desde o princ\u00edpio seguiram o caminho do bem<\/strong>?<\/em><\/p>\n\n\n\n\u201cTodos s\u00e3o criados simples e ignorantes e se instruem nas lutas e tribula\u00e7\u00f5es da vida corporal. Deus, que \u00e9 justo, n\u00e3o podia fazer felizes a uns, sem fadigas e trabalhos, conseguintemente sem m\u00e9rito.\u201d<\/p>\n\n\n\n
a) \u2014 Mas, ent\u00e3o, de que serve aos Esp\u00edritos terem seguido o caminho do bem, se isso n\u00e3o os isenta dos sofrimentos da vida corporal?<\/em><\/p>\n\n\n\n\u201cChegam mais depressa ao fim<\/strong>. Ademais, as afli\u00e7\u00f5es da vida s\u00e3o muitas vezes a consequ\u00eancia da imperfei\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. Quanto menos imperfei\u00e7\u00f5es, tanto menos tormentos. Aquele que n\u00e3o \u00e9 invejoso, nem ciumento, nem avaro, nem ambicioso, n\u00e3o sofrer\u00e1 as torturas que se originam desses defeitos.\u201d<\/p>\nO Livro dos Esp\u00edritos. Grifos nossos.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\nMas como pode se dar isso?<\/p>\n\n\n\n
Para entender esse fundamento da lei natural, precisamos compreender que o Esp\u00edrito simples e ignorante \u00e9 aquele em sua primeira encarna\u00e7\u00e3o consciente, no reino humano. Nesse estado, rec\u00e9m-sa\u00eddo do reino animal, guarda ainda todos os resqu\u00edcios do instinto, que o governaram inconscientemente at\u00e9 ent\u00e3o, no bem, porque o bem \u00e9 estar na lei natural, e o animal que mata o outro para se alimentar est\u00e1 seguindo a lei natural, agindo apenas para suprir suas necessidades instintivas, com intelig\u00eancia, mas sem consci\u00eancia. Ao entrar no reino do homem, o Esp\u00edrito consciente passa a fazer escolhas \u2014 n\u00e3o entre bem e mal, mas entre agir desta ou daquela forma. Essas escolhas produzir\u00e3o resultados, que poder\u00e3o configurar um acerto \u2014 est\u00e3o dentro da lei divina \u2014 ou um erro \u2014 est\u00e3o fora da lei divina, isto \u00e9, excedem a necessidade racional. O indiv\u00edduo pode, ent\u00e3o, escolher n\u00e3o repetir esse erro, mas pode tamb\u00e9m escolher repeti-lo, pois \u00e9 algo que, de alguma forma, lhe agrada \u00e0s emo\u00e7\u00f5es ou lhe d\u00e1 prazer. \u00c9 nesse momento que desenvolve a imperfei\u00e7\u00e3o<\/strong>, se repete o erro constantemente. Mas ele pode tamb\u00e9m escolher n\u00e3o repetir o erro, pois percebe que lhe causa um mau efeito. Nesse sentido, ele \u00e9 feliz em suas simplicidade e ignor\u00e2ncia, sendo essa felicidade relativa \u00e0 sua capacidade atual<\/strong>.<\/p>\n\n\n\nIsso tamb\u00e9m est\u00e1 em Kardec, em A G\u00eanese:<\/p>\n\n\n\n
\n“Se estudarmos todas as paix\u00f5es, e at\u00e9 mesmo todos os v\u00edcios, vemos que eles t\u00eam seu princ\u00edpio no instinto de conserva\u00e7\u00e3o. Esse instinto, em toda sua for\u00e7a nos animais e nos seres primitivos que est\u00e3o mais pr\u00f3ximos da vida animal, ele domina sozinho, porque, entre eles, ainda n\u00e3o h\u00e1 de contrapeso o senso moral. O ser ainda n\u00e3o nasceu para a vida intelectual. O instinto enfraquece, ao contr\u00e1rio, \u00e0 medida que a intelig\u00eancia se desenvolve, porque domina a mat\u00e9ria. Com a intelig\u00eancia racional, nasce o livre-arb\u00edtrio que o homem usa \u00e0 sua vontade: ent\u00e3o somente, para ele, come\u00e7a a responsabilidade de seus atos”.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n
Na vers\u00e3o original dessa obra, conforme apresentada na edi\u00e7\u00e3o da editora FEAL, Kardec complementa, dizendo que:<\/p>\n\n\n\n
\n“Todos os homens passam pelas paix\u00f5es. Os que as superaram, e n\u00e3o s\u00e3o, por natureza, orgulhosos, ambiciosos, ego\u00edstas, rancorosos, vingativos, cru\u00e9is, col\u00e9ricos, sensuais, e fazem o bem sem esfor\u00e7os, sem premedita\u00e7\u00e3o e, por assim dizer, involuntariamente, \u00e9 porque progrediram na sequ\u00eancia de suas exist\u00eancias anteriores, tendo se livrado desse inc\u00f4modo peso. \u00c9 injusto dizer que eles t\u00eam menos m\u00e9rito quando fazem o bem, em compara\u00e7\u00e3o com os que lutam contra suas tend\u00eancias. Acontece que eles j\u00e1 alcan\u00e7aram a vit\u00f3ria, enquanto os outros ainda n\u00e3o. Mas, quando alcan\u00e7arem, ser\u00e3o como os outros. Far\u00e3o o bem sem pensar nele, como crian\u00e7as que leem correntemente sem ter necessidade de soletrar. \u00c9 como se fossem dois doentes: um curado e cheio de for\u00e7a enquanto o outro est\u00e1 ainda em convalescen\u00e7a e hesita caminhar; ou como dois corredores, um dos quais est\u00e1 mais pr\u00f3ximo da chegada que o outro.”<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n
Ent\u00e3o, aquele que desenvolveu uma imperfei\u00e7\u00e3o \u00e9 inferior aos que n\u00e3o as desenvolveram? \u00c9 um mau Esp\u00edrito? Deve ser castigado por isso? N\u00e3o, n\u00e3o e n\u00e3o! <\/p>\n\n\n\n
Aquele que desenvolveu uma imperfei\u00e7\u00e3o, o fez por n\u00e3o conhecer, em realidade, o bem, caso contr\u00e1rio teria agido adversamente. \u00c9 apenas um erro \u2014 repetido conscientemente \u2014 e n\u00e3o passa disso. N\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica do Esp\u00edrito. Deus n\u00e3o cria ningu\u00e9m mau, nem cria o mal. O mal n\u00e3o existe! \u00c9 apenas a aus\u00eancia do bem. \u00c9 claro, portanto, que Deus n\u00e3o castigaria um filho seu por errar. N\u00e3o: ele lhe d\u00e1 a capacidade de raciocinar e a autonomia, de modo que ele mesmo possa perceber que os resultados de seus erros lhe causam sofrimento e, percebendo isso, se arrependa e demande a corre\u00e7\u00e3o dessas imperfei\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n
\u00c9 nesse ponto que o espiritualismo moderno e o movimento esp\u00edrita atual divergem da moral esp\u00edrita original: para esses, ao entender o erro, o Esp\u00edrito \u00e9 obrigado a reparar OS EFEITOS<\/strong>, enquanto, para o \u00faltimo, o Esp\u00edrito \u00e9 deixado livre para escolher como e quando tentar\u00e1 reparar A IMPERFEI\u00c7\u00c3O<\/strong> (em si), o que pode ou n\u00e3o envolver a repara\u00e7\u00e3o de efeitos danosos que tenha realizado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\nAqui, cabe uma conclus\u00e3o: a doutrina da “lei do retorno” ou do carma, que nunca fez parte do Espiritismo, afirma que, ao fazer mal para uma pessoa, teremos que reencarnar com ela para reparar esse erro. Contudo, j\u00e1 ficou estabelecido que o mal fazemos apenas para n\u00f3s mesmos \u2014 se, ao cometer um erro com algu\u00e9m, esse algu\u00e9m escolhe cultivar um sentimento de c\u00f3lera, \u00f3dio ou vingan\u00e7a, est\u00e1 fazendo o mal a si mesmo. Cabe, portanto, \u00e0 autonomia de cada um se desapegar de tais sentimentos. Se o algoz fosse obrigado a reencarnar com sua v\u00edtima para reparar um erro e, por mais que se esfor\u00e7asse por ter uma atitude irrepreens\u00edvel no bem, a v\u00edtima escolhesse n\u00e3o desapegar de tais sentimentos, quer dizer que o erro n\u00e3o teria sido pago e demandaria quantas encarna\u00e7\u00f5es fossem necess\u00e1rias para isso, vinculando o progresso do outro, que j\u00e1 voltou ao bem, \u00e0 escolha do outro? E se, por outro lado, a v\u00edtima n\u00e3o se apegou, seguiu em frente, mas o algoz continua em suas imperfei\u00e7\u00f5es? Ela ter\u00e1 que reencarnar com ele para que ele, que ainda nem sequer entendeu seu sofrimento, “quite suas d\u00edvidas”? N\u00e3o faz sentido!<\/p>\n\n\n\n
Voltando ao nosso ponto, fal\u00e1vamos do retorno do Esp\u00edrito ao bem. Em O C\u00e9u e o Inferno (editora FEAL, baseado na vers\u00e3o original, n\u00e3o adulterada), temos o seguinte:<\/p>\n\n\n\n
\n“8\u00ba) A dura\u00e7\u00e3o do castigo est\u00e1 subordinada ao aperfei\u00e7oamento do esp\u00edrito culpado. Nenhuma condena\u00e7\u00e3o por um tempo determinado \u00e9 pronunciada contra ele. O que Deus exige para p\u00f4r fim aos sofrimentos \u00e9 o arrependimento, a expia\u00e7\u00e3o e a repara\u00e7\u00e3o \u2013 em resumo: um aperfei\u00e7oamento s\u00e9rio, efetivo, assim como um retorno sincero ao bem”.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n
Sendo o castigo – ou a puni\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o sabemos ao certo qual foi a inten\u00e7\u00e3o da palavra original – uma consequ\u00eancia do erro realizado, ser\u00e1 um verdadeiro castigo o sofrimento inerente \u00e0s imperfei\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 uma puni\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria divina, mas uma consequ\u00eancia da lei natural. N\u00e3o h\u00e1 condena\u00e7\u00e3o: tudo depende da vontade do indiv\u00edduo em arrepender-se e demandar a repara\u00e7\u00e3o da imperfei\u00e7\u00e3o, retornando, assim, ao bem.<\/p>\n\n\n\n
Finalizamos reproduzindo, uma vez mais, a recomenda\u00e7\u00e3o de Paul Janet