https:\/\/kardecpedia.com\/roteiro-de-estudos\/2\/o-livro-dos-espiritos<\/a>. Acesso em: 20 abr. 2023.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n87. Ocupam os Esp\u00edritos uma regi\u00e3o determinada e circunscrita no espa\u00e7o?<\/em><\/p>\n\n\n\n\u201cEst\u00e3o por toda parte. Povoam infinitamente os espa\u00e7os infinitos<\/strong>. V\u00f3s os tendes de cont\u00ednuo a vosso lado, observando-vos e sobre v\u00f3s atuando, sem o perceberdes, pois que os Esp\u00edritos s\u00e3o uma das pot\u00eancias da natureza e os instrumentos de que Deus se serve para a execu\u00e7\u00e3o de seus des\u00edgnios providenciais. Nem todos, por\u00e9m, v\u00e3o a toda parte, pois h\u00e1 regi\u00f5es interditas aos menos adiantados<\/strong>.\u201d<\/p>\n\n\n\nRecorrendo \u00e0 quest\u00e3o 87, note: “Os Esp\u00edritos est\u00e3o por toda parte. Povoam infinitamente os espa\u00e7os infinitos”. Espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 Universo. O Espa\u00e7o \u00e9 infinito; o Universo, n\u00e3o. Universo \u00e9 material, c\u00edclico, tem come\u00e7o e tem fim, assim como a mat\u00e9ria. O Espa\u00e7o, n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n
Quando, ao final, ele assevera que “h\u00e1 regi\u00f5es interditas aos menos adiantados<\/strong>“, Neto tomou uma frase figurativa por uma frase literal. Ainda assim, se considerarmos o fato de que os menos adiantados n\u00e3o se desprendem do cen\u00e1rio material com facilidade, podemos facilmente supor a dificuldade de viver em regi\u00f5es materiais que d\u00e3o lugar a encarna\u00e7\u00f5es de Esp\u00edritos mais adiantados. <\/p>\n\n\n\nDe volta \u00e0 RE, temos em 1858, “O Tambor de Berezina”: <\/p>\n\n\n\n
\n28. \u2500 V\u00eas outros Esp\u00edritos ao teu redor? <\/p>\n\n\n\n
\u2500 Sim, muitos. <\/p>\n\n\n\n
29. \u2500 Como sabes que s\u00e3o Esp\u00edritos? <\/p>\n\n\n\n
\u2500 Entre n\u00f3s, vemo-nos tais quais somos. <\/p>\n\n\n\n
30. \u2500 Com que apar\u00eancia os v\u00eas? \u2500 Como se podem ver Esp\u00edritos, mas n\u00e3o pelos olhos. <\/p>\n\n\n\n
31. \u2500 E tu, sob que forma aqui est\u00e1s? <\/p>\n\n\n\n
\u2500 Sob a que tinha quando vivo, isto \u00e9, como tambor. <\/p>\n\n\n\n
32. \u2500 E v\u00eas os outros Esp\u00edritos com as formas que tinham em vida? <\/p>\n\n\n\n
\u2500 N\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o tomamos uma apar\u00eancia sen\u00e3o quando somos evocados. Fora disso vemo-nos sem forma. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n
Ainda no mesmo ano, em \u201cPalestras de al\u00e9m-t\u00famulo \u2014 Senhora Schwabenhaus. Letargia Ext\u00e1tica”: <\/p>\n\n\n\n
\n29. \u2500 Sob que forma estais entre n\u00f3s? <\/p>\n\n\n\n
\u2500 Sob minha \u00faltima forma feminina. <\/p>\n\n\n\n
30. \u2500 V\u00f3s nos vedes t\u00e3o distintamente quanto se estiv\u00e9sseis viva? <\/p>\n\n\n\n
\u2500 Sim. 31. \u2500 Desde que aqui vos encontrais com a forma que t\u00ednheis na Terra, \u00e9 pelos olhos que nos vedes?<\/p>\n\n\n\n
\u2500 N\u00e3o, o Esp\u00edrito n\u00e3o tem olhos. S\u00f3 me encontro sob minha \u00faltima forma para satisfazer \u00e0s leis que regem os Esp\u00edritos quando evocados e obrigados a retomar aquilo a que chamais perisp\u00edrito.<\/strong> <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\nNa Revista Esp\u00edrita de mar\u00e7o de 1860, Kardec, conversando (via m\u00e9diuns) com tr\u00eas Esp\u00edritos distintos, questiona um deles, o Esp\u00edrito de Charles Dupont, aquele envolvido na “Hist\u00f3ria de um Danado”, Esp\u00edrito inferior, bastante atrasado e muito ligado ainda \u00e0 mat\u00e9ria. Kardec pergunta sobre como ele v\u00ea o Esp\u00edrito do Dr. Vignal, pessoa viva, evocado para aquele estudo:<\/p>\n\n\n\n
\n53. \u2500 Vedes o Esp\u00edrito do doutor, com o qual conversamos? <\/p>\n\n\n\n
\u2500 Sim.<\/p>\n\n\n\n
54. \u2500 Como o vedes? <\/p>\n\n\n\n
\u2500 Vejo-o com um envolt\u00f3rio menos transparente que o dos outros Esp\u00edritos.<\/p>\n\n\n\n
55. \u2500 Como percebeis que ele ainda est\u00e1 vivo? <\/p>\n\n\n\n
\u2500 Os Esp\u00edritos comuns n\u00e3o t\u00eam forma aparente<\/strong>. Este tem uma forma humana; est\u00e1 envolto numa mat\u00e9ria semelhante a uma n\u00e9voa, que repete sua forma humana terrena. O Esp\u00edrito dos mortos n\u00e3o tem mais esse envolt\u00f3rio, pois est\u00e1 desprendido dele<\/strong>.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\nOu seja: os Esp\u00edritos continuam afirmando que, para eles, a forma n\u00e3o \u00e9 nada. No \u00faltimo caso, o Esp\u00edrito de Charles Dupont, sendo inferior, ele mesmo afirma o mesmo princ\u00edpio: os Esp\u00edritos comuns (desapegados) n\u00e3o t\u00eam forma aparente<\/strong>. Kardec percebe, baseado em tudo isso, que, quando afirmam em contr\u00e1rio, est\u00e3o em estado de sofrimento. Sempre. O grande erro, me permita repetir, \u00e9 querer dizer que, fora do estudo metodol\u00f3gico, basta colher algo que se diga em todo canto e isso se torna verdadeiro. Fosse assim, dever\u00edamos incluir duendes, fadas e sereias na Doutrina Esp\u00edrita.<\/p>\n\n\n\nN\u00e3o basta e n\u00e3o podemos simplesmente acreditar nos Esp\u00edritos<\/h2>\n\n\n\n
Da\u00ed em diante, Paulo Neto passa a catalogar diversas afirma\u00e7\u00f5es de Esp\u00edritos, ap\u00f3s Kardec \u2014 dentre eles Andr\u00e9 Luiz \u2014 e outras conclus\u00f5es de Esp\u00edritas ou Espiritualistas que, colocando de lado a Doutrina, ficaram com suas conclus\u00f5es parciais.<\/p>\n\n\n\n
\u00c9 um problema muito grande pressupor que basta a comunica\u00e7\u00e3o universal dos Esp\u00edritos para a aceita\u00e7\u00e3o de uma nova ideia doutrin\u00e1ria. N\u00e3o: ela deve tamb\u00e9m atender \u00e0 raz\u00e3o e respeitar aquilo que j\u00e1 foi galgado pelo mesmo m\u00e9todo. Assim, quando muita gente l\u00ea um livro que fala em “umbral”, muita gente passa a aceitar essa ideia, que se torna ilus\u00e3o no p\u00f3s morte; que se torna ilus\u00e3o em “desdobramentos”; que o m\u00e9dium insere, enfim, pelas pr\u00f3prias ideias, ao traduzir um pensamento de um Esp\u00edrito, durante uma comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n
\u00c9 not\u00e1vel constatar que, no meio esp\u00edrita, existe grande preocupa\u00e7\u00e3o se, ao morrer, vai-se para “Nosso Lar” ou para o “Umbral”. Como “Nosso Lar” n\u00e3o poderia suportar bilh\u00f5es de Esp\u00edritos em seus leitos e lares, logo surgiram centenas de novas “col\u00f4nias”, cada uma situada, asseveram, sobre certas cidades ou regi\u00f5es da Terra. O esp\u00edrita deixou de estar preocupado com sua moral, mediante seu progresso espiritual, para estar preocupado se ser\u00e1 castigado com o umbral ou premiado com uma cama confort\u00e1vel e sopa quente em Nosso Lar ou em outra “col\u00f4nia” qualquer!<\/p>\n\n\n\n
Neto interpreta de forma incorreta os conceitos de expia\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o. Digo isso com seguran\u00e7a, porque Kardec e os Esp\u00edritos estavam se utilizando de conceitos presentes naquela \u00e9poca, galgados no Espiritualismo Racional, para se expressarem.<\/p>\n\n\n\n
Quando o autor cita o artigo “O Dia de Todos-os-Santos”, na RE de 1862, temos um trecho destacado em negrito: “[…] infelizes Esp\u00edritos que suportam as ang\u00fastias da puni\u00e7\u00e3o e do isolamento”. Acontece que “puni\u00e7\u00e3o” era considerada a consequ\u00eancia leg\u00edtima do mal, e n\u00e3o uma a\u00e7\u00e3o externa de uma for\u00e7a punitiva. A puni\u00e7\u00e3o do pai irrespons\u00e1vel, por exemplo, \u00e9 ver seu filho amado seguir um mau caminho. Se o pai \u00e9 responsabilizado pela justi\u00e7a humana e preso por sua irresponsabilidade, isso, talvez, para ele n\u00e3o signifique absolutamente nada, frente \u00e0 real puni\u00e7\u00e3o que ele pr\u00f3prio sofre. A puni\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo externo, imposto, sen\u00e3o pela decorr\u00eancia da Lei natural. Entendemos, assim, o Espiritismo sob outro ponto de vista, muito mais congruente. <\/p>\n\n\n\n
Por n\u00e3o entender essa ideia fundamental, Neto infere que sofrimento ou prazer, no mundo espiritual, \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o externa, materialista, como j\u00e1 demonstrei.<\/p>\n\n\n\n
Em seguida, Neto d\u00e1 enfase ao trecho seguinte:<\/p>\n\n\n\n
\n“Meu caro irm\u00e3o, que horr\u00edveis tormentos para todos esses [aqueles que escolheram o caminho do materialismo]! \u00c9 exatamente como diz a Escritura: \u201cHaver\u00e1 choro e ranger de dentes\u201d. Eles ser\u00e3o mergulhados no abismo profundo das trevas. Esses infelizes s\u00e3o vulgarmente chamados os danados e, posto seja mais exato cham\u00e1-los os punidos, nem por isso sofrem menos as terr\u00edveis torturas que se atribuem aos danados em meio \u00e0s chamas. Envoltos nas mais espessas trevas de um abismo que lhes parece insond\u00e1vel, posto n\u00e3o seja circunscrito, como vos ensinam, experimentam sofrimentos morais indescrit\u00edveis, at\u00e9 abrirem o cora\u00e7\u00e3o ao arrependimento.”<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n
Nesse trecho, Neto se at\u00e9m \u00e0 ideia de “abismo profundo de trevas”, sem se atentar para o fato de que esse abismo, se lhes parece insond\u00e1vel e n\u00e3o \u00e9 circunscrito, n\u00e3o pode existir sen\u00e3o como cria\u00e7\u00e3o mental de Esp\u00edritos sofredores, sendo, portanto, ef\u00eamero. Evoquemos esses Esp\u00edritos e lhes auxiliemos a entender que suas dores s\u00e3o morais, e n\u00e3o f\u00edsicas, e desaparecem os abismos, a lama, etc., para dar lugar \u00e0 consciente compreens\u00e3o de seu estado, \u00e0 reflex\u00e3o e, por conseguinte, \u00e0 escolha pela expia\u00e7\u00e3o, onde ter\u00e3o a nova oportunidade de trabalharem sobre seus apegos passados.<\/p>\n\n\n\n
Voc\u00ea sabia que existem Esp\u00edritos que se colocam em tais circunst\u00e2ncias por terem cometido um erro e por acreditarem na Doutrina do Pecado? Sim. Pode, por exemplo, um indiv\u00edduo ter matado outro, porque acreditou que o outro vinha lhe tirar a vida. Cr\u00ea que isso \u00e9 um pecado e, assim, se submete mentalmente a esse sofrimento, que externaliza em cria\u00e7\u00f5es flu\u00eddicas (que n\u00e3o s\u00e3o mat\u00e9ria como a nossa, mas, sim, algo muito mais sutil, formada pela “condensa\u00e7\u00e3o” do Fluido C\u00f3smico Universal). Fa\u00e7a-o entender que esse aparente erro nasceu de uma rea\u00e7\u00e3o instintiva; que Deus n\u00e3o pune; que ele pode buscar, em novas vidas, trabalhar esse instinto, para domin\u00e1-lo pela vontade; que, enfim, aquele que ele matou n\u00e3o tem nada contra ele, pois entende seu erro, e esse Esp\u00edrito se desvencilhar\u00e1 de tais ideias, realmente perturbadoras.<\/p>\n\n\n\n
O pr\u00f3prio Andr\u00e9 Luiz deixa isso transparecer quando cita o caso da mo\u00e7a que, havendo morrido, seu Esp\u00edrito n\u00e3o queria sair de dentro do caix\u00e3o, pois acreditava que o pr\u00f3prio Cristo viria lhe tirar dali, submetendo-a ao julgamento.<\/p>\n\n\n\n
No mais, o autor, por uma ideia pr\u00e9via, adota um paradigma que o leva a entender todos os exemplos dados segundo o que lhe conv\u00e9m. Ao citar “esferas espirituais”, “camadas espirituais”, n\u00e3o percebe que se trata de uma linguagem figurada e, nesse \u00faltimo caso, em refer\u00eancia \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos por “camadas”, como \u00e9 feito na Escala Esp\u00edrita<\/a>. Ali\u00e1s, isso est\u00e1 bem claro na quest\u00e3o n\u00ba 1017 de OLE, que o prezado Paulo Neto n\u00e3o incluiu em sua aprecia\u00e7\u00e3o (grifos meus):<\/p>\n\n\n\n\n1017 [1016]. Alguns Esp\u00edritos disseram estar habitando o quarto, o quinto c\u00e9us, etc. Que queriam dizer com isso?<\/em><\/p>\n\n\n\n\u201cSe lhes perguntais que c\u00e9u habitam, \u00e9 que formais ideia de muitos c\u00e9us dispostos como os andares de uma casa. Eles, ent\u00e3o, respondem de acordo com a vossa linguagem. Mas por estas palavras quarto <\/em>e quinto c\u00e9us <\/em>exprimem diferentes graus de purifica\u00e7\u00e3o e, por conseguinte, de felicidade<\/strong>. \u00c9 exatamente como quando se pergunta a um Esp\u00edrito se est\u00e1 no inferno. Se for desgra\u00e7ado, dir\u00e1 sim<\/em>, porque, para ele, inferno<\/em> \u00e9 sin\u00f4nimo de sofrimento. Sabe, por\u00e9m, muito bem que n\u00e3o \u00e9 uma fornalha. Um pag\u00e3o diria estar no T\u00e1rtaro<\/em><\/strong>.\u201d<\/p>\n\n\n\nO mesmo ocorre com outras express\u00f5es an\u00e1logas, tais como: cidade das flores<\/em>, cidade dos eleitos<\/em>, primeira, segunda ou terceira esfera<\/em>, etc., que apenas s\u00e3o alegorias usadas por alguns Esp\u00edritos, quer como figuras, quer, algumas vezes, por ignor\u00e2ncia da realidade das coisas, e at\u00e9 das mais simples no\u00e7\u00f5es cient\u00edficas.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\nQuando se foca no que se quer, por ideias pr\u00e9vias, deixa-se passar os detalhes importantes da obra.<\/p>\n\n\n\n
A Condessa Paula \u2013 O C\u00e9u e o Inferno<\/strong><\/h2>\n\n\n\nMuita gente usa o caso desse Esp\u00edrito, da Condessa Paula, apresentado em O C\u00e9u e o Inferno, para dar base \u00e0s suas teorias de “cidades astrais”.<\/p>\n\n\n\n
\nO que s\u00e3o os vossos pal\u00e1cios e os vossos sal\u00f5es dourados ante as moradas a\u00e9reas, o vasto campo do espa\u00e7o matizado de cores que fariam empalidecer o arco-\u00edris? Que s\u00e3o os vossos passeios passo a passo nos parques, ante a viagens atrav\u00e9s da imensid\u00e3o, mais r\u00e1pidas do que o rel\u00e2mpago? O que s\u00e3o os vossos horizontes limitados e carregados de nuvens, ante o grandioso espet\u00e1culo dos mundos a se moverem no universo sem limites, sob a poderosa m\u00e3o do Alt\u00edssimo?<\/p>\n\n\n\n
Como os vossos concertos mais melodiosos s\u00e3o tristes e ruidosos, ante esta harmonia que faz vibrar os fluidos do \u00e9ter e todas as fibras da alma? Como as vossas grandes alegrias s\u00e3o tristes e ins\u00edpidas ante a inef\u00e1vel sensa\u00e7\u00e3o de felicidade que incessantemente satura o nosso ser \u00e0 maneira de um efl\u00favio benfazejo, sem nenhuma mescla de inquieta\u00e7\u00e3o, nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o, nenhum sofrimento! Aqui tudo respira amor e confian\u00e7a e sinceridade. Por toda parte cora\u00e7\u00f5es amantes, por toda parte vemos amigos, nada de invejosos e ciumentos. Esse \u00e9 o mundo em que me encontro, meu amigo, e todos v\u00f3s o atingireis infalivelmente seguindo o caminho certo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n
Infelizmente, muitos param nas leituras dos pontos que lhes interessam. Quando o Esp\u00edrito fala em “moradas a\u00e9reas”, pronto, isso j\u00e1 \u00e9 suficiente para afirmarem que ela falava das cidades espirituais! A que ponto levam os vieses adotados com pressa…<\/p>\n\n\n\n
Logo em seguida \u00e0 cita\u00e7\u00e3o de “moradas a\u00e9reas”, ele continua: <\/p>\n\n\n\n
\n[…] o vasto campo do espa\u00e7o<\/strong> matizado de cores que fariam empalidecer o arco-\u00edris? Que s\u00e3o os vossos passeios passo a passo nos parques, ante a viagens atrav\u00e9s da imensid\u00e3o, mais r\u00e1pidas do que o rel\u00e2mpago<\/strong>? O que s\u00e3o os vossos horizontes limitados e carregados de nuvens, ante o grandioso espet\u00e1culo dos mundos a se moverem no universo sem limites<\/strong>, sob a poderosa m\u00e3o do Alt\u00edssimo?<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\nEsse Esp\u00edritos est\u00e1 falando do Espa\u00e7o<\/strong>! N\u00e3o est\u00e1 falando de cidades astrais, mas do Espa\u00e7o<\/strong>! “Moradas a\u00e9res” \u00e9 uma linguagem figurada para dizer do Espa\u00e7o, “acima” de n\u00f3s!<\/p>\n\n\n\nEla continua:<\/p>\n\n\n\n
\nEntretanto uma felicidade uniforme logo aborreceria. N\u00e3o penses que a nossa felicidade esteja livre de vicissitudes. N\u00e3o se trata de um concerto perp\u00e9tuo, nem de uma festa sem fim, nem de beat\u00edfica contempla\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da eternidade<\/strong>. N\u00e3o. \u00c9 o movimento, a vida, a atividade<\/strong>. As ocupa\u00e7\u00f5es, embora isentas de fadigas, apresentam incessante variedade de aspectos e de emo\u00e7\u00f5es, pelos mil incidentes que as continham. Cada qual tem a sua miss\u00e3o a cumprir, seus protegidos a assistir, amigos da Terra a visitar, processos da Natureza a dirigir, almas sofredoras a consolar<\/strong>. H\u00e1 um vaiv\u00e9m, n\u00e3o de uma rua para outra, mas de um mundo para outro<\/strong>. As criaturas se re\u00fanem, se separam para novamente se juntarem; encontram-se aqui e ali, conversam sobre o que fazem, felicitam-se pelos sucessos obtidos; entendem-se, assistem-se mutuamente nos casos dif\u00edceis. Enfim, asseguro-te que ningu\u00e9m disp\u00f5e de um segundo de tempo para se enfadar.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\nO que existe “do lado de l\u00e1”, para os Esp\u00edritos desapegados, \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o divina! \u00c9 o tr\u00e2nsito pelo Espa\u00e7o infinito, onde se re\u00fanem, aqui e ali, com outros Esp\u00edritos, para atuar nos processos da Natureza, no consolo \u00e0s almas sofredoras, encarnadas e desencarnadas! \u00c9 isso, e n\u00e3o uma vida limitada por paredes e falsas necessidades fisiol\u00f3gicas!<\/p>\n\n\n\n
Conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n
\u00c9 importante destacar, por\u00e9m, que, se tais cria\u00e7\u00f5es existem, \u00e9 porque Deus permite. Na verdade, isso \u00e9 algo ligado \u00e0 pr\u00f3pria benevol\u00eancia divina, que garante, a cada um, o desenvolvimento gradual e sem choques. No artigo \u201cSobre os Esp\u00edritos que se creem ainda vivos\u201d, da Revista Esp\u00edrita de 1864, consta uma importante comunica\u00e7\u00e3o espiritual, da qual tiramos o seguinte trecho:<\/p>\n\n\n\n
\nNem tudo \u00e9 prova na exist\u00eancia; a vida do Esp\u00edrito continua, como j\u00e1 vos foi dito, desde seu nascimento at\u00e9 o infinito; para uns a morte n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um simples acidente que n\u00e3o influi em nada sobre o destino daquele que morre. Uma telha ca\u00edda, um ataque de apoplexia, uma morte violenta, muito frequentemente, n\u00e3o fazem sen\u00e3o separar o Esp\u00edrito de seu envolt\u00f3rio material; mas o<\/em> envolt\u00f3rio perispiritual<\/em><\/strong> conserva, pelo menos em parte, as propriedades do corpo que acaba de sucumbir. Num dia de batalha, se eu pudesse vos abrir os olhos que possuis, mas dos quais n\u00e3o podeis fazer uso, ver\u00edeis muitas lutas continuarem, muitos soldados subir ainda ao assalto, defender e atacar os redutos; v\u00f3s os ouvir\u00edeis mesmo produzir seus hurras! e seus gritos de guerra, no meio do sil\u00eancio e sob o v\u00e9u l\u00fagubre que segue um dia de carnagem; o combate acabou, eles retornam aos seus lares para abra\u00e7ar seus velhos pais, suas velhas m\u00e3es que os esperam. Algumas vezes, esse estado dura muito tempo para alguns; \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o da vida terrestre, um estado misto entre a vida corp\u00f3rea e a vida espiritual. Por que, se foram simples e s\u00e1bios, sentiriam o frio do t\u00famulo? Por que passariam bruscamente da vida para a morte, da claridade do dia \u00e0 noite? Deus n\u00e3o \u00e9 injusto, e deixa aos pobres de Esp\u00edrito esse gozo, esperando que vejam seu estado pelo desenvolvimento de suas pr\u00f3prias faculdades, e que possam passar com calma da vida material \u00e0 vida real do Esp\u00edrito.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\nVemos, portanto, que a exist\u00eancia de tais \u201clugares\u201d \u00e9 um fato, permitido pela benevol\u00eancia divina, \u00e0queles que ainda n\u00e3o est\u00e3o desenvolvidos para compreender algo acima e fora da mat\u00e9ria e das necessidades materiais.<\/p>\n\n\n\n
Lembramos aquilo que est\u00e1 estampado em nossa p\u00e1gina inicial:<\/p>\n\n\n\n
\nGeneralidade e concord\u00e2ncia<\/strong> no ensino, esse o car\u00e1ter essencial <\/strong>da doutrina, a condi\u00e7\u00e3o mesma da sua exist\u00eancia, donde resulta que todo princ\u00edpio que ainda n\u00e3o haja recebido a consagra\u00e7\u00e3o do controle da generalidade n\u00e3o pode ser considerado parte integrante dessa mesma doutrina<\/strong>. Ser\u00e1 uma simples opini\u00e3o isolada, da qual n\u00e3o pode o Espiritismo assumir a responsabilidade.<\/em><\/p>\n\n\n\nEssa coletividade concordante da opini\u00e3o dos Esp\u00edritos, passada, ao demais, pelo crit\u00e9rio da l\u00f3gica<\/strong>, \u00e9 que constitui a for\u00e7a da doutrina esp\u00edrita e lhe assegura a\u00a0perpetuidade<\/strong>.<\/em>Allan Kardec \u2013 A G\u00eanese<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\nKardec deu o guia seguro para o m\u00e9todo de pesquisa, frequentemente apresentando-o na RE. Atuais resgates da ci\u00eancia de ent\u00e3o permitem aprofundar esse conhecimento. O esp\u00edrita precisa aprender a estudar, do mesmo jeito que, quem n\u00e3o estuda as Ci\u00eancias, termina acreditando em teorias como as da Terra plana. Defendo que o mais interessante \u00e9 retomar Kardec, entender a ci\u00eancia esp\u00edrita (o que depende de entendimento cient\u00edfico de seu contexto e da atualidade) e, ent\u00e3o, retomar o contato com os Esp\u00edritos. Havendo desapego de ideias pr\u00f3prias e o firme prop\u00f3sito de pesquisa, ser\u00e1 muito f\u00e1cil retomar o passo, desanuviando essa confus\u00e3o causada no Movimento Esp\u00edrita com um \u00fanico prop\u00f3sito: atraso do progresso moral.<\/p>\n
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