Um convite à cooperação

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Ciência e Espiritismo: matérias em dimensões opostas?

Obtivemos, recentemente, a seguinte observação de uma correspondente nossa, srta. A…:

A ciência hoje não confirma muito do que acreditamos ser o mundo espiritual e a intervenção no nosso plano. A própria mesa girante já foi acusada de ser apenas resultado do efeito ideomotor e não mensagens dos espíritos. Não temos comprovação científica de muitas coisas e mesmo assim acreditamos nelas. A ciência na época de Kardec evoluiu e não confirmou tudo. Espiritismo, por mais que tenha utilizado o método científico não é comprovado pela ciência, talvez no futuro seja. Mas ainda não é ciência. Podemos chamar de filosofia, religião baseado no método científico. Há coisas que sabemos que não são reais como o nome de quem deu certas mensagens em psicografias e nos é dito para apenas considerar o teor da mensagem dada e ignorar a suposta falsa identidade. Há coisas que preferimos não saber ou aceitamos ser estranhas mesmo. Mas quando vemos essas mesmas coisas em outras doutrinas e em outros grupos acusamos de falta de bom senso e de método científico.

Resumiremos a seguir nossa resposta a tais observações:

A prezada srta. A… disse bem: a ciência DE HOJE e, adicionamos, desde sempre, a ciência materialista, dogmática, não aceitam as constatações que os Espíritos vieram demonstrar. Porém, ainda antes de Kardec, muitos cientistas honestos constataram até mesmo a existência de algo além do corpo material. Diz Paulo Henrique de Figueiredo, em” Mesmer: a ciência negada do magnetismo animal”:

“Os magnetizadores comprovaram muito cedo as relações dos sonâmbulos com seres invisíveis. Deleuze, discípulo de Mesmer, em sua correspondência mantida com o doutor G. P. Billot por mais de quatro anos, de março de 1829 até agosto de 1833, inicialmente foi relutante, mas por fim afirmou: “O magnetismo demonstra a espiritualidade da alma e a sua imortalidade; ele prova a possibilidade da comunicação das inteligências separadas da matéria com as que lhes estão ainda ligadas.” (BILLOT, 1839)”

Por sua vez, Deleuze afirmou: “Não vejo razão para negar a possibilidade da aparição de pessoas que, tendo deixado esta vida, ocupam-se daqueles que aqui amaram e a eles se venham manifestar, para lhes transmitir salutares conselhos. Acabo de ter disto um exemplo.” (Ibidem)

“Anos depois, o magnetizador Louis Alphonse Cahagnet (1809-1885), com coragem e determinação, conversou com os espíritos por meio de seus sonâmbulos em êxtase, principalmente Adèle Maginot, registrando em sua obra mais de cento e cinquenta cartas assinadas por testemunhas que reconheceram a identidade dos espíritos comunicantes. Cahagnet antecipou em mais de dez anos esse instrumento de pesquisa da ciência espírita.”

Vemos, então, Rivail, educador emérito, anos antes, dizendo, a respeito da educação das crianças que, se fosse bem realizada, evitaria que elas acreditassem em almas do outro mundo ou em fantasmas; que elas não tomariam fogos-fátuos por Espíritos((RIVAIL, H.- L.- D. Discurso pronunciado na Distribuição de prêmios. Paris, 1834)). Veja a incrível mudança que se operou em suas ideias – não sem resistência, como podemos constatar no artigo “Pluralidade das existências“, da Revista Espírita de novembro de 1858 – para, já então como Kardec, dizer que “em geral, se faz uma ideia muito falsa do estado dos Espíritos. Eles não são, como alguns pensam, seres vagos e indefinidos, nem chamas, como fogos-fátuos, nem fantasmas, como nos contos de aparições. São seres semelhantes a nós, possuindo um corpo como o nosso, mas fluídico e invisível em estado normal((Revista espírita — Jornal de estudos psicológicos — 1864 > Abril > Resumo da lei dos fenômenos Espíritas))”.

Produziríamos um texto sem fim, buscando reafirmar os inúmeros pontos que demonstram a força da formação do Espiritismo como ciência – ciência, esta, aliás, desenvolvida sobre o Espiritualismo Racional((ver “Autonomia: a história jamais contada do Espiritismo”, de Paulo Henrique de Figueiredo)) – tarefa que somente pode ser bem desempenhada e alcançada por aquele que, livremente, decida sair de suas pré-concepções e ESTUDAR o Espiritismo, em toda sua formação, o que se encontra facilmente na Revista Espírita e, depois, profundamente estabelecido em antologia, filosofia e moral nas obras O Céu e o Inferno e A Gênese (em suas versões originais, não adulteradas).

Vê-se que o caminho é longo e somente pode ser trilhado por aquele realmente interessado em sair da heteronomia, que congela o passo, para a autonomia, que nos coloca no comando do leme de nossa própria nau.

Veja, apenas para complementar, que o Espiritismo nasceu como toda ciência que conhecemos: pela observação metodológica e racional de fatos da natureza. Se ela ainda não atingiu o status de ciência reconhecida, não é por culpa sua, mas por conta do grande desvio que tomaram as ciências filosóficas espiritualistas no final do século XIX, que apagaram as luzes do raciocínio sustentado pela moral para nos deixar nas sombras do materialismo aristotélico, que contamina e define nossa sociedade até hoje em dia. Chegamos ao cúmulo de ver a Psicologia esquecida de sua própria definição – o estudo da alma – para olhar o homem apenas sob o ponto de vista behaviorista, materialista. Percebe o fosso que existe entre o ponto de vista atual e as ciências filosóficas, morais, psicológicas e racionais do passado?

O grande erro está em querer definir a ciência pelo entendimento atual, como se fosse apenas aquilo que se faz em laboratório, esquecendo-se de que, ainda hoje, a inferência e a elaboração de ideias através de hipóteses ainda faz parte do método científico. Incrível, então, será constatar que Kardec, corroborando com Mesmer e apoiado pela pesquisa espírita, já havia, naquele tempo, chegado aos conceitos de campo e onda, aproximando-se da Física Moderna((Ver A Gênese, editora FEAL)). Vemos, enfim, que a ciência natural é uma só, subdividida, porém, pelas especialidades dos homens.

Kardec diria, na Revista Espírita de janeiro de 1858:

Talvez nos contestem a denominação de ciência que damos ao Espiritismo. Ele não teria, sem dúvida e em nenhum caso, as características de uma ciência exata e precisamente nisso está o erro dos que o pretendem julgar e experimentar como uma análise química ou um problema de matemática; já é bastante que seja uma ciência filosófica. Toda ciência deve basear-se em fatos, mas estes, por si sós, não constituem a ciência. Ela nasce da coordenação e da dedução lógica dos fatos: é o conjunto de leis que os regem. Chegou o Espiritismo ao estado de ciência? Se se trata de uma ciência acabada, sem dúvida será prematuro responder afirmativamente, mas as observações já são hoje bastante numerosas para permitirem pelo menos deduzir os princípios gerais, onde começa a ciência.

Quando a senhorita A… diz que “há coisas que preferimos não saber ou aceitamos ser estranhas mesmo”, fala apenas do seu ponto de vista, do qual não fazem parte nossas ideias. Não agimos dessa maneira. Não aceitamos, simplesmente. Pesquisamos, buscamos respostas. Se, realmente, não há respostas, ficamos no aguardo do dia que poderemos obtê-las, através do método científico necessário para estabelecer a comunicação com seres que não podemos julgar de outra forma senão pela razão. Se, hoje, o Movimento Espírita não prima por esse método, ainda uma vez, a culpa não é do Espiritismo, mas das deturpações realizadas no seio doutrinário, mas que, para quem tem boa vontade de estudar, estão sendo rapidamente corrigidas e anuladas, com a consequente restauração do Espiritismo verdadeiro.

Vamos fazer parte desse movimento?




Iremos para algum lugar após a morte? O que ensina o Espiritismo sobre a vida futura?

Por Suely G. O. Caine

Sabemos o quão é instintivo e data dos primórdios a ideia de continuidade da existência do espírito, após a morte do corpo. Os comentários à pergunta 148 de O Livro dos Espíritos destacam essa questão:

(…) O homem tem instintivamente a convicção de que tudo não se acaba para ele com a vida; tem horror ao nada; é em vão que se obstina contra a ideia da vida futura, e quando chega o momento supremo, são poucos os que não perguntam o que deles vai ser, porque a ideia de deixar a vida para sempre tem qualquer coisa de pungente. Quem poderia, com efeito, encarar com indiferença uma separação absoluta e eterna de tudo o que ama? 

(…)

Ninguém, costuma-se dizer, voltou de lá para nos dar conta do que existe. Isto, porém, é um erro, e a missão do Espiritismo é precisamente a de nos esclarecer sobre esse futuro, a de nos fazer, até certo ponto, vê-la e tocá-lo, não mais pelo raciocínio, mas através dos fatos. Graças às comunicações espíritas, isto não é mais uma presunção, uma probabilidade sobre a qual cada um imagina à vontade, que os poetas embelezam com suas ficções ou enfeitam de imagens alegóricas que nos seduzem. É a realidade que nos mostra a sua face, porque são os próprios seres de além-túmulo que nos vêm contar a sua situação, dizer-nos o que fazem, permitem-nos assistir, por assim dizer, a todas as peripécias da sua nova vida e por esse meio nos mostram a sorte inevitável que nos está reservada, segundo os nossos méritos ou os nossos delitos.”

Pois bem! Não há que se considerar que ninguém tenha “voltado” para contar como se encontra no plano espiritual, eis que são inúmeros os relatos, estudos realizados em torno de narrativas obtidas em sessões mediúnicas, às vezes com ricos detalhes, que Kardec colheu e reuniu através de um método científico desenvolvido, e no capítulo VIII, As penas futuras segundo o Espiritismo, de o livro O Céu e o Inferno, ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo, esclarece:

“A Doutrina Espírita, no que se refere às penas futuras, não é mais fundada sobre uma teoria preconcebida do que suas outras partes. Em tudo ela se apoia sobre observações, sendo isso o que lhe dá autoridade. Ninguém então imaginou que as almas, após a morte, devessem se encontrar nesta ou naquela situação. São os próprios seres que deixaram a Terra que vêm hoje – com a permissão de Deus e porque a humanidade entra numa nova fase – nos iniciar nos mistérios da vida futura, descrever sua posição feliz ou infeliz, suas impressões e sua transformação na morte do corpo. Os espíritos vêm hoje, em suma, completar nesse ponto o ensino do Cristo.”

Mas… afinal… nos encontraremos em um lugar circunscrito na vida espiritual? A resposta é negativa; não há registros na doutrina espírita de locais reservados aos sofredores ou felizes e nem eventuais subdivisões.

O Espiritismo nos ensina que o espírito necessitado de progresso, que guarda apego à matéria, comunga do mundo ao qual, naturalmente, mantém afinidade, ao qual possui uma atração, ao passo que aquele que evoluiu, tendo se desapegado da matéria, percorre mundos diferentes. As respostas 232 e 233 de O Livro dos Espíritos esclarecem a questão:

232. No estado errante os Espíritos podem ir a todos os mundos? – Conforme. Quando o Espírito deixa o corpo, ainda não está completamente desligado da matéria e pertence ainda ao mundo em que viveu ou a um mundo do mesmo grau; a menos que, durante sua vida, tenha se elevado. Esse é o objetivo a que deve voltar-se, pois sem isso jamais se aperfeiçoaria. Ele pode, entretanto, ir a alguns mundos superiores, passando por eles como estrangeiro. Nada mais faz do que os entrever, e é isso que lhe dá o desejo de se melhorar, para ser digno da felicidade que neles se desfruta e poder habitá-los.

233. Os Espíritos já purificados vêm aos mundos inferiores? – Vêm frequentemente, a fim de os ajudar a progredir; sem isso, esses mundos estariam entregues a si mesmos, sem guias para os orientar.

Não obstante, frequentemente, nos depararmos com mensagens de espíritos que narram que se encontram em determinados locais de sofrimento, ou que experimentam sensações físicas, tais retratam as ilusões que o espírito apegado à matéria pode criar para si, mas que não passam de uma percepção pessoal do espírito que o narra, e que, portanto, não é universal. 

Do que podemos depreender é que o estado feliz ou infeliz é inerente ao grau da depuração ou das imperfeições do espírito, conforme podemos concluir através da leitura dos itens 1° até 25° do capítulo VIII As penas futuras segundo o Espiritismo, de o livro O Céu e o Inferno, ou a justiça divina segundo o Espiritismo, com destaque aos itens 1° ao 3° abaixo transcritos:

1°) A alma ou espírito sujeita-se, na vida espiritual, às consequências de todas as imperfeições das quais ela não se despojou durante a vida corporal. Seu estado feliz ou infeliz é inerente ao grau de sua depuração ou de suas imperfeições. 

2°) Sendo todos os espíritos perfectíveis, em virtude da lei do progresso, trazem em si os elementos de sua felicidade ou de sua infelicidade futura e os meios de adquirir uma e de evitar a outra trabalhando em seu próprio adiantamento. 

3°) A felicidade perfeita está ligada à perfeição, ou seja, à depuração completa do espírito. Toda imperfeição é uma causa de sofrimento, da mesma forma que toda qualidade adquirida é uma causa de satisfação e de atenuação dos sofrimentos; donde resulta que a soma da felicidade e da infelicidade está na razão da soma das qualidades boas ou más que possui o espírito.

Todavia, nos atentemos para o estudo da primeira edição de o livro O Céu e o Inferno, ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo e de o livro A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, eis que sobre tal edição não pairam as adulterações constatadas nas 4ª e 5ª edições dos mencionados livros, respectivamente.

Outra informação obtida através do método da universalidade dos espíritos, e que compõe a doutrina espírita é que os espíritos se reúnem por uma espécie de afinidade (não associada à ideia de afinidade meramente material) e formam grupos, de acordo com a resposta 278 de O Livro dos Espíritos:

278. Os Espíritos de diferentes ordens estão misturados? – Sim e não; quer dizer, eles se veem, mas se distinguem uns dos outros. Afastam-se ou se aproximam segundo a semelhança ou divergência de seus sentimentos, como acontece entre vós. É todo um mundo, do qual o vosso é o reflexo obscuro. Os da mesma ordem se reúnem por uma espécie de afinidade, e formam grupos ou famílias de Espíritos unidos pela simpatia e pelos propósitos; os bons, pelo desejo de fazer o bem; os maus, pelo desejo de fazer o mal, pela vergonha de suas faltas e pela necessidade de se encontrarem entre os seres semelhantes a eles. Igual a uma grande cidade, onde os homens de todas as classes e de todas as condições se veem e se encontram, sem se confundirem, onde as sociedades se formam pela similitude de gostos, onde o vício e a virtude se acotovelam, sem se falarem.

Na Revista Espírita maio/1858, sob o título Metades Eternas , o espírito São Luís também deixa interessantes apontamentos: 

“Não. Não existe uma união particular e fatal de duas almas. Existe a união entre todos os Espíritos, mas em graus diferentes, segundo a posição que ocupam, isto é, segundo a perfeição adquirida: quanto mais perfeitos, mais unidos. Da discórdia brotam todos os males humanos; da concórdia resulta a felicidade completa.

(…) 3 ─ Uma vez unidos, dois Espíritos perfeitamente simpáticos permanecem unidos para a eternidade ou podem separar-se e unir-se a outros Espíritos? Todos os Espíritos estão unidos entre si. Falo dos que chegaram à perfeição. Nas esferas inferiores, quando um Espírito se eleva, não é mais simpático àqueles que deixou. 4 ─ Dois Espíritos simpáticos são o complemento um do outro ou essa simpatia é o resultado de uma perfeita identidade? A simpatia que atrai um Espírito para outro resulta da perfeita concordância de suas inclinações e de seus instintos. Se um devesse completar o outro, perderia sua individualidade.”

Essas são reduzidas reflexões a respeito do assunto. E quais são as suas? Quais textos você conhece que poderiam ampliar nossos estudos? Bora estudar conosco?!

Fontes de estudo:




Carta Psicografada do diretor da Chapecoense

Surgiu, recentemente, uma suposta carta psicografada do diretor da Chapecoense. O assunto é cansativamente repetitivo: sempre que acontece uma tragédia, seja individual, seja em grupo, que chama a atenção da sociedade, aparece uma suposta psicografia que, por falta de cuidado do Movimento Espírita, não por acaso vem repetir as falsas ideias ligadas aos dogmas da queda pelo pecado e do pagamento de dívidas, carma, castigo, lei do retorno, etc, já de muito superados pela ciência espírita desenvolvida pelos estudos de Allan Kardec.

Veja um trecho da suposta psicografia:

“O que parece ser injustiça, quando visto de cima, todas as ideias e conceitos sobre o divino são repensados, refeitos, colocados em testes, em refazimento. Quero primeiramente que saibam que nada acontece por acaso. Não existem vítimas no Universo. Colhemos o que plantamos. Aprendo aqui que esta é a lei universal e inalterável, (…) a lei da ação e reação […] Estávamos juntos em outras vidas e provocamos vários desastres aéreos no tempo das guerras. E a boa justiça divina nos chamou para o acerto!”.

Não cansamos de destacar o quão falsa é essa ideia, como já tratamos em extensão por mais de uma vez ((refira-se aos artigos “Lei de ação e reação, lei do retorno, carma: por que sofremos, segundo o Espiritismo?“, “Karma (ou carma), castigo, pecado e punição: como Kardec abordou tudo isso em A Gênese“, “O Espiritismo frente às guerras“)).

Não repetiremos aquilo que já dissemos nos artigos citados. Apenas lembraremos: cuidado, espíritas, pois os Espíritos enganam aos desavisados, a maioria dos médiuns e dos trabalhadores que não estudam a Doutrina Espírita. A esses, reproduzem comunicações carregadas de falsos conceitos, com um só objetivo: manter as mentes que as aceitam cegamente afastadas da verdadeira moral espírita, que é autônoma e que se pauta pelo princípio do progresso sucessivo.

São ideias repetidas por “professores” do Espiritismo, com canais e grupos repletos de centenas de milhares de pessoas, e que poderiam fazer um bem enorme a si mesmos e à sociedade, mas que escolhem vendar os olhos e tapar os ouvidos ao estudo necessário, por crerem já saber de tudo, posto que estão até mesmo “ensinando” os outros.

São, aliás, indivíduos que não pensam no grande mal que fazem ao Espiritismo e ao desrespeito a essas famílias, julgando os entes falecidos, quando lhes afirmam “criminosos do passado“.

A Justiça Divina não se pauta por cobrar dívidas, mas, sim, por permitir que todos os Espíritos cheguem ao destino, que é a perfeição relativa, pelo esforço próprio, consciente e autônomo. Portanto, supostas psicografias como essa suposta carta psicografada do diretor da Chapecoense só podem ser uma de três coisas:

  • Frutos de um Espírito obsessor ao qual o médium se entrega;
  • Frutos de um Espírito inferior, com quase nenhuma capacidade de compreensão do mundo espírita e apegado a velhas ideias religiosas;
  • Frutos da opinião do próprio médium.

Em qualquer do caso, a suposta psicografia deve ser sempre analisada por outras pessoas, conhecedoras do Espiritismo, e apenas colocadas a público quando verificadas importantes e racionais para o interesse geral.

O Grupo de Estudos O Legado de Allan Kardec repudia esse tipo de ato inconsequente, que a cada dia mais afasta do Espiritismo aqueles que, julgando pelo que veem reproduzido pelo Movimento Espírita, ausente dos estudos, não se conformam com tais disparates e com a ausência da razão e da caridade na Doutrina que diz primar por esses dois princípios fundamentais.




Eventos de Estudo com Paulo Henrique de Figueiredo

Deixamos, abaixo, uma playlist com vídeos bastante interessantes de estudos com participação de Paulo Henrique de Figueiredo, o pesquisador espírita atualmente mais expoente.




Estamos com a faca e o queijo em mãos, e com fome

“Bons espíritas, meus bem-amados, sois todos obreiros da última hora. Bem orgulhoso seria aquele que dissesse: Comecei o trabalho ao alvorecer do dia e só o terminarei ao anoitecer. Todos viestes quando fostes chamados, um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, para a encarnação cujos grilhões arrastais; mas há quantos séculos e séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que quisésseis penetrar nela! Eis-vos no momento de embolsar o salário; empregai bem a hora que vos resta e não esqueçais nunca que a vossa existência, por longa que vos pareça, mais não é do que um instante fugitivo na imensidade dos tempos que formam para vós a eternidade. – Constantino, Espírito Protetor. (Bordéus, 1863.)”

“Não mais vos assusteis! As línguas de fogo estão sobre as vossas cabeças. Ó verdadeiros adeptos do Espiritismo!. . . sois os escolhidos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar à sua propagação os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas ocupações fúteis. Ide e pregai. Convosco estão os Espíritos elevados.” – Erasto, anjo-da-guarda do médium. Paris, 1863.

O Evangelho segundo o Espiritismo » Capítulo XX – Os trabalhadores da última hora » Instruções dos Espíritos » Os últimos serão os primeiros.

Como sempre, não podemos tomar nada literalmente. É claro que não podemos deixar de lado o trabalho, necessário para o sustento da carne, nem mesmo os momentos de alegria ou relaxamento, necessários à saúde do corpo… Também não significa sair às ruas incomodando os outros com falatórios sobre reencarnação. Mas significa estudar e produzir. Podemos, com um pouco que cada possa estudar e fazer, fazer muito mais. Trabalhemos, amigos.

É fato que somos eternos, mas não queremos alcançar mais cedo a felicidade daquele que vive no bem, sem a mácula das imperfeições? E não desejamos isso também para nossos irmãos? Faz cerca de 150 anos que a moral espírita deixou de se desenvolver. Estamos com a faca e o queijo em mãos, e com fome. Vamos estudar?




Grupos de Estudos do Espiritismo

Ficam, aqui, algumas sugestões de estudos importantes do Espiritismo, realizados por nós e por grupos irmãos.

Estudos da Revista Espírita – Grupo de Estudos O Legado de Allan Kardec:

Estudos da obra Revolução Espírita – Filosofia e Educação Moral

Estudos de O Céu e o Inferno – Grupo de Estudos Espiritismo para Todos – EPT:

Estudos de A Gênese – Grupo de Estudos Espiritismo para Todos – EPT:

Estudos da obra Ponto Final, de Wilson Garcia – Grupo de Estudos Espiritismo para Todos – EPT:

Bate-papo do EPT

Clique para conhecer:

https://www.geolegadodeallankardec.com.br/artigos/category/bate-papo-espiritismo-para-todos/




Estudos de A Gênese – Grupos de Estudos Espiritismo para Todos (EPT)

Estudos, em português, realizados sobre a obra “A Gênese”, da editora FEAL, que é baseada na 4.ª edição, original, e não na 5.ª edição, adulterada.

Se você desejar informações sobre como participar ativamente dos estudos, entre em contato.

Estudos – A Gênese 2022 | Turma 3 | Terça

Estudos – A Gênese 2021 | Turma 2 | Sábado

Estudos – A Gênese 2021 | Turma 3 | Terça

Estudos – A Gênese 2020 | Turma 2 | Sábado

Estudos – A Gênese 2020 | Turma 1 | Quinta

Material de apoio




Estudos de O Céu e o Inferno – Grupos de Estudos Espiritismo para Todos (EPT)

Estudos, em português, realizados sobre a obra “O Céu e o Inferno”, da editora FEAL, que é baseada na 3.ª edição, original, e não na 4.ª edição, adulterada.

Se você desejar informações sobre como participar ativamente dos estudos, entre em contato.

Estudos às terças-feiras

Estudos aos sábados

Estudos Finalizados

Material de Apoio




O duplo princípio do bem e do mal é um engano!

A crença na existência do mal, como algo criado por Deus (ou pelo “diabo”, quem, por ter sido criado por Deus, acarreta a mesma consequência) e que vem de fora, é algo muito difundido, em todo o mundo e em todas as crenças. O Espiritismo, porém, é a única doutrina filosófica, até hoje existente, a demonstrar, racional e factualmente, que isso não é uma verdade.

Começamos citando Kardec, em A Gênese, no texto “Fonte do Bem e do Mal”:

Sendo Deus o princípio de todas as coisas e, sendo esse princípio todo sabedoria, todo bondade e todo justiça, tudo o que provém dele deve compartilhar esses atributos, pois o que é infinitamente sábio, justo e bom não pode produzir nada irracional, mau e injusto. O mal que observamos não pode ter originado dele.

Se o mal estivesse nas atribuições de um ser especial, seja ele chamado Ahriman, seja Satã((O zoroastrismo, religião ancestral da Pérsia, propunha a existência de deuses gêmeos: Ahura Mazda, da bondade e da luz, e Angra Mainyu, o Ahriman, deus das trevas e do mal. O mundo estaria numa batalha entre o bem e o mal. Satã, personagem da Bíblia, é identificado como anjo caído no novo testamento. (N. do E.))), de duas, uma: ou ele seria igual a Deus e, por consequência, também poderoso e eterno, ou seria inferior.

No primeiro caso, haveria duas potências rivais, lutando sem cessar, cada uma procurando desfazer o que o outro está fazendo, opondo-se mutuamente. Essa hipótese é inconciliável com a harmonia que se revela, na ordem do Universo.

No segundo caso, sendo inferior a Deus, esse ser estaria subordinado a ele. Não podendo ser eterno como ele sem ser seu igual; só poderia ter sido criado por Deus. Se foi criado, só poderia ter sido por Deus. Nesse caso, Deus teria criado o Espírito do mal, o que seria a negação de sua infinita bondade.

KARDEC, Allan. A Gênese. Editora FEAL. 2a edição, 2018.

Assim, Kardec demonstra que não seria possível a existência de um ser que desse princípio ao mal, pois, sendo esse princípio o próprio Deus, não estaria de acordo com seus atributos (sendo Ele o bem); sendo um outro ser, esse ser teria sido criado por Deus o que faria, portanto, que o mal ainda assim seria criação de Deus.

Em O Céu e o Inferno, Kardec fala da origem do princípio do bem e do mal:

Durante longos séculos e sob diversos nomes, o princípio duplo do bem e do mal foi a base de todas as crenças religiosas, sendo personificado nas figuras de Aúra-Masda e Arimã entre os persas, e de Jeová e Satã entre os hebreus. Entretanto, como qualquer soberano deve ser auxiliado por ministros, todas as religiões admitiram agentes secundários, os gênios bons ou maus. Os pagãos os representavam através de uma inumerável multidão de individualidades, cada qual com atribuições especiais para o bem e para o mal, para os vícios e as virtudes, e às quais deram o nome genérico de deuses. Os cristãos e os muçulmanos receberam dos hebreus os anjos e os demônios.

KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Editora FEAL. 1a edição, 2021.

Essas doutrinas, que, em verdade, respondem à moral heterônoma, levam à crença de que o mal é algo externo, definido. No caso das religiões cristãs, esse princípio foi reproduzido na crença dos anjos e dos demônios, e isso principalmente após a Igreja Romana se apropriar do cristianismo:

A doutrina dos demônios tem sua origem, portanto, na antiga crença dos princípios do bem e do mal. Vamos examiná-la aqui apenas do ponto de vista cristão, verificando se está de acordo com o conhecimento mais exato que temos atualmente dos atributos da Divindade.

Esses atributos são o ponto de partida, a base de todas as doutrinas religiosas((A confusão entre o princípio material de prazer e dor (bom e ruim) com o princípio da moral (bem e mal) é a base da heteronomia presente nas crenças das religiões ancestrais. O animal se submete aos instintos, agindo assim cegamente às necessidades das espécies. Mas o ser humano tem dupla natureza, participa da vida animal pelo corpo e da vida espiritual pela alma. Tratado servilmente, o ser humano torna-se máquina. Cabe ao espírito humano abandonar a condição heterônoma de sujeição à vontade de terceiros (fé cega e obediência passiva) pela conquista do livre-arbítrio e do senso moral, como propõe o Espiritismo. (N. do E.))). Os dogmas, o culto, as cerimônias, os costumes, a moral, tudo está em harmonia com a ideia mais ou menos justa, mais ou menos elevada que se faz de Deus, desde o fetichismo até o Cristianismo. Se a essência íntima de Deus é ainda um mistério para a nossa inteligência, compreendemo-Lo hoje, no entanto, melhor do que jamais foi compreendido, graças aos ensinamentos do Cristo. Ensina-nos o Cristianismo, em linha com a razão, que Deus é único, eterno, imutável, imaterial, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, e infinito em todas as suas perfeições.

Assim, como foi dito antes (cap. VII, “Penas eternas”), “Se fosse subtraída a menor fração de um só de seus atributos, não mais haveria Deus, porquanto poderia existir um ser mais perfeito”. Tais atributos, em sua mais absoluta plenitude, são, portanto, o critério de todas as religiões, a medida da verdade de cada um dos princípios que ensinam. E, para que qualquer desses princípios seja verdadeiro, é necessário que não atente contra nenhuma das perfeições de Deus. Vejamos se assim acontece na doutrina comum dos demônios.

Ibidem

Kardec segue tecendo uma linha de raciocínio da qual não é possível fugir: ou Deus é soberano, em tudo, ou não é.

Segundo a Igreja, Satã, o chefe ou rei dos demônios, não é uma personificação alegórica do mal, mas efetivamente um ser real a fazer exclusivamente o mal, enquanto Deus pratica exclusivamente o bem. Tomemo-lo, portanto, tal qual nos é apresentado.

Satã existe de toda a eternidade, como Deus, ou é posterior a Ele? Se existe de toda a eternidade, ele é incriado, e, portanto, igual a Deus, caso em que Deus não mais seria único, pois existiria um deus do bem e um deus do mal.

Satã é posterior a Deus? Então ele é uma criatura de Deus. Uma vez que somente faz o mal, sendo incapaz de fazer o bem e de se arrepender, Deus terá criado um ser consagrado eternamente ao mal. Se o mal não é obra de Deus, mas obra de uma de suas criaturas predestinadas a fazê-lo, Deus será sempre o primeiro autor do mal, não sendo, portanto, infinitamente bom. O mesmo acontece com todos os seres maus, chamados demônios((Sabemos que a palavra “demoônio” vem do grego, e significa “gênio” ou “Espírito”.)).

Ibidem

Se, para dizer que Deus não criou o mal, diz-se que o diabo existe também de toda eternidade. Se assim fosse, então Deus não seria mais Deus, pois não seria único, já que existiria um deus do bem e um deus do mal.

Avança Kardec:

Segundo o Espiritismo, nem os anjos nem os demônios são seres à parte, já que a criação dos seres inteligentes é uma só. Unidos a corpos materiais, eles constituem a humanidade que povoa a Terra e as outras esferas habitadas. Libertos desses corpos, constituem o mundo espiritual ou dos espíritos que povoam os Espaços. Deus os criou perfectíveis, dando-lhes por meta a perfeição e a felicidade que desta advém, mas não lhes deu a perfeição. Quis Deus que a atingissem pelo esforço pessoal, a fim de ter o mérito de sua conquista. Os seres progridem desde o momento de sua criação, seja encarnados ou no estado espiritual((As crenças heterônomas das religiões ancestrais afirmam a falsa ideia de que as almas foram criadas por Deus perfeitas em sabedoria e virtude. O mal se daria pelo pecado e ocasionaria a queda no mundo, onde as vicissitudes seriam castigos divinos. Assim, a humanidade inteira estaria nessa condição. Tudo muda com a teoria moral autônoma do Espiritismo, onde todas as almas são criadas simples, ignorantes e perfectíveis, a felicidade é a meta, e o mal, quando existe, é temporário, sendo superado pelo esforço. (N. do E.))) Chegados ao apogeu, tornam-se espíritos puros, ou anjos, segundo a expressão vulgar, de sorte que, do embrião do ser inteligente até o anjo, há uma cadeia ininterrupta em que cada elo assinala um passo na escala do progresso

Ibidem

Nós não somos, portanto, criados perfeitos. Somos criados simples e ignorantes e, pela nossa vontade, progredimos ou estacionamos, desenvolvemos virtudes ou imperfeições. Ora, já está estabelecido que a existência do diabo é, de fato, uma impossibilidade. Onde estaria o mal, então? O mal está em cada um, quando se afasta do bem por viver nas imperfeições.

Daí resulta existirem espíritos em todos os graus de adiantamento moral e intelectual, conforme a posição que ocupam na escala((VIDE a “Escala Espírita“)). Há, portanto, espíritos em todos os graus de sabedoria e ignorância, de bondade e maldade. Nas classes inferiores há os que ainda são profundamente inclinados ao mal, comprazendo-se nele. Caso queiramos, podemos chamá- los de demônios porque são capazes de todas as transgressões atribuídas a estes últimos. Se o Espiritismo não os denomina assim, é porque tal nome se prende à ideia de seres distintos da humanidade, de uma natureza essencialmente perversa, consagrados ao mal por toda a eternidade, incapazes de progredir na direção do bem.

Ibidem

Dissemos, então, que o mal é o afastamento do indivíduo da moral da lei divina, natural, para viver nas imperfeições. Queremos, portanto, entender: como se desenvolve o mal? Trataremos disso num próximo artigo, sob esse título!