{"id":6876,"date":"2023-04-15T11:51:23","date_gmt":"2023-04-15T14:51:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/?p=6876"},"modified":"2024-03-14T18:15:15","modified_gmt":"2024-03-14T21:15:15","slug":"rational-spiritualism-and-spiritism-a-new-division-in-the-spiritualist-medium","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/en\/artigos\/assuntos-diversos\/espiritualismo-racional-e-espiritismo-uma-nova-divisao-no-meio-espirita\/","title":{"rendered":"Rational Spiritualism and Spiritism \u2013 a new division in the Spiritist milieu?"},"content":{"rendered":"
\"image_pdf\"<\/a>\"image_print\"<\/a><\/div>\n

Parece que alguns Esp\u00edritas – aqueles que n\u00e3o entenderam a proposta do Espiritismo – trabalham pela divis\u00e3o<\/strong>, e n\u00e3o pela constru\u00e7\u00e3o colaborativa. Encontram em todos os lugares e em todas as pessoas um objeto de suas cr\u00edticas que, se podem ter algum fundamento, quase sempre perdem-se em raz\u00e3o da not\u00f3ria falta de aprofundamento e de uma real e s\u00f3lida argumenta\u00e7\u00e3o, que apresente ponto e contraponto, n\u00e3o dando senten\u00e7a final sobre nada que n\u00e3o possa ser provado ou suficientemente elaborado pela raz\u00e3o. Interessante, porque, justamente, s\u00e3o (somos) adeptos de uma Doutrina inteiramente fundada na l\u00f3gica e na raz\u00e3o, onde evid\u00eancias e hip\u00f3teses corroboram teorias, n\u00e3o se dando a posse sobre a verdade. N\u00e3o agindo assim, Carlos Seth Bastos, do “CSI do Espiritismo”, vem dizer que o tema Espiritualismo Racional e Espiritismo seria uma nova divis\u00e3o no movimento esp\u00edrita, sem ter a coragem (ou a vontade) de citar o nome do autor ao qual se refere.<\/p>\n\n\n\n

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A hist\u00f3ria se repetiu entre 2016 e 2020 agora no campo da moral, com o lan\u00e7amento de livros que procuraram trazer pensamentos de Kant, Maine de Biran e Victor Cousin para dentro do Espiritismo, mesmo que para isso precisassem deturpar as ideias de Allan Kardec.<\/p>\n\n\n\n

Sua propaga\u00e7\u00e3o, a pretexto de convencer as pessoas avessas \u00e0 religi\u00e3o, nos parece o mesmo discurso de Marius George (Surpreso que a ideia esp\u00edrita tinha recrutado t\u00e3o poucos adeptos do ex\u00e9rcito de republicanos, foi finalmente levado a ver que o obst\u00e1culo era inteiramente devido ao disfarce m\u00edstico sob o qual Allan Kardec o havia apresentado) e \u00c9mile Blin (At\u00e9 que tenhamos trazido \u00e0 Sociedade parisiense um n\u00famero suficiente de membros para entrar neste caminho de pesquisa, devemos, para ver nossas fileiras aumentarem, convidar a vir at\u00e9 n\u00f3s os incr\u00e9dulos e os descrentes para, pela palavra, deix\u00e1-los conhecer nossas inten\u00e7\u00f5es, provar-lhes nosso desinteresse e persuadi-los de nossa boa f\u00e9 e honestidade; ent\u00e3o, por experi\u00eancias t\u00e3o simples quanto poss\u00edvel, por em suas m\u00e3os os meios de adquirir para si a certeza de que tudo o que propomos \u00e9 real e, de fato, a doutrina imortalista \u00e9 a \u00fanica que, sem misticismo e sem ora\u00e7\u00f5es, d\u00e1 ao homem a consola\u00e7\u00e3o e a coragem no presente, e a esperan\u00e7a e a f\u00e9 no futuro).<\/p>\n\n\n\n

Pelo menos estes discursos n\u00e3o se sustentaram na fal\u00e1cia de uma improv\u00e1vel adultera\u00e7\u00e3o das obras de Allan Kardec.<\/p>\nBASTOS, Carlos Seth. B\u00f4nus adicional \u2013 O final. Esp\u00edritos sob investiga\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em: <https:\/\/www.luzespirita.org.br\/leitura\/pdf\/L193.pdf<\/a>>. Acesso em: 15\/04\/2023.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

Divis\u00e3o no Espiritismo?<\/h2>\n\n\n\n

Em primeiro lugar, importa destacar que o Espiritismo n\u00e3o se divide. Sendo uma verdade natural, \u00e9 una. Colocadas \u00e0 parte as dificuldades encontradas nas comunica\u00e7\u00f5es feitas sem controle, o Espiritismo \u00e9 um s\u00f3, em todos os tempos. O que, sim, pode se dividir, \u00e9 o Movimento Esp\u00edrita – e essa divis\u00e3o \u00e9 incont\u00e1vel. Atrav\u00e9s do tempo, depois de Kardec, dividiu-se com a “roustainguiza\u00e7\u00e3o”<\/em> e, depois, com incont\u00e1veis outras, por diversos motivos que n\u00e3o cabe citar aqui, mas que Simoni Privato, Paulo Henrique de Figueiredo e Wilson Garcia, dentre outros, contam bem em suas obras (refira-se a Obras Recomendadas<\/a>).<\/p>\n\n\n\n

Segundo Carlos Seth, “cabe\u00e7a” do CSI do Espiritismo, agora a divis\u00e3o se d\u00e1 no campo moral, porque Paulo Henrique de Figueiredo – esse o autor das referidas obras, de 2018 e 2020, a quem Seth nem sequer se digna a fazer refer\u00eancia – estaria distorcendo falas de Kardec para implantar, na Doutrina, algo que nada tem a ver com ela. Veremos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n

Em segundo lugar, importa abordar a senten\u00e7a “a pretexto de convencer as pessoas avessas \u00e0 religi\u00e3o”. Como se fazer esfor\u00e7os leg\u00edtimos e bem embasados para atrair o interesse de “pessoas avessas \u00e0 religi\u00e3o” fosse um dem\u00e9rito, j\u00e1 que (1) o Espiritismo n\u00e3o \u00e9 uma religi\u00e3o, (2) desenvolveu-se a partir de uma ci\u00eancia, como uma ci\u00eancia e (3) foi precisamente no meio n\u00e3o religioso que encontrou, em sua origem, a maior ader\u00eancia – justamente porque grande parte dos cientistas que se tornaram adeptos do Espiritismo estavam bem compenetrados do desenvolvimento do Espiritualismo Racional e de suas constata\u00e7\u00f5es cient\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n

Termina o autor novamente atacando quem, por outras evid\u00eancias e argumentos l\u00f3gicos e racionais, conclui pela probabilidade da adultera\u00e7\u00e3o1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n

Kardec defendeu o Espiritualismo Racional, mas Seth parece n\u00e3o saber disso<\/h2>\n\n\n\n

Antes de mais nada, por\u00e9m, precisaremos evocar Kardec e questionar o porqu\u00ea de ele ter defendido o tal Espiritualismo Racional – movimento filos\u00f3fico-cient\u00edfico encabe\u00e7ado por pessoas como Maine de Biran e Victor Cousin2<\/a><\/sup>. Ora, vemos, na Revista Esp\u00edrita de 1868, que:<\/p>\n\n\n\n

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A obra do Sr. Chassang \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o dessas ideias \u00e0 arte em geral, e \u00e0 arte grega em particular. Reproduzimos com prazer o que dela diz o autor da cr\u00edtica da Patrie, porque \u00e9 uma prova a mais da en\u00e9rgica rea\u00e7\u00e3o que se opera em favor das ideias espiritualistas e que, como o dissemos, toda defesa do espiritualismo racional franqueia o caminho do Espiritismo, que \u00e9 o seu desenvolvimento<\/mark><\/strong>, combatendo os seus mais tenazes advers\u00e1rios: o materialismo e o fanatismo.<\/p>\n\n\n\n

O Sr. Chassang \u00e9 o autor da hist\u00f3ria de <\/a>Apol\u00f4nio de Tiana<\/a>, \u00e0 <\/em>qual nos referimos na Revista<\/em> de outubro de 1862.<\/p>\n\n\n\n

\u201cEsse livro, de um car\u00e1ter todo especial, n\u00e3o foi feito por ocasi\u00e3o dos recentes debates sobre o materialismo e, sem a menor d\u00favida, \u00e9 independentemente da vontade do autor que as circunst\u00e2ncias lhe vieram dar uma esp\u00e9cie de atualidade. Escrevendo-o, o Sr. Chassang n\u00e3o pretendia fazer obra de metaf\u00edsico<\/strong>, mas de simples literato. N\u00e3o obstante, como as grandes quest\u00f5es de metaf\u00edsica est\u00e3o atualmente, como sempre, na ordem do dia<\/strong><\/mark>, e toda obra liter\u00e1ria verdadeiramente digna desse nome sup\u00f5e sempre algum princ\u00edpio filos\u00f3fico, esse livro, de uma inspira\u00e7\u00e3o espiritualista muito decidida, se acha em correla\u00e7\u00e3o com as preocupa\u00e7\u00f5es do momento<\/mark><\/strong>.<\/p>\nKARDEC, Allan. Revista Esp\u00edrita, novembro de 1868<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

Sendo que a metaf\u00edsica era um dos campos de estudo das ci\u00eancias filos\u00f3ficas, oficialmente<\/strong> institu\u00edda na Universidade de Sorbonne:<\/p>\n\n\n

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Imagem extra\u00edda do Tratado Elementar de Philosophia, de Paul Janet<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n

E isso n\u00e3o \u00e9 tudo. Antes disso, em 1863, Kardec diz, no artigo intitulado “Noticias bibliogr\u00e1ficas – O Espiritualismo racional<\/strong> pelo Sr. G. H. Love, engenheiro”:<\/p>\n\n\n\n

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Este livro not\u00e1vel e consciencioso \u00e9 obra de um distinto cientista, que se prop\u00f4s tirar da pr\u00f3pria Ci\u00eancia e da observa\u00e7\u00e3o dos fatos a demonstra\u00e7\u00e3o da realidade das<\/strong> ideias espiritualistas<\/mark><\/strong>. \u00c9 mais uma pe\u00e7a em apoio \u00e0 tese que sustentamos acima. \u00c9 mais ainda, porque \u00e9 um primeiro passo, quase oficial, da Ci\u00eancia, na via esp\u00edrita<\/strong>; ali\u00e1s, em breve ser\u00e1 seguido \u2500 e disto temos certeza \u2500 por outras ades\u00f5es mais ressonantes ainda, que levar\u00e3o os negadores e advers\u00e1rios de todas as escolas a refletir seriamente<\/p>\nKARDEC, Allan. Revista Esp\u00edrita, outubro de 186<\/em>3<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

Que sandice, senhor Kardec! Defendendo ideias que, segundo algumas pessoas, n\u00e3o tem nada a ver com o Espiritismo! Afirmando que o Espiritualismo Racional, ao qual se refere, no texto, apenas como “ideias espiritualistas” (o que nos leva a crer que, em outras refer\u00eancias do tipo – “espiritualismo”, “espiritualistas”, etc – ele se referia ao mesmo Espiritualismo Racional) seria algo obtido da observa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dos fatos! Ora, onde j\u00e1 se viu ci\u00eancia e espiritualismo andarem juntos? S\u00f3 se foi no passado, no tempo do “doido” Kardec.<\/p>\n\n\n\n

Maior sandice, na verdade, \u00e9 a de Paulo Henrique de Figueiredo, que resolveu investigar a fundo e descobriu que a metaf\u00edsica, ao tempo de Kardec, era uma das \u00e1reas de estudo das Ci\u00eancias Morais oficialmente<\/strong> ensinadas na Universidade de Paris e tamb\u00e9m na Escola Normal (refira-se a “Autonomia: a hist\u00f3ria jamais contada do Espiritismo”, desse autor). Tudo isso contido em obras que, at\u00e9 ent\u00e3o, eram desconhecidas ou esquecidas pelo mundo moderno.<\/p>\n\n\n\n

A grande dificuldade, por\u00e9m, ser\u00e1 que todos n\u00f3s, que acompanhamos o trabalho de Paulo Henrique e inclusive ele, teremos que negar a realidade, negar os documentos hist\u00f3ricos e as obras existentes, censurar as obras de Paul Janet, negar Kardec, negar suas conclus\u00f5es e suas afirma\u00e7\u00f5es, tudo a fim de n\u00e3o provocarmos uma nova cis\u00e3o, “agora no campo moral”. Em outras palavras: apaguemos e adulteremos a verdade, para que a moral, da forma que eles entendem, permane\u00e7a intocada. Bem, essa sanha de tomar a verdade para si, ignorando fatos, parece um h\u00e1bito do C<\/strong>arlos S<\/strong>eth I<\/strong>nvestiga do Espiritismo, como demonstramos no artigo “CSI do Espiritismo: o \u00f3rg\u00e3o oficial da Verdade<\/a>“.<\/p>\n\n\n\n

Tamb\u00e9m precisamos evocar o Esp\u00edrito do Sr. Love e ter uma s\u00e9ria conversa com ele, a fim de esclarecer sua ousadia em, sendo um espiritualista racional, afirmar que encontrou a mesma moral obtida em suas observa\u00e7\u00f5es, justamente no Espiritismo “de Kardec”:<\/p>\n\n\n\n

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A moral, tal qual a compreendo e a deduzi de no\u00e7\u00f5es cient\u00edficas \u2500 n\u00e3o temo reconhec\u00ea-lo \u2500 tem numerosos pontos de contacto com aquela transmitida pelos m\u00e9diuns do Sr. Allan Kardec. Tamb\u00e9m n\u00e3o estou longe de admitir que se nas p\u00e1ginas por eles escritas muitas h\u00e1 que n\u00e3o ultrapassam o alcance ordin\u00e1rio do esp\u00edrito humano, inclusive o deles, deve hav\u00ea-las, e as h\u00e1, de um tal alcance que lhes seria imposs\u00edvel escrever outras id\u00eanticas nos seus momentos ordin\u00e1rios.<\/p>\nLOVE, G. H. apud <\/em> KARDEC, Allan. Revista Esp\u00edrita, outubro, 1863.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

Creio n\u00e3o ser necess\u00e1rio seguir adiante. Deixo ao leitor a liberdade e a tarefa, se assim desejar, de buscar obter informa\u00e7\u00f5es que o permitam chegar, pelo seu pr\u00f3prio racioc\u00ednio, \u00e0s suas respostas. Apenas gostaria de citar mais uma vez Carlos Seth:<\/p>\n\n\n\n

\n

A doutrina esp\u00edrita \u00e9 progressiva, mas seu estudo \u00e9 a chave<\/strong>. Saibamos aguardar novos dados em vez de recusarmos alguns de seus aspectos<\/strong>, como por exemplo a a\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos nos fen\u00f4menos da natureza. Se ainda assim, determinada caracter\u00edstica, como a religiosa, nos incomoda a ponto de n\u00e3o conseguirmos p\u00f4-la de lado, deixemos de ser esp\u00edritas kardecistas para ent\u00e3o seguirmos quaisquer outras seitas oriundas do Espiritismo original. Apesar de recorrente na hist\u00f3ria,
\u00e9 isso que hoje presenciamos mais uma vez com laicos, ecl\u00e9ticos e sincr\u00e9ticos.<\/p>\nBASTOS, Carlos Seth. Ibidem. Grifos meus.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

Ah, se o sr. Carlos houvesse seguido seu pr\u00f3prio ensinamento<\/em> e estudado. Se soubesse aguardar, antes de pular precipitadamente \u00e0s tolas conclus\u00f5es apressadas… Teria visto Paulo Henrique afirmar, em Revolu\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita, o qu\u00e3o evidente \u00e9 que o Espiritismo complementa e desenvolve aquilo que o Espiritualismo Racional n\u00e3o p\u00f4de estudar, resolvendo, ali\u00e1s, muitos de seus erros, contradi\u00e7\u00f5es e incertezas. Ah, essa pressa de certos “pesquisadores renomados”…<\/p>\n\n\n\n

Por que Kardec n\u00e3o deu mais detalhes sobre o Espiritualismo Racional?<\/h2>\n\n\n\n

Cabe destacar que, \u00e0 obje\u00e7\u00e3o do porqu\u00ea Kardec n\u00e3o ter dado mais informa\u00e7\u00f5es sobre algo para ele t\u00e3o importante, precisamos responder o seguinte: o mesmo se deu com o Magnetismo, ci\u00eancia que ele declara ter estudado por mais de 35 anos. Ele simplesmente n\u00e3o se aprofundou sobre algo que estava t\u00e3o profundamente estabelecido em seu contexto, da mesma forma que, hoje, para falar sobre astronomia, n\u00e3o dedicamos tempo a narrar todo o contexto cient\u00edfico atual, nos limitando a falar, por exemplo, da teoria do Big Bang. Se, porventura, essa teoria fosse colocada no esquecimento, por encontrar-se superada ou pela ado\u00e7\u00e3o de outra teoria, n\u00e3o necessariamente correta, um leitor qualquer, no futuro, precisaria buscar resgatar esse conhecimento para bem compreender nossas teorias, suposi\u00e7\u00f5es e doutrinas.<\/p>\n\n\n\n

Devo apenas mencionar que, ao me pronunciar sobre o caso, solicitam-me provas de Kardec teria, como eu disse, defendido amplamente o Espiritualismo Racional. Eis minha resposta:<\/p>\n\n\n\n

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X, se os autores do artigo (PDF), de bom grado, tivessem se dedicado a estudar a obra desse autor, antes de criticar, teriam entendido muito facilmente todo esse contexto, de modo que eu n\u00e3o tivesse que ficar repetindo aqui toda a informa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 existe.<\/p>\n\n\n\n

J\u00e1 citei uma das vezes em que Kardec citou, com \u00eanfase, e nomeadamente, “Espiritualismo Racional”, afirmando que toda defesa dele seria favor\u00e1vel ao Espiritismo. Em outubro de 1863 (RE) voc\u00ea ter\u00e1 DOIS artigos muito interessantes sobre o assunto. Cito o in\u00edcio do segundo, ao final do n\u00famero (“O Espiritualismo racional pelo Sr. G. H. Love, engenheiro”):<\/p>\n\n\n\n

“Este livro not\u00e1vel e consciencioso \u00e9 obra de um distinto cientista, que se prop\u00f4s tirar da pr\u00f3pria Ci\u00eancia e da observa\u00e7\u00e3o dos fatos a demonstra\u00e7\u00e3o da realidade das ideias espiritualistas. \u00c9 mais uma pe\u00e7a em apoio \u00e0 tese que sustentamos acima. \u00c9 mais ainda, porque \u00e9 um primeiro passo, quase oficial, da Ci\u00eancia, na via esp\u00edrita”.<\/p>\n\n\n\n

V\u00e1 at\u00e9 o Google e coloque assim: “site:kardecpedia.com<\/a> espiritualismo”, e encontrar\u00e1 muita coisa.<\/p>\n\n\n\n

Ora, se Kardec falava de fluidos (vital, el\u00e9trico, magn\u00e9tico, etc) n\u00e3o nos cabe investigar o que \u00e9 isso, ao inv\u00e9s de adotar, cegamente, teorias erradas? Vamos ent\u00e3o verificar que era um conceito da ci\u00eancia da \u00e9poca, superada pela ci\u00eancia atual e, ao que tudo indica, abandonada por Kardec, ap\u00f3s convencer-se da veracidade da teoria de Mesmer. Sem fazer isso, caio no erro de dizer que Mesmer e Espiritismo n\u00e3o tem nada a ver, sem saber que Kardec TAMB\u00c9M defendeu o Magnetismo de Mesmer.<\/p>\n\n\n\n

Afinal, que linha de pesquisa \u00e9 essa, para a qual querem dar tantos ares de seriedade e confian\u00e7a, mas que comete um erro t\u00e3o grave e absurdo como tal, com o agravante de dar senten\u00e7as finais sobre este ou aquele assunto, influenciando o meio esp\u00edrita para uma nova cis\u00e3o que n\u00e3o existe sen\u00e3o em suas mentes, apegadas a uma discord\u00e2ncia inicial3<\/a><\/sup>?<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

Terminam por cair no rid\u00edculo e no descr\u00e9dito aqueles que assim agem. N\u00e3o que n\u00e3o estejamos livres, de nossa parte, de incorrer em erros do g\u00eanero ou outros piores, mas o estudo do Espiritismo e do proceder cient\u00edfico de Kardec muito nos tem ajudado nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n

O monop\u00f3lio do bom-senso<\/h2>\n\n\n\n

Termino com uma observa\u00e7\u00e3o de Kardec, feita sobre o artigo “A bibliotec\u00e1ria de Nova York”, na Revista Esp\u00edrita de maio de 1860. N\u00e3o \u00e9 relacionado ao tema principal, mas, quem sabe, nos sirva de reflex\u00e3o. Os grifos s\u00e3o meus, como sempre:<\/p>\n\n\n\n

\n

Sobre o artigo, faremos uma primeira observa\u00e7\u00e3o: \u00e9 a displic\u00eancia com que os negadores dos Esp\u00edritos se atribuem o monop\u00f3lio do bom-senso<\/strong>. \u201cOs espiritualistas, diz o autor, a\u00ed veem um exemplo a mais das manifesta\u00e7\u00f5es do outro mundo. As pessoas sensatas <\/em>n\u00e3o v\u00e3o buscar a explica\u00e7\u00e3o t\u00e3o longe e reconhecem claramente <\/em>os sintomas de uma alucina\u00e7\u00e3o\u201d. Assim, conforme esse autor, s\u00f3 s\u00e3o sensatas as pessoas que pensam como ele; as demais n\u00e3o t\u00eam senso comum<\/strong>, mesmo que fossem doutores, e o Espiritismo os conta aos milhares. Estranha mod\u00e9stia, na verdade, a que tem como m\u00e1xima: ningu\u00e9m tem raz\u00e3o, salvo n\u00f3s e nossos amigos!<\/strong><\/p>\nKARDEC, Allan. Revista Esp\u00edrita, maio de 1860<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

Os documentos que eles encontraram, corroborando uma hip\u00f3tese<\/strong> de n\u00e3o adultera\u00e7\u00e3o, s\u00e3o, segundo eles, comprobat\u00f3rios, d\u00e3o senten\u00e7as finais – mesmo sendo nada mais que evid\u00eancias que n\u00e3o explicam muitas coisas. Fora disso, segundo eles, \u00e9 tudo descart\u00e1vel, fal\u00e1cia ou inven\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n

O questionamento \u00e9 natural, salutar e necess\u00e1rio. Ele nos instiga a pesquisar, a reler, a estudar. Mas seria ainda mais produtivo se a opini\u00e3o discordante nascesse, sempre, de um profundo embasamento bibliogr\u00e1fico e cient\u00edfico, de modo a n\u00e3o terminar como os Srs. Schiff e Jobert (Revista Esp\u00edrita, junho, 1859) que, tendo descoberto no estalar de um m\u00fasculo a confirma\u00e7\u00e3o de uma<\/strong> hip\u00f3tese, terminaram por afirmar categoricamente, com palavra final, contra todos os fen\u00f4menos esp\u00edritas. Bem, basta ler o artigo para certificar-se do rid\u00edculo no qual ca\u00edram frente aos fatos apresentados por Kardec.<\/p>\n\n\n\n

Isso \u00e9 ci\u00eancia. Isso \u00e9 desapego. Isso \u00e9 compromisso com a verdade. Por todo esse compromisso, longe de configurar como um ataque, mas como uma defesa, fa\u00e7o o que eles n\u00e3o fizeram, e dou nome e sobrenome \u00e0queles que atacam de maneira leviana o trabalho de outros. <\/p>\n\n\n\n

Estranhamente, Seth v\u00ea uma divis\u00e3o ao tratar do movimento que deu base ao surgimento do Espiritismo, mas n\u00e3o v\u00ea problema algum em ficar fu\u00e7ando e trazendo \u00e0 tona fofocas da \u00e9poca, lan\u00e7ada por m\u00e9diuns que n\u00e3o quiseram se adequar \u00e0quilo que a Doutrina Esp\u00edrita demandava. Vai entender…<\/p>\n

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