{"id":7152,"date":"2023-06-26T10:24:59","date_gmt":"2023-06-26T13:24:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/?p=7152"},"modified":"2023-09-30T21:06:12","modified_gmt":"2023-10-01T00:06:12","slug":"lesprit-a-faim-ou-comment-seloigner-de-letude-de-l-etudiant-honnete","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/fr\/des-articles-2\/divers-2\/lesprit-a-faim-ou-comment-seloigner-de-letude-de-l-etudiant-honnete\/","title":{"rendered":"\u00ab L'Esprit a-t-il faim ? ou, "Comment emp\u00eacher l'\u00e9tudiant honn\u00eate d'\u00e9tudier""},"content":{"rendered":"
<\/a>
<\/a><\/div>\nEsp\u00edrito sente fome, mas, calma! <\/p>\n\n\n\n
Ao contr\u00e1rio do que muitos afirmam taxativamente (e muitas vezes de forma bastante \u00e1spera, melhor f\u00f3rmula para afastar do estudo as pessoas que v\u00eam do movimento esp\u00edrita como o conhecemos), o Esp\u00edrito apegado \u00e0 mat\u00e9ria poder\u00e1 sofrer de todas as vicissitudes da mat\u00e9ria, quando muito apegado a ela. Poder\u00e1 sofrer de fome, de frio, de calor, de medo, etc. Claro: \u00e9 um sofrimento que se origina nele, em si, isto \u00e9, \u00e9 um sofrimento de origem moral, mas que, para ele, at\u00e9 que entenda<\/em>, tem todas as caracter\u00edsticas de um sofrimento material<\/em><\/strong>.<\/em><\/p>\n\n\n\n Quem diz isso \u00e9 Kardec e os Esp\u00edritos, n\u00e3o eu:<\/p>\n\n\n\n “A quem quer que n\u00e3o conhe\u00e7a a verdadeira constitui\u00e7\u00e3o do mundo invis\u00edvel, parecer\u00e1 estranho que Esp\u00edritos que, segundo eles, s\u00e3o seres abstratos, imateriais, indefinidos, sem corpo, sejam v\u00edtimas dos horrores da fome; mas o espanto cessa quando se sabe que esses mesmos Esp\u00edritos s\u00e3o seres como n\u00f3s, que t\u00eam um corpo flu\u00eddico, \u00e9 verdade, mas que n\u00e3o deixa de ser mat\u00e9ria; que deixando o seu envolt\u00f3rio carnal, certos Esp\u00edritos continuam a vida terrena com as mesmas vicissitudes, durante um tempo mais ou menos longo. Isto parece singular, mas assim \u00e9, e a observa\u00e7\u00e3o nos ensina que essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos que viveram mais a vida material do que a vida espiritual, situa\u00e7\u00e3o por vezes terr\u00edvel, porque a ilus\u00e3o das necessidades da carne se faz sentir, e eles t\u00eam todas as ang\u00fastias de uma necessidade imposs\u00edvel de saciar. O supl\u00edcio mitol\u00f3gico de T\u00e2ntalo, entre os Antigos, acusa um conhecimento mais exato do que se sup\u00f5e, do estado do mundo de al\u00e9m-t\u00famulo, sobretudo mais exato do que entre os modernos. Muito diferente \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o daqueles que desde esta vida se desmaterializaram pela eleva\u00e7\u00e3o de seus pensamentos e sua identifica\u00e7\u00e3o com a vida futura. Todas as dores da vida corporal cessam com o \u00faltimo suspiro, e logo o Esp\u00edrito plana, radioso, no mundo et\u00e9reo, feliz como um prisioneiro livre de suas cadeias. Quem nos disse isto? \u00c9 um sistema, uma teoria? Algu\u00e9m disse que deveria ser assim, e n\u00f3s acreditamos sob palavra? N\u00e3o; s\u00e3o os pr\u00f3prios habitantes do mundo invis\u00edvel que o repetem em todos os pontos do globo, para ensinamento dos encarnados. Sim, legi\u00f5es de Esp\u00edritos continuam a vida corporal com suas torturas e suas ang\u00fastias. Mas quais? Aqueles que ainda est\u00e3o muito avassalados \u00e0 mat\u00e9ria para dela se destacarem instantaneamente. \u00c9 uma crueldade do Ser Supremo? N\u00e3o. \u00c9 uma lei da Natureza, inerente ao estado de inferioridade dos Esp\u00edritos e necess\u00e1ria ao seu adiantamento; \u00e9 uma prolonga\u00e7\u00e3o mista da vida terrestre durante alguns dias, alguns meses, alguns anos, conforme o estado moral dos indiv\u00edduos. “<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n [RE, junho, 1868]<\/p>\n\n\n\n As comunica\u00e7\u00f5es que indicaram tais tipos de sofrimentos s\u00e3o as mais diversas, frequentemente apresentadas na Revista Esp\u00edrita e nas outras obras. Algumas delas:<\/p>\n\n\n\n 10. Lembrai-vos dos instantes de vossa morte?<\/p>\n\n\n\n – R. \u00c9 alguma coisa de terr\u00edvel, imposs\u00edvel de descrever. Figurai-vos estar numa fossa com dez p\u00e9s de terra sobre v\u00f3s, querer respirar e faltar ar, querer gritar: “Estou vivo!” e sentir sua voz abafada; ver-se morrer e n\u00e3o poder chamar por socorro; sentir-se cheio de vida e riscado da lista dos vivos; ter sede e n\u00e3o poder se dessedentar; sentir as dores da fome e n\u00e3o poder faz\u00ea-la cessar<\/strong>; morrer, numa palavra, numa raiva de condenado<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n [RE, agosto, 1862]<\/p>\n\n\n\n […] Quanto aos Esp\u00edritos inferiores, est\u00e3o ainda completamente impregnados de fluidos terrenos; portanto, s\u00e3o materiais, como podeis compreender. Por isso sofrem fome, frio, etc., sofrimentos que n\u00e3o podem atingir os Esp\u00edritos superiores, visto que os fluidos terrenos j\u00e1 foram depurados no seu pensamento, quer dizer, na sua alma<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n [LAMENNAIS, OLM, 1861]<\/p>\n\n\n\n […] n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico [Ep\u00edrito] cuja mat\u00e9ria n\u00e3o tenha que lutar com o Esp\u00edrito que se reencontra. O duelo teve lugar, a carne foi dilacerada, o Esp\u00edrito obscureceu-se no instante da separa- \u00e7\u00e3o, e na erraticidade o Esp\u00edrito reconheceu a verdadeira vida. Agora vou dizer-vos algumas palavras daqueles para os quais esse estado \u00e9 uma prova. Oh! quanto ela \u00e9 penosa! eles se cr\u00eaem vivos e bem vivos, possuindo um corpo capaz de sentir e de saborear os gozos da Terra, e quando suas m\u00e3os v\u00e3o tocar, suas m\u00e3os se apagam; quando querem aproximar seus l\u00e1bios de uma ta\u00e7a ou de uma fruta, seus l\u00e1bios se aniquilam; eles v\u00eaem, querem tocar, e n\u00e3o podem nem sentir nem tocar. Quanto o paganismo oferece uma bela imagem desse supl\u00edcio, apresentando T\u00e2ntalo tendo fome e sede e n\u00e3o podendo jamais tocar os l\u00e1bios na fonte d’\u00e1gua que murmura ao seu ouvido, ou o fruto que parece amadurecer para ele<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n [Santo Agostinho, RE, 1864]<\/p>\n\n\n\n “\u00c9 um supl\u00edcio para o orgulhoso ver-se relegado \u00e0s \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es, enquanto acima dele, cobertos de gl\u00f3ria e de festas, est\u00e3o aqueles que ele desprezou na Terra. Para o hip\u00f3crita, ver-se penetrado pela luz que p\u00f5e a nu seus mais secretos pensamentos que todos podem ler, sem nenhum meio para se esconder e dissimular. Para o sensual, ter todas as tenta\u00e7\u00f5es, todos os desejos, sem poder satisfaz\u00ea-los<\/strong>. Para o avaro, ver seu ouro dilapidado e n\u00e3o poder ret\u00ea-lo. Para o ego\u00edsta, ser abandonado por todos e sofrer tudo o que outros sofreram por ele: ter\u00e1 sede e ningu\u00e9m lhe dar\u00e1 de beber, ter\u00e1 fome e ningu\u00e9m lhe dar\u00e1 de comer.”<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n [Kardec, OCI, 1865]<\/p>\n\n\n\n O Esp\u00edrito pode sentir uma fome maior do que a nossa, por conta de um sofrimento moral<\/strong>, isso \u00e9 claro, devido ao apego material. Por esse apego, se ver\u00e1 em corpo, e n\u00e3o em Esp\u00edrito. Materializar\u00e1 todas as sensa\u00e7\u00f5es. Poder\u00e1 at\u00e9 mesmo tentar ingerir um “alimento”, criado pela sua pr\u00f3pria mente, e esse alimento poder\u00e1 ter todas as caracter\u00edsticas de um alimento material\u2026 Mas que, contudo, n\u00e3o o saciar\u00e1, posto que, de fato, o Esp\u00edrito n\u00e3o tem um est\u00f4mago real, nem qualquer outro \u00f3rg\u00e3o. N\u00e3o depende da alimenta\u00e7\u00e3o para sobreviver. Assim, ficar\u00e1 nesse estado por um tempo maior ou menor, que para ele parecer\u00e1 eterno, enquanto se mantiver voluntariamente nesse estado mental \u2014 ao que, muitas vezes, a reencarna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, como ato da miseric\u00f3rdia divina, atendendo \u00e0 sua incapacidade de escolha, o vem furtar. H\u00e1 uma forma de agir, se espalhando entre o movimento esp\u00edrita estudioso, que \u00e9 t\u00e3o danosa quanto \u00e0quela dos esp\u00edritas que acreditam em tudo: \u00e9 o de negar a tudo e a tudo refutar duramente. \u00c9 a isso que tenho tentado chamar a aten\u00e7\u00e3o. Muitos tendem, mesmo, a atacar indiv\u00edduos e a recha\u00e7ar ideias com pedras nas m\u00e3os, como se fossem todas rid\u00edculas, sem compreender as nuances do mundo espiritual e se fazendo doutores em assuntos dos quais somos apenas aprendizes, aprendendo a balbuciar as primeiras letras do alfabeto. J\u00e1 estive entre eles, e hoje compreendo meu erro.<\/p>\n\n\n\n Talvez, guiados por uma animosidade irresoluta e quase raivosa quanto a certas afirmativas frequentemente vistas no meio esp\u00edrita em geral, e crendo-se senhores das luzes espirituais, muitos recebem questionamentos como esses \u2014 \u201cEsp\u00edritos sentem fome” \u2014 com o mesmo grau de animosidade. Ao inv\u00e9s de esclarecer, afastam o indiv\u00edduo, que se sente humilhado por ter perguntado sobre algo que, talvez, tenha visto o pr\u00f3prio Kardec afirmar.<\/p>\n\n\n\n N\u00e3o foi \u00e0 toa (nunca \u00e9 \u00e0 toa que um Esp\u00edrito, de qualquer eleva\u00e7\u00e3o, agindo com honestidade, faz qualquer tipo de afirma\u00e7\u00e3o) que S\u00e3o Lu\u00eds disse, na RE de 1866:<\/p>\n\n\n\n Mas se, gra\u00e7as \u00e0s luzes do alto, fordes mais instru\u00eddos e compreenderdes mais, tamb\u00e9m deveis ser mais tolerantes e n\u00e3o empregar, como meio de propaga\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o o racioc\u00ednio<\/strong>, porque toda cren\u00e7a sincera \u00e9 respeit\u00e1vel.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n Amigos, Espiritismo \u00e9 ci\u00eancia, e tem duas partes: a parte dos Esp\u00edritos, que \u00e9 de conhecimento maior ou menor deles e que conhecemos por suas manifesta\u00e7\u00f5es, e a a parte dos homens, que \u00e9 puramente te\u00f3rica, ainda que absolutamente racional e l\u00f3gica (e o que n\u00e3o faz dela menos “ci\u00eancia”). Teorias se aproximam mais ou menos da verdade e, de nossa parte, nos cabe a investiga\u00e7\u00e3o<\/strong>, e n\u00e3o a tola mania a tudo afirmar ou negar. Kardec, esse sim, foi o cientista extremamente brilhante que entendeu esse princ\u00edpio, o que o fez, ao inv\u00e9s de descartar, investigar<\/strong> as afirma\u00e7\u00f5es aparentemente mais absurdas vindas dos Esp\u00edritos, quando, \u00e9 l\u00f3gico, identificava nela honestidade, e n\u00e3o o claro prop\u00f3sito de mistificar.<\/p>\n\n\n\n Portanto, aos questionamentos “Esp\u00edrito sente fome? Sente frio? Sono? Constr\u00f3i casas?”, a resposta \u00e9: depende de sua eleva\u00e7\u00e3o<\/strong>. Pode sentir ou fazer tudo isso, mas, tenha certeza, n\u00e3o tem necessidade nenhuma, sofre e perde tempo quando se encontra nesse estado, por apego \u00e0 mat\u00e9ria.<\/p>\n\n
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