Evocações e Reuniões Mediúnicas: Fundamentos Científicos Segundo Allan Kardec

Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, dedicou-se a observar, examinar e sistematizar os fenômenos mediúnicos com rigor científico. Em suas obras – como O Livro dos Médiuns, Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas e os inúmeros relatos da Revista Espírita – Kardec descreve a prática das evocações de Espíritos e das reuniões mediúnicas como verdadeiros laboratórios de pesquisa psíquica. Neste artigo, exploramos como Kardec implementou essas práticas de forma racional, controlada e metódica no desenvolvimento da ciência espírita. Também contrastaremos essa abordagem com certas posturas do movimento espírita contemporâneo, que frequentemente condenam a evocação e adotam uma atitude mais passiva e acrítica em relação à mediunidade, inclusive desencorajando seu exercício no lar. Veremos como tais posturas modernas contrastam com os fundamentos metodológicos da ciência espírita estabelecidos por Kardec.

Kardec e a Prática Racional das Evocações de Espíritos

Desde os primórdios do Espiritismo, evocar Espíritos era uma prática comum e plenamente aceita por Kardec quando realizada com seriedade e propósitos elevados. Kardec refutou a ideia de alguns de seus contemporâneos de que seria melhor nunca chamar um Espírito específico e apenas aguardar comunicações espontâneas. Essa visão “passiva”, segundo ele, era equivocada. Sem a evocação direcionada, abria-se espaço para que qualquer Espírito presente (muitas vezes Espíritos inferiores, ávidos por se manifestar) tomasse a palavra, criando potencial confusão e mistificação. “O apelo direto feito a um determinado Espírito é um laço entre ele e nós”, explicava Kardec, “e opomos assim uma espécie de barreira aos intrusos”. A experiência demonstrava que a evocação deliberada de um Espírito conhecido ou determinado era preferível, garantindo mais controle e segurança quanto à identidade do comunicante.

Kardec não via a evocação como um ritual místico, mas como um convite respeitoso e fundamentado. Não havia fórmulas mágicas: bastava chamar o Espírito em nome de Deus, com seriedade e respeito, dizendo por exemplo: “Rogo a Deus Todo-Poderoso que permita ao Espírito de [Fulano] comunicar-se conosco”. Se o Espírito pudesse atender, normalmente haveria uma resposta imediata afirmativa ou indicativa de sua presença. Muitas vezes Kardec observou a surpreendente prontidão com que um Espírito evocado pela primeira vez comparecia, como se já estivesse prevenido pelo pensamento antecipado do evocador. Ele explica que nossos próprios guias espirituais ou Espíritos familiares se encarregam de “preparar o caminho” para a comunicação, podendo até “ir buscar” o Espírito chamado. Em alguns casos, se o Espírito não puder vir de imediato, um mensageiro espiritual informa um prazo (minutos, horas ou dias) após o qual o comunicante estará presente.

Importa notar que, segundo Kardec, qualquer Espírito, de qualquer grau evolutivo, poderia ser evocado – desde os Bons Espíritos até os Espíritos imperfeitos; pessoas falecidas recentemente ou figuras da antiguidade; sábios ilustres ou entes queridos anônimos. Isso ampliava enormemente o campo de investigação da nascente ciência espírita. Evidentemente, ele alerta que nem sempre o Espírito estará em condições ou terá permissão superior para atender; podem existir impedimentos ou recusas, conforme a vontade do Espírito ou determinação de ordens mais elevadas. Ainda assim, o princípio era claro: não há proibição intrínseca a evocar Espíritos “sofredores” ou de baixa condição – pelo contrário, essas comunicações, se conduzidas com seriedade e fim edificante, servem ao estudo e até à caridade espiritual. Kardec inclusive menciona a possibilidade de evocar o Espírito de pessoas vivas (encarnadas), em estado de desprendimento pelo sono, embora essa prática exija prudência e não deva ser feita levianamente. Em suma, a evocação para Kardec era uma ferramenta legítima de pesquisa e intercâmbio: um diálogo evocativo, consciente e respeitoso, visando sempre a instrução moral e intelectual.

Reuniões Mediúnicas como “Laboratórios” de Fenômenos Inteligentes

Kardec organizou as sessões mediúnicas com o mesmo cuidado de um cientista montando um experimento em laboratório. As reuniões mediúnicas sérias eram conduzidas com método, disciplina e objetivos definidos de estudo. Em Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, ele enfatiza que tais reuniões devem revestir-se de caráter grave e elevado. Grupos que buscavam apenas diversão ou curiosidade ficavam “entregues a si mesmos” – nelas os assistentes pedem futilidades (adivinhação de futuro, questões banais) e inevitavelmente serão atendidos por Espíritos zombeteiros, obtendo respostas levianas. O perigo dessas reuniões frívolas, Kardec alerta, é que pessoas inexperientes podem tomar como sérias as brincadeiras de Espíritos inferiores, formando uma ideia distorcida do mundo espiritual. Por isso, silêncio, recolhimento e regularidade eram condições primordiais nas sessões espíritas dedicadas à pesquisa. As reuniões deviam ocorrer em dias e horários fixos, de preferência uma ou duas vezes por semana, para que mesmo os Espíritos comunicantes se programassem e comparecessem pontualmente. Kardec observa que muitos Espíritos tornam-se “frequentadores assíduos” de um grupo sério e regular, a ponto de cobrarem atrasos dos encarnados e só iniciarem a comunicação na hora habitual. Essa assiduidade permitia um acompanhamento contínuo e progressos cumulativos nos estudos, já que certos Espíritos instrutores assumiam papel de orientadores constantes.

Nas reuniões bem conduzidas, Kardec via a aplicação prática do método científico ao mundo espiritual. Cada sessão era registrada, as comunicações anotadas e posteriormente comparadas com outras obtidas em circunstâncias diferentes. Na Revista Espírita, ele publicou inúmeras “conversas de além-túmulo”, transcrevendo diálogos com Espíritos de diversas categorias – desde pessoas comuns recém-falecidas até nomes célebres como Mozart, Bernard Palissy ou Luis XI. O objetivo não era entretenimento, mas observação sistemática dos Espíritos em diferentes situações, colhendo dados para deduzir leis gerais. Por exemplo, Kardec acompanhou o caso de Espíritos logo após a morte e depois de algum tempo, “seguindo-os passo a passo, nessa vida de além-túmulo, para observar as mudanças que se operaram neles, em suas ideias, em suas sensações”. Esse acompanhamento permitiu estudar a evolução moral dos Espíritos, suas expiações e progressos, tal como um biólogo observaria a transformação de um organismo ao longo do tempo.

A Revista Espírita serviu como repositório desses relatórios de sessões e comunicações, permitindo a Kardec e aos leitores identificar padrões e verificar a consistência dos ensinamentos espirituais. Em uma introdução a um diálogo mediúnico publicado, Kardec ressalta a “concordância perfeita” entre as respostas obtidas do Espírito de Mozart e as dadas por outros Espíritos, em épocas e lugares diferentes, inclusive informações contidas em O Livro dos Espíritos. Ele chama a atenção do leitor para essa semelhança, sugerindo que dali se tire a devida conclusão – ou seja, a convergência de mensagens através de diferentes médiuns e contextos reforçava a validade objetiva dos ensinamentos, tal qual resultados replicados em diversos laboratórios fortalecem uma teoria científica. Essa abordagem comparativa, buscando controle cruzado das comunicações, era central no método kardeciano de pesquisa.

Outra condição fundamental era a qualidade das perguntas e do ambiente mental dos participantes. Kardec elogiava quando as questões eram formuladas “com ordem, clareza e precisão, sem se afastar da linha séria”, pois isso criava a condição essencial para obter boas comunicações. Espíritos elevados acorrem naturalmente a grupos sérios, genuinamente interessados no saber e no bem, ao passo que “os Espíritos levianos se divertem com as pessoas frívolas”. Vemos aqui um retrato claro das sessões como laboratórios morais: a “atmosfera” criada pelas intenções elevadas funciona como reagente que atrai Inteligências superiores, enquanto ambientes de leviandade sintonizam apenas com entidades de baixo teor. Além disso, Kardec recomendava que as perguntas aos Espíritos seguissem um encadeamento lógico, uma sequência natural de ideias, em vez de assuntos aleatórios e desconexos. “É essencial que elas se encadeiem com método, decorrendo naturalmente umas das outras”, pois assim “os Espíritos respondem com muito mais facilidade e clareza” do que se fossem interrogados ao acaso. Essa orientação lembra a condução de uma entrevista científica ou interrogatório racional, maximizando a coerência das revelações obtidas.

Em termos de infraestrutura, Kardec desmistificou quaisquer requisitos supersticiosos. Não havia lugares ou horários “mágicos” para a comunicação mediúnica: podia-se realizar uma reunião a qualquer dia e hora conveniente, desde que em ambiente propício ao recolhimento, longe de distrações. “Não há lugares especiais e misteriosos para as reuniões espíritas”, ele escreveu; deve-se até evitar lugares que impressionem excessivamente a imaginação. Bons Espíritos vão a toda parte onde haja um coração puro que os convoque para o bem, enquanto os maus Espíritos “não têm predileção senão pelos locais onde encontram simpatias”. Cemitérios ou locais assombrados, por exemplo, não possuem influência automática – o que importa é a sintonia moral dos participantes e não o cenário físico. Essa orientação evidencia que qualquer local adequado, inclusive um lar modesto, pode sediar uma reunião mediúnica séria, desde que haja respeito e elevação de propósitos.

Método e Controle Crítico na Ciência Espírita de Kardec

O desenvolvimento da ciência espírita por Kardec caracterizou-se por um rigor metodológico exemplar, que combinava observação empírica com raciocínio lógico. Em O Livro dos Médiuns, ele expõe detalhadamente os meios de comunicação com o mundo invisível, os diferentes tipos de médiuns e fenômenos, bem como os obstáculos e perigos na prática espírita. Kardec adotava um método de controle rigoroso das comunicações espirituais: ele somente acolhia os ensinamentos dos Espíritos quando estes faziam sentido à luz da razão e mostravam-se coerentes entre si. Conforme destaca J. Herculano Pires, Kardec submetia as explicações espirituais a um crivo racional, alinhado com a metodologia científica, e descartava tudo que fosse contraditório ou absurdo. Essa postura crítica impediu que o Espiritismo degenerasse em crendice ou misticismo cego – desde o início foi pensado como uma ciência de observação, em que hipóteses sobre a realidade espiritual deveriam ser testadas, comparadas e validadas por múltiplas evidências independentes.

Uma das grandes preocupações de Kardec era distinguir a verdade do erro nas mensagens mediúnicas. Ele sabia que nem todas as comunicações provinham de fontes fidedignas – existiam Espíritos ignorantes ou maliciosos capazes de enganar os incautos, bem como os próprios médiuns poderiam interferir, consciente ou inconscientemente. Por isso, o codificador e os Espíritos superiores constantemente recomendavam: “submetamos todas as comunicações ao controle da razão e da lógica”. Nada devia ser aceito cegamente. Essa recomendação permanece atual e é uma das pedras angulares do método kardeciano. Quando surgiam contradições ou afirmações duvidosas, Kardec não hesitava em questionar novamente o Espírito comunicante, fazer novas evocações sobre o mesmo tema e até consultar outros grupos e médiuns, até formar uma convicção embasada. O Livro dos Médiuns traz capítulos específicos sobre mistificações e contradições, ensinando a identificar comunicações apócrifas e a lidar com Espíritos trapaceiros. Kardec orienta, por exemplo, que se deve “empurrar o Espírito a mostrar seu lado fraco”: espíritos pseudo-sábios não conseguem sustentar por muito tempo um discurso elevado sem se traírem, caso sejam pressionados com perguntas aprofundadas ou tenham que manter a coerência em sucessivas mensagens. Ele também adverte os médiuns quanto à fascinação – a cegueira em relação às próprias comunicações – e insiste que a experiência e o estudo prévio são as melhores salvaguardas contra o engano espiritual.

Essa postura eminentemente crítica e investigativa contrasta com qualquer passividade. Kardec via o médium e o grupo como parte ativa do processo: cabia-lhes filtrar, analisar e questionar os Espíritos comunicantes, tal qual cientistas diante de resultados experimentais. Credulidade e ceticismo extremos eram igualmente combatidos por ele. No primeiro número da Revista Espírita, Kardec afirma que o propósito daquela publicação era manter o público informado “dos progressos desta ciência nova” e também prevení-lo contra os exageros da credulidade, tanto quanto contra o ceticismo. Ou seja, o Espiritismo nascente deveria trilhar um caminho equilibrado, alicerçado em fatos e na razão, evitando tanto a crença ingênua em qualquer espírito enganador quanto a descrença teimosa que se recusa a examinar as evidências. Essa mentalidade aberta porém exigente é o que conferiu ao Espiritismo o caráter de ciência moral: investigam-se fenômenos inteligentes com os instrumentos da lógica, da ética e do consenso universal dos ensinamentos dos Espíritos superiores.

Contrastes com a Prática Espírita Contemporânea

Passados mais de 160 anos, o movimento espírita – especialmente em alguns países como o Brasil – consolidou-se como referência em ética e caridade, porém nem sempre mantém práticas alinhadas integralmente com o espírito investigativo kardeciano. Observam-se, por exemplo, diferenças marcantes quanto ao tema das evocações e ao uso crítico da mediunidade, resultando em uma postura frequentemente mais passiva e conservadora diante dos fenômenos. A seguir, comparamos alguns pontos-chave:

  • Evocação de Espíritos: Kardec normalizava e incentivava a evocação dirigida de Espíritos para fins sérios de estudo ou auxílio mútuo, como vimos. No movimento espírita contemporâneo, porém, tornou-se quase um tabu “evocar” Espíritos por nome. Muitos centros espíritas ensinam médiuns a não chamar nenhum Espírito específico, argumentando que se deve deixar que apenas Espíritos autorizados se manifestem espontaneamente. Essa diretriz bem-intencionada busca evitar fraudes ou obsessões, mas acaba contrariando a orientação original de Kardec. Segundo ele, abstendo-se de evocar alguém em particular, “abre-se a porta a todos os [Espíritos] que desejam entrar” – ou seja, justamente os intrusos. A recomendação de Kardec era oposta: convidar nominalmente um Espírito elevado ou familiar específico, em nome do bem, cria um vínculo e dificulta a interferência de mistificadores. A prática moderna de apenas orar genericamente e esperar comunicações passivas pode, ironicamente, deixar o grupo mais vulnerável à ação de Espíritos inferiores, ao contrário do que se presume. Além disso, abdicar das evocações empobrece o conteúdo das reuniões: Kardec demonstrou ser possível entrevistar Espíritos sobre temas profundos (como na conversa com Mozart, onde se discutem questões de mediunidade e imortalidade) e assim enriquecer o conhecimento espírita. Hoje, essa postura investigativa muitas vezes cede lugar a mensagens espirituais genéricas, aceitas sem maior questionamento.
  • Atitude Crítica versus Passividade: Outra diferença notável está na maneira de encarar as comunicações mediúnicas. Kardec inculcava nos grupos e médiuns a necessidade do discernimento contínuo, do exame racional de cada mensagem. Ele próprio, ao dirigir a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, agia como um moderador crítico, debatendo com os Espíritos comunicantes, refutando erros doutrinários e até corrigindo Espíritos mistificadores publicamente (casos bem documentados na Revista Espírita). Em contrapartida, é comum no movimento atual uma certa resignação acrítica diante das comunicações atribuídas a Espíritos benfeitores. Muitos centros adotam a orientação de que o médium não deve duvidar ou interferir na mensagem enquanto a transmite – o que é correto do ponto de vista da passividade necessária na psicografia/psicofonia – porém, após recebida a mensagem, raramente se promove um estudo crítico do conteúdo. Mensagens assinadas por Espíritos venerados são prontamente aceitas e divulgadas, mesmo quando trazem elementos questionáveis ou contradições sutis com a Codificação. Este abafamento do espírito crítico contrasta com o conselho direto dos Espíritos superiores de ontem e de hoje: “não vos esqueçais de submeter todas as comunicações ao crivo da razão; é melhor rejeitar nove verdades do que aceitar uma única falsidade” – máxima muitas vezes reiterada nas obras básicas. Kardec mostrava que respeito aos Espíritos não implica credulidade cega; ao contrário, a verdadeira fé raciocinada exige análise e verificação. Assim, a postura contemporânea, por prudência ou mesmo comodismo, tende a supervalorizar a passividade (como se toda contestação fosse falta de humildade), enquanto o método kardeciano enfatizava a participação inteligente do investigador encarnado no diálogo com o além.
  • Exercício da Mediunidade no Lar: Um ponto de divergência prático-teórica diz respeito ao ambiente adequado para a mediunidade. No movimento atual, consolidou-se a ideia de que a mediunidade deve ser exercida preferencialmente (ou exclusivamente) no centro espírita, nunca no lar. Muitos alegam que reuniões mediúnicas domésticas seriam arriscadas, por falta de orientação de doutrinadores experientes ou por supostamente atrair más influências sem “proteção” institucional. Novamente, a leitura das obras de Kardec mostra uma perspectiva diferente. Já em 1858, ele observava que os fenômenos espíritas se propagavam com rapidez justamente porque qualquer família podia ter o seu médium e realizar comunicações em seu círculo íntimo, assim como ocorria com os sonâmbulos no magnetismo. “Se [os fenômenos] não se produzem à luz do dia, publicamente, ninguém pode opor-se a que tenham lugar na intimidade”, escreveu Kardec, concluindo que é impossível impedir qualquer pessoa de ser médium. De fato, muitas comunicações importantes vieram de pequenos grupos familiares ou de amigos, antes mesmo da fundação de sociedades espíritas oficiais. O próprio surgimento de O Livro dos Espíritos deve-se às sessões caseiras na casa da família Baudin, onde Kardec iniciou seus estudos. Em nenhum momento Kardec “proíbe” a prática mediúnica domiciliar – o que ele faz é recomendar que, seja no lar ou numa sociedade, observe-se o mesmo rigor de seriedade, com ambiente moral saudável, oração e estudo. Como já citado, não é o local físico em si que determina a qualidade da comunicação, mas sim as condições morais e fluídicas. Bons Espíritos afluem onde quer que haja sinceridade e elevação, seja numa instituição formal ou em torno de uma mesa humilde na sala de jantar. Por outro lado, Espíritos perturbadores aproveitarão qualquer brecha de invigilância, mesmo que a pessoa esteja num centro aclamado. Logo, a alegação moderna de que “mediunidade no lar” é inviável não encontra respaldo nos fatos e princípios deixados por Kardec – ao contrário, ele documentou fenômenos ocorridos nos mais diversos lugares e não exigiu uma “igreja espírita” para validá-los. Claro, há vantagens em grupos maiores e orientadores experientes, mas isso não significa que a mediunidade deva ser confinada às instituições. A ciência espírita nasceu no seio de reuniões livres e estudiosas, e não seria coerente convertê-la em monopólio de ambientes controlados.

Em resumo, o contraste se estabelece assim: Kardec legou um Espiritismo dinâmico, experimental e esclarecedor, enquanto certos segmentos do Espiritismo atual, talvez por zelo ou influência do misticismo religioso, acabam por frear o ímpeto investigativo, adotando práticas excessivamente cautelosas. Vale lembrar que Kardec e os Espíritos superiores previam essa possibilidade. Na Revista Espírita, São Luís (guia espiritual da Sociedade de Paris) alertou que os Espíritos elevados não comparecem a reuniões fúteis, mas também não proibem Espíritos inferiores de irem a reuniões sérias – estes muitas vezes ficam calados, “como os estouvados numa reunião de sábios”, acabando por aprender com os ensinamentos ali dados. Ou seja, até mesmo a presença de Espíritos menos adiantados numa sessão bem conduzida pode ter utilidade, seja pedagógica (para eles) ou esclarecedora (para nós, ao estudarmos seus depoimentos). Condenar aprioristicamente toda evocação ou toda tentativa de diálogo investigativo com Espíritos, sob pretexto de que “só os ignorantes viriam”, é desprezar uma fonte valiosa de conhecimento e auxílio. Foi dialogando com criminosos desencarnados, suicidas arrependidos, crianças desencarnadas, sábios da antiguidade, etc., que Kardec colheu material para obras como O Céu e o Inferno e enriqueceu a compreensão espírita da justiça divina. A ciência espírita, para ele, não temia encarar nenhum aspecto da realidade espiritual, desde que armada com a fé raciocinada e a moral do Evangelho.

Conclusão

As evocações e reuniões mediúnicas, tal como sistematizadas por Allan Kardec, foram alicerces do Espiritismo enquanto ciência em desenvolvimento. Kardec demonstrou que é possível abordar os fenômenos espirituais com seriedade, método e espírito crítico, extraindo deles ensinamentos morais profundos e conhecimentos sobre a natureza da alma. As evocações de Espíritos, longe de serem práticas supersticiosas, eram realizadas de forma racional e controlada, visando estudar casos e testemunhos do além-túmulo para confrontá-los entre si e com a razão. As reuniões mediúnicas atuavam como laboratórios experimentais, onde hipóteses eram testadas em repetidas comunicações, sob observação rigorosa e registro detalhado dos fatos. Dessa maneira, Kardec e seus colaboradores puderam erigir um corpo de conhecimento espírita coerente, que resiste ao escrutínio crítico até os dias de hoje.

Contemporaneamente, ao reexaminar os fundamentos metodológicos legados por Kardec, o movimento espírita é convidado a reencontrar esse equilíbrio entre fé e razão, entusiasmo e prudência. Evocar Espíritos com respeito, dialogar com eles de forma inteligente, educar médiuns e participantes para a análise lúcida das mensagens – tudo isso faz parte da herança kardeciana. Rejeitar sumariamente tais práticas pode empobrecer o Espiritismo, reduzindo-o a uma repetição passiva de verdades já conhecidas. Por outro lado, reviver o espírito investigativo de Kardec não significa temeridade ou desrespeito, mas sim fidelidade à proposta original de um Espiritismo que é ao mesmo tempo ciência de observação, filosofia racional e religião à luz do Cristo. Como Kardec bem disse, “fora da caridade não há salvação” – mas também ensinou, com o exemplo, que fora do estudo e do método não há progresso seguro. Cabe-nos, portanto, honrar esse legado, unindo o coração e o intelecto na continuidade da grande pesquisa espírita sobre o destino humano e as leis do Universo espiritual.

Fontes: Obras de Allan Kardec – Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas (1858); O Livro dos Médiuns (1861); Revista Espírita (1858-1861).




Ensinamentos de Além-Túmulo – A Generosidade

Pergunta 1 – Eu queria saber se o espírito de XXX se encontra nesse ambiente. Existiria uma possibilidade de o evocar?

Resposta 1– Existe, mas… Vocês perceberam que todos que vocês chamaram anteriormente, vieram todos ao contrário? Percebam: há muito mais para se aprender do que aquilo que vocês imaginam. Vocês lembram do pedreiro? Vocês aprenderam muito com ele.

Nós entendemos a vontade de vocês de confirmar identidades e retomar diálogos com espíritos amigos, queridos, que já atravessaram o limiar entre a vida e o mundo espiritual. Mas há uma imensidão de outros tantos que necessitam de uma comunicação, que necessitam de palavras amigas, que necessitam de orientação. E nós aqui, por mais que façamos, não os atingimos da mesma forma.

Com essa Evocação foi assim. A aproximação com vocês ofereceu a ele a oportunidade de se desvencilhar dos vícios que ele tinha. Sejam generosos com aqueles que procuram por vocês, porque o espaço está aberto.

Não quero dizer com isso que vocês não possam conversar com seus entes queridos. Mas recebam sempre aqueles que chegam como se também fossem entes queridos. O amor é uma dádiva e a caridade que fazemos com aqueles que se aproximam passa mais na construção de um mundo melhor.

Porque eles são o futuro da nova humanidade que está surgindo. Porque eles retornarão à vida corporal. E se eles não tiverem a oportunidade de saírem dos vícios morais em que se encontram, retornarão ao corpo físico, trazendo toda essa bagagem e dificultando ainda mais o novo porvir.

OBSERVAÇÕES: A mensagem é de suma importância, pois toca em pontos nevrálgicos da economia espiritual e da nossa própria missão na Terra. Havíamos acabado de tentar duas evocações diretas e, para as duas, quem se apresentou foi outro Espírito, no lugar de quem chamávamos. Nossa atitude, ao perceber a impostura, foi de acolher brevemente, sem rispidez, mas solicitando que eles aguardassem uma nova oportunidade, quase dizendo “obrigado, próximo”, perdendo de vista a oportunidade de aprendizado em vistas, talvez por um certo medo do que acontecia. Honestamente, nos sentimos envergonhados, depois da lição que ora abordamos.

O desejo de “confirmar identidades e retomar diálogos com espíritos amigos, queridos, que já atravessaram o limiar entre a vida e o mundo espiritual” e a possibilidade de comunicação com aqueles que nos precederam na grande jornada é, sem dúvida, uma consolação, que nos proporciona o meio de nos entretermos com nossos parentes e amigos desencarnados, aprendendo e ensinando. Essa comunicação nos auxilia com seus conselhos, testemunha seu afeto e a alegria que sentem por serem lembrados. É uma satisfação saber que estão felizes e, por seu intermédio, aprender os detalhes de sua nova existência, adquirindo a certeza de que um dia nos juntaremos a eles. A morte, como nos é revelado, não é uma destruição absoluta, mas uma passagem, uma transformação sem solução de continuidade, e as relações de afeição estabelecidas na Terra continuam.

Contudo, a observação de que “há uma imensidão de outros tantos que necessitam de uma comunicação, que necessitam de palavras amigas, que necessitam de orientação” aponta para uma verdade mais vasta, que transcende o âmbito das afeições pessoais. Os Espíritos que nos cercam são inumeráveis, e muitos deles, “frequentemente os mais simples”, anseiam por se comunicar. A mediunidade não é um dom exclusivo para o médium, mas para o “bem geral”. Ao seu redor, há uma “multidão de irmãos, pouco adiantados ou em sofrimento” que podem ser atraídos pelos seus pensamentos e por suas preces, levando à fé e à esperança. É por isso que, ao não evocar ninguém em particular, corre-se o risco de abrir a porta a Espíritos inferiores. Sua compaixão e sua prece podem ser um alento para os Espíritos esquecidos ou sofredores, revertendo-se em seu benefício.

O caso mencionado da evocação precedente que “a aproximação com vocês ofereceu a ele a oportunidade de se desvencilhar dos vícios que ele tinha”, ilustra perfeitamente a missão moral do Espiritismo, bem como a obrigação moral dos verdadeiros espíritas. Os Espíritos nos revelam que a vida corporal é uma escola, uma série de provas e expiações, e que o sofrimento, quando bem suportado, serve para nossa depuração e elevação. Espíritos ainda imperfeitos podem permanecer em estados de perturbação e sofrimento, revendo constantemente seus erros. A caridade, a oração e a compaixão daqueles que ficam na Terra podem, de fato, aliviar essas penas e auxiliar o Espírito a reconhecer seus erros e a se arrepender, abrindo caminho para o progresso. O arrependimento sincero, a reparação das faltas e a prática do bem são os únicos meios de abreviar os sofrimentos.

Quando o Espirito diz “Sejam generosos com aqueles que procuram por vocês, porque o espaço está aberto”, está reafirmando o princípio da caridade universal. A caridade não se limita à esmola; ela abrange a tolerância, a benevolência e o amor ao próximo. Os bons Espíritos são atraídos por corações puros e elevados, e por um desejo sincero de instruir-se. É a caridade que permite o intercâmbio fraterno entre os mundos, uma “alavanca poderosa que põe em comunicação os espíritos de todos os mundos”.

É certo que não se deve recusar a “conversar com seus entes queridos”. Isso seria negar uma das mais doces consolações que a Providência nos concede. No entanto, a Doutrina nos impele a uma visão mais ampla. A recomendação de “recebam sempre aqueles que chegam como se também fossem entes queridos” é uma aplicação prática da caridade e do amor universal. “O amor é uma dádiva e a caridade que fazemos com aqueles que se aproximam passa mais na construção de um mundo melhor”. O verdadeiro espírita, como o verdadeiro cristão, busca ativamente o bem e a caridade, sem interesses. É por meio da prática do bem e da caridade que os laços se fortalecem, tanto entre vós quanto entre vós e o mundo espiritual.

A parte mais premente da mensagem reside na afirmação: “Porque eles são o futuro da nova humanidade que está surgindo. Porque eles retornarão à vida corporal. E se eles não tiverem a oportunidade de saírem dos vícios morais em que se encontram, retornarão ao corpo físico, trazendo toda essa bagagem e dificultando ainda mais o novo porvir”. Isso ressalta a importância da reencarnação como lei de progresso. A pluralidade das existências é necessária para que o Espírito possa depurar-se e adquirir novos conhecimentos e qualidades, até atingir a perfeição. Aqueles que partem da Terra em estado de imperfeição e vícios, se não se esforçarem para a reforma moral no mundo espiritual, retornarão à vida corporal com a mesma bagagem, e o Espiritismo nos mostra que as condições de uma nova existência dependem de si mesmos. Se não aproveitam o período de erraticidade para progredir, ou se escolhem provas que não condizem com seu adiantamento, podem dificultar seu próprio progresso. Deus, em sua infinita justiça e bondade, concede ao homem os meios de reparar suas faltas, e a reencarnação é um desses meios. As nossas ações em auxiliar esses Espíritos necessitados contribui diretamente para a “regeneração da Humanidade”, pois eles são os futuros obreiros da Terra. A nossa tarefa é de diminuir o número de nossos irmãos ignorantes, a fim de que o Livro dos Espíritos possa ser compreendido por todos.

Pergunta 2– Só um aspecto, se me permitir perguntar:  e o fator evocação que tanto Kardec falou que era importante fazer? E se nós evocamos e vem outro espírito?

Resposta 2 – Vocês podem evocar. Eu não disse que não podem. Mas quando acontece que um outro espírito se aproximar no lugar daqueles que vocês estão chamando, façam o seu melhor. Os que vão virão. Podem ficar tranquilos.

Nós procuramos deixar o espaço livre pela escolha de cada um. A frustração de vocês é fruto dos sentimentos que vocês possuem, um pouco do orgulho ferido por não serem atendidos. E é um trabalho de longo prazo.

Vocês podem, se quiserem, fazer essa divisão de um tempo a cada um (entre evocações diretas e atendimento a comunicações espontâneas), mas nada garante que ela se concretize. Tenham em mente que a liberdade aqui é respeitada. Cada um de vocês tem um aprendizado, tem uma sequência de vida e cada um de vocês tem um sentimento a ser trabalhado.

Foquem nisso e tenham fé. A espiritualidade não determina, não impõe de cima para baixo. Não forçamos ninguém a fazer tal ou qual coisa.

Entendemos sim a frustração de vocês. Às vezes é necessário que haja algum desconforto, mas é um trabalho interno, pessoal de cada um. Não desejamos que as comunicações sejam interrompidas.

Também não desejamos que vocês desistam de falar com as pessoas, com os espíritos de seus entes queridos. Persistam. Tenham fé.

OBSERVAÇÕES: A mensagem mostra verdades profundas que a Doutrina Espírita nos tem desvelado.

“Vocês podem evocar. Eu não disse que não podem. Mas quando acontece que um outro espírito se aproximar no lugar daqueles que vocês estão chamando, façam o seu melhor. Os que vão virão. Podem ficar tranquilos”, toca num ponto essencial da prática mediúnica. De fato, a possibilidade de comunicação com os Espíritos é uma consolação, que nos permite conversar com nossos entes queridos que já deixaram a Terra, auxiliando-nos com seus conselhos e testemunhando-nos seu afeto. É útil e mesmo necessário evocar Espíritos determinados. Contudo, a experiência nos mostra que, ao nosso redor, há sempre uma “imensa maioria” de Espíritos, ansiosos por se comunicar. Se não evocar ninguém em particular, abrirá a porta a todos que queiram entrar. E mesmo ao evocar, um Espírito diferente do chamado pode apresentar-se. Nestes casos, a paciência e o discernimento são nossos melhores guias. Os Espíritos que realmente têm algo de sério e útil a dizer virão, mas não estão às nossas ordens. A nossa boa intenção e a seriedade do propósito atraem os bons Espíritos.

“A frustração de vocês é fruto dos sentimentos que vocês possuem, um pouco do orgulho ferido por não serem atendidos. E é um trabalho de longo prazo”. Observamos que essa é uma lição fundamental. A Doutrina nos ensina que o Espiritismo tem como objetivo principal o “melhoramento moral da humanidade”. O orgulho e o egoísmo são vícios radicais que persistem e que os Espíritos buscam combater. A persistência em obter fenômenos específicos ou a vaidade podem levar a mistificações. É preciso ter em mente que o progresso espiritual é um trabalho contínuo, de “longo prazo”, que exige paciência e perseverança.

Quando ele diz: “Vocês podem, se quiserem, fazer essa divisão de um tempo a cada um, mas nada garante que ela se concretize. Tenham em mente que a liberdade aqui é respeitada. Cada um de vocês tem um aprendizado, tem uma sequência de vida e cada um de vocês tem um sentimento a ser trabalhado”, reforça um dos pilares de nossa fé: o livre-arbítrio e a não-imposição. Os Espíritos não se impõem; eles dão conselhos e, se não são atendidos, retiram-se. O Espírito encarnado precisa exercitar suas próprias forças e adquirir experiência para progredir, e a ação dos Espíritos protetores é regulada para não tolher o livre-arbítrio. A divisão do tempo para comunicações ou a escolha de provas pertence ao plano individual de cada Espírito, seja encarnado ou desencarnado, visando seu próprio aperfeiçoamento.

A observação de que “a espiritualidade não determina, não impõe de cima para baixo. Não forçamos ninguém a fazer tal ou qual coisa” é a confirmação do que acima dissemos. Os bons Espíritos são atraídos pela pureza de coração e pelo desejo sincero de instrução, e não por ordens ou rituais sem sentido. As verdades morais são oferecidas para que cada um as tome e as aplique, se quiser, em seu próprio progresso.

Por fim, ao afirmar “Entendemos sim a frustração de vocês. Às vezes é necessário que haja algum desconforto, mas é um trabalho interno, pessoal de cada um. Não desejamos que as comunicações sejam interrompidas. Também não desejamos que vocês desistam de falar com as pessoas, com os espíritos de seus entes queridos. Persistam. Tenham fé”, revela a compaixão e a sabedoria que permeiam o mundo espiritual. As aflições e o “desconforto” são, muitas vezes, provas necessárias para o nosso adiantamento, e a maneira como as suportamos com resignação contribui para o nosso progresso. É um trabalho do Espírito, que cada um deve empreender. A perda de entes queridos, embora dolorosa, é suavizada pela certeza da continuidade da vida e pela possibilidade de comunicação, que é uma suprema consolação. Nossos guias espirituais, como anjos guardiões, estão sempre conosco, oferecendo seu amparo e conselho, mesmo que não os percebamos diretamente. A persistência na fé e na prática do bem é o que nos fortalece e nos permite avançar no caminho da felicidade eterna.

Sigamos aguardando a chegada de novos grupos parceiros, para se juntar a nós na pesquisa, retomando o método científico necessário para o desenvolvimento do Espiritismo.




Diálogos de Além-Túmulo: da vingança à fraternidade

Através de um contato via TikTok, uma moça, residente em Portugal, pediu ajuda para seu caso. Dizia ela estar sofrendo com agitações em seu lar, com manifestações físicas, deixando-a atormentada. Sem colher maiores detalhes sobre o caso, resolvemos questionar ao Espírito Amigo, o Espírito que se apresentou como guia de nosso grupo, que nos recomendou o diálogo direto com o Espírito em questão:

Primeiro diálogo

1. Evocação

R: Aqui estou.

2. Olá amigo, seja muito bem-vindo entre nós. Nós primeiro gostaríamos de saber como podemos chamá-lo?

R: Vocês querem perguntar, então perguntem.

3. Tudo bem, nós vamos perguntar. Nós gostaríamos de entender qual é a sua motivação em estar ali e se é você que está provocando as manifestações físicas.

R: Provoquei sim.

4. Qual é o motivo?

R: A cobrança. Eu quero que ela se lembre do que ela fez.

5. O que ela te fez foi nesta vida presente, dela? Ou em outra encarnação?

R: Em uma outra.

6. Não queremos te julgar, não sabemos o que faríamos na sua posição. Gostaríamos de entender o que aconteceu.

R: Ela me maltratou. Ela sabia que eu tinha dificuldade. Mesmo assim, ela me maltratou.

7. Que posição vocês ocupavam? Em questão social, você era subalterno a ela?

R: Eu era filho. Ela nunca me tratou com amor.

8. Isso deve ter te provocado muita dificuldade durante a vida.

R: Muita surra. Muita humilhação.

9. Você se lembra se dessa encarnação anterior, você, como espírito, havia escolhido esse ambiente por algum motivo?

R: Era para termos uma vida equilibrada.

10. Você se lembra se você na vida anterior a essa vida, você já tinha conexão com ela?

R: Sim. Sempre tivemos problemas. Ela prometeu que dessa vez ela iria me amar. Eu sei que a situação não era boa, mas eu não tinha culpa nas escolhas que ela tinha feito. Eu só precisava nascer e a única responsabilidade dela era me amar, para que eu pudesse entender um pouco mais sobre o amor. Ela se omitiu. Se omitiu.. e só me trouxe sofrimento.

11. Tem outro espírito relacionado a essa história, agindo ali no local, não tem?

R: Tem.

12. Você sabe quem ele é?

R: Eu só sei que ele não é bom. Não.

13. Você não o conhece?

R: Não.

14. Por que você diz que ele não é bom?

R: Porque eu fujo dele.

15. Entendo. Será que ele tem boas intenções? E você não entendeu isso direito?

R: Eu não sei.

16. Eu quero que nos perdoe por qualquer pergunta mal direcionada. […] Você percebe que ela sofre hoje possivelmente por conta dessas escolhas que ela fez por essas tendências.

R: Eu percebo o sofrimento. Mas ela merece.

17. Ela sofre as consequências do que ela escolheu. Mas você se sente feliz estando ainda ao redor dela?

R: Eu só queria que ela me amasse. Mas se ela sofre de certa forma, eu sou feliz.

18. De que maneira você ficar fazendo essas demonstrações de manifestação na casa dela, você vai fazer ela sofrer? De que forma?

R: Não dando paz. Não dando sossego.

19. Existe uma grande diferença entre felicidade e alegria […] Você concorda com isso?

R: Não sei, acho que preciso pensar.

20. Essa realização está no princípio que o Espiritismo nos ensina […] Você consegue perceber esses espíritos?

R: É, eles estão aqui, sim. Dá pra ver. Eu tenho que pensar em tudo isso.

21. Esperamos que você se sinta bem entre nós […] quem sabe ajudando?

R: Acho que entendo um pouco do que você fala. Pode me chamar de Carlos.

22. Obrigado, Carlos. A intuição nunca nos falta, se eu falo bem, é por conta dos bons espíritos que estão conosco. Nunca se esqueça deles.

R: Eu vou pensar melhor em tudo o que você me falou.

23. E a gente espera que em próximas ocasiões possamos dialogar um pouco mais com você.

R: Espero que a gente possa se encontrar de novo, sim. Para poder conversar melhor.


Segundo diálogo

1. (Ao Espírito Amigo) Gostaria muito de saber, se for possível, gostaríamos de voltar a conversar com o Carlos, o espírito estava em participação ali com a M…

R: Carlos. Ele está aqui  presente.

2. Carlos, nosso amigo, queremos te receber de braços abertos novamente. E gostaríamos de saber como você está depois da nossa última conversa.

R: Um pouco mais esclarecido. Mas não estou cem por cento convencido.

4: Faz parte. O M… tentou chamá-lo no grupo dele. Você não quis ou você não pôde se comunicar lá?

R: Eu não quis.

5: Por qual motivo?

R: Eu ia escutar as mesmas coisas que vocês me falaram.

Observação: nesse diálogo, o Espírito ainda se expressava com desprezo e sarcasmo. Ainda assim, respondemos com bom-humor, fazendo-o sentir à vontade e mais próximo a nós.

6: Entendi, tudo bem. Nós entendemos essa  dificuldade. A gente mesmo, no dia a dia, é muito difícil de se convencer de que realmente a gente precisa perdoar uma determinada pessoa, deixar passar uma determinada coisa, né? Você gostaria de falar mais alguma coisa a respeito do que se passa ali, como a M…?

R: Se ela quer realmente o meu perdão, ela que ore por mim.

7: Ela disse estar orando, você percebeu?

R: Percebi.

8: Você ainda guarda um rancor?

R: É difícil esquecer certas coisas.

9: Justamente sobre isso que você está falando agora, de esquecer certas coisas. Como foi você na última vez? Você estava aqui, você falou que você precisava nascer e a única responsabilidade dela era te amar. Como foi essa combinação que vocês fizeram antes de nascer para poder acontecer isso?

R: Nós estamos vivendo algumas vidas juntos há algum tempo. Tivemos e fizemos coisas juntos que nos comprometeram. Por isso, nessa última vez, após o conhecimento que tivemos no mundo espiritual e a orientação que recebemos, combinamos que seria diferente. Mas ela se perdeu. Tá certo, eles me disseram que eu também não colaborei.

Observação: essa resposta corrobora o fato de muitas vezes (mas não sempre) os Espíritos passam várias vidas envolvidos uns com os outros. Algumas vezes, até mesmo numa espécie de círculo sem fim, transformado em perseguição, no qual, muitas vezes, nem sequer se lembram mais o que um fez para o outro e sua própria parcela de culpa nas ações. Concentram-se nos hábitos de vingança, julgando apenas o outro e se vitimizando, sem considerar seus próprios atos. Isso fica evidente em “Tá certo, eles me disseram que eu também não colaborei”, onde “eles” é uma referência aos bons Espíritos que o ajudam nesse processo.

10: Era isso que eu ia te perguntar: você se lembra se alguma coisa anterior fez ela despertar uma raiva de você, algo que você possa ter feito?

R: Eu acredito que sim. Não fui um bom companheiro para ela em uma encarnação anterior.

Observação: ajudar o Espírito a perceber os bons Espíritos ao redor, o bem, fazê-lo se sentir verdadeiramente acolhido e ajudá-lo a lembrar o que ele mesmo possa ter feito ajuda-o a sair desse estado de perseguição, dando lugar ao remorso e ao arrependimento.

11: Entendo, meu amigo. Vocês parece que estão em uma em uma relação de amor e ódio do ponto de vista carnal há muito tempo, né? E eu diria que vocês estão a um passo de transformar isso na verdadeira Felicidade.

R: Pode ser…

12: Você começa a perceber isso?

R: Tenho tentado deixar ela em paz. Tem como me esforçar um pouco mais, até porque esses espíritos que estão aqui me dizem o tempo todo que eu preciso melhorar. Eles já me mostraram as possibilidades que eu teria. Seria  diferente, se minhas atitudes fossem outras. Então eu busco não  ter aquele sentimento de vingança que ainda cresce e insiste dentro de mim.

Observação: essa é a luta de todos nós. Muitas vezes, nos sentimos desmerecidos por termos errado, sem entender que o que vale é o esforço, em o qual não chegaremos à relativa perfeição.

13: Essa semana, quando nós o evocamos e você não quis vir, fizemos uma prece por você. O que você sentiu durante esse momento de prece que fizemos em coletividade aqui? Em algum momento dessa prece você pensou: “sou mais forte e renunciarei a essa vingança”?

R: Eu recebi sua prece. Percebi o amor e a compaixão que vocês têm. Através dessa prece, me senti um pouco mais confortável. Ainda preciso de um pouco de tempo para assimilar.

14: Carlos, você sabia que você se mostrou um espírito um tanto esclarecido, sabia que você poderia ajudar muitos outros espíritos também?

R: É o que todos me dizem aqui.

15. Quer saber que essa capacidade – porque você se expressa muito bem… Você devia tentar ajudar alguém, tenta ajudar algum outro espírito. Você já tentou?

C: Não.

16. Não? Então tenta. E depois a gente vai conversar com você. Você vai dizer o que que você sentiu depois que você ajudou. Ele está bom? Você promete que você vem nos dizer?

R: Eu volto, eu volto.

17. Carlos, eu gostaria de fazer uma pergunta e peço ajuda do espírito amigo nessa resposta. Você disse que antes que os espíritos já falavam com você, já te mostravam certas coisas. Mesmo antes da nossa conversa, qual é a diferença em conversar conosco? Em que isso te ajuda mais, possivelmente, do que os Espíritos ao seu redor?

R:  A diferença é que vocês estão no corpo físico. E vocês vivenciam as mesmas dificuldades que eu. A desistência da vingança… Eles têm um entendimento diferente. Na verdade, me sinto mais próximo a vocês justamente por isso. Então, quando vocês falam vocês estão entendendo a minha dificuldade, porque vocês também têm a mesma dificuldade.

Observação: diria Kardec: “Espíritos mais burgueses (que se nos relevem esta expressão) nos tornam mais palpáveis as circunstâncias da nova existência em que se encontram. Neles, a ligação entre a vida corpórea e a vida espírita é mais íntima, compreendemo-la melhor, porque ela nos toca mais de perto. Aprendendo, pelo que eles nos dizem, em que se tornaram, o que pensam e o que experimentam os homens de todas as condições e de todos os caracteres, assim os de bem como os viciosos, os grandes e os pequenos, os ditosos e os desgraçados do século, numa palavra: os que viveram entre nós, os que vimos e conhecemos, os de quem sabemos a vida real, as virtudes e os erros, bem lhes compreendemos as alegrias e os sofrimentos, a umas e outros nos associamos e destes e daquelas tiramos um ensinamento moral, tanto mais proveitoso, quanto mais estreitas forem as nossas relações com eles. Mais facilmente nos pomos no lugar daquele que foi nosso igual, do que no de outro que apenas divisamos através da miragem de uma glória celestial. Os Espíritos vulgares nos mostram a aplicação prática das grandes e sublimes verdades, cuja teoria os Espíritos superiores nos ministram.” (O Livro dos Médiuns, item 281). Como vemos, o mesmo se dá com a relação deles para conosco. O aprendizado é mútuo.

18: Entendemos.

R: E quando, quando vocês se esforçam, vocês percebem a dificuldade que eu tenho?

19: Entendemos, obrigado pela resposta.

Observação: fraternidade, amigos, eis a palavra. Veja que em momento algum tratamos esse Espírito como algo a ser expurgado, mas como alguém que se deixou levar por falsas ideias, do mesmo jeito que muitas vezes nós mesmos fazemos. Notem que o Espírito busca entendimento, e é por isso que, mais do que palavras, o exemplo deve falar mais alto.

20: Entendemos. E Gostaria de perguntar: Você tem algo a dizer diretamente a M… (a moça perseguida), se for permitido?

R: Eu aguardo a minha modificação. Sinto que isso é possível. Mas não sei ainda quanto tempo vou demorar para entender melhor as coisas que estão acontecendo.

21: Aos pouquinhos, as coisas vão clareando um pouquinho de cada vez.

R: Digam à M… para ela não desistir. Eu também não vou desistir de melhorar aqui.

22: Agradecemos muito sua comunicação e ficamos muito felizes com você.

(Ao Espírito Amigo): Gostaríamos de perguntar ao espírito amigo se seria possível, por mais um pouquinho, falar com o espírito da avó da M…

R: Peço que no momento vocês tenham um descanso para médium. Ela sentiu A tensão do Carlos.

Observação: a médium terminou a comunicação um tanto cansada, mas, como tem nos asseverado, não é nada que persista para depois. As comoções morais do Espírito refletem momentaneamente no seu corpo, mas, tendo consciência de que são questões dele, e não dela, tais comoções não perduram em sua constituição física.


Terceiro Diálogo

1: Nós gostaríamos de receber o Carlos, Espírito amigo  que há algum tempo se une aos nossos propósitos.

R: Eu estou aqui. 

2: Tudo bem, Carlos, como você está? 

R: Melhor. Tive tempo de refletir e pensar a respeito das coisas que vocês falaram. Tenho estado ocupado com os espíritos de luz que são superiores a mim, aprendendo sobre o perdão e isso está me fazendo bem. 

3: A gente fica muito feliz por você, de verdade, e é interessante notar que é perceptível na médium. Você percebe isso também? 

R: Eu percebo que ela está mais leve. Ela não está segurando como fazia outra vez. Ela não contrai o músculo como ela costumava fazer antes.

Observação: a médium estava mais relaxada e não demonstrava mais, nem na fala, nem na expressão, o sarcasmo anteriormente presente. As respostas do Espírito também se tornaram mais completas e profundas, como veremos.

4: Nós gostaríamos de fazer algumas perguntas que a gente tinha para fazer antes de ir até um assunto importante. Tudo bem? 

R: Tudo bem.

5: Obrigada. Carlos, você pode descrever como você fazia as manifestações físicas? 

R: Essa é uma pergunta difícil. Ainda não tenho esse entendimento. Mas por aquilo que percebi, era a minha vontade. Não sei se estava ligada, se essa vontade estava ligada à raiva que eu tinha dentro de mim. Se tinha outra maneira que eu não percebia. Mas era uma união de coisas. Uma união de… Eu vou dizer forças que eu tinha. Os pensamentos ali da M…. Tudo isso se juntava. 

6: Entendo. Uma pergunta. Você falou em raiva. Nós entendemos que a raiva, a tristeza são emoções do corpo. Como você sentia essa raiva? 

R: Era uma compressão. Algo que parecia que me deixava preso. Como se estivesse me apertando. 

7: Você sentia que isso não te fazia bem? 

R: Isso me fazia querer explodir.

8: O que você sentia depois que conseguia movimentar tudo e fazer a manifestação? 

R: Quase uma libertação. Mas, depois, voltava tudo de novo. 

9: Você começou a fazer lá ou fez em outros lugares antes? 

R: Somente lá.

10: Desde a sua última encarnação, desde que você deixou o corpo você ficou ligado a ela? À M…? Ou você esteve em outros lugares ou em outros ambientes? 

R: Eu estive no mundo espiritual à procura dela. Mas por algum motivo eu não a encontrava. 

11: Entendi. Você percebe que se essas manifestações físicas dependiam da presença de alguém? De um médium? 

R: Dependiam sim da M… Era dela que eu colhia o que eu precisava.

Observação: se isso estiver correto, então M… é médium de efeitos físicos e não sabe.

12: Entendemos. Se você quisesse fazer isso para machucar alguém, mesmo ela… Por exemplo, lançar uma panela nela, ou uma faca, você conseguiria? 

R: Conseguiria, mas não foi permitido. 

13: Como a gente conversou a última vez, você conseguiu ajudar alguém, como a gente combinou da última vez? Você teve essa oportunidade? 

R: Eu segui com os irmãos aqui, como eu disse antes, para aprender sobre o perdão. Conversei com alguns espíritos que estavam numa situação parecida com a minha e percebi o quanto eles, perdendo tempo na vingança como eu fazia, deixavam de ver o que eu estava vendo naquele momento. Existe uma luz muito acima de nós. É uma luz que nos atrai, que faz com que desejemos tocá-la, experimentá-la, e esses irmãos que eu fui visitar não conseguiam nem sequer ver os irmãos espirituais que me acompanhavam, e isso chamou minha atenção. Me senti bem, se é isso que você quer saber, em poder escutar deles e tentar fazer com que eles enxergassem o que eu estava enxergando.

14: Certamente você os ajudou. Você contou tudo aquilo que eu ia te perguntar para você. 

R: É minha obrigação, agora é meu dever ajudá-los, assim como vai ser meu dever ajudar a M… Estou me preparando para isso. 

15: Quando você fazia os fenômenos na casa da M… era sempre você só ou tinha mais alguns outros espíritos lhe ajudando naquele fenômeno? 

R: Quando eu podia, eu chamava alguns e isso foi errado. O que eu faço agora é ir até esses espíritos e mostrar para eles que eu estava enganado. Nós temos um auxílio mútuo aqui: nós nos ligamos pelos nossos sentimentos e pelas nossas vontades, então quando nós nos ligamos àqueles que têm o mesmo propósito que nós, nós nos auxiliamos mutuamente e acabamos nos comprometendo até mais do que deveríamos. 

16: E hoje que você já mudou de hábito e de pensamento, esses irmãos ainda continuam nesse estado de pensamento ou você conseguiu mostrar a eles a sua nova realidade? 

R: Infelizmente eles continuam e me sinto responsável por isso. É meu dever agora fazer por eles o que vocês fizeram por mim. 

17: Eu gostaria de saber como você vê o espaço ao seu redor, agora que você não está mais tão ligado a esses propósitos de vingança. 

R: Amigo P…, você não tem ideia da imensidão que é o mundo espiritual. E eu ainda não me habituei em ver tão longe, perceber tantas coisas que me rodeavam e eu não percebia. É uma beleza. Nós não temos palavras. Nós vemos cores. Nós vemos brilhos. Nós vemos rastros luminosos de outros espíritos ainda mais elevados. É inacreditável a grandeza de tudo que nos rodeia. É como quando vemos o oceano pela primeira vez. Acho que até mais. Muito mais. 

18: Aquilo que nós vemos nas nossas imagens astronômicas sobre o espaço sideral, as luzes e tudo mais, chega a ser bonito ou não tem comparação com o que você vê? 

R: Para os olhos de vocês, a imensidão das estrelas, do espaço, é inebriante. Para nós, é muito mais. Porque nós vemos tudo isso e além disso… 

19: Me permita só mais uma pergunta: O que você diria sobre as pessoas que ligam tantos pensamentos a essas ideias materialistas no pós-morte, pensando que terão que ficar enclausuradas em casas, dormindo, comendo? 

R: Pobres criaturas. Elas perdem aquilo que eu perdi. Nós não temos estômago, nós não temos nada disso. Elas vão perder muito tempo. Porque elas trazem pra cá, aquilo que elas estão imaginando ali, e ficarão perdidas nisso até que despertem para a realidade, para aquilo que as espera. E o arrependimento, meu amigo. O arrependimento… Esse leva muito tempo para que a gente possa se desfazer dele. 

20: Carlos, como a gente pode ajudar? Tem alguma coisa que a gente possa fazer pra você? Pelo visto, você está mais tranquilo do que as últimas vezes que nós o chamamos. 

R: Continuem as preces. Não só pra mim. Ofereçam suas orações a todos aqueles que estavam na mesma situação que eu. E a outros. Uma prece geral aos espíritos sofredores alcança seu objetivo. Eu ainda estou próxima à M…. Não vou negar. Mas estou me controlando para não perturbá-la, porque eu sinto que ela está entendendo a necessidade de perdão assim como eu. 

21: Se você quiser deixar algumas palavras finais para nós, mesmo nos olhando de perto, agradecemos. 

R: A vocês, só continuem nesse esforço de trabalho. A M…, que ela possa me perdoar também. E se perdoar mesmo que ela não saiba o que ela fez. Que ela tenha fé e que ela possa seguir na sua vida com cuidado a fim não cometer os erros que ela já acometeu. Que ela ame e que ela tenha respeito por aqueles que ela tem próximos a ela. Que ela não os abandone. Que ela se mantenha firme nesse propósito. 

22: Comunicarei isso a ela. Muito obrigado, viu? 

R: O agradecimento é meu pelo auxílio que vocês me proporcionaram. 

A gratidão que carrego dentro de mim por vocês será sempre um farol para que eu não me perca no que ainda virá para mim. Que Deus os abençoe igualmente.


Os diálogos com esse Espítos nos trouxeram bom aprendizado, além de uma grata oportunidade de sermos úteis, conquistando mais um amigo em nossa jornada. O Espírito em questão, tendo sido evocado em um grupo parceiro, lá não quis se comunicar, mas o Espírito guia desse grupo mencionou que os fenômenos físicos estariam mexendo em panelas e na cama. Até o momento, eu não havia questionado sobre tais detalhes – o que sempre tenho buscado fazer, a fim de me manter isento. Questionando M…, a moça perseguida, sobre o que esse Espírito fazia, ela confirmou que ela ouvia panelas e louças batendo “sozinhas”.

Em nossos primeiros passos, notamos que estamos ainda apenas engatinhando nas evocações, aprendendo, assim, a fazer perguntas mais aprofundadas, no tempo disponível, sem sobrecarregar a médium. Esperamos, em breve, poder contar com mais grupos parceiros.




Contradições dos Espíritos

Lê-se na Revista Espírita de novembro de 1860 (“Relações afetuosas dos Espíritos”):

“Se Georges tivesse sido um desses Espíritos vulgares ou sistemáticos, que externam suas próprias ideias sem se inquietarem com sua exatidão ou sua falsidade, não teríamos dado a menor importância. Em razão de sua sabedoria e de sua profundeza habituais, poder-se-ia supor houvesse algo de verdadeiro no fundo dessa teoria, mas que o pensamento não teria sido expresso completamente. Com efeito, é o que resulta das explicações que pedimos. Temos, pois, uma prova a mais de que nada se deve aceitar sem o haver submetido ao controle da razão; e aqui a razão e os fatos nos dizem que tal teoria não poderia ser absoluta.

[…]

O simples bom-senso nos diz, pois, que a situação de que se falou é relativa e não absoluta; que pode verificar-se para alguns em dadas circunstâncias, mas não poderia ser geral, porque, do contrário, seria o maior obstáculo ao progresso do Espírito e, por isto mesmo, não seria conforme à justiça de Deus, nem à sua bondade. Evidentemente, o Espírito de Georges só encarou uma fase da erraticidade, na qual, para melhor dizer, restringiu a acepção do termo errante a uma certa categoria de Espíritos, em vez de aplicá-la, como nós o fazemos, indistintamente, a todos os Espíritos não encarnados.”

Esta é mais uma lição para os nossos diálogos com os Espíritos. Os mesmos desafios que Kardec enfrentava, nós também os enfrentaremos. A questão é que, baseando-se no que Kardec já estudou, temos um princípio, um ponto de partida, e não ficamos perdidos, sem saber como reagir.

Mais uma vez, o bom senso de Kardec nos chama à razão sobre a necessidade de *NADA* aceitar cegamente, sempre considerando todas as dificuldades nas quais as comunicações espíritas estão envolvidas. Uma vez mais, o retorno ao bom senso kardeciano contrasta gritantemente com o que o Movimento Espírita atual faz e ensina.




O verdadeiro problema do Movimento Espírita

Voltemos ao Movimento Espírita na época de Kardec, conforme a “Estatística do Espiritismo” publicada na Revista Espírita de 1869:

“católicos romanos, livres-pensadores, não ligados ao dogma, 50%; ─ católicos gregos, 15%; ─ judeus, 10%; ─ protestantes liberais, 10%; ─ católicos ligados aos dogmas, 10%; ─ protestantes ortodoxos, 3%; ─ muçulmanos, 2%”.

Desde o princípio, o Movimento Espírita foi heterogêneo quanto à origem religiosa de seus participantes. Isso nunca foi um problema. Ninguém precisa renunciar à sua identidade religiosa para estudar uma ciência. O verdadeiro problema está na perda da unidade do conhecimento dessa ciência.

Com Kardec, o Espiritismo possuía uma definição clara, princípios bem delimitados e uma defesa vigorosa de seu método de observação, comparação e controle das manifestações inteligentes. Após sua morte, a ciência foi distorcida, o método abandonado, e os princípios traídos. No Brasil, particularmente, o nome Espiritismo foi sequestrado para designar uma religião sincrética, marcada por misticismo, fatalismo e idolatria mediúnica — cujo “Vaticano” atende pelo nome de Federação [Não] Espírita Brasileira.

É preciso parar de transferir a culpa. O problema do Movimento Espírita não é, em essência, o catolicismo ou o protestantismo. O desvio central é roustainguista. O dogmatismo religioso, sim, contaminou o Movimento, mas só porque encontrou nele terreno fértil: espíritas que, sem autonomia intelectual, sem estudo rigoroso, sem espírito crítico, deixaram-se levar por autoridades humanas e abandonaram o modelo científico proposto por Kardec.

No passado, isso até poderia ser escusável, já que a Revista Espírita só foi traduzida para o português na década de 1960. Também não havia, como hoje, facilidade de acesso ao conhecimento. Hoje — e já há algum tempo — isso não mais se sustenta. Não há desculpa plausível além da pura falta de vontade de estudar a Doutrina como ela realmente é, oara ficar perdendo tempo com a sistematização de ideias colhidas em ROMANCES (sic!).

Esse é o verdadeiro desvio. Não se trata de fatores externos, mas da covardia doutrinária dos que se dizem espíritas e não ousam estudar, evocar, analisar e confrontar os erros — como Kardec fazia, com coragem e método — como muitos outros também faziam, fossem livres-pensadores, católicos, protestantes, judeus, muçulmanos, etc.




A chave que falta para a ciência compreender vida e morte

A ciência avançou enormemente na descrição dos mecanismos que mantêm um organismo vivo e daqueles que entram em colapso quando ele morre. Entendemos com precisão como as células funcionam, como o DNA coordena a formação de tecidos, como as proteínas regulam os processos bioquímicos, e como a morte leva à degradação dessas estruturas. Mas permanece uma questão essencial que ainda escapa aos modelos puramente materiais:

Por que a matéria se organiza?

Não apenas como ela se organiza, mas por que ela assume uma configuração funcional, integrada, coesa, direcionada? A física e a química descrevem as interações entre moléculas, mas não explicam satisfatoriamente a presença de um princípio ordenador que mantenha essa organização ao longo da vida. Tampouco explicam o porquê dessa organização cessar de maneira tão coordenada com a morte.

Essa é a chave que falta: o princípio inteligente e organizador que atua sobre a matéria. E é precisamente aqui que o Espiritismo, fundado por Allan Kardec, oferece uma contribuição decisiva para o pensamento científico.

Segundo o Espiritismo, o organismo vivo é estruturado por uma tríade: o corpo, o perispírito e o espírito. O perispírito é um envoltório semimaterial que serve de ponte entre o espírito (princípio inteligente) e o corpo (estrutura material). É o perispírito que molda o corpo físico desde a concepção e que o sustenta durante toda a vida, mantendo a coesão funcional e a identidade orgânica.

Com a morte, o espírito se desliga do corpo, cessando essa ação coordenadora. A matéria, então, entra em colapso não por uma “falha” aleatória, mas porque lhe falta o elemento que lhe dava unidade. As reações químicas que antes eram reguladas por um princípio inteligente passam a seguir apenas as leis naturais da degradação.

Essa visão não é metafísica arbitrária. Kardec propôs o Espiritismo como ciência de observação, baseada em fatos, experimentação e raciocínio. A hipótese do perispírito como modelo organizador biológico não exclui as descobertas da biologia; ela as integra numa abordagem mais ampla e coerente.

Negar essa possibilidade não é ser científico, mas ideológico. O verdadeiro espírito científico não teme ampliar seus horizontes quando os dados da realidade assim o exigem. E os fatos, tanto fisiológicos quanto mediúnicos, apontam para algo que vai além da matéria: uma inteligência que atua sobre ela.

Por isso, dizemos com firmeza:

O Espiritismo oferece a chave que falta para completar a compreensão da vida e da morte. Não se opõe à ciência verdadeira; ao contrário, convida-a a evoluir para além do reducionismo materialista.

O corpo morre. Mas a consciência, e o princípio que sustentava a organização desse corpo, seguem vivos. Essa é a chave. Essa é a ciência espiritual inaugurada por Allan Kardec. E é esse o legado que nos cabe estudar, divulgar e honrar com seriedade, profundidade e razão.




O Brasil e a Ilusão da Pátria do Evangelho: A Quimera Roustainguista no Movimento Espírita

Introdução: A promessa frustrada de uma missão espiritual

O Brasil, com sua riqueza natural incomparável e sua posição geoestratégica, tem sido repetidamente apontado como um país do futuro. No entanto, esse “futuro” parece nunca chegar. Em meio a essa expectativa permanente, surgiu uma narrativa peculiar dentro do movimento espírita brasileiro: a ideia de que o Brasil seria a “Pátria do Evangelho”. Essa tese, nunca prevista por Allan Kardec ou pelos Espíritos da Codificação, ganhou força após a publicação do livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, atribuído ao espírito Humberto de Campos e psicografado por Chico Xavier.
Longe de representar uma missão autêntica ou uma promessa divina, essa ideia se transformou numa muleta emocional e ideológica, utilizada por instituições como a FEB para perpetuar sua influência e manter o povo em uma ilusão paralisante.

O desvio doutrinário: quando a FEB se tornou uma trincheira roustainguista

Fundada em 1884, a Federação Espírita Brasileira passou por uma guinada decisiva em 1895, com a ascensão de Bezerra de Menezes à sua presidência. Adepto das ideias de Jean-Baptiste Roustaing, Bezerra promoveu a integração das teses roustainguistas à prática institucional da FEB. Roustaing defendia um Espiritismo místico, fortemente influenciado por interpretações dogmáticas e por ideias como o corpo fluídico de Jesus e a infalibilidade de certos médiuns.
Essas posições contrariavam diretamente a proposta de Kardec, que sempre defendeu o controle universal do ensino dos espíritos, a pluralidade das fontes e a razão como critério de análise. A substituição progressiva do Espiritismo racional, experimental e filosófico por uma versão sentimentalista e dogmática criou uma cisão profunda no movimento.

A mistificação do livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”

Publicado em 1938, esse livro tornou-se um dos pilares da mitologia institucional da FEB. A obra apresenta uma narrativa altamente simbólica, repleta de elementos sobrenaturais e afirmações inverificáveis, que posicionam o Brasil como um instrumento direto da providência divina.
O trecho mais polêmico da obra afirma que Kardec contou com a colaboração de Roustaing como um dos pilares da Codificação. Essa afirmação não apenas é falsa como também ofensiva à memória e ao método kardequiano. Roustaing se colocava em oposição a Kardec, rejeitando o critério de exame racional e substituindo-o por uma crença dogmática e personalista.
A recente remoção silenciosa do nome de Roustaing das apostilas do ESDE, sem qualquer retratação ou nota pública, evidencia o modus operandi da FEB: apagar os rastros de sua orientação doutrinária sem jamais admitir seu erro.

As consequências dessa ilusão para o povo brasileiro

Ao promover a ideia de que o Brasil tem uma missão divina já garantida, cria-se uma cultura de passividade espiritual. O povo brasileiro, já fragilizado por um histórico de desigualdade, corrupção e impunidade, encontra nessa narrativa uma justificativa para a inércia: afinal, se a Providência escolheu o Brasil, tudo dará certo no fim.
A falta de educação moral real, como proposta em O Livro dos Espíritos (questões 614 a 625), somada à ausência de senso crítico e de participação cívica, permite que médiuns fascinados e instituições dogmáticas manipulem milhões. Em vez de promover a emancipação da consciência, como é o verdadeiro objetivo do Espiritismo, essas práticas mantêm os indivíduos infantilizados espiritualmente.

O verdadeiro papel do Brasil à luz do Espiritismo de Kardec

Kardec nunca apontou nações como detentoras de missões exclusivas. Em A Gênese, cap. XVIII, item 27, ele afirma que “os grandes movimentos progressistas se operam geralmente de maneira simultânea em várias partes do globo”. A missão, portanto, é sempre moral, individual e coletiva, nunca nacionalista ou predestinada.
A verdadeira redenção do Brasil não virá por decreto espiritual, mas pelo trabalho dos homens de bem, conforme descrito em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XX, item 5: “Os verdadeiros ‘obreiros do Senhor’ são todos aqueles que se colocam a serviço do bem com dedicação e desinteresse”.
Portanto, o Espiritismo pode sim desempenhar um papel fundamental na reconstrução moral do Brasil, mas apenas se for o Espiritismo de Kardec — não o dogmático, nem o manipulador.

Conclusão: O Brasil ainda pode se redimir — mas com Kardec, e não com ilusões

Se existe uma missão reservada ao Brasil, ela é condicional: depende do despertar da consciência moral, da reforma íntima, da superação do personalismo e do retorno às bases sólidas da Codificação. Nada disso acontecerá com a perpetuação de mitos, mistificações ou livros apócrifos travestidos de doutrina que, infelizmente, estão há tempos injustamente titulados como “espíritas”.
O Espiritismo no Brasil está em um ponto de inflexão. Cabe aos espíritas sérios e comprometidos com a verdade fazerem a distinção entre a Doutrina dos Espíritos e o sistema institucional comprometido com o passado. Somente então o Brasil poderá começar a cumprir, com dignidade e razão, seu verdadeiro papel no futuro espiritual da humanidade.

Por Marcus Vinicius




Linguagem Específica da Ciência Espirita

Você sabia que a maioria dos que se dizem espíritas… não conhecem o Espiritismo? Nem usam a linguagem específica da ciência espiritas para explicar seus fenômenos e seus conceitos.

Ser espírita não é questão de adesão emocional, nem de consumir romances supostamente “espíritas”.
Ser espírita é estudar com seriedade a Ciência Espírita, compreendendo seus fundamentos e colocando em prática seus princípios — como ensinava Allan Kardec.

O Espiritismo é uma doutrina de estudo, razão e observação. Trocar essa ciência por ficção é um enorme mal causado ao Espiritismo. Como é uma Ciência Filosófica ela deve ser estuada com os termos científicos específicos.

Ne época de Kardec, as Ciências Filosóficas faziam parte do ensino.

Quando Allan Kardec lançou sua Primeira Edição da Revista Espírita de 1858, logo a definiu na sua introdução ao justificar seu título Jornal de Estudos Psicológicos. A Ciência Espirita é, segundo seu tempo apresentado no quadro acima: Ciência Moral

Como Ciência, sua linguagem é especifica dos elementos dessa ciência para todos se entenderem. Os termos são extremamente importantes para haver uma comunicação adequada das ideias espiritas. Nós vemos, hoje em dia, uma mistura da ciência totalmente materialista do nosso tempo em que não se considera o estudo das hipóteses Metafísicas, por exemplo. Além disso, misturarem palavras de um em outro. Por causa disso, há uma confusão de conceitos do Materialismo misturado com o estudo dos assuntos do Espirito, que se estuda também metafisicamente.

Daremos alguns exemplos do uso equivocado de termos materialistas que passam despercebidos:

  1. USE PSICOFONIA – NÃO USE INCORPORAÇÃO: nós vemos muitos palestrantes ou mesmo descrições de manifestações em textos dito espíritas que se usa o termo incorporação. Espirito não é matéria para ocupar um lugar físico. Espirito não incorpora nenhum corpo. nem seu próprio espirito incorpora você. O Espirito fala pelo médium através de uma fenômeno chamado PSICOFONIA. O espírito do médium está COM ele e não incorpora seu corpo físico. Esse ponto é bem importante para não criar a falsa ideia de que o médium é possuído por outro espirito, ou que o espírito comunicamente toma o corpo do médium, ou mesmo que o espirito do médium vai para outros lugares enquanto o médium está em psicofonia. Isso não existe na Ciência Espirita!
  2. A AÇÃO DO ESPIRITO É TÃO E SOMENTE PELO SEU PENSAMENTO: espírito não tem corpo material. Segundo os estudos da Ciência Espirita, Deus criou 2 elementos gerais: ESPÍRITO E MATÉRIA. Espirito não tem analogia no nosso mundo material. Períspirito é matéria. O material de que é feito o períspirito é desconhecido para nós, mas mesmo sem conhecermos as características dele, é matéria. Períspirito não faz parte do espirito, assim como períspirito não é espirito. O espirito age através e tão somente pelo pensamento . Como exatamente isso acontece ainda é desconhecida por nós, mas há varias teorias dentro das livros que explicam esse mecanismo (leia A Gênese, cap. XIV – Os Fluidos.)
  3. USE EMANAÇÃO OU PROPAGAÇÃO – NÃO USE ENERGIA: o termo energia é definida na Física como capacidade de um corpo, uma substância ou um sistema físico têm de realizar trabalho. Em termos figurados(não científicos), energia é vigor ou potência moral; filosoficamente falando, segundo Aristóteles, ação de um motor físico ou metafísico (a metafísica, não é considerado ciência nos tempos de hoje) que permite a atualização de uma potencialidade. Veja, todas as definições levam em conta algo físico agindo sobre algo físico. Um dos princípios da Ciência Espirita é de que somos uma alma encarnada. Se somos uma alma, não temos corpo, logo não poderá ser uma energia(algo físico) saindo do espirito ou alma(não físico) e chegando em um corpo(físico). O mais apropriado seria uma emanação ou mesmo propagação .
  4. USE ESPÍRITONÃO USE MENTE: usa-se mente por outras áreas da ciência atual materialista. Alguns confundem mente com cérebro; cérebro é um orgão do corpo, cérebro é matéria. Como a Ciência Materialista não admite o espirito como hipótese, ele atribui ao cérebro o processo de pensar, mas não foi isso que os espíritos explicaram. Segundo a Ciência Espirita, através de sua observação, quem comanda o corpo é o espirito e não o cérebro. O cérebro envia os comandos. O cérebro nasce, vive e morre e o espirito permanece e leva com ele os conhecimentos adquiridos por várias encarnações. Quem tem e leva o conhecimento é o espírito não a mente. Quem pensa é o espirito. Você que entende a doutrina espirita sabe disso e sempre usa Espirito ao invés de Mente, não é?
  5. USE “COMO SE FOSSE UMA VIBRAÇÃO” NÃO USE “VIBRAÇÃO” ISOLADAMENTE AO FALAR DE FENOMENOS ESPÍRITAS: há hipóteses do mecanismo propriamente dito (vide item 2) e tão somente hipóteses. Usar o termo vibração pode levar a crer que o fenômeno espirita é uma onda como estudada na Física Ondulatória, onde apresenta diferentes tipos de ondas e vibrações diferentes, etc.
  6. USE PERISPÍRITO – NÃO USE FANTASMA: quem estuda a Ciência Espirita, sabe que há fenômenos de aparições que remetem a essas figuras que impressionam nosso imaginário. Mas não passam de espíritos e seus fenômenos para muitas vezes brincar ou assustar os encarnados. Espirita ter medo de espirito não existe!
  7. ESTAMOS SEMPRE NO MUNDO ESPIRITUAL: segundo a Ciência Espirita, quando encarnados vivemos em um mundo dual: mundo da matéria e mundo do espirito. Quando morremos, desencarnamos, ou seja, deixamos a matéria, mas CONTINUAMOS NO MUNDO ESPIRITUAL. Não use mais os termos “ele morreu e foi para a pátria espiritual”(Ele já estava no mundo dos espíritos); “agora vai encontrar seus entes que já morreram”(os seus entes queridos nunca estão longe. Lembra que os Espíritos não ficam em nenhum lugar?(vide item 1); “ele nos deixou”, etc
  8. USE CAUSA E EFEITO – NÃO USE LEI DE CAUSA E EFEITO: A causalidade é geralmente considerada um princípio fundamental, e não uma lei específica, no contexto filosófico e científico. Ela descreve a relação de causa e efeito entre eventos, onde um evento (a causa) é entendido como a razão por trás da ocorrência de outro evento (o efeito). A causalidade é um princípio fundamental que ajuda a entender a natureza da relação entre causa e efeito, e é utilizado em diversas áreas, desde a física e as ciências naturais até a filosofia e o direito. Embora a causalidade seja frequentemente referida como “lei da causa e efeito”, ela não é uma lei científica no sentido de uma relação quantitativa e experimentalmente verificável, como as leis da física. Ela é mais um conceito ou princípio que descreve a natureza da relação entre causa e efeito. A causalidade é importante para a compreensão do mundo ao nosso redor, pois permite identificar as causas de fenômenos e prever seus efeitos. Ela é fundamental para a ciência, a tecnologia e a vida cotidiana, pois nos ajuda a entender e interagir com o mundo de forma mais eficiente. Um exemplo: Imagine em uma caçada, um animal é abatido com um tiro e morre. O efeito é a morte. A causa foi o disparo da espingarda. Não foi uma Lei. Na Ciência Espirita, Kardec usou muito desses princípios para explicar os efeitos inteligentes das manifestações espiritas inteligentes. Lá ele explica que para todo efeito inteligente há uma causa inteligente. Há inúmeros relatos nas obras dele.
  9. USE PROVAS E EXPIAÇÕES – NÃO USE KARMA(OU CARMA): Karma e Espiritismo são como água e óleo: não se misturam. Cuidado com as pessoas que pregam a doutrina do karma dentro do meio espírita, pois o entendimento da Doutrina Espírita vai no sentido oposto.(clique no link para ler a explicação completa).
  10. USE ESPIRITO ESTACIONADO – NÃO USE RETROGRADAÇÃO: muitos misturam outras doutrinas reencarnacionistas com a ciência dos espíritos.. Segundo a Ciência Espirita, nós, espíritos, quando estamos mergulhados em imperfeições, como orgulho e egoísmo. Assim ficamos estacionados como em looping e não evoluímos. Mas isso não quer dizer que estamos voltando e vamos reencarnar em animais. Isso só quer dizer que ESTACIONAMOS NO PROCESSO EVOLUTIVO! O espirito de um ser humano nunca perde o conhecimento que teve anteriormente, então ele nunca reencarnará como animal por causa de suas imperfeições. Ele simplesmente não progredirá até se arrepender e retornar sinceramente ao bem.
  11. QUEM REGENERÁ SERÃO OS ESPIRITOS DO PLANETA TERRA – O PLANETA TERRA NÃO REGENERÁ: o Planeta não vai mudar e daí os espíritos vão ter que evoluir. Não existe DATA LIMITE, ANO, SÉCULO nem nada. É o inverso! Os espirito que estão no planeta que vão evoluir. Vai ser simplesmente quando a maioria dos espíritos encarnados estiverem mais evoluídos, não precisando mais de provas e expiações para evoluir. Um dia o Planeta terra se extinguirá como qualquer outro planeta também será. Essa é a ordem do universo material que conhecemos.
  12. USE ESPIRITO PURO – NAO USE ESPIRITO PERFEITO: O ideal de perfeição é Deus, então nunca um espirito vai ser um espirito perfeito. O espirito vai chegar a perfeição relativa ao seu grau evolutivo. Espirito Puro é aquele que não precisa mais reencarnar para evoluir pois já não sofre influencia da matéria. Mesmo sendo puros, eles vão evoluir (Lei do Progresso)
  13. PASSE NÃO É TRANSFERENCIA DE ENERGIA: vide item 3

Se você lembrar de alguma expressão equivoca, só deixar um comentário.




Por que a Educação Precisa Urgentemente da Visão Espírita: O Que a Ciência Espírita Revela Sobre as Crianças

A educação moderna se tornou, em muitos aspectos, um processo mecânico: o objetivo principal parece ser preparar crianças para um mundo competitivo, ensinando conteúdos, habilidades técnicas e regras sociais. No entanto, essa abordagem ignora uma dimensão essencial do ser humano — aquela que transcende a biologia, o ambiente e o presente.

A Doutrina Espírita, fruto do trabalho metódico da Ciência Espírita, revela uma verdade transformadora: a criança não nasce em branco. Ela não é um simples resultado do meio, nem uma folha vazia pronta para ser preenchida por instruções. Cada criança é um Espírito imortal, com um passado, com conquistas, com dificuldades morais e aptidões naturais que já traz consigo antes mesmo de abrir os olhos para o mundo terreno.


🕊 A Criança como Espírito Reencarnado: Uma Nova Perspectiva Educacional

Enquanto a pedagogia materialista foca apenas em fatores hereditários e sociais, o Espiritismo demonstra que há raízes espirituais profundas por trás das tendências de cada criança.

Por que uma criança, mesmo sendo criada em um ambiente amoroso, pode apresentar egoísmo, vaidade, ciúmes, orgulho?
Por que outra, em condições adversas, já demonstra paciência, generosidade, empatia?

A resposta não está apenas no DNA ou no ambiente: está nas experiências passadas do Espírito. Ele reencarna para avançar, para corrigir suas imperfeições, para desenvolver virtudes. E a infância, como a Doutrina Espírita ensina, é uma fase de plasticidade, em que velhas tendências estão amortecidas e o Espírito está mais acessível à orientação moral.


🌱 A Função do Educador: Muito Além de Instruir

Quando a educação se limita a fornecer informações, conteúdos e técnicas, ela forma autômatos preparados para o mercado, mas não para a vida espiritual.

O verdadeiro papel do educador, à luz do Espiritismo, é auxiliar o Espírito em jornada. Isso significa:
✅ Ajudar a criança a reconhecer suas tendências negativas e trabalhar para transformá-las;
✅ Valorizar e canalizar para o bem as aptidões e facilidades que ela já traz de vidas passadas;
✅ Oferecer não apenas instrução intelectual, mas formação moral, que permanece com o Espírito além desta existência.

Como Allan Kardec observa (O Evangelho Segundo o Espiritismo), a educação moral é a chave para o progresso da humanidade. Não basta mudar leis ou estruturas sociais; é preciso transformar os indivíduos, um a um, começando desde cedo.


💡 Sem Espiritualidade, a Educação Empobrece

A ausência dessa perspectiva espiritual na educação gera várias consequências:
🔹 Crianças tratadas como máquinas de aprender, e não como Espíritos em evolução;
🔹 Falta de compreensão sobre desafios emocionais e morais que surgem na infância;
🔹 Um foco excessivo no desempenho acadêmico, deixando de lado o cultivo de virtudes como paciência, empatia, responsabilidade e solidariedade.

A visão espírita não é apenas um “acréscimo religioso” — ela é uma revolução profunda no modo de entender o ser humano e, portanto, no modo de educar.


🌟 Educar para a Eternidade: Uma Missão Urgente

Ao adotar uma educação inspirada nos princípios espíritas, não estamos falando de catequese ou doutrinação religiosa. Estamos falando de:
✨ Ver o ser humano em sua totalidade — corpo, mente e Espírito;
✨ Entender que o maior patrimônio da criança não são suas notas, mas suas conquistas morais;
✨ Ajudar cada pequeno ser a crescer como Espírito livre, consciente, responsável, capaz de amar e de trabalhar pelo bem comum.

A educação verdadeira prepara não apenas para uma profissão, mas para a vida — para esta vida e para todas as que virão.




Queda pelo pecado: a maior mentira já contada à humanidade

A ideia da “queda pelo pecado”, associada ao dogma do inferno eterno, constitui uma das maiores construções mentais de controle, medo e alienação que já se impuseram à humanidade. Sob a ótica do verdadeiro Espiritismo — o que se baseia exclusivamente nas obras de Allan Kardec, estruturado como ciência de observação dos fatos espirituais — essa concepção é desmascarada em suas bases filosóficas, morais e lógicas.


  1. O Dogma da Queda: Um mito de origem baseado na culpa

O mito da “queda” — presente em diferentes tradições religiosas — parte da ideia de que o Espírito foi criado perfeito, mas caiu por desobediência. Isso implica que a dor, o sofrimento e as imperfeições humanas seriam castigos divinos, consequência de uma culpa original.

Kardec rejeita essa ideia de forma contundente. Em O Livro dos Espíritos, especialmente nas questões 115 a 121, ele demonstra que os Espíritos são criados simples e ignorantes, e que a evolução é fruto de um processo progressivo, natural e racional, e não de uma punição. Não há “queda”: há educação e ascensão. A ignorância inicial não é culpa, é ponto de partida.


  1. O Inferno: uma construção moralista baseada no medo

O dogma do inferno eterno é ainda mais cruel. Ele não apenas limita a liberdade de pensar, mas cristaliza o erro e eterniza o sofrimento, negando a justiça e a misericórdia divinas.

Kardec combate essa noção em O Céu e o Inferno, demonstrando que não há penas eternas. A justiça divina é proporcional, educativa e regeneradora. O Espírito sofre, sim, mas sofre em razão de sua própria inferioridade moral, que persiste enquanto ele a mantiver. O sofrimento é passageiro, didático, jamais punitivo eterno.


  1. A falsa espiritualização do castigo: carma, lei de retorno, ação e reação

No Espiritismo verdadeiro, não há lugar para ideias como “carma”, “lei de ação e reação” ou “lei do retorno”, porque tais conceitos implicam uma justiça automática, quase mecânica, que despersonaliza o Espírito e transforma a vida espiritual numa engrenagem de punições e compensações.

Kardec propõe outra lógica: a liberdade moral e o progresso pelo esforço consciente. As consequências dos atos não são castigos impostos de fora, mas resultados naturais que oferecem ao Espírito oportunidade de compreender, crescer e superar suas limitações. Trata-se de uma pedagogia moral, não de uma contabilidade cósmica.


  1. O efeito perverso desses dogmas: reforçar o desvio e impedir a evolução

Quando alguém é ensinado a acreditar que já nasce culpado, que está manchado por um pecado original, ou que sofrerá eternamente por suas falhas, esse indivíduo internaliza o medo e, muitas vezes, a desesperança. Ao invés de estimular a transformação, tais ideias cristalizam o erro. O homem passa a crer que é naturalmente mau, indigno, perdido — e, assim, justifica seus próprios desvios ou se acomoda na inércia.

O Espiritismo propõe o contrário: o Espírito é perfectível. Ele é livre para escolher, aprender, errar, corrigir, amar e evoluir. Não há culpa eterna, mas responsabilidade contínua. Não há inferno, mas estados interiores de sofrimento ou paz, conforme a consciência se ilumina.


  1. Conclusão: o Espiritismo liberta, não condena

A maior libertação que o verdadeiro Espiritismo oferece à humanidade é essa: a destruição dos grilhões da culpa e do medo, substituídos pela luz da razão e da confiança no progresso. Não caímos de um paraíso: estamos subindo, passo a passo, da ignorância à sabedoria, da imperfeição à virtude.

Não somos condenados por existir: fomos criados para evoluir. Esse é o grande legado de Kardec.