{"id":7581,"date":"2023-10-03T11:06:35","date_gmt":"2023-10-03T14:06:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/?p=7581"},"modified":"2023-10-03T11:06:37","modified_gmt":"2023-10-03T14:06:37","slug":"le-spiritualisme-science-et-spiritualisme-religion","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/fr\/des-articles-2\/histoire-du-spiritisme\/le-spiritualisme-science-et-spiritualisme-religion\/","title":{"rendered":"Spiritisme Science et Spiritisme Religion"},"content":{"rendered":"
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<\/a><\/div>\nTemos dois aspectos atualmente defendidos pelo movimento esp\u00edrita: o de o Espiritismo ser uma ci\u00eancia e o de ele ser uma religi\u00e3o. Unindo esses dois aspectos, alguns afirmam que ele tenha um tr\u00edplice aspecto: ci\u00eancia, filosofia e religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n
Antes de mais nada, precisamos destacar que o Espiritismo somente pode ser visto como religi\u00e3o<\/a> no aspecto filos\u00f3fico, e n\u00e3o no aspecto ecum\u00eanico. <\/p>\n\n\n\n E o fato de ser uma religi\u00e3o no sentido filos\u00f3fico, afirmado por Kardec, liga-se diretamente ao fato de a Doutrina Esp\u00edrita ser um desenvolvimento do Espiritualismo Racional, Movimento Filos\u00f3fico que delineou as ci\u00eancias morais francesas e o ensino, naquele pa\u00eds, por grande parte do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n\n\n\n Se assim \u00e9, perguntar\u00e3o, ent\u00e3o o Espiritismo \u00e9 uma religi\u00e3o? Ora, sim, sem d\u00favida, senhores; no sentido filos\u00f3fico, o Espiritismo \u00e9 uma religi\u00e3o, e n\u00f3s nos glorificamos por isto, porque \u00e9 a doutrina que funda os la\u00e7os da fraternidade e da comunh\u00e3o de pensamentos, n\u00e3o sobre uma simples conven\u00e7\u00e3o, mas sobre as mais s\u00f3lidas bases: as pr\u00f3prias leis da Natureza.<\/p>\nKARDEC, Allan. Revista Esp\u00edrita, dezembro de 1868. Sess\u00e3o anual comemorativa dos mortos.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n O Espiritismo, portanto, n\u00e3o \u00e9 uma religi\u00e3o como entendemos atualmente. \u00c9 justamente por isso que Allan Kardec defende que o termo n\u00e3o seja usado<\/strong>, a fim de n\u00e3o causarmos m\u00e1s interpreta\u00e7\u00f5es e n\u00e3o colocarmos o Espiritismo num campo em que ele n\u00e3o se encaixa e onde, deixando de ser ci\u00eancia, \u00e9 vencido pela disputa entre religi\u00f5es e entre ci\u00eancia e religi\u00e3o. N\u00e3o, isto n\u00e3o \u00e9 cabido nem merecido a essa doutrina nascida do m\u00e9todo cient\u00edfico e presente na pr\u00f3pria natureza.<\/p>\n\n\n\n Por que, ent\u00e3o, temos declarado que o Espiritismo n\u00e3o \u00e9 uma religi\u00e3o? Porque n\u00e3o h\u00e1 uma palavra para exprimir cada ideia, e porque, na opini\u00e3o geral, a palavra religi\u00e3o<\/em> \u00e9 insepar\u00e1vel da ideia de culto; porque ela desperta exclusivamente uma ideia de forma, que o Espiritismo n\u00e3o tem. Se o Espiritismo se dissesse religi\u00e3o, o p\u00fablico n\u00e3o veria a\u00ed sen\u00e3o uma nova edi\u00e7\u00e3o, uma variante, se quiserem, dos princ\u00edpios absolutos em mat\u00e9ria de f\u00e9; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerim\u00f4nias e de privil\u00e9gios; ele n\u00e3o o separaria das ideias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes a opini\u00e3o p\u00fablica se levantou.<\/p>\n\n\n\n N\u00e3o tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religi\u00e3o, na acep\u00e7\u00e3o usual do voc\u00e1bulo, n\u00e3o podia nem devia enfeitar-se com um t\u00edtulo sobre cujo valor as pessoas inevitavelmente ter-se-iam equivocado. Eis por que simplesmente se diz: doutrina filos\u00f3fica e moral.<\/p>\nIbidem<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n O Espiritismo-religi\u00e3o esconde-se, como religi\u00e3o, nos centros esp\u00edritas, como as demais religi\u00f5es moram em suas igrejas e templos (h\u00e1 at\u00e9 quem j\u00e1 esteja chamando o centro esp\u00edrita de “templo”). N\u00e3o pratica as evoca\u00e7\u00f5es e aceita cegamente o que dizem m\u00e9diuns ou Esp\u00edritos isolados, ou, ainda, o que determinam institui\u00e7\u00f5es como a FEB – Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Brasileira. O Espiritismo-religi\u00e3o se tornou dogm\u00e1tico e deixou de lado os princ\u00edpios doutrin\u00e1rios e cient\u00edficos nascidos do longo e exaustivo estudo de Allan Kardec. Enterrou seu legado, em grande parte, para ficar com as mais diversas falsas ideias modernas, oriundas do misticismo, que permitiu que se instalasse em seu seio.<\/p>\n\n\n Para ser adepto do Espiritismo-religi\u00e3o, o indiv\u00edduo \u00e9 levado a crer que depende de deixar de lado sua pr\u00f3pria religi\u00e3o, porque \u00e9 assim que funciona nesse sentido. Pode-se estudar matem\u00e1tica ou bot\u00e2nica sendo cat\u00f3lico ou evang\u00e9lico, mas n\u00e3o se d\u00e1 o mesmo com uma religi\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n\n\n\n Mas, muitas vezes, esse adepto sincero, sedento de conhecimentos, encontra no Espiritismo-religi\u00e3o nada mais que uma nova religi\u00e3o, cheia de dogmas. \u00c0s vezes, o Espiritismo-religi\u00e3o se torna at\u00e9 preconceituoso e afasta novos adeptos, ao ser taxativo em apontar para pessoas com certas caracter\u00edsticas e dizer que s\u00e3o assim porque estariam pagando d\u00e9bitos de vidas passadas, dentre outras ideias que beiram o absurdo.<\/p>\n\n\n\n Mas isso n\u00e3o corresponde em nada ao Espiritismo-ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n O Espiritismo-ci\u00eancia n\u00e3o se escondia. Galgado na for\u00e7a do Espiritualismo Racional<\/a>, que desenvolveu pela Psicologia Experimental<\/a>, alastrava-se como p\u00f3lvora, como qualquer outra ci\u00eancia. Era n\u00e3o s\u00f3 aceito, mas estudado, em pessoa, por gente das camadas mais cultas da sociedade. Pr\u00edncipes, princesas, reis, rainhas, fil\u00f3sofos, cientistas, m\u00e9dicos, doutores. Ele se disseminava, por ser algo puramente claro e racional, entre religiosos de todos os credos, encontrando, entre seus n\u00fameros, at\u00e9 mesmo cat\u00f3licos ortodoxos e mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n\n\n\n IV. \u2500 Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 instru\u00e7\u00e3o<\/em>:O grau de instru\u00e7\u00e3o \u00e9 muito f\u00e1cil de avaliar pela correspond\u00eancia. Instru\u00e7\u00e3o cuidada, 30%; simples letrados, 30%; instru\u00e7\u00e3o superior, 20%; \u2500 semiletrados, 10%; \u2500 iletrados, 6%; \u2500 s\u00e1bios oficiais, 4%.<\/p>\n\n\n\n V. \u2500\u00a0Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ideias religiosas<\/em>: cat\u00f3licos romanos, livres-pensadores, n\u00e3o ligados ao dogma, 50%; \u2500 cat\u00f3licos gregos, 15%; \u2500 judeus, 10%; \u2500 protestantes liberais, 10%; \u2500 cat\u00f3licos ligados aos dogmas, 10%; \u2500 protestantes ortodoxos, 3%; \u2500 mu\u00e7ulmanos, 2%.<\/p>\nKARDEC, Allan. Revista Esp\u00edrita, janeiro de 1869. Estat\u00edstica do Espiritismo.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n Ah!, como era maravilhoso e, ao mesmo tempo, simples, o Espiritismo-ci\u00eancia. Era praticado nos lares. As fam\u00edlias realizavam evoca\u00e7\u00f5es particulares de seus entes queridos, e com eles aprendiam e se consolavam. Por vezes, evocavam Esp\u00edritos sofredores, e os ajudavam a se acalmarem, com novas compreens\u00f5es. Muitas vezes, enviavam as anota\u00e7\u00f5es dessas evoca\u00e7\u00f5es para Allan Kardec, que as analisava junto aos demais associados da SPEE. Quantas vezes essas evoca\u00e7\u00f5es particulares deram lugares a novas hip\u00f3teses e novas investiga\u00e7\u00f5es!<\/p>\n\n\n\n O Espiritismo-ci\u00eancia era visto de maneira s\u00e9ria. N\u00e3o se admitiam novos princ\u00edpios doutrin\u00e1rios sem que fossem verificados pelo m\u00e9todo do duplo controle: a comunica\u00e7\u00e3o de um mesmo princ\u00edpio por todo parte, sendo avaliadas essas comunica\u00e7\u00f5es perante a l\u00f3gica e a raz\u00e3o. N\u00e3o se negava nem se aceitava nada sem realizar esse processo. Quantas vezes Kardec voltou atr\u00e1s e abandonou uma hip\u00f3tese, por v\u00ea-la inv\u00e1lida perante as evid\u00eancias?<\/p>\n\n\n\n No Espiritismo-ci\u00eancia, os centros<\/em> eram centros s\u00e9rios de estudos. Praticavam as evoca\u00e7\u00f5es com a finalidade de aprendizado e, nos mais s\u00e9rios, segundo preceitos de Kardec, n\u00e3o se admitiam nas reuni\u00f5es medi\u00fanicas nem os ne\u00f3fitos, nem os curiosos.<\/p>\n\n\n\n O Espiritismo-ci\u00eancia faz falta<\/strong>. Nele, Kardec encontrava argumentos muito claros e racionais para descartar as mais absurdas e infundadas cr\u00edticas contra o Espiritismo. Hoje, o Espiritismo-religi\u00e3o frequentemente perde adeptos para a descren\u00e7a, porque as ideias nascidas da aceita\u00e7\u00e3o cega n\u00e3o conseguem enfrentar a raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n Far\u00edamos melhor se nem sequer fal\u00e1ssemos em “Espiritismo-religi\u00e3o”, mas apenas em “Movimento Esp\u00edrita Religioso”, talvez. Mas \u00e9 importante destacar a incongru\u00eancia entre os dois conceitos, pois precisamos fazer esfor\u00e7os para voltar ao “Espiritismo-ci\u00eancia”, aquele que todo mundo pode estudar, sem abandonar suas religi\u00f5es; aquele que d\u00e1 a f\u00e9 raciocinada, que pode enfrentar a raz\u00e3o, a qualquer tempo; aquele, enfim, que n\u00e3o terminou com Kardec, e que precisa continuar.<\/p>\n\n\n\n O Espiritismo-ci\u00eancia encontra sua forma\u00e7\u00e3o largamente registrada na Revista Esp\u00edrita de 1858 a 1869, fruto de um extenuado trabalho de mais de 12 anos sobre comunica\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas, evoca\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es de milhares de Esp\u00edritos, por milhares de m\u00e9diuns, em milhares de grupos, por toda parte do mundo. J\u00e1 o “Espiritismo-religi\u00e3o” encontra-se predominantemente em romances, frutos da opini\u00e3o de um Esp\u00edrito, que n\u00e3o se questiona pelo m\u00e9todo necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n Na data em que se comemora o nascimento de Allan Kardec, penso que precisamos fazer muito mais pela defesa de seu legado, que, longe de ser uma cria\u00e7\u00e3o religiosa para conduzir fi\u00e9is, abarca a toda a comunidade de Esp\u00edritos encarnantes no planeta Terra<\/strong>. Esse legado \u00e9 maior que eu, que voc\u00ea, que nosso grupo. N\u00e3o depende e nem deve depender da opini\u00e3o de quem seja. Precisa ser recuperado em sua fonte. Eis o trabalho.<\/p>\n\n\n\n At\u00e9 o \u00faltimo instante de sua exist\u00eancia f\u00edsica, Allan Kardec deixou profundos ensinamentos. Morreu como viveu: trabalhando pelo Espiritismo. Suas m\u00e3os laboriosas despediram-se deste mundo entregando a Revista Esp\u00edrita \u2014 peri\u00f3dico no qual deixou registrados seus ensinamentos, suas lutas, suas vit\u00f3rias e, naquele \u00faltimo momento, sua imortalidade.<\/p>\n\n\n\n [\u2026]<\/p>\n\n\n\n No cemit\u00e9rio, os curiosos procuravam posicionar-se nos lugares de onde podiam escutar os discursos. No entanto, quando o ata\u00fade desceu para o fundo da cova, a emo\u00e7\u00e3o calou as palavras;\u00a0fez-se um grande sil\u00eancio<\/strong>.<\/p>\nPRIVATO, Simoni. O Legado de Allan Kardec.<\/cite><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n\n
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Espiritismo-Religi\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n
<\/figure>\n<\/div>\n\n\nO Espiritismo-Ci\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n
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