{"id":2332,"date":"2021-09-29T14:13:28","date_gmt":"2021-09-29T17:13:28","guid":{"rendered":"https:\/\/geolegadodeallankardec.com.br\/?p=2332"},"modified":"2023-09-24T15:20:13","modified_gmt":"2023-09-24T18:20:13","slug":"would-allan-kardec-racist-sexist-homophobic-etc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/en\/artigos\/historia-do-espiritismo\/seria-allan-kardec-racista-machista-homofobico-etc\/","title":{"rendered":"Would Allan Kardec be racist, sexist, homophobic, etc?"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2332?print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/pdf.png\" alt=\"image_pdf\" title=\"View PDF\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 32px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 32\/32;\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2332?print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Print Content\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 32px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 32\/32;\" \/><\/a><\/div>\n<p>Triste \u00e9poca, aquela da escravid\u00e3o e da segrega\u00e7\u00e3o, j\u00e1 em muito superada. Hoje, n\u00e3o falamos mais em &#8220;ra\u00e7as&#8221;, pois sabemos que s\u00f3 existe uma ra\u00e7a: a humana. Hoje, em grande maioria, sobretudo na nossa sociedade brasileira, os negros se integram e participam ativamente, enfrentando, ainda, algumas dificuldades, mas que decrescem dia ap\u00f3s dia, com o avan\u00e7o humano. Dessa \u00e9poca, surgem algumas falas de Allan Kardec, racistas aos olhos de hoje. Dizem, assim que ele seria racista, sem uma compreens\u00e3o da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>O erro, sempre, est\u00e1 em querer confundir Allan Kardec com o Espiritismo. O Espiritismo existe por si s\u00f3, como fato da natureza. Kardec dedicou-se a estud\u00e1-lo. Nunca imp\u00f4s suas ideias ou suas verdades para a Doutrina. Ali\u00e1s, como veremos, foi por esse estudo que ele p\u00f4de verificar o negro, a mulher e at\u00e9 o homossexual, como veremos, por outro \u00e2ngulo, como nunca antes nenhuma filosofia havia feito.<\/p>\n\n\n\n<p>Resta lembrar que o conceito de ra\u00e7as era um conceito cient\u00edfico da \u00e9poca, que s\u00f3 veio ser superado no final do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-a-frase-infamante\">A frase infamante<\/h2>\n\n\n\n<p>A frase em quest\u00e3o, utilizada para afirmarem que Allan Kardec seria racista, <strong>pertence a um artigo muito mais completo e profundo<\/strong>, publicado na Revista Esp\u00edrita de abril de 1862 e que <strong>justamente vem de encontro com a ideia racista, demolindo-a<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Assim, como organiza\u00e7\u00e3o f\u00edsica, os negros ser\u00e3o sempre os mesmos; como Esp\u00edritos, trata-se, sem d\u00favida, de uma ra\u00e7a inferior, isto \u00e9, primitiva; s\u00e3o verdadeiras crian\u00e7as \u00e0s quais muito pouco se pode ensinar [&#8230;]&#8221;<\/p>\n<cite>Allan Kardec, R.E, abril de 1862<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-luminous-vivid-amber-background-color has-text-color has-background\">\u00c9, contudo, a <strong>velha mania do ser humano<\/strong>, cultivada at\u00e9 hoje: <strong>isola-se uma frase, retirando-a de todo um contexto, e apresenta-se como prova cabal do ponto contr\u00e1rio que se quer provar, quase sempre com vistas a denegrir a imagem de outrem.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos lembrar que Allan Kardec, ele se encontrava na Fran\u00e7a <strong>etnoc\u00eantrica <\/strong>de meados de 1800, quando <strong>toda a sociedade SEQUER atribu\u00eda uma alma aos negros<\/strong> e quando a pr\u00f3pria ci\u00eancia adotava um conceito <em>racista<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote comment is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>No s\u00e9culo XIX<\/strong>, iniciou-se o processo do&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/historiag\/neocolonialismo.htm\">neocolonialismo<\/a>&nbsp;ou imperialismo europeu. A Inglaterra, a Fran\u00e7a, a Alemanha e outras&nbsp;<strong>pot\u00eancias capitalistas europeias investiram em novas pol\u00edticas de expans\u00e3o territorial<\/strong>&nbsp;e, praticamente, dividiram entre si os territ\u00f3rios da&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/geografia\/africa-continente.htm\">\u00c1frica<\/a>, da&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/geografia\/asia.htm\">\u00c1sia<\/a>&nbsp;e da Oceania.<\/p>\n\n\n\n<p>Para justificar a explora\u00e7\u00e3o das riquezas daqueles lugares e a pol\u00edtica de&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/sociologia\/segregacao-racial.htm\">segrega\u00e7\u00e3o racial<\/a>,&nbsp;<strong>os europeus tiveram que buscar uma justificativa cient\u00edfica<\/strong>, pois, no s\u00e9culo XIX, a ci\u00eancia j\u00e1 estava amplamente divulgada e a religi\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o era mais suficiente&nbsp;<strong>para justificar qualquer tipo de a\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a<strong>&nbsp;antropologia<\/strong>&nbsp;surgiu como uma tentativa de criar teorias cient\u00edficas que justificassem a explora\u00e7\u00e3o dos povos de fora da Europa pelos povos europeus. As primeiras teorias dessa \u00e1rea, desenvolvidas pelo bi\u00f3logo e ge\u00f3grafo ingl\u00eas Herbert Spencer, afirmavam que havia uma esp\u00e9cie de hierarquia das ra\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa perspectiva, os brancos europeus eram superiores, seguidos pelos asi\u00e1ticos, pelos \u00edndios e pelos africanos, sendo os \u00faltimos os menos desenvolvidos. Essa corrente ficou conhecida como&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/historiag\/darwinismo-social.htm\"><strong>darwinismo<\/strong>&nbsp;<strong>social<\/strong><\/a>&nbsp;ou&nbsp;<strong>evolucionismo social<\/strong>, pois se apropriou da teoria da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/biologia\/charles-darwin.htm\">Charles Darwin<\/a>&nbsp;e aplicou-a no campo sociol\u00f3gico[&#8230;]<\/p>\n<cite>Francisco Porf\u00edrio &#8211; Brasil Escola &#8211; https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/sociologia\/etnocentrismo.htm<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Diz Paulo Henrique de Figueiredo, em A G\u00eanese (ed. FEAL, 2022):<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Quando Allan Kardec escreveu esta obra, a hierarquiza\u00e7\u00e3o evolutiva das ent\u00e3o consideradas ra\u00e7as humanas n\u00e3o era vista&nbsp;como racismo, mas adotada por cientistas eminentes como Cuvier, Charles Darwin, Buchner, ou Carl Vogt, que afirmou: \u201cLogo que os jovens negros atingem o per\u00edodo da puberdade, assiste-se a um fen\u00f4meno id\u00eantico ao que ocorre nos macacos. Doravante,&nbsp;as faculdades intelectuais permanecem estacion\u00e1rias e o indiv\u00edduo, tal como toda a ra\u00e7a, torna-se incapaz de qualquer progresso\u201d&nbsp;(Le\u00e7ons sur l\u2019homme. p. 253). <\/p>\n\n\n\n<p>Esse entendimento era hegem\u00f4nico no meio cient\u00edfico, contextualizando assim as descri\u00e7\u00f5es ultrapassadas aqui desenvolvidas, pertencentes \u00e0 Ci\u00eancia da \u00e9poca, e n\u00e3o ao Espiritismo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Allan Kardec, foi, por isso, levado a cometer esse erro de julgamento, racista para os olhos de hoje, baseado em alguns preconceitos e conceitos cient\u00edficos da \u00e9poca. <strong>Por outro lado, demonstrou, pelos estudos do Espiritismo, que todos os seres humanos possuem almas que, inclusive, podem reencarnar onde quer que seja e sob qualquer cor, &#8220;ra\u00e7a&#8221; ou credo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos: <strong>Kardec julgava os negros a partir do ponto de vista dos conceitos da \u00e9poca, que os admitia apenas como selvagens<\/strong>, oriundos das selvas africanas, todos muito aqu\u00e9m de qualquer civiliza\u00e7\u00e3o e cultura. \u00c9 nesse erro de fundamento que Kardec se baseia para dizer: &#8220;como Esp\u00edritos, trata-se, sem d\u00favida, de uma ra\u00e7a inferior, isto \u00e9, primitiva&#8221;. Era um conceito da ci\u00eancia da \u00e9poca, pautada pelo racismo, at\u00e9 mesmo por conta de interesses!<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, se passarmos al\u00e9m desse pensamento <strong>de Allan Kardec<\/strong>, racista por defini\u00e7\u00e3o, estudando a Doutrina Esp\u00edrita <strong>a fundo<\/strong>, <strong>veremos que ela contraria, repito,<\/strong> <strong>todo e qualquer preconceito racial, sexual ou de castas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Recuperemos, ali\u00e1s, trechos do artigo em quest\u00e3o, muito importantes:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>Diz-se<\/strong> a respeito dos negros escravos: \u201cS\u00e3o seres t\u00e3o brutos, t\u00e3o pouco inteligentes, que seria v\u00e3o esfor\u00e7o querer instru\u00ed-los. S\u00e3o uma ra\u00e7a inferior, incorrig\u00edvel, profundamente incapaz.\u201d <strong>A teoria que acabamos de apresentar permite encar\u00e1-los sob outro prisma<\/strong>. Na quest\u00e3o do aperfei\u00e7oamento das ra\u00e7as \u00e9 sempre necess\u00e1rio levar em considera\u00e7\u00e3o dois elementos constitutivos do homem: o elemento espiritual e o corporal. \u00c9 preciso conhecer ambos, e s\u00f3 o Espiritismo nos pode esclarecer quanto \u00e0 natureza do elemento espiritual, o mais importante, por ser o que pensa e o que sobrevive, ao passo que o corporal se destr\u00f3i.<\/p>\n<cite>Allan Kardec, R.E. abril de 1862<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Aqui fica muito evidente, principalmente para quem leu todo o artigo, que Kardec justamente traz a quest\u00e3o em voga, naquele momento, para a an\u00e1lise sob outro prisma &#8211; o do Espiritismo &#8211; que poderia trazer uma outra forma de interpretar o assunto. Vamos seguir, apresentando o par\u00e1grafo completo de onde foi extra\u00eddo a frase citada:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Assim, como organiza\u00e7\u00e3o f\u00edsica, os negros ser\u00e3o sempre os mesmos. Como Esp\u00edritos, s\u00e3o inquestionavelmente uma ra\u00e7a inferior, isto \u00e9, primitiva. S\u00e3o verdadeiras crian\u00e7as \u00e0s quais muito pouco se pode ensinar. Mas, por meio de cuidados inteligentes \u00e9 sempre poss\u00edvel modificar certos h\u00e1bitos, certas tend\u00eancias, o que j\u00e1 representa um progresso que levar\u00e3o para outra exist\u00eancia, e que lhes permitir\u00e1, mais tarde, tomar um envolt\u00f3rio de melhores condi\u00e7\u00f5es. Trabalhando por sua melhoria, trabalha-se menos pelo seu presente que por seu futuro e, por pouco que se consiga, para eles \u00e9 sempre uma aquisi\u00e7\u00e3o. Cada progresso \u00e9 um passo \u00e0 frente que facilita novos progressos.<\/p>\n<cite>ibidem<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Vemos, como apresentado, que Allan Kardec partiu de um fundamento errado, racista, baseado em conceitos cient\u00edficos, sociais e culturais da \u00e9poca \u2014 o de que os negros seriam uma &#8220;ra\u00e7a&#8221; selvagem e sem conhecimentos e o de que os brancos constituiriam uma ra\u00e7a superior \u2014 num contexto, onde muito provavelmente, ou ele sequer tinha contato com negros, ou, hip\u00f3tese mais razo\u00e1vel, que ele apenas os conhecia de sua posi\u00e7\u00e3o socialmente inferior, posto que a escravatura na Fran\u00e7a foi apenas abolida em 1848. Contudo, logo em seguida, ele adiciona que, por mais que pudessem constituir uma &#8220;ra\u00e7a&#8221; inferior, esses Esp\u00edritos, que ora ocupavam um corpo tido como &#8220;inferior&#8221; ao branco \u2014 nada mais afastado da realidade \u2014 atrav\u00e9s de sua progress\u00e3o espiritual, ocupariam &#8220;envolt\u00f3rios melhores&#8221;. Isso est\u00e1 mais ou menos expresso no seguinte pensamento, da Revista Esp\u00edrita de novembro de 1858: &#8220;<strong>a Doutrina Esp\u00edrita \u00e9 mais ampla do que tudo isto. Para ela, n\u00e3o existem v\u00e1rias esp\u00e9cies de homens; simplesmente existem homens cujo Esp\u00edrito \u00e9 mais ou menos atrasado, suscept\u00edvel, entretanto, de progredir<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Kardec segue adiante e reproduz o pensamento reinante, naquele momento, a respeito do corpo f\u00edsico constituinte da &#8220;ra\u00e7a negra&#8221;: &#8220;<em>Por isso a ra\u00e7a negra, enquanto ra\u00e7a negra, corporalmente falando, jamais atingir\u00e1 os n\u00edveis das ra\u00e7as cauc\u00e1sicas, mas como Esp\u00edritos \u00e9 outra coisa: pode tornar-se e tornar-se-\u00e1 aquilo que somos. Apenas necessitar\u00e1 de tempo e de melhores instrumentos.<\/em>&#8220;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">\u00c9 repugnante aos nossos olhos, hoje? <strong>Sim, \u00e9.<\/strong> E \u00e9 algo sobre o que precisamos discutir, de forma n\u00e3o anacr\u00f4nica, a fim de entendermos e separarmos o pensamento do homem, imperfeito, do pensamento expresso pela ci\u00eancia Esp\u00edrita, como em tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Observe que Kardec tomava um ponto de vista baseado na ci\u00eancia humana e na ci\u00eancia dos Esp\u00edritos. Pela primeira, baseou-se nas ideias de ra\u00e7as, exprimindo, assim, um pensamento errado. Pela segunda, acertou ao entender que somos todos iguais. O Espiritismo, portanto, n\u00e3o \u00e9 racista, mas muito pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Compete, tamb\u00e9m, fazer uma outra observa\u00e7\u00e3o: Kardec <strong>n\u00e3o via<\/strong> o negro como ser que n\u00e3o devesse ter os mesmos respeito, caridade, fraternidade e amor, como devemos a todos os outros. Vemos isso muito bem expresso na Revista Esp\u00edrita de junho de 1859, quando um homem negro, falecido, \u00e9 evocado, e se exprime assim: <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>4. \u2500 No entanto, \u00e9reis livre. Em que vos sentis mais feliz agora?<br>    \u2500 Porque meu Esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9 mais&nbsp;<em>negro<\/em>.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ao que Kardec faz a seguinte nota:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>NOTA: Esta resposta \u00e9 mais sensata do que parece \u00e0 primeira vista. Com certeza jamais o Esp\u00edrito \u00e9&nbsp;<em>negro<\/em>. <strong>Ele quer dizer que, como Esp\u00edrito, n\u00e3o tem mais as humilha\u00e7\u00f5es \u00e0s quais est\u00e1 sujeita a ra\u00e7a negra.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ora, necess\u00e1rio, ent\u00e3o, se faz entender essa quest\u00e3o, no contexto hist\u00f3rico certo, pelos dois lados: de um lado, Kardec, o branco, europeu, que acreditava ser o negro uma &#8220;ra\u00e7a&#8221; inferior, mas que entendia que se tratava de irm\u00e3o nosso, Esp\u00edrito como n\u00f3s, que tamb\u00e9m sofria pelas humilha\u00e7\u00f5es e que desejava ser feliz. Do outro lado, o negro, que n\u00e3o apenas se sentia, mas que era humilhado e maltratado, por conta de sua cor de pele. Seria muito supor que, nesse contexto bem espec\u00edfico, muito diferente do que \u00e9 hoje a sociedade moderna (em grande parte), o Esp\u00edrito que encarnou em um corpo negro quisesse deixar de ser negro em uma pr\u00f3xima vida? Isso fica patente no pensamento do Esp\u00edrito (Pai C\u00e9sar):<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>10. (Ao Pai C\u00e9sar) \u2500 Dissestes que procurais um corpo com qual possais avan\u00e7ar. Escolhereis um corpo branco ou preto?<br>\u2500 Um branco, <strong>porque o desprezo me faria mal<\/strong>.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Partindo do ponto de vista que o negro era tratado como animal, enfrentando dificuldades acerbas, seria muito supor que, nessa \u00e9poca, um Esp\u00edrito escolhesse encarnar em um corpo negro de modo a enfrentar as imensas dificuldades que essa vida lhe ofereceria, aprendendo com elas? Hoje, viver como negro n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o sofrido como era nessa \u00e9poca e, com a evolu\u00e7\u00e3o do ser humano, as expia\u00e7\u00f5es escolhidas pelos Esp\u00edritos seriam outras. A quest\u00e3o, sempre, para bem entender essas dif\u00edceis quest\u00f5es, \u00e9 separar Esp\u00edrito e corpo, al\u00e9m de contextualizar termos e ideias conforme \u00e9poca, hist\u00f3ria e contexto social.<\/p>\n\n\n\n<p>Importa lembrar, tamb\u00e9m, que, se Kardec foi, de certa forma, preconceituoso, por outro lado <strong>n\u00e3o foi escravagista nem sequer segregacionista<\/strong> ou, se um dia o foi, mudou sua opini\u00e3o quando de contato com a ci\u00eancia esp\u00edrita:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>829.&nbsp;<em>Haver\u00e1 homens que estejam, por natureza, destinados a ser propriedade de outros homens?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 contr\u00e1ria \u00e0 lei de Deus toda sujei\u00e7\u00e3o absoluta de um homem a outro homem. A escravid\u00e3o \u00e9 um abuso da for\u00e7a. Desaparece com o progresso, como gradativamente desaparecer\u00e3o todos os abusos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>\u00c9 contr\u00e1ria \u00e0 natureza a lei humana que consagra a escravid\u00e3o, pois que assemelha o homem ao irracional e o degrada f\u00edsica e moralmente<\/strong><\/em> (nota de Allan Kardec)<\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p>831.&nbsp;<em>A desigualdade natural das aptid\u00f5es n\u00e3o coloca certas ra\u00e7as humanas sob a depend\u00eancia das ra\u00e7as mais inteligentes?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSim, mas para que estas as elevem, n\u00e3o para embrutec\u00ea-las ainda mais pela escraviza\u00e7\u00e3o. Durante longo tempo, os homens consideraram certas ra\u00e7as humanas como animais de trabalho, munidos de bra\u00e7os e m\u00e3os, e se julgaram com o direito de vender os dessas ra\u00e7as como bestas de carga. Consideram-se de sangue mais puro os que assim procedem. Insensatos! Nada veem sen\u00e3o a mat\u00e9ria. Mais ou menos puro n\u00e3o \u00e9 o sangue, por\u00e9m o Esp\u00edrito.\u201d (361\u2013803.)<\/p>\n<cite>Allan Kardec &#8211; O Livro dos Esp\u00edritos<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>N\u00e3o paremos, por\u00e9m. Vamos seguir em frente, analisando outros assuntos importantes e correlatos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-seria-kardec-machista\">Seria Kardec machista?<\/h2>\n\n\n\n<p>Para analisar esses temas, vou utilizar como base o artigo produzido por Paulo Henrique de Figueiredo, que pode ser apreciado, na \u00edntegra, no link <a href=\"https:\/\/revolucaoespirita.com.br\/kardec-homossexualidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>https:\/\/revolucaoespirita.com.br\/kardec-homossexualidade\/<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ando pela quest\u00e3o do machismo, Kardec faz uma interessant\u00edssima abordagem na Revista Esp\u00edrita de janeiro de 1866, no artigo de t\u00edtulo &#8220;As mulheres tem alma?&#8221;. Sim, pasmem, era essa a quest\u00e3o de ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>As mulheres t\u00eam alma? Sabe-se que a coisa nem <strong>sempre foi tida como certa<\/strong>, pois, ao que se diz, foi posta em delibera\u00e7\u00e3o num conc\u00edlio. <strong>A nega\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 um princ\u00edpio de f\u00e9 em certos povos<\/strong>. <strong>Sabe-se a que grau de aviltamento essa cren\u00e7a as reduziu na maior parte das regi\u00f5es do Oriente<\/strong>. Mesmo que hoje, nos povos civilizados, a quest\u00e3o seja resolvida em seu favor, <strong>o preconceito de sua inferioridade moral perpetuou-se a tal ponto<\/strong> que um escritor do s\u00e9culo passado, cujo nome me foge, assim definia a mulher: \u201cInstrumento de prazeres do homem\u201d, defini\u00e7\u00e3o mais mu\u00e7ulmana que crist\u00e3. <strong>Desse preconceito nasceu sua inferioridade legal, ainda n\u00e3o apagada de nossos c\u00f3digos.<\/strong> <strong>Por muito tempo elas aceitaram essa escraviza\u00e7\u00e3o como uma coisa natural, t\u00e3o poderosa \u00e9 a for\u00e7a do h\u00e1bito<\/strong>. <strong>\u00c9 assim que acontece com aqueles que s\u00e3o submetidos \u00e0 servid\u00e3o de pai para filho<\/strong>, que acabam por se julgarem de natureza diversa da dos seus senhores.<\/p>\n<cite>Allan Kardec, R.E, Janeiro de 1866<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Incr\u00edvel, n\u00e3o? Ainda se questionava, em algumas sociedades, se a mulher realmente possu\u00eda alma e, <strong>nascida de um preconceito<\/strong>, sua inferioridade <strong>legal<\/strong> ainda existia. As mulheres n\u00e3o podiam sequer votar &#8211; fato muito bem conhecido ainda hoje. Notemos uma coisa: se Kardec pode ter sido preconceituoso com rela\u00e7\u00e3o aos negros, ele, contudo, n\u00e3o os jugava animais que deveriam ser escravizados \u00e0 vontade do branco, assim como a mulher n\u00e3o deveria ser escravizada \u00e0 vontade do homem.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cDepois de ter reconhecido que elas t\u00eam uma alma, se lhes reconheceu o direito de conquistar os graus da ci\u00eancia, \u00e9 j\u00e1 alguma coisa. Mas a sua liberta\u00e7\u00e3o parcial n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o resultado do desenvolvimento da urbanidade, do abrandamento dos costumes, ou, querendo-se, de um sentimento mais exato da justi\u00e7a; \u00e9 uma esp\u00e9cie de concess\u00e3o que se lhe faz, e, \u00e9 preciso bendiz\u00ea-la, se lhes regateando o mais poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<cite>ibidem<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Comenta Paulo Henrique, em seu artigo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Naquele tempo, apesar da quest\u00e3o da exist\u00eancia da alma da mulher ser considerada rid\u00edcula, ainda n\u00e3o se ponderava que a \u201cigualdade de posi\u00e7\u00e3o social entre o homem e a mulher fosse de direito natural\u201d, e n\u00e3o uma concess\u00e3o feita pelo homem. A contribui\u00e7\u00e3o do Espiritismo para o debate \u00e9 extraordin\u00e1ria e atual. Enquanto atualmente se discute o fato de que as tradicionais diferen\u00e7as de g\u00eanero se estabeleceram em fun\u00e7\u00e3o da cultura e n\u00e3o da natureza fisiol\u00f3gica (visando justificar o poder do homem), o Espiritismo demonstra o outro extremo da quest\u00e3o: a igualdade \u00e9 natural, pois os esp\u00edritos n\u00e3o t\u00eam distin\u00e7\u00e3o sexual! Ou seja, se a divis\u00e3o de sexo por g\u00eaneros \u00e9 cultural (se sabe hoje), a igualdade \u00e9 natural (explicam os esp\u00edritos).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em O Livro dos Esp\u00edritos, Kardec se aprofunda nessa quest\u00e3o, de forma muito atual, criando, de uma vez por todas, atrav\u00e9s dos ensinamentos dos Esp\u00edritos Superiores, a mais profunda no\u00e7\u00e3o de igualdade j\u00e1 vista em uma Doutrina, por estar baseada nos princ\u00edpios da Lei Natural, que transcende a mat\u00e9ria e o tempo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>817. S\u00e3o iguais perante Deus o homem e a&nbsp;<em>mulher<\/em>&nbsp;e t\u00eam os mesmos direitos?<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o outorgou Deus a ambos a intelig\u00eancia do bem e do mal e a faculdade de progredir?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>818. Donde prov\u00e9m a inferioridade moral da&nbsp;<em>mulher<\/em>&nbsp;em certas regi\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDo predom\u00ednio injusto e cruel que sobre ela assumiu o homem. \u00c9 resultado das institui\u00e7\u00f5es sociais e do abuso da for\u00e7a sobre a fraqueza. Entre homens moralmente pouco adiantados, a for\u00e7a faz o direito.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>819. Com que fim mais fraca fisicamente do que o homem \u00e9 a&nbsp;<em>mulher<\/em>?<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPara lhe determinar fun\u00e7\u00f5es especiais. Ao homem, por ser o mais forte, os trabalhos rudes; \u00e0&nbsp;<em>mulher<\/em>, os trabalhos leves; a ambos o dever de se ajudarem mutuamente a suportar as provas de uma vida cheia de amargor.\u201d<\/p>\n<cite>Allan Kardec &#8211; O Livro dos Esp\u00edritos<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>E, adiante, digno de nota, apresenta esse incr\u00edvel e profundo pensamento:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>821. As fun\u00e7\u00f5es a que a&nbsp;<em>mulher<\/em>&nbsp;\u00e9 destinada pela Natureza ter\u00e3o import\u00e2ncia t\u00e3o grande quanto as deferidas ao homem?<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSim, maior at\u00e9. \u00c9 ela quem lhe d\u00e1 as primeiras no\u00e7\u00f5es da vida.\u201d<\/p>\n<cite>ibidem<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>J\u00e1 vimos, at\u00e9 aqui, que Kardec vai na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria do pensamento em vig\u00eancia naquela \u00e9poca: a mulher, claro, possui alma e, sendo igual ao homem, deveria ser tratada com as mesmas condi\u00e7\u00f5es garantidas pelo direito natural, dadas ao homem. O Espiritismo demonstra que a igualdade \u00e9 <strong>natural<\/strong>, posto que o Esp\u00edrito n\u00e3o tem sexo e, portanto, nem cor ou ra\u00e7a, como fica exemplificado na comunica\u00e7\u00e3o com o Esp\u00edrito do senhor Sanson, um esp\u00edrita da Sociedade de Paris, rec\u00e9m-desencarnado, em 1862, quando lhe fez a seguinte pergunta:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cOs Esp\u00edritos n\u00e3o t\u00eam sexo; entretanto, como h\u00e1 poucos dias ainda era homem, tende em vosso novo estado antes a natureza masculina do que a natureza feminina? Ocorre o mesmo com um Esp\u00edrito que tivesse deixado seu corpo h\u00e1 muito tempo?\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>E, por meio do m\u00e9dium, Sanson respondeu:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cN\u00e3o temos que ser de natureza masculina ou feminina: os Esp\u00edritos n\u00e3o se reproduzem. Deus os cria \u00e0 sua vontade, e se, por seus objetivos maravilhosos, quis que os Esp\u00edritos se reencarnem sobre a Terra, deveu acrescentar a reprodu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies para macho e a f\u00eamea. Mas o sentis, sem que seja necess\u00e1ria nenhuma explica\u00e7\u00e3o, os Esp\u00edritos n\u00e3o podem ter sexo.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 assim, enfim, que chegamos \u00e0 quest\u00e3o: <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-kardec-homofobico\">Kardec homof\u00f3bico? <\/h2>\n\n\n\n<p>Prezado leitor, preciso dizer que nem sei de onde as pessoas tiram esses pensamentos. Na verdade, sei: do senso-comum, aquele conhecido &#8220;telefone sem fio&#8221;, que transmite ideias de um para o outro sem as analisarem com seriedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem realmente busca estudar e compreender o Espiritismo e Allan Kardec j\u00e1 entendeu, apenas pelo exposto acima, que ele n\u00e3o poderia ser homof\u00f3bico. Contudo, vamos finalizar o artigo com sua seguinte cita\u00e7\u00e3o, na mesma edi\u00e7\u00e3o da Revista Esp\u00edrita, seguida da cita\u00e7\u00e3o de Paulo Henrique de Figueiredo a respeito desse trecho:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cSe essa influ\u00eancia da vida corporal repercute na vida espiritual, o mesmo se d\u00e1 quando o Esp\u00edrito passa da vida espiritual para a corporal. Numa nova encarna\u00e7\u00e3o, ele trar\u00e1 o car\u00e1ter e as inclina\u00e7\u00f5es que tinha como Esp\u00edrito; se ele for avan\u00e7ado, ser\u00e1 um homem avan\u00e7ado; se for atrasado, ser\u00e1 um homem atrasado.<\/p>\n\n\n\n<p>Mudando de sexo, poder\u00e1, pois, sob essa impress\u00e3o e em sua nova encarna\u00e7\u00e3o, conservar os gostos, as tend\u00eancias e o car\u00e1ter inerentes ao sexo que acaba de deixar.&nbsp;<strong>Assim se explicam certas anomalias aparentes que se notam no car\u00e1ter de certos homens e de certas mulheres<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, s\u00f3 existe diferen\u00e7a entre o homem e a mulher em rela\u00e7\u00e3o ao organismo material, que se aniquila com a morte do corpo. Mas, quanto ao Esp\u00edrito, \u00e0 alma, ao ser essencial, imperec\u00edvel, ela n\u00e3o existe, porque n\u00e3o h\u00e1 duas esp\u00e9cies de almas.<\/p>\n<cite>Allan Kardec, R.E., Jan\/1866<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u00c9 muito importante destacar aqui que o termo \u201canomalia aparente\u201d, usado por Kardec, estava presente nas ci\u00eancias da \u00e9poca, se referindo aos fen\u00f4menos que fogem da explica\u00e7\u00e3o das teorias aceitas, n\u00e3o sendo para elas \u201cnormais\u201d; mas que, ao se encontrar uma nova explica\u00e7\u00e3o natural para o fen\u00f4meno em novas teorias, elas deixam de ser \u201canomalias\u201d e se tornam fen\u00f4menos naturais. Por isso ela \u00e9 \u201caparente\u201d<\/p>\n<cite>Paulo Henrique de Figueiredo, site Revolu\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita, 25\/08\/2016<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-consideracoes-finais\">Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h2>\n\n\n\n<p>Existem pessoas bon\u00edssimas de todas as cores, inclusive pessoas da pior esp\u00e9cie, tamb\u00e9m de todas as cores e op\u00e7\u00f5es sexuais. H\u00e1 Esp\u00edritos elevados em corpos disformes, assim como h\u00e1 Esp\u00edritos terr\u00edveis nos corpos mais lindos. Precisamos aprender a <strong>deixar de julgar o pr\u00f3ximo<\/strong>, bem como a deixar de criar conceitos e preconceitos baseados em como as pessoas se parecem, aos nossos olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento do Espiritismo vem justamente nesse sentido, quando entendemos que o corpo \u00e9 apenas um vaso, que pode conter \u00e1gua mais cristalina ou menos. O Esp\u00edrito humano pode encarnar em qualquer tipo de corpo humano, de acordo com suas necessidades. Como pode, ent\u00e3o, sabendo muito bem disso, Kardec ter emitido opini\u00e3o t\u00e3o err\u00f4nea a respeito dos negros? <\/p>\n\n\n\n<p>Em parte isso se explica por um forte preconceito etnoc\u00eantrico que, na Fran\u00e7a de meados de 1800, enxergava o negro como &#8220;ra\u00e7a&#8221; inferior, selvagens, sem conhecimentos e sem cultura. De outro lado, entendamos bem, Allan Kardec, partindo da ideologia racista da ci\u00eancia vigente, supunha que os Esp\u00edritos que encarnavam nos negros, eram tamb\u00e9m Esp\u00edritos de menor evolu\u00e7\u00e3o, em fase de inf\u00e2ncia espiritual. Nada, repito, nada mais afastado da verdade, visto que sabemos o quanto de valor moral e de conhecimentos tinham esses irm\u00e3os, ainda usados como escravos pouco tempo antes na Fran\u00e7a e, ainda, por muitas d\u00e9cadas \u00e0 frente, no Brasil. Contudo, ao mesmo tempo que partia desse ponto de partida errado, adicionava: &#8220;s\u00e3o Esp\u00edritos como n\u00f3s, fadados \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o e \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o&#8221;. <\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 foi um grande passo, para um homem daquela \u00e9poca, ter dado alma a um povo que era tratado como m\u00e1quina. Mas, sabemos, a marcha do progresso avan\u00e7a e, como dizia sempre Kardec, dever\u00edamos sempre acompanhar os avan\u00e7os cient\u00edficos, abandonando a opini\u00e3o que se mostrasse errada frente \u00e0 ci\u00eancia. \u00c9 isso o que fazemos aqui e \u00e9 o mesmo que faria Allan Kardec se, hoje, se encontrasse encarnado entre n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">Contudo, nada disso muda nossa forma de entender o Espiritismo, em sua verdadeira concep\u00e7\u00e3o, e nem mesmo com rela\u00e7\u00e3o ao papel grandioso que Kardec teve em seu estudo, posto que foi um homem imperfeito, embora comprometido com a caridade e as ci\u00eancias. Na verdade, acrescenta, \u00e0 Doutrina dos Esp\u00edritos, a beleza real que ela tem, entendida em sua profundidade e sem os preconceitos e conceitos humanos que, afinal, ela n\u00e3o tem, mas, sim, desfaz. <\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/en\/artigos\/historia-do-espiritismo\/seria-allan-kardec-racista-machista-homofobico-etc\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground: #ffffff !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Triste \u00e9poca, aquela da escravid\u00e3o e da segrega\u00e7\u00e3o, j\u00e1 em muito superada. 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