Comunicação espontânea — 2 —Atribuída a Allan Kardec

Em nossa reunião mediúnica virtual de 07/07/2026, a médium Sra. X apresentou uma manifestação espontânea de psicofonia logo após comunicação de um espirito por outro médium. O Espírito que se manifestou pela Sra. X expressou-se com tom grave e austero, trazendo a mensagem e posterior conversa com os integrantes da reunião. Tudo foi transcrito e apresentado abaixo:

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): Prezados irmãos de caminhada, venho mais uma vez agradecer os esforços que vocês estão despendendo para que minha caminhada não tenha sido em vão. Estarei sempre que possível orientando o grupo. Considerem sempre colocar à prova os ensinamentos que vocês buscam e recebem através dos espíritos aqui presentes. O melhor caminho sempre será o da lógica, o da razão. Busquem pela conformidade dos ensinos. Desconsiderem aquilo que contraria as leis naturais. Vocês iniciaram a caminhada.  Existirão sempre contratempos, como é natural em todas as escolhas que se fazem nessa vida. Desempenhem o seu papel com ética, sem desvios, sem personalismos. O tempo mostrará a vocês que as escolhas que estão fazendo trarão resultados positivos a causa do espiritismo. Quando se sentirem desanimados, busquem orientação com os espíritos aqui presentes, que também acompanharam o início dessa jornada enquanto eu estava ali. Não guardem mágoas daqueles que não compreendem o esforço que estão fazendo, aqueles que menosprezam com sarcasmos o trabalho ao qual vocês se propuseram; se surpreenderão mais à frente com os conhecimentos que vocês colocarão na revista, nos programas que vocês têm, porque não encontrarão contrapontos para refutar as novas descobertas.

Iniciem a troca de informações entre grupos, assim que possível, para que a coerência se mantenha entre vocês e a doutrina. Nesse momento, de agora para a frente, estarei o mais próximo possível desse grupo e de todos aqueles que buscam restabelecer as bases daquilo que os espíritos trouxeram até nós e que não mudou em ponto algum.

Ari: É uma honra ter aqui você conosco. Acho que todo mundo quer ter esse tipo de conversa. Eu tenho a impressão que você é muito evocado. Como você fica? Como você se sente nessas situações?

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): O sentimento é de agradecimento, mas não vou me manifestar para aqueles que apenas querem ou buscam a curiosidade. Estarei presente e me manifestarei sempre que possível, sempre que eu perceber que há necessidade.

Ari: Sempre será muito bem-vindo. 

SrAja: É um prazer poder dialogar com o senhor. Eu gostaria de lhe perguntar qual foi o principal erro que aqueles que trouxeram o Espiritismo para o Brasil cometeram para que nós estejamos no ponto que nós estamos hoje, onde suas obras são praticamente preteridas a obras de espíritos não tão confiáveis.

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): As obras não são minhas. Elas só puderam se tornar conhecidas porque os espíritos assim o quiseram. O contexto histórico desse país foi o que comprometeu a caminhada do Espiritismo como ciência e filosofia, mas a recuperação está chegando.

Erasto sempre esteve presente, observando, recolhendo informações.

Ari: Eu tenho uma pergunta para fazer para você. Desculpa chamar por você, mas é para criar essa proximidade, senão eu sinto você muito distante, se eu chamar de senhor. E eu sei que você está próximo a nós. Eu queria saber se todos aqueles espíritos que ajudaram você na codificação continuam o acompanhando como São Luís, Erasto, Santo Agostinho, e tantos outros que eu não sei dizer. 

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): Todos estão presentes junto comigo.

Ari: Nenhum deles encarna? 

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): Não tiveram mais necessidade. 

Ari: Todos eram puros? Para distribuir a verdade para a gente?  

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): Alguns reencarnaram, mas já estão de volta conosco.

SrAja: Eu gostaria de fazer uma pergunta que talvez não devesse ser feita, mas que vai me tirar uma dúvida. Muitas pessoas criticam o livro Evangelho Segundo o Espiritismo. E muitos espíritas, principalmente os que são mais ligados à ciência espírita,não gostam muito da obra. Qual a sua opinião a esse respeito?

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): Nunca entenderam o objetivo da obra. O objetivo da obra nunca foi religião. Sempre foi filosofia. Sempre foi buscar o entendimento das palavras de Cristo. Nunca foi transformar o Evangelho em religião. Talvez esse tenha sido, eu não diria um erro, mas talvez não devesse ser o momento de colocar aquele livro ao público.

SrAja: Se o senhor me permitir fazer mais uma pergunta, é uma pergunta pessoal. O senhor acredita que o livro deveria ter se mantido no título inicial, que era a Imitação do Evangelho, ao invés do Evangelho Segundo o Espiritismo? O senhor acha que isso pode ter atrapalhado de alguma forma?

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): O título não é um problema. Talvez devesse ter colocado explicações melhores, do início ao fim, Não que já não tivesse no prefácio colocações importantes, que as pessoas não leem e não entendem quando leem. O objetivo não era transformar o livro em uma Bíblia. O objetivo era compreender o que Jesus dizia, de forma simples. Os homens deturpam aquilo que não compreendem.

Ari: Certo. Quer dizer que o Evangelho Segundo o Espiritismo foi explicar a palavra de Jesus e a Gênese foi explicar os milagres de Jesus. Assim que eu vejo.

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): Apenas isso.

SrAja: Uma última pergunta para o senhor. Hoje, principalmente no país que nós residimos, há a chamada prática que se diz Evangelho no Lar, onde o livro Evangelho Segundo o Espiritismo é aberto aleatoriamente e é utilizado como se fosse uma Bíblia. O senhor, enquanto cientista, enquanto pessoa também, enquanto codificador da obra Vinda dos Espíritos, o senhor contraindica essa prática ou qual sua opinião a esse respeito?

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): Não contraindico, mas não é necessário. A oração quando feita do coração, é suficiente. Não é necessário um livro para que isso aconteça.

SrAja: Eu agradeço a resposta.

Espírito Comunicante (atribuído a Allan Kardec): Eu também agradeço. Deixo a vocês o meu agradecimento. Que Deus ampare cada um de vocês para que essa nova fase, que essa luta se agigante. O guia de vocês me diz, novos adeptos chegarão. Todos passarão pela peneira. Muitos chegarão para tentar colocar a discórdia, para separar, mas vocês os perceberão e conseguirão separar o joio do trigo. Já estão fazendo isso. Em breve, retornarei.

Teresinha, Diógenes, o Espírito Amigo, Christopher. Todos aqui estarão dispostos a auxiliar naquilo que vocês precisarem. Me despeço, deixando a vocês minha gratidão. ((Estes são nomes atribuídos a Espíritos familiares de nosso grupo mediúnico))

Ari: Até breve. Até breve. Fique bem.

A análise integral da mensagem revela uma profunda convergência com a fase de maturidade de Allan Kardec (1865-1869), especialmente no que diz respeito à autonomia moral, ao rigor metodológico e à natureza científica da doutrina.

Abaixo, os pontos de acerto, os pontos que exigem cautela e a análise da personalidade:

1. Pontos de Acerto:

  • Primazia da Razão e Lógica: A insistência em colocar ensinamentos à prova e usar a razão como filtro é o pilar do método de Allan Kardec, que afirma que uma fé inabalável é aquela que encara a razão face a face.
  • Natureza da Doutrina: A afirmação de que o Espiritismo é ciência e filosofia, e não uma religião com dogmas e rituais, é rigorosamente exata segundo as fontes. ((Preâmbulos, O que é o Espiritismo, 1859))
  • O Evangelho como Código Moral: A mensagem acerta ao definir O Evangelho segundo o Espiritismo como um código de moral universal e ao citar seu título original, Imitação do Evangelho. A obra foi publicada com esse nome em abril de 1864 e alterada posteriormente para a denominação atual.
  • Desmaterialização da Prece: A rejeição de fórmulas sacramentais e a ênfase na “prece do coração” em detrimento do livro ou do ritual (como o Evangelho no Lar mecanizado) ecoam o ensino de que “a forma nada vale, o pensamento é tudo”. ((Cap XXXI, XVI, O livro dos Médiuns, 1861))
  • Escala Espírita e Reencarnação: A explicação de que Espíritos puros não têm mais necessidade de encarnar, salvo por missão, está em pleno acordo com a Escala Espírita. ((Escala Espirita, 100 e Pluralidade das Existencias, 166 , O Livro dos Espiritos, 1860))
  • Restauração Doutrinária: A menção a desvios históricos e à necessidade de restabelecer as bases da doutrina alinha-se às evidências de adulteração das obras O Céu e o Inferno e A Gênese após a morte de Kardec.
  • O Papel de Erasto: A descrição de Erasto como um guia firme e protetor da vanguarda é característica de sua atuação nas fontes, onde ele frequentemente alerta contra a “guerra surda” dos Espíritos enganadores e a necessidade de desmascarar falsos profetas. ((Revista Espírita, novembro de 1861))
  • Ciência Progressiva: A menção a “novas descobertas” que não encontrarão contrapontos corrobora o caráter essencialmente progressivo do Espiritismo, que deve assimilar toda verdade demonstrada pela ciência e pela razão. (( Cap. 1, 55, A Genese, 1868))
  • Pensamento vs. Forma: A resposta atribuída a Kardec sobre a não obrigatoriedade do livro para a prece ressoa o princípio de que, para os Espíritos, “o pensamento é tudo e a forma é nada”. ((Cap I, 3o Diálogo, O que é o Espiritismo, 1859))
  • Rejeição de Fórmulas: Espiritismo ensina que não há fórmulas sacramentais ou horas cabalísticas para a comunicação; a eficácia da prece reside na sinceridade do sentimento e não na repetição de palavras. ((203, O Livro dos Médiuns, 1861))
  • Missão vs. Necessidade: A afirmação de que Espíritos puros não precisam mais encarnar, mas podem fazê-lo por missão, é baseada na escala espírita. Espíritos superiores aceitam as tribulações da vida corporal apenas para auxiliar o progresso da Humanidade. ((178., O Livro dos Espíritos, 1860))
  • Transição Planetária: O aviso sobre a chegada de novos adeptos e a necessidade de “separar o joio do trigo” (a peneira) alinha-se às predições sobre a Nova Geração em A Gênese.
  • Exclusão dos Espíritos Rebeldes: Na transição para o período de regeneração, Espíritos que persistem no mal serão excluídos da Terra e enviados para mundos inferiores, enquanto uma geração de Espíritos mais avançados assumirá a direção do progresso. (Cap. XVIII, A Gênese, 1868))

2. Pontos que Exigem Cautela (Erros ou Inconsistências)

  • Identidade e Personalismo: Embora a mensagem desaconselhe o personalismo, a própria evocação de nomes ilustres deve ser sempre vista com a reserva recomendada pelo próprio Kardec: a identidade é secundária à qualidade do ensino. ((255., Livro dos Médiuns, 1861))

3. Análise da Personalidade de Kardec na Mensagem

A mensagem pode ser atribuída à personalidade de Kardec pelos seguintes traços de estilo e conteúdo:

  • Linguagem Grave e Dignitária: O tom é sóbrio, austero e focado na instrução, características dos Espíritos superiores e do próprio Codificador.
  • Firmeza Metodológica: A ênfase no controle universal dos ensinos e na análise crítica, mesmo de suas próprias obras, reflete o desprendimento e o rigor científico de Rivail.
  • Abnegação: O reconhecimento de que “as obras não são minhas” e o foco na utilidade coletiva em vez da glória pessoal são marcas registradas de sua personalidade.
  • Foco na Autonomia: A mensagem reforça que o Espírito é o artífice de seu destino, um conceito que Kardec consolidou em sua obra final, combatendo o misticismo e a obediência passiva.

O diálogo reforça a ideia de que o Espiritismo deve ser praticado como uma ciência de observação e uma filosofia moral, combatendo o misticismo e as distorções que tentam transformá-lo em um culto cego de obediência passiva.

Leia também outra Comunicação atribuída a Kardec recebida por nós aqui e análise aqui




Comunicação de Kardec em outro grupo

Recebemos, em maio de 2026, de N…, de Pernambuco, uma comunicação mediúnica bastante interessante, atribuída ao Espírito de Allan Kardec, ocorrida espontaneamente em um grupo parceiro nosso:

Caros amigos e irmãos, este que vos comunica já esteve e passou na pele por todos esses labores. Continuem firmes e fortes com o trabalho. Esse trabalho é uma força com a união das mentes que não pode parar; muitas já foram as investidas. Se há dúvida no recado, utilizem o critério universal dos espíritos: submetam-se a perguntar, sejam persistentes e não aceitem que o recado seja de uma única fonte, pois, sendo assim, meu irmão, não passa de uma simples opinião. Já disse e vos digo: estão assessorados. Nossos irmãos também na erraticidade comprometeram-se a vos auxiliar. A cabeça e a fé inabalável mantiveram forte a doutrina que não é nossa, é dos espíritos; nós somos apenas os mantenedores.
Hippolyte?

Não tendo visto nela nada que a desabone, temos apenas reforçado aquilo que os Espíritos dizem anós mesmos: que os esforços do lado deles não param, que é chegada a hora da retomada e que o Espírito de Allan Kardec assiste a todos nós nessa jornada.




Comunicações Espontâneas sobre a retomada do Espiritismo

Na reunião mediúnica do dia 19 de maio de 2026, questionávamos a respeito de mistificações que aconteceram em nosso grupo, quando tentamos evocar o Espírito de André Luiz, bem como outra vez, quando tentamos evocar o Espírito de Chico Xavier. Queríamos entender o motivo dessas mistificações, buscando honestamente a ajuda dos Espíritos superiores, capazes de nos esclarecer, e acabamos recebendo duas comunicações muito instrutivas, através de diferentes médiuns. Terminamos, como vocês poderão ver, entendendo que o propósito é muito mais profundo e que, de uma forma ou de outra, tais evocações não nos serviriam de grande proveito. No fundo, queríamos provar, a nós mesmos, que seria possível realizar tais evocações, como se isso fosse nos dar mais certezas, mas acabamos agraciados, desde a comunicação com Kardec, com comunicações sérias e profundas, que nos trazem muito mais certeza do propósito que nos irmana, bem como da assistência de Espíritos que, vendo nosso esforço honesto, têm a caridade de nos auxiliar, como crianças que ainda somos nessa jornada.

Neófilis

É ótimo estar com vocês novamente, meus irmãos. Não me comuniquei aqui, antes, pois não era o momento, mas observo o trabalho deste grupo. São bem assistidos por excelentes irmãos. Isso ajudará na seara de vocês. Tenham ânimo e coragem. Mantenham-se firmes na proposta. Que tenhamos sempre a boa vontade para que possamos ser um instrumento dos bons espíritos. E essa boa vontade vocês já têm. É fora de dúvida. 

É necessário estar em guarda contra as mistificações que querem ou estão tentando atrapalhar, atrasar e fazer com que este trabalho retroceda de alguma forma. Mas, com a ajuda dos que aqui estão, com raciocínio, com lógica e com bom senso isso não acontecerá com frequência. O bom irmão disse: é evidente que os testes acontecerão. Não se entristeçam com isso. O trabalho é sério. O trabalho ajudará nesta recuperação. Não podemos vacilar jamais. Jamais fugir à proposta. Coragem! Lembrem-se sempre que os bons espíritos dão assistência àqueles que realmente querem trabalhar e fazer o que é correto, sem interesses pessoais, sem ganhos pessoais. 

O amor de vocês pela proposta é visto daqui. Não estão sozinhos, nunca estiveram sozinhos! Não estão sozinhos, assim como o codificador não esteve. Os espíritos de todos que amam este trabalho que aconselham e intuem vocês estão sempre a vosso lado. É fora de dúvida que é chegado o tempo em que a verdade voltará ao seu devido lugar. Não há mais espaço para mentiras; não há mais espaço para desvios. Nada travará essa grande marcha que é a marcha do espiritismo, a marcha da terceira revelação. Têm as obras à vontade; que meditemos nisto com amor e com respeito, dentro de nossas forças. Outros virão a fim de ajudar vocês nesta tão bela proposta. É isto que tenho a dizer.

Ari

Irmão, que lindas palavras eu me emocionei você pode dizer seu nome, por favor?

– Chamo-me Neófilis

Observação: Não é um nome conhecido. Cremos que isso foi propositado.

Ari

Neófilis, é um prazer ter aqui com você eu fiquei muito emocionada com as suas palavras muito obrigada, não sou digna de todas as palavras bonitas que você trouxe para nós

Neófilis

Eu trouxe apenas a mensagem dos irmãos. Fui agraciado com essas palavras. Estamos aqui, não tenha medo. Seguramos a vossa mão. Conserva a confiança, a fé, o respeito. A codificação espírita é um tesouro para este mundo, tesouro sem igual. Quão saudável seria para os espíritos imperfeitos que pudessem meditar com sinceridade no que está escrito nas linhas… Que pudessem observar com amor e praticar a lei de justiça e caridade… Não se atrasariam tanto, não chorariam tanto, não gemeriam tanto após sua entrada no mundo dos espíritos. Se observassem a codificação, sofreriam menos; se amassem, se seguissem ao Cristo, sofreriam menos. Amar é estudo; amar ao Criador, seguir a Cristo, é estudo. Caridade, pois fora da caridade não há salvação. Deixo vocês, mas repito: não estão desamparados, de modo algum. Estão amparados por muitos que vos amam e que vos ajudarão a carregar os fardos que muitas vezes consideram pesados. São pesados, por conta de vossa matéria, ao vosso ver, mas lembrai-vos: o Espírito é livre. Sois espíritas: conservem a confiança em tudo que lhes foi passado, sempre com raciocínio e bom senso. Esta é a mensagem que deixo a vocês. 

Fiquem com Deus.

Observação: quanta emoção nos despertaram essas palavras. Mais do justas as observações desse Espírito a respeito do conhecimento do Espiritismo que, se não tivesse sido obstado por tantas distorções, tantas lágrimas teria poupado. As palavras “amar é estudo; amar ao Criador, seguir a Cristo, é estudo” refletem a finalidade do Espiritismo, pois que, como doutrina científica, vêm dar entendimento prático e cumprimento às palavras de Jesus, tomado pelo Espiritismo como maior exemplo de moral, mas não o único e não como um chefe religioso. Por final, as palavras “sois espíritas: conservem a confiança em tudo que lhes foi passado, sempre com raciocínio e bom senso” reflete a posição daquele que se reconhece como Espírita: confiança nos bons Espíritos, atraídos pelo propósito sério no bem, mas sem jamais deixar de examinar a todas as comunicações, sem exceção.

Um Espírito amigo da codificação

Prezados irmãos, a vocês que se encontram nesta reunião, nesta nova forma de comunicação, vim para oferecer a vocês minha consolação e meus préstimos a este trabalho ao qual vocês se dedicam. Sou mais um aqui, em meio a tantos que nos rodeiam, e é por meio deles que trago a vocês uma visão que vai um pouco além daquela que vocês possuem.

Posso dizer que, em breve, pelo menos mais dois grupos se juntarão a vocês. Cada um deles trará mensagens similares àquelas que vocês já receberam do mestre Kardec, e isso mostrará a todos os que ainda duvidam que ele sempre esteve presente, esperando pelo momento de retornar e orientar, mais uma vez, a todos, mostrando o caminho que o Espiritismo deve seguir. ((Notem que não há exclusivismo sobre o nosso grupo. Ele orientará a todos, não apenas a nós.)) Ele mesmo dirá a vocês, no momento certo, como devem prosseguir. Considerem não um privilégio, mas uma oportunidade de retomar os caminhos que ele abriu e que continuarão se alargando a partir de então. A luta não é só de vocês; é de todos nós.

Busquem nas bases de Kardec, e lá vocês encontrarão o princípio de toda a verdade, que mesmo os cegos conseguirão enxergar. Tomem cuidado com os personalismos, com as vaidades. Tomem cuidado com aqueles que minimizam os problemas criados neste último século em torno da verdadeira espiritualidade.

Haverá sempre os detratores, aqueles que, com pose e ar de professores, se insinuam como grandes sábios, tendo, nas palavras, uma falsa segurança daquilo que professam. Uma verborragia inútil diante da verdade, que não se apaga com falsos argumentos. Colocam-se em pedestais, em grandes púlpitos, como se ali pudessem ser, ou se tornar, melhores do que aqueles que os escutam.

Disseminaram-se aqueles que se diziam profetas do Espiritismo, aqueles que, com o dinheiro, compraram o silêncio, contaminaram o Evangelho, contaminaram as obras, sem usarem nem pensarem no prejuízo e nas consequências daquilo que fizeram. Movidos pela vaidade, pela ganância, movidos pelo orgulho, jogando lama sobre nossos ensinamentos. Nossa compaixão por essas almas é infinita. Vemos o seu arrependimento. Porém, aqueles que ainda estão na matéria levarão consigo, quando aqui chegarem, muito mais do que arrependimento. A eles também, a nossa compaixão.

Mas os braços cruzados não erguem um edifício. Estamos aqui todos oferecendo os alicerces, mas a base deve ser sólida, o terreno deve ser propício, ou os nossos esforços e o de vocês sucumbirão. Construam, pois, essa nova casa e, através dela, mostrem a todos a importância do aprendizado, das comunicações. Sem isso, não chegaremos ao nosso propósito. ((Destaques nossos.))

Não peçam o meu nome neste momento. Voltarei a me comunicar com vocês em momento oportuno. Conservem a esperança e verão, em breve, muitas das mentiras propagadas ruírem, porque o edifício não tem base e não tem terreno.

Confiem, perseverem.




A Retomada do Espiritismo Verdadeiro: Unidade, Humildade e Propósito

A seguinte conversa ocorreu na nossa reunião mediúnica online, no dia 28 de abril de 2026. Começou com o Espirito Amigo e posteriormente com Espirito Tereza, médium Sra. Po por psicofonia.

Pergunta ao Espírito Amigo: Na outra vez, a Teresa veio conversar conosco (vide mensagem de Tereza 2026-04-21). Ela disse que eles estavam fazendo um movimento para que os planos mais altos fizessem uma mobilização dos grupos que têm conhecimento, e teria procedimentos  para as próximas reuniões. Eu gostaria de saber se ela tem alguma novidade.

Resposta Tereza: Estamos sempre preparados e trabalhando para o benefício dos grupos que estão se colocando à disposição dos planos superiores. Nos movimentamos aqui nos últimos dias para que mais pessoas abram os olhos e vejam os enganos que cometeram e se alinhem com aqueles que buscam pela verdade. O movimento que fazemos aqui reflete no mundo material de vocês.

Há um alinhamento de pensamentos, há um alinhamento de sentimentos, há um alinhamento de vontades. E como dissemos, como um amigo que conversa com vocês já avisou, nós estávamos em um trabalho constante aqui. Ele mesmo vos avisou, sim, que se fosse preciso, voltaríamos a bater nas mesas.

Mas percebemos através de vocês e de outros grupos que isso não seria necessário, apesar de que alguns de nós entendem que ainda é necessário. Por isso as manifestações vão acontecer. Todos nós aqui nos respeitamos mutuamente.

Olhamos para nossos irmãos que estão fazendo isso e entendemos a utilidade. Eles, por outro lado, nos olham e entendem também o nosso sentido de educação e de continuidade de um trabalho mais sério. Somos um grupo, cada um de nós pode agir livremente, nunca, portanto, nunca infringindo as leis de Deus.

Para alguns céticos encarnados ainda é necessário o movimento de objetos, mas para grupos mais coesos não há essa necessidade. Por isso trabalhamos em frentes diferentes por aqui.

Pergunta: Qual é a instrução que você nos dá? Você falou que vocês trariam uma série de instruções para nossa ação. Tem alguma instrução para agora?

Resp. Tereza: Continuem o trabalho que vocês começaram. Mostrem os desvios. Esse já é um começo.

Não vamos sobrecarregar vocês. Tentem sempre a unidade de pensamentos. Muito cuidado com as vaidades, com o orgulho, com as paixões desmedidas.

A nossa maior alegria é quando vemos movimentos como esse abalar grandes estruturas que sistematizaram o nosso mundo e o transformaram em uma grande distorção do que ele realmente é. Mostrem às pessoas a vastidão do mundo espiritual. Nós não estamos restritos, presos a um único mundo.

Tentem fazer as pessoas entenderem a vastidão do espaço que cerca esse planeta. Sabemos que é difícil imaginar o infinito, mas aqui, aqui, o infinito é algo indescritível. Não existem palavras humanas que possam descrever o que vemos. É muito além daquilo que vocês podem enxergar.

O primeiro passo, vocês estão trilhando. O segundo passo será a retomada dos estudos frente às comunicações, a troca de informações para compilar mais uma vez o conhecimento do mundo espiritual. O terceiro passo, talvez o mais difícil, seja colocar todas essas informações em um compêndio para estudos futuros. Essa é a retomada do Espiritismo verdadeiro.

Isso é o que desejamos. Isso é o que pedimos.

Pergunta: Agradeço muito as palavras e tenho certeza que vocês vão estar ao nosso lado, de todos, para poder fazer isso de uma maneira correta. E eu queria pedir mais uma coisa, de soerguer a nossa vontade neste caminho, para que  não nos  percamos por outros caminhos. Então, eu gostaria que vocês soerguessem essa vontade, porque às vezes eu não tenho vontade. Eu falo por mim. Eu tenho medo disso, de perder a vontade.

Resp. Tereza:  E com as instruções do Espírito Amigo, ele já disse a vocês tantas vezes: evitem brigas desnecessárias, discussões que desgastam e esmoreçam a vontade. Foquem no objetivo que vocês têm como grupo.

Vocês têm os passos, sigam. Não se percam em discussões inúteis. Olhem cada um dentro de si e descubram pelo que vale a pena lutar, pelo que vale a pena discutir.

Só isso manterá vocês no caminho. Que vocês mesmos escolheram trilhar quando aqui estavam. Nada é por acaso na vida de vocês.

Nada é por acaso nesses grupos novos que estão se formando. Então, usem a inteligência que vocês têm e façam as escolhas certas. Desejamos, todos aqui, eu, Espírito Amigo, o Christopher e outros que no momento não me convém nomear, que vocês não esqueçam o propósito dessa existência.

Fiquem com Deus. Estaremos sempre ao lado de vocês, sempre que precisarem.

O foco sempre é destacar as características lógicas das mensagens através do corpo da mensagem, análises ponto-a-ponto, e conclusões. Segue a análise:

1. Caráter da Comunicação e Linguagem

A mensagem apresenta um cunho sério e moralizador, o que é o primeiro indício de um Espírito de boa natureza. A linguagem é digna e isenta de trivialidades, focando no progresso coletivo e na vigilância contra as paixões humanas, como o orgulho e a vaidade. O Espírito não se impõe, mas aconselha, respeitando o livre-arbítrio dos encarnados. Esse tom sóbrio e profundo, sem apelos emocionais exagerados ou promessas fantásticas, é o selo distintivo dos Espíritos de ordem elevada, conforme ensinam as obras fundamentais da Codificação.

2. Manifestações Físicas vs. Inteligentes

Tereza demonstra um conhecimento exato da hierarquia dos fenômenos, distinguindo entre o que é necessário para diferentes graus de maturidade espiritual:

Finalidade das Pancadas: Ela afirma que bater nas mesas (tiptologia) é útil para convencer céticos, o que concorda com o ensino de que efeitos físicos servem como o “A-B-C” da ciência para despertar a atenção. Kardec, em A Gênese, explica que tais fenômenos foram mais necessários numa época de materialismo extremo.

Abandono do Material pelo Intelectual: O Espírito ressalta que grupos coesos prescindem do movimento de objetos, focando na filosofia e na moral, o que ratifica que Espíritos superiores preferem meios de comunicação mais rápidos e diretos para o ensino. A mensagem é clara: o Espiritismo Moral substitui gradualmente o espetáculo pelo ensinamento.

3. O Método e a Retomada do “Espiritismo Verdadeiro”

Os três passos sugeridos pelo Espírito alinham-se rigorosamente ao método de codificação estabelecido por Allan Kardec:

Primeiro passo – O início do trabalho: Trata-se do reconhecimento mútuo entre espíritos e encarnados, e da disposição de servir. Essa fase já existia nas reuniões domésticas do século XIX e representa o despertar da consciência grupal.

Segundo passo – Coletividade e Universalidade: A “troca de informações para compilar mais uma vez o conhecimento do mundo espiritual” é a base do Controle Universal do Ensino dos Espíritos, onde a verdade nasce da concordância de múltiplas fontes. Kardec jamais separou a mediunidade da razão, a inspiração da codificação.

Terceiro passo – Organização e Compêndio: “Colocar todas essas informações em um conteúdo para estudos futuros” reflete o trabalho de coordenação e síntese que Kardec realizou para dar unidade à doutrina e evitar cismas e sistemas pessoais. É o passo mais desafiador, pois toda compilação corre o risco de virar dogma – daí a advertência de Tereza de que a unidade deve ser “de pensamentos”, não de fórmulas.

Combate a Distorções: A menção a “grandes estruturas que sistematizaram o nosso mundo e o transformaram numa grande distorção” ressoa com os alertas recebidos por Kardec sobre tentativas de desviar o Espiritismo para o misticismo ou dogmatismo. É uma crítica velada a instituições ou sistemas que, com o tempo, petrificaram verdades vivas.

4. Advertências Morais: Vaidade, Orgulho e Harmonia

O Espírito Tereza enfatiza que o maior obstáculo não são os inimigos externos, mas as imperfeições internas: vaidade, orgulho e ambição. Um grupo só permanece assistido por Bons Espíritos enquanto mantém a unidade de pensamentos e a pureza de intenções.

A advertência sobre “brigas desnecessárias e discussões que desgastam” é de uma sabedoria prática irretocável. Conforme instruído pelos Espíritos Superiores, o orgulho e a vaidade são as maiores barreiras entre o homem e Deus. Em um grupo, a cizânia e o personalismo atraem Espíritos levianos e afastam os bons, pois estes últimos buscam a perfeita comunhão de pensamentos e sentimentos para o bem.

5. A Vontade como Motor do Progresso

Um dos momentos mais comoventes do diálogo é quando o consulente confessa: “Às vezes eu não tenho vontade. Eu gostaria que ela não se perdesse. Eu tenho medo disso, de perder a vontade.”

A resposta de Tereza é prática e ao mesmo tempo elevada: “Sigam as instruções do Espírito Amigo […] evitem brigas desnecessárias, discussões que desgastam e esmorecem a vontade. Foquem no objetivo que vocês têm como grupo.”

De acordo com a psicologia espírita, a vontade é um atributo essencial do Espírito. Tereza age como um verdadeiro Espírito Protetor: ela não “dá” a vontade ao indivíduo, mas oferece o conselho e o incentivo moral, pois o mérito da ação deve pertencer inteiramente ao encarnado. Como Kardec observou, os Espíritos bons assistem aqueles que se ajudam a si mesmos; eles não podem substituir o livre-arbítrio da criatura. “Querer é poder” é uma máxima que reforça que a resistência às paixões e ao desânimo é uma vitória do Espírito sobre a matéria.

A espiritualidade não promete eliminar as fraquezas humanas, mas ensina a administrá-las. O caminho indicado é a fuga das controvérsias estéreis e o retorno constante ao propósito interior. “Olhem cada um dentro de si e descubram pelo que vale a pena lutar, pelo que vale a pena discutir.”

6. A Prece e o Esforço Próprio

Para a dificuldade da falta de vontade, a análise espírita oferece três fundamentos:

Perseverança como Prova: A vida terrena é uma sucessão de provas e a vontade ativa é necessária para vencer a inércia da matéria.

Ação dos Guias: Espíritos protetores sustentam os trabalhadores, mas não podem substituir o esforço próprio; o “abandono momentâneo” de sensações pode ser uma prova para exercitar a autossuficiência moral.

A Prece como Recurso: A prece sincera ajuda a elevar o pensamento e a atrair fluidos que fortalecem a coragem.

7. Compromissos Pré-Existentes e Nada por Acaso

A afirmação de que o caminho foi “escolhido por vós mesmos quando aqui estáveis” alinha-se perfeitamente com a doutrina da escolha das provas. Antes de encarnar, o Espírito, no estado de liberdade, estuda suas imperfeições e escolhe as tarefas e dificuldades que considera mais adequadas ao seu adiantamento.

A mensagem encerra com uma afirmação de grande conforto e responsabilidade: “Nada por acaso na vida de vocês. Nada é por acaso nesses grupos novos que estão se formando.” A “fatalidade”, no Espiritismo, existe apenas na escolha feita pelo Espírito ao encarnar; o que ocorre depois são as consequências naturais de suas ações e o desenrolar do compromisso assumido perante a própria consciência.

8. O Uso da Inteligência e o Propósito da Vida

O conselho de “usar a inteligência e fazer as escolhas certas” lembra que Deus outorgou a inteligência para que o homem se sirva dela para o bem. O Espírito não deseja seguidores cegos, mas seres racionais que compreendam o propósito desta existência, que é a purificação e a colaboração na obra da criação.

Conclusão Analítica

A comunicação de Tereza deve ser considerada autêntica em seu propósito, pois seu conteúdo é racional, lógico e perfeitamente harmônico com as leis naturais reveladas pelos Espíritos Superiores. Ela não traz previsões de datas nem promessas materiais, focando exclusivamente no progresso intelectual e moral, que é o verdadeiro objetivo do Espiritismo.

Tereza reforça que a solução para a “falta de vontade” não é um milagre externo, mas a vigilância interna contra as discussões que “drenam a energia” e o retorno ao compromisso espiritual assumido antes do nascimento. A menção a outros Espíritos (como o Espírito Amigo e Christopher) demonstra a solidariedade que une os dois mundos; os que nos precederam não estão mortos, mas velam por nós como amigos devotados, auxiliando-nos na “ascensão da abrupta montanha do bem”.




Diálogos de Além-Túmulo — Evocação de Ermance Dufaux

Ermance Dufaux de La Jonchère foi uma médium e escritora francesa nascida em Cambrai em 8 de março de 1839 e falecida em Suresnes em 3 de março de 1915, reconhecida como uma das mais relevantes figuras da primeira geração do Espiritismo. Ela manifestou mediunidade precocemente e, como membro-fundadora da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas ao lado de seu pai, colaborou de forma significativa com Allan Kardec na consolidação da doutrina, participando diretamente da revisão de O Livro dos Espíritos e contribuindo com comunicações mediúnicas que resultaram em importantes obras literárias espiritualistas. Sua produção inclui relatos psicográficos atribuídos a espíritos históricos e sua participação ativa nos círculos espíritas de Paris consolidou sua influência no movimento espírita emergente no século XIX.

Por ocasião da reunião do Grupo Mediúnico Semear, nosso grupo, achamos por bem buscar a evocação desse Espírito, na reunião de 02/11/2025. Obtivemos, disso, o seguinte diálogo:

– Evocação.
Ermance: Perguntem.
A: Você é feliz, Ermance?
Ermance: Sim, sou.
A: Você está encarnada ou desencarnada?
Ermance: Desencarnada.
A: Você se percebeu que estava no mundo espiritual imediatamente, assim que deixou o corpo físico?
Ermance: O que chamas de imediatamente?
A: Logo após a sua morte.
Ermance: Já via meu corpo sem força, imóvel. Aprendi que já tinha me desprendido.
A: Quais foram suas primeiras impressões imediatamente após a morte?
Ermance: Já tinha esclarecido o que me ocorria. Posso lhes dizer que não houve sofrimento. Já havia percebido que já me encontrava com o Espírito. Mas agora, sem o meu corpo. Foi só um estágio. Só um período.
M: Quanto tempo durou para você se reconhecer no plano espiritual após a sua morte?
Ermance: Vou fazer uma analogia com o tempo de vocês. Foi rápido. Talvez, alguns dias. Talvez, alguns dias.
M: Poucos, poucos dias. Você foi no seu funeral?
Ermance: Sim.
M: Como você se sentiu lá?
Ermance: Percebi o meu corpo imóvel. Percebi que já não me encontrava mais aqui. Em algum momento, o círculo espectro, porque nos deparamos com o nosso corpo, que foi a nossa morada por um período, que nos serviu de instrumento, mas já tinha consciência de que não me encontrava mais aí.
M: Minha pergunta era justamente isso. Quando você viu o seu funeral, você já tinha reconhecido que não fazia mais parte desse mundo. Então, essa perturbação, você tem certeza de que foram dias?
Ermance: Mesmo quando vemos o nosso corpo imóvel e percebemos que já não fazemos mais parte dele, ainda nos é difícil entendermos que já não estamos mais ali. Que ao falarmos com nossos familiares, nossos amigos, nossos amores, eles não nos respondem. Sempre existe uma perturbação, mesmo que pequena, meu irmão. Mas logo compreendi. Logo compreendi que precisava seguir o meu caminho.
M: Agora uma pergunta mais específica, Ermance: Qual foi o primeiro tema que o Espírito Joana D’arc que te ditou que só vocês sabiam? Só você e Kardec?
Ah, desculpa, Ermance, o Espírito Amigo quer falar alguma coisa, se você puder. Aguardar só um minutinho, Ermance?
Ermance: Pois não.
EA: É preciso vocês lembrarem que o tempo é diferente em ambos os mundos. Quando ela fala em dias, para o Espírito é um piscar de olhos. Para vocês é diferente.
A: Muito obrigada. Ermance, você pode responder à pergunta da Joana D’arc? Qual que ela te ditou, o primeiro tema?
Ermance: Não, não posso.
A: Qual foi o maior erro que você fez durante o exercício da Mediunidade?
Ermance: Deixei-me mistificar por alguns Espíritos.
A: Nessa sua existência como Ermance, qual foi a definição que você dá para essa existência?
Ermance: Fui feliz.
A: E você conseguiu alcançar o objetivo dessa encarnação como Ermance?
Ermance: Na nossa jornada, sempre temos programado tantas coisas. Mas nem sempre conseguimos concluir tudo. Tudo aquilo que foi programado, tudo aquilo que pelo nosso livre-arbítrio escolhemos.
A: Quando você foi Ermance, você já estava programada para ser médium para aquela encarnação? Ermance: Sim.
A: Então você cumpriu uma programação, né?
M: Essa programação que você conseguiu executar te colocou em uma situação melhor no plano espiritual?
Ermance: Sim. Sim, me coloquei sim. Avancei mais um pouco, evoluí mais um pouco. A cada encarnação, mesmo que não tenhamos concluído a nossa proposta, sempre avançamos um pouco mais. Esta me causou um avanço muito grande.
A: Como nós estamos querendo chamar você para poder ajudar mais os nossos médiuns, e outros médiuns que porventura a gente conheça, qual é o maior perigo para um médium? O que você poderia indicar para a gente, para nos ajudar?
Ermance: A fascinação. Ser fascinado por um espírito que dita os seus pensamentos e o médium se torna escravizado por ele, repetindo as suas sintonias, os seus pensamentos. Isso é um grande erro e acaba influenciando outros.
A: Isso não é nada bom.
M: Você habita a Terra ainda ou outro orbe?
Ermance: Não, eu não habito a Terra.
M: Você já reviu suas reencarnações anteriores, Ermance?
Ermance: Sim.
M: Foi imediatamente após a sua morte ou demorou?
Ermance: Levou algum tempo, mas eu as vi.
M: Nessas reencarnações anteriores, você tinha contato direto com o professor Rivail?
Ermance: Sim. Nós nos comunicávamos pelo pensamento na tentativa da organização do que estava por vir.
A: Você se mantém conectada com ele até hoje?
Ermance: Sim.
M: Então você consegue lembrar nitidamente as suas existências anteriores à Ermance, correto?
Ermance: Sim. Nos é passado como filme as nossas encarnações anteriores, os nossos aprendizados.
M: Você lembra dos pormenores dessas reencarnações?
Ermance: Elas nos são passadas como um flash. Não poderia lidar com os pormenores das encarnações.
M: E só mais uma pergunta. Se você consegue lembrar dessas existências anteriores, qual seria o motivo de você não lembrar o que a Joanna D’arc ditou a você quando encarnada como a Ermance?
Ermance: Como eu disse, até as encarnações anteriores não me lembro com detalhes. São passadas como um flash. Vamos adquirindo todo o aprendizado em cada uma delas que nos é concedido como um tesouro. Mas não é fácil lembrar dos detalhes de cada uma delas.
A: Na última reunião mediúnica que nós tivemos, o Espírito comunicante falou por duas médiuns ao mesmo tempo. Como foi isso possível, irmã?
Ermance: Posso assegurar que isso não pode ocorrer exatamente no mesmo momento da reunião entre dois médiuns. Mas o mesmo Espírito pode dar a comunicação a dois médiuns na mesma reunião.
A: O que fez você preferir conversar por essa médium do que pela outra? Nós temos duas médiuns aqui agora.
Ermance: Consigo perceber nesse momento o Espírito que sempre guia as reuniões. Que sempre está presente. É esse que se encontra com a médium.
A: Ermance, eu agradeço muito você ter conversado conosco, a sua disposição. Agradeço muito você ter podido vir aqui e gostaria que você desse uma saudação final e uma instrução para os nossos médiuns. Se você puder, claro.
Ermance: Meus irmãos, continuem o seu trabalho, continuem os estudos, as evocações; e sempre lembrem que cada médium, cada aparelho tem a sua limitação. Dentro das suas limitações, como o irmão falou, a boa vontade, a solicitude. Nunca se esqueçam disso. Sempre há aprendizado em cada uma das comunicações. Agradeço a oportunidade de aqui me encontrar e me despeço de vocês.
A: Que Deus te acompanhe, Ermance… Muito obrigada.

O diálogo apresenta conformidades, mas também incongruências com o que aprendemos com a Doutrina Espírita. Dois pontos mais incongruentes nos chamaram a atenção: ela não se lembrar daquilo que foi publicado no livro sobre Joanna D’arc, e ela dizer que os Espíritos não conseguem se comunicar por dois médiuns simultaneamente, o que é demonstrado como possível na obra de Kardec (O Livro dos Médiuns, item 282, sub-item 29).

Isso nos levantou dúvidas de ser realmente o Espírito de Dufaux quem se apresentou. Aqui, enfrentamos aquele dilema: não tendo outros grupos parceiros aptos a realizarem tais pesquisas, fazendo as mesmas evocações ou perguntas pertinentes, ficamos, de certa forma, de mãos atadas, deixando essa comunicação no rol da incerteza, aguardando o dia em que pudermos ver constituído um grupo de colaboração para isso.




Análise de Comunicação Mediúnica – A Metodologia Espírita: Fé, Provas e o Estudo em Grupo

Hoje trouxemos mais uma análise de comunicação mediúnica. O foco sempre é destacar as características lógicas das mensagens através do corpo da mensagem, análises ponto a ponto, e conclusões.

No mês de novembro de 2025, em uma de nossas reuniões mediúnicas, um dos médiuns recebeu a seguinte comunicação psicográfica espontânea de um Espírito:

Houve um tempo em que a necessidade das provas era necessária. Hoje, de acordo com a evolução dos habitantes do mundo, ela é ainda mais necessária, visto que a humanidade está cada vez mais imbuída de más intenções, visando o egoísmo e o ganho pessoal acima do coletivo. Estudos estão sendo feitos sobre médiuns e mediunidade. Os pesquisadores, no entanto, focados em cartas consoladoras, esquecem o básico da doutrina. Ou esquecem ou desconhecem.

Quando buscam por cartas consoladoras com o intuito da comprovação, o mundo espiritual, muitas vezes, se cala. A pesquisa carece de um ponto essencial: a fé. Também carece do entendimento do mundo espiritual.

Se fossemos enumerar, aqui, esses pontos, teríamos que ditar a codificação desde o seu princípio.

Ainda na época de Kardec, tentaram os mesmos experimentos. De lá, para cá, nada mudou nas Leis de Deus, nem na conduta dos Espíritos.

Mas não se preocupem. A hora das provas concretas está próxima e até os incrédulos tremerão.

Já dissemos: se for preciso, voltaremos a bater nas mesas.

Os médiuns são falhos. As Leis de Deus, não.

O estudo desses cientistas deveria ser feito em um grupo mediúnico. Só assim, poderiam entender o funcionamento básico dos fenômenos. Isolar médiuns para evocar espíritos não é um estudo correto. Analisar, no entanto, médiuns em transe nos grupos, poderia dar a eles material para abrirem as pesquisas.

Mas somos apenas mensageiros. Nossas palavras nem sempre são bem entendidas.

Desejamos, e faremos a nossa parte para que eles cheguem às suas melhores conclusões, sem retirar da humanidade a fé do amanhã, pelo contrário, informar aos incrédulos sobre a certeza que obterão de nosso mundo. (( entendemos que esta parte da mensagem seja melhor entendida desta forma: “Desejamos informar aos incrédulos sobre a certeza que obterão de nosso mundo. E faremos a nossa parte para que eles cheguem às suas melhores conclusões, sem retirar a fé do amanhã da humanidade” ))

Um Espirito – nov 2025

Esta comunicação tem a característica da firmeza doutrinária, lógica rigorosa e foco na utilidade moral. Aferiremos se as asserções do Espírito são coerentes com o ensinamento geral. Assim como se ela promove o progresso e o bem, em vez do sensacionalismo ou da especulação.

A mensagem pode ser classificada como profundamente instrutiva e em total conformidade com a moral dos Espíritos Superiores. Ela serve como um guia prático e uma severa advertência aos pesquisadores e médiuns.

Aqui está a análise ponto a ponto:

1. Sobre a Condição da Humanidade e a Necessidade das Provas

A avaliação da Humanidade — que está cada vez mais imbuída de más intenções, visando o egoísmo e o ganho pessoal acima do coletivo” — é uma constatação que reflete a realidade do nosso planeta de expiações e provas. O egoísmo e o orgulho são as verdadeiras chagas da Humanidade. O Espiritismo tem como meta essencial justamente o aperfeiçoamento moral do ser humano.

A declaração de que a necessidade das provas é ainda maior é lógica, pois as manifestações espíritas têm um fim providencial: convencer os incrédulos da sobrevivência da alma.

O aviso de que a “hora das provas concretas está próxima” e que “se for preciso, voltaremos a bater nas mesas”. está em sintonia com a lei do progresso. Os Espíritos iniciaram as suas manifestações com os efeitos físicos (as pancadas — tiptologia), que serviram como o vestíbulo da Ciência para despertar a atenção. Kardec observou que os Espíritos conduzem o ensino de modo gradativo e prudente. A retomada dos fenômenos físicos seria um meio poderoso para a implantação universal da doutrina na nova fase. Isto chocaria aqueles que ainda precisam de evidências materiais. ((https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/889/viagem-espirita-em-1862/1983/discursos-pronunciados-nas-reunioes-gerais-dos-espiritas-de-lyon-e-bordeaux ))

A afirmação de que “nada mudou nas Leis de Deus, nem na conduta dos Espíritos” é perfeitamente exata, pois as leis divinas são imutáveis. (( O Céu e o Inferno – Primeira Parte: Doutrina – Capítulo VIII. As penas futuras segundo o espiritismo – 14°. Diante dessa lei cai igualmente a objeção tirada da presciência divina. Deus, criando uma alma, sabe efetivamente se, em virtude de seu livre-arbítrio, ela tomará o bom ou o mau caminho; sabe que ela será punida se agir mal; mas sabe também que esse castigo temporário é um meio de fazê-la compreender seu erro e de fazê-la adentrar no bom caminho, a que chegará cedo ou tarde. Segundo a doutrina das penas eternas, Deus sabe que a alma falhará e está de antemão condenada a torturas sem fim. A razão diz também de qual lado está a verdadeira justiça de Deus. ))

2. Sobre a Metodologia de Pesquisa, a Fé e o Silêncio Espiritual

A crítica aos pesquisadores que “focados em cartas consoladoras, esquecem o básico da doutrina” e agem com a “curiosidade” é um ponto essencial reiterado nas obras espíritas.

Necessidade de Fé e Estudo: O ensino afirma corretamente que a pesquisa carece de e de entendimento do mundo espiritual. Kardec sempre sublinhou que a fé inabalável é aquela que pode encarar frente a frente a razão. O estudo sério e perseverante é a primeira condição para conhecer o Espiritismo. (( https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/2/o-livro-dos-espiritos/47/introducao-ao-estudo-da-doutrina-espirita/xvii ))

O Silêncio Espiritual: O fato de que “o mundo espiritual, muitas vezes, se cala” quando a busca é pela comprovação (por interesse ou curiosidade) é uma verdade constante. Os Espíritos Superiores não gostam dos curiosos. Eles não se prestam a experiências frívolas, ociosas ou para dar espetáculo, e se recusam a auxiliar qualquer tipo de cupidez ou egoísmo.

A mensagem está correta ao sugerir “ditar a codificação desde o seu princípio” para esclarecer esses pontos. isto demonstraria que, sem a base filosófica (Deus, alma, imortalidade), o estudo da manifestação é inútil. (( Livro dos Médiuns capítulo III – Do método https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/884/o-livro-dos-mediuns-ou-guia-dos-mediuns-e-dos-evocadores/1009/primeira-parte-nocoes-preliminares/capitulo-iii-do-metodo/18)))

3. Sobre a Falibilidade do Médium e a Importância do Grupo

A comunicação fornece instruções práticas vitais sobre a prática mediúnica:

A Falibilidade: A distinção “Os médiuns são falhos. As Leis de Deus, não” é fundamental. A faculdade mediúnica é orgânica e independe do moral do médium. Contudo, a aplicação e a qualidade das comunicações dependem das qualidades do médium.

O Escolho do Isolamento: A crítica de que “Isolar médiuns para evocar espíritos não é um estudo correto” é uma máxima de segurança. O isolamento do médium é um dos maiores escolhos da mediunidade. Aquele que trabalha sozinho se torna facilmente presa de Espíritos mentirosos e hipócritas que o dominam. (( Livro dos Médiuns – Segunda Parte – Capítulo Das manifestações espíritas Capítulo XXIII — Da obsessão – Causas da obsessão – 248. Acontece muito frequentemente que um médium só se pode comunicar com um único Espírito, que a ele se liga e responde pelos que são chamados por seu intermédio. Nem sempre há nisso uma obsessão, porquanto o fato pode derivar da falta de maleabilidade do médium, de uma afinidade especial sua com tal ou tal Espírito. Somente há obsessão propriamente dita, quando o Espírito se impõe e afasta intencionalmente os outros, o que jamais é obra de um Espírito bom. Geralmente, o Espírito que se apodera do médium, tendo em vista dominá-lo, não suporta o exame crítico das suas comunicações; quando vê que não são aceitas, que as discutem, não se retira, mas inspira ao médium o pensamento de se insular, chegando mesmo, não raro, a ordenara-lo. Todo médium, que se melindra com a crítica das comunicações que obtém, faz-se eco do Espírito que o domina, Espírito esse que não pode ser bom, desde que lhe inspira um pensamento ilógico, qual o de se recusar ao exame. O insulamento do médium é sempre coisa deplorável para ele, porque fica sem uma verificação das comunicações que recebe. Não somente deve buscar a opinião de terceiros para esclarecer-se, como também necessário lhe é estudar todos os gêneros de comunicações, a fim de as comparar. Restringindo-se às que lhe são transmitidas, expõe-se a se iludir sobre o valor destas, sem considerar que não lhe é dado tudo saber e que elas giram quase sempre dentro do mesmo círculo.))

A Força do Grupo: O conselho de que o estudo “deveria ser feito em um grupo mediúnico” é a única forma de evitar a obsessão. O grupo sério fornece o controle, a análise e o exame crítico das comunicações por pessoas desinteressadas e benevolentes, o que desmascara os Espíritos enganadores. (( O Livro dos Médiuns ou Guia dos médiuns e dos evocadores. Segunda parte — Das manifestações espíritas. Capítulo XXIX — Das reuniões e das sociedades espíritas. Das reuniões em geral. 329.As reuniões de estudo são, além disso, de imensa utilidade para os médiuns de manifestações inteligentes, para aqueles, sobretudo, que seriamente desejam aperfeiçoar-se e que a elas não comparecerem dominados por tola presunção de infalibilidade. Constituem um dos grandes tropeços da mediunidade, como já tivemos ocasião de dizer, a obsessão e a fascinação. Eles, pois, podem iludir-se de muito boa-fé, com relação ao mérito do que alcançam e facilmente se concebe que os Espíritos enganadores têm o caminho aberto, quando apenas lidam com um cego. Por essa razão é que afastam o seu médium de toda fiscalização; que chegam mesmo, se for preciso, a fazê-lo tomar aversão a quem quer que o possa esclarecer. Graças ao insulamento e à fascinação, conseguem sem dificuldade levá-lo a aceitar tudo o que eles queiram. Nunca será demais repetir: aí se encontra não somente um tropeço, mas um perigo; sim, verdadeiro perigo, dizemos. O único meio, para o médium, de escapar-lhe é a análise praticada por pessoas desinteressadas e benevolentes que, apreciando com sangue frio e imparcialidade as comunicações, lhe abram os olhos e o façam perceber o que, por si mesmo, ele não possa ver. Ora, todo médium que teme esse juízo já está no caminho da obsessão; aquele que acredita ter sido a luz feita exclusivamente em seu proveito está completamente subjugado. Se toma a mal as observações, se as repele, se se irrita ao ouvi-las, dúvida não cabe sobre a natureza má do Espírito que o assiste. Temos dito que um médium pode carecer dos conhecimentos necessários para perceber os erros; que pode deixar-se iludir por palavras retumbantes e por uma linguagem pretensiosa, ser seduzido por sofismas, tudo na maior boa-fé. Por isso é que em falta de luzes próprias, deve ele modestamente recorrer à dos outros, de acordo com estes dois adágios: quatro olhos veem mais do que dois e — ninguém é bom juiz em causa própria. Desse ponto de vista é que são de grande utilidade para o médium as reuniões, desde que se mostre bastante sensato para ouvir as opiniões que se lhe deem, porque ali se encontrarão pessoas mais esclarecidas do que ele e que apanharão os matizes, muitas vezes delicados, por onde trai o Espírito a sua inferioridade. Todo médium, que sinceramente deseje não ser joguete da mentira, deve, portanto, procurar produzir em reuniões serias, levando-lhes o que obtenha em particular, aceitar agradecido, solicitar mesmo o exame crítico das comunicações que receba. Se estiver às voltas com Espíritos enganadores, esse o meio mais seguro de se desembaraçar deles, provando-lhes que não o podem enganar. Aliás, ao médium, que se irrita com a crítica, tanto menos razão assiste para semelhante irritação, quanto o seu amor-próprio nada tem que ver com o caso, pois que não é seu o que lhe sai da boca, ou do lápis, e que mais responsável não é por isso, do que o seria se lesse os versos de um mau poeta. Insistimos nesse ponto, porque, assim como esse é um escolho para os médiuns, também o é para as reuniões, nas quais importa não se confie levianamente em todos os intérpretes dos Espíritos. O concurso de qualquer médium obsidiado, ou fascinado, lhes seria mais nocivo do que útil; não devem elas, pois, aceitá-lo. Julgamos já ter expendido observações suficientes, de modo a lhes tornar impossível equivocarem-se acerca dos caracteres da obsessão, se o médium não a puder reconhecer por si mesmo. Um dos mais evidentes é, da parte deste, a pretensão de ter sempre razão contra toda gente. Os médiuns obsidiados, que se recusam a reconhecer que o são, se assemelham a esses doentes que se iludem sobre a própria enfermidade e se perdem, por se não submeterem a um regime salutar. ))

Análise em Transe: A sugestão de “analisar, no entanto, médiuns em transe nos grupos” é uma metodologia válida. O estado de sonambulismo ou êxtase permite que o Espírito do médium se manifeste mais livremente, revelando manifestações mais elevadas e profundas.

4. Sobre a Identidade e a Missão

A ausência de um nome específico do Espírito, apresentando-se apenas como “somos apenas mensageiros”, seria visto como um sinal de seriedade e humildade, típicos de Espíritos que se importam com a ideia e não com o homem. Pela análise, podemos afirmar que é o mesmo espirito que se comunicou anteriormente na nesta mensagem aqui

O Foco na Mensagem: A prioridade de “informar aos incrédulos sobre a certeza que obterão de nosso mundo” é a finalidade máxima e essencial da Doutrina Espírita. ((https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/885/o-que-e-o-espiritismo/1320/capitulo-ii-nocoes-elementares-de-espiritismo/fim-providencial-das-manifestacoes-espiritas))

Veredito Final de nossa análise:




Análise de Comunicação Mediúnica: Dose de Ânimo – Espírito Amigo

Fazer a análise das comunicações mediúnicas recebidas é tão importante quanto recebê-las e aplicá-las. O estudo comparativo entre elas e a Doutrina Espírita faz com que as validemos ou não. Além disso, nos ajuda a entender melhor o mundo que nos cerca.

Em uma de nossas conversas com os Espíritos no mês de setembro de 2025, recebemos a seguinte comunicação de um dos Espíritos Amigos que nos auxiliam:

Pergunta: Sobre esses esforços, às vezes parece que não encontram muitas pessoas dispostas por aí. Gostaria de uma avaliação nesse sentido de como estão.

Resposta: A calma e a resistência. Para Kardec também não foi fácil. Com todas as distorções que agora se encontram nesse mundo. Com o materialismo ainda mais pungente do que era na época de Kardec.

As pessoas, aos poucos, com a nossa intervenção, e podem ter certeza que estamos trabalhando com relação a isso, sentirão a nossa presença. Nem que para isso tenhamos que começar da mesma forma que foi no século de Kardec. Batendo, chamando.

Temos essa necessidade urgente de recomeço. E vocês serão procurados por muitos que sofrem por não entenderem aquilo que nós queremos transmitir.

Preparem-se para essa leva de pessoas que receberão nossos estímulos de todas as formas. Porque vocês serão aqueles que abrirão as portas ao recomeço. Não se assustem com a responsabilidade. Apenas façam aquilo que vocês sabem que devem fazer. Vejam que há muitas pessoas concordando com aquilo que vocês escrevem, com aquilo que vocês falam. Esses abrirão outras portas e receberão a mesma responsabilidade.

Não há um só ser, uma só consciência, que não será questionada. Eu não queria usar a palavra perturbada, mas ela significa algo que vocês entenderão. Não existe uma só consciência que não será perturbada pelo mundo que aqui se encontra, esse mundo espiritual.

Nós estamos coordenando vários grupos. Existem outros acima de mim, moralmente superiores, que nos enviam essas mensagens e nos fazem agir para que o mundo desperte — pelo menos uma grande quantidade de pessoas desperte para essa verdade absoluta que é o mundo espiritual.

E saiam do misticismo, das incoerências, das falsas verdades que se arraigaram nessa literatura vasta que vocês têm nas estantes, nas livrarias, que chamam por títulos mirabolantes, que pensam que falam do mundo espiritual. Não percam o caminho que se abriu diante de vocês. 

Desejo que todos sejam a luz de Deus. Aquilo que digo desde sempre, comunico com vocês. Propaguem essa luz. Sejam, sim, a luz de Deus. Porque aqui todos nós somos a luz de Deus.

— Espírito Amigo

Todos: Muito obrigado. Que boa dose de ânimo.

A mensagem deste Espírito Amigo apresenta diversos pontos que encontram ressonância e elucidação nas obras de Allan Kardec, especialmente no que tange à natureza da comunicação espiritual, a propagação do Espiritismo e a responsabilidade dos encarnados nesse processo.

Vamos analisar a mensagem deste Espírito ponto a ponto, à luz dos ensinamentos da Doutrina Espirita:

1. “As pessoas, aos poucos, com a nossa intervenção, e podem ter certeza que estamos trabalhando com relação a isso, sentirão a nossa presença.”

  • Esta afirmação está plenamente alinhada com o que Kardec e os Espíritos Superiores ensinam. Os Espíritos agem incessantemente sobre nós, muitas vezes sem o nosso conhecimento, quer sejamos espíritas ou médiuns. Eles formam uma população inquieta que pensa e age sem cessar, influenciando-nos para o bem ou para o mal. O Espiritismo revela esse mundo invisível e sua ação sobre o mundo visível. Os Espíritos Superiores têm uma missão de presidir à regeneração da Humanidade e dirigem os trabalhos, mesmo sem estarem encarnados. Portanto, a ideia de que os Espíritos trabalham ativamente para tornar sua presença sentida é um pilar da doutrina.

2. “Nem que para isso tenhamos que começar da mesma forma que foi no século de Kardec. Batendo, chamando. Temos essa necessidade urgente de recomeço.”

  • Aqui, o Espirito se refere às manifestações físicas ostensivas, como os fenômenos de mesas girantes e ruídos, que foram os primórdios do Espiritismo. Kardec reconhece que essas manifestações, embora superficiais, tiveram sua utilidade. Elas serviram como um “vestíbulo da ciência”, um meio inicial para convencer as pessoas da existência dos Espíritos. O próprio Kardec menciona que “quem faz dançarem os macacos pelas ruas? Serão os homens superiores?” questionando a origem de tais manifestações mais simples, mas admitindo que “têm sua utilidade, porque talvez mais que qualquer outra podem servir para convencer os homens de hoje”. Os Espíritos instrutores, entretanto, logo direcionaram o foco para a filosofia e a moral, indicando que a força do Espiritismo reside na razão e no bom senso, não apenas nos fenômenos materiais. Assim, a “necessidade urgente de recomeço” através de fenômenos físicos pode ser vista como uma estratégia para chamar a atenção dos incrédulos, um passo inicial para despertar a curiosidade e, em seguida, conduzir ao estudo sério da doutrina.

3. “E vocês serão procurados por muitos que sofrem por não entenderem aquilo que nós queremos transmitir. Preparem-se para essa leva de pessoas que receberão nossos estímulos de todas as formas. Porque vocês serão aqueles que abrirão as portas ao recomeço.”

  • Essa previsão do Espírito está muito de acordo com os propósitos do Espiritismo e a experiência relatada por Kardec. A doutrina visa consolar os que sofrem, levantar a coragem dos abatidos e arrancar o homem de suas paixões e do desespero. O Espiritismo, por sua lógica e capacidade de explicar o que outras filosofias não conseguem, atrai aqueles que buscam a verdade e a consolação. Os médiuns, ao serem intérpretes dos Espíritos, cumprem a missão de instruir os homens e conduzi-los à fé. A propagação do Espiritismo muitas vezes ocorre porque ele “dá o que não dão as outras filosofias”. A mensagem também reflete a ideia de que os adeptos, uma vez esclarecidos, têm a missão de espalhar a luz ao seu redor, sem impor, mas sim oferecendo explicações aos que as buscam de boa-fé.

4. “Não se assustem com a responsabilidade. Apenas façam aquilo que vocês sabem que devem fazer. Vejam que há muitas pessoas concordando com aquilo que vocês escrevem, com aquilo que vocês falam. Esses abrirão outras portas e receberão a mesma responsabilidade.”

  • A responsabilidade é um tema recorrente na doutrina espírita. Os médiuns, sendo favorecidos com a faculdade mediúnica, são lembrados de que serão “severamente punidos” se a desviarem de seu objetivo moral. A propagação das ideias espíritas implica o “dever de prática” e de honrar a doutrina pelas obras. A concordância de ideias e o testemunho público são sinais de que a doutrina está tocando corações e mentes, validando o trabalho dos médiuns. A multiplicação de grupos e a adesão de pessoas que leram e compreenderam são vitais para a propagação, e esses novos adeptos também assumem a responsabilidade de espalhar a luz, como “apóstolos”.

5. “Não há um só ser, uma só consciência, que não será questionada. Eu não queria usar a palavra perturbada, mas ela significa algo que vocês entenderão. Não existe uma só consciência que não será perturbada pelo mundo que aqui se encontra, esse mundo espiritual.”

  • Esta observação do Espírito Comunicante é profundamente condizente com a visão espírita da interação constante entre os dois mundos. O “mundo espiritual” que nos cerca, invisível, exerce uma ação contínua sobre nós, moral e fisicamente. Os Espíritos não são passivos; eles pensam e agem incessantemente, influenciando-nos. Essa influência, mesmo dos bons Espíritos, é um estímulo à nossa consciência, levando-nos a refletir e a progredir. A “perturbação” pode ser interpretada não como algo necessariamente negativo (como uma obsessão), mas como um despertar da consciência para a realidade espiritual, que desafia as ideias materialistas e as certezas antigas. O Espiritismo é justamente essa luz que aclara os recônditos da sociedade e perturba as trevas da incredulidade. É um “facho de luz” que dissipa o materialismo.

6. “Nós estamos coordenando vários grupos. Existem outros acima de mim, moralmente superiores, que nos enviam essas mensagens e nos fazem agir para que o mundo desperte. Pelo menos uma grande quantidade de pessoas desperte para essa verdade absoluta que é o mundo espiritual.”

  • Esta parte da mensagem reforça a estrutura hierárquica e organizada do mundo espiritual, tal como descrito por Kardec. Os Espíritos ensinam que há uma diversidade de conhecimentos e qualidades morais entre eles. Existem Espíritos de diferentes ordens, desde os “simples, ignorantes que são” até os “superiores”, que podem dar instruções. O “Espírito de Verdade” é um dos guias principais, e há grandes Espíritos que receberam missão de presidir à regeneração da Humanidade. A coordenação de grupos e a recepção de mensagens de Espíritos moralmente superiores são características do trabalho sério no Espiritismo. O objetivo final é o aperfeiçoamento do homem moral e a destruição do materialismo, levando a Humanidade a reconhecer a verdade absoluta que é o mundo espiritual. A multiplicação dos grupos e a propagação da doutrina são meios para atingir esse despertar global.

7. “E saiam do misticismo, das incoerências, das falsas verdades que se arraigaram nessa literatura vasta que vocês têm nas estantes, das livrarias, que chamam por títulos mirabolantes, que pensam que falam do mundo espiritual.”

  • Crítica ao misticismo e às falsas verdades: Kardec sempre enfatizou que o Espiritismo não é uma crença cega, mas uma doutrina que apela à razão e ao bom senso. Ele adverte contra a prática do Espiritismo que se desvia de seu objetivo moral, caindo na curiosidade estéril. A doutrina fala uma linguagem clara, sem ambiguidades e sem misticismo ou alegorias suscetíveis a falsas interpretações, pois “chegados são os tempos de fazer-se que os homens conheçam a verdade”.
  •     Incoerências e contradições: os próprios Espíritos instrutores, citados por Kardec, alertam que se encontrará contraditores encarniçados e mesmo Espíritos que procuram semear a dúvida por malícia ou ignorância. Há Espíritos com ideias limitadas e outros que julgam saber tudo e tudo querem explicar à sua maneira, gerando opiniões dissidentes. Por isso, o Espiritismo ensina que as comunicações devem ser submetidas ao crivo da lógica e da razão, e que não se deve aceitar cegamente tudo o que vem dos Espíritos, pois eles dizem o que sabem e nem sempre possuem a verdade absoluta. Kardec, ao codificar, baseou-se na concordância universal dos ensinamentos dos Espíritos, obtida através de múltiplos médiuns em diversas regiões ao mesmo tempo, como a única garantia séria contra as contradições e sistemas parciais.
  •     “Literatura vasta que vocês têm nas estantes, das livrarias, que chamam por títulos mirabolantes”: Isso reflete a preocupação com a proliferação de obras que, embora se apresentem como espíritas, podem conter extravagâncias ou serem fruto de obsessão, prestando-se ao ridículo e dando armas aos inimigos da causa. Kardec alertava para o perigo de divulgar levianamente comunicações apócrifas ou que, por sua inferioridade, não contribuem para o esclarecimento. O verdadeiro saber e a verdadeira virtude não podem ser imitados pela ignorância e pelo vício.

8. “Não percam o caminho que se abriu diante a vocês.”

  •     O “caminho” do Espiritismo: Para Kardec, o Espiritismo é um caminho de esclarecimento e progresso moral, com a missão de combater a incredulidade e suas funestas consequências, fornecendo provas patentes da existência da alma e da vida futura. Ele se apresenta como um poderoso auxiliar, confirmando suas verdades fundamentais e explicando o que o Cristo não pôde dizer em seu tempo porque a Humanidade não estava madura para compreender.
  •     Perder o caminho: Implicaria desviar-se dos princípios da verdadeira caridade e do desinteresse pessoal, ou da busca pelo aprimoramento moral. Os médiuns, por exemplo, são advertidos de que, se desviarem a mediunidade de seu objetivo moral, serão severamente punidos. A ênfase é em tornar-se melhor, pois o único meio de avançar é o de tornar-se melhor.

9. “Desejo que todos sejam a luz de Deus. Aquilo que digo desde sempre, comunico com vocês. Propaguem essa luz. Sejam, sim, a luz de Deus. Porque aqui todos nós somos a luz de Deus.”

  •     Ser e propagar a “luz de Deus”: Esta é a missão fundamental dos espíritas e da própria doutrina. Os Espíritos Superiores são os ministros de Deus e agentes de Sua vontade, com a missão de instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da humanidade. Os adeptos são chamados para pregar a palavra divina. Eles devem regar com seu suor o terreno onde semeiam, pois a doutrina só frutificará sob os esforços incessantes.
  •     “Todos nós somos a luz de Deus”: Essa afirmação sublinha a visão espírita de que todos os homens são médiuns em potencial, possuindo um Espírito familiar que os dirige para o bem, mesmo que não o percebam conscientemente. A elevação moral e intelectual é o destino de todos os Espíritos, e o conhecimento espírita é um meio de nos aproximar da Divindade. A doutrina busca despertar nos homens o amor ao bem pela prática dos preceitos de Jesus. A fé raciocinada que o Espiritismo proporciona multiplica o número dos chamados.. O progresso da Humanidade depende da compreensão e aplicação dessa luz, transformando a sociedade.



Ensinamentos de Além-Túmulo – A Generosidade

Pergunta 1 – Eu queria saber se o espírito de XXX se encontra nesse ambiente. Existiria uma possibilidade de o evocar?

Resposta 1– Existe, mas… Vocês perceberam que todos que vocês chamaram anteriormente, vieram todos ao contrário? Percebam: há muito mais para se aprender do que aquilo que vocês imaginam. Vocês lembram do pedreiro? Vocês aprenderam muito com ele.

Nós entendemos a vontade de vocês de confirmar identidades e retomar diálogos com espíritos amigos, queridos, que já atravessaram o limiar entre a vida e o mundo espiritual. Mas há uma imensidão de outros tantos que necessitam de uma comunicação, que necessitam de palavras amigas, que necessitam de orientação. E nós aqui, por mais que façamos, não os atingimos da mesma forma.

Com essa Evocação foi assim. A aproximação com vocês ofereceu a ele a oportunidade de se desvencilhar dos vícios que ele tinha. Sejam generosos com aqueles que procuram por vocês, porque o espaço está aberto.

Não quero dizer com isso que vocês não possam conversar com seus entes queridos. Mas recebam sempre aqueles que chegam como se também fossem entes queridos. O amor é uma dádiva e a caridade que fazemos com aqueles que se aproximam passa mais na construção de um mundo melhor.

Porque eles são o futuro da nova humanidade que está surgindo. Porque eles retornarão à vida corporal. E se eles não tiverem a oportunidade de saírem dos vícios morais em que se encontram, retornarão ao corpo físico, trazendo toda essa bagagem e dificultando ainda mais o novo porvir.

OBSERVAÇÕES: A mensagem é de suma importância, pois toca em pontos nevrálgicos da economia espiritual e da nossa própria missão na Terra. Havíamos acabado de tentar duas evocações diretas e, para as duas, quem se apresentou foi outro Espírito, no lugar de quem chamávamos. Nossa atitude, ao perceber a impostura, foi de acolher brevemente, sem rispidez, mas solicitando que eles aguardassem uma nova oportunidade, quase dizendo “obrigado, próximo”, perdendo de vista a oportunidade de aprendizado em vistas, talvez por um certo medo do que acontecia. Honestamente, nos sentimos envergonhados, depois da lição que ora abordamos.

O desejo de “confirmar identidades e retomar diálogos com espíritos amigos, queridos, que já atravessaram o limiar entre a vida e o mundo espiritual” e a possibilidade de comunicação com aqueles que nos precederam na grande jornada é, sem dúvida, uma consolação, que nos proporciona o meio de nos entretermos com nossos parentes e amigos desencarnados, aprendendo e ensinando. Essa comunicação nos auxilia com seus conselhos, testemunha seu afeto e a alegria que sentem por serem lembrados. É uma satisfação saber que estão felizes e, por seu intermédio, aprender os detalhes de sua nova existência, adquirindo a certeza de que um dia nos juntaremos a eles. A morte, como nos é revelado, não é uma destruição absoluta, mas uma passagem, uma transformação sem solução de continuidade, e as relações de afeição estabelecidas na Terra continuam.

Contudo, a observação de que “há uma imensidão de outros tantos que necessitam de uma comunicação, que necessitam de palavras amigas, que necessitam de orientação” aponta para uma verdade mais vasta, que transcende o âmbito das afeições pessoais. Os Espíritos que nos cercam são inumeráveis, e muitos deles, “frequentemente os mais simples”, anseiam por se comunicar. A mediunidade não é um dom exclusivo para o médium, mas para o “bem geral”. Ao seu redor, há uma “multidão de irmãos, pouco adiantados ou em sofrimento” que podem ser atraídos pelos seus pensamentos e por suas preces, levando à fé e à esperança. É por isso que, ao não evocar ninguém em particular, corre-se o risco de abrir a porta a Espíritos inferiores. Sua compaixão e sua prece podem ser um alento para os Espíritos esquecidos ou sofredores, revertendo-se em seu benefício.

O caso mencionado da evocação precedente que “a aproximação com vocês ofereceu a ele a oportunidade de se desvencilhar dos vícios que ele tinha”, ilustra perfeitamente a missão moral do Espiritismo, bem como a obrigação moral dos verdadeiros espíritas. Os Espíritos nos revelam que a vida corporal é uma escola, uma série de provas e expiações, e que o sofrimento, quando bem suportado, serve para nossa depuração e elevação. Espíritos ainda imperfeitos podem permanecer em estados de perturbação e sofrimento, revendo constantemente seus erros. A caridade, a oração e a compaixão daqueles que ficam na Terra podem, de fato, aliviar essas penas e auxiliar o Espírito a reconhecer seus erros e a se arrepender, abrindo caminho para o progresso. O arrependimento sincero, a reparação das faltas e a prática do bem são os únicos meios de abreviar os sofrimentos.

Quando o Espirito diz “Sejam generosos com aqueles que procuram por vocês, porque o espaço está aberto”, está reafirmando o princípio da caridade universal. A caridade não se limita à esmola; ela abrange a tolerância, a benevolência e o amor ao próximo. Os bons Espíritos são atraídos por corações puros e elevados, e por um desejo sincero de instruir-se. É a caridade que permite o intercâmbio fraterno entre os mundos, uma “alavanca poderosa que põe em comunicação os espíritos de todos os mundos”.

É certo que não se deve recusar a “conversar com seus entes queridos”. Isso seria negar uma das mais doces consolações que a Providência nos concede. No entanto, a Doutrina nos impele a uma visão mais ampla. A recomendação de “recebam sempre aqueles que chegam como se também fossem entes queridos” é uma aplicação prática da caridade e do amor universal. “O amor é uma dádiva e a caridade que fazemos com aqueles que se aproximam passa mais na construção de um mundo melhor”. O verdadeiro espírita, como o verdadeiro cristão, busca ativamente o bem e a caridade, sem interesses. É por meio da prática do bem e da caridade que os laços se fortalecem, tanto entre vós quanto entre vós e o mundo espiritual.

A parte mais premente da mensagem reside na afirmação: “Porque eles são o futuro da nova humanidade que está surgindo. Porque eles retornarão à vida corporal. E se eles não tiverem a oportunidade de saírem dos vícios morais em que se encontram, retornarão ao corpo físico, trazendo toda essa bagagem e dificultando ainda mais o novo porvir”. Isso ressalta a importância da reencarnação como lei de progresso. A pluralidade das existências é necessária para que o Espírito possa depurar-se e adquirir novos conhecimentos e qualidades, até atingir a perfeição. Aqueles que partem da Terra em estado de imperfeição e vícios, se não se esforçarem para a reforma moral no mundo espiritual, retornarão à vida corporal com a mesma bagagem, e o Espiritismo nos mostra que as condições de uma nova existência dependem de si mesmos. Se não aproveitam o período de erraticidade para progredir, ou se escolhem provas que não condizem com seu adiantamento, podem dificultar seu próprio progresso. Deus, em sua infinita justiça e bondade, concede ao homem os meios de reparar suas faltas, e a reencarnação é um desses meios. As nossas ações em auxiliar esses Espíritos necessitados contribui diretamente para a “regeneração da Humanidade”, pois eles são os futuros obreiros da Terra. A nossa tarefa é de diminuir o número de nossos irmãos ignorantes, a fim de que o Livro dos Espíritos possa ser compreendido por todos.

Pergunta 2– Só um aspecto, se me permitir perguntar:  e o fator evocação que tanto Kardec falou que era importante fazer? E se nós evocamos e vem outro espírito?

Resposta 2 – Vocês podem evocar. Eu não disse que não podem. Mas quando acontece que um outro espírito se aproximar no lugar daqueles que vocês estão chamando, façam o seu melhor. Os que vão virão. Podem ficar tranquilos.

Nós procuramos deixar o espaço livre pela escolha de cada um. A frustração de vocês é fruto dos sentimentos que vocês possuem, um pouco do orgulho ferido por não serem atendidos. E é um trabalho de longo prazo.

Vocês podem, se quiserem, fazer essa divisão de um tempo a cada um (entre evocações diretas e atendimento a comunicações espontâneas), mas nada garante que ela se concretize. Tenham em mente que a liberdade aqui é respeitada. Cada um de vocês tem um aprendizado, tem uma sequência de vida e cada um de vocês tem um sentimento a ser trabalhado.

Foquem nisso e tenham fé. A espiritualidade não determina, não impõe de cima para baixo. Não forçamos ninguém a fazer tal ou qual coisa.

Entendemos sim a frustração de vocês. Às vezes é necessário que haja algum desconforto, mas é um trabalho interno, pessoal de cada um. Não desejamos que as comunicações sejam interrompidas.

Também não desejamos que vocês desistam de falar com as pessoas, com os espíritos de seus entes queridos. Persistam. Tenham fé.

OBSERVAÇÕES: A mensagem mostra verdades profundas que a Doutrina Espírita nos tem desvelado.

“Vocês podem evocar. Eu não disse que não podem. Mas quando acontece que um outro espírito se aproximar no lugar daqueles que vocês estão chamando, façam o seu melhor. Os que vão virão. Podem ficar tranquilos”, toca num ponto essencial da prática mediúnica. De fato, a possibilidade de comunicação com os Espíritos é uma consolação, que nos permite conversar com nossos entes queridos que já deixaram a Terra, auxiliando-nos com seus conselhos e testemunhando-nos seu afeto. É útil e mesmo necessário evocar Espíritos determinados. Contudo, a experiência nos mostra que, ao nosso redor, há sempre uma “imensa maioria” de Espíritos, ansiosos por se comunicar. Se não evocar ninguém em particular, abrirá a porta a todos que queiram entrar. E mesmo ao evocar, um Espírito diferente do chamado pode apresentar-se. Nestes casos, a paciência e o discernimento são nossos melhores guias. Os Espíritos que realmente têm algo de sério e útil a dizer virão, mas não estão às nossas ordens. A nossa boa intenção e a seriedade do propósito atraem os bons Espíritos.

“A frustração de vocês é fruto dos sentimentos que vocês possuem, um pouco do orgulho ferido por não serem atendidos. E é um trabalho de longo prazo”. Observamos que essa é uma lição fundamental. A Doutrina nos ensina que o Espiritismo tem como objetivo principal o “melhoramento moral da humanidade”. O orgulho e o egoísmo são vícios radicais que persistem e que os Espíritos buscam combater. A persistência em obter fenômenos específicos ou a vaidade podem levar a mistificações. É preciso ter em mente que o progresso espiritual é um trabalho contínuo, de “longo prazo”, que exige paciência e perseverança.

Quando ele diz: “Vocês podem, se quiserem, fazer essa divisão de um tempo a cada um, mas nada garante que ela se concretize. Tenham em mente que a liberdade aqui é respeitada. Cada um de vocês tem um aprendizado, tem uma sequência de vida e cada um de vocês tem um sentimento a ser trabalhado”, reforça um dos pilares de nossa fé: o livre-arbítrio e a não-imposição. Os Espíritos não se impõem; eles dão conselhos e, se não são atendidos, retiram-se. O Espírito encarnado precisa exercitar suas próprias forças e adquirir experiência para progredir, e a ação dos Espíritos protetores é regulada para não tolher o livre-arbítrio. A divisão do tempo para comunicações ou a escolha de provas pertence ao plano individual de cada Espírito, seja encarnado ou desencarnado, visando seu próprio aperfeiçoamento.

A observação de que “a espiritualidade não determina, não impõe de cima para baixo. Não forçamos ninguém a fazer tal ou qual coisa” é a confirmação do que acima dissemos. Os bons Espíritos são atraídos pela pureza de coração e pelo desejo sincero de instrução, e não por ordens ou rituais sem sentido. As verdades morais são oferecidas para que cada um as tome e as aplique, se quiser, em seu próprio progresso.

Por fim, ao afirmar “Entendemos sim a frustração de vocês. Às vezes é necessário que haja algum desconforto, mas é um trabalho interno, pessoal de cada um. Não desejamos que as comunicações sejam interrompidas. Também não desejamos que vocês desistam de falar com as pessoas, com os espíritos de seus entes queridos. Persistam. Tenham fé”, revela a compaixão e a sabedoria que permeiam o mundo espiritual. As aflições e o “desconforto” são, muitas vezes, provas necessárias para o nosso adiantamento, e a maneira como as suportamos com resignação contribui para o nosso progresso. É um trabalho do Espírito, que cada um deve empreender. A perda de entes queridos, embora dolorosa, é suavizada pela certeza da continuidade da vida e pela possibilidade de comunicação, que é uma suprema consolação. Nossos guias espirituais, como anjos guardiões, estão sempre conosco, oferecendo seu amparo e conselho, mesmo que não os percebamos diretamente. A persistência na fé e na prática do bem é o que nos fortalece e nos permite avançar no caminho da felicidade eterna.

Sigamos aguardando a chegada de novos grupos parceiros, para se juntar a nós na pesquisa, retomando o método científico necessário para o desenvolvimento do Espiritismo.




Diálogos de Além-Túmulo: da vingança à fraternidade

Através de um contato via TikTok, uma moça, residente em Portugal, pediu ajuda para seu caso. Dizia ela estar sofrendo com agitações em seu lar, com manifestações físicas, deixando-a atormentada. Sem colher maiores detalhes sobre o caso, resolvemos questionar ao Espírito Amigo, o Espírito que se apresentou como guia de nosso grupo, que nos recomendou o diálogo direto com o Espírito em questão:

Primeiro diálogo

1. Evocação

R: Aqui estou.

2. Olá amigo, seja muito bem-vindo entre nós. Nós primeiro gostaríamos de saber como podemos chamá-lo?

R: Vocês querem perguntar, então perguntem.

3. Tudo bem, nós vamos perguntar. Nós gostaríamos de entender qual é a sua motivação em estar ali e se é você que está provocando as manifestações físicas.

R: Provoquei sim.

4. Qual é o motivo?

R: A cobrança. Eu quero que ela se lembre do que ela fez.

5. O que ela te fez foi nesta vida presente, dela? Ou em outra encarnação?

R: Em uma outra.

6. Não queremos te julgar, não sabemos o que faríamos na sua posição. Gostaríamos de entender o que aconteceu.

R: Ela me maltratou. Ela sabia que eu tinha dificuldade. Mesmo assim, ela me maltratou.

7. Que posição vocês ocupavam? Em questão social, você era subalterno a ela?

R: Eu era filho. Ela nunca me tratou com amor.

8. Isso deve ter te provocado muita dificuldade durante a vida.

R: Muita surra. Muita humilhação.

9. Você se lembra se dessa encarnação anterior, você, como espírito, havia escolhido esse ambiente por algum motivo?

R: Era para termos uma vida equilibrada.

10. Você se lembra se você na vida anterior a essa vida, você já tinha conexão com ela?

R: Sim. Sempre tivemos problemas. Ela prometeu que dessa vez ela iria me amar. Eu sei que a situação não era boa, mas eu não tinha culpa nas escolhas que ela tinha feito. Eu só precisava nascer e a única responsabilidade dela era me amar, para que eu pudesse entender um pouco mais sobre o amor. Ela se omitiu. Se omitiu.. e só me trouxe sofrimento.

11. Tem outro espírito relacionado a essa história, agindo ali no local, não tem?

R: Tem.

12. Você sabe quem ele é?

R: Eu só sei que ele não é bom. Não.

13. Você não o conhece?

R: Não.

14. Por que você diz que ele não é bom?

R: Porque eu fujo dele.

15. Entendo. Será que ele tem boas intenções? E você não entendeu isso direito?

R: Eu não sei.

16. Eu quero que nos perdoe por qualquer pergunta mal direcionada. […] Você percebe que ela sofre hoje possivelmente por conta dessas escolhas que ela fez por essas tendências.

R: Eu percebo o sofrimento. Mas ela merece.

17. Ela sofre as consequências do que ela escolheu. Mas você se sente feliz estando ainda ao redor dela?

R: Eu só queria que ela me amasse. Mas se ela sofre de certa forma, eu sou feliz.

18. De que maneira você ficar fazendo essas demonstrações de manifestação na casa dela, você vai fazer ela sofrer? De que forma?

R: Não dando paz. Não dando sossego.

19. Existe uma grande diferença entre felicidade e alegria […] Você concorda com isso?

R: Não sei, acho que preciso pensar.

20. Essa realização está no princípio que o Espiritismo nos ensina […] Você consegue perceber esses espíritos?

R: É, eles estão aqui, sim. Dá pra ver. Eu tenho que pensar em tudo isso.

21. Esperamos que você se sinta bem entre nós […] quem sabe ajudando?

R: Acho que entendo um pouco do que você fala. Pode me chamar de Carlos.

22. Obrigado, Carlos. A intuição nunca nos falta, se eu falo bem, é por conta dos bons espíritos que estão conosco. Nunca se esqueça deles.

R: Eu vou pensar melhor em tudo o que você me falou.

23. E a gente espera que em próximas ocasiões possamos dialogar um pouco mais com você.

R: Espero que a gente possa se encontrar de novo, sim. Para poder conversar melhor.


Segundo diálogo

1. (Ao Espírito Amigo) Gostaria muito de saber, se for possível, gostaríamos de voltar a conversar com o Carlos, o espírito estava em participação ali com a M…

R: Carlos. Ele está aqui  presente.

2. Carlos, nosso amigo, queremos te receber de braços abertos novamente. E gostaríamos de saber como você está depois da nossa última conversa.

R: Um pouco mais esclarecido. Mas não estou cem por cento convencido.

4: Faz parte. O M… tentou chamá-lo no grupo dele. Você não quis ou você não pôde se comunicar lá?

R: Eu não quis.

5: Por qual motivo?

R: Eu ia escutar as mesmas coisas que vocês me falaram.

Observação: nesse diálogo, o Espírito ainda se expressava com desprezo e sarcasmo. Ainda assim, respondemos com bom-humor, fazendo-o sentir à vontade e mais próximo a nós.

6: Entendi, tudo bem. Nós entendemos essa  dificuldade. A gente mesmo, no dia a dia, é muito difícil de se convencer de que realmente a gente precisa perdoar uma determinada pessoa, deixar passar uma determinada coisa, né? Você gostaria de falar mais alguma coisa a respeito do que se passa ali, como a M…?

R: Se ela quer realmente o meu perdão, ela que ore por mim.

7: Ela disse estar orando, você percebeu?

R: Percebi.

8: Você ainda guarda um rancor?

R: É difícil esquecer certas coisas.

9: Justamente sobre isso que você está falando agora, de esquecer certas coisas. Como foi você na última vez? Você estava aqui, você falou que você precisava nascer e a única responsabilidade dela era te amar. Como foi essa combinação que vocês fizeram antes de nascer para poder acontecer isso?

R: Nós estamos vivendo algumas vidas juntos há algum tempo. Tivemos e fizemos coisas juntos que nos comprometeram. Por isso, nessa última vez, após o conhecimento que tivemos no mundo espiritual e a orientação que recebemos, combinamos que seria diferente. Mas ela se perdeu. Tá certo, eles me disseram que eu também não colaborei.

Observação: essa resposta corrobora o fato de muitas vezes (mas não sempre) os Espíritos passam várias vidas envolvidos uns com os outros. Algumas vezes, até mesmo numa espécie de círculo sem fim, transformado em perseguição, no qual, muitas vezes, nem sequer se lembram mais o que um fez para o outro e sua própria parcela de culpa nas ações. Concentram-se nos hábitos de vingança, julgando apenas o outro e se vitimizando, sem considerar seus próprios atos. Isso fica evidente em “Tá certo, eles me disseram que eu também não colaborei”, onde “eles” é uma referência aos bons Espíritos que o ajudam nesse processo.

10: Era isso que eu ia te perguntar: você se lembra se alguma coisa anterior fez ela despertar uma raiva de você, algo que você possa ter feito?

R: Eu acredito que sim. Não fui um bom companheiro para ela em uma encarnação anterior.

Observação: ajudar o Espírito a perceber os bons Espíritos ao redor, o bem, fazê-lo se sentir verdadeiramente acolhido e ajudá-lo a lembrar o que ele mesmo possa ter feito ajuda-o a sair desse estado de perseguição, dando lugar ao remorso e ao arrependimento.

11: Entendo, meu amigo. Vocês parece que estão em uma em uma relação de amor e ódio do ponto de vista carnal há muito tempo, né? E eu diria que vocês estão a um passo de transformar isso na verdadeira Felicidade.

R: Pode ser…

12: Você começa a perceber isso?

R: Tenho tentado deixar ela em paz. Tem como me esforçar um pouco mais, até porque esses espíritos que estão aqui me dizem o tempo todo que eu preciso melhorar. Eles já me mostraram as possibilidades que eu teria. Seria  diferente, se minhas atitudes fossem outras. Então eu busco não  ter aquele sentimento de vingança que ainda cresce e insiste dentro de mim.

Observação: essa é a luta de todos nós. Muitas vezes, nos sentimos desmerecidos por termos errado, sem entender que o que vale é o esforço, em o qual não chegaremos à relativa perfeição.

13: Essa semana, quando nós o evocamos e você não quis vir, fizemos uma prece por você. O que você sentiu durante esse momento de prece que fizemos em coletividade aqui? Em algum momento dessa prece você pensou: “sou mais forte e renunciarei a essa vingança”?

R: Eu recebi sua prece. Percebi o amor e a compaixão que vocês têm. Através dessa prece, me senti um pouco mais confortável. Ainda preciso de um pouco de tempo para assimilar.

14: Carlos, você sabia que você se mostrou um espírito um tanto esclarecido, sabia que você poderia ajudar muitos outros espíritos também?

R: É o que todos me dizem aqui.

15. Quer saber que essa capacidade – porque você se expressa muito bem… Você devia tentar ajudar alguém, tenta ajudar algum outro espírito. Você já tentou?

C: Não.

16. Não? Então tenta. E depois a gente vai conversar com você. Você vai dizer o que que você sentiu depois que você ajudou. Ele está bom? Você promete que você vem nos dizer?

R: Eu volto, eu volto.

17. Carlos, eu gostaria de fazer uma pergunta e peço ajuda do espírito amigo nessa resposta. Você disse que antes que os espíritos já falavam com você, já te mostravam certas coisas. Mesmo antes da nossa conversa, qual é a diferença em conversar conosco? Em que isso te ajuda mais, possivelmente, do que os Espíritos ao seu redor?

R:  A diferença é que vocês estão no corpo físico. E vocês vivenciam as mesmas dificuldades que eu. A desistência da vingança… Eles têm um entendimento diferente. Na verdade, me sinto mais próximo a vocês justamente por isso. Então, quando vocês falam vocês estão entendendo a minha dificuldade, porque vocês também têm a mesma dificuldade.

Observação: diria Kardec: “Espíritos mais burgueses (que se nos relevem esta expressão) nos tornam mais palpáveis as circunstâncias da nova existência em que se encontram. Neles, a ligação entre a vida corpórea e a vida espírita é mais íntima, compreendemo-la melhor, porque ela nos toca mais de perto. Aprendendo, pelo que eles nos dizem, em que se tornaram, o que pensam e o que experimentam os homens de todas as condições e de todos os caracteres, assim os de bem como os viciosos, os grandes e os pequenos, os ditosos e os desgraçados do século, numa palavra: os que viveram entre nós, os que vimos e conhecemos, os de quem sabemos a vida real, as virtudes e os erros, bem lhes compreendemos as alegrias e os sofrimentos, a umas e outros nos associamos e destes e daquelas tiramos um ensinamento moral, tanto mais proveitoso, quanto mais estreitas forem as nossas relações com eles. Mais facilmente nos pomos no lugar daquele que foi nosso igual, do que no de outro que apenas divisamos através da miragem de uma glória celestial. Os Espíritos vulgares nos mostram a aplicação prática das grandes e sublimes verdades, cuja teoria os Espíritos superiores nos ministram.” (O Livro dos Médiuns, item 281). Como vemos, o mesmo se dá com a relação deles para conosco. O aprendizado é mútuo.

18: Entendemos.

R: E quando, quando vocês se esforçam, vocês percebem a dificuldade que eu tenho?

19: Entendemos, obrigado pela resposta.

Observação: fraternidade, amigos, eis a palavra. Veja que em momento algum tratamos esse Espírito como algo a ser expurgado, mas como alguém que se deixou levar por falsas ideias, do mesmo jeito que muitas vezes nós mesmos fazemos. Notem que o Espírito busca entendimento, e é por isso que, mais do que palavras, o exemplo deve falar mais alto.

20: Entendemos. E Gostaria de perguntar: Você tem algo a dizer diretamente a M… (a moça perseguida), se for permitido?

R: Eu aguardo a minha modificação. Sinto que isso é possível. Mas não sei ainda quanto tempo vou demorar para entender melhor as coisas que estão acontecendo.

21: Aos pouquinhos, as coisas vão clareando um pouquinho de cada vez.

R: Digam à M… para ela não desistir. Eu também não vou desistir de melhorar aqui.

22: Agradecemos muito sua comunicação e ficamos muito felizes com você.

(Ao Espírito Amigo): Gostaríamos de perguntar ao espírito amigo se seria possível, por mais um pouquinho, falar com o espírito da avó da M…

R: Peço que no momento vocês tenham um descanso para médium. Ela sentiu A tensão do Carlos.

Observação: a médium terminou a comunicação um tanto cansada, mas, como tem nos asseverado, não é nada que persista para depois. As comoções morais do Espírito refletem momentaneamente no seu corpo, mas, tendo consciência de que são questões dele, e não dela, tais comoções não perduram em sua constituição física.


Terceiro Diálogo

1: Nós gostaríamos de receber o Carlos, Espírito amigo  que há algum tempo se une aos nossos propósitos.

R: Eu estou aqui. 

2: Tudo bem, Carlos, como você está? 

R: Melhor. Tive tempo de refletir e pensar a respeito das coisas que vocês falaram. Tenho estado ocupado com os espíritos de luz que são superiores a mim, aprendendo sobre o perdão e isso está me fazendo bem. 

3: A gente fica muito feliz por você, de verdade, e é interessante notar que é perceptível na médium. Você percebe isso também? 

R: Eu percebo que ela está mais leve. Ela não está segurando como fazia outra vez. Ela não contrai o músculo como ela costumava fazer antes.

Observação: a médium estava mais relaxada e não demonstrava mais, nem na fala, nem na expressão, o sarcasmo anteriormente presente. As respostas do Espírito também se tornaram mais completas e profundas, como veremos.

4: Nós gostaríamos de fazer algumas perguntas que a gente tinha para fazer antes de ir até um assunto importante. Tudo bem? 

R: Tudo bem.

5: Obrigada. Carlos, você pode descrever como você fazia as manifestações físicas? 

R: Essa é uma pergunta difícil. Ainda não tenho esse entendimento. Mas por aquilo que percebi, era a minha vontade. Não sei se estava ligada, se essa vontade estava ligada à raiva que eu tinha dentro de mim. Se tinha outra maneira que eu não percebia. Mas era uma união de coisas. Uma união de… Eu vou dizer forças que eu tinha. Os pensamentos ali da M…. Tudo isso se juntava. 

6: Entendo. Uma pergunta. Você falou em raiva. Nós entendemos que a raiva, a tristeza são emoções do corpo. Como você sentia essa raiva? 

R: Era uma compressão. Algo que parecia que me deixava preso. Como se estivesse me apertando. 

7: Você sentia que isso não te fazia bem? 

R: Isso me fazia querer explodir.

8: O que você sentia depois que conseguia movimentar tudo e fazer a manifestação? 

R: Quase uma libertação. Mas, depois, voltava tudo de novo. 

9: Você começou a fazer lá ou fez em outros lugares antes? 

R: Somente lá.

10: Desde a sua última encarnação, desde que você deixou o corpo você ficou ligado a ela? À M…? Ou você esteve em outros lugares ou em outros ambientes? 

R: Eu estive no mundo espiritual à procura dela. Mas por algum motivo eu não a encontrava. 

11: Entendi. Você percebe que se essas manifestações físicas dependiam da presença de alguém? De um médium? 

R: Dependiam sim da M… Era dela que eu colhia o que eu precisava.

Observação: se isso estiver correto, então M… é médium de efeitos físicos e não sabe.

12: Entendemos. Se você quisesse fazer isso para machucar alguém, mesmo ela… Por exemplo, lançar uma panela nela, ou uma faca, você conseguiria? 

R: Conseguiria, mas não foi permitido. 

13: Como a gente conversou a última vez, você conseguiu ajudar alguém, como a gente combinou da última vez? Você teve essa oportunidade? 

R: Eu segui com os irmãos aqui, como eu disse antes, para aprender sobre o perdão. Conversei com alguns espíritos que estavam numa situação parecida com a minha e percebi o quanto eles, perdendo tempo na vingança como eu fazia, deixavam de ver o que eu estava vendo naquele momento. Existe uma luz muito acima de nós. É uma luz que nos atrai, que faz com que desejemos tocá-la, experimentá-la, e esses irmãos que eu fui visitar não conseguiam nem sequer ver os irmãos espirituais que me acompanhavam, e isso chamou minha atenção. Me senti bem, se é isso que você quer saber, em poder escutar deles e tentar fazer com que eles enxergassem o que eu estava enxergando.

14: Certamente você os ajudou. Você contou tudo aquilo que eu ia te perguntar para você. 

R: É minha obrigação, agora é meu dever ajudá-los, assim como vai ser meu dever ajudar a M… Estou me preparando para isso. 

15: Quando você fazia os fenômenos na casa da M… era sempre você só ou tinha mais alguns outros espíritos lhe ajudando naquele fenômeno? 

R: Quando eu podia, eu chamava alguns e isso foi errado. O que eu faço agora é ir até esses espíritos e mostrar para eles que eu estava enganado. Nós temos um auxílio mútuo aqui: nós nos ligamos pelos nossos sentimentos e pelas nossas vontades, então quando nós nos ligamos àqueles que têm o mesmo propósito que nós, nós nos auxiliamos mutuamente e acabamos nos comprometendo até mais do que deveríamos. 

16: E hoje que você já mudou de hábito e de pensamento, esses irmãos ainda continuam nesse estado de pensamento ou você conseguiu mostrar a eles a sua nova realidade? 

R: Infelizmente eles continuam e me sinto responsável por isso. É meu dever agora fazer por eles o que vocês fizeram por mim. 

17: Eu gostaria de saber como você vê o espaço ao seu redor, agora que você não está mais tão ligado a esses propósitos de vingança. 

R: Amigo P…, você não tem ideia da imensidão que é o mundo espiritual. E eu ainda não me habituei em ver tão longe, perceber tantas coisas que me rodeavam e eu não percebia. É uma beleza. Nós não temos palavras. Nós vemos cores. Nós vemos brilhos. Nós vemos rastros luminosos de outros espíritos ainda mais elevados. É inacreditável a grandeza de tudo que nos rodeia. É como quando vemos o oceano pela primeira vez. Acho que até mais. Muito mais. 

18: Aquilo que nós vemos nas nossas imagens astronômicas sobre o espaço sideral, as luzes e tudo mais, chega a ser bonito ou não tem comparação com o que você vê? 

R: Para os olhos de vocês, a imensidão das estrelas, do espaço, é inebriante. Para nós, é muito mais. Porque nós vemos tudo isso e além disso… 

19: Me permita só mais uma pergunta: O que você diria sobre as pessoas que ligam tantos pensamentos a essas ideias materialistas no pós-morte, pensando que terão que ficar enclausuradas em casas, dormindo, comendo? 

R: Pobres criaturas. Elas perdem aquilo que eu perdi. Nós não temos estômago, nós não temos nada disso. Elas vão perder muito tempo. Porque elas trazem pra cá, aquilo que elas estão imaginando ali, e ficarão perdidas nisso até que despertem para a realidade, para aquilo que as espera. E o arrependimento, meu amigo. O arrependimento… Esse leva muito tempo para que a gente possa se desfazer dele. 

20: Carlos, como a gente pode ajudar? Tem alguma coisa que a gente possa fazer pra você? Pelo visto, você está mais tranquilo do que as últimas vezes que nós o chamamos. 

R: Continuem as preces. Não só pra mim. Ofereçam suas orações a todos aqueles que estavam na mesma situação que eu. E a outros. Uma prece geral aos espíritos sofredores alcança seu objetivo. Eu ainda estou próxima à M…. Não vou negar. Mas estou me controlando para não perturbá-la, porque eu sinto que ela está entendendo a necessidade de perdão assim como eu. 

21: Se você quiser deixar algumas palavras finais para nós, mesmo nos olhando de perto, agradecemos. 

R: A vocês, só continuem nesse esforço de trabalho. A M…, que ela possa me perdoar também. E se perdoar mesmo que ela não saiba o que ela fez. Que ela tenha fé e que ela possa seguir na sua vida com cuidado a fim não cometer os erros que ela já acometeu. Que ela ame e que ela tenha respeito por aqueles que ela tem próximos a ela. Que ela não os abandone. Que ela se mantenha firme nesse propósito. 

22: Comunicarei isso a ela. Muito obrigado, viu? 

R: O agradecimento é meu pelo auxílio que vocês me proporcionaram. 

A gratidão que carrego dentro de mim por vocês será sempre um farol para que eu não me perca no que ainda virá para mim. Que Deus os abençoe igualmente.


Os diálogos com esse Espítos nos trouxeram bom aprendizado, além de uma grata oportunidade de sermos úteis, conquistando mais um amigo em nossa jornada. O Espírito em questão, tendo sido evocado em um grupo parceiro, lá não quis se comunicar, mas o Espírito guia desse grupo mencionou que os fenômenos físicos estariam mexendo em panelas e na cama. Até o momento, eu não havia questionado sobre tais detalhes – o que sempre tenho buscado fazer, a fim de me manter isento. Questionando M…, a moça perseguida, sobre o que esse Espírito fazia, ela confirmou que ela ouvia panelas e louças batendo “sozinhas”.

Em nossos primeiros passos, notamos que estamos ainda apenas engatinhando nas evocações, aprendendo, assim, a fazer perguntas mais aprofundadas, no tempo disponível, sem sobrecarregar a médium. Esperamos, em breve, poder contar com mais grupos parceiros.




Diálogos de Além-Túmulo – Evocação – Marcos, o Espírito arrependido

Na reunião anterior, o grupo teve algumas dúvidas sobre cura. Ficou decidido que faríamos um pedido aos bons espíritos para que nos auxiliassem com as dúvidas. Um espírito veio espontaneamente para responder a essas perguntas. No final, nós indagamos do que ele precisava. Ele nos disse que precisava de preces, pois ele tinha errado muito e se arrependia depois de sua última encarnação. Fizemos preces a ele e ele se despediu.

Nesta reunião, depois de preparar algumas perguntas, nós decidimos evocá-lo para entender melhor sua situação. 

Eis a comunicação. 

Evocação. 

1. Queremos te receber em nosso grupo, querido irmão, com todo carinho e nós estamos querendo conversar com você ou com vocês, para aprender, para nos instruirmos e, se possível, nós ajudarmos com alguma coisa que você precisa e você nos ajudar com alguma coisa que nós precisamos. Nossa intenção é muito legítima e nós não vamos julgar você, nós estamos aqui para conversar como amigos, como irmãos.

R: Agradeço as preces que vocês fizeram por mim. Foram muito úteis.

2. Amigo, você poderia nos dizer qual foi a sua motivação para se comunicar conosco na vez anterior?

R: Só a necessidade da oração. As pessoas esquecem de mim.

Observação: não é a primeira vez que vemos um Espírito se lamentar disso. Realmente, ninguém quer ser esquecido, mas o Movimento Espírita, ausente dos estudos da ciência espírita, não pratica mais as evocações, por conta de diversas falsas ideias. Deixa de ajudar e de aprender, e tal é o domínio das inverdades, que alguns chegam ao ponto de não fazer preces pelo Espírito, crendo que, assim, atrapalhariam. Nesse sentido, grandes canais, ditos espíritas, mas também desconhecedores do Espiritismo, colaboram na divulgação dessas falsas ideias.

3. O que houve para elas esquecerem de você?

R: Faz muito tempo que eu desencarnei. Aqueles a quem eu amava não são mais corpos físicos. E eu não encontrava com eles, em lugar nenhum. Hoje já posso, pelas preces de vocês, visualizar aqueles que estiveram comigo na minha vida física. Isso é consolador.

4. Então quer dizer que enquanto eles não foram para a pátria espiritual você não tinha contato com eles?

R: Não. Eu tentava. Mas eles não me ouviam.

5. E quando você os viu, como foi, eles vieram, eles entraram em contato com você ou você entrou em contato com eles? Como foi?

R: Eles. Eles chegaram. Minha esposa, minha mãe, meu pai. Meu pai Alberto, minha mãe Eliza, minha esposa Helena.

6. E o seu nome?

R: Marcos.

7. Marcos. Você disse na última vez que você se arrependeu das coisas que você tinha feito. Nós  não entendemos bem do que, se você se sentir à vontade, você pode nos contar o que aconteceu? Seria interessante porque nós poderíamos entender melhor você e nós  poderíamos nos instruir.

R: Tinha muita disputa. Dinheiro. A ganância. Roubei muitas pessoas. Coloquei minha família numa situação ruim. Eles sofreram por minha causa. Deixei eles abandonados à própria sorte por causa do dinheiro.

8. E você foi antes de todos eles? Desencarnou antes de todos eles?

R. Sim. Foi um acidente. Tenho dificuldade de lembrar.

9. Não tem problema, irmão. Se você sentir vontade de falar, Marcos, você fala, nós não estamos forçando, não tem problema. Quando foi que você entrou? Quando você se deu conta que tinha morrido, que tinha desencarnado? E como você se sentiu?

R: Sozinho. Eu tinha a escuridão.

Observação: aqui nota-se como é necessário fazer perguntas objetivas, uma por vez. Não é a primeira vez que notamos que o Espírito se concentra apenas na última pergunta.

10. Então o ambiente que você estava, você não conseguia decifrar, tudo escuro.

R: Não. É. Era escuro. Eu não via, não via ninguém.

Observação: esse fato que, de momento, não soubemos aprofundar melhor, nos fez lembrar do artigo “O Espírito de um Danado”, na Revista Espírita de fevereiro de 1860.

11. E como você conseguiu sair dessa escuridão? Como foi esse processo? Que foi uma conquista, não? Que você conseguiu, Marcos? Se me permitir chamar assim, né? Permitir que eu e a M. te chamar assim.

R: Sim. É, foi.

Observação: o interlocutor fez várias perguntas. O Espírito se concentrou em uma resposta simples.

12. Como você conseguiu se libertar disso? Como é que foi?

R. Eu via primeiro. Não via, ouvia algumas vozes. Escutava o choro da minha esposa, os lamentos de meu pai, mas o amor da minha mãe… Minha mãe começou a aparecer para mim. E foi então que eu comecei a entender o que tinha acontecido.

13. Marcos, você escutava sua mãe orando por você?

R: Sim. Ela chamava o meu nome e ela rezava.

14. Assim como você escutou as nossas preces, você escutava as preces da sua mãe ou era de modo diferente?

R: Era diferente. Ela tinha e tem ainda um amor que eu não sei entender. É grandioso. Ela me fez enxergar um pouco da luz de onde ela se encontra. Isso me moveu. Por isso, ouvi.

Observação: aqui, deve ter muito a ver com a questão do magnetismo espiritual. O Espírito de sua mãe tem uma sintonia mais profunda com ele, o que deve fazer com que lhe seja mais fácil registrá-la. É assim que aqueles que tem uma sintonia maior com certos indivíduos terão mais capacidade, ainda que do mundo físico, de auxiliá-los, com preces e diálogos, na superação, no retorno ao bem, etc.

15. A partir dessas preces da sua mãe?

R: Sim.

16. Nessas orações da sua mãe, você começou a ficar mais confortável. E aí que você conseguiu enxergar melhor os seus companheiros que estão à sua volta? Como foi? Você poderia explicar melhor, Marcos, essa parte? Como você conseguiu superar tudo isso?

R: Sim. Eu não sei se eu superei. Eu ainda tenho culpa.

17. Sim, mas você já deu um grande passo, não?

R. Sim. Eu ainda tenho muita culpa, mas ela com aquele amor abriu um caminho para mim e a escuridão foi saindo, foi indo embora. Ela mostrou onde eu estava e o que eu tinha que fazer.

18. Você pode ser um pouquinho mais específico, nisso que você falou, no que “eu tinha que fazer”?  Como ela instruiu você, quais foram as instruções dela?

R: Pedir para Deus oportunidades de crescimento. Pedir a Deus para mostrar como chegar até ele. Eu vi outros espíritos que se aproximavam, me acalmavam e me disseram como eu deveria me transformar num ser melhor. Eu estou buscando perdão daqueles que eu prejudiquei. Estou tentando me perdoar pelos erros que eu cometi. Todos os dias algum espírito se aproxima e me incentiva, me mostra como é o perdão. Ele me leva a lugares diferentes, onde eu consigo ver e sentir o que é o amor e o que é o perdão.

Observação: esse não é o único Espírito que nos fala sobre a ideia de que, no mundo Espiritual, eles aprendem pelo exemplo, e não por leituras. São levados a acompanhar outros casos, a auxiliarem e serem úteis. Essa é a realidade do mundo espírita.

19. Isso tem ajudado você, essas “visões”, e esses “ouvir”, tem ajudado você a entender melhor.

R: Sim, sim. Mas ainda não estou pronto. Eu preciso ainda de mais fé, talvez.

20. A conversa que você, Marcos, teve conosco a última vez e essa que teve agora é a primeira vez que você está conseguindo conversar numa reunião como a nossa, uma reunião mediúnica?

R: Sim, sim.

21. Nesta sua desencarnação?

R: Sim. Eu não sabia como era isso.

22. Quem o trouxe até nós?

R: O espírito que me acompanha. Eu acho que… eu acho que ele está sempre aqui com vocês.

23. Sim. Quem? E agora ele está aqui conosco também?

R. Ele conhece todos.

24. Quantos são, Marcos?

R: Esse que me acompanha. Tem mais 3 … 4. Mas também tem outros. Os que têm mais luz são 4.

25. Eu queria entender, meu irmão Marcos, em que ambiente você ficou enquanto não conseguiu enxergar a luz, você se recorda?

R: É o espaço! Grande, mas é escuro.

26. Você não conseguia vislumbrar alguma região, alguma casa, algum local?

R: Não. Não. Só escuro, só escuridão.

27. Irmão! Marcos! Em nome de nosso senhor Jesus Cristo, eu gostaria de agradecer pela mensagem e que os bons espíritos sempre encaminhem você, que você sempre se sinta acolhido aqui neste nosso espaço e que você consiga se perdoar, porque é a coisa mais importante, é você mesmo se perdoar das coisas que você fez. Ah, eu gostaria de saber se você teria mais alguma coisa para falar para nós para nossa instrução, para nosso entendimento melhor da doutrina ou para podermos ajudar melhor ou mais ainda você.

R: Só gostaria de deixar meu obrigado pelas preces e pela oportunidade de estar aqui, pelo acolhimento, por vocês não terem me julgado por  aquilo que eu fiz. E eles dizem aqui reunidos que vocês estão em aprendizado e em breve virão mais recados, são recados, eu acho. Instruções. Mas eles oram por vocês também e estão com vocês. Eu preciso ir.

OBSERVAÇÃO: o grupo está em fase de desenvolvimento, sendo, aos médiuns, oriundos do Movimento Espírita, que não dialoga com os Espíritos, uma novidade o retorno a essa prática. Isso lhes causa certas dificuldades, que serão vencidas com o tempo e a prática. Por esse motivo, é normal a ocorrência de imprecisões, mas, como o diálogo não tem nada que mereça uma atenção cuidadosa especial, além da análise que já fizemos, colocamo-lo com o fito de instigar outros a retomarem esses diálogos.

Nosso grupo se reune através da internet, por vídeo, cada um de suas casas.