{"id":5789,"date":"2022-04-04T11:36:23","date_gmt":"2022-04-04T14:36:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/?p=5789"},"modified":"2023-10-11T18:53:35","modified_gmt":"2023-10-11T21:53:35","slug":"al-maestro-con-carino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/es\/articulos-2\/diverso-2\/al-maestro-con-carino\/","title":{"rendered":"31 de marzo: aniversario luctuoso de Allan Kardec"},"content":{"rendered":"
\"image_pdf\"<\/a>\"image_print\"<\/a><\/div>\n

Dia 31 de mar\u00e7o. Data pouco conhecida ou pouco lembrada no meio Esp\u00edrita, \u00e9 o dia em que morreu, em 1869, o querido e em\u00e9rito professor, cientista, fil\u00f3sofo e estudioso dos fen\u00f4menos esp\u00edritas, Hypolite Leon Denizard Rivail – grafado dessa forma, mesmo, conforme ele pr\u00f3prio corrigiu, em documento de punho pr\u00f3prio, disponibilizado pelo CDOR. Esse foi Allan Kardec, aquele que dedicou seus \u00faltimos anos de vida e fez, em pouco mais de uma d\u00e9cada, aquilo que poucos fazem em uma vida: obteve, pela observa\u00e7\u00e3o racional e metodol\u00f3gica dos fen\u00f4menos esp\u00edritas, naturais e inteligentes, toda uma Doutrina, consoladora em sua ess\u00eancia e que, um dia, ser\u00e1 reconhecida como a grande revolu\u00e7\u00e3o no pensamento humano a respeito da vida, da sociedade, da caridade e da verdade sobre o bem.<\/p>\n\n\n\n

O triste dia<\/h2>\n\n\n\n

Com uma beleza po\u00e9tica, Simoni Privato, em O Legado de Allan Kardec, assim se expressa, sobre a morte de Kardec:<\/p>\n\n\n\n

\n

Como sentia que sua encarna\u00e7\u00e3o passava de maneira c\u00e9lere e constatava que suas tarefas doutrin\u00e1rias continuavam aumentando, Allan Kardec evitava perder tempo. […] Ali [na Passagem Sainte-Anne] trabalhava desde a manh\u00e3 at\u00e9 a noite e, frequentemente, desde a noite at\u00e9 a manh\u00e3<\/strong>, sem ao menos poder descansar, uma vez que estava s\u00f3 para ocupar-se de um trabalho cuja dimens\u00e3o dificilmente se pode imaginar e que aumentava \u00e0 medida que o espiritismo se difundia.<\/p>\n\n\n\n

Como o contrato de aluguel do im\u00f3vel na Passagem Sainte-Anne estava para vencer, Allan Kardec pretendia deix\u00e1-lo no dia 1\u00ba de abril de 1869 e retirar-se para a Villa S\u00e9gur, onde tinha a inten\u00e7\u00e3o de concentrar-se mais na elabora\u00e7\u00e3o de textos doutrin\u00e1rios. Nessa mesma data, o escrit\u00f3rio para assinatura e expedi\u00e7\u00e3o da Revista Esp\u00edrita, bem como a Sociedade Parisiense de Estudos Esp\u00edritas seriam transferidos da Passagem Sainte-Anne para a sede da Livraria Esp\u00edrita, na rua de Lille, n\u00ba 72.<\/p>\n\n\n\n

Na quarta-feira, 31 de mar\u00e7o, Allan Kardec encontrava-se na Passagem Sainte-Anne organizando seus livros e pap\u00e9is para a mudan\u00e7a, que j\u00e1 havia come\u00e7ado e que deveria terminar no dia seguinte. Durante a manh\u00e3, recebeu um funcion\u00e1rio de uma livraria que desejava adquirir um n\u00famero da Revista Esp\u00edrita. Ao lhe entregar o exemplar, subitamente Allan Kardec perdeu os sentidos e tombou no solo sem haver dito sequer uma palavra.<\/p>\n\n\n\n

[…]<\/p>\n\n\n\n

At\u00e9 o \u00faltimo instante de sua exist\u00eancia f\u00edsica, Allan Kardec deixou profundos ensinamentos. Morreu como viveu: trabalhando pelo Espiritismo. Suas m\u00e3os laboriosas despediram-se deste mundo entregando a Revista Esp\u00edrita \u2014 peri\u00f3dico no qual deixou registrados seus ensinamentos, suas lutas, suas vit\u00f3rias e, naquele \u00faltimo momento, sua imortalidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n

[…]<\/p>\n\n\n\n

No cemit\u00e9rio, os curiosos procuravam posicionar-se nos lugares de onde podiam escutar os discursos. No entanto, quando o ata\u00fade desceu para o fundo da cova, a emo\u00e7\u00e3o calou as palavras; fez-se um grande sil\u00eancio<\/strong>.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

E esse sil\u00eancio parece ter se arrastado at\u00e9 os dias atuais, em que a grande parte do movimento esp\u00edrita, em realidade, n\u00e3o conhece Allan Kardec e, muito menos, seu trabalho na forma\u00e7\u00e3o da Doutrina Esp\u00edrita \u2014 o Espiritismo.<\/p>\n\n\n\n

Allan Kardec esquecido<\/h2>\n\n\n\n

Com grande tristeza, podemos averiguar que, nos pontos hist\u00f3ricos que envolvem esse grande trabalho, o nome de Kardec n\u00e3o existe, nem como Allan Kardec, nem como Rivail: foi apagado pelo tempo, assim como fizeram com todos os cientistas que se dedicaram a estudar o Espiritismo e o Magnetismo. N\u00e3o h\u00e1 uma placa dedicat\u00f3ria a Kardec. N\u00e3o h\u00e1 um busto. N\u00e3o h\u00e1 uma inscri\u00e7\u00e3o na parede ou na cal\u00e7ada, quando, por muito menos, personalidades do satirismo ou do horror merecem uma grava\u00e7\u00e3o dedicada, sob a luz dos holofotes, nas cal\u00e7adas da fama que existem, mundo afora. N\u00e3o. Nas ruas da Fran\u00e7a, parece que o \u00fanico lugar em que o querido professor merece uma lembran\u00e7a \u00e9 no cemit\u00e9rio, como que por obriga\u00e7\u00e3o, e onde, morto e enterrado, n\u00e3o chama a aten\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m com suas ideias “subversivas”.<\/p>\n\n\n\n

\n
\n
\"\"
Passage Sanite-Anne, lugar que dava acesso \u00e0quela que foi a primeira sede da Sociedade Parisiense de Estudos Esp\u00edritas<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n
\n
\"\"
Rue des Martyrs, 8 (porta ros\u00ea), onde Kardec viveu com sua esposa, Am\u00e9lie, no 2\u00b0 andar<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n

Mas a grande quest\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 apenas o esquecimento da figura de Allan Kardec, mas do seu papel como cientista esp\u00edrita e da sua metodologia, da sua honestidade, da sua humildade e da sua seriedade no estudo do Espiritismo. N\u00e3o cultuamos Kardec, mas reconhecemos seu trabalho e sua dedica\u00e7\u00e3o. Em uma par\u00f3dia muito pertinente, h\u00e1 quem acredite, hoje, que a gravidade \u00e9 uma grande farsa, por n\u00e3o ter estudado e compreendido o estudo de Isaac Newton, que principiou as ci\u00eancias f\u00edsicas, como hoje as conhecemos. D\u00e1-se o mesmo com o Espiritismo.<\/p>\n\n\n\n

Uma Doutrina desconhecida<\/h2>\n\n\n\n

Diz\u00edamos que o Movimento Esp\u00edrita desconhece Kardec e seu trabalho. Sim, de tal forma que, de fato, em grande parte, desconhecem a pr\u00f3pria Doutrina que dizem professar. Poucos sabem do enorme desvio que a Doutrina, ou, antes, o Movimento Esp\u00edrita, sofreu ap\u00f3s a morte de Kardec, pelas m\u00e3os de Leymarie e com a influ\u00eancia de Roustaing e seus seguidores; poucos sabem que as obras “A G\u00eanese” e “O C\u00e9u e o Inferno” foram adulteradas, respectivamente nas edi\u00e7\u00f5es 5.\u00aa e 4.\u00aa; poucos sabem que essa influ\u00eancia se espalhou e se instalou no Movimento Esp\u00edrita nascente, aqui no Brasil, logo em seus primeiros passos; poucos sabem que o pr\u00f3prio Bezerra de Menezes, por suas inclina\u00e7\u00f5es religiosas, preferiu as ideias roustainguistas sobre as espiritistas e que, por isso, as difundiu no Brasil; poucos sabem, ainda, que Kardec planejava dar in\u00edcio, a partir de abril de 1869, a uma nova fase do Espiritismo, sem figuras ou entidades centralizadoras e sem hierarquias, de modo que ningu\u00e9m pudesse ditar regras \u2014 cen\u00e1rio totalmente diferente do que vivemos em nosso pa\u00eds, onde, desde os prim\u00f3rdios do Movimento Esp\u00edrita, uma Federa\u00e7\u00e3o se autointitulou centralizadora e regradora<\/em> \u2014 a mesma Federa\u00e7\u00e3o que chegou a colocar, tamb\u00e9m, Roustaing acima de Kardec.<\/p>\n\n\n\n

No Brasil, pa\u00eds onde o Espiritismo parece ter conquistado o maior n\u00famero de adeptos, vivemos um movimento espiritista religioso, com rituais e paramentos, onde “o telefone s\u00f3 toca de l\u00e1 para c\u00e1” virou lei e, pior, onde as ideias de pecado e castigo, carma, “lei de causa e efeito” ou “lei de a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o”, que nunca<\/strong> fizeram parte dessa Doutrina, passaram a ser tomadas como doutrin\u00e1rias. <\/p>\n\n\n\n

Que me desculpe o querido Chico, mas, na afirma\u00e7\u00e3o sobre o telefone, ele errou, ou foi mal entendido. Contudo, erram ainda mais os adeptos, que, por falta de estudo e de forma irrefletida, passaram a tomar opini\u00f5es de m\u00e9diuns e de Esp\u00edritos como se fossem a lei ou a express\u00e3o inquestion\u00e1vel da verdade e da sabedoria. \u00c9 por isso que reafirmamos: o Movimento Esp\u00edrita desconhece o Espiritismo, pois o ponto fundamental da Doutrina \u00e9 aquele com o qual Kardec inicia sua \u00faltima obra, A G\u00eanese, apresentando, logo na primeira p\u00e1gina:<\/p>\n\n\n\n

\n

Generalidade e concord\u00e2ncia no ensino, esse o car\u00e1ter essencial da doutrina, a condi\u00e7\u00e3o mesma da sua exist\u00eancia, donde resulta que todo princ\u00edpio que ainda n\u00e3o haja recebido a consagra\u00e7\u00e3o do controle da generalidade n\u00e3o pode ser considerado parte integrante dessa mesma doutrina. Ser\u00e1 uma simples opini\u00e3o isolada, da qual n\u00e3o pode o Espiritismo assumir a responsabilidade.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

O Movimento desconhece, muito mais, a forma\u00e7\u00e3o da Doutrina, apresentada largamente na Revista Esp\u00edrita (leia este artigo<\/a>), onde Kardec, n\u00famero ap\u00f3s n\u00famero, demonstra v\u00e1rias evoca\u00e7\u00f5es<\/strong> de Esp\u00edritos das mais diversas categorias (conforme a escala esp\u00edrita), afirmando sua utilidade<\/a>. Kardec evocou assassinos e cientistas, s\u00e1bios e ignorantes, suicidas h\u00e1 poucos dias de sua morte, reis e rainhas e, de todos, sempre obteve ensinamentos importantes, que, progressivamente, atrav\u00e9s do m\u00e9todo da busca pela concord\u00e2ncia universal, sob o julgamento da raz\u00e3o, do bom-senso e da ci\u00eancia humana, foram constituindo toda uma Doutrina e que, depois, serviram de base para a forma\u00e7\u00e3o das demais obras e para a complementa\u00e7\u00e3o de O Livro dos Esp\u00edritos. <\/p>\n\n\n\n

As adultera\u00e7\u00f5es desconhecidas<\/h2>\n\n\n\n

Mas n\u00e3o podemos culpar, de todo, apenas a falta de empenho no estudo, pois muitos estudaram, mas estudaram sem saber que estudavam algo adulterado, como foi o caso de A G\u00eanese e O C\u00e9u e o Inferno[1<\/a>]. Ora, um dos pontos mais controversos de OCI nasceu de uma adultera\u00e7\u00e3o, pois a seguinte frase n\u00e3o existia<\/strong> na obra original, escrita por Kardec:<\/p>\n\n\n\n

\n

Toda falta cometida, todo mal realizado, \u00e9 uma d\u00edvida contra\u00edda que deve ser paga; se n\u00e3o o for numa exist\u00eancia, s\u00ea-lo-\u00e1 na seguinte ou nas seguintes, porque todas as exist\u00eancias s\u00e3o solid\u00e1rias umas das outras. Aquele que a quita na exist\u00eancia presente n\u00e3o ter\u00e1 de pagar uma segunda vez.<\/p>\nTexto inserido na vers\u00e3o adulterada de OCI, a partir da 4a edi\u00e7\u00e3o<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

Sabemos hoje, por documentos hist\u00f3ricos, que n\u00e3o apenas essas obras, mas todo o movimento esp\u00edrita, sob as m\u00e3os de Leymarie, foi adulterado e subvertido, em nome do dinheiro e da vaidade. Um dos piores casos foi aquele conhecido como “O processo dos esp\u00edritas<\/a>“, que manchou a reputa\u00e7\u00e3o do Espiritismo na sociedade francesa.<\/p>\n\n\n\n

O contexto de Allan Kardec<\/h2>\n\n\n\n

Tamb\u00e9m n\u00e3o conhec\u00edamos o contexto de Kardec, onde O Espiritualismo Racional e as Ci\u00eancias Morais davam base<\/strong> \u00e0 forma\u00e7\u00e3o educacional francesa, como podemos averiguar largamente em “Autonomia: a hist\u00f3ria jamais contada do Espiritismo”, por Paulo Henrique de Figueiredo, obra essa que tamb\u00e9m apresenta a face puramente aut\u00f4noma do Espiritismo, completamente afastado de no\u00e7\u00f5es como as de carma, largamente presentes no Movimento Esp\u00edrita atual. N\u00e3o apenas isso, temos tamb\u00e9m a quest\u00e3o do Magnetismo, citado constantemente por Kardec como ci\u00eancia g\u00eamea do Espiritismo, de modo que uma sem a outra ficariam incompletas. Ora, Mesmer, “pai” do Magnetismo, s\u00f3 passou a ser compreendido recentemente, atrav\u00e9s da recupera\u00e7\u00e3o e da tradu\u00e7\u00e3o de suas obras, culminando no livro Mesmer: A ci\u00eancia negada do magnetismo animal, desse mesmo autor.<\/p>\n\n\n\n

Enfim: n\u00f3s precisamos recuperar Kardec. Precisamos estud\u00e1-lo em suas obras e na Revista Esp\u00edrita; precisamos compreender o contexto no qual estava inserido; precisamos conhecer o Magnetismo; precisamos compreender o Espiritismo como ci\u00eancia, que de fato \u00e9, e n\u00e3o como religi\u00e3o, que nunca foi, sen\u00e3o sob a compreens\u00e3o da religi\u00e3o natural, conforme o entendimento do Espiritualismo Racional. E, entendendo o Espiritismo em sua ess\u00eancia, precisamos faz\u00ea-lo sair dos c\u00edrculos fechados dos centros esp\u00edritas, para faz\u00ea-lo conquistar a sociedade atrav\u00e9s de suas ideias renovadoras e verdadeiramente consoladoras. Mas, para isso, a mudan\u00e7a precisa come\u00e7ar pelo indiv\u00edduo, se espalhando, ent\u00e3o, para a fam\u00edlia e para a sociedade.<\/p>\n\n\n\n

Kardec superado?<\/h2>\n\n\n\n

Muitos pensam e afirmam o seguinte: “Kardec est\u00e1 superado no passado, ent\u00e3o esque\u00e7amo-lo e sigamos com o estudo dessas novas concep\u00e7\u00f5es que temos hoje”, o que \u00e9 um erro profundo.<\/p>\n\n\n\n

Espiritismo \u00e9 ci\u00eancia, tanto sob o aspecto das ci\u00eancias morais francesas, no contexto de seu nascimento, quanto do ponto de vista de uma ci\u00eancia de observa\u00e7\u00e3o, que deduz, infere, analisa empiricamente, como fica muito claro para todos que estudam-no em suas fontes. Como ci\u00eancia, tem uma base, sem a qual n\u00e3o se pode avan\u00e7ar. O F\u00edsico Nuclear tamb\u00e9m precisa passar por Newton, para depois chegar a Einstein e, depois, nos atuais cientistas.<\/p>\n\n\n\n

No Espiritismo, tem pelo menos duas coisas que n\u00e3o mudaram, com rela\u00e7\u00e3o ao nosso estado atual: a moral e os Esp\u00edritos. A primeira precisa ser estudada desde Jesus, e mesmo antes, sendo essa uma das propostas centrais do Espiritismo. J\u00e1 os Esp\u00edritos continuam pertencendo a toda aquela escala, proposta por Kardec e refinada pelos Esp\u00edritos, e continuam se comunicando conosco, nos influenciando e conduzindo pelas mesmas formas que sempre utilizaram. Desde que, nisso, de forma ineg\u00e1vel, h\u00e1 uma ci\u00eancia, \u00e9 necess\u00e1rio estud\u00e1-la e compreend\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n

\u00c9 por esquecer Kardec que, hoje, se aceita no movimento esp\u00edrita conte\u00fados perniciosos, irracionais e antidoutrin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n

Se temos muito a aprender? Ora, mas \u00e9 claro que sim! E os Esp\u00edritos nos ensinam aquilo que n\u00f3s estamos prontos para entender, segundo o progresso da nossa ci\u00eancia material. Kardec “arranhou” em assuntos cient\u00edficos t\u00e3o profundos, mas que ainda n\u00e3o podiam ser entendidos. Imaginem o que ele poderia alcan\u00e7ar se, naquela \u00e9poca, soub\u00e9ssemos o que conhecemos hoje? Imagine, ali\u00e1s, o que um pesquisador s\u00e9rio, elevado e honesto como ele poderia obter, segundo a ci\u00eancia atual, a respeito de tudo aquilo que n\u00e3o p\u00f4de ser aprofundado naquela \u00e9poca?<\/p>\n\n\n\n

Mas isso, meus caros, somente ser\u00e1 feito no momento certo. Por isso, fa\u00e7o minhas as palavras do Paulo Henrique de Figueiredo: estudemos, estudemos, estudemos, at\u00e9 cansar. Entendamos o Espiritismo na Revista Esp\u00edrita e nos seus complementos. Estudemos as obras de Kardec, as de Bozzano, as que, hoje, estudam o contexto do Espiritismo, inserido no Espiritualismo Racional, e estudemos ainda o magnetismo de Mesmer.<\/p>\n\n\n\n

Quando estivermos prontos, como outrora, os pr\u00f3prios Esp\u00edritos nos buscar\u00e3o e, quem sabe, eles precisem voltar a girar mesas e tocar tambores invis\u00edveis de modo a chamar nossa aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n

Uma motiva\u00e7\u00e3o a mais para o estudo<\/h2>\n\n\n\n

E, se te falta ainda uma motiva\u00e7\u00e3o para se afundar nesses estudos, deixo a seguinte reflex\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n

O que nos afasta da felicidade real s\u00e3o nossas imperfei\u00e7\u00f5es, nossos v\u00edcios morais, nossas paix\u00f5es desenfreadas. Somente o Esp\u00edrito que venceu suas imperfei\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s das provas, e que desenvolveu seu racioc\u00ednio<\/strong>, atrav\u00e9s do conhecimento<\/strong>, consegue progredir no caminho da evolu\u00e7\u00e3o espiritual. Todos n\u00f3s o faremos, mais cedo ou mais tarde, mas a velocidade depende da vontade<\/strong> de cada um, galgada na raz\u00e3o, pois somente faz a verdadeira mudan\u00e7a o Esp\u00edrito que realmente entende<\/strong>, racionalmente.<\/p>\n\n\n\n

Diz Kardec, em A G\u00eanese: “Aquele que n\u00e3o domina as suas paix\u00f5es pode ser muito inteligente, por\u00e9m, ao mesmo tempo, muito mau. O instinto se aniquila por si mesmo; as paix\u00f5es somente pelo esfor\u00e7o da vontade podem domar-se”.<\/p>\n\n\n\n

Contudo, esse cap\u00edtulo termina aqui, na 5.\u00aa edi\u00e7\u00e3o dessa obra (que deu base a todas as tradu\u00e7\u00f5es e edi\u00e7\u00f5es futuras), que, hoje sabemos, tem fortes ind\u00edcios de ter sido adulterada. Tomando a 4.\u00aa edi\u00e7\u00e3o, temos o seguinte encerramento, important\u00edssimo, omitido pela adultera\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n

\n

Todos os homens passam pelas paix\u00f5es. Os que as superaram, e n\u00e3o s\u00e3o, por natureza, orgulhosos, ambiciosos, ego\u00edstas, rancorosos, vingativos, cru\u00e9is, col\u00e9ricos, sensuais, e fazem o bem sem esfor\u00e7os, sem premedita\u00e7\u00e3o e, por assim dizer, involuntariamente, \u00e9 porque progrediram na sequ\u00eancia de suas exist\u00eancias anteriores, tendo se livrado desse inc\u00f4modo peso. \u00c9 injusto dizer que eles t\u00eam menos m\u00e9rito quando fazem o bem, em compara\u00e7\u00e3o com os que lutam contra suas tend\u00eancias. Acontece que eles j\u00e1 alcan\u00e7aram a vit\u00f3ria, enquanto os outros ainda n\u00e3o. Mas, quando alcan\u00e7arem, ser\u00e3o como os outros. Far\u00e3o o bem sem pensar nele, como crian\u00e7as que leem correntemente sem ter necessidade de soletrar. \u00c9 como se fossem dois doentes: um curado e cheio de for\u00e7a enquanto o outro est\u00e1 ainda em convalescen\u00e7a e hesita caminhar; ou como dois corredores, um dos quais est\u00e1 mais pr\u00f3ximo da chegada que o outro.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

Tudo o que vivemos, portanto, como nos mostra a Doutrina, jamais se trata de castigo<\/strong>, mas, sim, de oportunidades para a nossa evolu\u00e7\u00e3o. O Espiritismo \u00e9 aut\u00f4nomo em sua ess\u00eancia \u2014 “Aos olhos de Deus, o arrependimento \u00e9 sagrado, porque \u00e9 o homem que a si mesmo se julga<\/strong>, o que \u00e9 raro no vosso planeta” [RE \u2014 outubro de 1858]. <\/p>\n\n\n\n

Se isso tudo n\u00e3o te motiva a estudar Kardec, n\u00e3o sabemos o que mais faria.<\/p>\n\n\n\n


\n\n\n\n

1. A editora FEAL j\u00e1 tem as tradu\u00e7\u00f5es dessas obras, segundo o texto original. O contexto das adultera\u00e7\u00f5es de A G\u00eanese pode ser entendido atrav\u00e9s da leitura da obra O Legado de Allan Kardec, de Simoni Privato; j\u00e1 o das adultera\u00e7\u00f5es de O C\u00e9u e o Inferno pode ser entendido na obra “Nem c\u00e9u, nem inferno: As leis da alma segundo o Espiritismo”, por Lucas Sampaio e Paulo Henrique de Figueiredo<\/p>\n

\n\t\t\t
\n\t\t\t <\/div><\/div>\n\t\t