Diálogos de Além-Túmulo — Evocação de Ermance Dufaux

Ermance Dufaux de La Jonchère foi uma médium e escritora francesa nascida em Cambrai em 8 de março de 1839 e falecida em Suresnes em 3 de março de 1915, reconhecida como uma das mais relevantes figuras da primeira geração do Espiritismo. Ela manifestou mediunidade precocemente e, como membro-fundadora da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas ao lado de seu pai, colaborou de forma significativa com Allan Kardec na consolidação da doutrina, participando diretamente da revisão de O Livro dos Espíritos e contribuindo com comunicações mediúnicas que resultaram em importantes obras literárias espiritualistas. Sua produção inclui relatos psicográficos atribuídos a espíritos históricos e sua participação ativa nos círculos espíritas de Paris consolidou sua influência no movimento espírita emergente no século XIX.

Por ocasião da reunião do Grupo Mediúnico Semear, nosso grupo, achamos por bem buscar a evocação desse Espírito, na reunião de 02/11/2025. Obtivemos, disso, o seguinte diálogo:

– Evocação.
Ermance: Perguntem.
A: Você é feliz, Ermance?
Ermance: Sim, sou.
A: Você está encarnada ou desencarnada?
Ermance: Desencarnada.
A: Você se percebeu que estava no mundo espiritual imediatamente, assim que deixou o corpo físico?
Ermance: O que chamas de imediatamente?
A: Logo após a sua morte.
Ermance: Já via meu corpo sem força, imóvel. Aprendi que já tinha me desprendido.
A: Quais foram suas primeiras impressões imediatamente após a morte?
Ermance: Já tinha esclarecido o que me ocorria. Posso lhes dizer que não houve sofrimento. Já havia percebido que já me encontrava com o Espírito. Mas agora, sem o meu corpo. Foi só um estágio. Só um período.
M: Quanto tempo durou para você se reconhecer no plano espiritual após a sua morte?
Ermance: Vou fazer uma analogia com o tempo de vocês. Foi rápido. Talvez, alguns dias. Talvez, alguns dias.
M: Poucos, poucos dias. Você foi no seu funeral?
Ermance: Sim.
M: Como você se sentiu lá?
Ermance: Percebi o meu corpo imóvel. Percebi que já não me encontrava mais aqui. Em algum momento, o círculo espectro, porque nos deparamos com o nosso corpo, que foi a nossa morada por um período, que nos serviu de instrumento, mas já tinha consciência de que não me encontrava mais aí.
M: Minha pergunta era justamente isso. Quando você viu o seu funeral, você já tinha reconhecido que não fazia mais parte desse mundo. Então, essa perturbação, você tem certeza de que foram dias?
Ermance: Mesmo quando vemos o nosso corpo imóvel e percebemos que já não fazemos mais parte dele, ainda nos é difícil entendermos que já não estamos mais ali. Que ao falarmos com nossos familiares, nossos amigos, nossos amores, eles não nos respondem. Sempre existe uma perturbação, mesmo que pequena, meu irmão. Mas logo compreendi. Logo compreendi que precisava seguir o meu caminho.
M: Agora uma pergunta mais específica, Ermance: Qual foi o primeiro tema que o Espírito Joana D’arc que te ditou que só vocês sabiam? Só você e Kardec?
Ah, desculpa, Ermance, o Espírito Amigo quer falar alguma coisa, se você puder. Aguardar só um minutinho, Ermance?
Ermance: Pois não.
EA: É preciso vocês lembrarem que o tempo é diferente em ambos os mundos. Quando ela fala em dias, para o Espírito é um piscar de olhos. Para vocês é diferente.
A: Muito obrigada. Ermance, você pode responder à pergunta da Joana D’arc? Qual que ela te ditou, o primeiro tema?
Ermance: Não, não posso.
A: Qual foi o maior erro que você fez durante o exercício da Mediunidade?
Ermance: Deixei-me mistificar por alguns Espíritos.
A: Nessa sua existência como Ermance, qual foi a definição que você dá para essa existência?
Ermance: Fui feliz.
A: E você conseguiu alcançar o objetivo dessa encarnação como Ermance?
Ermance: Na nossa jornada, sempre temos programado tantas coisas. Mas nem sempre conseguimos concluir tudo. Tudo aquilo que foi programado, tudo aquilo que pelo nosso livre-arbítrio escolhemos.
A: Quando você foi Ermance, você já estava programada para ser médium para aquela encarnação? Ermance: Sim.
A: Então você cumpriu uma programação, né?
M: Essa programação que você conseguiu executar te colocou em uma situação melhor no plano espiritual?
Ermance: Sim. Sim, me coloquei sim. Avancei mais um pouco, evoluí mais um pouco. A cada encarnação, mesmo que não tenhamos concluído a nossa proposta, sempre avançamos um pouco mais. Esta me causou um avanço muito grande.
A: Como nós estamos querendo chamar você para poder ajudar mais os nossos médiuns, e outros médiuns que porventura a gente conheça, qual é o maior perigo para um médium? O que você poderia indicar para a gente, para nos ajudar?
Ermance: A fascinação. Ser fascinado por um espírito que dita os seus pensamentos e o médium se torna escravizado por ele, repetindo as suas sintonias, os seus pensamentos. Isso é um grande erro e acaba influenciando outros.
A: Isso não é nada bom.
M: Você habita a Terra ainda ou outro orbe?
Ermance: Não, eu não habito a Terra.
M: Você já reviu suas reencarnações anteriores, Ermance?
Ermance: Sim.
M: Foi imediatamente após a sua morte ou demorou?
Ermance: Levou algum tempo, mas eu as vi.
M: Nessas reencarnações anteriores, você tinha contato direto com o professor Rivail?
Ermance: Sim. Nós nos comunicávamos pelo pensamento na tentativa da organização do que estava por vir.
A: Você se mantém conectada com ele até hoje?
Ermance: Sim.
M: Então você consegue lembrar nitidamente as suas existências anteriores à Ermance, correto?
Ermance: Sim. Nos é passado como filme as nossas encarnações anteriores, os nossos aprendizados.
M: Você lembra dos pormenores dessas reencarnações?
Ermance: Elas nos são passadas como um flash. Não poderia lidar com os pormenores das encarnações.
M: E só mais uma pergunta. Se você consegue lembrar dessas existências anteriores, qual seria o motivo de você não lembrar o que a Joanna D’arc ditou a você quando encarnada como a Ermance?
Ermance: Como eu disse, até as encarnações anteriores não me lembro com detalhes. São passadas como um flash. Vamos adquirindo todo o aprendizado em cada uma delas que nos é concedido como um tesouro. Mas não é fácil lembrar dos detalhes de cada uma delas.
A: Na última reunião mediúnica que nós tivemos, o Espírito comunicante falou por duas médiuns ao mesmo tempo. Como foi isso possível, irmã?
Ermance: Posso assegurar que isso não pode ocorrer exatamente no mesmo momento da reunião entre dois médiuns. Mas o mesmo Espírito pode dar a comunicação a dois médiuns na mesma reunião.
A: O que fez você preferir conversar por essa médium do que pela outra? Nós temos duas médiuns aqui agora.
Ermance: Consigo perceber nesse momento o Espírito que sempre guia as reuniões. Que sempre está presente. É esse que se encontra com a médium.
A: Ermance, eu agradeço muito você ter conversado conosco, a sua disposição. Agradeço muito você ter podido vir aqui e gostaria que você desse uma saudação final e uma instrução para os nossos médiuns. Se você puder, claro.
Ermance: Meus irmãos, continuem o seu trabalho, continuem os estudos, as evocações; e sempre lembrem que cada médium, cada aparelho tem a sua limitação. Dentro das suas limitações, como o irmão falou, a boa vontade, a solicitude. Nunca se esqueçam disso. Sempre há aprendizado em cada uma das comunicações. Agradeço a oportunidade de aqui me encontrar e me despeço de vocês.
A: Que Deus te acompanhe, Ermance… Muito obrigada.

O diálogo apresenta conformidades, mas também incongruências com o que aprendemos com a Doutrina Espírita. Dois pontos mais incongruentes nos chamaram a atenção: ela não se lembrar daquilo que foi publicado no livro sobre Joanna D’arc, e ela dizer que os Espíritos não conseguem se comunicar por dois médiuns simultaneamente, o que é demonstrado como possível na obra de Kardec (O Livro dos Médiuns, item 282, sub-item 29).

Isso nos levantou dúvidas de ser realmente o Espírito de Dufaux quem se apresentou. Aqui, enfrentamos aquele dilema: não tendo outros grupos parceiros aptos a realizarem tais pesquisas, fazendo as mesmas evocações ou perguntas pertinentes, ficamos, de certa forma, de mãos atadas, deixando essa comunicação no rol da incerteza, aguardando o dia em que pudermos ver constituído um grupo de colaboração para isso.




Análise de Comunicação Mediúnica – A Metodologia Espírita: Fé, Provas e o Estudo em Grupo

Hoje trouxemos mais uma análise de comunicação mediúnica. O foco sempre é destacar as características lógicas das mensagens através do corpo da mensagem, análises ponto a ponto, e conclusões.

No mês de novembro de 2025, em uma de nossas reuniões mediúnicas, um dos médiuns recebeu a seguinte comunicação psicográfica espontânea de um Espírito:

Houve um tempo em que a necessidade das provas era necessária. Hoje, de acordo com a evolução dos habitantes do mundo, ela é ainda mais necessária, visto que a humanidade está cada vez mais imbuída de más intenções, visando o egoísmo e o ganho pessoal acima do coletivo. Estudos estão sendo feitos sobre médiuns e mediunidade. Os pesquisadores, no entanto, focados em cartas consoladoras, esquecem o básico da doutrina. Ou esquecem ou desconhecem.

Quando buscam por cartas consoladoras com o intuito da comprovação, o mundo espiritual, muitas vezes, se cala. A pesquisa carece de um ponto essencial: a fé. Também carece do entendimento do mundo espiritual.

Se fossemos enumerar, aqui, esses pontos, teríamos que ditar a codificação desde o seu princípio.

Ainda na época de Kardec, tentaram os mesmos experimentos. De lá, para cá, nada mudou nas Leis de Deus, nem na conduta dos Espíritos.

Mas não se preocupem. A hora das provas concretas está próxima e até os incrédulos tremerão.

Já dissemos: se for preciso, voltaremos a bater nas mesas.

Os médiuns são falhos. As Leis de Deus, não.

O estudo desses cientistas deveria ser feito em um grupo mediúnico. Só assim, poderiam entender o funcionamento básico dos fenômenos. Isolar médiuns para evocar espíritos não é um estudo correto. Analisar, no entanto, médiuns em transe nos grupos, poderia dar a eles material para abrirem as pesquisas.

Mas somos apenas mensageiros. Nossas palavras nem sempre são bem entendidas.

Desejamos, e faremos a nossa parte para que eles cheguem às suas melhores conclusões, sem retirar da humanidade a fé do amanhã, pelo contrário, informar aos incrédulos sobre a certeza que obterão de nosso mundo. (( entendemos que esta parte da mensagem seja melhor entendida desta forma: “Desejamos informar aos incrédulos sobre a certeza que obterão de nosso mundo. E faremos a nossa parte para que eles cheguem às suas melhores conclusões, sem retirar a fé do amanhã da humanidade” ))

Um Espirito – nov 2025

Esta comunicação tem a característica da firmeza doutrinária, lógica rigorosa e foco na utilidade moral. Aferiremos se as asserções do Espírito são coerentes com o ensinamento geral. Assim como se ela promove o progresso e o bem, em vez do sensacionalismo ou da especulação.

A mensagem pode ser classificada como profundamente instrutiva e em total conformidade com a moral dos Espíritos Superiores. Ela serve como um guia prático e uma severa advertência aos pesquisadores e médiuns.

Aqui está a análise ponto a ponto:

1. Sobre a Condição da Humanidade e a Necessidade das Provas

A avaliação da Humanidade — que está cada vez mais imbuída de más intenções, visando o egoísmo e o ganho pessoal acima do coletivo” — é uma constatação que reflete a realidade do nosso planeta de expiações e provas. O egoísmo e o orgulho são as verdadeiras chagas da Humanidade. O Espiritismo tem como meta essencial justamente o aperfeiçoamento moral do ser humano.

A declaração de que a necessidade das provas é ainda maior é lógica, pois as manifestações espíritas têm um fim providencial: convencer os incrédulos da sobrevivência da alma.

O aviso de que a “hora das provas concretas está próxima” e que “se for preciso, voltaremos a bater nas mesas”. está em sintonia com a lei do progresso. Os Espíritos iniciaram as suas manifestações com os efeitos físicos (as pancadas — tiptologia), que serviram como o vestíbulo da Ciência para despertar a atenção. Kardec observou que os Espíritos conduzem o ensino de modo gradativo e prudente. A retomada dos fenômenos físicos seria um meio poderoso para a implantação universal da doutrina na nova fase. Isto chocaria aqueles que ainda precisam de evidências materiais. ((https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/889/viagem-espirita-em-1862/1983/discursos-pronunciados-nas-reunioes-gerais-dos-espiritas-de-lyon-e-bordeaux ))

A afirmação de que “nada mudou nas Leis de Deus, nem na conduta dos Espíritos” é perfeitamente exata, pois as leis divinas são imutáveis. (( O Céu e o Inferno – Primeira Parte: Doutrina – Capítulo VIII. As penas futuras segundo o espiritismo – 14°. Diante dessa lei cai igualmente a objeção tirada da presciência divina. Deus, criando uma alma, sabe efetivamente se, em virtude de seu livre-arbítrio, ela tomará o bom ou o mau caminho; sabe que ela será punida se agir mal; mas sabe também que esse castigo temporário é um meio de fazê-la compreender seu erro e de fazê-la adentrar no bom caminho, a que chegará cedo ou tarde. Segundo a doutrina das penas eternas, Deus sabe que a alma falhará e está de antemão condenada a torturas sem fim. A razão diz também de qual lado está a verdadeira justiça de Deus. ))

2. Sobre a Metodologia de Pesquisa, a Fé e o Silêncio Espiritual

A crítica aos pesquisadores que “focados em cartas consoladoras, esquecem o básico da doutrina” e agem com a “curiosidade” é um ponto essencial reiterado nas obras espíritas.

Necessidade de Fé e Estudo: O ensino afirma corretamente que a pesquisa carece de e de entendimento do mundo espiritual. Kardec sempre sublinhou que a fé inabalável é aquela que pode encarar frente a frente a razão. O estudo sério e perseverante é a primeira condição para conhecer o Espiritismo. (( https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/2/o-livro-dos-espiritos/47/introducao-ao-estudo-da-doutrina-espirita/xvii ))

O Silêncio Espiritual: O fato de que “o mundo espiritual, muitas vezes, se cala” quando a busca é pela comprovação (por interesse ou curiosidade) é uma verdade constante. Os Espíritos Superiores não gostam dos curiosos. Eles não se prestam a experiências frívolas, ociosas ou para dar espetáculo, e se recusam a auxiliar qualquer tipo de cupidez ou egoísmo.

A mensagem está correta ao sugerir “ditar a codificação desde o seu princípio” para esclarecer esses pontos. isto demonstraria que, sem a base filosófica (Deus, alma, imortalidade), o estudo da manifestação é inútil. (( Livro dos Médiuns capítulo III – Do método https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/884/o-livro-dos-mediuns-ou-guia-dos-mediuns-e-dos-evocadores/1009/primeira-parte-nocoes-preliminares/capitulo-iii-do-metodo/18)))

3. Sobre a Falibilidade do Médium e a Importância do Grupo

A comunicação fornece instruções práticas vitais sobre a prática mediúnica:

A Falibilidade: A distinção “Os médiuns são falhos. As Leis de Deus, não” é fundamental. A faculdade mediúnica é orgânica e independe do moral do médium. Contudo, a aplicação e a qualidade das comunicações dependem das qualidades do médium.

O Escolho do Isolamento: A crítica de que “Isolar médiuns para evocar espíritos não é um estudo correto” é uma máxima de segurança. O isolamento do médium é um dos maiores escolhos da mediunidade. Aquele que trabalha sozinho se torna facilmente presa de Espíritos mentirosos e hipócritas que o dominam. (( Livro dos Médiuns – Segunda Parte – Capítulo Das manifestações espíritas Capítulo XXIII — Da obsessão – Causas da obsessão – 248. Acontece muito frequentemente que um médium só se pode comunicar com um único Espírito, que a ele se liga e responde pelos que são chamados por seu intermédio. Nem sempre há nisso uma obsessão, porquanto o fato pode derivar da falta de maleabilidade do médium, de uma afinidade especial sua com tal ou tal Espírito. Somente há obsessão propriamente dita, quando o Espírito se impõe e afasta intencionalmente os outros, o que jamais é obra de um Espírito bom. Geralmente, o Espírito que se apodera do médium, tendo em vista dominá-lo, não suporta o exame crítico das suas comunicações; quando vê que não são aceitas, que as discutem, não se retira, mas inspira ao médium o pensamento de se insular, chegando mesmo, não raro, a ordenara-lo. Todo médium, que se melindra com a crítica das comunicações que obtém, faz-se eco do Espírito que o domina, Espírito esse que não pode ser bom, desde que lhe inspira um pensamento ilógico, qual o de se recusar ao exame. O insulamento do médium é sempre coisa deplorável para ele, porque fica sem uma verificação das comunicações que recebe. Não somente deve buscar a opinião de terceiros para esclarecer-se, como também necessário lhe é estudar todos os gêneros de comunicações, a fim de as comparar. Restringindo-se às que lhe são transmitidas, expõe-se a se iludir sobre o valor destas, sem considerar que não lhe é dado tudo saber e que elas giram quase sempre dentro do mesmo círculo.))

A Força do Grupo: O conselho de que o estudo “deveria ser feito em um grupo mediúnico” é a única forma de evitar a obsessão. O grupo sério fornece o controle, a análise e o exame crítico das comunicações por pessoas desinteressadas e benevolentes, o que desmascara os Espíritos enganadores. (( O Livro dos Médiuns ou Guia dos médiuns e dos evocadores. Segunda parte — Das manifestações espíritas. Capítulo XXIX — Das reuniões e das sociedades espíritas. Das reuniões em geral. 329.As reuniões de estudo são, além disso, de imensa utilidade para os médiuns de manifestações inteligentes, para aqueles, sobretudo, que seriamente desejam aperfeiçoar-se e que a elas não comparecerem dominados por tola presunção de infalibilidade. Constituem um dos grandes tropeços da mediunidade, como já tivemos ocasião de dizer, a obsessão e a fascinação. Eles, pois, podem iludir-se de muito boa-fé, com relação ao mérito do que alcançam e facilmente se concebe que os Espíritos enganadores têm o caminho aberto, quando apenas lidam com um cego. Por essa razão é que afastam o seu médium de toda fiscalização; que chegam mesmo, se for preciso, a fazê-lo tomar aversão a quem quer que o possa esclarecer. Graças ao insulamento e à fascinação, conseguem sem dificuldade levá-lo a aceitar tudo o que eles queiram. Nunca será demais repetir: aí se encontra não somente um tropeço, mas um perigo; sim, verdadeiro perigo, dizemos. O único meio, para o médium, de escapar-lhe é a análise praticada por pessoas desinteressadas e benevolentes que, apreciando com sangue frio e imparcialidade as comunicações, lhe abram os olhos e o façam perceber o que, por si mesmo, ele não possa ver. Ora, todo médium que teme esse juízo já está no caminho da obsessão; aquele que acredita ter sido a luz feita exclusivamente em seu proveito está completamente subjugado. Se toma a mal as observações, se as repele, se se irrita ao ouvi-las, dúvida não cabe sobre a natureza má do Espírito que o assiste. Temos dito que um médium pode carecer dos conhecimentos necessários para perceber os erros; que pode deixar-se iludir por palavras retumbantes e por uma linguagem pretensiosa, ser seduzido por sofismas, tudo na maior boa-fé. Por isso é que em falta de luzes próprias, deve ele modestamente recorrer à dos outros, de acordo com estes dois adágios: quatro olhos veem mais do que dois e — ninguém é bom juiz em causa própria. Desse ponto de vista é que são de grande utilidade para o médium as reuniões, desde que se mostre bastante sensato para ouvir as opiniões que se lhe deem, porque ali se encontrarão pessoas mais esclarecidas do que ele e que apanharão os matizes, muitas vezes delicados, por onde trai o Espírito a sua inferioridade. Todo médium, que sinceramente deseje não ser joguete da mentira, deve, portanto, procurar produzir em reuniões serias, levando-lhes o que obtenha em particular, aceitar agradecido, solicitar mesmo o exame crítico das comunicações que receba. Se estiver às voltas com Espíritos enganadores, esse o meio mais seguro de se desembaraçar deles, provando-lhes que não o podem enganar. Aliás, ao médium, que se irrita com a crítica, tanto menos razão assiste para semelhante irritação, quanto o seu amor-próprio nada tem que ver com o caso, pois que não é seu o que lhe sai da boca, ou do lápis, e que mais responsável não é por isso, do que o seria se lesse os versos de um mau poeta. Insistimos nesse ponto, porque, assim como esse é um escolho para os médiuns, também o é para as reuniões, nas quais importa não se confie levianamente em todos os intérpretes dos Espíritos. O concurso de qualquer médium obsidiado, ou fascinado, lhes seria mais nocivo do que útil; não devem elas, pois, aceitá-lo. Julgamos já ter expendido observações suficientes, de modo a lhes tornar impossível equivocarem-se acerca dos caracteres da obsessão, se o médium não a puder reconhecer por si mesmo. Um dos mais evidentes é, da parte deste, a pretensão de ter sempre razão contra toda gente. Os médiuns obsidiados, que se recusam a reconhecer que o são, se assemelham a esses doentes que se iludem sobre a própria enfermidade e se perdem, por se não submeterem a um regime salutar. ))

Análise em Transe: A sugestão de “analisar, no entanto, médiuns em transe nos grupos” é uma metodologia válida. O estado de sonambulismo ou êxtase permite que o Espírito do médium se manifeste mais livremente, revelando manifestações mais elevadas e profundas.

4. Sobre a Identidade e a Missão

A ausência de um nome específico do Espírito, apresentando-se apenas como “somos apenas mensageiros”, seria visto como um sinal de seriedade e humildade, típicos de Espíritos que se importam com a ideia e não com o homem. Pela análise, podemos afirmar que é o mesmo espirito que se comunicou anteriormente na nesta mensagem aqui

O Foco na Mensagem: A prioridade de “informar aos incrédulos sobre a certeza que obterão de nosso mundo” é a finalidade máxima e essencial da Doutrina Espírita. ((https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/885/o-que-e-o-espiritismo/1320/capitulo-ii-nocoes-elementares-de-espiritismo/fim-providencial-das-manifestacoes-espiritas))

Veredito Final de nossa análise:




Análise de Comunicação Mediúnica: Dose de Ânimo – Espírito Amigo

Fazer a análise das comunicações mediúnicas recebidas é tão importante quanto recebê-las e aplicá-las. O estudo comparativo entre elas e a Doutrina Espírita faz com que as validemos ou não. Além disso, nos ajuda a entender melhor o mundo que nos cerca.

Em uma de nossas conversas com os Espíritos no mês de setembro de 2025, recebemos a seguinte comunicação de um dos Espíritos Amigos que nos auxiliam:

Pergunta: Sobre esses esforços, às vezes parece que não encontram muitas pessoas dispostas por aí. Gostaria de uma avaliação nesse sentido de como estão.

Resposta: A calma e a resistência. Para Kardec também não foi fácil. Com todas as distorções que agora se encontram nesse mundo. Com o materialismo ainda mais pungente do que era na época de Kardec.

As pessoas, aos poucos, com a nossa intervenção, e podem ter certeza que estamos trabalhando com relação a isso, sentirão a nossa presença. Nem que para isso tenhamos que começar da mesma forma que foi no século de Kardec. Batendo, chamando.

Temos essa necessidade urgente de recomeço. E vocês serão procurados por muitos que sofrem por não entenderem aquilo que nós queremos transmitir.

Preparem-se para essa leva de pessoas que receberão nossos estímulos de todas as formas. Porque vocês serão aqueles que abrirão as portas ao recomeço. Não se assustem com a responsabilidade. Apenas façam aquilo que vocês sabem que devem fazer. Vejam que há muitas pessoas concordando com aquilo que vocês escrevem, com aquilo que vocês falam. Esses abrirão outras portas e receberão a mesma responsabilidade.

Não há um só ser, uma só consciência, que não será questionada. Eu não queria usar a palavra perturbada, mas ela significa algo que vocês entenderão. Não existe uma só consciência que não será perturbada pelo mundo que aqui se encontra, esse mundo espiritual.

Nós estamos coordenando vários grupos. Existem outros acima de mim, moralmente superiores, que nos enviam essas mensagens e nos fazem agir para que o mundo desperte — pelo menos uma grande quantidade de pessoas desperte para essa verdade absoluta que é o mundo espiritual.

E saiam do misticismo, das incoerências, das falsas verdades que se arraigaram nessa literatura vasta que vocês têm nas estantes, nas livrarias, que chamam por títulos mirabolantes, que pensam que falam do mundo espiritual. Não percam o caminho que se abriu diante de vocês. 

Desejo que todos sejam a luz de Deus. Aquilo que digo desde sempre, comunico com vocês. Propaguem essa luz. Sejam, sim, a luz de Deus. Porque aqui todos nós somos a luz de Deus.

— Espírito Amigo

Todos: Muito obrigado. Que boa dose de ânimo.

A mensagem deste Espírito Amigo apresenta diversos pontos que encontram ressonância e elucidação nas obras de Allan Kardec, especialmente no que tange à natureza da comunicação espiritual, a propagação do Espiritismo e a responsabilidade dos encarnados nesse processo.

Vamos analisar a mensagem deste Espírito ponto a ponto, à luz dos ensinamentos da Doutrina Espirita:

1. “As pessoas, aos poucos, com a nossa intervenção, e podem ter certeza que estamos trabalhando com relação a isso, sentirão a nossa presença.”

  • Esta afirmação está plenamente alinhada com o que Kardec e os Espíritos Superiores ensinam. Os Espíritos agem incessantemente sobre nós, muitas vezes sem o nosso conhecimento, quer sejamos espíritas ou médiuns. Eles formam uma população inquieta que pensa e age sem cessar, influenciando-nos para o bem ou para o mal. O Espiritismo revela esse mundo invisível e sua ação sobre o mundo visível. Os Espíritos Superiores têm uma missão de presidir à regeneração da Humanidade e dirigem os trabalhos, mesmo sem estarem encarnados. Portanto, a ideia de que os Espíritos trabalham ativamente para tornar sua presença sentida é um pilar da doutrina.

2. “Nem que para isso tenhamos que começar da mesma forma que foi no século de Kardec. Batendo, chamando. Temos essa necessidade urgente de recomeço.”

  • Aqui, o Espirito se refere às manifestações físicas ostensivas, como os fenômenos de mesas girantes e ruídos, que foram os primórdios do Espiritismo. Kardec reconhece que essas manifestações, embora superficiais, tiveram sua utilidade. Elas serviram como um “vestíbulo da ciência”, um meio inicial para convencer as pessoas da existência dos Espíritos. O próprio Kardec menciona que “quem faz dançarem os macacos pelas ruas? Serão os homens superiores?” questionando a origem de tais manifestações mais simples, mas admitindo que “têm sua utilidade, porque talvez mais que qualquer outra podem servir para convencer os homens de hoje”. Os Espíritos instrutores, entretanto, logo direcionaram o foco para a filosofia e a moral, indicando que a força do Espiritismo reside na razão e no bom senso, não apenas nos fenômenos materiais. Assim, a “necessidade urgente de recomeço” através de fenômenos físicos pode ser vista como uma estratégia para chamar a atenção dos incrédulos, um passo inicial para despertar a curiosidade e, em seguida, conduzir ao estudo sério da doutrina.

3. “E vocês serão procurados por muitos que sofrem por não entenderem aquilo que nós queremos transmitir. Preparem-se para essa leva de pessoas que receberão nossos estímulos de todas as formas. Porque vocês serão aqueles que abrirão as portas ao recomeço.”

  • Essa previsão do Espírito está muito de acordo com os propósitos do Espiritismo e a experiência relatada por Kardec. A doutrina visa consolar os que sofrem, levantar a coragem dos abatidos e arrancar o homem de suas paixões e do desespero. O Espiritismo, por sua lógica e capacidade de explicar o que outras filosofias não conseguem, atrai aqueles que buscam a verdade e a consolação. Os médiuns, ao serem intérpretes dos Espíritos, cumprem a missão de instruir os homens e conduzi-los à fé. A propagação do Espiritismo muitas vezes ocorre porque ele “dá o que não dão as outras filosofias”. A mensagem também reflete a ideia de que os adeptos, uma vez esclarecidos, têm a missão de espalhar a luz ao seu redor, sem impor, mas sim oferecendo explicações aos que as buscam de boa-fé.

4. “Não se assustem com a responsabilidade. Apenas façam aquilo que vocês sabem que devem fazer. Vejam que há muitas pessoas concordando com aquilo que vocês escrevem, com aquilo que vocês falam. Esses abrirão outras portas e receberão a mesma responsabilidade.”

  • A responsabilidade é um tema recorrente na doutrina espírita. Os médiuns, sendo favorecidos com a faculdade mediúnica, são lembrados de que serão “severamente punidos” se a desviarem de seu objetivo moral. A propagação das ideias espíritas implica o “dever de prática” e de honrar a doutrina pelas obras. A concordância de ideias e o testemunho público são sinais de que a doutrina está tocando corações e mentes, validando o trabalho dos médiuns. A multiplicação de grupos e a adesão de pessoas que leram e compreenderam são vitais para a propagação, e esses novos adeptos também assumem a responsabilidade de espalhar a luz, como “apóstolos”.

5. “Não há um só ser, uma só consciência, que não será questionada. Eu não queria usar a palavra perturbada, mas ela significa algo que vocês entenderão. Não existe uma só consciência que não será perturbada pelo mundo que aqui se encontra, esse mundo espiritual.”

  • Esta observação do Espírito Comunicante é profundamente condizente com a visão espírita da interação constante entre os dois mundos. O “mundo espiritual” que nos cerca, invisível, exerce uma ação contínua sobre nós, moral e fisicamente. Os Espíritos não são passivos; eles pensam e agem incessantemente, influenciando-nos. Essa influência, mesmo dos bons Espíritos, é um estímulo à nossa consciência, levando-nos a refletir e a progredir. A “perturbação” pode ser interpretada não como algo necessariamente negativo (como uma obsessão), mas como um despertar da consciência para a realidade espiritual, que desafia as ideias materialistas e as certezas antigas. O Espiritismo é justamente essa luz que aclara os recônditos da sociedade e perturba as trevas da incredulidade. É um “facho de luz” que dissipa o materialismo.

6. “Nós estamos coordenando vários grupos. Existem outros acima de mim, moralmente superiores, que nos enviam essas mensagens e nos fazem agir para que o mundo desperte. Pelo menos uma grande quantidade de pessoas desperte para essa verdade absoluta que é o mundo espiritual.”

  • Esta parte da mensagem reforça a estrutura hierárquica e organizada do mundo espiritual, tal como descrito por Kardec. Os Espíritos ensinam que há uma diversidade de conhecimentos e qualidades morais entre eles. Existem Espíritos de diferentes ordens, desde os “simples, ignorantes que são” até os “superiores”, que podem dar instruções. O “Espírito de Verdade” é um dos guias principais, e há grandes Espíritos que receberam missão de presidir à regeneração da Humanidade. A coordenação de grupos e a recepção de mensagens de Espíritos moralmente superiores são características do trabalho sério no Espiritismo. O objetivo final é o aperfeiçoamento do homem moral e a destruição do materialismo, levando a Humanidade a reconhecer a verdade absoluta que é o mundo espiritual. A multiplicação dos grupos e a propagação da doutrina são meios para atingir esse despertar global.

7. “E saiam do misticismo, das incoerências, das falsas verdades que se arraigaram nessa literatura vasta que vocês têm nas estantes, das livrarias, que chamam por títulos mirabolantes, que pensam que falam do mundo espiritual.”

  • Crítica ao misticismo e às falsas verdades: Kardec sempre enfatizou que o Espiritismo não é uma crença cega, mas uma doutrina que apela à razão e ao bom senso. Ele adverte contra a prática do Espiritismo que se desvia de seu objetivo moral, caindo na curiosidade estéril. A doutrina fala uma linguagem clara, sem ambiguidades e sem misticismo ou alegorias suscetíveis a falsas interpretações, pois “chegados são os tempos de fazer-se que os homens conheçam a verdade”.
  •     Incoerências e contradições: os próprios Espíritos instrutores, citados por Kardec, alertam que se encontrará contraditores encarniçados e mesmo Espíritos que procuram semear a dúvida por malícia ou ignorância. Há Espíritos com ideias limitadas e outros que julgam saber tudo e tudo querem explicar à sua maneira, gerando opiniões dissidentes. Por isso, o Espiritismo ensina que as comunicações devem ser submetidas ao crivo da lógica e da razão, e que não se deve aceitar cegamente tudo o que vem dos Espíritos, pois eles dizem o que sabem e nem sempre possuem a verdade absoluta. Kardec, ao codificar, baseou-se na concordância universal dos ensinamentos dos Espíritos, obtida através de múltiplos médiuns em diversas regiões ao mesmo tempo, como a única garantia séria contra as contradições e sistemas parciais.
  •     “Literatura vasta que vocês têm nas estantes, das livrarias, que chamam por títulos mirabolantes”: Isso reflete a preocupação com a proliferação de obras que, embora se apresentem como espíritas, podem conter extravagâncias ou serem fruto de obsessão, prestando-se ao ridículo e dando armas aos inimigos da causa. Kardec alertava para o perigo de divulgar levianamente comunicações apócrifas ou que, por sua inferioridade, não contribuem para o esclarecimento. O verdadeiro saber e a verdadeira virtude não podem ser imitados pela ignorância e pelo vício.

8. “Não percam o caminho que se abriu diante a vocês.”

  •     O “caminho” do Espiritismo: Para Kardec, o Espiritismo é um caminho de esclarecimento e progresso moral, com a missão de combater a incredulidade e suas funestas consequências, fornecendo provas patentes da existência da alma e da vida futura. Ele se apresenta como um poderoso auxiliar, confirmando suas verdades fundamentais e explicando o que o Cristo não pôde dizer em seu tempo porque a Humanidade não estava madura para compreender.
  •     Perder o caminho: Implicaria desviar-se dos princípios da verdadeira caridade e do desinteresse pessoal, ou da busca pelo aprimoramento moral. Os médiuns, por exemplo, são advertidos de que, se desviarem a mediunidade de seu objetivo moral, serão severamente punidos. A ênfase é em tornar-se melhor, pois o único meio de avançar é o de tornar-se melhor.

9. “Desejo que todos sejam a luz de Deus. Aquilo que digo desde sempre, comunico com vocês. Propaguem essa luz. Sejam, sim, a luz de Deus. Porque aqui todos nós somos a luz de Deus.”

  •     Ser e propagar a “luz de Deus”: Esta é a missão fundamental dos espíritas e da própria doutrina. Os Espíritos Superiores são os ministros de Deus e agentes de Sua vontade, com a missão de instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da humanidade. Os adeptos são chamados para pregar a palavra divina. Eles devem regar com seu suor o terreno onde semeiam, pois a doutrina só frutificará sob os esforços incessantes.
  •     “Todos nós somos a luz de Deus”: Essa afirmação sublinha a visão espírita de que todos os homens são médiuns em potencial, possuindo um Espírito familiar que os dirige para o bem, mesmo que não o percebam conscientemente. A elevação moral e intelectual é o destino de todos os Espíritos, e o conhecimento espírita é um meio de nos aproximar da Divindade. A doutrina busca despertar nos homens o amor ao bem pela prática dos preceitos de Jesus. A fé raciocinada que o Espiritismo proporciona multiplica o número dos chamados.. O progresso da Humanidade depende da compreensão e aplicação dessa luz, transformando a sociedade.



Ensinamentos de Além-Túmulo – A Generosidade

Pergunta 1 – Eu queria saber se o espírito de XXX se encontra nesse ambiente. Existiria uma possibilidade de o evocar?

Resposta 1– Existe, mas… Vocês perceberam que todos que vocês chamaram anteriormente, vieram todos ao contrário? Percebam: há muito mais para se aprender do que aquilo que vocês imaginam. Vocês lembram do pedreiro? Vocês aprenderam muito com ele.

Nós entendemos a vontade de vocês de confirmar identidades e retomar diálogos com espíritos amigos, queridos, que já atravessaram o limiar entre a vida e o mundo espiritual. Mas há uma imensidão de outros tantos que necessitam de uma comunicação, que necessitam de palavras amigas, que necessitam de orientação. E nós aqui, por mais que façamos, não os atingimos da mesma forma.

Com essa Evocação foi assim. A aproximação com vocês ofereceu a ele a oportunidade de se desvencilhar dos vícios que ele tinha. Sejam generosos com aqueles que procuram por vocês, porque o espaço está aberto.

Não quero dizer com isso que vocês não possam conversar com seus entes queridos. Mas recebam sempre aqueles que chegam como se também fossem entes queridos. O amor é uma dádiva e a caridade que fazemos com aqueles que se aproximam passa mais na construção de um mundo melhor.

Porque eles são o futuro da nova humanidade que está surgindo. Porque eles retornarão à vida corporal. E se eles não tiverem a oportunidade de saírem dos vícios morais em que se encontram, retornarão ao corpo físico, trazendo toda essa bagagem e dificultando ainda mais o novo porvir.

OBSERVAÇÕES: A mensagem é de suma importância, pois toca em pontos nevrálgicos da economia espiritual e da nossa própria missão na Terra. Havíamos acabado de tentar duas evocações diretas e, para as duas, quem se apresentou foi outro Espírito, no lugar de quem chamávamos. Nossa atitude, ao perceber a impostura, foi de acolher brevemente, sem rispidez, mas solicitando que eles aguardassem uma nova oportunidade, quase dizendo “obrigado, próximo”, perdendo de vista a oportunidade de aprendizado em vistas, talvez por um certo medo do que acontecia. Honestamente, nos sentimos envergonhados, depois da lição que ora abordamos.

O desejo de “confirmar identidades e retomar diálogos com espíritos amigos, queridos, que já atravessaram o limiar entre a vida e o mundo espiritual” e a possibilidade de comunicação com aqueles que nos precederam na grande jornada é, sem dúvida, uma consolação, que nos proporciona o meio de nos entretermos com nossos parentes e amigos desencarnados, aprendendo e ensinando. Essa comunicação nos auxilia com seus conselhos, testemunha seu afeto e a alegria que sentem por serem lembrados. É uma satisfação saber que estão felizes e, por seu intermédio, aprender os detalhes de sua nova existência, adquirindo a certeza de que um dia nos juntaremos a eles. A morte, como nos é revelado, não é uma destruição absoluta, mas uma passagem, uma transformação sem solução de continuidade, e as relações de afeição estabelecidas na Terra continuam.

Contudo, a observação de que “há uma imensidão de outros tantos que necessitam de uma comunicação, que necessitam de palavras amigas, que necessitam de orientação” aponta para uma verdade mais vasta, que transcende o âmbito das afeições pessoais. Os Espíritos que nos cercam são inumeráveis, e muitos deles, “frequentemente os mais simples”, anseiam por se comunicar. A mediunidade não é um dom exclusivo para o médium, mas para o “bem geral”. Ao seu redor, há uma “multidão de irmãos, pouco adiantados ou em sofrimento” que podem ser atraídos pelos seus pensamentos e por suas preces, levando à fé e à esperança. É por isso que, ao não evocar ninguém em particular, corre-se o risco de abrir a porta a Espíritos inferiores. Sua compaixão e sua prece podem ser um alento para os Espíritos esquecidos ou sofredores, revertendo-se em seu benefício.

O caso mencionado da evocação precedente que “a aproximação com vocês ofereceu a ele a oportunidade de se desvencilhar dos vícios que ele tinha”, ilustra perfeitamente a missão moral do Espiritismo, bem como a obrigação moral dos verdadeiros espíritas. Os Espíritos nos revelam que a vida corporal é uma escola, uma série de provas e expiações, e que o sofrimento, quando bem suportado, serve para nossa depuração e elevação. Espíritos ainda imperfeitos podem permanecer em estados de perturbação e sofrimento, revendo constantemente seus erros. A caridade, a oração e a compaixão daqueles que ficam na Terra podem, de fato, aliviar essas penas e auxiliar o Espírito a reconhecer seus erros e a se arrepender, abrindo caminho para o progresso. O arrependimento sincero, a reparação das faltas e a prática do bem são os únicos meios de abreviar os sofrimentos.

Quando o Espirito diz “Sejam generosos com aqueles que procuram por vocês, porque o espaço está aberto”, está reafirmando o princípio da caridade universal. A caridade não se limita à esmola; ela abrange a tolerância, a benevolência e o amor ao próximo. Os bons Espíritos são atraídos por corações puros e elevados, e por um desejo sincero de instruir-se. É a caridade que permite o intercâmbio fraterno entre os mundos, uma “alavanca poderosa que põe em comunicação os espíritos de todos os mundos”.

É certo que não se deve recusar a “conversar com seus entes queridos”. Isso seria negar uma das mais doces consolações que a Providência nos concede. No entanto, a Doutrina nos impele a uma visão mais ampla. A recomendação de “recebam sempre aqueles que chegam como se também fossem entes queridos” é uma aplicação prática da caridade e do amor universal. “O amor é uma dádiva e a caridade que fazemos com aqueles que se aproximam passa mais na construção de um mundo melhor”. O verdadeiro espírita, como o verdadeiro cristão, busca ativamente o bem e a caridade, sem interesses. É por meio da prática do bem e da caridade que os laços se fortalecem, tanto entre vós quanto entre vós e o mundo espiritual.

A parte mais premente da mensagem reside na afirmação: “Porque eles são o futuro da nova humanidade que está surgindo. Porque eles retornarão à vida corporal. E se eles não tiverem a oportunidade de saírem dos vícios morais em que se encontram, retornarão ao corpo físico, trazendo toda essa bagagem e dificultando ainda mais o novo porvir”. Isso ressalta a importância da reencarnação como lei de progresso. A pluralidade das existências é necessária para que o Espírito possa depurar-se e adquirir novos conhecimentos e qualidades, até atingir a perfeição. Aqueles que partem da Terra em estado de imperfeição e vícios, se não se esforçarem para a reforma moral no mundo espiritual, retornarão à vida corporal com a mesma bagagem, e o Espiritismo nos mostra que as condições de uma nova existência dependem de si mesmos. Se não aproveitam o período de erraticidade para progredir, ou se escolhem provas que não condizem com seu adiantamento, podem dificultar seu próprio progresso. Deus, em sua infinita justiça e bondade, concede ao homem os meios de reparar suas faltas, e a reencarnação é um desses meios. As nossas ações em auxiliar esses Espíritos necessitados contribui diretamente para a “regeneração da Humanidade”, pois eles são os futuros obreiros da Terra. A nossa tarefa é de diminuir o número de nossos irmãos ignorantes, a fim de que o Livro dos Espíritos possa ser compreendido por todos.

Pergunta 2– Só um aspecto, se me permitir perguntar:  e o fator evocação que tanto Kardec falou que era importante fazer? E se nós evocamos e vem outro espírito?

Resposta 2 – Vocês podem evocar. Eu não disse que não podem. Mas quando acontece que um outro espírito se aproximar no lugar daqueles que vocês estão chamando, façam o seu melhor. Os que vão virão. Podem ficar tranquilos.

Nós procuramos deixar o espaço livre pela escolha de cada um. A frustração de vocês é fruto dos sentimentos que vocês possuem, um pouco do orgulho ferido por não serem atendidos. E é um trabalho de longo prazo.

Vocês podem, se quiserem, fazer essa divisão de um tempo a cada um (entre evocações diretas e atendimento a comunicações espontâneas), mas nada garante que ela se concretize. Tenham em mente que a liberdade aqui é respeitada. Cada um de vocês tem um aprendizado, tem uma sequência de vida e cada um de vocês tem um sentimento a ser trabalhado.

Foquem nisso e tenham fé. A espiritualidade não determina, não impõe de cima para baixo. Não forçamos ninguém a fazer tal ou qual coisa.

Entendemos sim a frustração de vocês. Às vezes é necessário que haja algum desconforto, mas é um trabalho interno, pessoal de cada um. Não desejamos que as comunicações sejam interrompidas.

Também não desejamos que vocês desistam de falar com as pessoas, com os espíritos de seus entes queridos. Persistam. Tenham fé.

OBSERVAÇÕES: A mensagem mostra verdades profundas que a Doutrina Espírita nos tem desvelado.

“Vocês podem evocar. Eu não disse que não podem. Mas quando acontece que um outro espírito se aproximar no lugar daqueles que vocês estão chamando, façam o seu melhor. Os que vão virão. Podem ficar tranquilos”, toca num ponto essencial da prática mediúnica. De fato, a possibilidade de comunicação com os Espíritos é uma consolação, que nos permite conversar com nossos entes queridos que já deixaram a Terra, auxiliando-nos com seus conselhos e testemunhando-nos seu afeto. É útil e mesmo necessário evocar Espíritos determinados. Contudo, a experiência nos mostra que, ao nosso redor, há sempre uma “imensa maioria” de Espíritos, ansiosos por se comunicar. Se não evocar ninguém em particular, abrirá a porta a todos que queiram entrar. E mesmo ao evocar, um Espírito diferente do chamado pode apresentar-se. Nestes casos, a paciência e o discernimento são nossos melhores guias. Os Espíritos que realmente têm algo de sério e útil a dizer virão, mas não estão às nossas ordens. A nossa boa intenção e a seriedade do propósito atraem os bons Espíritos.

“A frustração de vocês é fruto dos sentimentos que vocês possuem, um pouco do orgulho ferido por não serem atendidos. E é um trabalho de longo prazo”. Observamos que essa é uma lição fundamental. A Doutrina nos ensina que o Espiritismo tem como objetivo principal o “melhoramento moral da humanidade”. O orgulho e o egoísmo são vícios radicais que persistem e que os Espíritos buscam combater. A persistência em obter fenômenos específicos ou a vaidade podem levar a mistificações. É preciso ter em mente que o progresso espiritual é um trabalho contínuo, de “longo prazo”, que exige paciência e perseverança.

Quando ele diz: “Vocês podem, se quiserem, fazer essa divisão de um tempo a cada um, mas nada garante que ela se concretize. Tenham em mente que a liberdade aqui é respeitada. Cada um de vocês tem um aprendizado, tem uma sequência de vida e cada um de vocês tem um sentimento a ser trabalhado”, reforça um dos pilares de nossa fé: o livre-arbítrio e a não-imposição. Os Espíritos não se impõem; eles dão conselhos e, se não são atendidos, retiram-se. O Espírito encarnado precisa exercitar suas próprias forças e adquirir experiência para progredir, e a ação dos Espíritos protetores é regulada para não tolher o livre-arbítrio. A divisão do tempo para comunicações ou a escolha de provas pertence ao plano individual de cada Espírito, seja encarnado ou desencarnado, visando seu próprio aperfeiçoamento.

A observação de que “a espiritualidade não determina, não impõe de cima para baixo. Não forçamos ninguém a fazer tal ou qual coisa” é a confirmação do que acima dissemos. Os bons Espíritos são atraídos pela pureza de coração e pelo desejo sincero de instrução, e não por ordens ou rituais sem sentido. As verdades morais são oferecidas para que cada um as tome e as aplique, se quiser, em seu próprio progresso.

Por fim, ao afirmar “Entendemos sim a frustração de vocês. Às vezes é necessário que haja algum desconforto, mas é um trabalho interno, pessoal de cada um. Não desejamos que as comunicações sejam interrompidas. Também não desejamos que vocês desistam de falar com as pessoas, com os espíritos de seus entes queridos. Persistam. Tenham fé”, revela a compaixão e a sabedoria que permeiam o mundo espiritual. As aflições e o “desconforto” são, muitas vezes, provas necessárias para o nosso adiantamento, e a maneira como as suportamos com resignação contribui para o nosso progresso. É um trabalho do Espírito, que cada um deve empreender. A perda de entes queridos, embora dolorosa, é suavizada pela certeza da continuidade da vida e pela possibilidade de comunicação, que é uma suprema consolação. Nossos guias espirituais, como anjos guardiões, estão sempre conosco, oferecendo seu amparo e conselho, mesmo que não os percebamos diretamente. A persistência na fé e na prática do bem é o que nos fortalece e nos permite avançar no caminho da felicidade eterna.

Sigamos aguardando a chegada de novos grupos parceiros, para se juntar a nós na pesquisa, retomando o método científico necessário para o desenvolvimento do Espiritismo.




Diálogos de Além-Túmulo: da vingança à fraternidade

Através de um contato via TikTok, uma moça, residente em Portugal, pediu ajuda para seu caso. Dizia ela estar sofrendo com agitações em seu lar, com manifestações físicas, deixando-a atormentada. Sem colher maiores detalhes sobre o caso, resolvemos questionar ao Espírito Amigo, o Espírito que se apresentou como guia de nosso grupo, que nos recomendou o diálogo direto com o Espírito em questão:

Primeiro diálogo

1. Evocação

R: Aqui estou.

2. Olá amigo, seja muito bem-vindo entre nós. Nós primeiro gostaríamos de saber como podemos chamá-lo?

R: Vocês querem perguntar, então perguntem.

3. Tudo bem, nós vamos perguntar. Nós gostaríamos de entender qual é a sua motivação em estar ali e se é você que está provocando as manifestações físicas.

R: Provoquei sim.

4. Qual é o motivo?

R: A cobrança. Eu quero que ela se lembre do que ela fez.

5. O que ela te fez foi nesta vida presente, dela? Ou em outra encarnação?

R: Em uma outra.

6. Não queremos te julgar, não sabemos o que faríamos na sua posição. Gostaríamos de entender o que aconteceu.

R: Ela me maltratou. Ela sabia que eu tinha dificuldade. Mesmo assim, ela me maltratou.

7. Que posição vocês ocupavam? Em questão social, você era subalterno a ela?

R: Eu era filho. Ela nunca me tratou com amor.

8. Isso deve ter te provocado muita dificuldade durante a vida.

R: Muita surra. Muita humilhação.

9. Você se lembra se dessa encarnação anterior, você, como espírito, havia escolhido esse ambiente por algum motivo?

R: Era para termos uma vida equilibrada.

10. Você se lembra se você na vida anterior a essa vida, você já tinha conexão com ela?

R: Sim. Sempre tivemos problemas. Ela prometeu que dessa vez ela iria me amar. Eu sei que a situação não era boa, mas eu não tinha culpa nas escolhas que ela tinha feito. Eu só precisava nascer e a única responsabilidade dela era me amar, para que eu pudesse entender um pouco mais sobre o amor. Ela se omitiu. Se omitiu.. e só me trouxe sofrimento.

11. Tem outro espírito relacionado a essa história, agindo ali no local, não tem?

R: Tem.

12. Você sabe quem ele é?

R: Eu só sei que ele não é bom. Não.

13. Você não o conhece?

R: Não.

14. Por que você diz que ele não é bom?

R: Porque eu fujo dele.

15. Entendo. Será que ele tem boas intenções? E você não entendeu isso direito?

R: Eu não sei.

16. Eu quero que nos perdoe por qualquer pergunta mal direcionada. […] Você percebe que ela sofre hoje possivelmente por conta dessas escolhas que ela fez por essas tendências.

R: Eu percebo o sofrimento. Mas ela merece.

17. Ela sofre as consequências do que ela escolheu. Mas você se sente feliz estando ainda ao redor dela?

R: Eu só queria que ela me amasse. Mas se ela sofre de certa forma, eu sou feliz.

18. De que maneira você ficar fazendo essas demonstrações de manifestação na casa dela, você vai fazer ela sofrer? De que forma?

R: Não dando paz. Não dando sossego.

19. Existe uma grande diferença entre felicidade e alegria […] Você concorda com isso?

R: Não sei, acho que preciso pensar.

20. Essa realização está no princípio que o Espiritismo nos ensina […] Você consegue perceber esses espíritos?

R: É, eles estão aqui, sim. Dá pra ver. Eu tenho que pensar em tudo isso.

21. Esperamos que você se sinta bem entre nós […] quem sabe ajudando?

R: Acho que entendo um pouco do que você fala. Pode me chamar de Carlos.

22. Obrigado, Carlos. A intuição nunca nos falta, se eu falo bem, é por conta dos bons espíritos que estão conosco. Nunca se esqueça deles.

R: Eu vou pensar melhor em tudo o que você me falou.

23. E a gente espera que em próximas ocasiões possamos dialogar um pouco mais com você.

R: Espero que a gente possa se encontrar de novo, sim. Para poder conversar melhor.


Segundo diálogo

1. (Ao Espírito Amigo) Gostaria muito de saber, se for possível, gostaríamos de voltar a conversar com o Carlos, o espírito estava em participação ali com a M…

R: Carlos. Ele está aqui  presente.

2. Carlos, nosso amigo, queremos te receber de braços abertos novamente. E gostaríamos de saber como você está depois da nossa última conversa.

R: Um pouco mais esclarecido. Mas não estou cem por cento convencido.

4: Faz parte. O M… tentou chamá-lo no grupo dele. Você não quis ou você não pôde se comunicar lá?

R: Eu não quis.

5: Por qual motivo?

R: Eu ia escutar as mesmas coisas que vocês me falaram.

Observação: nesse diálogo, o Espírito ainda se expressava com desprezo e sarcasmo. Ainda assim, respondemos com bom-humor, fazendo-o sentir à vontade e mais próximo a nós.

6: Entendi, tudo bem. Nós entendemos essa  dificuldade. A gente mesmo, no dia a dia, é muito difícil de se convencer de que realmente a gente precisa perdoar uma determinada pessoa, deixar passar uma determinada coisa, né? Você gostaria de falar mais alguma coisa a respeito do que se passa ali, como a M…?

R: Se ela quer realmente o meu perdão, ela que ore por mim.

7: Ela disse estar orando, você percebeu?

R: Percebi.

8: Você ainda guarda um rancor?

R: É difícil esquecer certas coisas.

9: Justamente sobre isso que você está falando agora, de esquecer certas coisas. Como foi você na última vez? Você estava aqui, você falou que você precisava nascer e a única responsabilidade dela era te amar. Como foi essa combinação que vocês fizeram antes de nascer para poder acontecer isso?

R: Nós estamos vivendo algumas vidas juntos há algum tempo. Tivemos e fizemos coisas juntos que nos comprometeram. Por isso, nessa última vez, após o conhecimento que tivemos no mundo espiritual e a orientação que recebemos, combinamos que seria diferente. Mas ela se perdeu. Tá certo, eles me disseram que eu também não colaborei.

Observação: essa resposta corrobora o fato de muitas vezes (mas não sempre) os Espíritos passam várias vidas envolvidos uns com os outros. Algumas vezes, até mesmo numa espécie de círculo sem fim, transformado em perseguição, no qual, muitas vezes, nem sequer se lembram mais o que um fez para o outro e sua própria parcela de culpa nas ações. Concentram-se nos hábitos de vingança, julgando apenas o outro e se vitimizando, sem considerar seus próprios atos. Isso fica evidente em “Tá certo, eles me disseram que eu também não colaborei”, onde “eles” é uma referência aos bons Espíritos que o ajudam nesse processo.

10: Era isso que eu ia te perguntar: você se lembra se alguma coisa anterior fez ela despertar uma raiva de você, algo que você possa ter feito?

R: Eu acredito que sim. Não fui um bom companheiro para ela em uma encarnação anterior.

Observação: ajudar o Espírito a perceber os bons Espíritos ao redor, o bem, fazê-lo se sentir verdadeiramente acolhido e ajudá-lo a lembrar o que ele mesmo possa ter feito ajuda-o a sair desse estado de perseguição, dando lugar ao remorso e ao arrependimento.

11: Entendo, meu amigo. Vocês parece que estão em uma em uma relação de amor e ódio do ponto de vista carnal há muito tempo, né? E eu diria que vocês estão a um passo de transformar isso na verdadeira Felicidade.

R: Pode ser…

12: Você começa a perceber isso?

R: Tenho tentado deixar ela em paz. Tem como me esforçar um pouco mais, até porque esses espíritos que estão aqui me dizem o tempo todo que eu preciso melhorar. Eles já me mostraram as possibilidades que eu teria. Seria  diferente, se minhas atitudes fossem outras. Então eu busco não  ter aquele sentimento de vingança que ainda cresce e insiste dentro de mim.

Observação: essa é a luta de todos nós. Muitas vezes, nos sentimos desmerecidos por termos errado, sem entender que o que vale é o esforço, em o qual não chegaremos à relativa perfeição.

13: Essa semana, quando nós o evocamos e você não quis vir, fizemos uma prece por você. O que você sentiu durante esse momento de prece que fizemos em coletividade aqui? Em algum momento dessa prece você pensou: “sou mais forte e renunciarei a essa vingança”?

R: Eu recebi sua prece. Percebi o amor e a compaixão que vocês têm. Através dessa prece, me senti um pouco mais confortável. Ainda preciso de um pouco de tempo para assimilar.

14: Carlos, você sabia que você se mostrou um espírito um tanto esclarecido, sabia que você poderia ajudar muitos outros espíritos também?

R: É o que todos me dizem aqui.

15. Quer saber que essa capacidade – porque você se expressa muito bem… Você devia tentar ajudar alguém, tenta ajudar algum outro espírito. Você já tentou?

C: Não.

16. Não? Então tenta. E depois a gente vai conversar com você. Você vai dizer o que que você sentiu depois que você ajudou. Ele está bom? Você promete que você vem nos dizer?

R: Eu volto, eu volto.

17. Carlos, eu gostaria de fazer uma pergunta e peço ajuda do espírito amigo nessa resposta. Você disse que antes que os espíritos já falavam com você, já te mostravam certas coisas. Mesmo antes da nossa conversa, qual é a diferença em conversar conosco? Em que isso te ajuda mais, possivelmente, do que os Espíritos ao seu redor?

R:  A diferença é que vocês estão no corpo físico. E vocês vivenciam as mesmas dificuldades que eu. A desistência da vingança… Eles têm um entendimento diferente. Na verdade, me sinto mais próximo a vocês justamente por isso. Então, quando vocês falam vocês estão entendendo a minha dificuldade, porque vocês também têm a mesma dificuldade.

Observação: diria Kardec: “Espíritos mais burgueses (que se nos relevem esta expressão) nos tornam mais palpáveis as circunstâncias da nova existência em que se encontram. Neles, a ligação entre a vida corpórea e a vida espírita é mais íntima, compreendemo-la melhor, porque ela nos toca mais de perto. Aprendendo, pelo que eles nos dizem, em que se tornaram, o que pensam e o que experimentam os homens de todas as condições e de todos os caracteres, assim os de bem como os viciosos, os grandes e os pequenos, os ditosos e os desgraçados do século, numa palavra: os que viveram entre nós, os que vimos e conhecemos, os de quem sabemos a vida real, as virtudes e os erros, bem lhes compreendemos as alegrias e os sofrimentos, a umas e outros nos associamos e destes e daquelas tiramos um ensinamento moral, tanto mais proveitoso, quanto mais estreitas forem as nossas relações com eles. Mais facilmente nos pomos no lugar daquele que foi nosso igual, do que no de outro que apenas divisamos através da miragem de uma glória celestial. Os Espíritos vulgares nos mostram a aplicação prática das grandes e sublimes verdades, cuja teoria os Espíritos superiores nos ministram.” (O Livro dos Médiuns, item 281). Como vemos, o mesmo se dá com a relação deles para conosco. O aprendizado é mútuo.

18: Entendemos.

R: E quando, quando vocês se esforçam, vocês percebem a dificuldade que eu tenho?

19: Entendemos, obrigado pela resposta.

Observação: fraternidade, amigos, eis a palavra. Veja que em momento algum tratamos esse Espírito como algo a ser expurgado, mas como alguém que se deixou levar por falsas ideias, do mesmo jeito que muitas vezes nós mesmos fazemos. Notem que o Espírito busca entendimento, e é por isso que, mais do que palavras, o exemplo deve falar mais alto.

20: Entendemos. E Gostaria de perguntar: Você tem algo a dizer diretamente a M… (a moça perseguida), se for permitido?

R: Eu aguardo a minha modificação. Sinto que isso é possível. Mas não sei ainda quanto tempo vou demorar para entender melhor as coisas que estão acontecendo.

21: Aos pouquinhos, as coisas vão clareando um pouquinho de cada vez.

R: Digam à M… para ela não desistir. Eu também não vou desistir de melhorar aqui.

22: Agradecemos muito sua comunicação e ficamos muito felizes com você.

(Ao Espírito Amigo): Gostaríamos de perguntar ao espírito amigo se seria possível, por mais um pouquinho, falar com o espírito da avó da M…

R: Peço que no momento vocês tenham um descanso para médium. Ela sentiu A tensão do Carlos.

Observação: a médium terminou a comunicação um tanto cansada, mas, como tem nos asseverado, não é nada que persista para depois. As comoções morais do Espírito refletem momentaneamente no seu corpo, mas, tendo consciência de que são questões dele, e não dela, tais comoções não perduram em sua constituição física.


Terceiro Diálogo

1: Nós gostaríamos de receber o Carlos, Espírito amigo  que há algum tempo se une aos nossos propósitos.

R: Eu estou aqui. 

2: Tudo bem, Carlos, como você está? 

R: Melhor. Tive tempo de refletir e pensar a respeito das coisas que vocês falaram. Tenho estado ocupado com os espíritos de luz que são superiores a mim, aprendendo sobre o perdão e isso está me fazendo bem. 

3: A gente fica muito feliz por você, de verdade, e é interessante notar que é perceptível na médium. Você percebe isso também? 

R: Eu percebo que ela está mais leve. Ela não está segurando como fazia outra vez. Ela não contrai o músculo como ela costumava fazer antes.

Observação: a médium estava mais relaxada e não demonstrava mais, nem na fala, nem na expressão, o sarcasmo anteriormente presente. As respostas do Espírito também se tornaram mais completas e profundas, como veremos.

4: Nós gostaríamos de fazer algumas perguntas que a gente tinha para fazer antes de ir até um assunto importante. Tudo bem? 

R: Tudo bem.

5: Obrigada. Carlos, você pode descrever como você fazia as manifestações físicas? 

R: Essa é uma pergunta difícil. Ainda não tenho esse entendimento. Mas por aquilo que percebi, era a minha vontade. Não sei se estava ligada, se essa vontade estava ligada à raiva que eu tinha dentro de mim. Se tinha outra maneira que eu não percebia. Mas era uma união de coisas. Uma união de… Eu vou dizer forças que eu tinha. Os pensamentos ali da M…. Tudo isso se juntava. 

6: Entendo. Uma pergunta. Você falou em raiva. Nós entendemos que a raiva, a tristeza são emoções do corpo. Como você sentia essa raiva? 

R: Era uma compressão. Algo que parecia que me deixava preso. Como se estivesse me apertando. 

7: Você sentia que isso não te fazia bem? 

R: Isso me fazia querer explodir.

8: O que você sentia depois que conseguia movimentar tudo e fazer a manifestação? 

R: Quase uma libertação. Mas, depois, voltava tudo de novo. 

9: Você começou a fazer lá ou fez em outros lugares antes? 

R: Somente lá.

10: Desde a sua última encarnação, desde que você deixou o corpo você ficou ligado a ela? À M…? Ou você esteve em outros lugares ou em outros ambientes? 

R: Eu estive no mundo espiritual à procura dela. Mas por algum motivo eu não a encontrava. 

11: Entendi. Você percebe que se essas manifestações físicas dependiam da presença de alguém? De um médium? 

R: Dependiam sim da M… Era dela que eu colhia o que eu precisava.

Observação: se isso estiver correto, então M… é médium de efeitos físicos e não sabe.

12: Entendemos. Se você quisesse fazer isso para machucar alguém, mesmo ela… Por exemplo, lançar uma panela nela, ou uma faca, você conseguiria? 

R: Conseguiria, mas não foi permitido. 

13: Como a gente conversou a última vez, você conseguiu ajudar alguém, como a gente combinou da última vez? Você teve essa oportunidade? 

R: Eu segui com os irmãos aqui, como eu disse antes, para aprender sobre o perdão. Conversei com alguns espíritos que estavam numa situação parecida com a minha e percebi o quanto eles, perdendo tempo na vingança como eu fazia, deixavam de ver o que eu estava vendo naquele momento. Existe uma luz muito acima de nós. É uma luz que nos atrai, que faz com que desejemos tocá-la, experimentá-la, e esses irmãos que eu fui visitar não conseguiam nem sequer ver os irmãos espirituais que me acompanhavam, e isso chamou minha atenção. Me senti bem, se é isso que você quer saber, em poder escutar deles e tentar fazer com que eles enxergassem o que eu estava enxergando.

14: Certamente você os ajudou. Você contou tudo aquilo que eu ia te perguntar para você. 

R: É minha obrigação, agora é meu dever ajudá-los, assim como vai ser meu dever ajudar a M… Estou me preparando para isso. 

15: Quando você fazia os fenômenos na casa da M… era sempre você só ou tinha mais alguns outros espíritos lhe ajudando naquele fenômeno? 

R: Quando eu podia, eu chamava alguns e isso foi errado. O que eu faço agora é ir até esses espíritos e mostrar para eles que eu estava enganado. Nós temos um auxílio mútuo aqui: nós nos ligamos pelos nossos sentimentos e pelas nossas vontades, então quando nós nos ligamos àqueles que têm o mesmo propósito que nós, nós nos auxiliamos mutuamente e acabamos nos comprometendo até mais do que deveríamos. 

16: E hoje que você já mudou de hábito e de pensamento, esses irmãos ainda continuam nesse estado de pensamento ou você conseguiu mostrar a eles a sua nova realidade? 

R: Infelizmente eles continuam e me sinto responsável por isso. É meu dever agora fazer por eles o que vocês fizeram por mim. 

17: Eu gostaria de saber como você vê o espaço ao seu redor, agora que você não está mais tão ligado a esses propósitos de vingança. 

R: Amigo P…, você não tem ideia da imensidão que é o mundo espiritual. E eu ainda não me habituei em ver tão longe, perceber tantas coisas que me rodeavam e eu não percebia. É uma beleza. Nós não temos palavras. Nós vemos cores. Nós vemos brilhos. Nós vemos rastros luminosos de outros espíritos ainda mais elevados. É inacreditável a grandeza de tudo que nos rodeia. É como quando vemos o oceano pela primeira vez. Acho que até mais. Muito mais. 

18: Aquilo que nós vemos nas nossas imagens astronômicas sobre o espaço sideral, as luzes e tudo mais, chega a ser bonito ou não tem comparação com o que você vê? 

R: Para os olhos de vocês, a imensidão das estrelas, do espaço, é inebriante. Para nós, é muito mais. Porque nós vemos tudo isso e além disso… 

19: Me permita só mais uma pergunta: O que você diria sobre as pessoas que ligam tantos pensamentos a essas ideias materialistas no pós-morte, pensando que terão que ficar enclausuradas em casas, dormindo, comendo? 

R: Pobres criaturas. Elas perdem aquilo que eu perdi. Nós não temos estômago, nós não temos nada disso. Elas vão perder muito tempo. Porque elas trazem pra cá, aquilo que elas estão imaginando ali, e ficarão perdidas nisso até que despertem para a realidade, para aquilo que as espera. E o arrependimento, meu amigo. O arrependimento… Esse leva muito tempo para que a gente possa se desfazer dele. 

20: Carlos, como a gente pode ajudar? Tem alguma coisa que a gente possa fazer pra você? Pelo visto, você está mais tranquilo do que as últimas vezes que nós o chamamos. 

R: Continuem as preces. Não só pra mim. Ofereçam suas orações a todos aqueles que estavam na mesma situação que eu. E a outros. Uma prece geral aos espíritos sofredores alcança seu objetivo. Eu ainda estou próxima à M…. Não vou negar. Mas estou me controlando para não perturbá-la, porque eu sinto que ela está entendendo a necessidade de perdão assim como eu. 

21: Se você quiser deixar algumas palavras finais para nós, mesmo nos olhando de perto, agradecemos. 

R: A vocês, só continuem nesse esforço de trabalho. A M…, que ela possa me perdoar também. E se perdoar mesmo que ela não saiba o que ela fez. Que ela tenha fé e que ela possa seguir na sua vida com cuidado a fim não cometer os erros que ela já acometeu. Que ela ame e que ela tenha respeito por aqueles que ela tem próximos a ela. Que ela não os abandone. Que ela se mantenha firme nesse propósito. 

22: Comunicarei isso a ela. Muito obrigado, viu? 

R: O agradecimento é meu pelo auxílio que vocês me proporcionaram. 

A gratidão que carrego dentro de mim por vocês será sempre um farol para que eu não me perca no que ainda virá para mim. Que Deus os abençoe igualmente.


Os diálogos com esse Espítos nos trouxeram bom aprendizado, além de uma grata oportunidade de sermos úteis, conquistando mais um amigo em nossa jornada. O Espírito em questão, tendo sido evocado em um grupo parceiro, lá não quis se comunicar, mas o Espírito guia desse grupo mencionou que os fenômenos físicos estariam mexendo em panelas e na cama. Até o momento, eu não havia questionado sobre tais detalhes – o que sempre tenho buscado fazer, a fim de me manter isento. Questionando M…, a moça perseguida, sobre o que esse Espírito fazia, ela confirmou que ela ouvia panelas e louças batendo “sozinhas”.

Em nossos primeiros passos, notamos que estamos ainda apenas engatinhando nas evocações, aprendendo, assim, a fazer perguntas mais aprofundadas, no tempo disponível, sem sobrecarregar a médium. Esperamos, em breve, poder contar com mais grupos parceiros.




Diálogos de Além-Túmulo – Evocação – Marcos, o Espírito arrependido

Na reunião anterior, o grupo teve algumas dúvidas sobre cura. Ficou decidido que faríamos um pedido aos bons espíritos para que nos auxiliassem com as dúvidas. Um espírito veio espontaneamente para responder a essas perguntas. No final, nós indagamos do que ele precisava. Ele nos disse que precisava de preces, pois ele tinha errado muito e se arrependia depois de sua última encarnação. Fizemos preces a ele e ele se despediu.

Nesta reunião, depois de preparar algumas perguntas, nós decidimos evocá-lo para entender melhor sua situação. 

Eis a comunicação. 

Evocação. 

1. Queremos te receber em nosso grupo, querido irmão, com todo carinho e nós estamos querendo conversar com você ou com vocês, para aprender, para nos instruirmos e, se possível, nós ajudarmos com alguma coisa que você precisa e você nos ajudar com alguma coisa que nós precisamos. Nossa intenção é muito legítima e nós não vamos julgar você, nós estamos aqui para conversar como amigos, como irmãos.

R: Agradeço as preces que vocês fizeram por mim. Foram muito úteis.

2. Amigo, você poderia nos dizer qual foi a sua motivação para se comunicar conosco na vez anterior?

R: Só a necessidade da oração. As pessoas esquecem de mim.

Observação: não é a primeira vez que vemos um Espírito se lamentar disso. Realmente, ninguém quer ser esquecido, mas o Movimento Espírita, ausente dos estudos da ciência espírita, não pratica mais as evocações, por conta de diversas falsas ideias. Deixa de ajudar e de aprender, e tal é o domínio das inverdades, que alguns chegam ao ponto de não fazer preces pelo Espírito, crendo que, assim, atrapalhariam. Nesse sentido, grandes canais, ditos espíritas, mas também desconhecedores do Espiritismo, colaboram na divulgação dessas falsas ideias.

3. O que houve para elas esquecerem de você?

R: Faz muito tempo que eu desencarnei. Aqueles a quem eu amava não são mais corpos físicos. E eu não encontrava com eles, em lugar nenhum. Hoje já posso, pelas preces de vocês, visualizar aqueles que estiveram comigo na minha vida física. Isso é consolador.

4. Então quer dizer que enquanto eles não foram para a pátria espiritual você não tinha contato com eles?

R: Não. Eu tentava. Mas eles não me ouviam.

5. E quando você os viu, como foi, eles vieram, eles entraram em contato com você ou você entrou em contato com eles? Como foi?

R: Eles. Eles chegaram. Minha esposa, minha mãe, meu pai. Meu pai Alberto, minha mãe Eliza, minha esposa Helena.

6. E o seu nome?

R: Marcos.

7. Marcos. Você disse na última vez que você se arrependeu das coisas que você tinha feito. Nós  não entendemos bem do que, se você se sentir à vontade, você pode nos contar o que aconteceu? Seria interessante porque nós poderíamos entender melhor você e nós  poderíamos nos instruir.

R: Tinha muita disputa. Dinheiro. A ganância. Roubei muitas pessoas. Coloquei minha família numa situação ruim. Eles sofreram por minha causa. Deixei eles abandonados à própria sorte por causa do dinheiro.

8. E você foi antes de todos eles? Desencarnou antes de todos eles?

R. Sim. Foi um acidente. Tenho dificuldade de lembrar.

9. Não tem problema, irmão. Se você sentir vontade de falar, Marcos, você fala, nós não estamos forçando, não tem problema. Quando foi que você entrou? Quando você se deu conta que tinha morrido, que tinha desencarnado? E como você se sentiu?

R: Sozinho. Eu tinha a escuridão.

Observação: aqui nota-se como é necessário fazer perguntas objetivas, uma por vez. Não é a primeira vez que notamos que o Espírito se concentra apenas na última pergunta.

10. Então o ambiente que você estava, você não conseguia decifrar, tudo escuro.

R: Não. É. Era escuro. Eu não via, não via ninguém.

Observação: esse fato que, de momento, não soubemos aprofundar melhor, nos fez lembrar do artigo “O Espírito de um Danado”, na Revista Espírita de fevereiro de 1860.

11. E como você conseguiu sair dessa escuridão? Como foi esse processo? Que foi uma conquista, não? Que você conseguiu, Marcos? Se me permitir chamar assim, né? Permitir que eu e a M. te chamar assim.

R: Sim. É, foi.

Observação: o interlocutor fez várias perguntas. O Espírito se concentrou em uma resposta simples.

12. Como você conseguiu se libertar disso? Como é que foi?

R. Eu via primeiro. Não via, ouvia algumas vozes. Escutava o choro da minha esposa, os lamentos de meu pai, mas o amor da minha mãe… Minha mãe começou a aparecer para mim. E foi então que eu comecei a entender o que tinha acontecido.

13. Marcos, você escutava sua mãe orando por você?

R: Sim. Ela chamava o meu nome e ela rezava.

14. Assim como você escutou as nossas preces, você escutava as preces da sua mãe ou era de modo diferente?

R: Era diferente. Ela tinha e tem ainda um amor que eu não sei entender. É grandioso. Ela me fez enxergar um pouco da luz de onde ela se encontra. Isso me moveu. Por isso, ouvi.

Observação: aqui, deve ter muito a ver com a questão do magnetismo espiritual. O Espírito de sua mãe tem uma sintonia mais profunda com ele, o que deve fazer com que lhe seja mais fácil registrá-la. É assim que aqueles que tem uma sintonia maior com certos indivíduos terão mais capacidade, ainda que do mundo físico, de auxiliá-los, com preces e diálogos, na superação, no retorno ao bem, etc.

15. A partir dessas preces da sua mãe?

R: Sim.

16. Nessas orações da sua mãe, você começou a ficar mais confortável. E aí que você conseguiu enxergar melhor os seus companheiros que estão à sua volta? Como foi? Você poderia explicar melhor, Marcos, essa parte? Como você conseguiu superar tudo isso?

R: Sim. Eu não sei se eu superei. Eu ainda tenho culpa.

17. Sim, mas você já deu um grande passo, não?

R. Sim. Eu ainda tenho muita culpa, mas ela com aquele amor abriu um caminho para mim e a escuridão foi saindo, foi indo embora. Ela mostrou onde eu estava e o que eu tinha que fazer.

18. Você pode ser um pouquinho mais específico, nisso que você falou, no que “eu tinha que fazer”?  Como ela instruiu você, quais foram as instruções dela?

R: Pedir para Deus oportunidades de crescimento. Pedir a Deus para mostrar como chegar até ele. Eu vi outros espíritos que se aproximavam, me acalmavam e me disseram como eu deveria me transformar num ser melhor. Eu estou buscando perdão daqueles que eu prejudiquei. Estou tentando me perdoar pelos erros que eu cometi. Todos os dias algum espírito se aproxima e me incentiva, me mostra como é o perdão. Ele me leva a lugares diferentes, onde eu consigo ver e sentir o que é o amor e o que é o perdão.

Observação: esse não é o único Espírito que nos fala sobre a ideia de que, no mundo Espiritual, eles aprendem pelo exemplo, e não por leituras. São levados a acompanhar outros casos, a auxiliarem e serem úteis. Essa é a realidade do mundo espírita.

19. Isso tem ajudado você, essas “visões”, e esses “ouvir”, tem ajudado você a entender melhor.

R: Sim, sim. Mas ainda não estou pronto. Eu preciso ainda de mais fé, talvez.

20. A conversa que você, Marcos, teve conosco a última vez e essa que teve agora é a primeira vez que você está conseguindo conversar numa reunião como a nossa, uma reunião mediúnica?

R: Sim, sim.

21. Nesta sua desencarnação?

R: Sim. Eu não sabia como era isso.

22. Quem o trouxe até nós?

R: O espírito que me acompanha. Eu acho que… eu acho que ele está sempre aqui com vocês.

23. Sim. Quem? E agora ele está aqui conosco também?

R. Ele conhece todos.

24. Quantos são, Marcos?

R: Esse que me acompanha. Tem mais 3 … 4. Mas também tem outros. Os que têm mais luz são 4.

25. Eu queria entender, meu irmão Marcos, em que ambiente você ficou enquanto não conseguiu enxergar a luz, você se recorda?

R: É o espaço! Grande, mas é escuro.

26. Você não conseguia vislumbrar alguma região, alguma casa, algum local?

R: Não. Não. Só escuro, só escuridão.

27. Irmão! Marcos! Em nome de nosso senhor Jesus Cristo, eu gostaria de agradecer pela mensagem e que os bons espíritos sempre encaminhem você, que você sempre se sinta acolhido aqui neste nosso espaço e que você consiga se perdoar, porque é a coisa mais importante, é você mesmo se perdoar das coisas que você fez. Ah, eu gostaria de saber se você teria mais alguma coisa para falar para nós para nossa instrução, para nosso entendimento melhor da doutrina ou para podermos ajudar melhor ou mais ainda você.

R: Só gostaria de deixar meu obrigado pelas preces e pela oportunidade de estar aqui, pelo acolhimento, por vocês não terem me julgado por  aquilo que eu fiz. E eles dizem aqui reunidos que vocês estão em aprendizado e em breve virão mais recados, são recados, eu acho. Instruções. Mas eles oram por vocês também e estão com vocês. Eu preciso ir.

OBSERVAÇÃO: o grupo está em fase de desenvolvimento, sendo, aos médiuns, oriundos do Movimento Espírita, que não dialoga com os Espíritos, uma novidade o retorno a essa prática. Isso lhes causa certas dificuldades, que serão vencidas com o tempo e a prática. Por esse motivo, é normal a ocorrência de imprecisões, mas, como o diálogo não tem nada que mereça uma atenção cuidadosa especial, além da análise que já fizemos, colocamo-lo com o fito de instigar outros a retomarem esses diálogos.

Nosso grupo se reune através da internet, por vídeo, cada um de suas casas.




Comunicação Espontânea — O Movimento de Renovação

Preocupada com as dificuldades do mundo, a médium, sra C., acostumada a esse tipo de diálogo natural com os Espíritos, submeteu um pedido de abordagem sobre a questão, a qual, respondida, apresentamos a seguir.

Há, no mundo espiritual, um movimento de renovação, que em pouco tempo retornará ao solo dos encarnados; aqueles desejosos de uma nova era, onde a caridade prevalecerá. Não tardará o tempo das reformas na sociedade.

A destruição trará a renovação. Não temais os tempos difíceis, tendes fé, porque nós, que somos a luz de Deus, estamos em vigilância constante. Estamos inspirando as multidões dos encarnados que visam os objetivos aos quais esse novo período terá seu crescimento e seu apogeu.

Os pequenos, os desvalidos, os despatriados terão seu lugar no mundo. Os déspotas, egoístas e orgulhosos também terão seu desterro.

As preces sustentarão a humanidade sofredora. As atitudes proativas terão seu lugar e, sobretudo, vencerão os vícios daqueles que ainda não entenderam a grandiosidade do amor ao próximo.

A colheita desses esforços transformará a Terra e seu povo. A natureza se encarregará de limpar os lugares em que o respeito e a benevolência ainda não chegaram. Lembrem-se que a vida física é apenas uma passagem. Os bons Espíritos encontrarão seu refúgio e os maus terão suas expiações.

Abstenham-se da revolta e do ódio que corrói seus espíritos e tira a esperança e a fé.

Os que não se submeterem às leis do Criador serão punidos, como todos os que os antecederam. É assim e sempre será.

Elevem seus pensamentos a Deus e busquem nele o amparo aos seus desesperos, que são normais, visto que vocês não entendem a grandiosidade de Sua obra. A consciência da época de Kardec sobre igualdade, liberdade e fraternidade irão ressurgir, mesmo que as dores atinjam seus corpos físicos. O Espiritismo continua sendo o caminho para atingirem o objetivo.

Ergam esta bandeira: “Fora da caridade não há salvação”. Instruam seus próximos, sem temer os obstáculos, perseverem, orem, busquem o seu melhoramento e incentivem seus pares ao mesmo caminho.

Estamos com vocês nessa luta. Somos a luz de Deus.

Espírito Amigo


Observações:

A comunicação, por si só, é bastante tocante, direta e ajuda a renovar a fé na verdade, já demonstrada pelo Espiritismo, de que o mundo não está desgovernado e que, malgrado a má-vontade dos seres humanos, esquecidos ou desleixados quanto à essência de seu ser, a Criação segue se desenvolvendo, segue marchando, contando com aqueles de boa-vontade como formiguinhas a carregarem seus grãos, para que seja construído o monte que não mais ruirá.

Resta acrescentar que a frase “a destruição trará a renovação” remete-se à destruição do mundo material, cíclico, que serve ao desenvolvimento do elemento espiritual.




Comunicações de Além-Túmulo — Allan Kardec

O médium Sr. D., buscando ajuda dos bons Espíritos, submeteu o seguinte apelo ao Espírito de Allan Kardec:

Evocação: (Ao mestre Allan Kardec) Peço suas orientações, mestre, para o nosso grupo mediúnico.

Resposta (com grifos nossos): Para todas as reuniões vos orientamos o preparo antecedente, com o tema e perguntas, prontos para os vossos estudos. Aos médiuns, a busca pelo aprimoramento de suas faculdades. Quereis ser bons médiuns? Pois o estudo, a prática regular da mediunidade e a busca ininterrupta pela melhora moral é a boa via. Não precisais praticar, para isso, exercícios demasiadamente, sem o devido descanso e sem cautela, para não atrair os mistificadores. Mas a dedicação de um quarto de hora, por exemplo. A sinceridade de intenção também vos auxiliará. Perguntai-vos a razão pela qual estão reunidos, consultai a vossa consciência, pois as razões frívolas não atraem senão os levianos e zombadores. A fé é o instrumento da razão, não somente da emoção. A tornarão inabalável, através dos estudos e da meditação. Médiuns, esforçai-vos para ser bons médiuns; colaboradores que não têm sua faculdade medianímica ainda bem desenvolvida, esforçai-vos para terem bom coração e fé. Q., te digo que és médium inspirada e psicófona consciente, sem o saber. Z., médium inspirado e intuitivo. Todos médiuns, esforçai-vos para ser bons médiuns.

Observações:

A comunicação foi obtida pelo médium D., psicógrafo, em ambiente alheio à reunião do nosso grupo. Antes dessa pergunta, concentrou-se em preces e solicitou primeiramente a opinião do Espírito de Santo Agostinho, presidente de outro grupo mediúnico com o qual ele interage.

Como todas as comunicações obtidas dentro e fora de nosso grupo, submetêmo-la ao mais rigoroso exame crítico, dentro de nossas possibilidades. Fazemos isso através de um documento virtual, compartilhado entre todos nós, onde fazemos observações e questionamentos que, conforme necessidade, poderão ser abordados em nova evocação (ao mesmo Espírito, ou a outro que julgarmos conveniente tentar chamar), como poderão ver em um trecho de uma outra comunicação, a ser abordada em breve:

Sobre a comunicação em resposta à evocação do Espírito de Allan Kardec, nada tivemos a criticá-la. Nos pareceu eloquente, direta, simples e alertadora, sem rodeios ou subterfúgios — todas elas características de Allan Kardec, que se comunicava para se fazer entendido por todos. Se foi ele mesmo quem se comunicou ou se a comunicação veio por meio de outro Espírito, por ele inspirado, realmente não importa, posto que a mensagem chegou e atendeu ao seu propósito.

Sim, amigos, inclusive o Espírito de Allan Kardec pode ser evocado e se comunicar, mas a questão sempre será o intuito e a seriedade de quem chama. Como sabemos, chamar por curiosidade ou leviandade vai terminar despertando o interesse de Espíritos levianos ou impostores, mistificadores.

Escolhemos essa breve mensagem para abrir nossa seção de artigos intitulada “Comunicações de Além-Túmulo”, onde buscaremos seguir os passos de Allan Kardec, tanto na análise, quanto na apresentação das comunicações, espontâneas ou não, obtidas em nosso meio ou em outros grupos. Desejamos nos fazer mais um exemplo, mais uma pequena luz, ainda meio pálida, a reluzir nessa noite escura na qual mergulhou o Movimento Espírita, da qual desejamos que todos possam em breve acordar — e esse “breve” depende apenas da vontade de cada um. Reúnam-se, amigos. Estudem, perseverem. Mergulhem nas páginas de Kardec para delas saírem conscientes das necessidades dessa ciência, inspirados, por ele, a darem seus próprios passos. Noite adentro avançarão e, reunidos, farão vossas partes em iluminar esse caminho. As reuniões particulares, assim realizadas, serão sempre de melhor qualidade do que aquelas realizadas em ambientes heterogêneos e, sobretudo, sem estudos.

Perguntai-vos a razão pela qual estão reunidos, consultai a vossa consciência, pois as razões frívolas não atraem senão os levianos e zombadores.”