O Frei Gilson precisa estudar melhor a Bíblia

Deixo, a seguir, um excelente comentário, colocado no canal Espiritismo de Verdade, no Youtube, pelo amigo Antonio A. G.:

“O Frei Gilson precisa estudar melhor a Bíblia, que alega tanto conhecer, pois, quando Jesus foi acusado pelos sacerdotes (coincidência?) de que os milagres d’Ele eram feitos pelo diabo, Ele respondeu com um silogismo magistral!

Ensinou que um reino dividido contra si mesmo não subsiste, que, se Satanás expelir a Satanás, dividido estará contra si mesmo, se autodestruindo.

A fórmula que Jesus deu para se reconhecer o Bem e o Mal é analisar os frutos da árvore: a árvore boa não pode dar fruto mau, e vice-versa, nem da fonte boa jorrar água salobra.

É preciso ver quais são os frutos produzidos pelo Espiritismo. O que os bons Espíritos ensinam e praticam? Seus frutos são bons ou maus? Para não julgar segundo a aparência, mas sim pela reta justiça, conforme Ele nos aconselhou fazer com todas as coisas.

Quer conhecer o verdadeiro Espiritismo? Clique aqui.

O frei precisa estudar a Bíblia com independência, não através da lente desfocada do catolicismo, mas se certificar do que realmente ela ensina e NÃO ensina!

Por outro lado, quando o frei alega que a Bíblia não ensina o conceito de vidas passadas (que possibilita o retorno pela reencarnação), observe o que Jesus ensina no episódio do cego de nascença:

Quando perguntaram a Ele quem teria pecado para que o homem NASCESSE CEGO — se seus pais ou o próprio cego — Ele respondeu que nem O CEGO nem os pais dele tinham pecado para que ele nascesse assim, mas que a cegueira de nascença seria um instrumento para a manifestação da glória de Deus na pessoa do cego!

O ponto de partida da vida do cego foi NASCER cego, e o verbo “pecar” está no tempo passado, ANTEPOSTO ao nascimento do cego! Precisa desenhar?

E atente-se que Jesus, pela grande responsabilidade da missão que tinha, nunca perdia a oportunidade de corrigir crenças errôneas e perigosas.

No episódio com os saduceus, que não criam em nada além desta vida material, o Mestre os advertiu de que laboravam em grande erro por não conhecerem as Escrituras nem o poder de Deus. Esse é o problema de muitos cristãos e seus sacerdotes: não conhecer as Escrituras.

É preciso ousar e saber questionar as próprias crenças, Frei Gilson. Saia da zona de conforto do religiosismo denominacional do catolicismo e mergulhe no Evangelho puro!

SE O ESPIRITISMO FOSSE ESSA DOUTRINA ENGANOSA E MALIGNA QUE O FREI DIZ, NAQUELA OPORTUNIDADE JESUS COM CERTEZA TERIA CONDENADO A CRENÇA DOS JUDEUS NA REENCARNAÇÃO!”




Frei Gilson, por que você contraria Jesus?

Recentemente, Frei Gilson declarou que, se alguém encontra cura no Espiritismo, isso ocorreria porque “o diabo também pode curar”. Essa afirmação não é nova. Ela ecoa a mesma acusação que os fariseus fizeram a Jesus, dizendo que Ele expulsava demônios pelo poder de Belzebu.

Jesus, no entanto, rejeitou essa lógica absurda com um argumento irrefutável:

“Todo reino dividido contra si mesmo será destruído, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá. E, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como, pois, subsistirá o seu reino?” (Mateus 12:25-26)

Além disso, Ele ensinou que uma árvore má não pode dar bons frutos:

“Por seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons.” (Mateus 7:16-18)

Se há cura no Espiritismo, se há consolo, se há esclarecimento espiritual, como pode Frei Gilson afirmar que isso vem do mal? Estaria o próprio Jesus equivocado ao dizer que uma árvore má não pode produzir bons frutos?

A leviandade dos ataques ao Espiritismo

Os ataques ao Espiritismo seguem um padrão: baseiam-se nas mais falsas ideias, nas distorções mais grosseiras e na repetição de acusações sem fundamento. Sem compreender a Doutrina Espírita, seus críticos a condenam sem estudo, sem análise e, muitas vezes, sem qualquer honestidade intelectual.

A acusação de que “o diabo cura” é um exemplo clássico de falácia construída para confundir as pessoas. Ora, se o diabo tivesse o poder de curar, ele não seria um inimigo da humanidade, mas sim um benfeitor! Estaria Frei Gilson disposto a defender que o mal se dedica a aliviar o sofrimento? Essa lógica, além de contradizer a própria teologia católica, é um ultraje ao bom senso.

Acusar o Espiritismo de operar pelo diabo é um erro grave. O Espiritismo não se baseia em rituais ocultos, em práticas mágicas ou na adoração de entidades. Pelo contrário, é uma doutrina que prega a fé raciocinada, a caridade sem interesses e a busca pela verdade acima das convenções humanas.

O compromisso com a Verdade

Jesus disse claramente que veio para testemunhar a verdade (João 18:37) e que só a verdade liberta (João 8:32). Mas quando Frei Gilson atribui ao diabo algo que produz bem, ele não apenas ignora os ensinamentos de Jesus como se torna testemunha da mentira.

Ao espalhar essa falsidade sobre o Espiritismo, com quem Frei Gilson realmente está? Se ele não está com a verdade, não está com Jesus. Se propaga a mesma acusação dos fariseus, não estaria repetindo o erro deles?

Que cada um reflita: a quem interessa distorcer os ensinamentos de Jesus para afastar as pessoas da verdade?




A Opinião Leviana do Frei Gilson sobre o Espiritismo

É lamentável que, quase 160 anos após Allan Kardec organizar os princípios do Espiritismo com método e rigor, ainda tenhamos que desmentir absurdos que poderiam ser evitados com uma simples leitura de O que é o Espiritismo.

Frei Gilson, como tantos outros críticos que falam sem conhecimento de causa, insiste em distorcer a Doutrina Espírita, misturando-a com práticas de adivinhação, magia e esoterismo. Sua abordagem não se baseia em estudo, mas na repetição de velhos equívocos que, há muito, já foram esclarecidos. O efeito de tais afirmações irresponsáveis é sempre o mesmo: desinformar e alimentar preconceitos contra um conhecimento que ele sequer se deu ao trabalho de compreender.

@espiritismodeverdade

A Opinião Leviana do Frei Gilson sobre o Espiritismo É lamentável que, quase 160 anos após Allan Kardec organizar os princípios do Espiritismo com método e rigor, ainda tenhamos que desmentir absurdos que poderiam ser evitados com uma simples leitura de O que é o Espiritismo. Frei Gilson, assim como muitos outros críticos despreparados, emite opiniões sobre a Doutrina Espírita sem demonstrar o menor conhecimento de suas bases. Suas falas misturam Espiritismo com adivinhação, magia e práticas esotéricas que nada têm a ver com a proposta de Kardec. Esse tipo de afirmação irresponsável apenas perpetua a ignorância e desinforma aqueles que buscam entender a Doutrina Espírita. Espiritismo: Ciência, Filosofia e Consequências Morais Diferente do que prega a desinformação, o Espiritismo não é um conjunto de rituais, não envolve práticas místicas e não tem qualquer ligação com adivinhação. Kardec o define claramente em O que é o Espiritismo: “O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica.” Ou seja, ele se fundamenta na análise racional dos fenômenos espirituais e na busca de compreensão sobre a natureza dos Espíritos e suas relações com o mundo material. Por que o Espiritismo não se envolve com adivinhação? A adivinhação se baseia na ideia de prever o futuro, geralmente por meio de oráculos ou presságios. No entanto, o Espiritismo ensina que o futuro não é absolutamente fixo, pois o livre-arbítrio é um princípio fundamental da vida espiritual. Em O Livro dos Espíritos, Kardec questiona os Espíritos sobre essa questão e recebe a seguinte resposta na questão 868: “Se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria o presente e não agiria com a mesma liberdade.” Isso demonstra que qualquer tentativa de prever o futuro com certeza absoluta vai contra os princípios espíritas. E sobre a magia? A magia, como popularmente entendida, envolve manipulação de forças ocultas e rituais para obter vantagens. O Espiritismo se opõe a qualquer prática supersticiosa. Kardec alerta, em O Livro dos Médiuns, que muitos Espíritos mistificadores exploram a credulidade humana, incentivando práticas enganosas. Em A Gênese, capítulo II, Kardec reforça: “O Espiritismo não faz milagres, nem prodígios; ele não derroga as leis da Natureza.” Portanto, não há espaço para misticismo ou manipulação sobrenatural na Doutrina Espírita. Ignorância ou má-fé? A questão que se impõe é: os que propagam tais falsidades desconhecem realmente o Espiritismo ou distorcem seus ensinamentos deliberadamente? A resposta pode variar, mas o efeito é o mesmo: a perpetuação de mentiras que afastam as pessoas do conhecimento verdadeiro. O Espiritismo sempre se abriu ao debate racional, ao contrário de muitas crenças dogmáticas que condenam sem estudar. Frei Gilson poderia, ao menos, ter a humildade intelectual de ler O que é o Espiritismo antes de emitir juízos. Mas, como tantos outros, prefere opinar sem conhecimento de causa. Quer conhecer o Espiritismo verdadeiro? Além das obras de Allan Kardec, uma leitura fundamental para entender como o Espiritismo foi desviado de seus princípios originais no Brasil é Autonomia – A História Jamais Contada do Espiritismo, de Paulo Henrique de Figueiredo. Este livro esclarece como interesses religiosos e ideológicos distorceram a Doutrina Espírita ao longo do tempo, afastando-a de sua proposta original de liberdade de pensamento e método científico. Sejamos responsáveis ao falar sobre o que não conhecemos. E, para quem deseja entender o verdadeiro Espiritismo, o caminho está nas obras de Kardec e nos estudos sérios, não em discursos levianos. #espiritismo #doutrinaespirita #allankardec #freigilson #espiritismodeverdade

♬ som original – Espiritismo de Verdade

Espiritismo: Ciência, Filosofia e Consequências Morais

Diferente do que pregam seus detratores, o Espiritismo não se sustenta em rituais ou misticismos. Ele se apoia na investigação racional dos fenômenos espirituais e na busca por compreender a natureza dos Espíritos e suas relações com o mundo material.

Kardec define com clareza essa proposta em O que é o Espiritismo (que você pode baixar gratuitamente, clicando aqui):

“O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica.”

Ou seja, longe de qualquer prática supersticiosa, ele propõe um estudo sério da realidade espiritual, guiado pelo raciocínio lógico e pelo método experimental.

Por que o Espiritismo não se envolve com adivinhação?

A adivinhação se baseia na crença de que o futuro pode ser previsto de maneira absoluta. No entanto, o Espiritismo ensina que o futuro depende das escolhas individuais e das circunstâncias que se desenrolam com o tempo.

Kardec trata dessa questão em O Livro dos Espíritos, questão 868:

“Se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria o presente e não agiria com a mesma liberdade.”

Portanto, o Espiritismo não faz previsões deterministas, pois isso contrariaria o princípio do livre-arbítrio e a própria lógica da evolução espiritual.

E sobre a magia?

A magia, no imaginário popular, envolve a manipulação de forças ocultas para obter vantagens. O Espiritismo se opõe a qualquer prática desse tipo, pois tudo nele deve ser analisado sob a ótica da razão e da moralidade.

Kardec alerta, em O Livro dos Médiuns, sobre a existência de Espíritos mistificadores que exploram a credulidade humana. E em A Gênese, capítulo II, ele reforça:

“O Espiritismo não faz milagres, nem prodígios; ele não derroga as leis da Natureza.”

Ou seja, ele não se apoia em rituais ou fórmulas mágicas, mas na compreensão racional dos fenômenos espirituais.

Ignorância ou má-fé?

Quem insiste em espalhar desinformação sobre o Espiritismo o faz por ignorância ou deliberadamente. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: perpetuação de preconceitos e afastamento da verdade.

O Espiritismo sempre esteve aberto ao debate racional, diferentemente de doutrinas dogmáticas que condenam o que não compreendem. Frei Gilson poderia, ao menos, ter a honestidade intelectual de ler O que é o Espiritismo antes de emitir suas opiniões. Mas, como tantos outros, prefere criticar sem conhecer.

O verdadeiro motivo do ataque ao Espiritismo

As reiteradas falas de Frei Gilson sobre o Espiritismo, repetindo o mais absurdo — e leviano — desconhecimento, deixam evidente o verdadeiro motivo por trás dessas investidas. A Igreja Católica, sustentada em dogmas e na submissão de seus fiéis, há séculos vê com temor qualquer ideia capaz de libertar as consciências.

No passado, queimava na fogueira aqueles que ousavam dizer que ouviam Espíritos, pois isso minava o monopólio sacerdotal sobre a comunicação com o divino. Depois, perseguiu o heliocentrismo e quase condenou Galileu à fogueira por afirmar o óbvio. Mais tarde, rejeitou as evidências dos fósseis, pois a evolução contrariava sua narrativa dogmática. Agora, sua luta é contra o Espiritismo, pois este oferece um cristianismo racional, livre de imposições arbitrárias e baseado na liberdade de consciência.

A história se repete. E aqueles que se recusam a aprender com ela seguem espalhando as mesmas velhas falácias.

Quer conhecer o Espiritismo verdadeiro?

Além das obras de Allan Kardec, uma leitura essencial para compreender como o Espiritismo foi desviado de seus princípios originais no Brasil é Autonomia – A História Jamais Contada do Espiritismo, de Paulo Henrique de Figueiredo. Essa obra revela como interesses religiosos e ideológicos deturparam a Doutrina Espírita ao longo do tempo, afastando-a de sua proposta de liberdade de pensamento e investigação racional.

Falar sem conhecimento é fácil. Mas, para quem deseja realmente entender o Espiritismo, o caminho está no estudo sério, e não em discursos vazios.




Comunicação Espontânea — O Movimento de Renovação

Preocupada com as dificuldades do mundo, a médium, sra C., acostumada a esse tipo de diálogo natural com os Espíritos, submeteu um pedido de abordagem sobre a questão, a qual, respondida, apresentamos a seguir.

Há, no mundo espiritual, um movimento de renovação, que em pouco tempo retornará ao solo dos encarnados; aqueles desejosos de uma nova era, onde a caridade prevalecerá. Não tardará o tempo das reformas na sociedade.

A destruição trará a renovação. Não temais os tempos difíceis, tendes fé, porque nós, que somos a luz de Deus, estamos em vigilância constante. Estamos inspirando as multidões dos encarnados que visam os objetivos aos quais esse novo período terá seu crescimento e seu apogeu.

Os pequenos, os desvalidos, os despatriados terão seu lugar no mundo. Os déspotas, egoístas e orgulhosos também terão seu desterro.

As preces sustentarão a humanidade sofredora. As atitudes proativas terão seu lugar e, sobretudo, vencerão os vícios daqueles que ainda não entenderam a grandiosidade do amor ao próximo.

A colheita desses esforços transformará a Terra e seu povo. A natureza se encarregará de limpar os lugares em que o respeito e a benevolência ainda não chegaram. Lembrem-se que a vida física é apenas uma passagem. Os bons Espíritos encontrarão seu refúgio e os maus terão suas expiações.

Abstenham-se da revolta e do ódio que corrói seus espíritos e tira a esperança e a fé.

Os que não se submeterem às leis do Criador serão punidos, como todos os que os antecederam. É assim e sempre será.

Elevem seus pensamentos a Deus e busquem nele o amparo aos seus desesperos, que são normais, visto que vocês não entendem a grandiosidade de Sua obra. A consciência da época de Kardec sobre igualdade, liberdade e fraternidade irão ressurgir, mesmo que as dores atinjam seus corpos físicos. O Espiritismo continua sendo o caminho para atingirem o objetivo.

Ergam esta bandeira: “Fora da caridade não há salvação”. Instruam seus próximos, sem temer os obstáculos, perseverem, orem, busquem o seu melhoramento e incentivem seus pares ao mesmo caminho.

Estamos com vocês nessa luta. Somos a luz de Deus.

Espírito Amigo


Observações:

A comunicação, por si só, é bastante tocante, direta e ajuda a renovar a fé na verdade, já demonstrada pelo Espiritismo, de que o mundo não está desgovernado e que, malgrado a má-vontade dos seres humanos, esquecidos ou desleixados quanto à essência de seu ser, a Criação segue se desenvolvendo, segue marchando, contando com aqueles de boa-vontade como formiguinhas a carregarem seus grãos, para que seja construído o monte que não mais ruirá.

Resta acrescentar que a frase “a destruição trará a renovação” remete-se à destruição do mundo material, cíclico, que serve ao desenvolvimento do elemento espiritual.




Comunicações de Além-Túmulo — Allan Kardec

O médium Sr. D., buscando ajuda dos bons Espíritos, submeteu o seguinte apelo ao Espírito de Allan Kardec:

Evocação: (Ao mestre Allan Kardec) Peço suas orientações, mestre, para o nosso grupo mediúnico.

Resposta (com grifos nossos): Para todas as reuniões vos orientamos o preparo antecedente, com o tema e perguntas, prontos para os vossos estudos. Aos médiuns, a busca pelo aprimoramento de suas faculdades. Quereis ser bons médiuns? Pois o estudo, a prática regular da mediunidade e a busca ininterrupta pela melhora moral é a boa via. Não precisais praticar, para isso, exercícios demasiadamente, sem o devido descanso e sem cautela, para não atrair os mistificadores. Mas a dedicação de um quarto de hora, por exemplo. A sinceridade de intenção também vos auxiliará. Perguntai-vos a razão pela qual estão reunidos, consultai a vossa consciência, pois as razões frívolas não atraem senão os levianos e zombadores. A fé é o instrumento da razão, não somente da emoção. A tornarão inabalável, através dos estudos e da meditação. Médiuns, esforçai-vos para ser bons médiuns; colaboradores que não têm sua faculdade medianímica ainda bem desenvolvida, esforçai-vos para terem bom coração e fé. Q., te digo que és médium inspirada e psicófona consciente, sem o saber. Z., médium inspirado e intuitivo. Todos médiuns, esforçai-vos para ser bons médiuns.

Observações:

A comunicação foi obtida pelo médium D., psicógrafo, em ambiente alheio à reunião do nosso grupo. Antes dessa pergunta, concentrou-se em preces e solicitou primeiramente a opinião do Espírito de Santo Agostinho, presidente de outro grupo mediúnico com o qual ele interage.

Como todas as comunicações obtidas dentro e fora de nosso grupo, submetêmo-la ao mais rigoroso exame crítico, dentro de nossas possibilidades. Fazemos isso através de um documento virtual, compartilhado entre todos nós, onde fazemos observações e questionamentos que, conforme necessidade, poderão ser abordados em nova evocação (ao mesmo Espírito, ou a outro que julgarmos conveniente tentar chamar), como poderão ver em um trecho de uma outra comunicação, a ser abordada em breve:

Sobre a comunicação em resposta à evocação do Espírito de Allan Kardec, nada tivemos a criticá-la. Nos pareceu eloquente, direta, simples e alertadora, sem rodeios ou subterfúgios — todas elas características de Allan Kardec, que se comunicava para se fazer entendido por todos. Se foi ele mesmo quem se comunicou ou se a comunicação veio por meio de outro Espírito, por ele inspirado, realmente não importa, posto que a mensagem chegou e atendeu ao seu propósito.

Sim, amigos, inclusive o Espírito de Allan Kardec pode ser evocado e se comunicar, mas a questão sempre será o intuito e a seriedade de quem chama. Como sabemos, chamar por curiosidade ou leviandade vai terminar despertando o interesse de Espíritos levianos ou impostores, mistificadores.

Escolhemos essa breve mensagem para abrir nossa seção de artigos intitulada “Comunicações de Além-Túmulo”, onde buscaremos seguir os passos de Allan Kardec, tanto na análise, quanto na apresentação das comunicações, espontâneas ou não, obtidas em nosso meio ou em outros grupos. Desejamos nos fazer mais um exemplo, mais uma pequena luz, ainda meio pálida, a reluzir nessa noite escura na qual mergulhou o Movimento Espírita, da qual desejamos que todos possam em breve acordar — e esse “breve” depende apenas da vontade de cada um. Reúnam-se, amigos. Estudem, perseverem. Mergulhem nas páginas de Kardec para delas saírem conscientes das necessidades dessa ciência, inspirados, por ele, a darem seus próprios passos. Noite adentro avançarão e, reunidos, farão vossas partes em iluminar esse caminho. As reuniões particulares, assim realizadas, serão sempre de melhor qualidade do que aquelas realizadas em ambientes heterogêneos e, sobretudo, sem estudos.

Perguntai-vos a razão pela qual estão reunidos, consultai a vossa consciência, pois as razões frívolas não atraem senão os levianos e zombadores.”




Obstáculos dos Médiuns

A mediunidade é uma faculdade que permite a interação entre o mundo material e o mundo espiritual. Allan Kardec, ao longo de seus estudos, observou que a mediunidade se expressa de formas diversas e com efeitos distintos, o que nos leva a entender que não existe uma única maneira de estabelecer comunicação com os espíritos. Como ele mesmo afirma, “a mediunidade é uma faculdade multiforme”, o que implica na variedade de manifestações e experiências que ela pode gerar.

Colaboração de Ceres Marcon

“A mediunidade é uma faculdade multiforme; apresenta uma infinidade de nuances em seus meios e em seus efeitos. Quem quer que seja apto a receber ou transmitir as comunicações dos Espíritos é, por isso mesmo, um médium, seja qual for o meio empregado ou o grau de desenvolvimento da faculdade – desde a simples influência oculta até a produção dos mais insólitos fenômenos.”

Allan Kardec, Revista Espírita fevereiro de 1859

Dentro das inúmeras manifestações mediúnicas, uma das mais conhecidas e utilizadas é a psicografia. Nesse tipo de mediunidade, o médium atua como um canal para a comunicação escrita com o plano espiritual, sendo uma das formas mais comuns de manifestação no campo do Espiritismo. Ao abordarmos a psicografia, podemos observar que os médiuns podem ser classificados de acordo com o grau de controle sobre o processo, e essas classificações influenciam diretamente nos obstáculos que eles enfrentam ao longo do desenvolvimento dessa faculdade.

Existem três tipos principais de médiuns psicógrafos:

  • Médiuns intuitivos: São aqueles que recebem a inspiração dos espíritos, mas escrevem de forma consciente, com algum controle sobre o que está sendo dito. A comunicação é mais indireta, com o médium recebendo intuições ou orientações, mas ainda mantendo o controle sobre a escrita.
  • Médiuns mecânicos: Esses médiuns tornam-se canais automáticos para a comunicação dos espíritos. Durante o processo de psicografia, eles não têm controle consciente sobre o que está sendo escrito, o que caracteriza uma manifestação de natureza mais espontânea e intensa.
  • Médiuns semimecânicos: Representam um meio-termo entre os tipos anteriores. Embora haja uma certa influência do espírito sobre a escrita, o médium ainda mantém algum grau de controle e consciência sobre o processo.

No entanto, como Kardec nos alerta, mesmo sendo uma faculdade natural, a mediunidade não é isenta de dificuldades. Ele nos diz:

“Embora não seja a faculdade um privilégio exclusivo, é certo que encontra refratários, pelo menos no sentido que se lhe dá. Também é certo que não deixa de apresentar escolhos aos que a possuem, pode ser alterada e até perder-se e, muitas vezes ser uma fonte de graves desilusões.”

Allan Kardec, Revista Espírita fevereiro de 1859

Essas palavras de Kardec nos lembram que a mediunidade, apesar de sua natureza acessível a muitas pessoas, não é algo simples. Ela pode encontrar resistência, tanto interna quanto externa, e o médium pode enfrentar obstáculos de diversas ordens — desde a dificuldade em manter o controle sobre as comunicações até o risco de ser influenciado por entidades enganadoras ou mal-intencionadas.

Em sua análise, Kardec nos alerta para a complexidade das causas que envolvem a mediunidade e como, muitas vezes, ela pode se manifestar em indivíduos cujas características morais não são necessariamente exemplares. Ele afirma:

“O dom da mediunidade depende de causas ainda imperfeitamente conhecidas e nas quais parece que o físico tem uma grande parte. À primeira vista pareceria que um dom tão precioso não devesse ser partilhado senão por almas de escol. Ora, a experiência prova o contrário, pois encontramos mediunidade potente em criaturas cuja moral deixa muito a desejar, enquanto outras, estimáveis sob todos os aspectos não a possuem”.

Allan Kardec, Revista Espírita fevereiro de 1859

Percebemos, pelo trecho acima, que, ao contrário do que se poderia supor, essa faculdade mediunica não é um privilégio exclusivo de pessoas de grande virtude moral. A mediunidade não depende unicamente da pureza ou do caráter moral do indivíduo, mas envolve uma combinação de fatores, incluindo aspectos físicos e espirituais ainda não totalmente compreendidos. Essa complexidade pode resultar, inclusive, em manifestações poderosas em indivíduos cujas condições morais não são as ideais, enquanto outros, que poderiam ser considerados mais equilibrados, não a possuem.

Além disso, Kardec ainda nos alerta:

“(…) a boa qualidade do médium não está apenas na facilidade das comunicações, mas unicamente na sua aptidão para só receber as boas. Ora, é nisto que as suas condições morais são onipotentes; e é nisso também que ele encontra os maiores escolhos.” 

Allan Kardec, Revista Espírita fevereiro de 1859

Essa afirmação é fundamental para entender que, para um médium, a qualidade das comunicações espirituais está relacionada à quantidade ou à facilidade que ele recebe mensagens, além da sua capacidade de discernir e filtrar as influências espirituais. O médium precisa estar preparado para rejeitar as influências dos espíritos imperfeitos e aceitar apenas as mensagens provenientes de espíritos elevados e confiáveis.

No entanto, Kardec enfatiza as condições morais do médium são de suma importância. A moralidade do médium não apenas influencia o tipo de comunicação que ele é capaz de receber, mas também atua como um verdadeiro “filtro” para impedir que ele se deixe enganar ou influenciar por espíritos inferior ou enganador. Por isso, os maiores obstáculos para o médium não são apenas as dificuldades técnicas ou físicas, mas as questões morais, que exigem constante vigilância e aprimoramento.

Nesse sentido, os médiuns precisam estar em constante processo de autoconhecimento e reforma íntima. A mediunidade é, por sua própria natureza, uma oportunidade de crescimento, mas também exige grande responsabilidade. O médium não pode ser um simples canal passivo, mas deve buscar constantemente a elevação moral, a ética e a espiritualidade, assim suas faculdades mediúnicas serão bem direcionadas e trarão benefícios para si mesmo e para os outros.

Portanto, os obstáculos morais que os médiuns enfrentam muitas vezes estão ligados a uma tendência de se deixar levar pelo ego, pela vaidade ou pela ansiedade de “mostrar” suas capacidades. A humildade, a disciplina e o desprendimento são qualidades essenciais para garantir que o médium não se desvie do caminho do bem e da verdade, minimizando, assim, os riscos de desilusões ou de comunicações prejudiciais.




Homossexualidade e Espiritismo

Este é um assunto um tanto denso, cuja abordagem varia conforme o viés utilizado. Alguns tentam conduzi-lo por ideologias; outros, por interpretações que desconsideram a própria essência da natureza humana. Há ainda aqueles que procuram justificar o comportamento homossexual humano pelo exemplo dos animais, como se ele se limitasse a uma expressão de impulsos instintivos e materialistas. Entretanto, os animais, não possuindo consciência moral, podem agir de maneira que, aos olhos humanos, parece contraditória — como nos casos de incesto ou infanticídio. A questão do comportamento humano, porém, não se resolve dessa forma, pois envolve a consciência moral do Espírito. Focar nesses pontos resulta em desentendimentos e discussões que não levam a lugar algum. Discutir homossexualidade no contexto do Espiritismo, sob a ótica doutrinária, é, portanto, fundamental.

Precisamos destacar que o Espiritismo vai além e, por ser todo moral, dá a resposta simples e clara sobre a questão: em tudo, o que importa é o Espírito, que não tem sexo, e suas ações. Tendo o Espírito o livre-arbítrio e desde que esse livre-arbítrio não resulte em mal para os outros, como no caso presente, deve ser deixado livre para agir e deve ser respeitado em suas decisões.

A explicação que Kardec dá para aquilo que era conhecido como “anomalia”, em sua época, e que ele demonstra ser apenas “aparente”, é a seguinte:

“Se essa influência da vida corporal repercute na vida espiritual, o mesmo se dá quando o Espírito passa da vida espiritual para a corporal. Numa nova encarnação, ele trará o caráter e as inclinações que tinha como Espírito; se ele for avançado, será um homem avançado; se for atrasado, será um homem atrasado.

Mudando de sexo, poderá, pois, sob essa impressão e em sua nova encarnação, conservar os gostos, as tendências e o caráter inerentes ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes que se notam no caráter de certos homens e de certas mulheres”.

Portanto, só existe diferença entre o homem e a mulher em relação ao organismo material, que se aniquila com a morte do corpo. Mas, quanto ao Espírito, à alma, ao ser essencial, imperecível, ela não existe, porque não há duas espécies de almas.

Allan Kardec, R.E., Jan/1866

Convém repetir que a ciência, na época de Kardec, definia tais comportamentos como anômalos. Kardec, utilizando-se da teoria espírita, destaca que é apenas uma anomalia aparente, ou seja, não é, de fato, uma anomalia.

Ouso ir um pouco além dessa explicação: e se o Espírito, tendo sido mulher em várias vidas, escolhe deliberadamente encarnar como homem, mantendo suas tendências, de modo a colher aprendizados? E se ele escolhe tal gênero de prova visando ajudar, dando seu exemplo? Outrossim, a homossexualidade pode ser simplesmente uma expressão da natureza do Espírito, sem que precise necessariamente de “superação” de questões morais. Dessa forma, a orientação não é uma prova em si, mas uma expressão legítima da pluralidade dos Espíritos, em seu trajeto evolutivo.

O ponto é que não podemos julgar o passado do indivíduo, muito menos vê-lo como alguém cumprindo um castigo. Cada Espírito é único e expressa em sua trajetória uma pluralidade de características igualmente valiosas. Por isso, devemos respeitar as escolhas do outro, dentro dos limites da ética e da caridade, e estar sempre prontos para ajudar e sermos ajudados, ensinar e aprender, compartilhar e colaborar, sem julgar aparências.




Mediunidade: estudo e prática

Sob um título muito chamativo, temos mais uma série de apostilas da Federação Espírita Brasileira, dividida em dois volumes. Perguntamo-nos, sem conhecê-la: por que criar uma apostila se as obras de Kardec já são bastante claras e concisas por si mesmas?

Encontrando os PDFs dessas apostilas, a primeira coisa que me ocorreu foi pesquisar sobre “evocações”. Abri o PDF e pesquisei por “evoca” (para abordar “evocar”, “evocação”, “evocações”, “evocado”, etc). Afinal, uma apostila que vá tratar do tema da mediunidade, no contexto espírita, necessariamente precisa abordar a evocação, ferramenta indispensável ao processo mediúnico. “Surpresa”: nada! Nada, absolutamente nada sobre as evocações, no volume I, senão uma referência à questão de a prece ser uma evocação. Vamos, então, ao volume II. Quem sabe deixaram para tratar nesse, evitando antecipar um tema tão importante. Nova “surpresa”. Nesse volume, aparece sim, o seguinte:

Deve-se evitar evocações diretas dos Espíritos, optando-se pela sua manifestação espontânea: “Frequentemente, as evocações oferecem mais dificuldades aos médiuns do que os ditados espontâneos […]”.45 Cabe à direção espiritual a seleção de desencarnados que deverão manifestar-se na reunião.

A nota de rodapé faz referência a O Livro dos Médiuns, mas o trecho foi inserido fora de contexto, para dar a falsa ideia da recomendação de não evocar diretamente os Espíritos. Na verdade, o trecho inserido está sendo mencionado, por Kardec, no sentido de denotar que as evocações oferecem mais dificuldades do que as comunicações espontâneas, já que, nas últimas, o Espírito escolhe livremente o médium mais apto à sua comunicação, coisa que se torna mais difícil no caso das evocações:

Porque, como já dissemos, as relações fluídicas nem sempre se estabelecem instantaneamente com o primeiro Espírito que se apresenta. Convém, por isso, que os médiuns não se entreguem a evocações para perguntas detalhadas sem estarem seguros do desenvolvimento de suas faculdades e da natureza dos Espíritos que os assistem, pois com os que são mal assistidos as evocações não podem ter nenhum caráter de autenticidade.

Allan Kardec — O Livro dos Médiuns

Contudo, Kardec demonstra que as evocações são preferíveis às comunicações mediúnicas, recomendando que se ocupem das últimas apenas os grupos que tiverem certeza de controlar os Espíritos:

“[…] não chamar nenhum em particular é abrir a porta a todos os que querem entrar”.

“As comunicações espontâneas não têm nenhum inconveniente quando controlamos os Espíritos e temos a certeza de não deixar que os maus venham a dominar”

Allan Kardec — O Livro dos Médiuns

Mais à frente, outra ocorrência do termo:

Os médiuns ostensivos devem, ainda, ser orientados a:

[…]

  • Ter consciência da impropriedade de evocar determinada entidade, parente ou amigo, no curso das reuniões, conscientes de que, no momento certo, eles se manifestarão, com o apoio dos orientadores espirituais.

Onde inserem novamente uma referência descontextualizada de Kardec:

O desejo natural de todo aspirante a médium é o de poder conversar com os Espíritos das pessoas que lhe são caras; deve, porém, moderar a sua impaciência, porque a comunicação com determinado Espírito apresenta muitas vezes dificuldades materiais que a tornam impossível ao principiante.

Allan Kardec — O Livro dos Médiuns

Notem que Kardec diz: ao principiante. Isso não é destacado e, no texto, acaba passando como uma orientação geral aos médiuns, acrescida à afirmação anterior — “Ter consciência da impropriedade de evocar determinada entidade, parente ou amigo, no curso das reuniões, conscientes de que, no momento certo, eles se manifestarão, com o apoio dos orientadores espirituais”, que é completamente falsa, já que a evocação era ferramenta utilizada por Kardec e incontáveis outros, necessária para o necessário diálogo e questionamento dos Espíritos. Além disso, não há, no restante da apostila, nenhuma menção à maneira correta de fazer as evocações e sua utilidade, coisa que, logicamente, é tratada por Kardec em O Livro dos Médiuns e em outras obras.

Na verdade, tudo isso não me espanta. Sendo a Federação Espírita Brasileira uma instituição roustainguista, tendo atuado para paulatinamente desviar o Movimento Espírita, decerto não lhe seria interessante colocar em foco justamente a ferramenta que, quando retomada, provocará sua desgraça, posto que dará a oportunidade do questionamento aos Espíritos, seguindo os passos de Kardec, dos diversos absurdos proferidos e impressos, sem nenhum cuidado, pela FEB, durante mais de um século.

Assim como o ESDE – Ensino Sistematizado da Doutrina Espírita – está repleto de absurdos e desvios, cultuando o apreço a Brasil, Coração do Mundo, obra de um Espírito mistificador, essas apostilas também cumprem, sim, o seu propósito: o de continuar o desvio.

Volto a repetir: Espiritismo se estuda nas obras originais, não adulteradas, de Kardec (clique para baixar). Corram, corram da FEB!




O Desvio do Movimento Espírita Brasileiro: A Influência do Roustainguismo e Suas Consequências

O Movimento Espírita Brasileiro possui uma característica singular: ele foi profundamente influenciado pela obra de Jean-Baptiste Roustaing, especialmente após Bezerra de Menezes assumir a presidência da Federação Espírita Brasileira (FEB) em 1895. Essa influência trouxe para o Espiritismo brasileiro uma interpretação que diverge dos ensinamentos organizados por Allan Kardec, imprimindo uma visão mística e cristã tradicional que contrasta com a proposta original de uma doutrina científica e filosófica.

A Doutrina Espírita e Seu Método de Controle

Allan Kardec, em sua missão de organizar os ensinamentos dos espíritos, desenvolveu um método rigoroso de análise e controle, conhecido como “controle universal dos espíritos”. Esse método visava garantir a coerência e a autenticidade das mensagens espirituais: apenas ensinamentos validados por várias comunicações, em diferentes locais e com lógica e moralidade consistentes, eram aceitos. O objetivo era proteger o Espiritismo contra ilusões, falsidades e interpretações incoerentes, assegurando que a doutrina permanecesse fundamentada em princípios racionais e universais.

Na Doutrina Espírita organizada por Kardec, os espíritos evoluem de forma contínua e natural, sem a ideia de uma “queda inicial” ou expiação pelo “pecado original”. A encarnação é vista como um processo de aprendizado e progresso, sem a necessidade de justificativas religiosas tradicionais.

Roustaing e a Introdução de uma Visão Mística

Jean-Baptiste Roustaing, por outro lado, introduziu uma interpretação divergente do Espiritismo. Em sua obra Os Quatro Evangelhos, ele propõe conceitos que incluem a teoria de um “corpo fluídico” de Jesus e a ideia de uma “queda original dos espíritos”, aproximando-se de uma visão espiritualizada dos Evangelhos que se assemelha a doutrinas místicas e cristãs tradicionais. Diferente de Kardec, Roustaing não aplicou o método de controle universal, aceitando comunicações mediúnicas que recebeu por meio de uma única médium, Émilie Collignon, o que trouxe um conjunto de ideias que contrastam com os princípios doutrinários do Espiritismo.

Quando Bezerra de Menezes assumiu a FEB, ele introduziu a obra de Roustaing no movimento, promovendo Os Quatro Evangelhos como uma espécie de interpretação oficial da Doutrina Espírita no Brasil. Com isso, a FEB passou a enfatizar uma visão religiosa e cristã, introduzindo a ideia de um “papel messiânico” do Brasil como “Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”. Essa interpretação é visível na obra homônima, atribuída ao espírito Humberto de Campos e psicografada por Chico Xavier, que descreve o Brasil como o país escolhido para liderar a regeneração espiritual da humanidade.

O Desvio do Espiritismo no Brasil

A promoção do roustainguismo dentro da FEB teve consequências duradouras para o Movimento Espírita Brasileiro. Com o tempo, a ênfase no misticismo e em interpretações messiânicas levou a uma aceitação menos crítica das comunicações dos espíritos, sem o rigor analítico defendido por Kardec. Obras com interpretações místicas e nacionalistas, como Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, foram amplamente aceitas, apesar de contradizerem o universalismo imparcial e a objetividade da Doutrina Espírita original.

Essa influência fez com que o Espiritismo brasileiro adquirisse um caráter religioso e místico, distanciando-se dos princípios de investigação e análise científica. Ao invés de uma doutrina racional, centrada no progresso e aprendizado contínuo dos espíritos, o Movimento Espírita Brasileiro adotou elementos que carregam uma visão espiritualizada do Evangelho, transformando a doutrina em algo híbrido, misturando conceitos espiritistas e dogmas religiosos.

Conclusão

O impacto do roustainguismo no Movimento Espírita Brasileiro resultou em um desvio que trouxe ideias místicas e religiosas para dentro da doutrina, afastando-a da proposta original de Allan Kardec. A FEB, sob a influência de Bezerra de Menezes e dos adeptos de Roustaing, adotou práticas que contradizem o método científico e filosófico da Doutrina Espírita, levando o movimento a aceitar comunicações sem o rigor analítico necessário e a promover interpretações que distorcem a essência racional do Espiritismo.

Esse desvio continua sendo um tema de debate e reflexão entre os estudiosos e praticantes do Espiritismo no Brasil, pois levanta questões sobre a fidelidade e a preservação dos princípios que Kardec estabeleceu como fundamentos da doutrina.




A punição pelo remorso e o retorno ao bem pelo arrependimento

O conceito de punição, pouco entendido no contexto espírita atualmente, estava amplamente compreendido e difundido entre os Espiritualistas Racionais e entre os Espíritas, na época de Allan Kardec, representando nada mais que a consequência dos nossos atos. Falamos sobre isso no artigo “Punição e recompensa: você precisa estudar Paul Janet para entender Allan Kardec“. Até recentemente, porém, o entendimento sobre o tema não me era perfeitamente claro — não até abordarmos o estudo do artigo Remorso e arrependimento, na Revista Espírita de maio de 1860:

[…] Lembrai-vos de que o arrependimento sincero obtém o perdão de todas as faltas, tão grande é a bondade de Deus. O remorso nada tem em comum com o arrependimento. O remorso, meus irmãos, já é o prelúdio do castigo. O arrependimento, a caridade e a fé vos conduzirão às felicidades reservadas aos bons Espíritos.

Esse pequeno trecho, tão profundo, nos despertou a ideia de pesquisarmos, em toda a obra de Kardec, pelo termo “remorso” e, ah!, quanto aprendizado colhemos disso.

O remorso, caro leitor, é a ferramenta divina que reconduz o Espírito ao bem. É o resultado da consciência de haver desrespeitado a lei divina, e tão pior será quanto mais esse desrespeito for consciente. É por isso que o remorso depende do desenvolvimento do senso moral:

O remorso é uma consequência do desenvolvimento do senso moral; ele não existe onde o senso moral ainda se acha em estado latente. É por isto que os povos selvagens e bárbaros cometem sem remorso as piores ações. Aquele, pois, que se pretendesse inacessível ao remorso assimilar-se-ia ao bruto. À medida que o homem progride, o senso moral torna-se mais apurado; ofusca-se ao menor desvio do reto caminho. Daí o remorso, que é o primeiro passo para o retorno ao bem.

Revista Espírita, agosto de 1867

É por isso que, revisitando a evocação do Assassino Lemaire, na Revista Espírita de março de 1858, encontraremos o seguinte:

6. Imediatamente após a tua execução, tiveste consciência de tua nova existência?

— Eu estava mergulhado numa perturbação imensa, da qual ainda não saí. Senti uma grande dor; parece que meu coração a sentiu. Vi qualquer coisa rolar ao pé do cadafalso. Vi o sangue correr e minha dor tornou-se mais pungente.

7. Era uma dor puramente física, semelhante à causada por uma ferida grave, como, por exemplo, a amputação de um membro?

— Não. Imagina um remorso, uma grande dor moral.

8. Quando começaste a sentir essa dor?

— Desde que fiquei livre.

9. A dor física causada pelo suplício foi sentida pelo corpo ou pelo Espírito?

— A dor moral estava em meu Espírito. O corpo sentiu a dor física, mas, separado, o Espírito ainda a ressentia.

[…]

41. Poderíamos dar algum alívio aos teus sofrimentos?

— Fazei votos para que chegue a expiação.

Sendo que a expiação é o resultado do arrependimento sincero do Espírito, que, então, escolhe novas provas, e uma nova vida, visando superar a imperfeição adquirida pelo seu afastamento consciente do bem. Não tem nada a ver com a falsa ideia de “lei do retorno” ou de castigo, embora o Espírito, quando evocado, possa se referir à sua expiação como um castigo, imposto, contudo, por ele mesmo:

[…]; se voltei para suportar esta prova da pobreza, era para me punir de um vaidoso orgulho que me fizera repelir o que era pobre e miserável. Então sofri esta lei justa do talião, que me tornou a mais horrível pobre desta região; e, como para me provar a bondade de Deus, eu não era repelida por todos: esse era todo o meu temor; assim suportei minha prova sem murmurar, pressentindo uma vida melhor da qual eu não devia mais voltar a esta terra de exílio e de calamidade.

Assim, através da prece ou da evocação, ajudar um Espírito culpado a despertar o remorso, sem julgá-lo, é uma grande caridade que podemos fazer e que o Movimento Espírita praticamente não mais faz:

E se, por um lado, sofro menos, por outro, as torturas aumentam pelo remorso. Mas, pelo menos, tenho esperança.

História de um danado — Revista Espírita de fevereiro de 1860

De nosso lado, todo esse estudo traz um aprendizado enorme sobre a nossa atitude frente aos Espíritos sofredores, frente aos Espíritos endurecidos, mas, também e principalmente, frente a nós mesmos. Quando a nossa consciência grita enquanto escolhemos fazer errado, não devemos abafar esses gritos. Devemos, pelo contrário, ouví-los e atendê-los, cuidando de corrigir nossas atitudes, tomando melhores escolhas. Do contrário, estaremos conscientemente cultivando imperfeições, e dia virá em que a consciência, outrora abafada, nos lançará num verdadeiro inferno pessoal, que parecerá não ter fim — até que nos rendamos a nós mesmos e ao arrependimento.

Resta lembrar que o arrependimento sincero reconduz o Espírito ao bem e à felicidade, conforme encontramos na edição original, não adulterada, de O Céu e o Inferno, de Allan Kardec (que você baixar clicando aqui):

8º) A duração do castigo está subordinada ao aperfeiçoamento do espírito culpado. Nenhuma condenação por um tempo determinado é pronunciada contra ele. O que Deus exige para pôr fim aos sofrimentos é o arrependimento, a expiação e a reparação — em resumo: um aperfeiçoamento sério, efetivo, assim como um retorno sincero ao bem.

O espírito é, assim, sempre o árbitro de seu próprio destino; ele pode prolongar seus sofrimentos por seu endurecimento no mal, aliviá-los ou abreviá-los por seus esforços para fazer o bem.