{"id":2024,"date":"2021-09-24T14:53:47","date_gmt":"2021-09-24T17:53:47","guid":{"rendered":"https:\/\/geolegadodeallankardec.com.br\/?p=2024"},"modified":"2023-10-06T15:00:28","modified_gmt":"2023-10-06T18:00:28","slug":"the-royal-charity","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.geolegadodeallankardec.com.br\/en\/articles-2\/opinion-article-2\/the-royal-charity\/","title":{"rendered":"True Charity, according to Spiritism"},"content":{"rendered":"
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<\/a><\/div>\nCaridade: termo t\u00e3o usado em toda parte, mas, ainda, t\u00e3o mal compreendida<\/strong>. Que seria a Caridade verdadeira, segundo o Espiritismo?<\/p>\n\n\n\n Para n\u00f3s, esp\u00edritas, ela aparece em todo canto, em toda literatura. Kardec a tornou base necess\u00e1ria para toda e qualquer felicidade, dizendo: “fora da caridade n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o”. A afirmativa, \u00e9 claro, nasceu de uma certa oposi\u00e7\u00e3o ao dogmatismo religioso, que tentava apregoar que a salva\u00e7\u00e3o estava em cada seita, de forma exclusivista e mesmo ego\u00edsta, mas n\u00e3o deixa de ser verdade, pois, sem caridade, n\u00e3o h\u00e1 amor ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n Contudo, o termo caridade<\/em> tomou, hoje, conota\u00e7\u00e3o de assistencialismo, quase que exclusivamente, tornando-se sin\u00f4nimo de doa\u00e7\u00e3o material. Mas, para que realmente possamos entendemo-la dentro do contexto esp\u00edrita, precisamos voltar ao contexto de Allan Kardec, na Fran\u00e7a de meados de 1850:<\/p>\n\n\n\n \u00c9 importante destacar que o termo caridade utilizado por Kardec, para o Espiritualismo Racional, naquele tempo (divergindo da defini\u00e7\u00e3o atual do termo, que se aproxima do assistencialismo), representava agir pelo dever, ou seja, de forma livre, consciente, intencional, independentemente de castigos e recompensas, com a plena compreens\u00e3o da lei moral.<\/strong> A caridade \u00e9 um princ\u00edpio que orienta o agir integral do ser, e n\u00e3o uma atividade complementar, como se fosse um comportamento acess\u00f3rio<\/strong> […].<\/p>\nPaulo Henrique de Figueiredo – O Legado de Allan Kardec<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n Vemos, assim, que a caridade, bem entendida, deve constituir o ser<\/em>, o modo de proceder, e n\u00e3o apenas se constituir de a\u00e7\u00f5es isoladas que, muitas vezes, falam mais pela necessidade de se fazer visto como “pessoa caridosa”, situa\u00e7\u00e3o na qual n\u00e3o h\u00e1 real caridade, mas apenas ego e vaidade. Mais que isso, a caridade n\u00e3o se resume \u00e0 doa\u00e7\u00e3o material. Na verdade, eu diria, ela \u00e9, na maioria das vezes, oposta \u00e0 doa\u00e7\u00e3o material, visto que quem doa materialmente, seja dinheiro, seja comida, sejam coisas, muitas vezes o faz como uma forma de al\u00edvio de consci\u00eancia<\/em>.<\/p>\n\n\n\n O caro leitor que me perdoe, pois o intuito realmente n\u00e3o \u00e9<\/strong> julgar ningu\u00e9m em suas a\u00e7\u00f5es. O pr\u00f3prio Cristo exemplificou, na “par\u00e1bola do \u00f3bulo da vi\u00fava”, que a inten\u00e7\u00e3o real, ou, se quisermos, a f\u00e9, \u00e9 quem fala mais alto. Muitas pessoas doam dinheiro ou outros recursos querendo realmente<\/em> fazer o bem e, claro, isso conta muito. Mas quantas vezes n\u00f3s nos limitamos a fazer uma doa\u00e7\u00e3o material, sem mesmo refletir sobre o que estamos fazendo e sobre a situa\u00e7\u00e3o real daquela pessoa que nos pede, num ato [enganoso], quase sempre, de desobriga\u00e7\u00e3o de ir al\u00e9m, ou apenas para nos sentirmos bem?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n Pensemos: quantas pessoas utilizam doa\u00e7\u00f5es para, revendendo recursos, obter dinheiro para obter entorpecentes? Quantas pessoas, dispondo de recursos f\u00e1ceis, se lan\u00e7am nos piores v\u00edcios e desregramentos, cavando mais e mais o pr\u00f3prio buraco em que se afundam? Ser\u00e1 que doar a essas pessoas, regularmente, est\u00e1 realmente ajudando em suas situa\u00e7\u00f5es? Ser\u00e1, realmente, que se os ricos simplesmente doassem suas fortunas, a mis\u00e9ria humana acabaria?<\/p>\n\n\n\n N\u00e3o digo, de forma alguma, que n\u00e3o devemos doar recursos materiais; mas pensemos al\u00e9m, analisando cada situa\u00e7\u00e3o e buscando ser fraternos com o irm\u00e3o que nos busca, nos importando realmente com a situa\u00e7\u00e3o dessa pessoa. Muitas vezes, uma simples pergunta do tipo “por que est\u00e1 na rua, irm\u00e3o? O que est\u00e1 passando?<\/em>” pode abrir caminho para uma rela\u00e7\u00e3o muito mais frut\u00edfera que, n\u00e3o esque\u00e7amos, beneficia os dois lados<\/em>. <\/p>\n\n\n\n O indiv\u00edduo que realmente deseja fazer o bem, n\u00e3o faz a caridade uma vez por m\u00eas ou por semana: ele \u00e9<\/em> caridoso, o tempo todo. E ser caridoso<\/em> consiste em colocar o outro \u00e0 frente de nossas pr\u00f3prias vontades e necessidades. Quantas vezes, pessoas passando pelos mais dif\u00edceis momentos de suas vidas, encontram for\u00e7as para fazer a caridade de um dar sorriso a quem chora ainda mais? Minha av\u00f3, por exemplo, passando por uma grave e dolorida doen\u00e7a, encontrava for\u00e7as para ser doce e af\u00e1vel, sorrindo a todos<\/strong> que vinham visit\u00e1-la em seus \u00faltimos dias da \u00faltima encarna\u00e7\u00e3o. N\u00e3o ser\u00e1 isso um g\u00eanero de caridade – talvez dos maiores que existem?<\/p>\n\n\n\n Quando pensarmos, portanto, em caridade, precisamos pensar necessariamente em uma coisa: ir al\u00e9m. Se doamos algo material, que isso seja apenas a porta para criar um v\u00ednculo e uma abertura para aprofundar a rela\u00e7\u00e3o com o irm\u00e3o que pode estar em grande sofrimento. Mas, sobretudo, n\u00e3o esque\u00e7amos que a maior caridade que podemos fazer ao pr\u00f3ximo \u00e9 lhe levar amor, f\u00e9 e consola\u00e7\u00e3o, sobretudo atrav\u00e9s do exemplo de quem vivencia o que fala e n\u00e3o apenas como quem joga palavras ao vento. <\/p>\n\n\n\n \u00c9, portanto, um g\u00eanero de caridade com a humanidade nos esfor\u00e7armos em nosso pr\u00f3prio adiantamento moral, buscando modificarmo-nos \u00e0 luz daquilo que nos consola e, em nosso caso, estudando dedicadamente O Espiritismo<\/strong>, doutrina que, muitas vezes na vida, nos salvou de escolhas ruins<\/strong> ou nos conduziu a melhores caminhos. Aprendamos a espalh\u00e1-lo sem chocar, isto \u00e9, sem iniciar as conversas falando em reencarna\u00e7\u00e3o e obsess\u00e3o, mas, sim, apresentando a filosofia t\u00e3o consoladora encontrada nessa Doutrina.<\/p>\n\n\n\n Sairemos, ent\u00e3o, port\u00e3o afora, e encontraremos por todos os lados pessoas precisando<\/em>, desesperadamente, de algo que as console, que as ajude a tirar o pensamento de desist\u00eancia de suas cabe\u00e7as, que as auxilie a passar pelas provas da vida com f\u00e9 inabal\u00e1vel<\/em> e com firmeza decidida. S\u00e3o pessoas quase sempre dif\u00edceis, pelo momento de crise<\/em> que vivem, e n\u00e3o seria caridade maior nos esfor\u00e7armos por ajud\u00e1-la, de forma persistente e fraterna, mesmo sabendo que, muitas vezes, viveremos dificuldades nesse contato inicialmente dif\u00edcil?<\/p>\n\n\n\n Acreditem, irm\u00e3os: fazemos caridade muito maior<\/strong> deixando para tr\u00e1s nossas imperfei\u00e7\u00f5es e espalhando consola\u00e7\u00f5es e conhecimentos que podem mudar, para sempre<\/strong><\/em>, o rumo de um Esp\u00edrito, do que apenas doando uma “coisa”, que ele vai usar e descartar, enquanto n\u00f3s viramos nossas costas e seguimos nossa vida, sem vontade de ir al\u00e9m<\/em>. Afinal, de que adianta doar um saco de arroz para algu\u00e9m que pede no port\u00e3o enquanto n\u00e3o somos caridosos, sequer, com os membros de nossa pr\u00f3pria fam\u00edlia ou com nossos subordinados no trabalho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n Encerro deixando a mensagem de “Um Esp\u00edrito Protetor”, apresentada no cap\u00edtulo XIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo:<\/p>\n\n\n\n Meus amigos, a muitos dentre v\u00f3s tenho ouvido dizer: Como hei de fazer caridade, se ami\u00fade nem mesmo do necess\u00e1rio disponho?<\/p>\n\n\n\n Amigos, de mil maneiras se faz a caridade. Podeis faz\u00ea-la por pensamentos, por palavras e por a\u00e7\u00f5es. Por pensamentos, orando pelos pobres abandonados, que morreram sem se acharem sequer em condi\u00e7\u00f5es de ver a luz. Uma prece feita de cora\u00e7\u00e3o os alivia. Por palavras, dando aos vossos companheiros de todos os dias alguns bons conselhos, dizendo aos que o desespero, as priva\u00e7\u00f5es azedaram o \u00e2nimo e levaram a blasfemar do nome do Alt\u00edssimo: \u201cEu era como sois; sofria, sentia-me desgra\u00e7ado, mas acreditei no Espiritismo e, vede, agora, sou feliz.\u201d Aos velhos que vos disserem: \u201c\u00c9 in\u00fatil; estou no fim da minha jornada; morrerei como vivi\u201d, dizei: \u201cDeus usa de justi\u00e7a igual para com todos n\u00f3s; lembrai-vos dos obreiros da \u00faltima hora.\u201d \u00c0s crian\u00e7as j\u00e1 viciadas pelas companhias de que se cercaram e que v\u00e3o pelo mundo, prestes a sucumbir \u00e0s m\u00e1s tenta\u00e7\u00f5es, dizei: \u201cDeus vos v\u00ea, meus caros pequenos\u201d, e n\u00e3o vos canseis de lhes repetir essas brandas palavras. Elas acabar\u00e3o por lhes germinar nas intelig\u00eancias infantis e, em vez de vagabundos, fareis deles homens. Tamb\u00e9m isso \u00e9 caridade.<\/p>\n\n\n\n Dizem, outros dentre v\u00f3s: \u201cOra! somos t\u00e3o numerosos na Terra, que Deus n\u00e3o nos pode ver a todos.\u201d Escutai bem isto, meus amigos: Quando estais no cume da montanha, n\u00e3o abrangeis com o olhar os bilh\u00f5es de gr\u00e3os de areia que a cobrem? Pois bem: do mesmo modo vos v\u00ea Deus. Ele vos deixa usar do vosso livre-arb\u00edtrio, como v\u00f3s deixais que esses gr\u00e3os de areia se movam ao sabor do vento que os dispersa. Apenas, Deus, em sua miseric\u00f3rdia infinita, vos p\u00f4s no fundo do cora\u00e7\u00e3o uma sentinela vigilante, que se chama consci\u00eancia. Escutai-a, que somente bons conselhos ela vos dar\u00e1. \u00c0s vezes, conseguis entorpec\u00ea-la, opondo-lhe o esp\u00edrito do mal. Ela, ent\u00e3o, se cala. Mas, ficai certos de que a pobre escorra\u00e7ada se far\u00e1 ouvir, logo que lhe deixardes aperceber-se da sombra do remorso. Ouvi-a, interrogai-a e com freq\u00fc\u00eancia vos achareis consolados com o conselho que dela houverdes recebido.<\/p>\n\n\n\n Meus amigos, a cada regimento novo o general entrega um estandarte. Eu vos dou por divisa esta m\u00e1xima do Cristo: \u201cAmai-vos uns aos outros.\u201d Observai esse preceito, reuni-vos todos em torno dessa bandeira e tereis ventura e consola\u00e7\u00e3o. \u2013 Um Esp\u00edrito protetor. (Li\u00e3o, 1860.)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n
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