{"id":6381,"date":"2022-05-27T18:05:19","date_gmt":"2022-05-27T21:05:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/?p=6381"},"modified":"2023-09-30T21:03:20","modified_gmt":"2023-10-01T00:03:20","slug":"analysis-of-the-work-the-book-of-spirits-the-endless-work","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/en\/artigos\/em-destaque\/analise-da-obra-o-livro-dos-espiritos-a-obra-interminavel\/","title":{"rendered":"Analysis of the work \u201cThe Spirits\u2019 Book \u2013 The Interminable Work\u201d"},"content":{"rendered":"
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Sob um t\u00edtulo muito interessante, encontrei, hoje, essa obra, um comp\u00eandio de perguntas e respostas, distribu\u00edda gratuitamente, em PDF, na Internet. Fui ent\u00e3o analis\u00e1-la, raz\u00e3o pela qual deixo, aqui, minhas observa\u00e7\u00f5es sobre esse trabalho.<\/p>\n\n\n\n

Devo destacar que a inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de denegrir ou zombar dos esfor\u00e7os que muitos fazem, e que, creio eu, tem uma boa inten\u00e7\u00e3o, quase sempre. Contudo, precisamos, quando falamos em Espiritismo, entender que essa ci\u00eancia, em definitivo, n\u00e3o se faz de opini\u00f5es isoladas<\/strong>, e que qualquer comunica\u00e7\u00e3o esp\u00edrita que n\u00e3o tenha atendido ao m\u00e9todo do duplo controle da raz\u00e3o e da universalidade dos ensinamentos dos Esp\u00edritos n\u00e3o pode ser tomada, sen\u00e3o, como uma opini\u00e3o. No artigo “O papel do pesquisador e do m\u00e9dium nas comunica\u00e7\u00f5es com os Esp\u00edritos<\/a>” j\u00e1 apontamos, segundo o Espiritismo, as diversas raz\u00f5es para isso.<\/p>\n\n\n\n

Essa obra assim inicia:<\/p>\n\n\n\n

\n

Esta obra, elaborada por esp\u00edritos encarnados e desencarnados, est\u00e1 estruturada em perguntas e respostas, notas explicativas e textos complementares, notas de rodap\u00e9 e preces. Destina-se a todos que desejam iniciar ou aprofundar seu v\u00ednculo com o Criador atrav\u00e9s da leitura instrutiva e reflexiva, da ora\u00e7\u00e3o, da pr\u00e1tica do amor e da caridade, do autoconhecimento e da busca constante por reforma \u00edntima<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

At\u00e9 bem pouco tempo atr\u00e1s eu n\u00e3o veria nisso problema algum. Hoje, por\u00e9m, eu entendo que existe um grande equ\u00edvoco na t\u00e3o falada “reforma \u00edntima”, que nunca<\/strong> esteve, nem com essas palavras, nem com outras, na obra de Allan Kardec. Por qu\u00ea? Simplesmente porque n\u00e3o se reforma o que n\u00e3o est\u00e1 estragado. Ora, somos Esp\u00edritos em evolu\u00e7\u00e3o, errando e acertando e, algumas vezes, adquirindo maus h\u00e1bitos que se tornam imperfei\u00e7\u00f5es. Quando existe a imperfei\u00e7\u00e3o, haveremos de ter algum trabalho em nos desapegar dela – a\u00ed sim havendo um certo trabalho de “reforma” – contudo n\u00e3o podemos admitir como pressuposto generalizado o fato de que todos n\u00f3s devamos nos reformar, como o Movimento Esp\u00edrita tem apregoado largamente. Isso coloca um grande peso de culpa nas costas daqueles que est\u00e3o simplesmente buscando aprender e evoluir, mas que passam a se acreditar, sempre, como “coisas quebradas” – e isso est\u00e1, no fundo, ligado \u00e0s falsas concep\u00e7\u00f5es da queda pelo pecado.<\/p>\n\n\n\n

Complementa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n

No cap\u00edtulo I – Complementa\u00e7\u00e3o – I – Prop\u00f3sito da Obra, diz-se o seguinte:<\/p>\n\n\n\n

\n

1. Com qual prop\u00f3sito foi lan\u00e7ado O Livro dos Esp\u00edritos, em 1857, por Allan Kardec?
\u2014 Libertar os encarnados atrav\u00e9s da verdade, instru\u00ed-los e, consequentemente, lev\u00e1-los \u00e0 pr\u00e1tica do bem.<\/p>\n\n\n\n

A. Esse prop\u00f3sito foi alcan\u00e7ado?
\u2014 Sim; obviamente que depende do livre-arb\u00edtrio de cada indiv\u00edduo, mas tudo est\u00e1 nos planos de Deus.<\/p>\n\n\n\n

B. Diante disso, \u00e9 necess\u00e1rio complement\u00e1-lo?
\u2014 Sim, as comunica\u00e7\u00f5es e formas de entendimento modificam-se com o passar do tempo, e \u00e9 importante que os ensinamentos acompanhem essas mudan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n

Nota: A inten\u00e7\u00e3o jamais ser\u00e1 contestar o que j\u00e1 foi escrito, e sim afirm\u00e1-lo com mais clareza e objetividade, para que n\u00e3o haja dubiedade de entendimento, trazendo a verdade de modo mais expl\u00edcito, com o intuito de promovermos a pr\u00e1tica outrora exemplificada pelo mestre Jesus.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

\u00c9 claro que, para complementar alguma coisa, sobretudo quando se trata de complementar o Espiritismo, atrav\u00e9s de “comunica\u00e7\u00f5es de Esp\u00edritos Superiores”, \u00e9 totalmente necess\u00e1rio que uma s\u00e9rie de quesitos se cumpra:<\/p>\n\n\n\n

    \n
  1. O ser humano deve estar preparado para isso, tendo conhecido e entendido profundamente, e de forma contextualizada, tudo aquilo que deu base \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dessa Doutrina. Como veremos, esse primeiro ponto n\u00e3o foi atendido.<\/li>\n\n\n\n
  2. Quando os Esp\u00edritos demandam auxiliar o homem a alcan\u00e7ar novos conhecimentos, eles agem distribuindo o mesmo conhecimento atrav\u00e9s de todos os cantos do mundo, simultaneamente<\/em>. Isso \u00e9 necess\u00e1rio<\/strong> a fim de que, \u00e0 luz da l\u00f3gica e da raz\u00e3o, os pesquisadores da doutrina possam confrontar as ideias transmitidas por todos os lados, realizando o mesmo m\u00e9todo cient\u00edfico que Kardec realizou. Talvez<\/strong> os pesquisadores tenham realizado uma certa an\u00e1lise racional, mas, desde que isso n\u00e3o se d\u00e1 pela universalidade dos ensinamentos dos Esp\u00edritos e desde que n\u00e3o nos foi dado conhecer o m\u00e9todo empregado – que parece consistir apenas de perguntas e respostas realizadas a alguns Esp\u00edritos, supostamente superiores, atrav\u00e9s de um m\u00e9dium ou mais, do mesmo grupo, esse segundo ponto tamb\u00e9m n\u00e3o foi atendido.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n

    Logo em seguida, apresenta-se o seguinte:<\/p>\n\n\n\n

    \n

    2. Quando a primeira obra foi lan\u00e7ada, o intuito era a cria\u00e7\u00e3o de uma nova religi\u00e3o?
    \u2014 No lan\u00e7amento da primeira obra, a inten\u00e7\u00e3o era auxiliar na transforma\u00e7\u00e3o da humanidade mediante o conhecimento, fazendo-a abdicar do orgulho e do ego\u00edsmo, potencializando a pr\u00e1tica do amor atrav\u00e9s da caridade. Toda religi\u00e3o criada com o intuito de agregar ao inv\u00e9s de segregar os encarnados \u00e9 positivamente encarada (ver item V \u2013 Religi\u00e3o n\u00e3o pode causar divis\u00e3o).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

    E, em complemento a isso, vamos buscar o que \u00e9 apresentado no item V do mesmo cap\u00edtulo:<\/p>\n\n\n\n

    \n

    16. Como promover a integra\u00e7\u00e3o do Espiritismo com as demais religi\u00f5es?
    \u2014 O conte\u00fado deve ser o guia de vossa consci\u00eancia; esta n\u00e3o possui religi\u00e3o, apenas o discernimento do certo e do errado. Logo, tudo aquilo que a agradar dever\u00e1 ser fator de uni\u00e3o, e n\u00e3o de segrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

    Ora, o interlocutor parte do conceito errado de que o Espiritismo \u00e9 mais uma religi\u00e3o, em contr\u00e1rio \u00e0quilo que Allan Kardec j\u00e1 demonstrou, no passado (leia mais clicando aqui<\/a>). Assim, enviesa, com um conceito pr\u00e9vio, a caracter\u00edstica da resposta.<\/p>\n\n\n\n

    Sobre a confiabilidade da obra, h\u00e1 o que segue:<\/p>\n\n\n\n

    \n

    7. O que garante que este trabalho seja oriundo de esp\u00edritos elevados?<\/p>\n\n\n\n


    \u2014 A garantia est\u00e1 na coes\u00e3o e no conte\u00fado, alinhando-os ao que sentis no \u00e2mago<\/strong>, para entender se h\u00e1 coer\u00eancia ou n\u00e3o. Ao filtrar, atrav\u00e9s da consci\u00eancia<\/strong>, percebereis que a inten\u00e7\u00e3o da obra n\u00e3o \u00e9 a de demonstrar a eleva\u00e7\u00e3o de quem vos instrui, assim como n\u00e3o \u00e9 a de vos convencer que apenas h\u00e1 uma nova comunica\u00e7\u00e3o, mas, sim, de fazer-vos praticar o amor e o bem.<\/p>\nGrifos meus.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

    Quando o Esp\u00edrito supostamente diz que a garantia est\u00e1 na coes\u00e3o e no conte\u00fado, “alinhando-os ao que sentis no \u00e2mago”, est\u00e1 apenas afirmando que as respostas ser\u00e3o coesas, j\u00e1 que nascem de uma mesma ideia, em um mesmo grupo – o que est\u00e1 em contr\u00e1rio com o m\u00e9todo de Kardec – e abrem o precedente para que esse grupo, baseado em suas ideias, e vendo-as corroboradas pelos Esp\u00edritos, apenas as confirmem. Depois, em “ao filtrar, atrav\u00e9s da consci\u00eancia”, abre-se a preced\u00eancia para que o “filtro” seja a pr\u00f3pria consci\u00eancia, e n\u00e3o a l\u00f3gica racional e cient\u00edfica de Kardec que, ali\u00e1s, nunca se deu por satisfeito com qualquer ideia esp\u00edrita, sem julg\u00e1-la sob o crivo da raz\u00e3o e, muitas vezes, lutava contra elas, de acordo com a ci\u00eancia, para aceit\u00e1-las apenas quando verificava que a ideia atendia, com excel\u00eancia, a todas as quest\u00f5es envolvidas.<\/p>\n\n\n\n

    Segue o autor:<\/p>\n\n\n\n

    \n

    8. O que Kardec diria a respeito de um complemento de sua obra de codifica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n


    \u2014 Que jamais pretendeu ser dono da verdade absoluta, mas abrir o caminho para que, por meio da ci\u00eancia e das descobertas, as atualiza\u00e7\u00f5es acontecessem de forma natural e constante. Diria, ainda, que a verdade acompanha a evolu\u00e7\u00e3o moral humana; logo, necessita de atualiza\u00e7\u00f5es conforme evolu\u00edmos.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

    Al\u00e9m disso, diria Kardec que, sem o m\u00e9todo do duplo controle, os estudiosos seriam facilmente levados ao engano.<\/p>\n\n\n\n

    \n

    A. Como os esp\u00edritas que t\u00eam como verdade o fato de a primeira obra ser imut\u00e1vel poder\u00e3o receber este complemento?<\/p>\n\n\n\n


    \u2014 Esperamos que o recebam com muito amor, mas, se assim n\u00e3o o for, obt\u00ea-lo-\u00e3o pela coer\u00eancia, rebuscando na pr\u00f3pria consci\u00eancia o discernimento necess\u00e1rio.
    Nada \u00e9 imut\u00e1vel, apenas Deus. Todos sois aprendizes do eterno progresso; hoje conheceis mais do que ontem e menos do que amanh\u00e3.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

    \u00c9 preciso muito cuidado <\/strong>com os conte\u00fados “complicados” que se encontram escondidos sob as diversas verdades, tomadas como refr\u00f5es. N\u00e3o digo que os Esp\u00edritos comunicantes tenham necessariamente desejado realizar uma mistifica\u00e7\u00e3o, mas, no m\u00ednimo, refletiam as mesmas tend\u00eancias e os mesmos pensamentos do grupo em quest\u00e3o, que se acreditava no papel de trazer, por ele mesmo, a atualiza\u00e7\u00e3o do Espiritismo, o que tamb\u00e9m est\u00e1 em contr\u00e1rio \u00e0s l\u00facidas palavras de Allan Kardec na Revista Esp\u00edrita de dezembro de 1868.<\/p>\n\n\n\n

    Uma outra quest\u00e3o \u00e9 que precisamos notar as cren\u00e7as das quais se achavam imbu\u00eddos os envolvidos nessa pesquisa: por que a necessidade de copiar a forma de se expressar como naquela \u00e9poca, imitando<\/em> a linguagem de O Livro dos Esp\u00edritos? “Obt\u00ea-lo-\u00e3o”? Ningu\u00e9m mais utiliza essas palavras, atualmente, e \u00e9 natural que os Esp\u00edritos se comunicassem de forma diferente, hoje em dia, j\u00e1 que eles n\u00e3o se prendem \u00e0s linguagens.<\/p>\n\n\n\n

    Sobre o trabalho dos encarnados, \u00e9 dito que:<\/p>\n\n\n\n

    \n

    12. Os participantes podem ter sido influenciados por falsos profetas?<\/p>\n\n\n\n

    \u2014 Conhecemos a veracidade de algo pelo conte\u00fado. A forma de realiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem relev\u00e2ncia. Falsos profetas fazem bastante alarde, mas n\u00e3o conseguem sustentar a mentira por muito tempo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n

    O simples fato de esta obra ter sido conclu\u00edda com tanto esfor\u00e7o, dedica\u00e7\u00e3o e de maneira despretensiosa j\u00e1 anula essa possibilidade<\/strong>.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

    Ora, Os Quatro Evangelhos, de Roustaing, desmentem essas afirma\u00e7\u00f5es: as ideias erradas foram mantidas do in\u00edcio ao fim, e foi produzida com bastante esfor\u00e7o das partes envolvidas. Se o esfor\u00e7o \u00e9 despretensioso ou n\u00e3o, \u00e9 outro problema. Ali\u00e1s, o Esp\u00edrito n\u00e3o precisa querer mentir para produzir uma obra com conceitos errados: basta que ele acredite nesses conceitos, apresentando-os. Vemos isso em Andr\u00e9 Luiz o tempo todo.<\/p>\n\n\n\n

    Outra cr\u00edtica \u00e0 obra \u00e9 que ela n\u00e3o deixa claro, sen\u00e3o nas perguntas e respostas, de quem \u00e9 o texto apresentado: \u00e9 do grupo? \u00c9 do revisor? \u00c9 do Esp\u00edrito? Assim acontece em cada uma das introdu\u00e7\u00f5es aos cap\u00edtulos.<\/p>\n\n\n\n

    Elementos Gerais do Universo<\/h2>\n\n\n\n

    O cap\u00edtulo II se inicia com um texto falando sobre quatro mudan\u00e7as energ\u00e9ticas do globo terrestre, algo que mais parece ter sa\u00eddo das doutrinas orientais, que tanto falam das energias, do que da Doutrina Esp\u00edrita. O texto \u00e9 atribu\u00eddo a S\u00f3crates, um nome de peso, como que para dar mais confiabilidade a ela. <\/p>\n\n\n\n

    \n

    24. Existe hierarquia predeterminada na Cria\u00e7\u00e3o ou ela \u00e9 fruto do processo evolutivo?
    \u2014 Na Cria\u00e7\u00e3o, a \u201chierarquia\u201d \u00e9 consequ\u00eancia do processo evolutivo; conforme a evolu\u00e7\u00e3o acontece, o ser ou elemento aumenta sua posi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

    Apesar de o autor lan\u00e7ar nota em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o n\u00ba 29 de OLE (O Livro dos Esp\u00edritos), a resposta n\u00e3o tem nada do que diria um Esp\u00edrito conhecedor das verdades doutrin\u00e1rias registradas por Kardec. Em OLE, os Esp\u00edritos respondem suscintamente que os Esp\u00edritos pertencem a diferentes ordens<\/em>, e n\u00e3o a diferentes hierarquias, que s\u00e3o conceitos bastante diferentes. Al\u00e9m disso, o Esp\u00edrito diz que “o ser ou elemento aumenta sua posi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica”: ora, acaso elementos evoluem?<\/p>\n\n\n\n

    Em seguida, em III – Descobertas Cient\u00edficas, o autor, quem quer que ele seja, parte de um pressuposto errado, segundo o Espiritismo, de que a moral deve avan\u00e7ar para que, apenas depois, avancemos em ci\u00eancia. Isso est\u00e1 claramente em oposto \u00e0quilo que eles mesmos apresentaram, pouco antes, na nota 27, de O Livro dos Esp\u00edritos, e confirmado pelas observa\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n

    \n

    O Livro dos Esp\u00edritos, quest\u00e3o 780: \u201cO progresso moral segue sempre o progresso intelectual? \u2014 \u00c9 a sua consequ\u00eancia, mas n\u00e3o o segue sempre imediatamente<\/strong>.\u201d<\/p>\nKARDEC, Allan. O Livro dos Esp\u00edritos. Grifo meu.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

    Quando o autor diz que “um passo por vez. Solidificando a moral, a ci\u00eancia dar\u00e1 saltos e desvendar\u00e1 muitos mist\u00e9rios<\/em>“, est\u00e1 deixando de lado o fato not\u00f3rio de que o Esp\u00edrito somente progride moralmente quando faz um esfor\u00e7o de sua vontade consciente. Isso demanda avan\u00e7o intelectual.<\/p>\n\n\n\n

    No par\u00e1grafo imediatamente anterior, \u00e9 dito que “O avan\u00e7o tecnol\u00f3gico poder\u00e1 ser a salva\u00e7\u00e3o ou a destrui\u00e7\u00e3o do planeta. \u00c9 por esse motivo que os homens s\u00f3 ir\u00e3o possuir mais respostas quando tiverem a moral compat\u00edvel com esse privil\u00e9gio<\/em>“. \u00c9 como se dissessemos que Deus coloca um limite para a intelig\u00eancia humana, devendo o homem primeiro aprender a amar para depois aprender a construir foguetes. Isso seria il\u00f3gico, porque \u00e9 a consequ\u00eancia da constru\u00e7\u00e3o do foguete, que gera a bomba que \u00e9 utilizada para dizimar milhares de pessoas, que justamente promove o avan\u00e7o moral, pelas consequ\u00eancias do ato.<\/p>\n\n\n\n

    Em seguida, \u00e9 feita a seguinte pergunta:<\/p>\n\n\n\n

    \n

    28. Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre a ci\u00eancia material e a espiritual?<\/p>\n\n\n\n


    \u2014 Na ci\u00eancia material, os recursos s\u00e3o limitados, j\u00e1 na espiritual, s\u00e3o ilimitados. A ci\u00eancia espiritual complementa a material, pois, oferecendo recursos infinitos, faz com que os avan\u00e7os cient\u00edficos aconte\u00e7am pelo uso da intelig\u00eancia humana.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

    O que \u00e9 falso. A ci\u00eancia humana avan\u00e7a pelo desenvolvimento do intelecto do homem, e n\u00e3o por revela\u00e7\u00f5es cient\u00edficas dos Esp\u00edritos, que, ali\u00e1s, nada tem de materialista. Esp\u00edritos n\u00e3o desenvolvem autom\u00f3veis super tecnol\u00f3gicos, porque eles n\u00e3o precisam da mat\u00e9ria, de maneira alguma, sen\u00e3o quando encarnam para avan\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n

    Na quest\u00e3o 35, outra incongru\u00eancia \u00e9 encontrada:<\/p>\n\n\n\n

    \n

    35. Desde a primeira obra, houve relevantes progressos na ci\u00eancia.
    Como os esp\u00edritos enxergam esse avan\u00e7o?<\/p>\n\n\n\n

    \u2014 Com naturalidade, pois \u00e9 um reflexo do esfor\u00e7o coletivo da humanidade. Entretanto, a utiliza\u00e7\u00e3o dessas descobertas nem sempre foi positiva; elas foram permitidas por Deus para que os encarnados as utilizassem para o bem, mas, em muitas ocasi\u00f5es, utilizaram-nas para o mal.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

    Deus n\u00e3o permite nem proibe a utiliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, nem seu avan\u00e7o. Ela est\u00e1 de acordo com a capacidade da intelectualidade humana. O ser humano, pelo uso da intelig\u00eancia, muitas vezes comete erros e, com eles, aprende. Isso n\u00e3o \u00e9 fazer o mal: \u00e9 o fruto do desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n

    O cap\u00edtulo segue com uma enorme quantidade de perguntas e respostas sobre conceitos cient\u00edficos que, na verdade, n\u00e3o levam a lugar algum. N\u00e3o vou repet\u00ed-los aqui, mas deixo a quest\u00e3o: estaria nisso a “atualiza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica” da Doutrina? Ora, sabemos que, no que tange \u00e0 ci\u00eancia, um dos pontos que mais foi estudado por Allan Kardec, embora limitado \u00e0 ci\u00eancia de sua \u00e9poca, \u00e9 a quest\u00e3o do Fluido C\u00f3smico Universal e do perisp\u00edrito. N\u00e3o seria esse um conhecimento important\u00edssimo em que avan\u00e7ar, frente \u00e0s nossas descobertas cient\u00edficas?<\/p>\n\n\n\n

    Outra quest\u00e3o: os Esp\u00edritos superiores, como demonstra Kardec em A G\u00eanese, cap. XVI – Teoria da Presci\u00eancia, n\u00e3o tem os nossos referenciais materiais para falar em quest\u00e3o de tempo ou quest\u00f5es que pertencem \u00e0 ci\u00eancia humana. \u00c9 por isso que, mesmo na \u00e9poca de Kardec, eles jamais<\/strong> entraram no \u00e2mbito das particularidades, cabendo ao homem, no papel de pesquisador, tirar suas conclus\u00f5es, com base nas observa\u00e7\u00f5es<\/strong>, e n\u00e3o nas “revela\u00e7\u00f5es”.<\/p>\n\n\n\n

    Cria\u00e7\u00e3o – A Inf\u00e2ncia do Esp\u00edrito<\/h2>\n\n\n\n

    Esse cap\u00edtulo inicia com um questionamento respondido de forma totalmente contr\u00e1ria \u00e0 Doutrina dos Esp\u00edritos:<\/p>\n\n\n\n

    \n

    60. O per\u00edodo de inf\u00e2ncia dos esp\u00edritos ocorre em um mundo primitivo?
    \u2014 Sim, na maioria dos casos, a inf\u00e2ncia espiritual inicia-se no mundo primitivo, onde come\u00e7a o est\u00e1gio hominal.<\/p>\n\n\n\n

    A. Por que na maioria?
    \u2014 A evolu\u00e7\u00e3o de cada ser depende de suas escolhas, livre-arb\u00edtrio e merecimento. Em casos raros, o animal tamb\u00e9m pode dar saltos evolutivos, a ponto de passar a inf\u00e2ncia espiritual em outros mundos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n

    Nota: Nesses casos, em que o salto ocorre do mundo animal terrestre para gerar uma inf\u00e2ncia em outro mundo, h\u00e1 merecimento daquele esp\u00edrito, que, atrav\u00e9s de seu esfor\u00e7o e resigna\u00e7\u00e3o<\/strong>, ainda que com poucas ferramentas intelectuais, conseguiu evoluir a ponto de n\u00e3o necessitar vivenciar a inf\u00e2ncia em um mundo de provas e expia\u00e7\u00f5es<\/strong>. Embora pare\u00e7a confuso aos vossos olhos, isso \u00e9 uma prova de que Deus reconhece o esfor\u00e7o de forma individual e particular.<\/p>\nGrifos meus.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

    As respostas atribu\u00eddas a uma origem espiritual est\u00e3o em total contrariedade ao Espiritismo, como dissemos. A evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 saltos, muito menos de um Esp\u00edrito vivenciando a fase animal, onde n\u00e3o tem consci\u00eancia de si mesmo, nem livre-arb\u00edtrio<\/strong>, para vivenciar logo em seguida uma fase humana. Ali\u00e1s, est\u00e1 em total contradita \u00e0 resposta dada em OLE: “H\u00e1 entre a alma dos animais e a do homem dist\u00e2ncia equivalente \u00e0 que medeia entre a alma do homem e Deus”. Al\u00e9m disso, comete-se o erro absurdo de supor que um Esp\u00edrito possa evoluir sem passar pelas provas, ao menos, que s\u00e3o as vicissitudes materiais que estimulam-no ao desenvolvimento intelectual e moral.<\/p>\n\n\n\n

    Logo em seguida, em II – Princ\u00edpio material, na pergunta 62: <\/p>\n\n\n\n

    \n

    62. As mol\u00e9culas possuem princ\u00edpio espiritual?<\/p>\n\n\n\n


    \u2014 N\u00e3o, elas s\u00e3o partes da mat\u00e9ria. Possuem fluidos vitais<\/strong>, que, por sua vez, as sustentam.
    Os movimentos moleculares iniciam-se no princ\u00edpio vital e s\u00e3o compostos por fluidos vitais e magn\u00e9ticos. As mol\u00e9culas s\u00e3o exclusivamente org\u00e2nicas, e n\u00e3o espirituais<\/strong>, por\u00e9m servem ao esp\u00edrito, por meio da mat\u00e9ria, quando comp\u00f5em o organismo humano.<\/p>\nGrifos meus<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

    O primeiro erro est\u00e1 em supor o fluido vital, que era uma teoria materialista da ci\u00eancia da \u00e9poca de Kardec que, n\u00e3o podendo explicar o invis\u00edvel, sup\u00f4s a exist\u00eancia de part\u00edculas imponder\u00e1veis, como o fluido cal\u00f3rico, o fluido el\u00e9trico, etc. Allan Kardec, que inicialmente partiu dessa ideia, em A G\u00eanese, abandonou-a<\/strong>, ficando apenas com o termo “princ\u00edpio vital”, gen\u00e9rico, e com a teoria de Mesmer – a de que tudo o que existe, em quest\u00e3o de mat\u00e9ria e energia (\u00e9 \u00f3bvio que os Esp\u00edritos n\u00e3o fazem parte de nenhum dos dois) se originam do Fluido C\u00f3smico Universal. Isso est\u00e1 bem explicado em A G\u00eanese:<\/p>\n\n\n\n

    \n

    O princ\u00edpio vital \u00e9 algo distinto, tendo uma exist\u00eancia pr\u00f3pria? Ou ent\u00e3o, para ser
    integrado no sistema de unidade do elemento gerador, \u00e9 apenas um estado particular, uma
    das modifica\u00e7\u00f5es do fluido c\u00f3smico universal, que se torna princ\u00edpio de vida, como se torna
    luz, fogo, calor, eletricidade? \u00c9 nesse \u00faltimo sentido que a quest\u00e3o \u00e9 resolvida pelas
    comunica\u00e7\u00f5es reproduzidas anteriormente. (Cap. VI, Uranografia geral).<\/p>\nA G\u00eanese – Editora FEAL<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

    Me espanta, ali\u00e1s, que aos pesquisadores, t\u00e3o compenetrados de f\u00f3rmulas cient\u00edficas, as quais discutiram com os Esp\u00edritos, tenha faltado esse princ\u00edpio fundamental teorizado por Mesmer e sustentado pela ci\u00eancia moderna. Veremos, logo mais, que esse mesmo erro provocou outros enganos, na “atualiza\u00e7\u00e3o” de O Livro dos Esp\u00edritos, pelo grupo em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n

    Chegado a este ponto, agora noto que errei: as notas s\u00e3o quase todas, sen\u00e3o todas, dos Esp\u00edritos. Me pergunto o que fizeram os pesquisadores al\u00e9m de analis\u00e1-las, segundo suas ideias, e aceit\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n

    Fluidos no Universo<\/h2>\n\n\n\n

    O cap\u00edtulo em quest\u00e3o comete os mesmos erros citados acima: n\u00e3o tendo conhecido e compreendido a ci\u00eancia do magnetismo de Mesmer e as concus\u00f5es de Kardec, partem dos falsos pressupostos de uma ci\u00eancia ultrapassada. Ou seja: para complementar o Espiritismo que, segundo pressupostos, estaria ultrapassado em ci\u00eancia, utilizam uma ci\u00eancia que o pr\u00f3prio Espiritismo j\u00e1 ultrapassou, h\u00e1 mais de 100 anos. Estranho, n\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n

    \u00c9 assim que se repete uma opini\u00e3o errad\u00edssima e que, ali\u00e1s, seria prontamente corrigida por um Esp\u00edrito superior:<\/p>\n\n\n\n

    \n

    74. \u00c9 o fluido vital que determina o tempo de perman\u00eancia humana na Terra?
    \u2014 A quantidade de fluido vital \u00e9 Determinada por Deus, por\u00e9m, atrav\u00e9s das vossas escolhas, podeis encurtar ou prolongar o tempo de perman\u00eancia no
    orbe.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n

    Em primeiro lugar, como demonstramos, n\u00e3o existe<\/strong> fluido vital, muito menos uma quantidade dele. Em segundo lugar, n\u00e3o \u00e9 Deus quem determina nada, mas n\u00f3s mesmos. \u00c9 exatamente por isso que animais, sem o livre-arb\u00edtrio, morrem, de causas naturais, quase todos numa mesma idade, segundo suas esp\u00e9cie e ra\u00e7a, ao passo que o homem morre, das mesmas causas, nas mais diversas idades. E o fundamento disso tamb\u00e9m<\/strong> est\u00e1 em A G\u00eanese, apresentado por Kardec:<\/p>\n\n\n\n

    \n

    Para ser mais exato, \u00e9 preciso dizer que \u00e9 o pr\u00f3prio Esp\u00edrito que elabora seu envolt\u00f3rio e o adapta \u00e0s suas novas necessidades. Ele aperfei\u00e7oa, desenvolve e completa seu organismo \u00e0 medida que experimenta a necessidade de manifestar novas faculdades. Em uma palavra, ele o molda de acordo com sua intelig\u00eancia. Deus lhe fornece os materiais. Cabe a ele fazer uso. \u00c9 dessa forma que as ra\u00e7as mais avan\u00e7adas t\u00eam um organismo, ou se preferem, uma ferramenta mais aperfei\u00e7oada que a das ra\u00e7as primitivas. Assim se explica igualmente o estilo especial que o car\u00e1ter do Esp\u00edrito imprime aos tra\u00e7os da fisionomia e as maneiras do corpo.<\/p>\nKARDEC, Allan. A G\u00eanese. Editora FEAL.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n

    Os erros, baseados nesses falsos conceitos, seguem a mancheias, no cap\u00edtulo. N\u00e3o vou coment\u00e1-los. No cap\u00edtulo seguinte, “Transmiss\u00e3o Energ\u00e9tica e Flu\u00eddica”, os autores continuam repetindo conceitos falsos, baseados nos mesmos erros, de origem materialista, difundidos pelos fluidistas do passado, que se contrapunham \u00e0s ideias das ci\u00eancias do Magnetismo e do Espiritismo. \u00c9 assim que repetem, ipsis leteris<\/em>, a errad\u00edssima ideia de que o passe seria uma “transmiss\u00e3o energ\u00e9tica e\/ou flu\u00eddica”. Isso \u00e9 falso, t\u00e3o falso quanto as ideias que os supostos Esp\u00edritos repetem na resposta \u00e0 pergunta n\u00ba 92:<\/p>\n\n\n\n