As ci\u00eancias psicol\u00f3gicas tratam das leis naturais que regem a natureza humana. E essas leis s\u00e3o de duas esp\u00e9cies, as experimentais ou emp\u00edricas, exprimindo os resultados da experi\u00eancia do esp\u00edrito humano tal como ele \u00e9, e as outras s\u00e3o ideais, representando o fim para o qual devemos encaminhar nossas faculdades por meio da evolu\u00e7\u00e3o, ou tal qual elas deveriam ser. O estudo do ser humano em seu estado real \u00e9 a psicologia experimental propriamente dita.<\/em> (FIGUEIREDO, 2019)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\nKardec, o Sr Fortier e as mesas girantes<\/h2>\n\n\n\n
Ali\u00e1s, neste momento, interrompemos para voltar a Kardec, que conta sobre seu contato com o Sr. Fortier, conhecido magnetizador<\/em>:<\/p>\n\n\n\nFoi em 1854 que pela primeira vez ouvi falar das mesas girantes. Encontrei um dia o Senhor Fortier a quem eu conhecia desde muito e que me disse: J\u00e1 sabe da singular propriedade que se acaba de descobrir no Magnetismo? Parece que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o somente as pessoas que se podem magnetizar, mas tamb\u00e9m as mesas, conseguindo-se que elas girem e caminhem \u00e0 vontade. \u2013 \u2018\u00c9, com efeito, muito singular, respondi; mas, a rigor, isso n\u00e3o me parece radicalmente imposs\u00edvel. O fluido magn\u00e9tico, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de eletricidade, pode perfeitamente atuar sobre os corpos inertes e fazer que eles se movam\u2019. Os relatos, que os jornais publicaram, de experi\u00eancias feitas em Nantes, em Marselha, e em algumas outras cidades, n\u00e3o permitiam d\u00favidas acerca da realidade do fen\u00f4meno.<\/p>Kardec, A., Obras P\u00f3stumas, Rio: FEB, 1964. p. 237<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\nNota-se que Kardec aceitava tranquilamente os fen\u00f4menos em quest\u00e3o, sendo que a mesa girante n\u00e3o foi seu primeiro contato com o magnetismo. Contudo, pouco tempo depois, um novo epis\u00f3dio vai marcar para sempre<\/em> sua hist\u00f3ria com o Espiritismo nascente: <\/p>\n\n\n\nAlgum tempo depois, encontrei-me novamente com o Sr. Fortier, que me disse: Temos uma coisa muito mais extraordin\u00e1ria; n\u00e3o s\u00f3 se consegue que uma mesa se mova, magnetizando-a, como tamb\u00e9m que fale. Interrogada, ela responde<\/strong>. \u2013 Isto agora, repliquei-lhe, \u00e9 outra quest\u00e3o. S\u00f3 acreditarei quando o ver e quando me provarem que uma mesa tem c\u00e9rebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se son\u00e2mbula<\/em><\/strong>. At\u00e9 l\u00e1, permita que eu n\u00e3o veja no caso mais do que um conto para fazer-nos dormir em p\u00e9.\u201d [grifos nossos] <\/p>ibidem<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\nVoltando ao artigo em quest\u00e3o…<\/h2>\n\n\n\n
Tudo que foi acima exposto nos serve para possamos compreender, racionalmente<\/em>, a l\u00f3gica que levava Kardec a aceitar t\u00e3o tranquilamente isolamento<\/em> (e o movimento) dos corpos pesados. Segue ele fazendo an\u00e1lise parecida com aquela feita ante ao relato do sr Fortier, quando dissera que as mesas respondiam inteligentemente: se h\u00e1 intelig\u00eancia, h\u00e1 uma causa inteligente. Onde, pois, estar\u00e1 essa causa?<\/p>\n\n\n\n\u00c9 importante destacar, conforme Kardec demonstra no artigo, que precisamos ter muita calma para analisar tais fatos e seus relatos, a fim de que a imagina\u00e7\u00e3o sobreexcitada n\u00e3o fa\u00e7a o fen\u00f4meno parecer \u201cpasse de m\u00e1gica\u201d: para se chegar ao levantamento de um corpo pesado, s\u00e3o necess\u00e1rias muita concentra\u00e7\u00e3o e diversas investidas, com as quais o fen\u00f4meno parece ganhar cada vez mais for\u00e7a, n\u00e3o acontecendo num estalar de dedos.<\/p>\n\n\n\n
Tamb\u00e9m \u00e9 digno de nota que Kardec menciona que os fatos obtidos \u201cem casa do Sr. B\u2026\u201d se deram repetidamente, mesmo sem o contato das m\u00e3os e na presen\u00e7a de diversas testemunhas, inclusive daquelas \u201cmuito pouco simp\u00e1ticas\u201d e que n\u00e3o deixariam de levantar suspeita se tivessem motivo para tal. O mesmo tipo de fen\u00f4meno tamb\u00e9m ocorria facilmente em diversas outras casas.<\/p>\n\n\n\n
Recomenda\u00e7\u00f5es de Leitura<\/h2>\n\n\n\n
Para aprofundar o estudo, recomendamos, al\u00e9m das obras \u201cFen\u00f4menos de Transporte\u201d e \u201cO Espiritismo e as Manifesta\u00e7\u00f5es Supranormais\u201d, de Ernesto Bozzano, o estudo de O Livro dos M\u00e9diuns, onde, nos cap\u00edtulos I, II, III, IV e V da Segunda Parte, uma extensa abordagem te\u00f3rica sobre o assunto \u00e9 realizada.<\/p>\n\n\n\n
Tamb\u00e9m recomendamos o livro “Autonomia: a hist\u00f3ria jamais contada do Espiritismo<\/em>“, por Paulo Henrique de Figueiredo<\/p>\n\n\n\n
\n\n\n\n- \u00c9 por isso que a Revista Esp\u00edrita recebe o nome \u201cJornal de Estudos Psicol\u00f3gicos\u201d, em perfeita concord\u00e2ncia com o entendimento das ci\u00eancias morais no contexto hist\u00f3rico e social de Allan Kardec.<\/em><\/li>
- FIGUEIREDO, Paulo Henrique de. Autonomia: a hist\u00f3ria jamais contada do Espiritismo, 2019, editora FEAL<\/li><\/ol>\n
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