Análise de Comunicação Mediúnica – A Metodologia Espírita: Fé, Provas e o Estudo em Grupo

Hoje trouxemos mais uma análise de comunicação mediúnica. O foco sempre é destacar as características lógicas das mensagens através do corpo da mensagem, análises ponto a ponto, e conclusões.

No mês de novembro de 2025, em uma de nossas reuniões mediúnicas, um dos médiuns recebeu a seguinte comunicação psicográfica espontânea de um Espírito:

Houve um tempo em que a necessidade das provas era necessária. Hoje, de acordo com a evolução dos habitantes do mundo, ela é ainda mais necessária, visto que a humanidade está cada vez mais imbuída de más intenções, visando o egoísmo e o ganho pessoal acima do coletivo. Estudos estão sendo feitos sobre médiuns e mediunidade. Os pesquisadores, no entanto, focados em cartas consoladoras, esquecem o básico da doutrina. Ou esquecem ou desconhecem.

Quando buscam por cartas consoladoras com o intuito da comprovação, o mundo espiritual, muitas vezes, se cala. A pesquisa carece de um ponto essencial: a fé. Também carece do entendimento do mundo espiritual.

Se fossemos enumerar, aqui, esses pontos, teríamos que ditar a codificação desde o seu princípio.

Ainda na época de Kardec, tentaram os mesmos experimentos. De lá, para cá, nada mudou nas Leis de Deus, nem na conduta dos Espíritos.

Mas não se preocupem. A hora das provas concretas está próxima e até os incrédulos tremerão.

Já dissemos: se for preciso, voltaremos a bater nas mesas.

Os médiuns são falhos. As Leis de Deus, não.

O estudo desses cientistas deveria ser feito em um grupo mediúnico. Só assim, poderiam entender o funcionamento básico dos fenômenos. Isolar médiuns para evocar espíritos não é um estudo correto. Analisar, no entanto, médiuns em transe nos grupos, poderia dar a eles material para abrirem as pesquisas.

Mas somos apenas mensageiros. Nossas palavras nem sempre são bem entendidas.

Desejamos, e faremos a nossa parte para que eles cheguem às suas melhores conclusões, sem retirar da humanidade a fé do amanhã, pelo contrário, informar aos incrédulos sobre a certeza que obterão de nosso mundo. (( entendemos que esta parte da mensagem seja melhor entendida desta forma: “Desejamos informar aos incrédulos sobre a certeza que obterão de nosso mundo. E faremos a nossa parte para que eles cheguem às suas melhores conclusões, sem retirar a fé do amanhã da humanidade” ))

Um Espirito – nov 2025

Esta comunicação tem a característica da firmeza doutrinária, lógica rigorosa e foco na utilidade moral. Aferiremos se as asserções do Espírito são coerentes com o ensinamento geral. Assim como se ela promove o progresso e o bem, em vez do sensacionalismo ou da especulação.

A mensagem pode ser classificada como profundamente instrutiva e em total conformidade com a moral dos Espíritos Superiores. Ela serve como um guia prático e uma severa advertência aos pesquisadores e médiuns.

Aqui está a análise ponto a ponto:

1. Sobre a Condição da Humanidade e a Necessidade das Provas

A avaliação da Humanidade — que está cada vez mais imbuída de más intenções, visando o egoísmo e o ganho pessoal acima do coletivo” — é uma constatação que reflete a realidade do nosso planeta de expiações e provas. O egoísmo e o orgulho são as verdadeiras chagas da Humanidade. O Espiritismo tem como meta essencial justamente o aperfeiçoamento moral do ser humano.

A declaração de que a necessidade das provas é ainda maior é lógica, pois as manifestações espíritas têm um fim providencial: convencer os incrédulos da sobrevivência da alma.

O aviso de que a “hora das provas concretas está próxima” e que “se for preciso, voltaremos a bater nas mesas”. está em sintonia com a lei do progresso. Os Espíritos iniciaram as suas manifestações com os efeitos físicos (as pancadas — tiptologia), que serviram como o vestíbulo da Ciência para despertar a atenção. Kardec observou que os Espíritos conduzem o ensino de modo gradativo e prudente. A retomada dos fenômenos físicos seria um meio poderoso para a implantação universal da doutrina na nova fase. Isto chocaria aqueles que ainda precisam de evidências materiais. ((https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/889/viagem-espirita-em-1862/1983/discursos-pronunciados-nas-reunioes-gerais-dos-espiritas-de-lyon-e-bordeaux ))

A afirmação de que “nada mudou nas Leis de Deus, nem na conduta dos Espíritos” é perfeitamente exata, pois as leis divinas são imutáveis. (( O Céu e o Inferno – Primeira Parte: Doutrina – Capítulo VIII. As penas futuras segundo o espiritismo – 14°. Diante dessa lei cai igualmente a objeção tirada da presciência divina. Deus, criando uma alma, sabe efetivamente se, em virtude de seu livre-arbítrio, ela tomará o bom ou o mau caminho; sabe que ela será punida se agir mal; mas sabe também que esse castigo temporário é um meio de fazê-la compreender seu erro e de fazê-la adentrar no bom caminho, a que chegará cedo ou tarde. Segundo a doutrina das penas eternas, Deus sabe que a alma falhará e está de antemão condenada a torturas sem fim. A razão diz também de qual lado está a verdadeira justiça de Deus. ))

2. Sobre a Metodologia de Pesquisa, a Fé e o Silêncio Espiritual

A crítica aos pesquisadores que “focados em cartas consoladoras, esquecem o básico da doutrina” e agem com a “curiosidade” é um ponto essencial reiterado nas obras espíritas.

Necessidade de Fé e Estudo: O ensino afirma corretamente que a pesquisa carece de e de entendimento do mundo espiritual. Kardec sempre sublinhou que a fé inabalável é aquela que pode encarar frente a frente a razão. O estudo sério e perseverante é a primeira condição para conhecer o Espiritismo. (( https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/2/o-livro-dos-espiritos/47/introducao-ao-estudo-da-doutrina-espirita/xvii ))

O Silêncio Espiritual: O fato de que “o mundo espiritual, muitas vezes, se cala” quando a busca é pela comprovação (por interesse ou curiosidade) é uma verdade constante. Os Espíritos Superiores não gostam dos curiosos. Eles não se prestam a experiências frívolas, ociosas ou para dar espetáculo, e se recusam a auxiliar qualquer tipo de cupidez ou egoísmo.

A mensagem está correta ao sugerir “ditar a codificação desde o seu princípio” para esclarecer esses pontos. isto demonstraria que, sem a base filosófica (Deus, alma, imortalidade), o estudo da manifestação é inútil. (( Livro dos Médiuns capítulo III – Do método https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/884/o-livro-dos-mediuns-ou-guia-dos-mediuns-e-dos-evocadores/1009/primeira-parte-nocoes-preliminares/capitulo-iii-do-metodo/18)))

3. Sobre a Falibilidade do Médium e a Importância do Grupo

A comunicação fornece instruções práticas vitais sobre a prática mediúnica:

A Falibilidade: A distinção “Os médiuns são falhos. As Leis de Deus, não” é fundamental. A faculdade mediúnica é orgânica e independe do moral do médium. Contudo, a aplicação e a qualidade das comunicações dependem das qualidades do médium.

O Escolho do Isolamento: A crítica de que “Isolar médiuns para evocar espíritos não é um estudo correto” é uma máxima de segurança. O isolamento do médium é um dos maiores escolhos da mediunidade. Aquele que trabalha sozinho se torna facilmente presa de Espíritos mentirosos e hipócritas que o dominam. (( Livro dos Médiuns – Segunda Parte – Capítulo Das manifestações espíritas Capítulo XXIII — Da obsessão – Causas da obsessão – 248. Acontece muito frequentemente que um médium só se pode comunicar com um único Espírito, que a ele se liga e responde pelos que são chamados por seu intermédio. Nem sempre há nisso uma obsessão, porquanto o fato pode derivar da falta de maleabilidade do médium, de uma afinidade especial sua com tal ou tal Espírito. Somente há obsessão propriamente dita, quando o Espírito se impõe e afasta intencionalmente os outros, o que jamais é obra de um Espírito bom. Geralmente, o Espírito que se apodera do médium, tendo em vista dominá-lo, não suporta o exame crítico das suas comunicações; quando vê que não são aceitas, que as discutem, não se retira, mas inspira ao médium o pensamento de se insular, chegando mesmo, não raro, a ordenara-lo. Todo médium, que se melindra com a crítica das comunicações que obtém, faz-se eco do Espírito que o domina, Espírito esse que não pode ser bom, desde que lhe inspira um pensamento ilógico, qual o de se recusar ao exame. O insulamento do médium é sempre coisa deplorável para ele, porque fica sem uma verificação das comunicações que recebe. Não somente deve buscar a opinião de terceiros para esclarecer-se, como também necessário lhe é estudar todos os gêneros de comunicações, a fim de as comparar. Restringindo-se às que lhe são transmitidas, expõe-se a se iludir sobre o valor destas, sem considerar que não lhe é dado tudo saber e que elas giram quase sempre dentro do mesmo círculo.))

A Força do Grupo: O conselho de que o estudo “deveria ser feito em um grupo mediúnico” é a única forma de evitar a obsessão. O grupo sério fornece o controle, a análise e o exame crítico das comunicações por pessoas desinteressadas e benevolentes, o que desmascara os Espíritos enganadores. (( O Livro dos Médiuns ou Guia dos médiuns e dos evocadores. Segunda parte — Das manifestações espíritas. Capítulo XXIX — Das reuniões e das sociedades espíritas. Das reuniões em geral. 329.As reuniões de estudo são, além disso, de imensa utilidade para os médiuns de manifestações inteligentes, para aqueles, sobretudo, que seriamente desejam aperfeiçoar-se e que a elas não comparecerem dominados por tola presunção de infalibilidade. Constituem um dos grandes tropeços da mediunidade, como já tivemos ocasião de dizer, a obsessão e a fascinação. Eles, pois, podem iludir-se de muito boa-fé, com relação ao mérito do que alcançam e facilmente se concebe que os Espíritos enganadores têm o caminho aberto, quando apenas lidam com um cego. Por essa razão é que afastam o seu médium de toda fiscalização; que chegam mesmo, se for preciso, a fazê-lo tomar aversão a quem quer que o possa esclarecer. Graças ao insulamento e à fascinação, conseguem sem dificuldade levá-lo a aceitar tudo o que eles queiram. Nunca será demais repetir: aí se encontra não somente um tropeço, mas um perigo; sim, verdadeiro perigo, dizemos. O único meio, para o médium, de escapar-lhe é a análise praticada por pessoas desinteressadas e benevolentes que, apreciando com sangue frio e imparcialidade as comunicações, lhe abram os olhos e o façam perceber o que, por si mesmo, ele não possa ver. Ora, todo médium que teme esse juízo já está no caminho da obsessão; aquele que acredita ter sido a luz feita exclusivamente em seu proveito está completamente subjugado. Se toma a mal as observações, se as repele, se se irrita ao ouvi-las, dúvida não cabe sobre a natureza má do Espírito que o assiste. Temos dito que um médium pode carecer dos conhecimentos necessários para perceber os erros; que pode deixar-se iludir por palavras retumbantes e por uma linguagem pretensiosa, ser seduzido por sofismas, tudo na maior boa-fé. Por isso é que em falta de luzes próprias, deve ele modestamente recorrer à dos outros, de acordo com estes dois adágios: quatro olhos veem mais do que dois e — ninguém é bom juiz em causa própria. Desse ponto de vista é que são de grande utilidade para o médium as reuniões, desde que se mostre bastante sensato para ouvir as opiniões que se lhe deem, porque ali se encontrarão pessoas mais esclarecidas do que ele e que apanharão os matizes, muitas vezes delicados, por onde trai o Espírito a sua inferioridade. Todo médium, que sinceramente deseje não ser joguete da mentira, deve, portanto, procurar produzir em reuniões serias, levando-lhes o que obtenha em particular, aceitar agradecido, solicitar mesmo o exame crítico das comunicações que receba. Se estiver às voltas com Espíritos enganadores, esse o meio mais seguro de se desembaraçar deles, provando-lhes que não o podem enganar. Aliás, ao médium, que se irrita com a crítica, tanto menos razão assiste para semelhante irritação, quanto o seu amor-próprio nada tem que ver com o caso, pois que não é seu o que lhe sai da boca, ou do lápis, e que mais responsável não é por isso, do que o seria se lesse os versos de um mau poeta. Insistimos nesse ponto, porque, assim como esse é um escolho para os médiuns, também o é para as reuniões, nas quais importa não se confie levianamente em todos os intérpretes dos Espíritos. O concurso de qualquer médium obsidiado, ou fascinado, lhes seria mais nocivo do que útil; não devem elas, pois, aceitá-lo. Julgamos já ter expendido observações suficientes, de modo a lhes tornar impossível equivocarem-se acerca dos caracteres da obsessão, se o médium não a puder reconhecer por si mesmo. Um dos mais evidentes é, da parte deste, a pretensão de ter sempre razão contra toda gente. Os médiuns obsidiados, que se recusam a reconhecer que o são, se assemelham a esses doentes que se iludem sobre a própria enfermidade e se perdem, por se não submeterem a um regime salutar. ))

Análise em Transe: A sugestão de “analisar, no entanto, médiuns em transe nos grupos” é uma metodologia válida. O estado de sonambulismo ou êxtase permite que o Espírito do médium se manifeste mais livremente, revelando manifestações mais elevadas e profundas.

4. Sobre a Identidade e a Missão

A ausência de um nome específico do Espírito, apresentando-se apenas como “somos apenas mensageiros”, seria visto como um sinal de seriedade e humildade, típicos de Espíritos que se importam com a ideia e não com o homem. Pela análise, podemos afirmar que é o mesmo espirito que se comunicou anteriormente na nesta mensagem aqui

O Foco na Mensagem: A prioridade de “informar aos incrédulos sobre a certeza que obterão de nosso mundo” é a finalidade máxima e essencial da Doutrina Espírita. ((https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/885/o-que-e-o-espiritismo/1320/capitulo-ii-nocoes-elementares-de-espiritismo/fim-providencial-das-manifestacoes-espiritas))

Veredito Final de nossa análise:




Análise de Comunicação Mediúnica: Dose de Ânimo – Espírito Amigo

Fazer a análise das comunicações mediúnicas recebidas é tão importante quanto recebê-las e aplicá-las. O estudo comparativo entre elas e a Doutrina Espírita faz com que as validemos ou não. Além disso, nos ajuda a entender melhor o mundo que nos cerca.

Em uma de nossas conversas com os Espíritos no mês de setembro de 2025, recebemos a seguinte comunicação de um dos Espíritos Amigos que nos auxiliam:

Pergunta: Sobre esses esforços, às vezes parece que não encontram muitas pessoas dispostas por aí. Gostaria de uma avaliação nesse sentido de como estão.

Resposta: A calma e a resistência. Para Kardec também não foi fácil. Com todas as distorções que agora se encontram nesse mundo. Com o materialismo ainda mais pungente do que era na época de Kardec.

As pessoas, aos poucos, com a nossa intervenção, e podem ter certeza que estamos trabalhando com relação a isso, sentirão a nossa presença. Nem que para isso tenhamos que começar da mesma forma que foi no século de Kardec. Batendo, chamando.

Temos essa necessidade urgente de recomeço. E vocês serão procurados por muitos que sofrem por não entenderem aquilo que nós queremos transmitir.

Preparem-se para essa leva de pessoas que receberão nossos estímulos de todas as formas. Porque vocês serão aqueles que abrirão as portas ao recomeço. Não se assustem com a responsabilidade. Apenas façam aquilo que vocês sabem que devem fazer. Vejam que há muitas pessoas concordando com aquilo que vocês escrevem, com aquilo que vocês falam. Esses abrirão outras portas e receberão a mesma responsabilidade.

Não há um só ser, uma só consciência, que não será questionada. Eu não queria usar a palavra perturbada, mas ela significa algo que vocês entenderão. Não existe uma só consciência que não será perturbada pelo mundo que aqui se encontra, esse mundo espiritual.

Nós estamos coordenando vários grupos. Existem outros acima de mim, moralmente superiores, que nos enviam essas mensagens e nos fazem agir para que o mundo desperte — pelo menos uma grande quantidade de pessoas desperte para essa verdade absoluta que é o mundo espiritual.

E saiam do misticismo, das incoerências, das falsas verdades que se arraigaram nessa literatura vasta que vocês têm nas estantes, nas livrarias, que chamam por títulos mirabolantes, que pensam que falam do mundo espiritual. Não percam o caminho que se abriu diante de vocês. 

Desejo que todos sejam a luz de Deus. Aquilo que digo desde sempre, comunico com vocês. Propaguem essa luz. Sejam, sim, a luz de Deus. Porque aqui todos nós somos a luz de Deus.

— Espírito Amigo

Todos: Muito obrigado. Que boa dose de ânimo.

A mensagem deste Espírito Amigo apresenta diversos pontos que encontram ressonância e elucidação nas obras de Allan Kardec, especialmente no que tange à natureza da comunicação espiritual, a propagação do Espiritismo e a responsabilidade dos encarnados nesse processo.

Vamos analisar a mensagem deste Espírito ponto a ponto, à luz dos ensinamentos da Doutrina Espirita:

1. “As pessoas, aos poucos, com a nossa intervenção, e podem ter certeza que estamos trabalhando com relação a isso, sentirão a nossa presença.”

  • Esta afirmação está plenamente alinhada com o que Kardec e os Espíritos Superiores ensinam. Os Espíritos agem incessantemente sobre nós, muitas vezes sem o nosso conhecimento, quer sejamos espíritas ou médiuns. Eles formam uma população inquieta que pensa e age sem cessar, influenciando-nos para o bem ou para o mal. O Espiritismo revela esse mundo invisível e sua ação sobre o mundo visível. Os Espíritos Superiores têm uma missão de presidir à regeneração da Humanidade e dirigem os trabalhos, mesmo sem estarem encarnados. Portanto, a ideia de que os Espíritos trabalham ativamente para tornar sua presença sentida é um pilar da doutrina.

2. “Nem que para isso tenhamos que começar da mesma forma que foi no século de Kardec. Batendo, chamando. Temos essa necessidade urgente de recomeço.”

  • Aqui, o Espirito se refere às manifestações físicas ostensivas, como os fenômenos de mesas girantes e ruídos, que foram os primórdios do Espiritismo. Kardec reconhece que essas manifestações, embora superficiais, tiveram sua utilidade. Elas serviram como um “vestíbulo da ciência”, um meio inicial para convencer as pessoas da existência dos Espíritos. O próprio Kardec menciona que “quem faz dançarem os macacos pelas ruas? Serão os homens superiores?” questionando a origem de tais manifestações mais simples, mas admitindo que “têm sua utilidade, porque talvez mais que qualquer outra podem servir para convencer os homens de hoje”. Os Espíritos instrutores, entretanto, logo direcionaram o foco para a filosofia e a moral, indicando que a força do Espiritismo reside na razão e no bom senso, não apenas nos fenômenos materiais. Assim, a “necessidade urgente de recomeço” através de fenômenos físicos pode ser vista como uma estratégia para chamar a atenção dos incrédulos, um passo inicial para despertar a curiosidade e, em seguida, conduzir ao estudo sério da doutrina.

3. “E vocês serão procurados por muitos que sofrem por não entenderem aquilo que nós queremos transmitir. Preparem-se para essa leva de pessoas que receberão nossos estímulos de todas as formas. Porque vocês serão aqueles que abrirão as portas ao recomeço.”

  • Essa previsão do Espírito está muito de acordo com os propósitos do Espiritismo e a experiência relatada por Kardec. A doutrina visa consolar os que sofrem, levantar a coragem dos abatidos e arrancar o homem de suas paixões e do desespero. O Espiritismo, por sua lógica e capacidade de explicar o que outras filosofias não conseguem, atrai aqueles que buscam a verdade e a consolação. Os médiuns, ao serem intérpretes dos Espíritos, cumprem a missão de instruir os homens e conduzi-los à fé. A propagação do Espiritismo muitas vezes ocorre porque ele “dá o que não dão as outras filosofias”. A mensagem também reflete a ideia de que os adeptos, uma vez esclarecidos, têm a missão de espalhar a luz ao seu redor, sem impor, mas sim oferecendo explicações aos que as buscam de boa-fé.

4. “Não se assustem com a responsabilidade. Apenas façam aquilo que vocês sabem que devem fazer. Vejam que há muitas pessoas concordando com aquilo que vocês escrevem, com aquilo que vocês falam. Esses abrirão outras portas e receberão a mesma responsabilidade.”

  • A responsabilidade é um tema recorrente na doutrina espírita. Os médiuns, sendo favorecidos com a faculdade mediúnica, são lembrados de que serão “severamente punidos” se a desviarem de seu objetivo moral. A propagação das ideias espíritas implica o “dever de prática” e de honrar a doutrina pelas obras. A concordância de ideias e o testemunho público são sinais de que a doutrina está tocando corações e mentes, validando o trabalho dos médiuns. A multiplicação de grupos e a adesão de pessoas que leram e compreenderam são vitais para a propagação, e esses novos adeptos também assumem a responsabilidade de espalhar a luz, como “apóstolos”.

5. “Não há um só ser, uma só consciência, que não será questionada. Eu não queria usar a palavra perturbada, mas ela significa algo que vocês entenderão. Não existe uma só consciência que não será perturbada pelo mundo que aqui se encontra, esse mundo espiritual.”

  • Esta observação do Espírito Comunicante é profundamente condizente com a visão espírita da interação constante entre os dois mundos. O “mundo espiritual” que nos cerca, invisível, exerce uma ação contínua sobre nós, moral e fisicamente. Os Espíritos não são passivos; eles pensam e agem incessantemente, influenciando-nos. Essa influência, mesmo dos bons Espíritos, é um estímulo à nossa consciência, levando-nos a refletir e a progredir. A “perturbação” pode ser interpretada não como algo necessariamente negativo (como uma obsessão), mas como um despertar da consciência para a realidade espiritual, que desafia as ideias materialistas e as certezas antigas. O Espiritismo é justamente essa luz que aclara os recônditos da sociedade e perturba as trevas da incredulidade. É um “facho de luz” que dissipa o materialismo.

6. “Nós estamos coordenando vários grupos. Existem outros acima de mim, moralmente superiores, que nos enviam essas mensagens e nos fazem agir para que o mundo desperte. Pelo menos uma grande quantidade de pessoas desperte para essa verdade absoluta que é o mundo espiritual.”

  • Esta parte da mensagem reforça a estrutura hierárquica e organizada do mundo espiritual, tal como descrito por Kardec. Os Espíritos ensinam que há uma diversidade de conhecimentos e qualidades morais entre eles. Existem Espíritos de diferentes ordens, desde os “simples, ignorantes que são” até os “superiores”, que podem dar instruções. O “Espírito de Verdade” é um dos guias principais, e há grandes Espíritos que receberam missão de presidir à regeneração da Humanidade. A coordenação de grupos e a recepção de mensagens de Espíritos moralmente superiores são características do trabalho sério no Espiritismo. O objetivo final é o aperfeiçoamento do homem moral e a destruição do materialismo, levando a Humanidade a reconhecer a verdade absoluta que é o mundo espiritual. A multiplicação dos grupos e a propagação da doutrina são meios para atingir esse despertar global.

7. “E saiam do misticismo, das incoerências, das falsas verdades que se arraigaram nessa literatura vasta que vocês têm nas estantes, das livrarias, que chamam por títulos mirabolantes, que pensam que falam do mundo espiritual.”

  • Crítica ao misticismo e às falsas verdades: Kardec sempre enfatizou que o Espiritismo não é uma crença cega, mas uma doutrina que apela à razão e ao bom senso. Ele adverte contra a prática do Espiritismo que se desvia de seu objetivo moral, caindo na curiosidade estéril. A doutrina fala uma linguagem clara, sem ambiguidades e sem misticismo ou alegorias suscetíveis a falsas interpretações, pois “chegados são os tempos de fazer-se que os homens conheçam a verdade”.
  •     Incoerências e contradições: os próprios Espíritos instrutores, citados por Kardec, alertam que se encontrará contraditores encarniçados e mesmo Espíritos que procuram semear a dúvida por malícia ou ignorância. Há Espíritos com ideias limitadas e outros que julgam saber tudo e tudo querem explicar à sua maneira, gerando opiniões dissidentes. Por isso, o Espiritismo ensina que as comunicações devem ser submetidas ao crivo da lógica e da razão, e que não se deve aceitar cegamente tudo o que vem dos Espíritos, pois eles dizem o que sabem e nem sempre possuem a verdade absoluta. Kardec, ao codificar, baseou-se na concordância universal dos ensinamentos dos Espíritos, obtida através de múltiplos médiuns em diversas regiões ao mesmo tempo, como a única garantia séria contra as contradições e sistemas parciais.
  •     “Literatura vasta que vocês têm nas estantes, das livrarias, que chamam por títulos mirabolantes”: Isso reflete a preocupação com a proliferação de obras que, embora se apresentem como espíritas, podem conter extravagâncias ou serem fruto de obsessão, prestando-se ao ridículo e dando armas aos inimigos da causa. Kardec alertava para o perigo de divulgar levianamente comunicações apócrifas ou que, por sua inferioridade, não contribuem para o esclarecimento. O verdadeiro saber e a verdadeira virtude não podem ser imitados pela ignorância e pelo vício.

8. “Não percam o caminho que se abriu diante a vocês.”

  •     O “caminho” do Espiritismo: Para Kardec, o Espiritismo é um caminho de esclarecimento e progresso moral, com a missão de combater a incredulidade e suas funestas consequências, fornecendo provas patentes da existência da alma e da vida futura. Ele se apresenta como um poderoso auxiliar, confirmando suas verdades fundamentais e explicando o que o Cristo não pôde dizer em seu tempo porque a Humanidade não estava madura para compreender.
  •     Perder o caminho: Implicaria desviar-se dos princípios da verdadeira caridade e do desinteresse pessoal, ou da busca pelo aprimoramento moral. Os médiuns, por exemplo, são advertidos de que, se desviarem a mediunidade de seu objetivo moral, serão severamente punidos. A ênfase é em tornar-se melhor, pois o único meio de avançar é o de tornar-se melhor.

9. “Desejo que todos sejam a luz de Deus. Aquilo que digo desde sempre, comunico com vocês. Propaguem essa luz. Sejam, sim, a luz de Deus. Porque aqui todos nós somos a luz de Deus.”

  •     Ser e propagar a “luz de Deus”: Esta é a missão fundamental dos espíritas e da própria doutrina. Os Espíritos Superiores são os ministros de Deus e agentes de Sua vontade, com a missão de instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da humanidade. Os adeptos são chamados para pregar a palavra divina. Eles devem regar com seu suor o terreno onde semeiam, pois a doutrina só frutificará sob os esforços incessantes.
  •     “Todos nós somos a luz de Deus”: Essa afirmação sublinha a visão espírita de que todos os homens são médiuns em potencial, possuindo um Espírito familiar que os dirige para o bem, mesmo que não o percebam conscientemente. A elevação moral e intelectual é o destino de todos os Espíritos, e o conhecimento espírita é um meio de nos aproximar da Divindade. A doutrina busca despertar nos homens o amor ao bem pela prática dos preceitos de Jesus. A fé raciocinada que o Espiritismo proporciona multiplica o número dos chamados.. O progresso da Humanidade depende da compreensão e aplicação dessa luz, transformando a sociedade.



Linguagem Específica da Ciência Espirita

Você sabia que a maioria dos que se dizem espíritas… não conhecem o Espiritismo? Nem usam a linguagem específica da ciência espiritas para explicar seus fenômenos e seus conceitos.

Ser espírita não é questão de adesão emocional, nem de consumir romances supostamente “espíritas”.
Ser espírita é estudar com seriedade a Ciência Espírita, compreendendo seus fundamentos e colocando em prática seus princípios — como ensinava Allan Kardec.

O Espiritismo é uma doutrina de estudo, razão e observação. Trocar essa ciência por ficção é um enorme mal causado ao Espiritismo. Como é uma Ciência Filosófica ela deve ser estuada com os termos científicos específicos.

Ne época de Kardec, as Ciências Filosóficas faziam parte do ensino.

Quando Allan Kardec lançou sua Primeira Edição da Revista Espírita de 1858, logo a definiu na sua introdução ao justificar seu título Jornal de Estudos Psicológicos. A Ciência Espirita é, segundo seu tempo apresentado no quadro acima: Ciência Moral

Como Ciência, sua linguagem é especifica dos elementos dessa ciência para todos se entenderem. Os termos são extremamente importantes para haver uma comunicação adequada das ideias espiritas. Nós vemos, hoje em dia, uma mistura da ciência totalmente materialista do nosso tempo em que não se considera o estudo das hipóteses Metafísicas, por exemplo. Além disso, misturarem palavras de um em outro. Por causa disso, há uma confusão de conceitos do Materialismo misturado com o estudo dos assuntos do Espirito, que se estuda também metafisicamente.

Daremos alguns exemplos do uso equivocado de termos materialistas que passam despercebidos:

  1. USE PSICOFONIA – NÃO USE INCORPORAÇÃO: nós vemos muitos palestrantes ou mesmo descrições de manifestações em textos dito espíritas que se usa o termo incorporação. Espirito não é matéria para ocupar um lugar físico. Espirito não incorpora nenhum corpo. nem seu próprio espirito incorpora você. O Espirito fala pelo médium através de uma fenômeno chamado PSICOFONIA. O espírito do médium está COM ele e não incorpora seu corpo físico. Esse ponto é bem importante para não criar a falsa ideia de que o médium é possuído por outro espirito, ou que o espírito comunicamente toma o corpo do médium, ou mesmo que o espirito do médium vai para outros lugares enquanto o médium está em psicofonia. Isso não existe na Ciência Espirita!
  2. A AÇÃO DO ESPIRITO É TÃO E SOMENTE PELO SEU PENSAMENTO: espírito não tem corpo material. Segundo os estudos da Ciência Espirita, Deus criou 2 elementos gerais: ESPÍRITO E MATÉRIA. Espirito não tem analogia no nosso mundo material. Períspirito é matéria. O material de que é feito o períspirito é desconhecido para nós, mas mesmo sem conhecermos as características dele, é matéria. Períspirito não faz parte do espirito, assim como períspirito não é espirito. O espirito age através e tão somente pelo pensamento . Como exatamente isso acontece ainda é desconhecida por nós, mas há varias teorias dentro das livros que explicam esse mecanismo (leia A Gênese, cap. XIV – Os Fluidos.)
  3. USE EMANAÇÃO OU PROPAGAÇÃO – NÃO USE ENERGIA: o termo energia é definida na Física como capacidade de um corpo, uma substância ou um sistema físico têm de realizar trabalho. Em termos figurados(não científicos), energia é vigor ou potência moral; filosoficamente falando, segundo Aristóteles, ação de um motor físico ou metafísico (a metafísica, não é considerado ciência nos tempos de hoje) que permite a atualização de uma potencialidade. Veja, todas as definições levam em conta algo físico agindo sobre algo físico. Um dos princípios da Ciência Espirita é de que somos uma alma encarnada. Se somos uma alma, não temos corpo, logo não poderá ser uma energia(algo físico) saindo do espirito ou alma(não físico) e chegando em um corpo(físico). O mais apropriado seria uma emanação ou mesmo propagação .
  4. USE ESPÍRITONÃO USE MENTE: usa-se mente por outras áreas da ciência atual materialista. Alguns confundem mente com cérebro; cérebro é um orgão do corpo, cérebro é matéria. Como a Ciência Materialista não admite o espirito como hipótese, ele atribui ao cérebro o processo de pensar, mas não foi isso que os espíritos explicaram. Segundo a Ciência Espirita, através de sua observação, quem comanda o corpo é o espirito e não o cérebro. O cérebro envia os comandos. O cérebro nasce, vive e morre e o espirito permanece e leva com ele os conhecimentos adquiridos por várias encarnações. Quem tem e leva o conhecimento é o espírito não a mente. Quem pensa é o espirito. Você que entende a doutrina espirita sabe disso e sempre usa Espirito ao invés de Mente, não é?
  5. USE “COMO SE FOSSE UMA VIBRAÇÃO” NÃO USE “VIBRAÇÃO” ISOLADAMENTE AO FALAR DE FENOMENOS ESPÍRITAS: há hipóteses do mecanismo propriamente dito (vide item 2) e tão somente hipóteses. Usar o termo vibração pode levar a crer que o fenômeno espirita é uma onda como estudada na Física Ondulatória, onde apresenta diferentes tipos de ondas e vibrações diferentes, etc.
  6. USE PERISPÍRITO – NÃO USE FANTASMA: quem estuda a Ciência Espirita, sabe que há fenômenos de aparições que remetem a essas figuras que impressionam nosso imaginário. Mas não passam de espíritos e seus fenômenos para muitas vezes brincar ou assustar os encarnados. Espirita ter medo de espirito não existe!
  7. ESTAMOS SEMPRE NO MUNDO ESPIRITUAL: segundo a Ciência Espirita, quando encarnados vivemos em um mundo dual: mundo da matéria e mundo do espirito. Quando morremos, desencarnamos, ou seja, deixamos a matéria, mas CONTINUAMOS NO MUNDO ESPIRITUAL. Não use mais os termos “ele morreu e foi para a pátria espiritual”(Ele já estava no mundo dos espíritos); “agora vai encontrar seus entes que já morreram”(os seus entes queridos nunca estão longe. Lembra que os Espíritos não ficam em nenhum lugar?(vide item 1); “ele nos deixou”, etc
  8. USE CAUSA E EFEITO – NÃO USE LEI DE CAUSA E EFEITO: A causalidade é geralmente considerada um princípio fundamental, e não uma lei específica, no contexto filosófico e científico. Ela descreve a relação de causa e efeito entre eventos, onde um evento (a causa) é entendido como a razão por trás da ocorrência de outro evento (o efeito). A causalidade é um princípio fundamental que ajuda a entender a natureza da relação entre causa e efeito, e é utilizado em diversas áreas, desde a física e as ciências naturais até a filosofia e o direito. Embora a causalidade seja frequentemente referida como “lei da causa e efeito”, ela não é uma lei científica no sentido de uma relação quantitativa e experimentalmente verificável, como as leis da física. Ela é mais um conceito ou princípio que descreve a natureza da relação entre causa e efeito. A causalidade é importante para a compreensão do mundo ao nosso redor, pois permite identificar as causas de fenômenos e prever seus efeitos. Ela é fundamental para a ciência, a tecnologia e a vida cotidiana, pois nos ajuda a entender e interagir com o mundo de forma mais eficiente. Um exemplo: Imagine em uma caçada, um animal é abatido com um tiro e morre. O efeito é a morte. A causa foi o disparo da espingarda. Não foi uma Lei. Na Ciência Espirita, Kardec usou muito desses princípios para explicar os efeitos inteligentes das manifestações espiritas inteligentes. Lá ele explica que para todo efeito inteligente há uma causa inteligente. Há inúmeros relatos nas obras dele.
  9. USE PROVAS E EXPIAÇÕES – NÃO USE KARMA(OU CARMA): Karma e Espiritismo são como água e óleo: não se misturam. Cuidado com as pessoas que pregam a doutrina do karma dentro do meio espírita, pois o entendimento da Doutrina Espírita vai no sentido oposto.(clique no link para ler a explicação completa).
  10. USE ESPIRITO ESTACIONADO – NÃO USE RETROGRADAÇÃO: muitos misturam outras doutrinas reencarnacionistas com a ciência dos espíritos.. Segundo a Ciência Espirita, nós, espíritos, quando estamos mergulhados em imperfeições, como orgulho e egoísmo. Assim ficamos estacionados como em looping e não evoluímos. Mas isso não quer dizer que estamos voltando e vamos reencarnar em animais. Isso só quer dizer que ESTACIONAMOS NO PROCESSO EVOLUTIVO! O espirito de um ser humano nunca perde o conhecimento que teve anteriormente, então ele nunca reencarnará como animal por causa de suas imperfeições. Ele simplesmente não progredirá até se arrepender e retornar sinceramente ao bem.
  11. QUEM REGENERÁ SERÃO OS ESPIRITOS DO PLANETA TERRA – O PLANETA TERRA NÃO REGENERÁ: o Planeta não vai mudar e daí os espíritos vão ter que evoluir. Não existe DATA LIMITE, ANO, SÉCULO nem nada. É o inverso! Os espirito que estão no planeta que vão evoluir. Vai ser simplesmente quando a maioria dos espíritos encarnados estiverem mais evoluídos, não precisando mais de provas e expiações para evoluir. Um dia o Planeta terra se extinguirá como qualquer outro planeta também será. Essa é a ordem do universo material que conhecemos.
  12. USE ESPIRITO PURO – NAO USE ESPIRITO PERFEITO: O ideal de perfeição é Deus, então nunca um espirito vai ser um espirito perfeito. O espirito vai chegar a perfeição relativa ao seu grau evolutivo. Espirito Puro é aquele que não precisa mais reencarnar para evoluir pois já não sofre influencia da matéria. Mesmo sendo puros, eles vão evoluir (Lei do Progresso)
  13. PASSE NÃO É TRANSFERENCIA DE ENERGIA: vide item 3

Se você lembrar de alguma expressão equivoca, só deixar um comentário.




Kardec criticando as ideias de um Espírito: o que nós não estamos fazendo.

Artigo sucinto: na Revista Espírita de julho de 1860, Kardec apresenta o artigo “Dos Animais”, onde um Espírito, que se apresenta como o Espírito de Charlet, o pintor, começa a tratar do assunto em questão. Até certo ponto, tudo parece fazer algum sentido, contudo, próximo ao final, e especialmente no nono parágrafo, o Espírito aparentemente “perde um parafuso” e desata a dizer um monte de absurdos. Charlet diz que o desenvolvimento da ferocidade nos animais aconteceu por culpa do ser humano, quando cai no pecado, no momento em que Caim mata Abel (sic!), o que teria dado um mau exemplo que, pelo magnetismo humano, que domina o animal, faz com que surja nele a ferocidade (sic!).

Pareceu um absurdo Kardec publicar esse artigo… Mas eis que o leitor impaciente se surpreende com o artigo subsequente, Exame crítico (das dissertações de Charlet sobre animais)”, onde, parágrafo a parágrafo, Kardec passa a questionar o Espírito sobre seu entendimento sobre certos pontos. Afinal, Kardec aborda o famigerado nono parágrafo, dizendo:

Nessa passagem Charlet parece ter sido arrastado pela imaginação, pois o quadro que faz da degradação moral do animal é mais fantástico do que científico.

[…]

Que pensa Charlet destas reflexões?

─ Só posso aprová-las. Eu era um pintor e não um literato ou um cientista. Por isso, de vez em quando me deixo arrastar pelo prazer, novo para mim, de escrever belas frases, mesmo em detrimento da verdade. Mas o que dizeis é muito justo e inspirado […]. Contudo, concordo que errei. Agi levianamente, e isto vos prova até que ponto deveis controlar as comunicações que recebeis.

A profundidade desta lição é facilmente compreendida por si só. Contudo, pode ser complementada pelo item 247 de O Livro dos Médiuns:

247. Os Espíritos dados a sistemas são geralmente escrevinhadores, pelo que buscam os médiuns que escrevem com facilidade e dos quais tratam de fazer instrumentos dóceis e, sobretudo, entusiastas, fascinando-os. São quase sempre verbosos, muito prolixos, procurando compensar a qualidade pela quantidade. Comprazem-se em ditar, aos seus intérpretes, volumosos escritos indigestos […]. Os Espíritos verdadeiramente superiores são sóbrios de palavras; dizem muita coisa em poucas frases. Segue-se que aquela fecundidade prodigiosa deve sempre ser suspeita.

Nunca será demais toda a circunspecção, quando se trate de publicar semelhantes escritos. As utopias e as excentricidades, que neles por vezes abundam e chocam o bom senso, produzem lamentável impressão nas pessoas ainda noviças na doutrina, dando-lhes uma ideia falsa do Espiritismo, sem mesmo se levar em conta que são armas de que se servem seus inimigos, para ridiculizá-lo. Entre tais publicações, algumas há que, sem serem más e sem provirem de uma obsessão, podem considerar-se imprudentes, intempestivas, ou desazadas.

Assim, destacamos a importância de passar TODAS as comunicações espíritas, não importa por que médium tenham vindo, pelo crivo da razão, jamais deixando de questionar os pontos que parecerem contrariar a razão ou o bom-senso. Os Espíritos superiores não se incomodam com isso. Pelo contrário: recomendam que isso seja feito, pois, nada tendo a temer, sabem que quem teme tal controle são os Espíritos sistemáticos e, sobretudo, mistificadores, que acabarão se afastando do grupo onde suas mistificações não enganam a ninguém. Eis uma maneira excelente de manter o grupo, incluindo os médiuns, livres de Espíritos fascinadores e enganadores.

Por não haver realizado tal tarefa, o Movimento Espírita aceitou cegamente graves mistificações, como aquelas em Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, ou as imaginações de André Luiz, em Nosso Lar — um caso que muito provavelmente se enquadraria à semelhança desse acima apresentado.




A Evolução Intelecto Moral

A DE explica na evolução do homem no mundo. Muitos filósofos e a ciência atual preconizam que o homem nasceu egoísta, que o egoismo esta na natureza. Então, isso inverte a verdade. O Simples e ignorante age segundo o instinto e o instinto é harmônico. Mas ele faz o bem e o mal?

O Artigo A Evolução intelecto Moral é Continuação do artigo O Mal nas Civilizações

Na realidade, na evolução da humanidade, a primeira fase é dos simples, que agem naturalmente pela harmonia, agindo pelo instinto. Mas o simples e ignorante age. Depois, com a chegada dos exilados, eles divulgarão a mentalidade falsa, que inverte a verdadeira ideia ensinada pelos precursores de Jesus.

A compreensão do mal e a escolha do bem

Por acerto e erro, o espírito se inicia no conhecimento do bem e do mal.
Quando o espírito no início da evolução eventualmente age segundo os interesses de sua personalidade, comete uma falta. Toda falta está associada ao sofrimento moral, pois está na consciência de todos a lei divina, indicando que o ato contraria o bem. A falta é quando o individuo sabe que é errado, a consciência diz que está errado. Mas se o individuo não sabe que está errado, ele não terá sofrimento moral.

O sofrimento moral está associado a quanto o individuo conhece. Se se conhece muito há muito mais sofrimento moral do que quem pouco sabe. O sofrimento moral não é em cada falta, pois o individuo ja sabe que dará errado na próxima, então seu sofrimento se torna constante. O egoísta tem o sofrimento constante. Ele está o tempo todo sabendo que está fazendo errado, ele só consegue mudando o hábito, talvez mais difícil do que superar a falta. Pelo exercício da razão e esforço de sua vontade, o espírito decide agir diferente e se mantém no caminho do bem. Na autonomia moral, a compreensão do erro permite escolher a verdade.

As imperfeições e o sofrimento moral

O sofrimento moral é inerente às imperfeições, e o espírito, almejando a felicidade, repensa e escolhe o bem.
Quando o indivíduo insiste em agir pelo interesse pessoal visando as sensações imediatas, a falta torna-se hábito, criando a condição de apego. Nesse desvio, o indivíduo faz uso da razão e da vontade para deter os bens, abusar dos simples.
Quando o apego é mais forte que o esforço de retornar ao bem, torna-se um hábito adquirido, o egoísmo. O sofrimento moral
associado à falta, segundo a lei natural, em virtude do mal hábito, fica constante e vai durar até que a imperfeição seja superada.

Quando o espírito no início da evolução eventualmente age segundo os interesses de suapersonalidade, comete uma falta. Toda falta está associada ao sofrimento moral, pois está na consciência de todos a lei divina, indicando que o ato contraria o bem. A falta é quando o individuo sabe que é errado, a consciência diz que está errado. Mas se o individuo não sabe que está errado, ele não terá sofrimento moral.

Se se conhece muito há muito mais sofrimento moral do que quem pouco sabe. O sofrimento moral não é em cada falta, pois o individuo já sabe que dará errado na próxima, então seu sofrimento se torna constante. O egoísta tem o sofrimento constante. Ele está o tempo todo sabendo que está fazendo errado, ele só consegue mudando o hábito, talvez mais difícil do que superar a falta.

A falsa ideia

O egoísta, quando lhe pesa a consciência, deve superar suas imperfeições. Mas quando o apego domina, ele cria a falsa ideia para aplacar a luz de sua consciência. Isso ocorre pois quem age por egoísmo sofre moralmente, sente-se culpado, sabe que erra, e sua meta é superá-lo. Mas quando o horizonte da recuperação se afasta, o espírito sente-se derrotado e a meta difícil. Para suportar a dor e a baixa autoestima, justifica-se pelo orgulho. Invertendo a verdade, diz a si mesmo: sou superior, mereço privilégios; os outros são inferiores, devem me servir. Surge assim a falsa ideia. Quanto mais o orgulhoso acredita nessa mentira e a impõe aos simples, mas pela violência vai defender seus falsos direitos.

A falsa ideia no mundo espiritual

Iludido pela falsa ideia que adotou para reger seus atos, o orgulhoso coloca uma venda em seus olhos, e, quando chega à espiritualidade, não vê a felicidade do bem. Então vagueia e sofre, pela inércia da alma.
Por mais ativo que seja no mundo corpóreo, espiritualmente, o espírito imperfeito (egoísta e orgulhoso) coloca-se inativo, desliga-se dos semelhantes e superiores que estão no caminho do bem, pois age por seus interesses, e não por todos.
Para aplacar o sofrimento moral insuportável, o espírito cria antipatia para com os semelhantes e superiores que estão no caminho do bem, combate e deturpa a verdade ou lei divina, criando ou defendendo a falsa ideia para contornar sua razão e consciência.

Este artigo foi elaborado a partir de palestra proferida por Paulo Henrique de Figueiredo. Clique aqui para conhecê-la.




A Verdade que Liberta

Continuação do artigo O Domínio pela Mentira e Violência

Jesus veio nos trazer a verdade que nos liberta! Ele mencionou o diabo na Bíblia, mas será que ele acreditava na existência literal do diabo? A palavra “Diabo” está escrita na Bíblia, mas seu significado vai além do literal.

Pixabay – Golden Violinist – birds

Na verdade, tudo se resume à interpretação. Deus e Diabo são representações do Bem e do Mal, respectivamente. No entanto, encarar o Diabo como puramente malévolo é uma concepção equivocada. O Diabo não é uma entidade; ele reside naqueles que abraçam essa falsa ideia. A Mal não tem forma, não é uma entidade real. Ninguém é inerentemente mal. Existe alguém verdadeiramente maligno neste mundo? Não, porque o mal é uma concepção falsa que sustenta um hábito. Quando alguém muda sua mentalidade, ela deixa de agir no mal, mas superar o hábito é um processo demorado. No entanto, nunca se supera se a mentalidade não mudar.

O que realmente transformará o mundo é a educação genuína – não aquela que apenas perpetua ideias falsas, que decora ensinamentos, mas sim aquela que compreendida, que liberta. As armas do bem são a compreensão e a explicação. Como posso fazer você entender que o futuro do mundo está na cooperação? Simplesmente explicando e cooperando incessantemente, sem se preocupar com os resultados.

Estamos introduzindo um novo hábito no mundo. Ao vencermos a falsa ideia do mal, veremos uma renovação global, oferecendo novas oportunidades para todos. Não há Espírito que não vá, mais cedo ou mais tarde, optar pelo caminho do bem. No entanto, o bem não é imposto; cada um deve alcançá-lo com seu próprio esforço.

O verdadeiro entendimento nos libertará dessa falsa dicotomia entre bem e mal, levando-nos a uma vida de cooperação e harmonia. A passagem a seguir de Jesus é reveladora:

42 Disse-lhes Jesus: “Se Deus fosse vosso pai, amar-me-íeis. Eu vim de Deus e vou [para Deus]. Pois não vim por mim mesmo, mas foi Ele que me enviou. “


Bíblia – Volume I: Novo testamento – Os quatro evangelhos – Evangelho de João (pp. 470-471). Companhia das Letras. Edição do Kindle. Trad. Frederico Lourenço

Jesus disse que foi enviado por Deus e não por meios próprios. Ele veio para ensinar a Lei da Deus.

43 Por que razão não percebeis o meu discurso? Porque não conseguis ouvir a minha palavra.

Idem

A ciência avança principalmente pela mudança de paradigma, isto é, a mudança de ideias. ((Paradigma procede do grego “paradigma”, que significa “exemplo” ou “modelo”. Inicialmente, era aplicado na gramática (para definir o seu uso num determinado contexto) e na retórica (para se referir a uma parábola ou a uma fábula). A partir da década de 60, começou a ser empregue para definir um modelo ou um padrão em qualquer disciplina científica ou contexto epistemológico. fonte: clique aqui)) . Temos que compreender como é a nova ideia. Assim, depois que ela faz sentido, nós a testamos e quando verificamos sua coerência, nós a adotamos. A chave é compartilhar a nova ideia.
Mas isso não significa que todos se tornarão superiores, esse não é a ideia do mundo. As crianças não precisam estudar na escola apenas para obter as melhores notas, gerando competição entre elas. Cada uma deve buscar aprender mais do que sabia antes, pois somos todos espíritos em estágios diferentes de evolução. Há espíritos muito inteligentes no nosso mundo porque já passaram mais tempo experimentando os mundo. No entanto, os inteligentes não são superiores aos simples, pois em outras existências já foram simples como eles. Eles vieram para nosso mundo porque se sentiram mais preparados lá. Os espíritos inteligentes não são malévolos ou demoníacos; no entanto, devem cultivar a simplicidade para servir e contribuir, não para serem servidos. Este é o grande lema do mundo.

Para avançarmos em direção à felicidade neste mundo, precisamos ajudar a remover as vendas dos olhos daqueles que estão cegos pela falsa ideia. No entanto, eles não aceitarão facilmente agir por todos. Assim, alguns partem para outro mundo, onde podem progredir ajudar os outros muitos a progredirem tecnologicamente mais rapidamente e ter uma nova oportunidade de repensar suas escolhas. Não é um castigo ou punição ser enviado para outro mundo; é simplesmente uma consequência de uma escolha que não os permitiu evoluir. Se eles reconsiderarem suas atitudes no outro mundo, renovados, poderão retornar aqui.

Isso ocorreu em nosso mundo; os simples estavam na Terra quando chegaram os exilados. Eles receberam uma segunda chance ao virem para cá, mas agora precisam contribuir de forma útil para o avanço deste mundo. Infelizmente, muitos caíram na falsa ideia de que devem ser servidos, criando assim todas as ideias equivocadas que permeiam o mundo. Mas, sempre que tentamos explicar a verdade, por ser uma ideia falsa, eles resistem.

Esta é a última oportunidade tanto para mudar de mentalidade quanto para participar plenamente deste mundo. Aqueles que se recusam a cooperar não compreenderão a verdade através da força, da memorização de ordens ou da obediência cega. Somente através de esforço pessoal é que alguém poderá compreender.

44 Vós sois [filhos] do diabo, vosso pai; e quereis pôr em prática as vontades do vosso pai. Ele é homicida desde o princípio e não esteve nem está na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere a mentira, profere-a a partir dos seus; pois é mentiroso e é pai [da mentira]. 45 Eu porque digo a verdade não acreditais em mim. 46 Quem de vós me condena a respeito do erro? Se eu falo a verdade, por que razão não acreditais em mim? 47 Quem é de Deus ouve as palavras de Deus. É por isto que vós não me ouvis: porque não sois de Deus”.

Idem

Esta parte do Evangelho de João está apontando que o “diabo” está na falsa ideia de superioridade e pureza. Ao nos considerarmos puros e superiores, tendemos a julgar e condenar os outros que consideramos simples e inferiores. No entanto, o ato de julgar é, em si mesmo, uma falsa ideia: quando apontamos o erro em outra pessoa, na verdade estamos cometendo um equívoco, pois estamos julgando a pessoa em vez de seu comportamento específico. Isso equivale a considerar a pessoa como “o mal” e condená-la injustamente. Ninguém tem o direito de agir assim. Nem mesmo os espíritos benevolentes condenam os outros dessa maneira.

O mal se revela na distorção da lei divina, quando buscamos satisfazer nossos interesses pessoais à custa da submissão dos mais simples, sacrificando sua tranquilidade e felicidade. No entanto, devemos rejeitar a noção de superioridade devido ao nosso conhecimento.

Nesse contexto, nossa responsabilidade se torna ainda mais crucial! Aqueles que possuem conhecimento têm o dever não apenas de ajudar os menos instruídos, mas também de servir.

Devemos dedicar nossos esforços a disseminar o conhecimento e garantir que muitos o compreendam. O futuro do mundo está na cooperação, não na competição. Qualquer novo valor deve ser compartilhado globalmente para que todos possam se beneficiar.

48 Os judeus responderam e disseram-lhe: “Não dizemos bem que és samaritano e tens um demônio?”. 49 Respondeu-lhes Jesus: “Eu não tenho demônio, mas honro o meu Pai e vós me desonrais. 50 Eu não procuro a minha glória. Existe aquele que procura e julga. 51 Amém amém vos digo: se alguém observar a minha palavra, não verá a morte até a eternidade”.

Ibidem

Nesta parte, está expressado: “Você está contaminado pelo mal! E tem um diabo!” Se alguém já julga o outro um diabo, parece não haver solução. Quem é egoísta e arrogante rotula os outros como inferiores, sempre vendo o mal nos outros. Os fanáticos religiosos veem os diferentes como inferiores. Os materialistas julgam aqueles que pensam de forma diferente como inferiores. O cerne do problema é quando um indivíduo acredita ser superior e é teimoso em não mudar de ideia, mesmo quando confrontado com a verdade. A verdade o confronta, questionando sua autoimagem elevada.

Agora, se alguém se considera superior, só reconhecerá seu erro quando chegar a essa conclusão por conta própria. Muitas vezes, essa pessoa, no fundo, não acredita realmente em sua superioridade, por isso sente a necessidade de afirmá-la tão veementemente.

O único fator que nos torna iguais é nossa individualidade. Somos Espíritos únicos, cada um com diferentes experiências para desenvolver e compreender. No entanto, ter mais conhecimento não nos torna superiores aos outros. O que verdadeiramente define a evolução de um Espírito não é sua inteligência ou experiência, mas sua capacidade de compreender a lei de Deus. O objetivo do Espírito é dar o melhor de si mesmo.

Este artigo foi elaborado a partir de palestra proferida por Paulo Henrique de Figueiredo. Clique aqui para conhecê-la.

Continua em O Duplo Conceito do Bem e do Mal




O Domínio pela Mentira e Violência

Aquele que erra conscientemente usa da violência e da mentira para dominar e agir em benefício próprio.

Continuação do artigo A Verdade sobre o Mal e o Castigo.

Para alcançar o domínio sobre os outros, muitas vezes emprega-se a estratégia de fazer com que eles acreditem que o erro ou a falha reside em não obedecer, merecendo, por isso, punição. Ao mesmo tempo, é propagada a ilusão de que obedecer trará recompensas. Essa é a armadilha da maldade, conhecida como heteronomia. Aqueles que se submetem são então controlados por meio de condicionamentos, e é aí que reside a verdadeira violência do mal.

A maldade age por meio da violência e da mentira. Ela proclama: “Você deve obedecer! Se não obedecer, receberá punição!” Em seguida, ela afirma: “Essa é a única maneira de lidar com aqueles que se recusam a obedecer.” Isso é uma inversão de valores.

O mal se manifesta na falsa ideia que distorce a lei divina, buscando a satisfação dos interesses e da alegria pessoal às custas da submissão dos mais simples, sacrificando sua tranquilidade e felicidade. No entanto, não devemos nos deixar enganar pelo pensamento de que somos superiores por termos conhecimento. E sabe o erro daquele que sabe? A indiferença! Ter valores e não usar os valores para o bem.

Nesse sentido, o nosso dever que já sabe se intensifica! A responsabilidade daqueles que possuem conhecimento vai além de simplesmente ajudar os menos instruídos; eles devem também servir. Reflita: O dever de quem sabe é servir aos mais simples!

Não devemos pensar em tirar proveito de nosso conhecimento, mas sim em cooperar. Devemos empregar nossos esforços para disseminar este conhecimento e fazer com que muitos o compreendam. O futuro do mundo reside na cooperação, não na competição.

Este artigo foi elaborado a partir de palestra proferida por Paulo Henrique de Figueiredo. Clique aqui para conhecê-la.

Continua em A Verdade que Liberta




Obediência Passiva e Fé Cega — Os dois Princípios da Falsa Ideia

Continuação do artigo A Mentalidade Verdadeira e a Falsa Ideia.

Várias vezes em suas obras, Kardec cita A obediência passiva e a fé cega. Agora reflitamos por qual motivo eles são os princípios da Falsa Ideia.

Os falsos profetas, para conquistar pela obediência passiva, precisavam impedir que as massas aprendessem pelo próprio esforço sem a experiência de erro e acerto para aprender. Eles, os profetas falsos, condenavam o erro, como se o erro fosse a causa do mal do mundo.

Porém, todos sabemos que só é possível aprender quando se tenta. Da tentativa, produz-se erro e acerto. A partir daí, avaliamos e percebemos a melhor maneira de agir. E Deus não condena o erro, pois o erro faz parte do aprender. Pense bem: muito diferente errar inconscientemente do que persistir no erro conscientemente.

“Para elevar-se, deve o homem ser provado. Impedir sua ação e pôr um entrave em seu livre-arbítrio seria ir contra Deus e neste caso as provas tornar-se-iam inúteis, porque os Espíritos não cometeriam faltas. O Espírito foi criado simples e ignorante. Para chegar às esferas felizes, é necessário que ele progrida e que se eleve em conhecimento e sabedoria, e é somente na adversidade que ele adquire um coração elevado e melhor compreende a grandeza de Deus.”

Allan Kardec. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos — 1858 – Novembro

Ao mesmo tempo, quando alguém faz algo, seja no trabalho ou no cotidiano, tem que saber o que está fazendo e quais são os resultados do que está fazendo. Então, esse alguém pode estar fazendo o mal sem saber ou mesmo participando do mal sem consciência do mal. Portanto, o ideal seria nunca realizar uma atividade sem entender.

A falsa ideia, através dos dois princípios de obediência passiva e fé cega, leva a crer que o erro é o mal. Consequentemente, o erro gera medo. Será melhor obedecer sem entender e ter fé?

Desde tempos remotos, os sacerdotes que determinam o comportamento das pessoas, pois eles mesmos afirmam que Deus os escolheu para determinar Sua Lei. Os sacerdotes criaram o falso ensinamento de que o acerto está em obedecer a Deus para receber as recompensas divinas e se salvar. Eles propagam também que o erro representa o agir inspirado pelo diabo, que atenta o homem para se apossar dele. Kardec mostra este entendimento em A Genese:

A religião era, nesse tempo, um freio poderoso para governar. Os povos se curvavam voluntariamente diante dos poderes invisíveis, em nome dos quais eram subjugados e cujos governantes diziam possuir seu domínio, quando não se faziam passar por equivalentes a esses poderes. Para dar mais força à religião, era necessário apresentá-la como absoluta, infalível e imutável, sem os quais ela teria perdido a ascendência sobre esses seres quase primitivos, apenas iniciados para a racionalidade. Ela não poderia ser discutida, assim como as ordens de um soberano. Disso resultou o princípio da fé cega e da obediência passiva, que tinha, na origem, sua razão de ser e sua utilidade. A veneração aos livros sagrados, quase sempre considerados como tendo descido do céu, ou inspirados pela divindade, proibiam qualquer exame65.

Allan Kardec. A GÊNESE – Os milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (Portuguese Edition) . cap IV, item 2. Edição do Kindle.((A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo: https://amzn.to/3RM91hF ))

Quem desobedece ou não se arrepende, será entregue ao diabo, sofrendo castigos, vicissitudes, dores. Por meio dessa ideia falsa, os sacerdotes condicionaram as massas a acreditar sem raciocinar — Fé Cega — alegando que a razão não compreende a vontade divina. Obedecendo sem compreender — Obediência Passiva.

Em qualquer área de atuação acontece a fé cega e a obediência passiva: ciência, filosofia, religião, no trabalho, no lar, nos relacionamentos. Na idade média, usava-se o dogma religioso para balizar as ações. Hoje se usa o dogma materialista. Dessa forma, é como se fosse a idade média da ciência!

Se a pessoa acredita que o seu trabalho não é nem pode ser espiritualizado, é excluído do meio. A exclusão é o mesmo instrumento que a igreja fazia, com condenação, excomunhão, perseguição, etc. Está certo que a condenação da igreja levava a morte, mas hoje a exclusão pela sociedade é praticamente morrer, ficando marginalizado. Existem os graduados no ensino superior( ou mesmo no ensino técnico) que tendem a acreditar no materialismo; os outros são os excluídos. E acontece a luta do superior contra inferior. O Espiritualismo é o diabo da ciência! E o Materialismo é o deus da ciência!

Por fim, atualmente, pela falsa ideia, os que pensam diferente, sejam de outros países ou outras religiões, são inimigos, são controlados pelo diabo, e devem ser combatidos e destruídos. Os que obedecem são protegidos pelo deus bom. Assim, criam o exclusivismo e a guerra. É um exclusivismo MATERIALISTA!

Este artigo foi elaborado a partir de palestra proferida por Paulo Henrique de Figueiredo. Clique aqui para conhecê-la.

Continua em A Verdade sobre o Mal e o Castigo




A Mentalidade Verdadeira e a Falsa Ideia

Continuação do artigo O Espiritismo: A Ideia de Jesus. Vamos entender melhor as diferenças entre a verdadeira mentalidade e a falsa ideia?

Ao longo do tempo, a mentalidade verdadeira e falsa ideia enraizaram-se nas tradições do mundo de várias maneiras. As religiões sempre embutiram em seus ensinamentos a competição, a disputa, a lei do mais forte.

Mudar de mentalidade
Foto Pixabay: Mohamed_hassan

A tradição do cristianismo considera que Jesus foi anunciado por João Batista prenunciado pelo arrependimento: “arrependei-vos, pois ficou próximo o reino dos céus”. Com esse pensamento, tínhamos que nos arrepender dos pecados, do erro cometido. Essa educação nos deixa cheio de culpas, pois se errei, eu preciso de perdão para ser salvo.

As religiões utilizaram-se dessa ideia para dizer que somente o perdão de Deus salva aquele que erra, e o que desobedece, eternamente castigado, entregue ao diabo. Este pensamento não se implantou somente pelas religiões: no trabalho, se errar é despedido, na família, se errar é preterido, e assim acontece em inúmeras situações. Na vida toda, não se pode errar! As pessoas usam de fingimento, de esconder, de camuflar os erros, de falsidade, pois se lembre: errar é Pecado. Isso desencadeia várias consequências, entre elas que as pessoas não são como verdadeiramente são, nem se sentem incluídas, perdidas, sem rumo.

Por isso temos que entender a mensagem do Espiritismo de pertencimento, de fazer parte, de colaboração. Temos de buscar esse entendimento. Temos de deixar de lado a ideia de que o mais forte salvará o simples, o ignorante, que os fortes e destacados são maiores e melhores.

Para fazer valer a verdade, tem que fazer o Bem! Mas é necessário reformar a forma de fazer esses ensinamentos, mudando como e o que se ensina para as crianças, com mudanças estruturais nas escolas. A competição não pode ser o estímulo para o aprendizado. Ensinam-se as falsas ideias quando se diz a criança que a luta serve para destacar, ser superior, ser o melhor que o outro, estar “entre os superiores”, para não ser renegado pela sociedade. Essa mentalidade é falsa!

No entanto, os mais recentes trabalhos de tradução dos evangelhos, esclarecem que o verbo grego metanoéô, ligado ao substantivo metánoia, tem o sentido de “mudar de mentalidade”. Frederico Lourenço explica: “No cerne da palavra está o vocábulo nous (“mente”): daí o fato de a essência da ideia estar ancorada na mudança mental (de que o arrependimento é sintoma)” (Novo Testamento).

O versículo 14 do cap. 1, de Marcos, fica assim:

14 Depois de João [Batista] ter sido traído, Jesus foi para a Galileia proclamar a boa-nova de Deus, 15 dizendo: “Completou-se o tempo e ficou próximo o reino de Deus. Mudai de mentalidade e acreditai na boa-nova”.

Marcos: 1,14-15

Com essa simples passagem da Bíblia, transformamos completamente o entendimento do sentido de Arrepender-se: há necessidade de mudar de mentalidade para superar uma mentalidade falsa! Não é arrepender do erro, mas mudar a forma de entendimento, Mudar de Mentalidade.

Este artigo foi elaborado a partir de palestra proferida por Paulo Henrique de Figueiredo. Clique aqui para conhecê-la.

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Profecia do Espírito da Verdade

A Profecia do Espírito da Verdade aconteceu.

Quando a elaboração da doutrina espírita pelo diálogo com os espíritos ainda estava por começar, Allan Kardec em 1856 conversou com o Espírito da Verdade, que lhe apresentou a seguinte Profecia para o Espiritismo:

Não suponhas que te baste publicar um livro, dois livros, dez livros, para em seguida ficares tranquilamente em casa.
Tens que expor a tua pessoa. Suscitarás contra ti ódios terríveis; inimigos encarniçados se conjurarão para tua perda; ver-te-ás a braços com a malevolência, com a calúnia, com a traição mesma dos que te parecerão os mais dedicados; as tuas melhores instruções serão desprezadas e falseadas; por mais de uma vez sucumbirás sob o peso da fadiga; numa palavra: terás de sustentar uma luta quase contínua, com sacrifício de teu repouso, da tua tranquilidade, da tua saúde e até da tua vida, pois, sem isso, viverias muito mais tempo.
(Obras póstumas, pag. 344)

De 1858 ate 1869, período em que Kardec publicou seu livros e a Revista Espírita difundindo o Espiritismo, ocorreram ofensas, calúnias e difamações. Ele defendeu suas ideias e dos Espiritos com unhas e dentes. Depois de sua morte em 1869, houve uma série de adulterações em suas obras, . Além disso, inúmeras falsas ideias foram espalhadas sobre a doutrina. Leia o artigo Nossa Posição onde explanamos nossa conclusões.

Infelizmente, as grandes revelações sempre enfrentam essas caracteristicas como consequências: ódio, traição, desprezo e falsas ideias. Se o Espiritismo tem uma grande importância, é natural que ocorra com ele.

As outras revelações, como a de Moisés e de Cristo tiveram as mesmas resistências que o Espírito da Verdade mencionou.

Superando a falsa ideia dos egípcios, Moisés levou ao povo que o seguiu a ideia do Deus único, e do destino solidário da humanidade. Moisés não falou só para o povo hebreu: ele chamou as pessoas de todas as classes do Egito. E é isso que fez com que os sacerdotes egípcios se incomodassem: era o perigo eminente de uma revolução social. O ódio e as traições começaram.

E os judeus, que estavam entre os que adotaram seu pensamento, desviaram da proposta da harmonia universal. Eles elaboraram as crenças e práticas exclusivistas, separando puros e impuros, os que seriam de Deus e os dominados pelo diabo. eram as falsas ideias que estavam bem longe do proposto por Moisés. A ideia de Deus, diabo, céu e inferno, puros e impuros, não faz parte desta revelação.. E foi isso que Jesus veio fazer ao colocar as coisas em seu caminho.

Jesus veio entre os judeus para trazer a mentalidade verdadeira e denunciar a falsa ideia. Sua boa nova representou a chegada da lei divina plena para a humanidade. Jesus previu que suas ideias seriam deturpadas. Se Jesus previu isso com seu próprio ensinamento, por que não ocorreria com a Revelação Espírita?

26.​Entretanto, Cristo acrescenta: “Muitas das coisas que vos digo ainda não podeis compreender, e muitas outras teria de dizer, mas não compreenderias; por isso vos falo por parábolas; todavia, mais tarde eu vos enviarei o Consolador, o Espírito Verdade que restabelecerá todas as coisas e a todas explicará.

Allan Kardec. A GÊNESE – Os milagres e as Predições Segundo o Espiritismo

Se Jesus anunciou que seria preciso restituir os ensinamentos perdidos, claramente deduzimos que algo ficou abandonado, tanto nos ensinamentos de Moisés, nos de Jesus e do Espiritismo.

E Kardec empreendeu uma luta que realmente acabou tirando dele a saúde, como foi a profecia do Espírito da Verdade. Pelos estudos sabemos que as melhores instruções da Doutrina Espírita foram desprezadas em muitos casos, e pior, falseadas em outras. Precisamos recuperar esses ensinamentos perdidos! (( texto elaborado a partir da palestra proferida por Paulo Henrique de Figueiredo, clique aqui para mais detalhes ))

Abaixo, a comunicação completa do Espírito da Verdade de 1856:

12 de junho de 1856 (Em casa do Sr. C…; médium: Srta. Aline C…)
MINHA MISSÃO

Pergunta (à Verdade) — Bom Espírito, eu desejara saber o que pensas da missão que alguns Espíritos me assinaram.
Dize-me, peço-te, se é uma prova para o meu amor-próprio. Tenho, como sabes, o maior desejo de contribuir para a propagação da verdade, mas, do papel de simples trabalhador ao de missionário em chefe, a distância é grande e não percebo o que possa justificar em mim graça tal, de preferência a tantos outros que possuem talento e qualidades de que não disponho.
Resposta — Confirmo o que te foi dito, mas recomendo-te muita discrição, se quiseres sair-te bem. Tomarás mais tarde conhecimento de coisas que te explicarão o que ora te surpreende. Não esqueças que podes triunfar, como podes falir. Neste último caso, outro te substituiria, porquanto os desígnios de Deus não assentam na cabeça de um homem. Nunca, pois, fales da tua missão; seria a maneira de a fazeres malograr-se. Ela somente pode justificar-se pela obra realizada e tu ainda nada fizeste. Se a cumprires, os homens saberão reconhecê-lo, cedo ou tarde, visto que pelos frutos é que se verifica a qualidade da árvore.
P. — Nenhum desejo tenho certamente de me vangloriar de uma missão na qual dificilmente creio. Se estou destinado a servir de instrumento aos desígnios da Providência, que ela disponha de mim. Nesse caso, reclamo a tua assistência e a dos bons Espíritos, no sentido de me ajudarem e ampararem na minha tarefa.

R. — A nossa assistência não te faltará, mas será inútil se, de teu lado, não fizeres o que for necessário. Tens o teu livre-arbítrio, do qual podes usar como o entenderes. Nenhum homem é constrangido a fazer coisa alguma.
P. — Que causas poderiam determinar o meu malogro? Seria a insuficiência das minhas capacidades?
R. — Não; mas, a missão dos reformadores é prenhe de escolhos e perigos. Previno-te de que é rude a tua, porquanto se trata de abalar e transformar o mundo inteiro. Não suponhas que te baste publicar um livro, dois livros, dez livros, para em seguida ficares tranquilamente em casa. Tens que expor a tua pessoa. Suscitarás contra ti ódios terríveis; inimigos encarniçados se conjurarão para tua perda; ver-te-ás a braços com a malevolência, com a calúnia, com a traição mesma dos que te parecerão os mais dedicados; as tuas melhores instruções serão desprezadas e falseadas; por mais de uma vez sucumbirás sob o peso da fadiga; numa palavra: terás de sustentar uma luta quase contínua, com sacrifício de teu repouso, da tua tranquilidade, da tua saúde e até da tua vida, pois, sem isso, viverias muito mais tempo. Ora bem! não poucos recuam quando, em vez de uma estrada florida, só veem sob os passos urzes, pedras agudas e serpentes. Para tais missões, não basta a inteligência. Faz-se mister, primeiramente, para agradar a Deus, humildade, modéstia e desinteresse, visto que Ele abate os orgulhosos, os presunçosos e os ambiciosos. Para lutar contra os homens, são indispensáveis coragem, perseverança e inabalável firmeza. Também são de necessidade prudência e tato, a fim de conduzir as coisas de modo conveniente e não lhes comprometer o êxito com palavras ou medidas intempestivas. Exigem-se, por fim, devotamento, abnegação e disposição a todos os sacrifícios. Vês, assim, que a tua missão está subordinada a condições que dependem de ti.
Espírito da Verdade

Eu — Espírito da Verdade, agradeço os teus sábios conselhos. Aceito tudo, sem restrição e sem ideia preconcebida.

Obras Póstumas, pag. 343-5

Em Obras Póstumas, segue uma nota interessante feita por Allan Kardec mais de 10 anos depois:

NOTA — Escrevo esta nota a 1º de janeiro de 1867, dez anos e meio depois que me foi dada a comunicação acima e atesto que ela se realizou em todos os pontos, pois experimentei todas as vicissitudes que me foram preditas. Andei em luta com o ódio de inimigos encarniçados, com a injúria, a calúnia, a inveja e o ciúme; libelos infames se publicaram contra mim; as minhas melhores instruções foram falseadas; traíram-me aqueles em quem eu mais confiança depositava, pagaram-me com a ingratidão aqueles a quem prestei serviços. A Sociedade de Paris se constituiu foco de contínuas intrigas urdidas contra mim por aqueles mesmos que se declaravam a meu favor e que, de boa fisionomia na minha presença, pelas costas me golpeavam. Disseram que os que se me conservavam fiéis estavam à minha soldada e que eu lhes pagava com o dinheiro que ganhava do Espiritismo. Nunca mais me foi dado saber o que é o repouso; mais de uma vez sucumbi ao excesso de trabalho, tive abalada a saúde e comprometida a existência.
Graças, porém, à proteção e assistência dos bons Espíritos que incessantemente me deram manifestas provas de solicitude,
tenho a ventura de reconhecer que nunca senti o menor desfalecimento ou desânimo e que prossegui, sempre com o mesmo ardor, no desempenho da minha tarefa, sem me preocupar com a maldade de que era objeto. Segundo a comunicação do Espírito de Verdade, eu tinha de contar com tudo isso e tudo se verificou. Mas, também, a par dessas vicissitudes, que de satisfações experimentei, vendo a obra crescer de maneira tão prodigiosa!
Com que compensações deliciosas foram pagas as minhas tribulações! Que de bênçãos e de provas de real simpatia recebi da parte de muitos aflitos a quem a Doutrina consolou! Este resultado não mo anunciou o Espírito de Verdade que, sem dúvida intencionalmente, apenas me mostrara as dificuldades do caminho. Qual não seria, pois, a minha ingratidão, se me queixasse! Se dissesse que há uma compensação entre o bem e o mal, não estaria com a verdade, porquanto o bem, refiro-me às satisfações morais, sobrelevaram de muito o mal. Quando me sobrevinha uma decepção, uma contrariedade qualquer, eu me elevava pelo pensamento acima da Humanidade e me colocava antecipadamente na região dos Espíritos e desse ponto culminante, donde divisava o da minha chegada, as misérias da vida deslizavam por sobre mim sem me atingirem. Tão habitual se me tornara esse modo de proceder, que os gritos dos maus jamais me perturbaram.

Obras póstumas, pag 345-6

Continua no artigo O Espiritismo: A Ideia de Jesus