{"id":6238,"date":"2022-05-18T16:19:48","date_gmt":"2022-05-18T19:19:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/?p=6238"},"modified":"2023-10-11T15:20:48","modified_gmt":"2023-10-11T18:20:48","slug":"traite-de-philosophie-sociale-d-allan-kardec-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/fr\/des-articles-2\/etude-approfondie-du-spiritualisme-2\/traite-de-philosophie-sociale-d-allan-kardec-2\/","title":{"rendered":"Trait\u00e9 de philosophie sociale d'Allan Kardec"},"content":{"rendered":"
\"image_pdf\"<\/a>\"image_print\"<\/a><\/div>\n

Voc\u00ea sabia que Kardec tem um verdadeiro “tratado de filosofia social”? Pois \u00e9. Vamos demonstr\u00e1-lo a seguir, mas, antes, vamos falar um pouquinho sobre o atual estado da sociedade humana.<\/p>\n\n\n\n

Muito se tem falado do momento que passamos: das transforma\u00e7\u00f5es sociais, das como\u00e7\u00f5es, do per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o que atravessamos em rumo a um planeta de regenera\u00e7\u00e3o. Contudo, h\u00e1 uma enorme sombra pairando sobre o imagin\u00e1rio coletivo, acostumado \u00e0s ideias materialistas ou emergencialistas<\/em>. Parece que, para onde quer que olhemos, n\u00e3o existe mais que tristeza, dor e desprezo. Acostumamo-nos<\/em> a olhar para o pr\u00f3ximo como inimigo, como algu\u00e9m disposto a nos fazer o mal ou, na melhor das hip\u00f3teses, a ignorar nossa mera exist\u00eancia. Acontece, por\u00e9m, que somos uma sociedade afastada dos conceitos essenciais da espiritualidade e do bem. Dizemos ser esp\u00edritas, ou espiritualistas, para, contudo, por falta de estudar o Espiritismo, materializar o mundo dos Esp\u00edritos, que deveria ser o alvo da consola\u00e7\u00e3o, afastado das mis\u00e9rias da carne e, quando tratamos do ser humano, nos acostumamos a esquecer que, por dentro e por fora daquele corpo, existe um Esp\u00edrito que a tudo comanda, e que \u00e9 a origem de toda a sua a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n

Como veremos em Kardec, \u00e9 uma falsa suposi\u00e7\u00e3o acreditar que “a humanidade est\u00e1 perdida”, como muito se tem ouvido. N\u00e3o: a humanidade est\u00e1 apenas distra\u00edda, porque deixou de conhecer aquilo que d\u00e1 base ao desenvolvimento moral. Eis o que vamos recuperar, neste artigo.<\/p>\n\n\n\n

Esquecemos, temos dito, de Kardec, mas tamb\u00e9m desconhecemos tudo aquilo que se chamou de elementos de moral<\/em>, existentes no Espiritualismo Racional e t\u00e3o bem definidos por Paul Janet1<\/a><\/sup> para, depois, servirem de base e serem desenvolvidos, na pr\u00e1tica, pelo estudo do Espiritismo. Estava, com os espiritualistas racionais, a teoria, fundamentada na raz\u00e3o, de que o ser humano \u00e9 um Esp\u00edrito encarnado, respondendo \u00e0s leis de Deus, mas foi com Kardec, principalmente, que essa teoria foi desenvolvida de forma pr\u00e1tica, pelo estudo das manifesta\u00e7\u00f5es esp\u00edritas, estudo esse que, pelas m\u00e3os de Allan Kardec, se estendeu por cerca de doze anos, e que culminou nos tratados de filosofia mais belos e elevados que a humanidade jamais conheceu, porque se baseiam em n\u00f3s mesmos, Esp\u00edritos, em nossa jornada rumo \u00e0 felicidade.<\/p>\n\n\n\n

Contido nas p\u00e1ginas originais de A G\u00eanese2<\/a><\/sup>, antes da adultera\u00e7\u00e3o post-mortem<\/em> de sua quinta edi\u00e7\u00e3o, no encerramento dessa obra de teor cient\u00edfico e moral, est\u00e3o as reflex\u00f5es de Kardec sobre o tema social e da evolu\u00e7\u00e3o da humanidade. Vamos a ele:<\/p>\n\n\n\n

Sinais dos tempos<\/h2>\n\n\n\n

Sob esse t\u00edtulo, Kardec inicia o cap\u00edtulo XVIII da obra, o \u00faltimo, e talvez o mais belo de todos. Kardec, na data de lan\u00e7amento dessa obra, estava a pouco mais de um ano de sua morte. Nele, ele demonstra que a humanidade segue o movimento do progresso de forma inevit\u00e1vel, posto que \u00e9 uma Lei da Natureza, isto \u00e9, uma Lei de Deus, que nunca descansa. Segundo Kardec:<\/p>\n\n\n\n

\n

A humanidade realizou at\u00e9 o presente incontest\u00e1veis progressos. Os homens, por sua intelig\u00eancia, chegaram a resultados que jamais haviam alcan\u00e7ado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s Ci\u00eancias, Artes e ao bem-estar material. Ainda lhes resta um imenso progresso a realizar: fazer reinar entre eles a caridade, a fraternidade e a solidariedade para assegurar o bem-estar moral.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

Saindo do estado da inf\u00e2ncia, a humanidade entrou numa nova era, onde o necess\u00e1rio desenvolvimento moral viria se realizar, destruindo, em si, todos as paix\u00f5es<\/em>, isto \u00e9, tudo aquilo que pudesse dar azo \u00e0s imperfei\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n

\n

N\u00e3o \u00e9 mais somente o desenvolvimento da intelig\u00eancia que \u00e9 necess\u00e1rio aos homens, \u00e9 a eleva\u00e7\u00e3o dos sentimentos e, portanto, \u00e9 preciso destruir tudo o que possa superexcitar em si o ego\u00edsmo e o orgulho.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

Precisamos compreender que Kardec via a tudo isso com um otimismo enorme. Inserido no contexto do Espiritualismo Racional e das Ci\u00eancias Morais e com o r\u00e1pido desenvolvimento e a larga aceita\u00e7\u00e3o do Espiritismo pelos homens cultos, ele previa que, com a exce\u00e7\u00e3o de algumas dificuldades, a revolu\u00e7\u00e3o moral pelo Espiritismo se daria a largos passos. N\u00e3o poderia prever, contudo, que, ap\u00f3s sua morte, tudo tomaria um rumo t\u00e3o adverso, com a proibi\u00e7\u00e3o do ensino das Ci\u00eancias Morais na Fran\u00e7a, o desvio do Movimento Esp\u00edrita, principalmente por Leymarie3<\/a><\/sup>, e as guerras, enfim, que acabaram de lan\u00e7ar o mundo na necess\u00e1ria busca pelo cuidado na sobreviv\u00eancia di\u00e1ria \u2014 em outras palavras, o homem teve que se preocupar muito mais com as quest\u00f5es da mat\u00e9ria, n\u00e3o tendo ensejo, por muito tempo, para cuidar das coisas do Esp\u00edrito.<\/p>\n\n\n\n

Kardec acreditava que esse per\u00edodo marcava, em definitivo, uma nova fase moral para o Esp\u00edrito humano:<\/p>\n\n\n\n

\n

Esse \u00e9 o per\u00edodo no qual entramos a partir de agora e marcar\u00e1 uma das fases principais da humanidade. Essa fase, que est\u00e1 em elabora\u00e7\u00e3o neste momento, \u00e9 o complemento necess\u00e1rio do estado anterior, como a idade adulta \u00e9 o complemento da juventude. Podia, pois, ser prevista e anunciada antecipadamente, por isso podemos dizer que os tempos marcados por Deus s\u00e3o chegados.<\/p>\n\n\n\n

Neste tempo aqui n\u00e3o se trata de uma mudan\u00e7a parcial, de uma renova\u00e7\u00e3o limitada a uma regi\u00e3o, a um povo, a uma ra\u00e7a; \u00e9 um movimento universal que se opera no sentido do progresso moral. Tende a se estabelecer uma nova ordem de coisas, e os homens que s\u00e3o os seus maiores opositores, sem saber, contribuem para isso.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

E ent\u00e3o, completa, como se estivesse falando exatamente dos momentos atuais, onde fil\u00f3sofos combatem a espiritualidade:<\/p>\n\n\n\n

\n

\u00c9 nesse preciso momento, quando se encontra excessivamente oprimida em sua esfera material, onde a vida intelectual transborda e o sentimento de espiritualidade floresce, que homens se dizendo fil\u00f3sofos pretendem preencher o vazio com doutrinas do neantismo4<\/a><\/sup> e materialismo! Estranha aberra\u00e7\u00e3o! Esses homens, que pretendem impulsionar a humanidade, esfor\u00e7am-se em circunscrev\u00ea-la nos limites da mat\u00e9ria, da qual almeja escapar. Ocultam a perspectiva da vida infinita e lhe dizem, mostrando o t\u00famulo: Nec plus ultra5<\/a><\/sup>!<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

O Esp\u00edrito social<\/h2>\n\n\n\n

Ent\u00e3o, como diz\u00edamos, olhando para o resultado de mais de cem anos de materialismo exacerbado e nega\u00e7\u00e3o da espiritualidade humana, vemos, na sociedade, o mal das paix\u00f5es instalado: a guerra, a viol\u00eancia, o ego\u00edsmo, o orgulho, a vaidade, a avareza, enfim, tudo aquilo que \u00e9 resultado do n\u00e3o conhecimento de algo melhor e mais importante, toma o meio social, onde n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel identificar a m\u00e1xima do Evangelho, “faz a outrem o que gostarias que fosse feito a ti mesmo. \u2013 N\u00e3o fa\u00e7as a outrem o que n\u00e3o gostarias que te fizessem.”. Vivemos tamb\u00e9m sob um tratado de filosofia social, mas ele \u00e9 materialista e niilista!<\/p>\n\n\n\n

O homem, estacionado nas ideias materialistas, se esquece de que existe um futuro. Se esquece de que, al\u00e9m do corpo, existe a sua verdadeira vida, a vida eterna, que se estende desde muito ao infinito, e ignora, portanto, que cabe aos seus esfor\u00e7os em viver o bem, pelo cumprimento das leis divinas para consigo e para com todos os outros, alcan\u00e7ar mais cedo ou mais tarde a felicidade reservada aos bons. Diz Kardec:<\/p>\n\n\n\n

\n

Pela lei da pluralidade das exist\u00eancias, o homem se relaciona ao que fez e ao que far\u00e1 com os homens do passado e os do futuro; j\u00e1 n\u00e3o pode dizer que nada tem em comum com os mortos, pois uns e outros se encontram constantemente, neste e no outro mundo, para ascender juntos a escala do progresso, prestando um m\u00fatuo apoio. A fraternidade n\u00e3o mais se restringe a alguns indiv\u00edduos unidos pelo acaso durante a curta dura\u00e7\u00e3o ef\u00eamera de uma vida, mas \u00e9 perp\u00e9tua como a vida do Esp\u00edrito, universal como a humanidade, a qual constitui uma grande fam\u00edlia onde todos os membros s\u00e3o solid\u00e1rios uns com os outros, qualquer seja a \u00e9poca em que viveram.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

Ora, como desejar uma humanidade fraterna se ela vive o hoje, desejando o amanh\u00e3, somente com o prop\u00f3sito de abastecer suas necessidades e seus prazeres materiais individuais, ignorando que, al\u00e9m de dores e gozos, inerentes \u00e0 mat\u00e9ria, o Esp\u00edrito continua, t\u00e3o evolu\u00eddo quanto tenha se esfor\u00e7ado por fazer? Veja: a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito junto \u00e0 sociedade n\u00e3o \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o, mas uma consequ\u00eancia, pois aquele que compreende e passa a viver o bem em si, por obriga\u00e7\u00e3o moral estende aos outros a m\u00e3o amiga:<\/p>\n\n\n\n

\n

A fraternidade ser\u00e1 a pedra angular da nova ordem social, mas n\u00e3o h\u00e1 fraternidade real, s\u00f3lida e efetiva sem estar apoiada sobre uma base inabal\u00e1vel. Essa base \u00e9 a f\u00e9; n\u00e3o a f\u00e9 em tais ou quais dogmas particulares que mudam com os tempos e os povos e se apedrejam mutuamente, pois, ao se amaldi\u00e7oarem, mant\u00eam o antagonismo. Mas a f\u00e9 nos princ\u00edpios fundamentais que todos podem aceitar: Deus, a alma, o futuro, O PROGRESSO INDIVIDUAL ILIMITADO, A PERPETUIDADE DAS RELA\u00c7\u00d5ES ENTRE OS SERES. Quando os homens est\u00e3o convencidos de que Deus \u00e9 o mesmo para todos; que Deus, soberanamente justo e bom, n\u00e3o pode querer nada que seja injusto; que o mal vem deles e n\u00e3o Dele, ent\u00e3o todos ser\u00e3o considerados filhos do mesmo Pai e estender\u00e3o as m\u00e3os uns aos outros.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

A respeito do materialismo de seu tempo, Kardec diz que “um sinal n\u00e3o menos caracter\u00edstico do per\u00edodo no qual entramos \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o evidente que se opera no sentido das ideias espiritualistas<\/em>6<\/a><\/sup>); uma repuls\u00e3o instintiva se manifesta contra as ideias materialistas<\/em>“. Hoje, pelo contr\u00e1rio, vemos as ideias materialistas sendo defendidas por todos os lados. Contudo, vemos um outro movimento: a sociedade, a cada dia mais, repulsa as ideias dogm\u00e1ticas das religi\u00f5es, causando um esvaziamento massivo das fileiras das organiza\u00e7\u00f5es religiosas – inclusive do Movimento Esp\u00edrita Brasileiro, que se transformou numa religi\u00e3o, cheia de dogmas. Interessante notar que as religi\u00f5es que ainda det\u00e9m alguma atra\u00e7\u00e3o sobre as pessoas s\u00e3o, justamente, aquelas que passam mais tempo cultivando as ideias materialistas do que o contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n

Esse, na verdade, \u00e9 um movimento positivo<\/strong><\/em>. N\u00e3o podemos esquecer que o movimento espiritualista, que deu margem ao nascimento do Espiritualismo Racional e, depois, ao Espiritismo, nasceu em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0s ideias materialistas de seu tempo, que, por sua vez, tamb\u00e9m nasceram em contraposi\u00e7\u00e3o aos dogmas das religi\u00f5es. O homem se tornou materialista por n\u00e3o ter nada melhor em que acreditar, at\u00e9 que as filosofias espiritualistas e esp\u00edrita se desenvolveram \u2014 raz\u00e3o pela qual, justamente, ganharam tantos adeptos em pouco tempo e entre as classes mais cultas da sociedade.<\/p>\n\n\n\n

O movimento que se opera no presente, depois de um gigantesco tombo que se estendeu por mais de um s\u00e9culo, conduz tamb\u00e9m a esse resultado, e j\u00e1 podemos ver sinais nascentes desse trabalho que se opera, sendo que a recupera\u00e7\u00e3o da filosofia espiritualista e da ci\u00eancia esp\u00edrita e do magnetismo s\u00e3o os primeiros passos a dar suporte a tudo isso:<\/p>\n\n\n\n

\n

A nova gera\u00e7\u00e3o marchar\u00e1 para a realiza\u00e7\u00e3o de todas as ideias humanit\u00e1rias compat\u00edveis com o grau de adiantamento ao qual tenha chegado. O Espiritismo, avan\u00e7ando para o mesmo alvo e realizando seus objetivos, se reencontrar\u00e1 com ela no mesmo terreno. Os homens favor\u00e1veis ao progresso encontrar\u00e3o nas ideias esp\u00edritas um poderoso recurso, e o Espiritismo encontrar\u00e1, nos homens novos, Esp\u00edritos plenamente dispostos a aceit\u00e1-lo. Diante dessa combina\u00e7\u00e3o de circunst\u00e2ncias, o que poder\u00e1 fazer quem quiser se colocar em seu caminho?<\/p>\n\n\n\n

O Espiritismo n\u00e3o criou a renova\u00e7\u00e3o social, pois a maturidade da humanidade faz dessa renova\u00e7\u00e3o uma necessidade. Por seu poder moralizador, por suas tend\u00eancias progressivas, pela eleva\u00e7\u00e3o de seus prop\u00f3sitos, pela generalidade das quest\u00f5es que ela abra\u00e7a, o Espiritismo est\u00e1, mais que todas as outras doutrinas, apto a secundar o movimento regenerador.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

Curioso: em certos momentos, parece que Kardec esta escrevendo sobre o momento atual. \u00c9 que o cen\u00e1rio se repete: a humanidade, n\u00e3o tendo conseguido aproveitar, antes, o desenvolvimento das ideias espiritualistas, apenas se atrasou. Mas, como sempre, tendo conhecido o \u00e1pice do mal, o homem passa a buscar novas respostas para sua desola\u00e7\u00e3o moral.<\/p>\n\n\n\n

A idade da regenera\u00e7\u00e3o: o trecho que n\u00e3o conhec\u00edamos<\/h2>\n\n\n\n

Na adultera\u00e7\u00e3o dessa obra conclusiva, as perdas foram enormes, sobretudo pelas in\u00fameras supress\u00f5es realizadas. Se desejar, compare esse \u00faltimo cap\u00edtulo e ver\u00e1 o quanto ele foi mutilado. Na vers\u00e3o original, existe um pensamento muito profundo, mas tamb\u00e9m duro, de Allan Kardec, a respeito da resist\u00eancia encontrada, pelo Espiritismo, dentre aqueles que, em definitivo, ainda n\u00e3o est\u00e3o prontos para essa ordem de ideias, porque sua idade espiritual ainda n\u00e3o alcan\u00e7ou tal desenvoltura. Acompanhe:<\/p>\n\n\n\n

\n

Dizer que a humanidade est\u00e1 madura para a regenera\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa que todos os indiv\u00edduos estejam no mesmo degrau, mas muitos t\u00eam, por intui\u00e7\u00e3o, o germe das ideias novas que as circunst\u00e2ncias far\u00e3o desabrochar. Ent\u00e3o, eles se mostrar\u00e3o mais avan\u00e7ados do que se possa supor e seguir\u00e3o com empenho a iniciativa da maioria7<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n


H\u00e1, entretanto, os que s\u00e3o essencialmente refrat\u00e1rios a essas ideias, mesmo entre os mais inteligentes, e que certamente n\u00e3o as aceitar\u00e3o, pelo menos nesta exist\u00eancia<\/strong>; em alguns casos, de boa-f\u00e9, por convic\u00e7\u00e3o; outros por interesse. S\u00e3o aqueles cujos interesses materiais est\u00e3o ligados \u00e0 atual conjuntura e que n\u00e3o est\u00e3o adiantados o suficiente para deles abrir m\u00e3o, pois o bem geral importa menos que seu bem pessoal<\/strong> \u2013 ficam apreensivos ao menor movimento reformador. A verdade \u00e9 para eles uma quest\u00e3o secund\u00e1ria, ou, melhor dizendo, a verdade para certas pessoas est\u00e1 inteiramente naquilo que n\u00e3o lhes causa nenhum transtorno. Todas as ideias progressivas s\u00e3o, de seu ponto de vista, ideias subversivas, e por isso dedicam a elas um \u00f3dio implac\u00e1vel e lhe fazem uma guerra obstinada. S\u00e3o inteligentes o suficiente para ver no Espiritismo um auxiliar das ideias progressistas e dos elementos da transforma\u00e7\u00e3o que temem e, por n\u00e3o se sentirem \u00e0 sua altura, eles se esfor\u00e7am por destru\u00ed- lo<\/strong>. Caso o julgassem sem valor e sem import\u00e2ncia, n\u00e3o se preocupariam com ele. N\u00f3s j\u00e1 o dissemos em outro lugar: \u201cQuanto mais uma ideia \u00e9 grandiosa, mais encontra advers\u00e1rios, e pode-se medir sua import\u00e2ncia pela viol\u00eancia dos ataques dos quais seja objeto\u201d.<\/p>\n\n\n\n


O n\u00famero de retardat\u00e1rios \u00e9 ainda grande, sem d\u00favida, mas o que podem eles contra a onda que sobe, sen\u00e3o lan\u00e7ar nela algumas pedras? Essa onda \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o que se ergue, ao passo que eles desaparecem com a gera\u00e7\u00e3o que se vai cada dia a largos passos. At\u00e9 a\u00ed, defender\u00e3o o terreno passo a passo; h\u00e1, pois, uma luta inevit\u00e1vel, mas uma luta desigual, porque \u00e9 aquela do passado decr\u00e9pito que cai em trapos contra o futuro jovem; da estagna\u00e7\u00e3o contra o progresso, da criatura contra a vontade de Deus, porque os tempos assinalados por Ele s\u00e3o chegados.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

Infelizmente, por tudo o que ocorreu, os indiv\u00edduos inteligentes, mas refrat\u00e1rios, encontraram espa\u00e7o para fazerem proliferar suas ideias que, hoje, entravam o progresso da humanidade. Os retardat\u00e1rios, “nem c\u00e1, nem l\u00e1”, n\u00e3o tendo em que se inspirar, apenas permaneceram, em maioria, retardat\u00e1rios. S\u00e3o Esp\u00edritos que, muitas vezes, n\u00e3o querem o mal, mas n\u00e3o tem um entendimento qualquer do que seja o bem e da necessidade da pr\u00f3pria transforma\u00e7\u00e3o, raz\u00e3o pela qual caem no conto do materialismo, operando como massas a favor dos primeiros.<\/p>\n\n\n\n

O planeta de regenera\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n

Muitos acreditam que o planeta de regenera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ado por uma imposi\u00e7\u00e3o divina, onde, num passe de m\u00e1gica, os maus ser\u00e3o expulsos e os bons conquistar\u00e3o seu merecido para\u00edso. Nada mais longe da verdade (e da raz\u00e3o). Kardec destaca que<\/p>\n\n\n\n

\n

Para que os homens sejam felizes sobre a Terra \u00e9 preciso que ela seja povoada apenas por bons Esp\u00edritos, encarnados e desencarnados, que s\u00f3 queiram o bem. Esse tempo tendo chegado, uma grande emigra\u00e7\u00e3o acontecer\u00e1 nesse momento entre seus habitantes. Os que fazem o mal pelo mal e n\u00e3o s\u00e3o tocados pelo sentimento do bem, n\u00e3o sendo mais digno da Terra transformada, ser\u00e3o exclu\u00eddos, porque trariam de novo a disc\u00f3rdia e a confus\u00e3o e seriam um obst\u00e1culo ao progresso. Esses v\u00e3o expiar seu endurecimento uns em mundos inferiores, outros entre ra\u00e7as terrestres atrasadas que ser\u00e3o o equivalente aos mundos inferiores, onde levar\u00e3o seus conhecimentos adquiridos e que ter\u00e3o por miss\u00e3o faz\u00ea-los avan\u00e7ar. Ser\u00e3o substitu\u00eddos por Esp\u00edritos melhores que far\u00e3o reinar entre eles a justi\u00e7a, a paz e a fraternidade.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

O planeta Terra somente se transformar\u00e1 para melhor quando os Esp\u00edritos que nela encarnam tiverem se transformado para melhor. Essa transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o se dar\u00e1 num \u00e1timo temporal, contudo: ela se faz no dia-a-dia, no processo de desencarna\u00e7\u00e3o e encarna\u00e7\u00e3o de Esp\u00edritos, pois uma parte dos Esp\u00edritos que antes encarnavam aqui, n\u00e3o mais encarnar\u00e3o, por n\u00e3o estarem mais aptos a viverem aqui.<\/p>\n\n\n\n

Isso, \u00e9 claro, demonstra a lentid\u00e3o desse processo. Contudo, esse processo pode ser alavancado<\/em> por uma nova ordem de ideias, quais as do Espiritismo, que nasceu justamente para isso:<\/p>\n\n\n\n

\n

A nova gera\u00e7\u00e3o, devendo fundar a era do progresso moral, distingue-se por uma intelig\u00eancia e uma raz\u00e3o geralmente precoces, somadas ao sentimento inato do bem e das cren\u00e7as espiritualistas. \u00c9 o sinal incontest\u00e1vel de um certo grau de adiantamento anterior. N\u00e3o ser\u00e1 jamais composta exclusivamente de Esp\u00edritos eminentemente superiores, mas dos que, tendo j\u00e1 progredido, est\u00e3o dispostos a assimilar todas as ideias progressivas e aptos a secundar o movimento regenerador.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

N\u00e3o devemos crer, por\u00e9m, que todos os retardat\u00e1rios ser\u00e3o expulsos da Terra, embora essa ideia agrade a muitos de n\u00f3s, por julgarmos que assim seria melhor, a fim de nos livrarmos<\/em> daqueles que causam embara\u00e7o \u00e0 felicidade geral. Precisamos reconhecer que \u00e9 um pensamento bastante mesquinho e, tamb\u00e9m, ausente de raz\u00e3o. Explica o codificador:<\/p>\n\n\n\n

\n

N\u00e3o se deve entender por essa emigra\u00e7\u00e3o de Esp\u00edritos que todos aqueles retardat\u00e1rios ser\u00e3o expulsos da Terra e relegados a mundos inferiores. Pelo contr\u00e1rio, muitos voltar\u00e3o, porque haviam cedido \u00e0 influ\u00eancia das circunst\u00e2ncias e do mal exemplo. Neles, a apar\u00eancia era pior que a ess\u00eancia. Uma vez livres da influ\u00eancia da mat\u00e9ria e dos preconceitos do mundo corporal, a maior parte desses Esp\u00edritos ver\u00e1 as coisas de maneira completamente diferente de como as viam em vida, o que est\u00e1 de acordo com numerosos exemplos. Nesse caso, s\u00e3o ajudados pelos Esp\u00edritos ben\u00e9volos, que se interessam por eles e se apressam a esclarec\u00ea-los e a mostrar o caminho equivocado que tinham seguido<\/strong>. Pelas nossas preces e exorta\u00e7\u00f5es, podemos n\u00f3s mesmos contribuir para sua melhora porque h\u00e1 uma solidariedade perp\u00e9tua entre os mortos e os vivos.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

Olhemos para esses que nos desagradam, por nos julgarmos superiores. Reconhecemos que, em muitos, realmente existem os maus h\u00e1bitos e as imperfei\u00e7\u00f5es que chegam a causar inc\u00f4modos gerais. Contudo, observ\u00eamo-los mais a fundo: que \u00e9 que h\u00e1 de mal, neles? Muitas vezes, nada. S\u00e3o Esp\u00edritos que, na vida material observada, esquecidos dos prop\u00f3sitos maiores da evolu\u00e7\u00e3o, apenas se encontram absortos em suas preocupa\u00e7\u00f5es ou alegrias passageiras, como n\u00f3s tantas vezes estivemos. N\u00e3o s\u00e3o criaturas repugnantes, mas apenas Esp\u00edritos que, na vida presente, n\u00e3o puderam aprender e se desenvolver como os outros, mas que, ainda assim, t\u00eam a simpatia dos bons Esp\u00edritos e deveriam ter tamb\u00e9m a nossa, para que, saindo de nosso ego\u00edsmo, possamos estender-lhes a palavra amiga, se poss\u00edvel o conhecimento e, ao menos, o bom pensamento, atrav\u00e9s da prece. Consegue imaginar a alegria de ver, amanh\u00e3, reencarnando conosco, aquele que antes causava a inquieta\u00e7\u00e3o, agora mais concernido do bem e da sua necessidade de progresso?<\/p>\n\n\n\n

\n

A regenera\u00e7\u00e3o da humanidade n\u00e3o tem absolutamente necessidade da renova\u00e7\u00e3o integral dos Esp\u00edritos, pois basta uma modifica\u00e7\u00e3o em suas disposi\u00e7\u00f5es morais. Essa modifica\u00e7\u00e3o se opera entre todos aqueles que est\u00e3o predispostos, toda vez que sejam subtra\u00eddos da influ\u00eancia perniciosa do mundo. Portanto, aqueles que retornam nem sempre s\u00e3o outros Esp\u00edritos, mas, frequentemente, os mesmos Esp\u00edritos, pensando e sentindo de outra forma.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

Os cataclismos, as mortes em massa, longe de servirem para cumprirem um “carma coletivo” (sic8<\/a><\/sup> ), cumprem as leis da Natureza. Ainda assim, aceleram as modifica\u00e7\u00f5es sociais:<\/p>\n\n\n\n

\n

Quando esse melhoramento \u00e9 isolado e individual, ele passa despercebido e fica sem influ\u00eancia ostensiva sobre o mundo. Outro efeito acontece quando o melhoramento se produz simultaneamente sobre grandes massas, pois ent\u00e3o, conforme as propor\u00e7\u00f5es numa gera\u00e7\u00e3o, as ideias de um povo ou de uma ra\u00e7a podem ser profundamente modificadas.<\/p>\n\n\n\n

\u00c9 o que se nota quase sempre ap\u00f3s as grandes calamidades dizimarem as popula\u00e7\u00f5es. Os flagelos destruidores destroem apenas os corpos, mas n\u00e3o atingem o Esp\u00edrito. Elesativam o movimento de ingresso e sa\u00edda entre o mundo corporal e o espiritual e, por conseguinte, o movimento progressivo dos Esp\u00edritos encarnados e desencarnados. \u00c9 de se notar que, em todas as \u00e9pocas da hist\u00f3ria, \u00e0s grandes crises sociais se seguiram eras de progresso.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

Conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n

Est\u00e1 muito claro, portanto, que as modifica\u00e7\u00f5es sociais n\u00e3o se dar\u00e3o pela ordem da imposi\u00e7\u00e3o, nem a pol\u00edtica, nem a das armas, nem a das leis humanas e, ainda muito menos, pela a\u00e7\u00e3o do “dedo de Deus”, quem em nada interfere em nosso avan\u00e7o<\/a>.<\/p>\n\n\n\n

N\u00e3o: o avan\u00e7o social ser\u00e1 uma consequ\u00eancia do avan\u00e7o moral, e isto somente se dar\u00e1 pela retomada, justamente, da moral esquecida, e ser\u00e1 impulsionada se for combinada com o conhecimento pr\u00e1tico trazido pelo Espiritismo, capaz de causar uma revolu\u00e7\u00e3o de ideias a n\u00edvel individual e, da\u00ed, para a sociedade. \u00c9 \u00f3bvio<\/strong>, pelo exposto, que essa revolu\u00e7\u00e3o de ideias est\u00e1 ligada \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o moral do indiv\u00edduo, e n\u00e3o ao emprego deste ou daquele vi\u00e9s pol\u00edtico \u2014 n\u00e3o custa repetir.<\/p>\n\n\n\n

\n

N\u00e3o vos deixeis cair tamb\u00e9m nesse la\u00e7o. Em vossas reuni\u00f5es, afastai cuidadosamente tudo quando se refere \u00e0 pol\u00edtica e a quest\u00f5es irritantes. A tal respeito, as discuss\u00f5es apenas suscitar\u00e3o embara\u00e7os, enquanto ningu\u00e9m ter\u00e1 nada a objetar \u00e0 moral, quanto esta for boa.<\/p>\n\n\n\n

Procurai no Espiritismo aquilo que vos pode melhorar. Eis o essencial. Quando os homens forem melhores, as reformas sociais realmente \u00fateis ser\u00e3o uma consequ\u00eancia natural. Trabalhando pelo progresso moral, lan\u00e7areis os verdadeiros e mais s\u00f3lidos fundamentos de todas as melhoras.<\/strong><\/p>\nRevista esp\u00edrita \u2014 Jornal de estudos psicol\u00f3gicos \u2014 1862 > fevereiro > Resposta \u00e0 mensagem de ano novo dos Esp\u00edritas lioneses<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

Em outras palavras, n\u00e3o adianta subir ao palanque ou ir \u00e0s ruas com cartazes pedindo mudan\u00e7as, quando n\u00f3s mesmos n\u00e3o fazemos a nossa parte. A mudan\u00e7a modifica pelo exemplo, contagia, porque todo mundo quer ser feliz (\u00e9 por isso que, misturando alegrias<\/em> com felicidade<\/em>, os perfis do Instagram de pessoas ricas e “bem de vida” ganham tantos seguidores).<\/p>\n\n\n\n

Cuidemos, portanto, de nos melhorar, pela consequ\u00eancia moral que tem todo o estudo do Espiritismo. Cuidemos, tamb\u00e9m, de fazer a nossa parte: de estudar essa Doutrina, com dedica\u00e7\u00e3o, de modo a bem compreend\u00ea-la, espalhando sua real face de ci\u00eancia consoladora, afastada dos dogmas e das ideias que materializam e aprisionam o Esp\u00edrito nos falsos conceitos de pecado, castigo, etc. Nos esforcemos por recuperar os conhecimentos dos grandes fil\u00f3sofos espiritualistas, mas tamb\u00e9m os conhecimentos esquecidos do Magnetismo. Nos empenhemos em levar, \u00e0 sociedade, tamb\u00e9m esses conceitos, come\u00e7ando por nos esfor\u00e7ar em fazer, do ensino infantil, algo melhor, mais aut\u00f4nomo e cooperativo, fraterno, afastado das ideias de castigos, das recompensas e dos “jeitinhos”, baseado, enfim, na educa\u00e7\u00e3o de grandes pensadores humanistas, como Rousseau e Pestalozzi, que primavam pela raz\u00e3o e na humildade na persegui\u00e7\u00e3o das respostas, atrav\u00e9s do m\u00e9todo cient\u00edfico… E, ent\u00e3o, estaremos tra\u00e7ando um novo caminho para a mudan\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n

Foto de capa: CONSELHO ESP\u00cdRITA INTERNACIONAL (CEI) – https:\/\/cei-spiritistcouncil.com\/obras-de-allan-kardec-para-download\/<\/p>\n

\n\t\t\t
\n\t\t\t <\/div><\/div>\n\t\t