{"id":6777,"date":"2022-09-08T10:37:10","date_gmt":"2022-09-08T13:37:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/?p=6777"},"modified":"2023-10-28T19:36:32","modified_gmt":"2023-10-28T22:36:32","slug":"the-true-psychology-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/en\/articles-2\/opinion-article-2\/the-true-psychology-2\/","title":{"rendered":"The real psychology"},"content":{"rendered":"
<\/a>
<\/a><\/div>\nA palavra psicologia <\/em>significa, literalmente, “estudo da alma” (\u03c8\u03c5\u03c7\u03ae, psych\u00e9, “alma” – \u03bb\u03bf\u03b3\u03af\u03b1, logia, “tratado”, “estudo”). N\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, o que vemos refletido nos estudos atuais – e de longa data – sobre o tema, pois, por mais que essa \u00e1rea se aproxime do entendimento da alma como “o princ\u00edpio inteligente, a racionalidade e o pensamento”, ainda procura na mat\u00e9ria cerebral a origem de todas as caracter\u00edsticas do indiv\u00edduo1<\/a><\/sup>. <\/p>\n\n\n\n A \u00e1rea de pesquisa do ser<\/em> humano, de sua “psych\u00e9” (psique) est\u00e1 predominantemente caracterizada pelas ideias aristot\u00e9licas que definem o ser<\/em> como um resultado do corpo – ideias essas que, varando pelos s\u00e9culos, criaram, em contr\u00e1rio \u00e0 filosofia de S\u00f3crates e Plat\u00e3o, aut\u00f4noma e espiritualista em ess\u00eancia, uma lament\u00e1vel doutrina heter\u00f4noma e materialista, que, al\u00e9m de retirar do ser<\/em> os princ\u00edpios da autonomia e da vontade, fizeram surgir as absurdas ideias de racismo, eugenia e, no campo individual, da heteronomia, que, do indiv\u00edduo, contamina seu meio social e, por fim, define as estruturas sociais, filos\u00f3ficas e pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n Pautada e contaminada pela ideia aristot\u00e9lica, onde o indiv\u00edduo atribui, quando puramente materialista, todas as suas caracter\u00edsticas morais \u00e0 gen\u00e9tica do corpo e, quando “espiritualista”, a um ou mais seres atuantes como \u00e1rbitros (como se Deus, ou “os deuses”, fossem seres vingativos, interferentes) ou impelentes ao mal – o diabo, o(s) dem\u00f4nio(s), etc. – a sociedade se descarateriza como social, tornando-se predominantemente ego\u00edsta e insulando o ser em si mesmo, visando o atendimento de suas<\/strong> necessidades materiais, ao inv\u00e9s de lev\u00e1-lo \u00e0 compreens\u00e3o de sua vontade como princ\u00edpio de tudo, no exerc\u00edcio di\u00e1rio e solid\u00e1rio com o outro. <\/p>\n\n\n\n As religi\u00f5es, enfim, tiraram, por interesses sect\u00e1rios, a autonomia do indiv\u00edduo, para o subordinarem a caprichos e castigos de outros seres, interferentes, belicosos e vingativos, quando n\u00e3o maldosos, ao passo que a ci\u00eancia, n\u00e3o vendo racionalidade nos princ\u00edpios dogm\u00e1ticos das religi\u00f5es, negando-a em completo, renegou a espiritualidade humana, para, ent\u00e3o, cair no mesmo erro, tirando a autonomia do indiv\u00edduo ao transform\u00e1-lo em “boneco-de-ventr\u00edloquo” da qu\u00edmica corporal. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a eugenia darwinista se fundamentava em Arist\u00f3teles, pois, se por um lado acerta na observa\u00e7\u00e3o do fato natural da sele\u00e7\u00e3o, por outro, estende-o ao ser humano, colocando-o, uma vez mais, como efeito<\/em> de seu corpo, e n\u00e3o como fator determinante sobre ele. Dizia Darwin: “Lineu e Cuvier foram as minhas duas divindades, mas n\u00e3o passam de colegiais quando comparados ao velho Arist\u00f3teles.”.<\/p>\n\n\n\n N\u00e3o sab\u00edamos n\u00f3s, por\u00e9m, que, por expressiva quantidade de tempo, e na capital do mundo<\/em> dos s\u00e9culos XVIII e XIX, nasceu uma corrente filos\u00f3fica que retomou os conceitos da autonomia do indiv\u00edduo como princ\u00edpio fundamental da exist\u00eancia e da defini\u00e7\u00e3o do (ou de) ser<\/em>. Uma filosofia que definiu<\/strong> as ci\u00eancias morais<\/em> francesas2<\/a><\/sup> e que passou a ser mat\u00e9ria fundamental na Escola Normal, na forma\u00e7\u00e3o dos professores<\/strong>, e que depois passou a ser adotada nos liceus e nos col\u00e9gios, mas que foi sorrateiramente apagada da hist\u00f3ria humana, juntamente a duas outras ci\u00eancias filos\u00f3ficas de mesmo fundamento, como veremos a seguir.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n Foi no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX que Maine de Biran e, depois, Victor Cousin, entre outros, retomaram o conceito da vontade<\/em> como princ\u00edpio elaborado psicologicamente pela alma, definindo o livre-arb\u00edtrio. Para esses pensadores – numa \u00e9poca em que, como vimos, a filosofia era tratada como ci\u00eancia<\/em> – a autonomia do indiv\u00edduo est\u00e1 fundamentada na vontade como carater\u00edstica da alma. Desse princ\u00edpio fundamental, nasceram os princ\u00edpios que afastaram o ser da heteronomia, colocando-o como agente aut\u00f4nomo de si mesmo e, por sua a\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria, da sociedade. O indiv\u00edduo n\u00e3o era mais um reflexo de sua gen\u00e9tica<\/em> (ou, como pensavam na \u00e9poca, de suas disposi\u00e7\u00f5es biliares<\/em>3<\/a><\/sup>, mas o reflexo prim\u00e1rio de sua vontade<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n Isso revolucionou a psicologia da \u00e9poca e transformou totalmente as ci\u00eancias morais, pois colocou o indiv\u00edduo na condi\u00e7\u00e3o de \u00fanico respons\u00e1vel real por suas condi\u00e7\u00f5es e escolhas morais. Mais: passou a tratar dos temas morais, sob esses princ\u00edpios, de forma a separar o que era externo ao indiv\u00edduo – as emo\u00e7\u00f5es (na \u00e9poca chamadas paix\u00f5es<\/em>), os prazeres, a dor f\u00edsica, etc – do que era interno<\/em> ao indiv\u00edduo – as escolhas, nascidas da vontade de sua alma (sendo que a alma seria, para eles, o ser que define a vontade e que sobrevive \u00e0 morte, sem, por\u00e9m, investig\u00e1-la nesse estado) que, por fim, determinariam seu estado de felicidade ou de infelicidade. <\/p>\n\n\n\n Esse conhecimento \u00e9 fant\u00e1stico e merece ser recuperado e estudado! Veja: hoje, definimos (ou confundimos) nosso estado de felicidade e infelicidade pelos fatores externos – se n\u00e3o tenho dinheiro para viajar, ou se tenho um corpo debilitado, ou se perdi pessoas queridos, me acho<\/em> infeliz, sendo que a felicidade, para o pensamento materialista vigente, estaria nas coisas do mundo – as festas, as viagens, o dinheiro, etc. Ao compreender essa moral definida por essa filosofia espiritualista – o espiritualismo racional, como ficou conhecida – passamos a separar as coisas: posso estar<\/em> infeliz por uma condi\u00e7\u00e3o ou acontecimento, ou n\u00e3o ter prazeres por conta de n\u00e3o ter dinheiro, ou por ter uma sa\u00fade debilitada, ou limita\u00e7\u00f5es corporais, mas n\u00e3o \u00e9 isso que define minha felicidade, pois esta \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o<\/strong> da vontade de minha alma no que tange \u00e0 moral, isto \u00e9, no meu esfor\u00e7o pelo desapego<\/em> de tudo aquilo que nasce das condi\u00e7\u00f5es exteriores \u00e0 minha vontade. Por exemplo: como condi\u00e7\u00e3o exterior \u00e0 minha vontade, definida pela minha alma, existe o impulso corporal de reagir com viol\u00eancia a determinada situa\u00e7\u00e3o; ao permitir que esse \u00edmpeto, que nasce do instinto de prote\u00e7\u00e3o, domine minha vontade, posso realizar a\u00e7\u00f5es que me fa\u00e7am, posteriormente, arrepender-me (quando me conscientizar), pelo que sofrerei. Se me apegar a tal modo de agir, desenvolverei um h\u00e1bito e, da\u00ed, um v\u00edcio, que me far\u00e1 sofrer indefinidamente, at\u00e9 que, me arrependendo, resolva, de forma consciente, buscar me desapegar desse erro, num esfor\u00e7o que s\u00f3 pode ser aut\u00f4nomo, e n\u00e3o impositivo.<\/p>\n\n\n\n Talvez quem tenha melhor definido esses conceitos seja Paul Janet, em duas obras principais: “Pequenos Elementos de Moral”, uma obra muito sucinta e simples de ler (recomendamos a leitura!), dispon\u00edvel para download aqui<\/a> e tamb\u00e9m dispon\u00edvel no Amazon Kindle, e “Tratado Elementar de Philosophia<\/a>“, uma obra bastante maior e mais complexa.<\/p>\n\n\n\n Mas n\u00e3o para por a\u00ed. Mencionamos a quest\u00e3o da bile negra e da bile branca, que tomou os conceitos m\u00e9dicos da \u00e9poca e que, pelas absurdas a\u00e7\u00f5es impostas aos doentes, como a sangria ou os “rem\u00e9dios”, que misturavam at\u00e9 veneno, debilitavam e, por vezes, matavam os doentes. Contr\u00e1rio a essas ideias, ainda no s\u00e9culo XVIII, Mesmer, ao observar alguns pacientes, chegou – de forma muito resumida – a elaborar conceitos tamb\u00e9m aut\u00f4nomos no tratamento da sa\u00fade, teorizando que o indiv\u00edduo poderia tamb\u00e9m se<\/em> curar pela a\u00e7\u00e3o de sua vontade. Hahnemann, com a homeopatia, seguiu o mesmo princ\u00edpio. Para Mesmer, o agente externo, agindo atrav\u00e9s da vontade do indiv\u00edduo doente – o que ficou conhecido por magnetismo –<\/em> poderia auxili\u00e1-lo a atingir, atrav\u00e9s de um trabalho persistente, curas que, para muitos, seriam imposs\u00edveis e, em alguns casos, quase milagrosas (o que, de fato, n\u00e3o era: trava-se apenas de uma ci\u00eancia desconhecida). Tal era a exatid\u00e3o de suas teorias que, j\u00e1 naquela \u00e9poca, e contra as teorias cient\u00edficas de ent\u00e3o, elas se alinhavam aos conceitos ora vigentes e demonstrados pela f\u00edsica moderna, como os da Teoria Qu\u00e2ntica de Campos e da exist\u00eancia de uma mat\u00e9ria elementar, “quintessenciada”, que d\u00e1 origem a toda a mat\u00e9ria (mat\u00e9ria escura). \u00c9 todo um conhecimento que demandaria um verdadeiro livro para trat\u00e1-lo. Como esse livro j\u00e1 existe, recomendamos sua leitura: “Mesmer: a ci\u00eancia negada do magnetismo animal”, de Paulo Henrique de Figueiredo.<\/a><\/p>\n\n\n\n Mencionamos tamb\u00e9m a quest\u00e3o de o estudo dos espiritualistas racionais estar limitado \u00e0 compreens\u00e3o da alma como agente da vontade, exterior ao corpo e dominante sobre ele, sobrevivente \u00e0 morte (por mera infer\u00eancia racional dos postulados anteriores), mas de posterior destino desconhecido, posto que inobserv\u00e1vel. Acontece, por\u00e9m, que “algo” vinha acontecendo, ganhando terreno para o estabelecimento de uma nova ci\u00eancia, nascida, na \u00e9poca, como todas as outras: pela observa\u00e7\u00e3o racional e metodol\u00f3gica dos fatos da natureza.<\/p>\n\n\n\n Diz Paulo Henrique de Figueiredo, em \u201dMesmer: a ci\u00eancia negada do magnetismo animal\u201d:<\/p>\n\n\n\n \u201cOs magnetizadores comprovaram muito cedo as rela\u00e7\u00f5es dos son\u00e2mbulos com seres invis\u00edveis<\/strong>. Deleuze, disc\u00edpulo de Mesmer, em sua correspond\u00eancia mantida com o doutor G. P. Billot por mais de quatro anos, de mar\u00e7o de 1829 at\u00e9 agosto de 1833, inicialmente foi relutante, mas por fim afirmou: \u201cO magnetismo demonstra a espiritualidade da alma e a sua imortalidade; ele prova a possibilidade da comunica\u00e7\u00e3o das intelig\u00eancias separadas da mat\u00e9ria com as que lhes est\u00e3o ainda ligadas<\/strong>.\u201d (BILLOT, 1839)\u201d<\/p>\n\n\n\n […]<\/p>\n\n\n\n Por sua vez, Deleuze afirmou: \u201cN\u00e3o vejo raz\u00e3o para negar a possibilidade da apari\u00e7\u00e3o de pessoas que, tendo deixado esta vida, ocupam-se daqueles que aqui amaram e a eles se venham manifestar, para lhes transmitir salutares conselhos. Acabo de ter disto um exemplo<\/strong>.\u201d (Ibidem)<\/p>\n\n\n\n […]<\/p>\n\n\n\n \u201cAnos depois, o magnetizador Louis Alphonse Cahagnet (1809-1885), com coragem e determina\u00e7\u00e3o, conversou com os esp\u00edritos por meio de seus son\u00e2mbulos em \u00eaxtase, principalmente Ad\u00e8le Maginot, registrando em sua obra mais de cento e cinquenta cartas assinadas por testemunhas que reconheceram a identidade dos esp\u00edritos comunicantes<\/strong>. Cahagnet antecipou em mais de dez anos esse instrumento de pesquisa da ci\u00eancia esp\u00edrita.\u201d<\/p>\nFIGUEIREDO. Mesmer: a ci\u00eancia negada do magnetismo animal.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n Chegamos, portanto, ao nascimento da ci\u00eancia esp\u00edrita, uma ci\u00eancia<\/em>, e n\u00e3o, como muitos julgam, uma “religi\u00e3o”. Posto no corrente dos fatos que pululavam<\/em> pela Europa (e pelo mundo, na verdade) e, afastando, pela investiga\u00e7\u00e3o, as charlatanices que visavam apenas atrair curiosos e suas bolsas de dinheiro, o professor Rivail4<\/a><\/sup> colocou-se, ap\u00f3s muita insist\u00eancia de alguns conhecidos, a um estudo que culminou naquilo que ficou conhecido como Espiritismo, que, ao inv\u00e9s de nascer, como todas as doutrinas religiosas, da opini\u00e3o isolada de um indiv\u00edduo ou de um grupo, nasceu da an\u00e1lise racional de milhares de comunica\u00e7\u00f5es, obtidas de todos os “cantos” do mundo, da mesma forma que os magnetizadores que o precederam tamb\u00e9m obtiveram as suas: atrav\u00e9s de indiv\u00edduos colocados em estado de sonambulismo, induzido pelo magnetismo (de Mesmer). Um fato estava firmado, sustentado pela raz\u00e3o: a alma, antes ininvestig\u00e1vel, poderia, por sua vontade, se comunicar atrav\u00e9s da alma do indiv\u00edduo colocado em estado sonamb\u00falico. <\/p>\n\n\n\n Atrav\u00e9s dessas comunica\u00e7\u00f5es, Allan Kardec, nome adotado por Rivail com a finalidade de n\u00e3o confundir seus trabalhos como educador e cientista com seus novos estudos, inaugurou uma nova era no estudo psicol\u00f3gico, pois, agora, plenamente alinhado aos conceitos j\u00e1 elaborados pelo espiritualismo racional, estudava a alma em seu estado, ap\u00f3s a morte, de felicidade ou infelicidade, frutos de suas escolhas. N\u00e3o s\u00f3: contra as ideias pr\u00e9-concebidas que tinha, junto a outros estudiosos<\/strong>, a respeito da origem da alma, comunica\u00e7\u00f5es de incont\u00e1veis Esp\u00edritos evidenciaram, pela raz\u00e3o, a lei da reencarna\u00e7\u00e3o <\/em>como elemento necess\u00e1rio ao progresso incessante do Esp\u00edrito5<\/a><\/sup>, em suas escolhas de retorno \u00e0 mat\u00e9ria, para dar prosseguimento ao seu aprendizado e, em muitos casos, para, ap\u00f3s o processo de arrependimento, mediante suas escolhas<\/em><\/strong>, e n\u00e3o por uma imposi\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria, dar lugar \u00e0s provas necess\u00e1rias para a busca pelo desapego de h\u00e1bitos e v\u00edcios que, transformados em imperfei\u00e7\u00f5es, os levaram ao sofrimento.<\/p>\n\n\n\n Tais estudos complementaram aquilo que o Espiritualismo Racional n\u00e3o p\u00f4de explicar e demonstraram<\/em> que a autonomia do ser, definida por sua vontade e pelo seu livre-arb\u00edtrio, era, sim, fator determinante em seu progresso e, consequentemente, em seu estado de felicidade ou infelicidade, \u00e0 medida que a felicidade estaria em quanto mais pr\u00f3ximo da lei natural estivesse, ao passo que a infelicidade estaria em lutar contra ela, desenvolvendo apegos. Em reconhecendo o estado de infelicidade e seu motivo, o Esp\u00edrito escolheria novas oportunidades que proporcionassem aprendizado, n\u00e3o sendo, em nenhuma hip\u00f3tese, o efeito de um castigo imposto pelo erro cometido.<\/p>\n\n\n\n Eis, prezado leitor, os fatos da verdadeira revolu\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e filos\u00f3fica que, por mais de um s\u00e9culo, ficou desconhecida pela sociedade, varrida para baixo do tapete por uma forte rea\u00e7\u00e3o materialista. Outrora reconhecida como ci\u00eancia, hoje, sob o imp\u00e9rio de um entendimento materialista – e inexato – do que \u00e9 ci\u00eancia<\/em>, \u00e9 tratada como pseudoci\u00eancia<\/em>, descreditada e desacreditada sob essa classifica\u00e7\u00e3o. Eis os fatos que, atualmente, s\u00e3o inconceb\u00edveis de serem abordados nas salas de aula das turmas de filosofia, medicina, psicologia e afins. Eis os fatos, enfim, que levaram todo o mundo a mergulhar ou se manter sob os tem\u00edveis princ\u00edpios que tiram do ser a autonomia e que transformam o homem numa verdadeira massa de carne, definida por sua qu\u00edmica corporal e, por conseguinte, pelo seu DNA. N\u00e3o se busca, hoje, em geral, investigar a origem da infelicidade, da depress\u00e3o ou dos dist\u00farbios pela investiga\u00e7\u00e3o da alma e de sua vontade: busca-se, pelo contr\u00e1rio, investigar qual \u00e9 gene da psicopatia, n\u00e3o se cogitando que as “anomalias” seriam definidas pela alma, e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n Acontece, por\u00e9m, que o ser humano, exatamente pelo progresso espiritual, que n\u00e3o cessa, a cada dia mais busca<\/strong> a autonomia, porque, lenta e progressivamente, se aproxima, pela pr\u00f3pria raz\u00e3o, da constata\u00e7\u00e3o e do entendimento desses princ\u00edpios, j\u00e1 que o progresso do Esp\u00edrito n\u00e3o se d\u00e1 apenas no estado de encarna\u00e7\u00e3o. Come\u00e7am a ganhar for\u00e7a, tanto na sociedade em geral, como nos meios cient\u00edficos, as ideias aut\u00f4nomas que, a cada dia mais, voltam a se aproximar dessa verdade arbitrariamente apagada do conhecimento humano, no passado. \u00c9 por isso que, veementemente, indicamos o estudo das obras citadas para, depois, indicar, \u00e0queles que se sintam compelidos a isso, o estudo da Revista Esp\u00edrita, elaborada por Kardec, de janeiro de 1858 a abril de 1869, onde fica exposta, com muita clareza, a forma\u00e7\u00e3o dessa doutrina filos\u00f3fica e moral que, para ser bem entendida, carece da compreens\u00e3o do contexto em que nasceu e se formou.<\/p>\n\n\n\n Dissemos da verdade arbitrariamente apagada do conhecimento humano. O Espiritismo, tendo sido a \u00fanica doutrina cient\u00edfica e filos\u00f3fica que se aprofundou no estudo da psicologia do Esp\u00edrito ap\u00f3s a morte do corpo – eis a raz\u00e3o de a Revista Esp\u00edrita receber, como subt\u00edtulo, “Jornal de Estudos Psicol\u00f3gicos” – estudou os fatos que lhes foram dados de forma racional e com metodologia cient\u00edfica (que pode ser muito bem entendida atrav\u00e9s do estudo s\u00e9rio da obra de Allan Kardec, e sobre a qual j\u00e1 falamos algumas vezes, em nossos artigos). <\/p>\n\n\n\n Devidamente contextualizada em sua \u00e9poca, a Doutrina Esp\u00edrita, era de tal maneira racional e l\u00f3gica, clara e, de certa forma, simples, que “convertia”6<\/a><\/sup> incont\u00e1veis pessoas, at\u00e9 mesmo ateus e materialistas, desde as classes oper\u00e1rias at\u00e9 os ocupantes dos mais altos postos sociais. Hoje, por\u00e9m, o Movimento Esp\u00edrita, contaminado, por mais de um s\u00e9culo, por adultera\u00e7\u00f5es nas duas obras finais de Kardec e por ideias incutidas em seu meio, perdeu justamente essa caracter\u00edstica racional e l\u00f3gica de uma ci\u00eancia observacional. Atualmente, muitos se afastam do meio esp\u00edrita justamente por verem seus racioc\u00ednios chocados contra falsos conceitos de pagamento de d\u00edvidas, carma, castigo divino atrav\u00e9s da reencarna\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o desarrazoada de qualquer suposta psicografia esp\u00edrita, sem submet\u00ea-la, como recomendava Kardec, ao crivo da raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n Eis o porqu\u00ea da necessidade de estudar e conhecer o Espiritismo nas obras [originais7<\/a><\/sup>] de Kardec. O Espiritismo nunca<\/strong> foi uma religi\u00e3o, nem nasceu com o intuito de disputar com as religi\u00f5es um posto que n\u00e3o lhe compete8<\/a><\/sup>. \u00c9, antes de tudo, uma ci\u00eancia moral, como demonstramos, mas tamb\u00e9m uma ci\u00eancia nascida da observa\u00e7\u00e3o dos fatos da natureza. Estudado como tal, afasta preconceitos e ataca o \u00fanico real inimigo da autonomia humana, o materialismo, demonstrando-o falso e insustent\u00e1vel.<\/p>\n\n