Comunicação espontânea — 2 —Atribuída a Allan Kardec

Em nossa reunião mediúnica virtual de 07/07/2026, a médium Sra. X apresentou uma manifestação espontânea de psicofonia logo após comunicação de um espirito por outro médium. O Espírito que se manifestou pela Sra. X expressou-se com tom grave e austero, trazendo a mensagem e posterior conversa com os integrantes da reunião. Tudo foi transcrito e apresentado abaixo:

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): Prezados irmãos de caminhada, venho mais uma vez agradecer os esforços que vocês estão despendendo para que minha caminhada não tenha sido em vão. Estarei sempre que possível orientando o grupo. Considerem sempre colocar à prova os ensinamentos que vocês buscam e recebem através dos espíritos aqui presentes. O melhor caminho sempre será o da lógica, o da razão. Busquem pela conformidade dos ensinos. Desconsiderem aquilo que contraria as leis naturais. Vocês iniciaram a caminhada.  Existirão sempre contratempos, como é natural em todas as escolhas que se fazem nessa vida. Desempenhem o seu papel com ética, sem desvios, sem personalismos. O tempo mostrará a vocês que as escolhas que estão fazendo trarão resultados positivos a causa do espiritismo. Quando se sentirem desanimados, busquem orientação com os espíritos aqui presentes, que também acompanharam o início dessa jornada enquanto eu estava ali. Não guardem mágoas daqueles que não compreendem o esforço que estão fazendo, aqueles que menosprezam com sarcasmos o trabalho ao qual vocês se propuseram; se surpreenderão mais à frente com os conhecimentos que vocês colocarão na revista, nos programas que vocês têm, porque não encontrarão contrapontos para refutar as novas descobertas.

Iniciem a troca de informações entre grupos, assim que possível, para que a coerência se mantenha entre vocês e a doutrina. Nesse momento, de agora para a frente, estarei o mais próximo possível desse grupo e de todos aqueles que buscam restabelecer as bases daquilo que os espíritos trouxeram até nós e que não mudou em ponto algum.

Ari: É uma honra ter aqui você conosco. Acho que todo mundo quer ter esse tipo de conversa. Eu tenho a impressão que você é muito evocado. Como você fica? Como você se sente nessas situações?

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): O sentimento é de agradecimento, mas não vou me manifestar para aqueles que apenas querem ou buscam a curiosidade. Estarei presente e me manifestarei sempre que possível, sempre que eu perceber que há necessidade.

Ari: Sempre será muito bem-vindo. 

SrAja: É um prazer poder dialogar com o senhor. Eu gostaria de lhe perguntar qual foi o principal erro que aqueles que trouxeram o Espiritismo para o Brasil cometeram para que nós estejamos no ponto que nós estamos hoje, onde suas obras são praticamente preteridas a obras de espíritos não tão confiáveis.

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): As obras não são minhas. Elas só puderam se tornar conhecidas porque os espíritos assim o quiseram. O contexto histórico desse país foi o que comprometeu a caminhada do Espiritismo como ciência e filosofia, mas a recuperação está chegando.

Erasto sempre esteve presente, observando, recolhendo informações.

Ari: Eu tenho uma pergunta para fazer para você. Desculpa chamar por você, mas é para criar essa proximidade, senão eu sinto você muito distante, se eu chamar de senhor. E eu sei que você está próximo a nós. Eu queria saber se todos aqueles espíritos que ajudaram você na codificação continuam o acompanhando como São Luís, Erasto, Santo Agostinho, e tantos outros que eu não sei dizer. 

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): Todos estão presentes junto comigo.

Ari: Nenhum deles encarna? 

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): Não tiveram mais necessidade. 

Ari: Todos eram puros? Para distribuir a verdade para a gente?  

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): Alguns reencarnaram, mas já estão de volta conosco.

SrAja: Eu gostaria de fazer uma pergunta que talvez não devesse ser feita, mas que vai me tirar uma dúvida. Muitas pessoas criticam o livro Evangelho Segundo o Espiritismo. E muitos espíritas, principalmente os que são mais ligados à ciência espírita,não gostam muito da obra. Qual a sua opinião a esse respeito?

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): Nunca entenderam o objetivo da obra. O objetivo da obra nunca foi religião. Sempre foi filosofia. Sempre foi buscar o entendimento das palavras de Cristo. Nunca foi transformar o Evangelho em religião. Talvez esse tenha sido, eu não diria um erro, mas talvez não devesse ser o momento de colocar aquele livro ao público.

SrAja: Se o senhor me permitir fazer mais uma pergunta, é uma pergunta pessoal. O senhor acredita que o livro deveria ter se mantido no título inicial, que era a Imitação do Evangelho, ao invés do Evangelho Segundo o Espiritismo? O senhor acha que isso pode ter atrapalhado de alguma forma?

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): O título não é um problema. Talvez devesse ter colocado explicações melhores, do início ao fim, Não que já não tivesse no prefácio colocações importantes, que as pessoas não leem e não entendem quando leem. O objetivo não era transformar o livro em uma Bíblia. O objetivo era compreender o que Jesus dizia, de forma simples. Os homens deturpam aquilo que não compreendem.

Ari: Certo. Quer dizer que o Evangelho Segundo o Espiritismo foi explicar a palavra de Jesus e a Gênese foi explicar os milagres de Jesus. Assim que eu vejo.

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): Apenas isso.

SrAja: Uma última pergunta para o senhor. Hoje, principalmente no país que nós residimos, há a chamada prática que se diz Evangelho no Lar, onde o livro Evangelho Segundo o Espiritismo é aberto aleatoriamente e é utilizado como se fosse uma Bíblia. O senhor, enquanto cientista, enquanto pessoa também, enquanto codificador da obra Vinda dos Espíritos, o senhor contraindica essa prática ou qual sua opinião a esse respeito?

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): Não contraindico, mas não é necessário. A oração quando feita do coração, é suficiente. Não é necessário um livro para que isso aconteça.

SrAja: Eu agradeço a resposta.

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): Eu também agradeço. Deixo a vocês o meu agradecimento. Que Deus ampare cada um de vocês para que essa nova fase, que essa luta se agigante. O guia de vocês me diz, novos adeptos chegarão. Todos passarão pela peneira. Muitos chegarão para tentar colocar a discórdia, para separar, mas vocês os perceberão e conseguirão separar o joio do trigo. Já estão fazendo isso. Em breve, retornarei.

Teresinha, Diógenes, o Espírito Amigo, Christopher. Todos aqui estarão dispostos a auxiliar naquilo que vocês precisarem. Me despeço, deixando a vocês minha gratidão. ((Estes são nomes atribuídos a Espíritos familiares de nosso grupo mediúnico))

Ari: Até breve. Até breve. Fique bem.

A análise integral da mensagem revela uma profunda convergência com a fase de maturidade de Allan Kardec (1865-1869), especialmente no que diz respeito à autonomia moral, ao rigor metodológico e à natureza científica da doutrina.

Abaixo, os pontos de acerto, os pontos que exigem cautela e a análise da personalidade:

1. Pontos de Acerto:

  • Primazia da Razão e Lógica: A insistência em colocar ensinamentos à prova e usar a razão como filtro é o pilar do método de Allan Kardec, que afirma que uma fé inabalável é aquela que encara a razão face a face.
  • Natureza da Doutrina: A afirmação de que o Espiritismo é ciência e filosofia, e não uma religião com dogmas e rituais, é rigorosamente exata segundo as fontes. ((Preâmbulos, O que é o Espiritismo, 1859))
  • O Evangelho como Código Moral: A mensagem acerta ao definir O Evangelho segundo o Espiritismo como um código de moral universal e ao citar seu título original, Imitação do Evangelho. A obra foi publicada com esse nome em abril de 1864 e alterada posteriormente para a denominação atual.
  • Desmaterialização da Prece: A rejeição de fórmulas sacramentais e a ênfase na “prece do coração” em detrimento do livro ou do ritual (como o Evangelho no Lar mecanizado) ecoam o ensino de que “a forma nada vale, o pensamento é tudo”. ((Cap XXXI, XVI, O livro dos Médiuns, 1861))
  • Escala Espírita e Reencarnação: A explicação de que Espíritos puros não têm mais necessidade de encarnar, salvo por missão, está em pleno acordo com a Escala Espírita. ((Escala Espirita, 100 e Pluralidade das Existencias, 166 , O Livro dos Espiritos, 1860))
  • Restauração Doutrinária: A menção a desvios históricos e à necessidade de restabelecer as bases da doutrina alinha-se às evidências de adulteração das obras O Céu e o Inferno e A Gênese após a morte de Kardec.
  • O Papel de Erasto: A descrição de Erasto como um guia firme e protetor da vanguarda é característica de sua atuação nas fontes, onde ele frequentemente alerta contra a “guerra surda” dos Espíritos enganadores e a necessidade de desmascarar falsos profetas. ((Revista Espírita, novembro de 1861))
  • Ciência Progressiva: A menção a “novas descobertas” que não encontrarão contrapontos corrobora o caráter essencialmente progressivo do Espiritismo, que deve assimilar toda verdade demonstrada pela ciência e pela razão. (( Cap. 1, 55, A Genese, 1868))
  • Pensamento vs. Forma: A resposta atribuída a Kardec sobre a não obrigatoriedade do livro para a prece ressoa o princípio de que, para os Espíritos, “o pensamento é tudo e a forma é nada”. ((Cap I, 3o Diálogo, O que é o Espiritismo, 1859))
  • Rejeição de Fórmulas: Espiritismo ensina que não há fórmulas sacramentais ou horas cabalísticas para a comunicação; a eficácia da prece reside na sinceridade do sentimento e não na repetição de palavras. ((203, O Livro dos Médiuns, 1861))
  • Missão vs. Necessidade: A afirmação de que Espíritos puros não precisam mais encarnar, mas podem fazê-lo por missão, é baseada na escala espírita. Espíritos superiores aceitam as tribulações da vida corporal apenas para auxiliar o progresso da Humanidade. ((178., O Livro dos Espíritos, 1860))
  • Transição Planetária: O aviso sobre a chegada de novos adeptos e a necessidade de “separar o joio do trigo” (a peneira) alinha-se às predições sobre a Nova Geração em A Gênese.
  • Exclusão dos Espíritos Rebeldes: Na transição para o período de regeneração, Espíritos que persistem no mal serão excluídos da Terra e enviados para mundos inferiores, enquanto uma geração de Espíritos mais avançados assumirá a direção do progresso. (Cap. XVIII, A Gênese, 1868))

2. Pontos que Exigem Cautela (Erros ou Inconsistências)

  • Identidade e Personalismo: Embora a mensagem desaconselhe o personalismo, a própria evocação de nomes ilustres deve ser sempre vista com a reserva recomendada pelo próprio Kardec: a identidade é secundária à qualidade do ensino. ((255., Livro dos Médiuns, 1861))

3. Análise da Personalidade de Kardec na Mensagem

A mensagem pode ser atribuída à personalidade de Kardec pelos seguintes traços de estilo e conteúdo:

  • Linguagem Grave e Dignitária: O tom é sóbrio, austero e focado na instrução, características dos Espíritos superiores e do próprio Codificador.
  • Firmeza Metodológica: A ênfase no controle universal dos ensinos e na análise crítica, mesmo de suas próprias obras, reflete o desprendimento e o rigor científico de Rivail.
  • Abnegação: O reconhecimento de que “as obras não são minhas” e o foco na utilidade coletiva em vez da glória pessoal são marcas registradas de sua personalidade.
  • Foco na Autonomia: A mensagem reforça que o Espírito é o artífice de seu destino, um conceito que Kardec consolidou em sua obra final, combatendo o misticismo e a obediência passiva.

O diálogo reforça a ideia de que o Espiritismo deve ser praticado como uma ciência de observação e uma filosofia moral, combatendo o misticismo e as distorções que tentam transformá-lo em um culto cego de obediência passiva.

Leia também outra Comunicação atribuída a Kardec recebida por nós aqui e análise aqui




A Retomada do Espiritismo Verdadeiro: Unidade, Humildade e Propósito

A seguinte conversa ocorreu na nossa reunião mediúnica online, no dia 28 de abril de 2026. Começou com o Espirito Amigo e posteriormente com Espirito Tereza, médium Sra. Po por psicofonia.

Pergunta ao Espírito Amigo: Na outra vez, a Teresa veio conversar conosco (vide mensagem de Tereza 2026-04-21). Ela disse que eles estavam fazendo um movimento para que os planos mais altos fizessem uma mobilização dos grupos que têm conhecimento, e teria procedimentos  para as próximas reuniões. Eu gostaria de saber se ela tem alguma novidade.

Resposta Tereza: Estamos sempre preparados e trabalhando para o benefício dos grupos que estão se colocando à disposição dos planos superiores. Nos movimentamos aqui nos últimos dias para que mais pessoas abram os olhos e vejam os enganos que cometeram e se alinhem com aqueles que buscam pela verdade. O movimento que fazemos aqui reflete no mundo material de vocês.

Há um alinhamento de pensamentos, há um alinhamento de sentimentos, há um alinhamento de vontades. E como dissemos, como um amigo que conversa com vocês já avisou, nós estávamos em um trabalho constante aqui. Ele mesmo vos avisou, sim, que se fosse preciso, voltaríamos a bater nas mesas.

Mas percebemos através de vocês e de outros grupos que isso não seria necessário, apesar de que alguns de nós entendem que ainda é necessário. Por isso as manifestações vão acontecer. Todos nós aqui nos respeitamos mutuamente.

Olhamos para nossos irmãos que estão fazendo isso e entendemos a utilidade. Eles, por outro lado, nos olham e entendem também o nosso sentido de educação e de continuidade de um trabalho mais sério. Somos um grupo, cada um de nós pode agir livremente, nunca, portanto, nunca infringindo as leis de Deus.

Para alguns céticos encarnados ainda é necessário o movimento de objetos, mas para grupos mais coesos não há essa necessidade. Por isso trabalhamos em frentes diferentes por aqui.

Pergunta: Qual é a instrução que você nos dá? Você falou que vocês trariam uma série de instruções para nossa ação. Tem alguma instrução para agora?

Resp. Tereza: Continuem o trabalho que vocês começaram. Mostrem os desvios. Esse já é um começo.

Não vamos sobrecarregar vocês. Tentem sempre a unidade de pensamentos. Muito cuidado com as vaidades, com o orgulho, com as paixões desmedidas.

A nossa maior alegria é quando vemos movimentos como esse abalar grandes estruturas que sistematizaram o nosso mundo e o transformaram em uma grande distorção do que ele realmente é. Mostrem às pessoas a vastidão do mundo espiritual. Nós não estamos restritos, presos a um único mundo.

Tentem fazer as pessoas entenderem a vastidão do espaço que cerca esse planeta. Sabemos que é difícil imaginar o infinito, mas aqui, aqui, o infinito é algo indescritível. Não existem palavras humanas que possam descrever o que vemos. É muito além daquilo que vocês podem enxergar.

O primeiro passo, vocês estão trilhando. O segundo passo será a retomada dos estudos frente às comunicações, a troca de informações para compilar mais uma vez o conhecimento do mundo espiritual. O terceiro passo, talvez o mais difícil, seja colocar todas essas informações em um compêndio para estudos futuros. Essa é a retomada do Espiritismo verdadeiro.

Isso é o que desejamos. Isso é o que pedimos.

Pergunta: Agradeço muito as palavras e tenho certeza que vocês vão estar ao nosso lado, de todos, para poder fazer isso de uma maneira correta. E eu queria pedir mais uma coisa, de soerguer a nossa vontade neste caminho, para que  não nos  percamos por outros caminhos. Então, eu gostaria que vocês soerguessem essa vontade, porque às vezes eu não tenho vontade. Eu falo por mim. Eu tenho medo disso, de perder a vontade.

Resp. Tereza:  E com as instruções do Espírito Amigo, ele já disse a vocês tantas vezes: evitem brigas desnecessárias, discussões que desgastam e esmoreçam a vontade. Foquem no objetivo que vocês têm como grupo.

Vocês têm os passos, sigam. Não se percam em discussões inúteis. Olhem cada um dentro de si e descubram pelo que vale a pena lutar, pelo que vale a pena discutir.

Só isso manterá vocês no caminho. Que vocês mesmos escolheram trilhar quando aqui estavam. Nada é por acaso na vida de vocês.

Nada é por acaso nesses grupos novos que estão se formando. Então, usem a inteligência que vocês têm e façam as escolhas certas. Desejamos, todos aqui, eu, Espírito Amigo, o Christopher e outros que no momento não me convém nomear, que vocês não esqueçam o propósito dessa existência.

Fiquem com Deus. Estaremos sempre ao lado de vocês, sempre que precisarem.

O foco sempre é destacar as características lógicas das mensagens através do corpo da mensagem, análises ponto-a-ponto, e conclusões. Segue a análise:

1. Caráter da Comunicação e Linguagem

A mensagem apresenta um cunho sério e moralizador, o que é o primeiro indício de um Espírito de boa natureza. A linguagem é digna e isenta de trivialidades, focando no progresso coletivo e na vigilância contra as paixões humanas, como o orgulho e a vaidade. O Espírito não se impõe, mas aconselha, respeitando o livre-arbítrio dos encarnados. Esse tom sóbrio e profundo, sem apelos emocionais exagerados ou promessas fantásticas, é o selo distintivo dos Espíritos de ordem elevada, conforme ensinam as obras fundamentais da Codificação.

2. Manifestações Físicas vs. Inteligentes

Tereza demonstra um conhecimento exato da hierarquia dos fenômenos, distinguindo entre o que é necessário para diferentes graus de maturidade espiritual:

Finalidade das Pancadas: Ela afirma que bater nas mesas (tiptologia) é útil para convencer céticos, o que concorda com o ensino de que efeitos físicos servem como o “A-B-C” da ciência para despertar a atenção. Kardec, em A Gênese, explica que tais fenômenos foram mais necessários numa época de materialismo extremo.

Abandono do Material pelo Intelectual: O Espírito ressalta que grupos coesos prescindem do movimento de objetos, focando na filosofia e na moral, o que ratifica que Espíritos superiores preferem meios de comunicação mais rápidos e diretos para o ensino. A mensagem é clara: o Espiritismo Moral substitui gradualmente o espetáculo pelo ensinamento.

3. O Método e a Retomada do “Espiritismo Verdadeiro”

Os três passos sugeridos pelo Espírito alinham-se rigorosamente ao método de codificação estabelecido por Allan Kardec:

Primeiro passo – O início do trabalho: Trata-se do reconhecimento mútuo entre espíritos e encarnados, e da disposição de servir. Essa fase já existia nas reuniões domésticas do século XIX e representa o despertar da consciência grupal.

Segundo passo – Coletividade e Universalidade: A “troca de informações para compilar mais uma vez o conhecimento do mundo espiritual” é a base do Controle Universal do Ensino dos Espíritos, onde a verdade nasce da concordância de múltiplas fontes. Kardec jamais separou a mediunidade da razão, a inspiração da codificação.

Terceiro passo – Organização e Compêndio: “Colocar todas essas informações em um conteúdo para estudos futuros” reflete o trabalho de coordenação e síntese que Kardec realizou para dar unidade à doutrina e evitar cismas e sistemas pessoais. É o passo mais desafiador, pois toda compilação corre o risco de virar dogma – daí a advertência de Tereza de que a unidade deve ser “de pensamentos”, não de fórmulas.

Combate a Distorções: A menção a “grandes estruturas que sistematizaram o nosso mundo e o transformaram numa grande distorção” ressoa com os alertas recebidos por Kardec sobre tentativas de desviar o Espiritismo para o misticismo ou dogmatismo. É uma crítica velada a instituições ou sistemas que, com o tempo, petrificaram verdades vivas.

4. Advertências Morais: Vaidade, Orgulho e Harmonia

O Espírito Tereza enfatiza que o maior obstáculo não são os inimigos externos, mas as imperfeições internas: vaidade, orgulho e ambição. Um grupo só permanece assistido por Bons Espíritos enquanto mantém a unidade de pensamentos e a pureza de intenções.

A advertência sobre “brigas desnecessárias e discussões que desgastam” é de uma sabedoria prática irretocável. Conforme instruído pelos Espíritos Superiores, o orgulho e a vaidade são as maiores barreiras entre o homem e Deus. Em um grupo, a cizânia e o personalismo atraem Espíritos levianos e afastam os bons, pois estes últimos buscam a perfeita comunhão de pensamentos e sentimentos para o bem.

5. A Vontade como Motor do Progresso

Um dos momentos mais comoventes do diálogo é quando o consulente confessa: “Às vezes eu não tenho vontade. Eu gostaria que ela não se perdesse. Eu tenho medo disso, de perder a vontade.”

A resposta de Tereza é prática e ao mesmo tempo elevada: “Sigam as instruções do Espírito Amigo […] evitem brigas desnecessárias, discussões que desgastam e esmorecem a vontade. Foquem no objetivo que vocês têm como grupo.”

De acordo com a psicologia espírita, a vontade é um atributo essencial do Espírito. Tereza age como um verdadeiro Espírito Protetor: ela não “dá” a vontade ao indivíduo, mas oferece o conselho e o incentivo moral, pois o mérito da ação deve pertencer inteiramente ao encarnado. Como Kardec observou, os Espíritos bons assistem aqueles que se ajudam a si mesmos; eles não podem substituir o livre-arbítrio da criatura. “Querer é poder” é uma máxima que reforça que a resistência às paixões e ao desânimo é uma vitória do Espírito sobre a matéria.

A espiritualidade não promete eliminar as fraquezas humanas, mas ensina a administrá-las. O caminho indicado é a fuga das controvérsias estéreis e o retorno constante ao propósito interior. “Olhem cada um dentro de si e descubram pelo que vale a pena lutar, pelo que vale a pena discutir.”

6. A Prece e o Esforço Próprio

Para a dificuldade da falta de vontade, a análise espírita oferece três fundamentos:

Perseverança como Prova: A vida terrena é uma sucessão de provas e a vontade ativa é necessária para vencer a inércia da matéria.

Ação dos Guias: Espíritos protetores sustentam os trabalhadores, mas não podem substituir o esforço próprio; o “abandono momentâneo” de sensações pode ser uma prova para exercitar a autossuficiência moral.

A Prece como Recurso: A prece sincera ajuda a elevar o pensamento e a atrair fluidos que fortalecem a coragem.

7. Compromissos Pré-Existentes e Nada por Acaso

A afirmação de que o caminho foi “escolhido por vós mesmos quando aqui estáveis” alinha-se perfeitamente com a doutrina da escolha das provas. Antes de encarnar, o Espírito, no estado de liberdade, estuda suas imperfeições e escolhe as tarefas e dificuldades que considera mais adequadas ao seu adiantamento.

A mensagem encerra com uma afirmação de grande conforto e responsabilidade: “Nada por acaso na vida de vocês. Nada é por acaso nesses grupos novos que estão se formando.” A “fatalidade”, no Espiritismo, existe apenas na escolha feita pelo Espírito ao encarnar; o que ocorre depois são as consequências naturais de suas ações e o desenrolar do compromisso assumido perante a própria consciência.

8. O Uso da Inteligência e o Propósito da Vida

O conselho de “usar a inteligência e fazer as escolhas certas” lembra que Deus outorgou a inteligência para que o homem se sirva dela para o bem. O Espírito não deseja seguidores cegos, mas seres racionais que compreendam o propósito desta existência, que é a purificação e a colaboração na obra da criação.

Conclusão Analítica

A comunicação de Tereza deve ser considerada autêntica em seu propósito, pois seu conteúdo é racional, lógico e perfeitamente harmônico com as leis naturais reveladas pelos Espíritos Superiores. Ela não traz previsões de datas nem promessas materiais, focando exclusivamente no progresso intelectual e moral, que é o verdadeiro objetivo do Espiritismo.

Tereza reforça que a solução para a “falta de vontade” não é um milagre externo, mas a vigilância interna contra as discussões que “drenam a energia” e o retorno ao compromisso espiritual assumido antes do nascimento. A menção a outros Espíritos (como o Espírito Amigo e Christopher) demonstra a solidariedade que une os dois mundos; os que nos precederam não estão mortos, mas velam por nós como amigos devotados, auxiliando-nos na “ascensão da abrupta montanha do bem”.