes comprometer o êxito com palavras ou medidas intempestivas. Exigem-se, por fim, devotamento, abnegação e disposição a todos os sacrifícios. Vês, assim, que a tua missão está subordinada a condições que dependem de ti.
Espírito da Verdade

Eu — Espírito da Verdade, agradeço os teus sábios conselhos. Aceito tudo, sem restrição e sem ideia preconcebida.

Obras Póstumas, pag. 343-5

Em Obras Póstumas, segue uma nota interessante feita por Allan Kardec mais de 10 anos depois:

NOTA — Escrevo esta nota a 1º de janeiro de 1867, dez anos e meio depois que me foi dada a comunicação acima e atesto que ela se realizou em todos os pontos, pois experimentei todas as vicissitudes que me foram preditas. Andei em luta com o ódio de inimigos encarniçados, com a injúria, a calúnia, a inveja e o ciúme; libelos infames se publicaram contra mim; as minhas melhores instruções foram falseadas; traíram-me aqueles em quem eu mais confiança depositava, pagaram-me com a ingratidão aqueles a quem prestei serviços. A Sociedade de Paris se constituiu foco de contínuas intrigas urdidas contra mim por aqueles mesmos que se declaravam a meu favor e que, de boa fisionomia na minha presença, pelas costas me golpeavam. Disseram que os que se me conservavam fiéis estavam à minha soldada e que eu lhes pagava com o dinheiro que ganhava do Espiritismo. Nunca mais me foi dado saber o que é o repouso; mais de uma vez sucumbi ao excesso de trabalho, tive abalada a saúde e comprometida a existência.
Graças, porém, à proteção e assistência dos bons Espíritos que incessantemente me deram manifestas provas de solicitude,
tenho a ventura de reconhecer que nunca senti o menor desfalecimento ou desânimo e que prossegui, sempre com o mesmo ardor, no desempenho da minha tarefa, sem me preocupar com a maldade de que era objeto. Segundo a comunicação do Espírito de Verdade, eu tinha de contar com tudo isso e tudo se verificou. Mas, também, a par dessas vicissitudes, que de satisfações experimentei, vendo a obra crescer de maneira tão prodigiosa!
Com que compensações deliciosas foram pagas as minhas tribulações! Que de bênçãos e de provas de real simpatia recebi da parte de muitos aflitos a quem a Doutrina consolou! Este resultado não mo anunciou o Espírito de Verdade que, sem dúvida intencionalmente, apenas me mostrara as dificuldades do caminho. Qual não seria, pois, a minha ingratidão, se me queixasse! Se dissesse que há uma compensação entre o bem e o mal, não estaria com a verdade, porquanto o bem, refiro-me às satisfações morais, sobrelevaram de muito o mal. Quando me sobrevinha uma decepção, uma contrariedade qualquer, eu me elevava pelo pensamento acima da Humanidade e me colocava antecipadamente na região dos Espíritos e desse ponto culminante, donde divisava o da minha chegada, as misérias da vida deslizavam por sobre mim sem me atingirem. Tão habitual se me tornara esse modo de proceder, que os gritos dos maus jamais me perturbaram.

Obras póstumas, pag 345-6

Continua no artigo O Espiritismo: A Ideia de Jesus




RESUMO DA LEI DOS FENÔMENOS ESPÍRITAS por Allan Kardec

RESUMO DA LEI DOS FENÔMENOS ESPÍRITAS é uma das obras de Kardec não tão divulgadas (clique aqui para baixar). Ela foi escrita em 1864, e seria um resumo do resumo do Livro dos Espiritos e Livro dos Médiuns, penso eu. Por ser uma obra compacta, apenas 20 páginas, passa o conceito bem geral do que é a Doutrina Espirita e os Fenômenos Espiritas.

Ela é dividida em 5 partes: Observações Preliminares, Dos Espíritos, Manifestações dos Espíritos, Dos Médiuns, Das Reuniões Espíritas.

Destaco, a título de exemplo, um dos itens que faz pertence a parte “Manifestações dos Espíritos”:

23. As evocações espíritas não consistem, como alguns imaginam, em fazer voltar os mortos com um aspecto lúgubre da tumba. Não é senão nos romances, nos contos fantásticos de fantasmas e no teatro que se vêem os mortos descarnados saírem de seus sepulcros vestidos de lençóis e fazendo estalar seus ossos. O Espiritismo, que jamais fez milagres, tanto esse como outros, jamais fez reviver um corpo morto; quando o corpo está na cova, aí está definitivamente; mas o ser espiritual, fluídico, inteligente, aí não está metido com seu envoltório grosseiro; dele se separou no momento da morte, e uma vez operada a separação não tem mais nada de comum com ele.”

Resumo da Lei dos Fenômenos Espiritas, pag 12, A. Kardec

Vale a pena conhecê-la ou simplesmente enviar para aquele amigo que quer entender o que é o Espiritismo de Kardec em poucas palavras…