{"id":6656,"date":"2022-07-12T21:31:36","date_gmt":"2022-07-13T00:31:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/?p=6656"},"modified":"2022-07-13T22:24:06","modified_gmt":"2022-07-14T01:24:06","slug":"los-sistemas-de-reforma-social-y-espiritismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/es\/articulos-2\/articulo-de-opinion\/los-sistemas-de-reforma-social-y-espiritismo\/","title":{"rendered":"Los sistemas de reforma social y el Espiritismo"},"content":{"rendered":"
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por Paulo Degering Rosa Junior<\/p>\n\n\n\n

H\u00e1 tempos venho realizando abordagens1<\/a><\/sup> a respeito da impossibilidade de se atrelar o Espiritismo a qualquer ideologia pol\u00edtica e do quanto essa pr\u00e1tica \u00e9 nociva e danosa ao Movimento Esp\u00edrita. Quando defendo que o Espiritismo n\u00e3o se deve misturar \u00e0 pol\u00edtica, n\u00e3o quero dizer que ele n\u00e3o possa dar a ela sua contribui\u00e7\u00e3o, mas, sim, que ele n\u00e3o deve ser misturado \u00e0s opini\u00f5es e \u00e0s ideias de sistemas que, de modo avesso \u00e0 moral esp\u00edrita, querem mudar a sociedade a golpes de for\u00e7a, por imposi\u00e7\u00e3o, ao passo que o Espiritismo demonstra<\/strong> que a \u00fanica forma de realizar qualquer mudan\u00e7a na sociedade \u00e9 auxiliando o indiv\u00edduo a abandonar maus h\u00e1bitos e imperfei\u00e7\u00f5es, num gesto racional<\/strong>, consciente<\/strong> e aut\u00f4nomo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n

Quem estuda o Espiritismo com alguma dedica\u00e7\u00e3o compreende facilmente esse princ\u00edpio. Contudo, faltava-me encontrar uma verdadeira p\u00e9rola de Allan Kardec, inserida em meio a um texto que, at\u00e9 hoje, confesso, ainda n\u00e3o havia lido, nem conhecido. A p\u00e9rola em quest\u00e3o est\u00e1 na publica\u00e7\u00e3o “Viagem esp\u00edrita em 1862”, em “Discursos pronunciados nas reuni\u00f5es gerais dos Esp\u00edritas de Lyon e Bordeaux.”, item III:<\/p>\n\n\n\n

Acabo de dizer que sem a caridade o homem n\u00e3o constr\u00f3i sen\u00e3o sobre a areia<\/strong>. Um exemplo nos far\u00e1 compreender melhor.<\/p>

Alguns homens bem-intencionados, tocados pelos sofrimentos de uma parte de seus semelhantes, julgaram encontrar o rem\u00e9dio para o mal em certos sistemas de reforma social<\/strong>. Com pequenas diferen\u00e7as, o princ\u00edpio \u00e9 mais ou menos o mesmo em todos eles, seja qual for o nome que se lhes d\u00ea<\/strong>. Vida comunit\u00e1ria por ser a menos onerosa; comunidade de bens, para que todos tenham sua parte; participa\u00e7\u00e3o de todos para a obra comum; nada de grandes riquezas, mas, tamb\u00e9m, nada de mis\u00e9ria. Isto era muito sedutor para quem, nada tendo, j\u00e1 via a bolsa do rico entrar no fundo social<\/strong>, sem calcular que a totalidade das riquezas, postas em comum, criaria uma mis\u00e9ria geral, em vez de uma mis\u00e9ria parcial<\/strong>; que a igualdade hoje estabelecida seria rompida amanh\u00e3 pela mobilidade da popula\u00e7\u00e3o e pela diferen\u00e7a entre as aptid\u00f5es<\/strong>; que a igualdade permanente dos bens sup\u00f5e a igualdade de capacidades e de trabalho<\/strong>. Mas, n\u00e3o \u00e9 esta a quest\u00e3o; n\u00e3o entra em minhas cogita\u00e7\u00f5es examinar o lado positivo e negativo desses sistemas. Fa\u00e7o abstra\u00e7\u00e3o das impossibilidades que acabo de citar e me proponho consider\u00e1-los de um outro ponto de vista que, parece-me, ainda n\u00e3o preocupou a ningu\u00e9m e que se relaciona com o nosso assunto.<\/p>KARDEC, Allan. Viagem Esp\u00edrita de 1862, Grifos meus.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

Kardec, como sempre muito l\u00facido em seus apontamentos, inicia apontando os problemas muito claros que tais “sistemas de reforma social” acarretariam \u00e0 sociedade. Contudo, n\u00e3o se aprofunda sobre isso, para atacar, em seguida, a tem\u00e1tica moral, esta sim muito importante, e demonstrando, uma vez mais, que seus interesses, alinhados ao Espiritismo, n\u00e3o consistiam em destruir, mas em construir:<\/p>\n\n\n\n

Os autores, fundadores ou promotores de todos esses sistemas, sem exce\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tiveram em mira sen\u00e3o a organiza\u00e7\u00e3o da vida material de uma maneira proveitosa a todos. O objetivo \u00e9 louv\u00e1vel, sem d\u00favida. Resta saber se, nesse edif\u00edcio, n\u00e3o falta a \u00fanica base que poderia consolid\u00e1-lo, admitindo-se que fosse pratic\u00e1vel.<\/p>

A comunidade \u00e9 a abnega\u00e7\u00e3o mais completa da personalidade<\/strong>((Um dos princ\u00edpios do Espiritismo \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos para com todos, em contr\u00e1rio do falso princ\u00edpio da individualidade (N. do E.) )). Cada um devendo <\/strong>dar de si pessoalmente, ela requer o mais absoluto devotamento((O Dever moral era algo muito bem definido pelo Espiritualismo Racional, do qual o Espiritismo \u00e9 o desenvolvimento(N. do E.) )). Ora, o m\u00f3vel da abnega\u00e7\u00e3o e do devotamento \u00e9 a caridade, isto \u00e9, o amor ao pr\u00f3ximo((Caridade desinteressada (N. do E.) )). <\/em>Mas reconhecemos que o fundamento da caridade \u00e9 a cren\u00e7a((A caridade, para ser poss\u00edvel, requer consci\u00eancia, pautada na raz\u00e3o (N. do E.) )); <\/em>que a falta de cren\u00e7a conduz ao materialismo e o materialismo leva ao ego\u00edsmo. Um sistema que, por sua natureza e para sua estabilidade, requer virtudes morais no mais supremo grau, deve tomar seu ponto de partida no elemento espiritual<\/strong>. Pois bem! j\u00e1 que o lado material \u00e9 o seu objetivo exclusivo((Porque s\u00e3o sistemas baseados nas filosofias materialistas, com origem principal em Arist\u00f3teles e reproduzida com muita for\u00e7a por Comte (N. do E.) )), n\u00e3o s\u00f3 o elemento espiritual n\u00e3o \u00e9 levado em considera\u00e7\u00e3o<\/strong>, como v\u00e1rios sistemas s\u00e3o fundados sobre uma doutrina materialista altamente confessada<\/strong>((Vejamos: a imperfei\u00e7\u00e3o pode se desenvolver por uma completa inabilidade em lidar com as quest\u00f5es da vida, por falta de entendimento da moral (car\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o). Ao buscar, por exemplo, a felicidade nas coisas e nas situa\u00e7\u00f5es da vida, o ser passa a atribuir uma import\u00e2ncia descabida aos recursos necess\u00e1rios para faz\u00ea-lo. Se n\u00e3o os t\u00eam, sente-se infeliz (triste), mas, julgando que a ele tamb\u00e9m cabe a felicidade, pode julgar que, para satisfazer a isso, lhe seja l\u00edcito obt\u00ea-la daqueles que t\u00eam esses recursos em abund\u00e2ncia. \u00c9 a forma materialista de abordar o tema, reproduzida pela quase totalidade desses sistemas (N. do E.) )), ou sobre o pante\u00edsmo, esp\u00e9cie de materialismo disfar\u00e7ado, verdadeiro adorno do belo nome de fraternidade. <\/em>Mas a fraternidade, assim como a caridade, n\u00e3o se imp\u00f5e nem se decreta; \u00e9 preciso que esteja no cora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o ser\u00e1 um sistema que a far\u00e1 nascer, se l\u00e1 ela n\u00e3o estiver; caso contr\u00e1rio o sistema ruir\u00e1 e dar\u00e1 lugar \u00e0 anarquia<\/strong>.<\/p>Ibidem. Idem.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

Kardec lan\u00e7ou a semente: as virtudes morais, de onde nasce a fraternidade, n\u00e3o nascem de um sistema. N\u00e3o podem ser impostas nem decretadas. \u00c9 preciso nascer do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n

A experi\u00eancia a\u00ed est\u00e1 para provar que n\u00e3o se sufocam<\/strong> nem as ambi\u00e7\u00f5es, nem a cupidez. Antes de fazer a coisa para os homens, \u00e9 preciso formar os homens para a coisa<\/strong>, como se formam obreiros, antes de lhes confiar um trabalho. Antes de construir, \u00e9 preciso assegurar-se da solidez dos materiais. Aqui os materiais s\u00f3lidos s\u00e3o os homens de cora\u00e7\u00e3o, de devotamento e de abnega\u00e7\u00e3o. O ego\u00edsmo, o amor e a fraternidade s\u00e3o, como j\u00e1 dissemos, palavras v\u00e3s; como, ent\u00e3o, sob o imp\u00e9rio do ego\u00edsmo, fundar um sistema que requeira a abnega\u00e7\u00e3o num grau tanto maior quanto tem, por princ\u00edpio essencial, a solidariedade de todos para com cada um e de cada um para com todos?<\/strong><\/p>Ibidem. Idem.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

Chega a ser incr\u00edvel n\u00e3o ver, ainda, Kardec ocupar espa\u00e7o entre os nomes da mais alta filosofia moral. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a moral que est\u00e1 esquecida, mas, tamb\u00e9m, junto a ela, a espiritualidade racional.<\/p>\n\n\n\n

Simples e sem adornos lingu\u00edsticos que s\u00f3 servem para confundir e envaidecer, diz o professor: “Antes de fazer a coisa para os homens, \u00e9 preciso formar os homens para a coisa”. Sempre, sempre, atacando o cerne da quest\u00e3o, desde seus tempos de juventude, com pouco mais de 20 anos: a educa\u00e7\u00e3o. Se se deseja mudar a sociedade, \u00e9 preciso educar desde a inf\u00e2ncia. Ora, numa sociedade em que n\u00e3o existe educa\u00e7\u00e3o, mas apenas instru\u00e7\u00e3o, que se quer atingir, sen\u00e3o os resultados que somos obrigados a topar, diariamente, mundo afora? Que se pode esperar de indiv\u00edduos que s\u00e3o formados, desde os primeiros passos, nas escolas da disputa, da trapa\u00e7a, da recompensa e do castigo, numa palavra, da heteronomia? Decerto, n\u00e3o ser\u00e3o indiv\u00edduos aut\u00f4nomos e fraternos, muito menos caridosos. E, para Kardec,<\/p>\n\n\n\n

Sem a caridade, n\u00e3o h\u00e1 institui\u00e7\u00e3o humana est\u00e1vel<\/strong>; e n\u00e3o pode haver caridade nem fraternidade poss\u00edveis, na verdadeira acep\u00e7\u00e3o da palavra, sem a cren\u00e7a((Novamente, Kardec destaca a import\u00e2ncia do conhecimento, que alicer\u00e7a a raz\u00e3o (N. do E.) )). <\/em>Aplicai-vos, pois a desenvolver esses sentimentos que, engrandecendo-se, destruir\u00e3o o ego\u00edsmo que vos mata. Quando a caridade tiver penetrado as massas, quando se tiver transformado na f\u00e9, na religi\u00e3o da maioria, ent\u00e3o vossas institui\u00e7\u00f5es se tornar\u00e3o melhores pela for\u00e7a mesma das coisas<\/strong>; os abusos, oriundos do personalismo, desaparecer\u00e3o. Ensinai, pois, a caridade e, sobretudo, pregai pelo exemplo<\/strong>: \u00e9 a \u00e2ncora de salva\u00e7\u00e3o da sociedade. S\u00f3 ela pode realizar o reino do bem na Terra, que \u00e9 o reino de Deus; sem ela, o que quer que fa\u00e7ais, s\u00f3 criareis utopias, das quais s\u00f3 vos resultar\u00e3o decep\u00e7\u00f5es<\/strong>.<\/p>Ibidem. Idem.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

N\u00e3o \u00e9 preciso ir muito mais longe. O pensamento de Kardec \u00e9 bastante claro e l\u00facido, e o tomo n\u00e3o como argumento de autoridade , mas porque est\u00e1 de pleno acordo com aquilo que acredito ser a melhor express\u00e3o do conhecimento em moral, filosofia e educa\u00e7\u00e3o, sobretudo no que tange ao progresso sucessivo e aut\u00f4nomo do ser, princ\u00edpio demonstrado pelo Espiritismo. <\/p>\n\n\n\n

Enquanto continuarmos lutando por transforma\u00e7\u00f5es sociais impostas pela for\u00e7a, e at\u00e9 mesmo pela viol\u00eancia, criaremos apenas utopias e decep\u00e7\u00f5es. Vejamos que os exemplos disso, ap\u00f3s Kardec, j\u00e1 s\u00e3o v\u00e1rios, e pululam \u00e0 nossa volta. De certa forma, ele praticamente fez uma previs\u00e3o daquilo que boa parte do mundo viria enfrentar, no s\u00e9culo seguinte, por for\u00e7a dos sistemas e ideologias materialistas que vingam ainda hoje e que, paradoxalmente, s\u00e3o defendidos por expressiva parte do Movimento Esp\u00edrita, que, em verdade, ainda n\u00e3o entendeu a verdadeira moral do Espiritismo e quer for\u00e7ar os outros a se modificarem conforme o que agentes externos definem como ideal, e n\u00e3o pela pr\u00f3pria consci\u00eancia, num movimento aut\u00f4nomo e consciente.<\/p>\n\n\n\n

Quando se trata de Movimento Esp\u00edrita, \u00e9 um disparate ver ideias materialistas defendidas dentro desse meio. Suponhamos, de forma bastante ing\u00eanua, que se crie uma lei que obrigue o rico a partilhar das suas riquezas: isso apenas gerar\u00e1 revolta nos Esp\u00edritos que tenham a imperfei\u00e7\u00e3o da avareza e, na primeira oportunidade, nesta ou em outras vidas, lutar\u00e3o para restabelecer o poder antes possu\u00eddo. Isso para n\u00e3o falar nos indiv\u00edduos que, acostumados aos v\u00edcios diversos, apenas utilizar\u00e3o dos recursos partilhados para se refestelarem um tanto mais. N\u00e3o \u00e9 assim que se modifica uma sociedade.<\/p>\n\n\n\n

Sem a caridade, que nasce da compreens\u00e3o da moral da lei divina e do movimento aut\u00f4nomo em dire\u00e7\u00e3o ao bem, o homem n\u00e3o constr\u00f3i sen\u00e3o sobre a areia<\/strong>.<\/p>\n

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