“[…] Conturbado e aflito, senti necessidade da confiss\u00e3o. Afinal, eu era um cat\u00f3lico que relaxara a pr\u00f3pria f\u00e9. Sem que ningu\u00e9m me escutasse os apelos, pedi a presen\u00e7a de um padre. Avancei para o confession\u00e1rio e pus-me de joelhos, mas, em poucos momentos, o confession\u00e1rio convertia-se para mim num guich\u00ea de banco. Sobressaltado, ergui meus olhos para o altar. O altar, por\u00e9m, transformara-se em cofre forte. Intentei consolar-me com a vis\u00e3o do missal, mas o livro do culto, de repente, surgiu metamorfoseado num velho livro de minha propriedade, em que eu lan\u00e7ava, \u00e0s ocultas, as minhas notas de rendimento real. Diligenciei isolar-me. Temia a loucura completa. Ainda assim, levantei meu olhar para a imagem da Virgem Maria. Naturalmente, ela teria pena de mim, contudo, ante a minha aten\u00e7\u00e3o, a imagem reduziu-se a uma joia de alto pre\u00e7o… Fez-se toda de ouro, de ouro puro…<\/p>
[…]<\/p>
Demandei uma caixa d’\u00e1gua que me era familiar no alto do bairro de Santo Ant\u00f4nio. A \u00e1gua, ali, corria em jorros. Podia debru\u00e7ar-me… Podia beber como se eu fora um animal e, prostrado, n\u00e3o mais de joelhos, mas de rastros, imploraria a gra\u00e7a de Deus. Achei a \u00e1gua corrente, a \u00e1gua l\u00edmpida visitada pela luz do sol e estireime no ch\u00e3o… Mas, no momento preciso em que meus l\u00e1bios sequiosos tocaram o l\u00edquido puro, apenas o ouro, o ouro apareceu… Reconheci haver descido \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de um alienado mental. Lembrei-me, ent\u00e3o, de velho amigo… C\u00edcero Pereira… C\u00edcero era esp\u00edrita e, por esse motivo, tornou-se para mim algu\u00e9m que eu supunha, em minha triste cegueira, haver deixado na retaguarda da loucura. Bastou a recorda\u00e7\u00e3o para que a voz dele se me fizesse ouvida. Acudia-me ao chamado. Amparou-me. Conversou comigo […]<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n
Um \u00f3timo exemplo de que n\u00e3o se pode tomar cegamente as comunica\u00e7\u00f5es de um Esp\u00edrito como se fossem a express\u00e3o da verdade. Imaginem se esse Esp\u00edrito, sendo levado a uma reuni\u00e3o de aux\u00edlio espiritual, contasse apenas a parte da ilus\u00e3o em quest\u00e3o e as pessoas desavisadas sa\u00edssem afirmando que, no mundo dos Esp\u00edritos, existe ouro…<\/p>\n
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