{"id":2332,"date":"2021-09-29T14:13:28","date_gmt":"2021-09-29T17:13:28","guid":{"rendered":"https:\/\/geolegadodeallankardec.com.br\/?p=2332"},"modified":"2023-09-24T15:20:13","modified_gmt":"2023-09-24T18:20:13","slug":"serait-allan-kardec-raciste-sexiste-homophobe-etc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/fr\/artigos\/historia-do-espiritismo\/seria-allan-kardec-racista-machista-homofobico-etc\/","title":{"rendered":"Allan Kardec serait-il raciste, sexiste, homophobe, etc ?"},"content":{"rendered":"
<\/a>
<\/a><\/div>\nTriste \u00e9poca, aquela da escravid\u00e3o e da segrega\u00e7\u00e3o, j\u00e1 em muito superada. Hoje, n\u00e3o falamos mais em “ra\u00e7as”, pois sabemos que s\u00f3 existe uma ra\u00e7a: a humana. Hoje, em grande maioria, sobretudo na nossa sociedade brasileira, os negros se integram e participam ativamente, enfrentando, ainda, algumas dificuldades, mas que decrescem dia ap\u00f3s dia, com o avan\u00e7o humano. Dessa \u00e9poca, surgem algumas falas de Allan Kardec, racistas aos olhos de hoje. Dizem, assim que ele seria racista, sem uma compreens\u00e3o da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n
O erro, sempre, est\u00e1 em querer confundir Allan Kardec com o Espiritismo. O Espiritismo existe por si s\u00f3, como fato da natureza. Kardec dedicou-se a estud\u00e1-lo. Nunca imp\u00f4s suas ideias ou suas verdades para a Doutrina. Ali\u00e1s, como veremos, foi por esse estudo que ele p\u00f4de verificar o negro, a mulher e at\u00e9 o homossexual, como veremos, por outro \u00e2ngulo, como nunca antes nenhuma filosofia havia feito.<\/p>\n\n\n\n
Resta lembrar que o conceito de ra\u00e7as era um conceito cient\u00edfico da \u00e9poca, que s\u00f3 veio ser superado no final do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n
A frase em quest\u00e3o, utilizada para afirmarem que Allan Kardec seria racista, pertence a um artigo muito mais completo e profundo<\/strong>, publicado na Revista Esp\u00edrita de abril de 1862 e que justamente vem de encontro com a ideia racista, demolindo-a<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n “Assim, como organiza\u00e7\u00e3o f\u00edsica, os negros ser\u00e3o sempre os mesmos; como Esp\u00edritos, trata-se, sem d\u00favida, de uma ra\u00e7a inferior, isto \u00e9, primitiva; s\u00e3o verdadeiras crian\u00e7as \u00e0s quais muito pouco se pode ensinar […]”<\/p>\nAllan Kardec, R.E, abril de 1862<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n \u00c9, contudo, a velha mania do ser humano<\/strong>, cultivada at\u00e9 hoje: isola-se uma frase, retirando-a de todo um contexto, e apresenta-se como prova cabal do ponto contr\u00e1rio que se quer provar, quase sempre com vistas a denegrir a imagem de outrem.<\/strong><\/p>\n\n\n\n Precisamos lembrar que Allan Kardec, ele se encontrava na Fran\u00e7a etnoc\u00eantrica <\/strong>de meados de 1800, quando toda a sociedade SEQUER atribu\u00eda uma alma aos negros<\/strong> e quando a pr\u00f3pria ci\u00eancia adotava um conceito racista<\/em>:<\/p>\n\n\n\n No s\u00e9culo XIX<\/strong>, iniciou-se o processo do neocolonialismo<\/a> ou imperialismo europeu. A Inglaterra, a Fran\u00e7a, a Alemanha e outras pot\u00eancias capitalistas europeias investiram em novas pol\u00edticas de expans\u00e3o territorial<\/strong> e, praticamente, dividiram entre si os territ\u00f3rios da \u00c1frica<\/a>, da \u00c1sia<\/a> e da Oceania.<\/p>\n\n\n\n Para justificar a explora\u00e7\u00e3o das riquezas daqueles lugares e a pol\u00edtica de segrega\u00e7\u00e3o racial<\/a>, os europeus tiveram que buscar uma justificativa cient\u00edfica<\/strong>, pois, no s\u00e9culo XIX, a ci\u00eancia j\u00e1 estava amplamente divulgada e a religi\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o era mais suficiente para justificar qualquer tipo de a\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n Nesse sentido, a antropologia<\/strong> surgiu como uma tentativa de criar teorias cient\u00edficas que justificassem a explora\u00e7\u00e3o dos povos de fora da Europa pelos povos europeus. As primeiras teorias dessa \u00e1rea, desenvolvidas pelo bi\u00f3logo e ge\u00f3grafo ingl\u00eas Herbert Spencer, afirmavam que havia uma esp\u00e9cie de hierarquia das ra\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n Nessa perspectiva, os brancos europeus eram superiores, seguidos pelos asi\u00e1ticos, pelos \u00edndios e pelos africanos, sendo os \u00faltimos os menos desenvolvidos. Essa corrente ficou conhecida como darwinismo<\/strong> social<\/strong><\/a> ou evolucionismo social<\/strong>, pois se apropriou da teoria da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de Charles Darwin<\/a> e aplicou-a no campo sociol\u00f3gico[…]<\/p>\nFrancisco Porf\u00edrio – Brasil Escola – https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/sociologia\/etnocentrismo.htm<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n Diz Paulo Henrique de Figueiredo, em A G\u00eanese (ed. FEAL, 2022):<\/p>\n\n\n\n Quando Allan Kardec escreveu esta obra, a hierarquiza\u00e7\u00e3o evolutiva das ent\u00e3o consideradas ra\u00e7as humanas n\u00e3o era vista como racismo, mas adotada por cientistas eminentes como Cuvier, Charles Darwin, Buchner, ou Carl Vogt, que afirmou: \u201cLogo que os jovens negros atingem o per\u00edodo da puberdade, assiste-se a um fen\u00f4meno id\u00eantico ao que ocorre nos macacos. Doravante, as faculdades intelectuais permanecem estacion\u00e1rias e o indiv\u00edduo, tal como toda a ra\u00e7a, torna-se incapaz de qualquer progresso\u201d (Le\u00e7ons sur l\u2019homme. p. 253). <\/p>\n\n\n\n Esse entendimento era hegem\u00f4nico no meio cient\u00edfico, contextualizando assim as descri\u00e7\u00f5es ultrapassadas aqui desenvolvidas, pertencentes \u00e0 Ci\u00eancia da \u00e9poca, e n\u00e3o ao Espiritismo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n Allan Kardec, foi, por isso, levado a cometer esse erro de julgamento, racista para os olhos de hoje, baseado em alguns preconceitos e conceitos cient\u00edficos da \u00e9poca. Por outro lado, demonstrou, pelos estudos do Espiritismo, que todos os seres humanos possuem almas que, inclusive, podem reencarnar onde quer que seja e sob qualquer cor, “ra\u00e7a” ou credo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n Vejamos: Kardec julgava os negros a partir do ponto de vista dos conceitos da \u00e9poca, que os admitia apenas como selvagens<\/strong>, oriundos das selvas africanas, todos muito aqu\u00e9m de qualquer civiliza\u00e7\u00e3o e cultura. \u00c9 nesse erro de fundamento que Kardec se baseia para dizer: “como Esp\u00edritos, trata-se, sem d\u00favida, de uma ra\u00e7a inferior, isto \u00e9, primitiva”. Era um conceito da ci\u00eancia da \u00e9poca, pautada pelo racismo, at\u00e9 mesmo por conta de interesses!<\/p>\n\n\n\n Contudo, se passarmos al\u00e9m desse pensamento de Allan Kardec<\/strong>, racista por defini\u00e7\u00e3o, estudando a Doutrina Esp\u00edrita a fundo<\/strong>, veremos que ela contraria, repito,<\/strong> todo e qualquer preconceito racial, sexual ou de castas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n Recuperemos, ali\u00e1s, trechos do artigo em quest\u00e3o, muito importantes:<\/p>\n\n\n\n Diz-se<\/strong> a respeito dos negros escravos: \u201cS\u00e3o seres t\u00e3o brutos, t\u00e3o pouco inteligentes, que seria v\u00e3o esfor\u00e7o querer instru\u00ed-los. S\u00e3o uma ra\u00e7a inferior, incorrig\u00edvel, profundamente incapaz.\u201d A teoria que acabamos de apresentar permite encar\u00e1-los sob outro prisma<\/strong>. Na quest\u00e3o do aperfei\u00e7oamento das ra\u00e7as \u00e9 sempre necess\u00e1rio levar em considera\u00e7\u00e3o dois elementos constitutivos do homem: o elemento espiritual e o corporal. \u00c9 preciso conhecer ambos, e s\u00f3 o Espiritismo nos pode esclarecer quanto \u00e0 natureza do elemento espiritual, o mais importante, por ser o que pensa e o que sobrevive, ao passo que o corporal se destr\u00f3i.<\/p>\nAllan Kardec, R.E. abril de 1862<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n Aqui fica muito evidente, principalmente para quem leu todo o artigo, que Kardec justamente traz a quest\u00e3o em voga, naquele momento, para a an\u00e1lise sob outro prisma – o do Espiritismo – que poderia trazer uma outra forma de interpretar o assunto. Vamos seguir, apresentando o par\u00e1grafo completo de onde foi extra\u00eddo a frase citada:<\/p>\n\n\n\n Assim, como organiza\u00e7\u00e3o f\u00edsica, os negros ser\u00e3o sempre os mesmos. Como Esp\u00edritos, s\u00e3o inquestionavelmente uma ra\u00e7a inferior, isto \u00e9, primitiva. S\u00e3o verdadeiras crian\u00e7as \u00e0s quais muito pouco se pode ensinar. Mas, por meio de cuidados inteligentes \u00e9 sempre poss\u00edvel modificar certos h\u00e1bitos, certas tend\u00eancias, o que j\u00e1 representa um progresso que levar\u00e3o para outra exist\u00eancia, e que lhes permitir\u00e1, mais tarde, tomar um envolt\u00f3rio de melhores condi\u00e7\u00f5es. Trabalhando por sua melhoria, trabalha-se menos pelo seu presente que por seu futuro e, por pouco que se consiga, para eles \u00e9 sempre uma aquisi\u00e7\u00e3o. Cada progresso \u00e9 um passo \u00e0 frente que facilita novos progressos.<\/p>\nibidem<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n Vemos, como apresentado, que Allan Kardec partiu de um fundamento errado, racista, baseado em conceitos cient\u00edficos, sociais e culturais da \u00e9poca \u2014 o de que os negros seriam uma “ra\u00e7a” selvagem e sem conhecimentos e o de que os brancos constituiriam uma ra\u00e7a superior \u2014 num contexto, onde muito provavelmente, ou ele sequer tinha contato com negros, ou, hip\u00f3tese mais razo\u00e1vel, que ele apenas os conhecia de sua posi\u00e7\u00e3o socialmente inferior, posto que a escravatura na Fran\u00e7a foi apenas abolida em 1848. Contudo, logo em seguida, ele adiciona que, por mais que pudessem constituir uma “ra\u00e7a” inferior, esses Esp\u00edritos, que ora ocupavam um corpo tido como “inferior” ao branco \u2014 nada mais afastado da realidade \u2014 atrav\u00e9s de sua progress\u00e3o espiritual, ocupariam “envolt\u00f3rios melhores”. Isso est\u00e1 mais ou menos expresso no seguinte pensamento, da Revista Esp\u00edrita de novembro de 1858: “a Doutrina Esp\u00edrita \u00e9 mais ampla do que tudo isto. Para ela, n\u00e3o existem v\u00e1rias esp\u00e9cies de homens; simplesmente existem homens cujo Esp\u00edrito \u00e9 mais ou menos atrasado, suscept\u00edvel, entretanto, de progredir<\/strong>“.<\/p>\n\n\n\n Kardec segue adiante e reproduz o pensamento reinante, naquele momento, a respeito do corpo f\u00edsico constituinte da “ra\u00e7a negra”: “Por isso a ra\u00e7a negra, enquanto ra\u00e7a negra, corporalmente falando, jamais atingir\u00e1 os n\u00edveis das ra\u00e7as cauc\u00e1sicas, mas como Esp\u00edritos \u00e9 outra coisa: pode tornar-se e tornar-se-\u00e1 aquilo que somos. Apenas necessitar\u00e1 de tempo e de melhores instrumentos.<\/em>“<\/p>\n\n\n\n \u00c9 repugnante aos nossos olhos, hoje? Sim, \u00e9.<\/strong> E \u00e9 algo sobre o que precisamos discutir, de forma n\u00e3o anacr\u00f4nica, a fim de entendermos e separarmos o pensamento do homem, imperfeito, do pensamento expresso pela ci\u00eancia Esp\u00edrita, como em tudo.<\/p>\n\n\n\n Observe que Kardec tomava um ponto de vista baseado na ci\u00eancia humana e na ci\u00eancia dos Esp\u00edritos. Pela primeira, baseou-se nas ideias de ra\u00e7as, exprimindo, assim, um pensamento errado. Pela segunda, acertou ao entender que somos todos iguais. O Espiritismo, portanto, n\u00e3o \u00e9 racista, mas muito pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n Compete, tamb\u00e9m, fazer uma outra observa\u00e7\u00e3o: Kardec n\u00e3o via<\/strong> o negro como ser que n\u00e3o devesse ter os mesmos respeito, caridade, fraternidade e amor, como devemos a todos os outros. Vemos isso muito bem expresso na Revista Esp\u00edrita de junho de 1859, quando um homem negro, falecido, \u00e9 evocado, e se exprime assim: <\/p>\n\n\n\n 4. \u2500 No entanto, \u00e9reis livre. Em que vos sentis mais feliz agora? Ao que Kardec faz a seguinte nota:<\/p>\n\n\n\n NOTA: Esta resposta \u00e9 mais sensata do que parece \u00e0 primeira vista. Com certeza jamais o Esp\u00edrito \u00e9 negro<\/em>. Ele quer dizer que, como Esp\u00edrito, n\u00e3o tem mais as humilha\u00e7\u00f5es \u00e0s quais est\u00e1 sujeita a ra\u00e7a negra.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n Ora, necess\u00e1rio, ent\u00e3o, se faz entender essa quest\u00e3o, no contexto hist\u00f3rico certo, pelos dois lados: de um lado, Kardec, o branco, europeu, que acreditava ser o negro uma “ra\u00e7a” inferior, mas que entendia que se tratava de irm\u00e3o nosso, Esp\u00edrito como n\u00f3s, que tamb\u00e9m sofria pelas humilha\u00e7\u00f5es e que desejava ser feliz. Do outro lado, o negro, que n\u00e3o apenas se sentia, mas que era humilhado e maltratado, por conta de sua cor de pele. Seria muito supor que, nesse contexto bem espec\u00edfico, muito diferente do que \u00e9 hoje a sociedade moderna (em grande parte), o Esp\u00edrito que encarnou em um corpo negro quisesse deixar de ser negro em uma pr\u00f3xima vida? Isso fica patente no pensamento do Esp\u00edrito (Pai C\u00e9sar):<\/p>\n\n\n\n 10. (Ao Pai C\u00e9sar) \u2500 Dissestes que procurais um corpo com qual possais avan\u00e7ar. Escolhereis um corpo branco ou preto? Partindo do ponto de vista que o negro era tratado como animal, enfrentando dificuldades acerbas, seria muito supor que, nessa \u00e9poca, um Esp\u00edrito escolhesse encarnar em um corpo negro de modo a enfrentar as imensas dificuldades que essa vida lhe ofereceria, aprendendo com elas? Hoje, viver como negro n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o sofrido como era nessa \u00e9poca e, com a evolu\u00e7\u00e3o do ser humano, as expia\u00e7\u00f5es escolhidas pelos Esp\u00edritos seriam outras. A quest\u00e3o, sempre, para bem entender essas dif\u00edceis quest\u00f5es, \u00e9 separar Esp\u00edrito e corpo, al\u00e9m de contextualizar termos e ideias conforme \u00e9poca, hist\u00f3ria e contexto social.<\/p>\n\n\n\n Importa lembrar, tamb\u00e9m, que, se Kardec foi, de certa forma, preconceituoso, por outro lado n\u00e3o foi escravagista nem sequer segregacionista<\/strong> ou, se um dia o foi, mudou sua opini\u00e3o quando de contato com a ci\u00eancia esp\u00edrita:<\/p>\n\n\n\n 829. Haver\u00e1 homens que estejam, por natureza, destinados a ser propriedade de outros homens?<\/em><\/p>\n\n\n\n \u201c\u00c9 contr\u00e1ria \u00e0 lei de Deus toda sujei\u00e7\u00e3o absoluta de um homem a outro homem. A escravid\u00e3o \u00e9 um abuso da for\u00e7a. Desaparece com o progresso, como gradativamente desaparecer\u00e3o todos os abusos.\u201d<\/p>\n\n\n\n\n
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\u2500 Porque meu Esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9 mais negro<\/em>.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n\n
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\u2500 Um branco, porque o desprezo me faria mal<\/strong>.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n\n